segunda-feira, 17 de junho de 2019

Vítor Constâncio em maus lençóis...

O antigo governador do Banco de Portugal Vítor Constâncio anda numa fona de entrevistas justificativas de uma actuação daquele tempo em que foi governador e deixou passar o assunto do crédito da CGD a Joe Berardo, como se nada fosse com ele e apenas tivesse como missão andar de Lisboa para Frankfurt em ida e volta semanal e nada mais.

Já ameaçou processar criminalmente o jornal Público e Filipe Pinhal e tutti quanti ponham em causa a sua supina honra de profissional da regulação bancária.

Infelizmente não vai parar por aqui porque tem mais quem processar. Hoje na 2ª comissão de inquérito o antigo administrador Faria de Oliveira espetou-lhe um ferro bem fundo na prosápia abespinhada deste inenarrável:

“Questão diferente é saber se as garantias para uma operação se deviam limitar a um tipo única de garantia”, diz Faria de Oliveira, acrescentando que hoje se reconhece que é um “erro enorme” — mas fez-se em toda a banca não só em Portugal mas em toda a Europa. “Uma das lições mais relevantes desta crise tem a ver com esta crise”.

E faria sentido o Banco de Portugal ter bloqueado a concessão do crédito? Faria de Oliveira diz que há dois aspetos — em primeiro, o Banco de Portugal tinha de garantir a idoneidade da pessoa que ia tomar o capital [Berardo] — isso é da exclusiva responsabilidade do supervisor”.

Segunda questão: “devia ou não ter alertado os outros bancos de que iria haver uma concentração grande do investimento e das garantias. Podia e devia ter feito mais para alertar”, mas Faria de Oliveira diz que está a falar pelo “bom senso”.

 Vasco Pulido Valente definiu-o assim, no Sábado passado no Público:



Será que o voltaremos a ver nestes preparos, esta semana, na AR?



O Público de hoje, 18.6.2019 tem várias páginas dedicadas a este assunto e particularmente um artigo de duas páginas do seu director, a tentar justificar as faenas jornalísticas do início e da autoria de Cristina Ferreira que poderiam ter evitado a pesporrência desse indivíduo que aqui em cima sua suores frios e amanhã, digo, daqui a pouco, vai voltar a sentir o mesmo, ainda que não aparente.


Por causa disto:



Vítor Constâncio teve a oportunidade formal de se opor ao aumento da participação de Joe Berardo no BCP, mas não o fez. Segundo o Público, o ex-governador do Banco de Portugal participou na reunião do Conselho de Administração do regulador, a 28 de agosto de 2007, que aprovou a ata da reunião anterior, de 21 de agosto, onde ficou decidida a não oposição do supervisor às intenções de Joe Berardo.

Constâncio já tinha garantido que, efetivamente, não estivera presente na reunião de dia 21, mas, ainda assim, poderia ter sido contra o investimento de Berardo na reunião seguinte, de dia 28, onde a ata foi aprovada, uma vez que em causa estava uma posição qualificada sustentada numa estrutura financeira especulativa. Um mês antes, o então governador da entidade supervisora tinha mesmo reunido com o empresário madeirense.



 A táctica deste pesporrente é a mesma do ex-44: mentir parcialmente para poder dizer que se sente ofendido com a verdade.
É um indivíduo que perdeu a honra, a meu ver. Já a tinha perdido no caso BPN e nunca mais a encontrou.

Joe Berardo chama mentiroso a Vítor Constâncio, implicita e eufemisticamente. Isto vai ser um fartote, porque vão aparecer mais documentos, pela certa...:

Está para durar a guerra de palavras entre Vítor Constâncio e Joe Berardo. O empresário madeirense disse na sua audição de 10 de maio que se reuniu a sós com o ex-governador do banco de Portugal (para debater a sua posição acionista no BCP? Irregularidades no banco? O crédito na Caixa Geral de Depósitos?) em julho de 2007. Vítor Constâncio, ouvido esta terça-feira, desmentiu: “Tudo mentiras”. Houve uma reunião, numa data que não pode precisar, mas com elementos do departamento jurídico do BdP. Constâncio disse mesmo que não consideraria a possibilidade de se reunir a sós com Berardo.

Um retrato de Vítor Constâncio enquanto burocrata dedicado à vidinha. No Público de 20 6 2019.


E o retrato acabado da pouca-vergonha de um ex-ministro das Finanças que pretende enganar toda a  gente com a verdade, também no Público de 20.6.2019.
O então primeiro-ministro deverá mesmo ter referido o problema de Vara ser nomeado administrador da CGD.
Porém, o sentido que este finório quer emprestar ao facto não deve ter nada a ver com o real. José Sócrates só poderia ser o primeiro responsável pela nomeação de Vara para a CGD, mesmo que não o dissesse explicitamente a este Teixeirinha das dúzias. Era o que mais faltava um indivíduo com este carácter ter assumido integralmente a nomeação por motu próprio e "impôr" a coisa ao primeiro-ministro. É preciso ter lata para se fazerem figuras destas.

Este episódio diz mais desta pessoa que tudo o resto.


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