quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

A jornalista pente-fino do Correio da Manhã

Todos os dias de manhã, cedo, olho para três jornais no quiosque: Público em primeiro lugar; Correio da Manhã e i. É praticamente o que resta como informação diária generalista, impressa. Folheio o Público nas duas páginas de opinião, sempre no mesmo sentido unanimista e por vezes escandalosamente enviesado e é nessa altura que compro para ler e tentar perceber como foi possível descermos tão baixo, tão depressa. Por vezes dou aqui conta de tais escritos.
O i é cada vez mais um jornal inútil. Até na opinião que transporta. Vende nada porque vale nada.

O Correio da Manhã não se ocupa muito com a opinião em forma de página inteira e prefere pequenos apontamentos que entrega a figuras residentes. Uma delas é consulta obirgatória: Francisco José Viegas. Tem-me levado a comprar o jornal, escreve sobre literatices em modo pessoal, como gosto, mostrando que leu e que percebeu e dando a conhecer.  O Público, sobre isso, passa páginas inteiras de um suplemento com escritas de cor, copiadas de outros, anónimos e eventualmente plagiados. Muitas vezes com escritos incompreensíveis é dos piores suplementos que jamais vi em jornais.

Voltando ao CM. Os temas de capa são sempre a puxar o título sensacional. Imagino  o responsável pelo "fecho" do jornal com as várias notícias possíveis a pensar na que vai destacar na capa, com as letras de garrafa, no espanholismo importado.

Geralmente varia consoante o prato forte do dia anterior Se houver tragédias públicas com mortos é a cornucópia habitual de imagens chocantes com textos esticados ao máximo da descrição subjectiva a puxar ao despudor.

O melhor exemplo desta iconografia de jornal é este, recente e que  tem tudo para vender papel: a foto do monstro, a descrição do acto do monstro, a foto da vítima, uma menina de tenra idade e que concita o horror de qualquer pessoa. É esse o objectivo do jornal: provocar no leitor o desejo mórbido de saber mais e comprar o jornal para tal.



Se não for dia de mortos ainda fumegantes ou sangue fresco derramado em crimes,  requenta-se um desses casos já mais antigo mas com provas dadas na matéria do sensacionalismo.

Ontem, como sempre aliás, houve casos do dia que preencheriam os requisitos. Por exemplo, este:  um indivíduo passa vinte anos na cadeia por ter assassinado uma mulher e depois de seis meses em liberdade, pum! Faca de cozinha em punho e aí vai disto: primeiro uma farmácia e algumas centenas de metros adiante um cofre de um banco. Total da empreitada: 160 euros e uns trocos mais uns artefactos, incluindo um carrinho de mão para levar o cofre. Foi apanhado logo a seguir.

O caso mereceria melhor atenção para se perceber como é que um ex-recluso condenado a 20 anos que cumpriu,  não se ressocializou o suficiente, mas isso não deve interessar muito a Rui Pereira que sabe perorar sobre o assunto em modo teórico e contribuiu para o código que aplicou a pena ao dito. A notícia diz que o assaltante,  "homicida" de há vinte anos e agora para todo o sempre no CM, andava a aprender para se tornar operacional de "call center", daqueles que telefonam ao calhas para tentar apanhar clientes para as operadoras de telefone ou assim.

Também o editor do jornal, responsável pela capa deve ter matutado que era assunto sem interesse de maior e por isso, para a capa de hoje, aparece o caso da "viúva Rosa" mais conhecida no meio do CM como "Rosa Grilo". O assunto já deu várias capas ao CM; várias horas de conversa de chacha na CMTV só batida pelas conversas do futebol e ainda vai dar mais. É a vaca leiteira, actual do CM(TV). Com o que ganham e esperam ganhar deviam pagar a defesa da arguida...afinal o leit-motiv de toda a sensação.

Assim, para além dos fait-divers integralmente narrados nas páginas interiores ( e que constituem diariamente um bom arquivo estatístico digno de permitir análises sociológicas, antropológicas e apenas lógicas  a várias entidades)  aparece esta notícia:


A sensação reside no verbo "gastar" e na expressão "gastar" 10 mil euros em 40 dias. E que a PJ "passa contas a pente fino", para saber tal coisa.
 Esta do "pente fino" é expressão idiomática que paga direitos de autoria à jornalista que assina a notícia, Tânia Laranjo, naturalmente. "Pente Fino" é assim o modo como passa a ser conhecida por aqui: a jornalista pente fino. Fica-lhe bem.

Para passar a "pente-fino" estas notícias de sensação artificial como é que se faz quando o processo que é exclusiva fonte das mesmas se encontra em segredo de justiça? Viola-se o segredo, pois claro.

Como? É perguntar aos peritos na matéria, mormente o académico Rui Pereira que sabe dessas coisas. Como é possível um processo que está em investigação exclusiva na Polícia Judiciária ser fonte privilegiada de informações que deveriam estar ainda em sigilo e afinal são notícia de capa do Correio da Manhã?

Uma investigação a "pente-fino" daria a resposta lamentável e que todos podem conhecer pela leitura da notícia: as informações pelos vistos vêm todas da PJ...e na notícia de hoje também do processo de "regulação de poder paternal", cuja designação formal foi alterada há uns anos e se chama agora regime de responsabilidades parentais...

Seria importante saber, numa investigação a "pente-fino" se as informações do jornalismo do CM se baseia na prática de crimes. Já agora, Rui Pereira pode muito bem dizer qualquer coisa sobre esta hipótese sensacional. Logo à noite, quase todos os dias, na CMTV...



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