sábado, 2 de fevereiro de 2019

CGD: "Fuck" them all!

Finalmente é conhecida a extraordinária operação bancária que o ainda mais extraordinário empresário (?) madeirense, ex-emigrado em África, Joe "fuck you" Berardo realizou junto da CGD no tempo de José Sócrates e Armando Vara.

Resta dizer que este tal Joe fuck you Berardo não tinha acesso a esta gente, logo no início do governo do desgraçado e inenarrável Sócrates. Tentou chegar lá através do então ministro da Agricultura  Jaime Silva ( sogro do presidente da Câmara de Lisboa, Medina) e este deu-lhe com os pés, diplomaticamente, depois de o convidar para a Bacalhôa. Tentou outro, eventualmente Vara, o dos saltos. Resultou, como se viu a seguir.

O Observador desencantou uma imagem escondida no ficheiro manhoso e remetida por nabice informática para toda a gente poder ver, pelos extraordinários funcionários que a remeteram.

É esta:




 Como se explica:

Neste confronto contra Jardim Gonçalves, Paulo Teixeira Pinto foi apoiado por um grupo de novos acionistas, entre os quais o empresário Joe Berardo. Foi por esta altura que Berardo reforçou de forma significativa a sua participação no então maior banco privado português (chegou a ter 6,2% do banco, sendo o quarto maior acionista). O financiamento para esse reforço na estrutura acionista do BCP foi concedido pela Caixa Geral de Depósitos. O banco público ajudou, em manobras semelhantes, o empresário Manuel Fino e a Teixeira Duarte.

Quando Paulo Teixeira Pinto perdeu a batalha e saiu do BCP, a Caixa ficou com várias “bombas por explodir” nas suas contas, sob a forma de empréstimos a Joe Berardo e outros. Os números já eram conhecidos: no total, Berardo terá reunido cerca de 1.000 milhões de euros junto da banca portuguesa. Menos de dois anos depois, as ações que tinha comprado no BCP valiam menos de 190 milhões. A Caixa terá emprestado inicialmente cerca de 400 milhões de euros (tal como o BCP. O BES terá emprestado menos de 200 milhões).

Ponto prévio: apesar de Berardo ser um dos maiores devedores da CGD analisados pela consultora, o relatório preliminar — divulgado a 20 de janeiro — não incluía uma ficha específica para a Fundação Berardo nem para a Holding Metalgest. Apenas continha referências à exposição da Caixa a ambos e as imparidades que registou. Essa ausência fez aumentar a expectativa pelo documento final.

O relatório final da auditoria da EY entregue esta sexta-feira ao parlamento traz mais alguma luz à forma como esses créditos foram concedidos a Berardo e, sobretudo, à forma como foi renegociado, anos depois. Para começar, o empréstimo foi aprovado com um parecer “condicionado” da Direção de Risco da Caixa. A finalidade do crédito era a “aquisição de ações cotadas” e como garantia foi dado um “penhor de ações cotadas em bolsa”, estabelecendo-se um nível de cobertura de 105%.

E que condições sugeriu a Direção de Risco? “De acordo com o parecer da Direção-Geral de Risco, apenas será de considerar a participação da CGD na presente operação se assegurados um conjunto de condicionantes, sendo de destacar (i) o aval pessoal do acionista; (ii) introdução de um mecanismo que permita aferir a valia da mutuária (exigência de capitais próprios mínimos); (iii) e existência de uma opção de denúncia anual, um plano de reembolso escalonado e/ou um expressivo agravamento do pricing do financiamento”.

O crédito foi concedido em 2007, mas, no momento em que a auditoria foi feita, em 2017, a EY registou no relatório que “não foi disponibilizada informação que permita [à consultora] verificar que estas condições foram acomodadas pelo Conselho Alargado de Crédito” da Caixa.

Mais grave: sobre os colaterais dados inicialmente pelo cliente [a Fundação Berardo], a auditoria “não obteve evidência da reavaliação regular dos valores mobiliários dados como penhor”. Atendendo “à volatilidade do ativo”, nota a EY, e à dimensão da exposição, “o respetivo preço deveria ser monitorizado com elevada frequência”. A evolução do rating do crédito dá razão a estas reticências: era de B- em 2009, melhorou para B em 2010, mas piorou para D em 2013 e 2014.

O cenário piora. Em 2008/2009 Joe Berardo reestruturou os seus créditos na Caixa, então já dirigida por Faria de Oliveira. Tal como escreveu na altura o jornal Expresso, o empresário terá não só “prolongado o prazo dos empréstimos como congelado o pagamento de juros por mais quatro ou cinco anos”.

Berardo entregou como garantia 75% da Coleção Berardo — um acervo de mais de 800 obras de arte moderna e contemporânea que em 2007 valia cerca de 316 milhões de euros. Ainda assim, terá conseguido deixar de fora das garantias apresentadas a Quinta da Bacalhôa, em Azeitão, onde se produzem vários vinhos. Também não teve de dar como colaterais os investimentos no Canadá, entregando apenas ativos em território nacional. 


… e depois deu um parecer desfavorável à reestruturação


A Direção-Geral de Risco também foi chamada a dar o seu parecer a esta reestruturação. E o seu parecer já não foi só condicionado, foi mesmo desfavorável.

“A reestruturação em análise, no entender da DGR: (i) prevê que o Grupo CGD faça depender a recuperação dos seus créditos da evolução futura do comportamento bolsista de ações; (ii) não tem inerente um reforço de garantias nem qualquer redução da dívida, pelo que, em substância a reestruturação não aparenta em si melhorias no previsível valor de recuperação de crédito”, lê-se na auditoria da EY.


Está exposto o esquema. Faria de Oliveira deveria meter a cara num saco de serapilheira a cheirar a bacalhau. Deixou-se f...resta saber a que preço. Se foi apenas para se manter no "sistema", como grande gestor à imagem do que fica exposto, como julgo, ou pior. 

Seja como for é um escândalo e um crime. 

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O verdadeiro super-juiz