terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Os donos do regime

No livro Os Facilitadores, de Gustavo Sampaio aparecem enunciados alguns nomes da advocacia portuguesa, toda com escritórios em Lisboa.

À data de 2014, altura da prisão de José Sócrates estes eram os mais importantes e quem se der ao trabalho de escrutinar o que fizeram, em prol de quem e por conta de quem, pode muito bem concluir que a esmagadora maioria dos contratos que envolvem entidades públicas ou privadas, em Portugal e não só tiveram também estes protagonistas.
Mais: alguns deles são autênticos legisladores que se substituem ao poder legislativo.
Outros que não aparecem nesta listagem, ficando escondidos à sombra de alguns "ajustes directos" de monta, vivem assim mesmo, no escurinho do bem bom.

Em Portugal não há nada que mexa, com importância de milhões, em que estes indivíduos não metam o bedelho. 

São eles, verdadeiramente os donos disto tudo. Mais que o outro...e desde há décadas. São todos antifassistas convictos até por uma razão singela: no tempo do fassismo não tinham estas vantagens económicas, não eram assim facilitadores e o regime de então não lhes permitia as veleidades que a democracia lhes outorga, por várias razões.
Uma delas é que muitos deles também foram e são deputados e estão sempre ligados aos partidos de poder, o PS, PSD e CDS.

Por esta gente passaram os grandes fundos europeus, as leis e regulamentos que os aprovaram e distribuíram, os pareceres que os acapararam.
Por eles passaram os grandes negócios do Estado com as privatizações, as gestões das empresas públicas e as bancarrotas subsequentes.

Muitos deles foram membros destacados de governos em série, dos três partidos. Muitos deles entraram nos governos, saíram, voltaram a entrar e participaram na repartição do bolo dos orçamentos lautos em parecerística avulsa. Décadas a fio.

É assim que em Portugal existe mais uma oligarquia do que propriamente uma democracia. Basta ver quem comenta nas tv´s, quem é designado para dirigir os media e quem orienta as notícias que são publicadas. E também quem são os almocreves destes senhores...nesses mesmos medias. Quem nomeou quem, como, quando, onde e porquê. Notícias, afinal!


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