quarta-feira, 30 de outubro de 2019

O Partido Socialista exilado

Há um PS que foi exilado do poder há cerca de meia dúzia de anos, juntamente com o líder que se preparava para o ser e não foi, António José Seguro.

Esse PS parece um pouco melhor do que tralha socretina e socrática que ficou do tempo de José Sócrates e de que António Costa é o capitão-mor. De um outro PS, aparentemente.

Vejamos então que PS seria esse...com a entrevista de um exilado a sério por causa deste último PS. Chama-se Pedro Caetano e não tem papas na língua. Diz o que não dizem os jornais e televisões em Portugal, completamente anestesiados por estes ex-socráticos e até socretinos que invadiram todo o espaço público.

Observador:

Foi, desde sempre, um feroz opositor de Sócrates e de Costa. Neste aspeto, diz, o Financial Times já se enganou duas vezes: a primeira foi em 2007, quando elogiou os défices baixos de José Sócrates, acreditando que este iria implementar as reformas que, afinal, só foram iniciadas com a chegada da troika, em 2011.
Sabe que há, em tudo isto, uma componente quase irracional, emotiva, admite. Mas por isso traz para a mesa os números do Eurostat, do Banco de Portugal, do Banco Mundial. Mais do que no campo da ideologia, coloca a divisão do PS - sim, existem dois PS, defende - no campo da ética. É a corrupção que divide o partido, uma espécie de índios e cowboys. 


É do Partido Socialista e fez parte do grupo que estava a elaborar o programa de governo de António José Seguro para a área da saúde, até 2014, quando António Costa interrompeu o processo. Podemos dizer que existem dois PS?

Claro. A última entrevista de Francisco Assis revela perfeitamente isso. Há dois PS porque há um PS que acredita que o país tem um grave problema de corrupção, mais do que de ideologia. As lideranças têm dado um exemplo tão mau que, mesmo a níveis mais baixos da população, já está entranhado o sentido da cunha, do favoritismo. É um problema muito grave, de ética, e tem de ser resolvido. Temos batalhado ferozmente contra isso, ao ponto de termos convencido Seguro a dizer algo que não era mainstream: há aqui negócios misturados com política. A entrevista de Seguro à Visão, em 2014, foi um marco histórico na política portuguesa, acho que as pessoas não se apercebem de que esse grupo, para dizer isso, teve de lutar muito. E Seguro só o disse quando já sentia que poderia vir a ser primeiro-ministro, que poderia começar a dar o exemplo. No grupo da saúde, para lhe dar um exemplo - e não vale a pena personalizar - já éramos vistos como ministro e secretário de Estado, o Álvaro Beleza e eu, e reuníamos com conselhos de administração de hospitais privados e com associações de doentes para dizer que tinham de arranjar maneiras de se auto-sustentar porque não podia ser o Estado a pagar-lhes. Nunca tinham ouvido alguém dizer que o dinheiro do Estado não era para esbanjar. Mas não éramos radicais, somos ao centro.

(...)

O primeiro-ministro foi indigitado antes mesmo de terem sido contados os votos pelos círculos da emigração. Mas depois temos os políticos, incluindo o presidente da República, a apelar ao voto. Faz sentido?
Marcelo [Rebelo de Sousa] tem-me desapontado bastante pela subserviência ao governo. Quanto devia ser um contraponto. Penso que foi por isso que as pessoas votaram nele, para ser um contraponto, ideológico ou moral, a virtude está no meio. E ele não balança nada. Temos um presidente que é quase como o juiz Ivo Rosa, pende sempre para o mesmo sítio. O caso mais grave foi despedir Joana Marques Vidal [procuradora-geral da República], o que, claramente, era do interesse de muita gente associada a Costa e, por quaisquer razões, Marcelo tornou-se enormemente subserviente ao primeiro-ministro, e esta é mais uma linha que tenho observado. Outra linha que observei [em Costa] foi o nepotismo, quando começo a ver nomeações como as da filha de Vieira da Silva [Mariana Vieira da Silva] ou de Eduardo Cabrita [marido de Ana Paula Vitorino], num país europeu, em 2017, entre 10 milhões de portugueses em Portugal, mais três milhões de portugueses no estrangeiro onde encontrar os melhores dos melhores para governar sem ter de pertencer à mesma família. Não é possível, isto já não acontece nem em Angola - acontecia no tempo de José Eduardo dos Santos, mas não com João Lourenço. É inexplicável.


Pois bem, um exemplo deste PS de ex-socráticos que é elucidativo da pouca-vergonha que os anima. É da Sábado de hoje:


Este indivíduo que figura na imagem é um tal Galamba, um dos socretinos mais típicos e que andava pelos blogs a azucrinar quem se opusesse ao chefe que lhe(s) pagava estipêndio para tal. 
Agora é ajudante no Governo e já fez merda em pouco tempo. 

A adjudicação a uma empresa duvidosa, em tempo record, denunciado no programa de tv Sexta às 9, da autoria da filha da Fátima Felgueiras, outra socialista dos tempos de Felgueiras, é bem exemplar desta tralha que governo há meia dúzia de anos. 

A empresa que venceu o concurso não deveria ter ganho pelo que aqui vem explicado. Mas ganhou. E eventualmente de modo legalmente insindicável. 

É sobre estes casos que o PS exilado se pronuncia? Sem dúvida. Estes e outros piores...

Abusos de poder e crimes no Estado

A revista Sábado entrevistou Carvalhão Gil um antigo agente do SIS que foi condenado por corrupção e violação de segredo de Estado numa pena de sete anos de prisão.

Para se defender de tal condenação ataca agora os serviços a quem serviu durante anos e revela algo que é muito grave se for verdadeiro: o SIS actua à margem da lei, efectua intercepções em comunicações privadas sem suporte legal suficiente e tem mesmo um sistema de computadores, um servidor secreto onde guarda a informação que não pode ser divulgada sob pena de se extinguir tal serviço tal é a enormidade da ilegalidade.

No fundo, este antigo agente do SIS revela o que o americano Edward S. revelou: os serviços secretos portugueses cometem crimes graves de intromissão na vida privada de cidadãos, sem qualquer motivo legalmente justificativo e violam as leis do país que protegem tais cidadãos.

Se for verdade isto é muito piro que o caso de Tancos, que aliás foi considerado gravíssimo por tudo quanto é komentador nacional.
O caso de Tancos à beira disto é uma brincadeira entre polícias que nem deveria ter chegado onde chegou e só lá foi parar por motivos ínvios e esconsos que um dia provavelmente serão melhor esclarecidos.

Só resta perguntar onde anda o MºPº nestas coisas. Será que há um inquérito para apurar estas ilegalidades e crimes cometidos, alegadamente, pelos serviços secretos nacionais, com a complacência, no mínimo e cumplicidade provável dos seus directores presentes e passados? E tais directores podem continuar por aí a serem nomeados para tribunais superiores para julgarem pessoas?

Se não há um inquérito conduzido por magistrados experientes e de isenção à prova de bala e técnicas de investigação próprias, sem passar pela PJ necessariamente, então algo vai muito mal no Ministério Público português. E acho que vai...




Por outro lado, o entrevistado defende-se dizendo que foi condenado por ter sido julgado "à porta fechada", alegadamente em função de revelação de segredos de Estado que viriam a efectuar-se em audiência.
Não se compreende, de facto: se eram segredos de Estado não podiam ser revelados e se não eram não se entende a decisão de excluir a publicidade de um julgamento deste género que interessava obviamente o público e o povo em nome de quem os tribunais administram justiça.
Não se percebe, de facto.

Como não se percebe o que aconteceu ontem no TCIC onde José Sócrates se encontra a prestar declarações e a ser interrogado pelos magistrados e advogados que assim o requeiram.

Por causa disto que foi noticiado hoje no Observador:

Era um interrogatório que deveria ter ficado marcado pelas explicações do arguido José Sócrates sobre os alegados favorecimentos ao Grupo Lena mas que acabou por ter como principal protagonista o juiz Ivo Rosa e a sua revolta contra as notícias sobre o primeiro dia do interrogatório do ex-primeiro-ministro. O magistrado do Tribunal Central de Instrução Criminal zurziu nos advogados, acusou-os de serem as fontes da comunicação social e ameaçou-os com buscas e apreensão dos telemóveis feitas pela Polícia da Segurança Pública na própria sala do tribunal.

(...)

Além de acusar os advogados presentes de serem as fontes dos jornalistas, Ivo Rosa acabou mesmo por dar uma lição de moral ao afirmar que os causídicos que tinham passado informação aos jornalistas sobre o primeiro dia do interrogatório a José Sócrates deveriam pensar na sua profissão porque enquanto profissionais do foro não estavam a cumprir os seus deveres de cumprirem o sigilo da diligência.

Com José Sócrates sentado à sua frente a ouvir atentamente as suas palavras, o juiz Ivo Rosa ainda perguntou: “Quem se acusa?”

Mesmo após uns pesados, sentidos e igualmente revoltados trinta segundos de silêncio dos advogados dos 28 arguidos presentes na sala, nenhum mexeu os lábios. Pior: alguns dos juristas mais experientes na sala ficaram mesmo ofendidos pela atitude do juiz de instrução. Um magistrado que, refira-se, tem sido elogiado de forma quase unânime pelas defesas.

Pior: Ivo Rosa ameaçou mesmo os advogados com revistas executadas pela Polícia da Segurança Pública no próprio local para apreensão dos telemóveis. O objetivo era evitar as comunicações com o exterior para evitar o que foi apelidado de jornalismo ao segundo.


Isto, salvo o erro é um claríssimo caso de abuso de poder por um juiz de direito. E ressalvo o erro por um motivo: 
Este processo já não está em segredo de justiça e a publicidade dos actos de instrução que decorrem, como é o caso do interrogatório do arguido tem que se garantir a não ser que se justifique devidamente quaquer sigilo ou exclusão de publicidade. 

Foi justificado devidamente pelo juiz, a não autorização de presença de jornalistas aliás constituídos constituídos assistentes no processo?
Pelos vistos e segundo se informou no outro dia, uma jornalista do SOl viu deferido por decisão do tribunal da Relação o direito a assistir ao interrogatório. 
E o direito a relatar o mesmo? Será que existe na mesma? Se há publicidade para uns, comam todos, seria caso para dizer, mas parece haver decisões contraditórias na Relação e pelos vistos outro jornalista foi impedido de exercer tal direito. 
Por outro lado segundo a notícia do Expresso, mal redigida, a decisão da Relação ainda não transitou em julgado...não esclarecendo se tal se ficou a dever pura e simplesmente ao facto de ainda não constar oficialmente no processo, por não ter ainda "baixado" o recurso. 
Seja como for é público e notório que tal jornalista do SOl pode assistir a tais diligências de prova. 
E pode relatar as mesmas se o processo não for considerado sigiloso. Como parece que não é.

Quanto ao demais: parece que houve pessoas na sala de interrogatório que gravaram o depoimento ou teor de declarações prestadas, através de telemóveis e passaram tal informação aos jornais, "cá fora". 

Será ilegal tal prática ou não é e o juiz extravasou os seus poderes e abusou criminalmente dos mesmos?

Parece-me que sendo o processo sujeito a restrições de publicidade, com a excepção apontada, tal restrição pode efectivamente condicionar o relato público de diligências.

Mas foi mesmo assim? Alguém informou devidamente? Segundo o CM de ontem  o que sucedeu foi "jornalistas barrados", mas como a informação é da jornalista "pente-fino" vale o que vale, ou seja pouco porque informa menos. 

Assim, terá que se evidenciar através do conteúdo do despacho qual o sentido da proibição de presença dos jornalistas: se foi em consequência de exclusão de publicidade ou se foi por outro motivo cuja sindicância se pode requerer...

Vejamos então como se deve configurar este problema que o jornalismo nacional de pente fino não alcança: 

A publicidade do processo, actualmente e há mais de dez anos a esta parte, é a regra. A exclusão de publicidade é a excepção. No Inquérito há vários actos que estão excluídos de tal publicidade.
Porém, na fase de instrução tal já não ocorre. Como se escreve aqui neste apontamento universitário Nuno Brandão, que era então, em 2008,  assistente em Coimbra) :

 Donde, a instrução é pública e não é possível sujeitá-la a segredo externo, nem mesmo quando o arguido o requeira expressamente . 
Nesta hipótese não parece ser possível a aplicação analógica do disposto no n.º 2 do art. 86.º, que concede ao arguido, em inquérito, o direito de requerer ao juiz de instrução a sujeição do processo a segredo de justiça em virtude de a publicidade ser prejudicial aos seus direitos. 
A analogia legis pressupõe a verificação de uma lacuna, que aqui não se vislumbra ter existido, dado que é nítida a intenção do legislador em circunscrever o segredo à fase do inquérito. 
Trata-se, portanto, de um silêncio legislativo que não configura uma omissão inconsciente de regulação, mas antes um propósito deliberado de não estender o regime excepcional de segredo para lá da fase do inquérito. Acresce ainda que precisamente por a publicidade aparecer como a regra e o segredo como a excepção, está vedada a referida aplicação analógica (art. 11.º do Código Civil).

E também noutros escritos se coloca o problema da legitimidade de intervenção do JIC na definição do sigilo, na fase de inquérito, ou seja, nem sequer na instrução!

A razão principal deste entendimento, até neste caso concreto do processo Marquês é precisamente o entendimento dos arguidos em fazer da instrução um prè-julgamento porque consideram que este juiz de instrução lhes oferece mais garantias de isenção do que qualquer outro. 
Assim, mais uma razão para que esta instrução fosse pública e bem pública. 

Mas...afinal, foi restrita a publicidade ou não? E com que fundamento, já agora?! Se não foi devidamente restrita então... subscrevo o que vem aqui escrito e os presentes podem gravar e passar a outrém tal informação: 

Os órgãos de comunicação social podem fazer a narração circunstanciada do teor dos actos processuais ou reproduzir os seus termos, desde que estes não se encontrem cobertos pelo segredo de justiça ou a cujo decurso for permitida a assistência do público em geral. Assim está previsto nos artigos 86º, nº 6, alínea b) e 88º, nº 1 do Código de Processo Penal. Sobre os jornalistas impende o direito de informar. Por sua vez, os cidadãos gozam do direito a serem informados.

Logo, se o juiz Ivo Rosa não respeitou tais parâmetros legais poderá ter cometido um crime. Porque tem obrigação de saber que não poderia fazer o que eventualmente terá feito. O abuso de poder, nesse caso é grave. 

O que se passou ontem e anteontem no TCIC é grave por vários motivos. Espero que os juristas presentes o tenham percebido.

ADITAMENTO:

No CM de hoje esta pequena crónica, sobre o assunto em causa,  vale a leitura pelo que revela de falta de senso jurídico e não só.


Num livro recente de Ernesto Manguel que comprei precisamente por recomendação escrita deste cronista de pequenos fait-divers literários e afins, deparei com uma passagem que define estas pessoas literatas:

"Para os leitores, o mundo revela-se frequentemente através das páginas dos livros. (...) Os leitores sempre souberam que os sonhos da ficção engendram o mundo a que chamamos real.(...) Aprendi a minha experiência no mundo - amor, morte, amizade, perda, gratidão, desconcerto, medo, angústia, tudo isto e a minha própria identidade em mutação- com personagens imaginárias que conheci nas minhas leituras"....

Comparem-se estes pequenos apontamentos do livro de Manguel ( Monstros Fabulosos) com o escito acima e ficamos com a ideia precisa de que os serviços de informações do SIS são algo do domínio de uma ficção e que as leis que temos, republicanas, democráticas e laicas são apenas uma ficção para estes espiões de meia-tigela que temos em arquivo.

Crimes? Não existem porque os espiões só os cometem se forem apanhados.

O excesso de leitura conduz a isto: uma miséria intelectual travestida de sabedoria de conhecimento livresco.
A realidade? Que importa, mesmo se for mais estranha que tal ficção?

Que pena! 

terça-feira, 29 de outubro de 2019

O Público já deu 100 milhões de prejuizo?! E continua a dar??!!!

Entrevista de Mário Ferreira ao Observador:

Há pouco falava do Belmiro de Azevedo e da Sonae, a Sonae investiu durante anos num jornal, um grande título em Portugal, que é o Público, e ainda não há notícia de que alguma vez tenha recuperado o que quer que seja desse investimento — mas criou-se um jornal que foi importante para a consolidação da democracia em Portugal.
Sim, para mim é muito difícil falar sobre o Público porque neste momento a relação que nós temos com o Público não é das melhores. Agora, isso não impede que eu, de uma forma isenta, possa dizer e concordar consigo naquilo que disse, que foi um jornal importantíssimo e um jornal de uma credibilidade brutal e um jornal sempre muito virado para acompanhar as questões culturais e políticas.

Mas nunca deu dinheiro, nem a Belmiro de Azevedo, nem a Paulo Azevedo, nem a Cláudia Azevedo…
Pois, mas isso aí, eles lá saberão porque é que querem investir. Eu pessoalmente nunca na minha vida iria manter um título… eu ouvi falar em prejuízos de 100 milhões de euros acumulados, nunca na vida… Para já não tinha esse dinheiro na altura para o poder perder, mas também nunca faria isso. Se investir nesse setor é para poder ser um negócio e um negócio sustentável. Não acredito em estar a tirar dinheiro de outros negócios para sustentar uma coisa que não tem viabilidade.

Se isto for verdade e o Público já tiver dado 100 milhões de euros de prejuízo, há qualquer coisa que funciona mal no capitalismo português...e julgo saber o que é: corrupção. Sim corrupção. Paulo de Azevedo e a família, a começar pelo patriarca já falecido eram muito sóbrios sobre tal assunto e até este Paulo de Azevedo, sobre o negócio da PT disse que "estavam todos feitos". 
Agora, com estes números de prejuízo só um capitalista corrupto aguenta um projecto desta natureza sem um fim específico. No caso, não declarado. Corrupto, portanto. 
Porque é que a SONAE aguente um jornal que teve como directora uma tal Bárbara Reis? Ou o actual director Manuel Carvalho? Pela mesma razão porque em Itália se paga o pizzo na Sicília. 

Tal e qual. Não vejo outra razão para se venderem a uma esquerda algo troglodita porque nenhuma outra me parece convincente. Miséria de país...

Segredos do Estado em que estamos

Primeiro segredo, revelado hoje pelo CM:


No tempo de Sócrates houve umas negociatas entre o governo do dito e o governante da Venezuela, Chavez.
Tais negociatas deveriam ter sido negócios de Estado mas aparentemente o Estado que está não tem registos devidos do assunto, no sítio onde deveriam estar.

O TCIC solicitou documentos - actas da Comissão de acompanhamento e respectivos anexos relacionados com negócios de construção civil e referentes aos dias 10.10.2008; 21 e 22.1.2010; 15 a 18 de Junho de 2010 e 17 a 20 de Fevereiro de 2011.
São vários documentos que certamente darão conta do que se passou nas reuniões. Tais actas, naturalmente não são escritas em papel molhado, mas ficam em computadores, tendo eventualmente sido redigidas por funcionários habilitados.

Ou seja, devem estar guardados algures. Pelos vistos o Ministério da Economia procurou, procurou e não encontrou tais documentos. Das duas uma: ou não procuraram bem ou foram movimentados para outro sítio virtual, mormente para a pasta conhecida como "lixeira".
Alguém se terá dado ao trabalho de tal e se o fez cometeu um crime se foi de propósito. Perante o que está em jogo torna-se obrigatório instaurar um inquérito no MºPº e realizar diligências urgentes, de busca nas instalações em causa, apreendendo material informático e realizando peritagens para se descobrir onde foram parar tais actas.

Não é nada de especial e tal tarefa já deveria ter sido realizada ontem porque a notícia de tal desaparecimento tem algumas semanas, pelo menos.
O juiz Ivo Rosa fez alguma coisa por isso? O MºPº viu se fez ou não fez? Ainda vai a tempo de ver...

Segundo segredo:

Em 2015 aconteceu algo extradordinário na TVI cuja informação era orientada por um amigo de Sócrates, Sérgio Figueiredo.

Já foi contado aqui:

JN:

"A Associação de Lesados do Banif (ALBOA) vai avançar com uma ação judicial por negligência contra a TVI até ao próximo fim de semana e depois contra a Comissão Europeia, por indícios de responsabilização da mesma no processo.
"Iremos avançar para ações contra a Comissão Europeia, porque temos indícios suficientes de responsabilização da mesma. Até ao próximo fim de semana, haveremos de avançar com uma ação contra a TVI, por negligência", anunciou hoje o presidente da ALBOA, Jacinto José Brito da Silva, na comissão parlamentar de inquérito ao Banif, onde está a ser ouvido.

Sérgio Figueiredo que passou da Fundação EDP para a afundação da TVI deve ser ouvido hoje no Parlamento e vai ter muito que explicar embora se preveja que diga nada, aos costumes.

O caso começou assim, como se explica aqui, embora os bastidores ainda não sejam bem conhecidos e apenas adivinháveis...

No fim de Novembro o Banif inicia um concurso para a venda da posição do estado (60,5%). Jorge Tomé, presidente executivo do banco madeirense, afirmou mais tarde que receberam quatro propostas válidas, uma delas do próprio grupo Santander – que oferecia um valor muito superior. Estas propostas seriam apresentadas entre 14 e 18 de Dezembro;

13 de Dezembro: Um dia antes da apresentação das propostas, a TVI transmite em directo no canal TVI24, no site da TVI24, no Facebook e no Twitter a notícia: “Banif: está tudo preparado para o fecho do banco”.

O problema que se criou instantaneamente e levou à corrida aos depósitos foi inequivocamente fruto desta notícia como já se deu conta várias vezes e o próprio Figueiredo, agora com as barbas de molho, já admitiu implicitamente ao DN de 6.3.2016, embora negasse o efeito deletério. Apenas admitiu a self-fullfilling prophecy, tomando toda a gente por uma cambada de parvos. Veremos se os tribunais também vão na cantiga."

Agora tudo isto deu nisto: uma acusação contra Sérgio Figueiredo. 


Atendendo ao montante pedido ao pindérico será caso para dizer, como disse o falecido Vilhena quando a princesa do Mónaco lhe instaurou um processo por ofensa à honra ( o besta do Vilhena desenhou-a de modo canhestro e ofensivo, como era costume...) a pedir-lhe quase meio milhão de dólares: ...dasse!

Seja como for, agora sabe-se que isto redundou nisso que o tal Sérgio Figueiredo deveria explicar melhor não se sabendo se o vai fazer. Mas há muita gente interessada em saber...

domingo, 27 de outubro de 2019

As imagens deste Governo e regime que está

Para registo ficam aqui duas imagens do CM de hoje que retratam a imagem do Governo que agora está e do regime que o suporta. O apontamento sobre Passos Manuel, incluído.




Mais imagens do regime ( sim, está lá o Vasco Pulido Valente...), com uma parte desta entrevista de Clara Ferreira Alves, jornalista do grupo de Balsemão ao Observador cada vez mais parecido com este...

Deixe-me mudar de assunto. Um dos casos em que esteve envolvida foi quando o Vasco Pulido Valente escreveu num blogue um famoso texto sobre si.
Há quem diga que não foi ele, que foi a Constança Cunha e Sá. Não faço a menor ideia.
Essa nunca tinha ouvido. 


Mas o Vasco Pulido Valente afirma, num parêntesis, que a Clara tinha chegado com dificuldades ao 12º ano. E a Clara decidiu processá-lo.
Na altura, não decidi processá-lo. O Vasco e eu fomos grandes amigos numa determinada fase. Porque, aliás, todos os grandes amigos dessa fase desapareceram, criou-se ali um isolamento do Vasco. Mas éramos quase a família dele — o António Pedro Vasconcelos, o António Barreto, a Maria Filomena Mónica, a Teresa Patrícia Gouveia.

Esses estão todos vivos.
Tudo vivo. E eu mesma. Uma vez, o José Cardoso Pires foi a casa do Vasco, onde eu até ia ver partidas de futebol — ele morava ali na Quinta da Luz, à frente do Colombo. E o Vasco tinha as nossas fotografias. O José Cardoso Pires, que nunca ia lá a casa, foi lá jantar, e ficou muito admirado. Disse-me: “Sabes que ele me diz que vocês são a família dele. E eu nem sabia que ele tinha afeto!” O José Cardoso Pires achava o Vasco muito gelado. Mas, de facto, fomos amigos. Ele aturou-me coisas, e eu aturei a ele. E depois houve ali uma fissura. Aquele comentário dele vem na sequência de um texto que eu não devia ter escrito, no Expresso, a brincar com ele, mas na verdade ridicularizando-o, quando o Vasco aceitou ser deputado do PSD, era líder o Fernando Nogueira. O Vasco vai para o Parlamento, e eu achei aquilo impensável, que o Vasco aceitasse ser deputado com o Fernando Nogueira. Achei estranhíssimo. E escrevi um texto idiota. Eu mesma depois percebi. Foi desleal, sobretudo. Já tínhamos tido uma coisa, ele dizia “bom, você já não é minha amiga”. Não era verdade, eu tinha tido um filho, tinha uma vida mais complicada. Mas escrevi aquele texto. E eu suponho que ele terá ficado muito ofendido comigo. E com razão. E depois aparece aquela coisa no blogue, e então fiquei eu muito ofendida. Aquele atrasado mental, e tal.

Isso já foi bastante depois…
De maneira que eu tenho sempre um método, que é insultar, queria atirar-lhe com um copo de whiskey no Gambrinus, eu queria o melodrama. Mas depois um amigo meu advogado aconselhou-me antes a processá-lo. Foi uma idiotice, o processo, mas enfim. O que é certo é que o processei. O Francisco Teixeira da Mota foi o advogado dele, e era muito bom. Devia ter sacado o Francisco Teixeira da Mota para mim. Tive de ir a Coimbra pedir os diplomas, para provar que tinha ido mais além do que o 12º ano. Um disparate completo.

Mas porque é que aquela acusação a tocou tanto?
Chateou-me muito por termos sido amigos. Se tivesse sido outra pessoa qualquer… E porque ele sabia perfeitamente que aquilo não era verdade, e portanto achei inacreditável. O texto não era só o 12º ano, o texto era brutal. Chamava-me analfabeta, dizia que eu não sabia isto, nem aquilo. O texto não parecia o estilo dele. Normalmente não usa aquele vocabulário. E eu conheço bem o vocabulário do Vasco. Portanto, teve ajudas, sim. Eu não devia ter escrito a outra coisa. Foi acintosa e estúpida. Escrevi muitas coisas de que me arrependo na minha vida, evidentemente. Mas estava irritada.

Este é o último programa do Artigo 38, e não poderia deixar de falar consigo de José Sócrates. Tenho de lhe fazer justiça, porque até hoje acho que foi a única pessoa que durante muito tempo admitiu ter alguma admiração pela personagem de Sócrates, e que já veio publicamente dizer “eu enganei-me”.
Completamente.

Não vi muita gente ter a sua atitude. O que eu gostaria de perceber são duas coisas: o que é que a fascinava nele…
Não, nunca fui fascinada pelo José Sócrates. Achava que ele tinha qualidades políticas.

Então que qualidades políticas eram essas, para de certa forma entender que ele era um bom primeiro-ministro, e depois quando é que se dá a rutura, e a necessidade de o afirmar publicamente.
Eu não cheguei a ter rutura, porque nunca fui dos círculos de José Sócrates. Nunca. Nem mesmo na fase em que ele já estava muito próximo do Mário Soares. Sempre o mantive à distância de um braço. E acho que fiz bem.

Conheceu-o pessoalmente?
Falei três vezes na vida com o José Sócrates. E peço desculpa se não me lembrar da quarta. Mas foram três vezes. A primeira foi numa situação muito cómica que eu não resisto a contar. Fui fazer uma conferência a Castelo Branco. Não me lembro em que ano é que isto é, exatamente. Sei que Eduardo Ferro Rodrigues é candidato à liderança do partido, a seguir ao Jorge Sampaio. E eu fui a Castelo Branco.

Deve ter sido por volta de 2002.
Então estou na Casa Fernando Pessoa e era sobre o Fernando Pessoa, seguramente. Fui fazer essa conferência, sobre literatura, dado o meu currículo nessa área. Chego ao hotel de Castelo Branco, e de repente está tudo cheio de políticos no lobby. De um lado estão políticos do PSD, do outro lado estão políticos do PS. E eu disse: “O que é que se passa aqui hoje?”. E disseram-me: “Há um grande comício do PS, e um grande comício do PSD ao mesmo tempo”. Pelo PSD a candidata era a Maria Elisa, ou pelo menos a pessoa que ia falar no comício era a Maria Elisa, que também tinha resolvido ser deputada. E pelo PS era o Sócrates. O grande orador da noite, porque era o círculo dele. E eu tinha escrito uma coisa terrível sobre o António Guterres, de crítica. Já no fim do governo de Guterres. E o Sócrates era daquele triunvirato: José Sócrates, Pina Moura e Jorge Coelho.


(...)


Quando olha para trás, considera José Sócrates uma personagem singular? Porque há muita gente que acha que ele tem, no máximo, uma diferença de grau em relação a outras personagens semelhantes.
Sim, sem dúvida [que Sócrates é uma personagem singular]. É um Rastignac, uma personagem do Balzac, alguém que vem da província e de um meio pequeno, para a grande cidade, onde se instala e convence toda a gente. Eu lembro-me que a certa altura houve uma querela entre o Manuel Alegre e ele. E eu perguntei: “Ó Manuel, quem é o José Sócrates?” E lembro-me do Manuel Alegre dizer: “Ó Clara, é um puto rico que dá dinheiro ao partido.” Foi exatamente o que ele me disse. E eu pensei: “Bem, ok, pronto, é alguém que é socialista, e que apoia o partido”. O PS tinha sempre uns altos e baixos, dinheiro, não dinheiro, conforme se está no poder ou na oposição. Mas o Sócrates tinha sempre aquele lado provinciano. Eu li Maquiavel… Isto tudo começa com uma reportagem do Expresso, que resolve espiá-lo no Seizième [NA: uma das zonas mais nobres de Paris], e repara que ele tem uma vida não milionária, mas parecida, ou seja, acima das possibilidades não só dele mas também da mãe — e dos empréstimos da Caixa. Portanto, eu comecei a achar aquilo tudo muito estranho. Mas isso está na entrevista, e ele disse-me que o político europeu que admirava — não sei se isso terá sido em off, agora não me lembro, mas olha, se era off agora vai — era o Berlusconi. Ele achava o Berlusconi uma personagem interessante. O Berlusconi é um multimilionário, Sócrates não era. E eu acho que, nalgum ponto da sua carreira, este homem desejou ser um multimilionário. E apaixonou-se por essa vida, que não era a dele. E, sobretudo, não era a vida de um primeiro-ministro.


Esta Ferreira Alves não tem vergonha na cara. Passou horas e horas na tv a perscrutar assuntos e temas políticos em que naturalmente José Sócrates se encontrava envolvido, desde 2005. 

 Depois desse primeiro encontro em 2002 ocorreram diversos factos que deveriam ter alertado a mesma sem-vergonha para o que se passava com José Sócrates. Colabora no programa Eixo do Mal, na mesma SIC. O programa existe desde 2004 e é das Produções Fictícias, do actual secretário de Estado Nuno Artur Silva, entretanto cedente de quotas a um sobrinho que as terá que pagar até daqui a dois anos. Até pagar, a empresa é de quem, realmente? 

É disto que temos aqui: uma empregada da SIC que contratou um programa de entretimento político, pertencente a familiares directos do actual Secretário de Estado e que poderão pagar o valor do respectivo contrato até daqui a dois anos. Se não o fizerem o que sucede? A empresa volta para o dono originário...

E é disto que temos a ser entrevistada por um João Miguel Tavares que não conseguiu tempo para lhe perguntar algo a propósito disso. Estamos conversados sobre este JMT, comentador residente de outro programa de tv, parecido e que tem lá um dos apaniguados mais aproveitadores deste regime: Ricardo Araújo Pereira, o palhacito rico. Seria bom saber quanto tem de seu, actualmente...

Sobre a licenciatura de José Sócrates na UnI acaso Clara Ferreira Alves disse ou escreveu alguma coisa quando a pessoa que denunciou o esquema, António Balbino Caldeira foi alvo de busca no âmbito de um inquérito e acusação criminal?  Alguma vez esta descarada teve interesse em falar de tal assunto na altura em que deveria ter falado?

Não, não teve. Tem agora, porque o assunto já não a afecta. José Sócrates é já um maldito entre os seus. 

Esta descarada sem vergonha não se enxerga. E quem a entrevista ainda menos. 

sábado, 26 de outubro de 2019

A desordem de Cluny

António Cluny, magistrado regular do MºPº, actualmente colocado no mosteiro do Eurojust, para onde foi depois de muita e muita polémica com a confraria  que devia respeitar,  escreve hoje um pequeno apontamento no Público. Já nem é no i, onde habitualmente reza as vésperas por escrito.


O que é que se tira daqui, a propósito do assunto que é a autonomia interna do MºPº? Nada. Não tira nada nem poderia tirar porque Cluny está em clausura política delicada. Depois de ter sido militante da UEC tornou-se simpatizante do PS e agora aposto que lhe tomou o gosto e faz o mesmo...coitado.
A designação para o Eurojust, como representante de Portugal enquanto estado-membro,   é da competência do quem manda, no momento, no Estado-membro. Ou seja, o Governo. Que é do PS e vai continuar a ser...
A tal designação polémica permite que seja paga por mês ao designado uma compensação generosa, ou seja grossa maquia que nenhum juiz de direito, seja ele conselheiro, consegue auferir. Em suma, o cargo é apelativo, para dizer o menos.

 O problema, no entanto, com aquele artigo é estoutro, de há uns dias, no jornal i e no calor de uma polémica que ainda não tinha estourado institucionalmente. Aqui, neste escrito, Cluny não foi gago e disse o que lhe ia na alma juridicante de eurojusto: o director do DCIAP, Albano Pinto, tinha feito muito bem em intervir no caso Tancos. Quis ser mais papista do que monge e tramou-se na lógica das regras monásticas.

 Entre este escrito inequívoco e aquele acima mostrado, no Público de hoje, cheio de equívocos vai a distância de uma angústia.

Lamentável, claro. Se este escrito de hoje tivesse sido produzido na clausura, antes do outro, produzido no outro dia, outro galo cantaria. O ponto é este, no tal escrito do outro dia, no i:

"Tal como defende o mais profundo estudioso desta matéria – Paulo Dá Mesquita –, considero, também, que este tipo de intervenção hierárquica deveria ter o seu lugar apropriado no processo.

Várias são as razões jurídicas para tal entendimento.

No que ao caso concreto diz respeito, outras razões – porventura não jurídicas, mas nem por isso menos relevantes - ficaram evidentes.

Se assim tivesse acontecido – se a intervenção hierárquica tivesse sido plasmada no processo - ao menos desta vez, não teria sido possível a certa imprensa – dita “amiga” - reportar como maquinação obscura o que deveria ser só encarado como o exercício regular e responsável de um poder de direção que caracteriza a magistratura do MP."


Torna-se claro que  Cluny defende a intervenção hierárquica como aconteceu, desde que seja no âmbito do processo. Ora é isso que está em causa: tal intervenção seria ilegal, porventura ainda mais do que foi.

Assim, o escrito de hoje é duplamente lamentável, principalmente por permitir a interpretação acerca das razões profundas para tal cabriola.

Marcello Caetano morreu em 26 de Outubro de 1980

Faz hoje 39 anos que morreu Marcello Caetano, no Brasil, num domingo e por ataque cardíaco.

Os jornais semanários que tenho e relataram o acontecimento foram o Expresso e o O Jornal. O Tempo também o terá feito mas não tenho tal número. Fizeram-no vários dias depois porque saiam ao fim de semana e por isso tiveram mais que tempo para se documentarem, recolherem opinião e testemunhos.
Afinal, Marcello Caetano tinha sido o último presidente do Conselho do regime anterior e ficara nesse lugar durante quase meia dúzia de anos. A sua obra  política deveria ser melhor conhecida, tal como as suas ideias. Nada disso aconteceu nos últimos 40 anos nem interessa ao sistema de poder actual ou ao regime que temos.
Interessa sim denegrir ao máximo tal regime, associá-lo a um fascismo imaginário e acantoná-lo na figura de Salazar, símbolo desse fascismo imaginado pelos comunistas e socialistas. O resto veio sempre por acréscimo e hoje colhem os lautos frutos de tal doutrinação permanente.

Pois bem. O Expresso, então dirigido por - quem mais?- Marcelo Rebelo de Sousa não lhe deu qualquer atenção na capa, nem no caderno principal nem na revista.
E foi nesta que escondido no interior apareceu o texto pífio de homenagem do director do jornal, o bravo Marcelo, acompanhado de outros pequenos textos de professores de Direito. E foi tudo o que o Expresso escreveu sobre o assunto, nessa altura de obituário.
Em modo sintomático o Marcelo que conhecia Marcello, através do pai, não achou interesse em relatar a notícia na primeira página do jornal. Típico. Nem explicar melhor o que foi essa meia dúzia de anos e até o que fora Salazar. Nunca o fez devidamente nem o fará. Se o fizer, é cilindrado pela esquerda predominante.
Marcelo escreve que "um dia será feita cabal e isenta história, para que tencionamos contribuir com achegas interessantes" , mas passados quase 40 anos continuamos à espera de tais achegas interessantes. Típico outra vez. Deve estar à espera de escrever memórias que afinal hão-de reflectir o estado da arte no tempo em que as escrever..


O outro semanário, O Jornal também deu conta da morte de Marcello Caetano que grafa apenas com um "l".
Sendo de esquerda típica, do tipo gaivota cansada, encarregou um certo Freire Antunes de obituar no caderno anexo, também sem qualquer menção na primeira página. Além disso acrescentou um artigo de Alípio de Freitas, um antifassista que estava no Brasil e não se esquece de mencionar o "fascismo" por causa da cartilha. Por causa dela tem nome de cantiga num álbum do revolucionário José Afonso.



A esquerda portuguesa manteve-se assim, de há 40 anos a esta parte. Em 17 de Julho, como resposta a uma entrevista de Marcello Caetano, num jornal do Brasil, o mesmo O Jornal publicou um texto de José Magalhães Godinho a desfazer a figura de Marcello Caetano, pondo os pontos nos ii da visão de esquerda sobre o "fassismo".

Ainda é esta visão que perdura na sociedade portuguesa porque os jornalistas que entretanto apareceram não aprenderam outra coisa nas madrassas que frequentaram.
E como o intelecto é coisa que rareia na classe vamos ouvindo vendo e lendo o habitual discurso falsificado da História.


Por estas e por outras Marcello Caetano deixou de existir na historiografia actual, em Portugal. Salazar é tudo e nada mais sobra. Chega-lhes, aliás, a tal esquerda. E nem precisam de mais para alimentar as falsidades históricas.

Quanto ao actual presidente da República já nem se lembra do que escreveu...nem interesse nisso terá.

Ou será que tem?

Las hay, las hay...

Sol de hoje:



O que segue não tem necessariamente a ver com estes pindéricos ( o canal Q é um esgoto de nulidades) mas ainda assim, o nível da pinderiquice desceu tão baixo que já nem me admirava se abrangesse estas figuras menores.


sexta-feira, 25 de outubro de 2019

A cantiga da gaivota

Público de hoje: "uma gaivota, voava, voava...asas de vento, coração de mar...".

Como ela...é sempre interessante quando alguém tira a máscara e mostra quem é: a SONAE para isto e muito mais.



Absolutamente sensata a nada radical é esta imagem (de ontem e tirada por Miguel Lopes da Lusa, nos corredores da AR)  e o que representa: a deputada Joacine, a gaga, acompanhada de um assessor à moda de lady gaga.
É disto que a Bárbara gosta...e supeita que a Cláudia da SONAE também aprecia. Estamos feitos, como diria o irmão a propósito das manigâncias socialistas que a isto conduziram.


quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Relatório minoritário sobre o governo que está

Visão de hoje:


Estes são todos do "grupo de Macau", o qual tem predominância no governo actual. Eticamente já provaram o que são, em várias ocasiões.

Se alguma coisa correr mal no governo a propósito de corrupção de alto coturno não haverá dúvida que algum destes nomes saberá alguma coisa do assunto.

Não é por acaso que tiveram um grande formador político: Jorge Coelho, precisamente em Macau.
São tudo gente "muito inteligente", de escol. Et pour cause.

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

O sr. Vilela dá uma lição ao sr. Morgado e ao sr. Antero...

Sábado, artigo de António José Vilela ( intitulado o sr. Antero e o Sr. Morgado, ora juizes ora ajudantes políticos como outros) sobre os juízes Mário Belo Morgado e Antero Luís, indigitados secretários de Estado, ajudantes do poder político que está. Falta dizer uma ou duas coisas: assinalar quem vão ajudar e os terá nomeado. Uma- a ministra inteligentíssima Van Dunem, que segundo o currículo da Wikipedia terá feito o curso de Direito em dois anos. E outro, o ministro dos microfones, Cabrita das cabriolas.

Quanto ao mais, os juízes usam becas e não togas, mas é apenas um pormenor de somenos.

São um mau exemplo, como já foram outros. Mas parece que já ninguém repara. Chegou-se a uma estranha normalidade que não admite este tipo de reclamações em público. Nem aos jornalistas, por causa das fontes. Mas apetece-me dizer – para estes e outros que já fizeram o mesmo caminho – "Srs. juízes, fiquem nos tribunais. Ou então, saiam de vez." Foi para isso que ganharam o direito a usarem as vestes, é para isso que são necessários, é por isso que a sociedade lhes reconhece méritos de julgar, de decidir sobre as nossas vidas.

Para ser presidente de autarquia, deputado, chefe de gabinete, adjunto ou secretário de Estado (mesmo da Administração Interna ou da Justiça) há muita gente por aí com vasto currículo. Gente que não carrega consigo o que a sociedade vos concedeu. Não se coloquem ao serviço de políticos por tempo mais ou menos indeterminado (não, não vale dizer que estão ao serviço do País, porque já estavam), com ou sem licença sem vencimento de longa duração, não almejem lugares à frente da PSP, da PJ, do SIS ou de qualquer outra polícia, força ou sistema de segurança. Vocês são juízes, certo?! Não têm de estar desse lado, têm de estar por cima ou, melhor, no meio. Apolíticos, pelo menos em público, e discretos, para decidirem melhor. Não parece difícil perceber.

Fica também mal quando perdem por muitos votos eleições entre a classe para lugares de topo e aparecem logo transformados em muletas de políticos, de partidos, de interesses mais ou menos louváveis. Preocupem-se mais com o facto de não serem vistos como saltitões à procura de tachos dos governos do PS ou do PSD. Ou dos dois. Um partido ganha eleições e chama o sujeito A; o partido perde eleições e o sujeito A vai à vida; o partido volta a ganhar e chama o mesmo A.

E durante todas essas deambulações e apetites mundanos lá vão os Srs. subindo na carreira. Da Relação ao Supremo. Ou até ao Constitucional. Mesmo depois de passarem pelos Serviços Secretos e não conseguirem ver como os operacionais trabalham no terreno acedendo ilegalmente a faturações telefónicas, dados bancários e fazendo outros malabarismos que enchem páginas de jornais sem nada de muito útil depois acontecer.
Os juízes são para estar nos tribunais, volto a frisar. Pelo menos, para mim. Não existem para darem aulas na (defunta) Universidade Moderna a troco de pagamentos dissimulados, para receberem bilhetes para a bola ou servirem de consultores de países com viagens pagas. Ou para andarem à volta de malhetes maçónicos em discretas sessões de irmandades regulares ou irregulares. Fiquem nos tribunais, usem a sabedoria para julgar. Mesmo que também ai façam algumas coisas absurdas de quando em vez. Como apontarem processos disciplinares a colegas por concordarem com investigações do Ministério Público.

Ou simplesmente por estes falarem. Em entrevistas que não são comparáveis a outras em que alguém defendeu a extinção de um tribunal (o Tribunal Central de Instrução Criminal), que é responsável por alguma coisa ter sido feita com os grandes casos de criminalidade económica. Sim, parece que já ninguém se lembra que houve uma alma iluminada pela candura da toga que disse que o TCIC devia ser extinto porque tem apenas dois juízes com personalidades e sentidos de decisão tão diferentes. Pois, agora foi-se a toga.

A vigilância dos cidadãos pelo Estado é aterradora


Wikipedia:

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro (em inglês: Nineteen Eighty-Four), muitas vezes publicado como 1984, é um romance distópico da autoria do escritor britânico George Orwell e publicado em 1949 .[1][2] O romance é ambientado na "Pista de Pouso Número 1" (anteriormente conhecida como Grã-Bretanha), uma província do superestado da Oceania, em um mundo de guerra perpétua, vigilância governamental onipresente e manipulação pública e histórica. Os habitantes deste superestado são ditados por um regime político totalitário eufemisticamente chamado de "Socialismo Inglês", encurtado para "Ingsoc" na novilíngua, a linguagem inventada pelo governo. O superestado está sob o controle da elite privilegiada do Partido Interno, um partido e um governo que persegue o individualismo e a liberdade de expressão como "crime de pensamento", que é aplicado pela "Polícia do Pensamento".[3]

A tirania é ostensivamente supervisionada pelo Grande Irmão, o líder do Partido que goza de um intenso culto de personalidade, mas que talvez sequer exista. O Partido "busca o poder por seu próprio bem. Não está interessado no bem dos outros, está interessado unicamente no poder".


Em 2014 estive em Paris e fui a uma livraria que já conhecia, na rue de Rivoli, a W.H.Smith. Foi lá que uns bons anos antes tinha visto pela primeira vez a edição original do New York Times, com papel a bojar de cadernos e mais cadernos. Não comprei na altura essa primeira impressão, por causa disso. Fiquei-me pela recém-aparecida Talk, de Tina Brown, cujo número um acabara de sair e já acabou de vez há muitos anos e não me lembro de ver por cá à venda. 


Em 2014, portanto, o interesse pela W.H.Smith nessa rua com arcadas era já na procura de novidades, para boas leituras.  No escaparate de entrada estava lá este livro, nessa altura: 


O tema era candente, na época: um americano, ainda jovem nem sequer com trinta anos, perito informático, contratado pelas agências de informação secreta americanas para desmontar esquemas de espionagem informática, na maior parte estrangeiras e por conta do governo, decidira denunciar publicamente aos quatro ventos mediáticos, o esquema que se lhe afigurou ilegal e criminoso e que durava praticamente desde os atentados em  Nova Iorque, no ano de 2001.  Essencialmente o caso assumia uma gravidade inaudita: os americanos, de modo oculto e secreto espiavam toda a gente que bem entendessem. Toda a gente, no mundo inteiro e que tivesse alguma vez acesso a internet, telefone móvel ou sistemas de comunicação por computador. As empresas americanas privadas, mais importantes, como a Google ou fornecedoras de acesso a tais comunicações colaboravam activa e secretamente com o governo para essa acção de espionagem global. 

O escândalo, assim, também foi global e quem o denunciou mediaticamente foi o jornal The Guardian.
A história desse escândalo que não terminou e porventura ainda se ampliou e o modo como se desenvolveu na altura era o tema do livro. Que na altura folheei e não li.

Tal como não li com olhos de ler a reportagem que a revista Wired publicou em Setembro de 2014 sobre o assunto. Mas comprei a revista...





Não li na altura mas li agora porque comprei outro que confirma o que lá vem escrito. Este é a biografia do protagonista escrita na primeira pessoa e é deste ano. O título diz tudo.


Na parte final do livro a mensagem é clara: " Mesmo que não tenha procurado coisa nenhuma online, não seria muito difícil a um governo interessado em descobrir que está a ler este livro. No mínimo não seria muito difícil descobrir que o tem, quer o tenha descarregado ilegalmente ou o tenha comprado numa loja de cimento e argamassa com um cartão de crédito."

E em algumas páginas:







O livro de 2014 explicava já o que acontecia à escala global:


O que pretendo dizer com isto tudo? Que o indigitado Secretário de Estado da Justiça é o juiz Antero Luís que foi dirigente das secretas durante seis anos e mais alguns. E que o indigitado Secretário de Estado da Administração Interna, Mário Belo Morgado, foi director nacional da PSP e director- geral de qualquer coisa, antes disso. ( Os cargos estão ao contrário, mas para o caso tanto faz...)

Chega? Não é suficiente. Veremos o que virá a seguir...

Uma produção fictícia ou simples habilidade saloia?

Público:

O futuro secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, vendeu a sua participação na produtora Produções Fictícias, também proprietária do Canal Q, a André Caldeira e Michelle Costa Adrião, que gerem a empresa desde 2015 – André Caldeira, apurou o PÚBLICO, é sobrinho de Nuno Artur Silva, o que não viola as novas regras da transparência para detentores de altos cargos públicos.
“Já não sou accionista das Produções Fictícias e, consequentemente, também já não sou accionista do Canal Q. Não tenho [agora] nenhuma participação em qualquer empresa de audiovisual, de media ou de comunicação social”, disse Nuno Artur Silva ao PÚBLICO esta quarta-feira. Os compradores, esclareceu, vinham assegurando a gestão da produtora desde que assumiu funções como membro do conselho de administração da estação pública com o pelouro dos conteúdos, em 2015, e estão há mais de uma década nas Produções Fictícias.


Logo vi que era ética a mais...mas este gajo vai mesmo ser ajudante de ministro? Vai!? E o palhaço-mor do reino não lhe vai dedicar nenhuma rábula, como gente que não sabe estar? E o papagaio-mor não se importa com este desaforo?

segunda-feira, 21 de outubro de 2019

O TCIC é para acabar...

Este novel Secretário de Estado vai vender  algo que tem de seu ( vai mesmo, de verdade?!) por ser incompatível :

Nuno Artur Silva entra no Executivo e fica a tutelar a RTP, a empresa pública de onde foi afastado da administração pelo Conselho Geral Independente há pouco mais de um ano por alegado conflito de interesses. Enquanto administrador da RTP, Nuno Artur Silva detinha parte da Produção Fictícias, fornecedora de conteúdos da televisão pública.
O fundador da Produções Fictícias (PF) Nuno Artur Silva terá assegurada a venda da sua participação na empresa produtora de conteúdos, fundada em 1993, avança o “Público”, na tarde desta segunda-feira, 21 de outubro. O empresário do setor de media, que foi administrador da RTP entre 2015 e 2018, foi nomeado titular da recém-criada secretaria de Estado do Cinema, Audiovisual e Media.


Ora a moda é celebrar contratos promessa que nunca se cumprem...ou arranjar testas de ferro. É perguntar como se faz, a um putativo mestre desses assuntos, tal como o MºPº o define, de seu nome José Sócrates. 
Este foi quem nomeou um dos novos ajudantes do Governo socialista, o juíz Antero Luís, para o serviço de informações, em 2005 e em 2011. Anos de experiência! 
Quanto ao Belo Morgado, a nomeação para cargos de confiança governamental ainda é mais antiga e foi da responsabilidade de governos do PSD ( Laborinho Lúcio achava que ele é que era...e Cavaco Silva idem. Enfim...) .

Estes ajudantes, como não terão participações sociais em empresas do ramo em que agora se empregaram não irão vender nada. Mas têm ambos algo para alienar...

A nomeação destas personagens pode ter um fito específico: acabar com o TCIC onde estão os juízes Carlos Alexandre e Ivo Rosa. Por razões diferentes aqueles dois ajudantes  do Governo coincidem nesse desiderato e a ministra, como já se disse é muiiiito inteligente. Era para sair e não saiu.  
O ajudante dessa muito inteligente ministra Van Dunem, já apostou nisso há muito. Para além do mais,  não pode com o juiz Carlos Alexandre. O outro que agora ajuda o Cabrita dos microfones,  também  não o suporta. E por isso a vontade de comer já se juntou à fome.  

Portanto, o destino do TCIC está traçado a breve trecho: é para fechar. 

Veremos como vão fazer de conta que não vai ser assim...

Público de hoje ( O CM nem cheira o assunto, mas vai depois lamber os restos, mais lá para a frente...):


O adjectivo está mal escolhido. Cirúrgicas, sim, estas nomeações. Foram para lá com uma missão. E vai-se notar.