quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A histeria da causa feminista pretende deslegitimar o poder judicial

Hoje no Público a artista que noticiou o mais recente caso de "Neto de Moura" volta a atacar com falsidades jornalísticas.

Escreve, comentando a comunicação jesuítica do CSM a propósito da não instauração de inquérito disciplinar ao juiz em causa: "Em Outubro, o desembargador da Relação do Porto retirou a pulseira electrónica a um homem condenado por rebentar um tímpano à mulher ao soco".

O preciosismo "ao soco", num português de além-mar não é verdadeiro. O "homem" foi condenado por ter praticado um crime de violência doméstica, não de ofensa à integridade física e daí a pena acessória que não foi sufragada pela Relação, ou seja pelo juiz Neto de Moura e pelo juiz Luís Coimbra. Dois juízes, não um.
Por outro lado, o "juiz Neto de Moura" não retirou a pulseira ao "homem". Simplesmente não concordou que eventualmente o "homem" viesse a usá-la, o que é substancialmente diverso e falseia a notícia que nem dois dias de pousio chegaram para que a jornalista percebesse a diferença. Arre!



Claro que estas notícias adulteradas, manipuladas impunemente por este tipo de jornalismo troglodita, são aproveitadas com todos os efeitos desejados por quem alia a fome feminista à vontade de comer decisões deste tipo, da "Justiça".

Assim, o Correio da Manhã que ontem se mostrara razoável e comedido,   não conseguiu evitar associar-se ao festim e publica hoje este escarro noticioso, bem à maneira da notícia de primeira página sobre uma famigerada "Rosa Grilo": o Bloco evidentemente "quer". Olha se não quer...embora se lhe aplique aquele dizer antigo do humorista  brasileiro Jô Soares: "querias...dizes bem: querias. Mas não vais ter!"
E não vão ter porque o juiz em causa não tem neste caso nada que se lhe possa apontar. Tal como no anterior, aliás. Até os jacobinos do CSM perceberam agora tal coisa, evitando cometer o mesmo erro duas vezes. Já descobriram que se não fizerem o que o "Bloco quer" terão a vida num inferno mediático durante dias, semanas ou meses a fio. Assim, como se limitaram a uma advertência e comeram na mesma pela medida grande da intolerância feministo-dependente, então agora recuaram para a sensatez que lhes faltou da primeira vez. Enfim, emendaram a mão.


Depois disto e do mais se saber como é possível tamanha ingenuidade do presidente da ASJP, no Público de hoje,  ao escrever que estas manobras mediáticas não representam uma deslegitimação do poder judicial?


Claro que só podem representar tal coisa, mesmo que não haja uma conspiração concertada e de cabala feita.

O que significa deslegitimar? Pois, retirar a autenticidade a qualquer coisa, renegar a justificação de algo, ilegalizar o que deriva de um acto de poder legítimo. É isso que dizem os dicionários.

Ao atacar um juiz ou outro, sempre no mesmo registo de Causa, o que pretende este poder mediático? Substituir-se àquele que constitucionalmente tem o direito e do dever de administrar justiça em nome do povo.

Este poder mediático acolitado por certo poder político pretende censurar vivamente  as decisões de um poder legítimo, obrigando-o a seguir ditames que apresentam como os impositivos, mesmo fora da lei.

Alguém contesta que é exactamente isto que sucede no caso concreto?

Seja como for a coisa já deu os seus frutos: este antigo maoista, marxista-leninista reciclado no arrependimento aggiornato também já considera estas "sentenças anacrónicas". É por estas e por outras que aquele arrependimento nunca me convenceu. É um arrependimento de meio da ponte. Olha para um lado mas não esquece o outro e de vez em quando lá olha para trás...apetece dizer-lhes: anacrónica era a tua ideologia, pá! E pelos vistos continua a ser.

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