domingo, 7 de abril de 2019

O Público vende-se cada vez mais...não se vende?





No Público de hoje, a jornalista Maria João Lopes ( formada naquela madrassa da Nova?) tenta redigir um artigo que mostre a saída para o jornalismo em crise de leitores.
Num gráfico mostra que o jornal está cada vez melhor e que em 2018 subiu...153 exemplares nas vendas em banca, relativamente ao ano anterior. Fantástico!
Esquadrinhei o artigo para saber quanto dá o Público de prejuízo anual. Não vi nada.

Há uma dúzia de anos, o jornal dava um prejuízo doido e continuava a aumentá-los, regularmente: o  jornal «Público», detido pela Sonaecom, aumentou os prejuízos em quase 100%, entre Janeiro e Setembro de 2006, fixando-se estes em 3,49 milhões de euros. O jornal diário "Público" encerrou 2006 com um prejuízo de 10,03 milhões de euros, um aumento de 6,84 milhões face ao resultado negativo registado em igual período do ano anterior. A circulação média mensal do jornal do Grupo Sonaecom caiu 9,8% para 44,2 mil unidades.

Com números destes qualquer empresa teria fechado as portas e acabado o negócio, mas não o Público. E porquê? Simplesmente porque o patrocinador, o dono da empresa, a Sonae não o quer fazer e prefere ter prejuízos avultados.

Quando Belmiro morreu, um dos obituários, de uma antiga directora do jornal, uma desgraça de jornalista,  dizia assim:

De tudo o que Belmiro de Azevedo fez, muito perdurará. Capital, trabalho, inovação. Mas o PÚBLICO é um caso à parte. É a sua coroa de “amor profundo pela humanidade”. Parece poesia pirosa, mas é esta a definição de “filantropia”. Ao manter o PÚBLICO vivo, Belmiro de Azevedo seguiu a bela e nobre tradição dos grandes mecenas: devolver à sociedade. Mas deu também uma lição de independência e desprendimento a um país viciado em cunhas e favores.

Desde então os prejuízos nunca cessaram. Em 2017 [ na verdade foi em 2010, com republicação nesse ano]  a revista Visão entrevistou Belmiro de Azevedo que dizia coisa muito diversa do que aquela antiga directora escreveu no obituário, obviamente em exercício claro de fake news:

(...)

Para nós, ter um jornal é serviço cívico. Não para influenciar, que fique claro. Mas está a ficar caro, muito caro. E há jornalistas que abusam. Devia haver directores mais fortes para que, de facto, se passasse uma imagem de independência.
 (...)

Estava a pôr o Público à venda?

Não, não estava. Sabem muito bem que todos os ministros, e nomeadamente o primeiro-ministro, telefonam ou mandam telefonar com muita frequência. Já estive em estúdio, por exemplo, e ouvi recados vindos [pausa]...

Vindos de quem?

Vindos do poder, pronto. Não lhe posso dizer mais do que isto.

Deste Governo?

E também de anteriores

Telefonam para si?

Não só para mim. Pessoas a queixarem-se disto, daquilo e daqueloutro. E a aconselhar: «Não diga isso»... Sabe isso muito bem. Mas nem procuro saber se o outro lado está em voz viva ou em voz morta. É normal.

Vai continuar a financiar o Público?

Não digo isso. Há um programa para equilibrar aquilo, tentando dar mais força ao digital, em três ou quatro anos. É um sorvedouro de dinheiro e há-de ter um fim. Se me pergunta: é para o ano? Não é. Daqui por dois anos? Provavelmente, também não. Mas tem limites. De cada vez que o Público não ganha dinheiro, ponho-o eu.

E isto cansa.

Pode vender...

Ninguém dá dinheiro que se veja pelos jornais, a não ser por motivações políticas.
Houve uma transacção por um balúrdio de massa de um jornal que dá sempre prejuízo! Quem paga por algo que não gera dinheiro? Qual a motivação?

Vai comprar os 25% da Impresa que a Ongoing tem à venda?

Não. O Balsemão tornou claro que quer a maioria. Quer mandar e não quer que os outros façam outra coisa que não seja pôr lá dinheiro. Quem é que lá mete uma data de massa para não mandar nada?

O investimento de Balsemão não é serviço público?

O Balsemão ganhou bastante dinheiro e põe a paixão pelo jornalismo à frente de tudo. Agora vai passar um mau bocado.

Como comenta a dispensa de Marcelo Rebelo de Sousa da RTP?

Já sabem o que penso, não vou massacrá-lo. O Marcelo é pluri-pluri. Tem dez respostas, todas boas, para a mesma pergunta.
Não sofre de pensamento único.

Como lê a subida eleitoral do BE?

Usa a comunicação retrógrada que jamais vi em Portugal. Um líder com um discurso inteligente ele diz que é inteligente, até escreve livros usa a comunicação mais primária e mente com todos os dentes.

Com a morte de Belmiro de Azevedo este discurso desapareceu porque quem manda agora é a filha, Cláudia que adoptou o jornal como um veículo de causas, com perda de independência e com colagem ideológica ao Bloco de Esquerda. O mesmo que o pai dizia ser um grupo de mentirosos...

Repare-se como se inicia este artigo de hoje, para exemplificar um caso de fake news: cita o caso de uma deputada do BE acerca de um boato antigo sobre um eventual relacionamento da mesma com um italiano [ grego, como se lê no artigo...]. 
Devo dizer que nunca ouvi falar em tal boato...mas se formos procurar boatos poderemos procurá-los no sítio do Público e até nas notícias impressas. 

Fake news? Notícias falsas? É o que não falta, no Público. Não exactamente daquele género mas de outro mais subtil e por isso mesmo mais eficaz. 

Já aqui dei um exemplo bem recente que provocou um escândalo e atingiu os objectivos da jornalista que o propagou:



O Público de Claudia Azevedo é um jornal feito pasquim que busca um objectivo: fazer serviço cívico das causas do BE e da Esquerda em geral. E para isso,  o jornal vendeu-se. Completamente vendido. 

Quanto a Cláudia de Azevedo, herself, não sei bem quem é, a não ser que preside a uma empresa de pendor capitalista cujo objectivo principal é o lucro.  

Portanto, temos um paradoxo: um jornal contra o capitalismo [ a esquerda é sempre contra o capitalismo, como princípio estrutural ideológico]  que o dono acapara. Um jornal que cospe diariamente na sopa que lhe servem.
Como se explica o paradoxo? Simples: a sociedade que o Público defende serve perfeitamente o desiderato do principal negócio da Sonae, que é o do consumo em geral.  Portanto, precisa de paz social para vender as suas "mercearias", como dizia há muitos anos o rival Valentim Loureiro que aprendeu os rudimentos do negócio quando estava na tropa, no grupo dos lateiros...

É isto o Público, hoje.

Há 50 anos havia nos EUA uma revista emblemática que se publicava regularmente, aos milhões. Era privada em acabou em  Fevereiro de 1969. As razões? Exactamente as mesmas que hoje o Público enuncia, essencialmente: falta de apoio financeiro que vinha da publicidade, falta de leitores e aparecimento de novas realidades como a televisão...



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