terça-feira, 30 de abril de 2019

Carlos Santos Ferreira e os mitos urbanos

De manhã, o Correio publicou isto:


À tarde, este Santos Ferreira, colega de curso de Direito do actual PR e amigo " de há 40 anos" de outro figurão da CGD e agora dos ajustes directos da advocacia que exerce em tandem com uma familiar- Eduardo Paz Ferreira- prestou declarações na Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD.

O Observador acompanhou a audição e também ouvi algumas passagens, por exemplo esta, apresentada com um ar de algum modo bonacheirão deste finório mais finório que qualquer um que por aí passou, nessa Comissão:

Créditos Ruinosos?  Ah! E “lucros fabulosos”, também...

Sobre o criminoso Armando Vara, agora a cumprir pena e a quem o mesmo Santos Ferreira teceu altos elogios de competência profissional, in illo tempore, pois o Observador resume assim: 

Já a delegação de competências conferida s Armando Vara para tomar sozinho decisões sobre empréstimos e spreads no caso de Vale do Lobo “não é normal, mas não é extraordinário”. Depois de afirmar que não se encontra outra outra delegações de competências da mesma natureza, Santos Ferreira não responde porque aprovou então essa delegação na reunião do conselho de administração de dezembro de 2006. Santos Ferreira acrescenta mesmo que também gostaria de saber, mas se decidi e está lá a minha assinatura é porque achava aceitável.


Sobre o "assalto ao bcp" com o apoio do famigerado Berardo,- fuck you, man, -  é mito urbano. Foi eleito por grande vantagem, presidente do BCP, em competição com outra lista apresentada por Miguel Cadilhe. E a lista de Berardo para a comissão de fiscalização até foi chumbada na mesma altura...

Sobre os créditos concedidos pela CGD a troco de garantias de acções, no caso do bcp, puxou de um decreto-lei, suponho,  de 1998 para mostrar que a lei não proíbe tais garantias, mesmo em crédito à habitação. Gostaria de saber se alguma vez tal sucedeu, mas enfim. 

Este Santos Ferreira, com ar muito controlado e bem disposto, deve ser uma fera se for picado a sério. Mas ainda não ouvi quem o pudesse fazer. Assim toureou aquela Comissão como quem faz um passeio à beira-mar. 

Este Santos Ferreira é mais maligno que o Salgado, na minha opinião. E mais inteligente...
Emparelha bem com aqueloutro Ferreira, antigo jornalista do República que colaborou na fundação do PS...

O cartoonista-lixo do Expresso


Pacheco Pereira, na Sábado de hoje, atira-se aos  komentadores ocasionais de sítios online, como o Observador e que usam a liberdade de expressão para insultar em modo soez e vernacular quem não  lhes agrada. Curiosamente escolheu os komentadores que cascam na esquerda...

Assim:




Na imprensa dita de referência há também komentadores que se pautam por essa linha de conduta, sem grandes restrições éticas ou morais, entrando a matar com expressões ad hominem ou palavrões a preceito.

Alguns fazem-no até por via gráfica do desenho, como o desenhador António que se emprega no Expresso há décadas.

Aqui há uns anos, em 1992, para criticar o papa João Paulo II por via da sua doutrina religiosa acerca de assuntos sexuais em África, komentou em modo semelhante dizendo que o Papa devia era enfiar o nariz numa camisa de vénus.

Não o escreveu; se o fizesse teria o Pacheco em cima a vituperar, se não soubesse de quem se tratava; antes,  estilizou o insulto e desenhou o que não deixa de o ser e na mesma intensidade.


Agora há pouco, o mesmo komentador-desenhador do Expresso, chamou ao eleito chefe de governo de Israel , cão- salsicha ( oriundo da Alemanha...) , atrelando-o a um cego, no caso um Trump de kippah no toutiço. Desenhou assim o insulto estilizado:


Desta vez o jornal que o republicou, o NYT, viveiro de anti-trumpistas como o referido Pacheco, repensou melhor e pediu desculpa aos leitores. Não pelo cego atrelado e com kippah mas pelo cão-salsicheiro.
Consideram que traduz um insulto aos judeus...

Em suma, segundo a idiossincrasia pachequiana, há no Expresso um komentador-lixo, no caso o desenhador António.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

As modas nos anos sessenta, em Portugal


A cada ano que passa, a chegada do 25 de Abril é sempre um momento de balanço. Mesmo 44 anos depois. Como era o país antes da revolução, o que sentia e fazia quem viveu nessa época, o que mudou, como mudou, quem foi mais afectado ou até como seria se nada tivesse acontecido.

Falamos do início dos anos 70. Altura em que reinavam os hippies, o flower power, os padrões psicadélicos e até os punks. Um pouco por todo o lado, mas não em Portugal. Em pleno regime de Estado Novo, Portugal era um país ultra tradicional e conservador, o que o levou a estar sempre um pouco atrás em várias áreas, inclusivé na moda.

Enquanto que “lá fora”, as mulheres usavam as calças à boca de sino, as mini saias, os vestidos justos e as plataformas, por cá, quem usava calças eram praticamente só os homens e as mini saias e decotes eram censurados. Os looks das portuguesas antes da revolução eram então os vestidos cintados e abaixo do joelho, os saltos muito baixos, a gola alta, padrões florais e xadrez, mas muito discretos. Basicamente o que fosse permitido pelo regime de Salazar.


A  mocinha que escreveu isto chama-se Fabíola Carlettis e tornou-se consultora de moda e lifestyle

As asneiras que debita no escrito são confrangedoras pela ignorância e pelo preconceito. A mocinha não percebe nada do que foi a moda nos anos sessenta, em Portugal e pelos vistos nem sequer sabe identificar a época porque a confunde com os anos setenta. Quanto ao facto de assinalar o Estado Novo ainda no início dos anos setenta, nem é preciso salientar tamanha barbaridade histórica e ignorância atroz. 

Onde é que esta mocinha estudou? Quem lhe ensinou estas patranhas? 

Enfim, vamos lá desmontar ponto por ponto. 

No final dos anos sessenta, em pleno regime de Marcello Caetano que inaugurou o Estado Social, começou a publicar-se em finais de 1968 uma revista que se chamou primeiro Cine-Disco e passados alguns meses, já em 1969, Mundo Moderno.

Tal revista, quinzenal e  destinada aos jovens que gostavam de saber coisas da cultura popular desse tempo, começou precisamente no número 17 a  chamar-se Mundo Moderno. Em  1 de Maio de 1969, portanto há 50 anos, iniciou um concurso que se chamava "concurso da miss contracapa" e  apresentado assim: 



Todos os 15 dias os leitores eram convidados a votar na miss da sua escolha e a vencedora tinha direito a prémio. 

Esta é a vencedora do concurso anterior a 1 de Agosto de 1969: 


Durante todos os números que tenho da revista, até ao 43, de 1 de Setembro de 1970 apareceram sempre três raparigas de mini-saia ou de calças, como aqui no número 31 de 1 de Março de 1970 e uma era escolhida como vencedora da quinzena: 


A discussão acerca da mini-saia, aliás, foi tema da própria revista, em 15 de Outubro de 1969, no nº 22 que tinha esta capa:

  

Foram entrevistadas várias mulheres que falavam abertamente no uso da mini-saia...basta ler:


O tema da moda era recorrente, na revista. Aqui em 15.5.1969, mostrava-se que não era estranho o tema da moda inglesa, de onde proveio a moda da mini-saia:


O que aquela infeliz Fabíola Carlettis escreveu, sendo uma burricada de todo o tamanho para quem se dedica à "moda e lifestyle", terá uma explicação e que reside no ensino que temos. È mais uma vítima desse ensino e da "inducação" que lhe deram, coitada.

A menção ao estabelecimento Porfírios, sendo correcta merecia outra referência. Por exemplo, esta publicada na mesma revista em Janeiro de 1969:


E em 15 de Setembro de 1969 a revista mostrava um motivo de perplexidade e que alimenta artigos como o da tal Fabíola: na área de Lisboa, em Caneças, ainda havia lavadeiras...


Porém, o Século Ilustrado de 6.3.1968 ( ainda  Salazar estava no poder...) mostrava numa reportagem sobre o Nordeste de Portugal imagens de uma rapariga, bem bonita, por sinal,  a fazer mudanças de casa numa carroça. A saia é acima do joelho... 


Em 6.3.1971 a mesma revista mostrava isto: uma reportagem sobre violência grave entre namorados, o que hoje seria considerado violência doméstica....




O Portugal de 1968 já não era o Portugal dos anos 40, mas há gente que gosta de confundir tudo e misturar mistificações para enganarem não sei quem. A eles mesmos, talvez...

domingo, 28 de abril de 2019

Salazar nasceu há 130 anos e combateu sempre o comunismo.

Salazar nasceu no dia de hoje, há 130 anos. Merece ser lembrado, muito mais que os comunistas que querem ser lembrados no Forte de Peniche. Por várias razões.

Pelo que fez pelo país:





Pelo que pensava do comunismo em geral e mesmo como o combateu, nos anos trinta e quarenta, essenciais para a preservação de Portugal como país independente, ocidental, cristão e civilizado na nossa tradição :


Este Domingos Abrantes, aqui atrás das grades de Peniche, numa foto bem justa, foi um dos que sofreu as consequências desse combate, mas está cá para o lembrar. Se fosse na União Soviética, indivíduos como ele nem sequer seriam lembrados pelo nome..


Na mesma época o comunismo soviético tratava os dissidentes, nem sequer opositores declarados ( esses eram simplesmente eliminados do mundo dos vivos, aos milhares ou milhões, como sucedeu no Holodomor) encarcerando-os em prisões que merecem uma comparação com a do Forte de Peniche, agora transformado em museu da resistência comunista: Lubianka e Lefortovo, abaixo mostradas, mesmo em Moscovo,  eram estâncias de férias?




Por muito que os comunistas portugueses que estiveram presos em Peniche, como aquele antifassista primitivo, Domingos Abrantes, queiram, nunca chegarão aos calcanhares dos seus homólogos soviéticos em desfaçatez, arrojo e despudor. Teriam que penar várias vidas para chegarem a este patamar:


Os comunistas portugueses deviam ter pudor e vergonha. Mas isso é coisa que nunca tiveram. Este Jerónimo, antigo afinador de máquinas, há décadas funcionário do Partido, até fala em Liberdade...

Como o PS ganha eleições: demagogia permanente...


Ana Catarina Mendes afirmou este sábado, 27 de abril, que o PS “foi, é, e será o partido do Serviço Nacional de Saúde“, e garantiu que o Governo procurou salvar o SNS após os cortes da direita.

O partido Socialista apropriou ideias que caem sempre bem no eleitorado. Desde o 25 de Abril que se apresenta aos portugueses como sendo um partido moderado mas com preocupações sociais que apelam imediatamente ao sentimento de pobres, doentes e desvalidos. Tem esse eleitorado na mão porque conseguiram passar a ideia geral que não são um partido dos ricos e defendem melhor os pobrezinhos do que qualquer outro. Os partidos comunistas avessos a uma liberdade mítica, geram alguma desconfiança em quem sente a moderação como um valor e por isso serão sempre marginais. 
O PS congrega essa desconfiança numa ideia de liberdade com justiça social. Um dois em um que resulta sempre e lhe confere sempre um score eleitoral próximo dos 30%. 

Esta declaração da apparatchick do PS insere-se nessa lógica imbatível. Mas é falsa, como uma boa parte das propostas económicas do programa socialista. Promentem ( enganei-me mas é um belo termo) um mundo que nunca existirá se tal programa for seguido e por isso nunca o seguem, na prática. Outra falsidade em que o PS é pródigo. 

Da esquerda e do PS em particular já vieram para Portugal três bancarrotas, nos últimos 40 anos. Nem assim as pessoas aprendem...

O SNS apesar de ser uma sigla que define um serviço de saúde que o PS patrocinou no final dos anos setenta do século que passou, era uma preocupação no anterior regime e nas vésperas de 25 de Abril de 1974 tal era equacionado pelo Expresso em artigo desenvolvido na edição imediatamente a tal data, em 20.4.1974:



Em resumo: não foi o PS que inventou o SNS ou merece sequer o título de "pai" do sistema de saúde nacional actual. 

Tal sistema seria inevitavelmente alterado e melhorado no caso de o regime de Marcello Caetano se ter mantido em 1974. E provavelmente seria configurado e realidade alguns anos antes do PS o ter feito, em 1978 através do maçónico António Arnaut. 

É preciso ensinar História a esta apparatchick casada com Paulo Pedroso...mostrando-lhe factos e não tretas. 

sábado, 27 de abril de 2019

O grupelho tóxico da inducação mediática abrileira

Li esta passagem do artigo de Alberto Gonçalves no Observador : 

Um “grupo de cidadãos” criou um “movimento apartidário” para exigir “uma campanha limpa”, leia-se “sem mentira e desinformação”. Os subscritores, assaz preocupados com o que acontece na América e no Brasil, pretendem “bloquear e denunciar” as “notícias falsas nas redes sociais portuguesas”, de modo a votarem “sem a intoxicação de quem despreza a democracia”. Isto é o que vem no “Público”.

O que não vem no “Público” é que o “grupo de cidadãos” é uma dúzia de “personalidades” habituais em programas televisivos de variedades, que o “movimento apartidário” corresponde ao arco do poder que vai do PS actual ao BE de sempre, que a preocupação deles com os EUA e o Brasil não se estende à Venezuela ou à Coreia do Norte, que a denúncia e o bloqueio são métodos de regimes totalitários e indivíduos com patologias, que o desprezo dessa gente pela democracia já a intoxicou há muito e que o problema não são as “notícias falsas” – invariavelmente produzidas à “direita” –, mas as restantes.


O tal grupo de cidadãos é este e os nomes são estes: Cristina Carvalhal, Cucha Carvalheiro, Daniel Oliveira, Diana Andringa, Filomena Cautela, Isabel Abreu, Joana Lopes, Joana Solnado, Olga Roriz, Pedro Vieira, Rueffa, Sara Carinhas.

Como ando há tempos a pensar no assunto de certos grupos de inducação em formação na sociedade portuguesa, com destaque para certos humoristas, coloco também uma notícia recente:

Há uns dias- 18.4.2019- o Público mostrava o aparecimento de mais um programa na RTP, da responsabilidade de mais um deste grupo de intoxicação mediático e inducativo.


São todos herdeiros dos cravos de Abril e por isso floristas de costumes. Têm todos uma característica comum: não gostam do fassismo ou de Salazar que identificam como o símbolo do que combatem ideologicamente. Foram inducados pelos heróis de Abril  e agora inducam a maralha que vê tv. São, por isso mesmo, uma seita.

Sobre aquela Diana Andringa, decana deste grupelho, talvez valha a pena ler algo sobre o seu apego à verdade isenta de fake news. Deu uma lição disso mesmo, em Setembro de 27.9.1975, no Expresso:


sexta-feira, 26 de abril de 2019

Informação sobre o 25 de Abril 1974

No dia 25 de Abril de 1974 as primeiras notícias sobre o que se passava em Lisboa vinham pelo rádio. A emissão habitual da Emissora Nacional começou a passar música clássica o que era sinal de algo grave. Durante o dia, a informação para quem não era de Lisboa era muito escassa e nem o rádio adiantava muito mais do que as marchas militares e apelos à calma e recolhimento caseiro.
À tardinha o "Movimento das Forças Armadas" emitiu um comunicado com quatro parágrafos, anunciando a entrada no Quartel do Largo do Carmo, "onde se encontrava o ex-presidente do Conselho e outros membros do seu ex-Governo". Estava feito.

A televisão à noite, já pela 1 da manhã,  mostrou o que era preciso: um grupo de militares desconhecidos, para além de Spínola, como porta-voz, deu conta do sucesso do golpe de Estado, lendo um breve comunicado de oito pontos, em nome da "Junta de Salvação Nacional".  Um dos pontos era: "Garantir a sobrevivência da Nação, como Pátria Soberana no seu todo pluricontinental".

O dia seguinte, Sexta-Feira,  prometia e assim foi. Logo pela manhã, o primeiro jornal que vi sobre o assunto foi o Jornal de Notícias. O Diário de Notícias tinha publicado uma 2ª edição no dia anterior que chegava ao Norte, no dia seguinte.

Eram estes os jornais:


Claro que a televisão não passava em directo, nessa altura e a principal fonte de informação, para além do rádio, eram as publicações periódicas.
Os jornais eram a preto e branco e as revistas só chegaram dali a alguns dias. A primeira foi esta:


Datada de 27 de Abril, Sábado, anunciava que não tivera tempo de mostrar o que se passara porque na madrugada de 24 para 25 estava a ser impressa. Mesmo assim, incluiu um suplemento a preto e branco e uma separata a cores.
Foi um cromo difícil de arranjar na altura porque toda a gente queria ver estas imagens:






E principalmente estas que foram as primeiras a cores que via, dos acontecimentos:


Foram dias empolgantes. Com 17 anos não seria para menos, mas nem me passava pela cabeça, então, do que a esquerda que tomou logo conta de tudo, seria capaz...

Duvido que houvesse mais de meia dúzia de indivíduos politizados, na multidão que a foto mostra. Mas politizaram-se logo em poucos dias. E é isso que me assusta, ainda hoje.

No Sábado, 27 de Abril, surgiu o Expresso, com informação mais desenvolvida e análise: