segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

"Infarto" terrorista sobre a justiça

A terrorista nunca arrependida Isabel do Carmo, muito requisitada ultimamente para dar opinião pessoal sobre tudo e o par de botas, komenta a Justiça em artigo no Público.
Este pasquim, cada vez pior, cada vez mais enfeudado a uma extrema-esquerda com a idiossincrasia de sempre, ontem publicou duas páginas de propaganda ideológica a essa banda política com um artigo sobre Noam Chomsky.

Hoje porém, online, há esta pérola da tal terrorista e bombista  nunca arrependida que fazia bombas mas nunca as colocou para não ser responsável directa das mortes que causaram, apenas por motivos ideológicos.

Esta desgraçada que agora defende um PS que é o melhor que pode haver para esta extrema-esquerda, diz isto sobre os casos judiciais recentes e polémicos: tudo uma cabala da direita para encalacrar esta sagrada esquerda do PS. Assim, sem tirar nem pôr.

O que dirá disto a antiga correlegionária ideológica, Maria José Morgado?  Este "infarto" sobre a Justiça é de gritos:

No momento político pelo qual passamos é dever de cidadania discutir sobre a Justiça, seja pelos conteúdos da sua aplicação, seja pelos métodos, seja pela sua expressão pública.
O facto de os detentores de poder político, nomeadamente o Governo, dizerem repetidamente que não se pronunciam sobre a Justiça, o que é obrigatório e correcto, dada a regra de Estado de Direito e da separação de poderes, leva a que os simples cidadãos e os actores políticos na sua generalidade também achem que não se devem pronunciar sobre essa área. Ora a Justiça não é sagrada e intocável. E mal será se a deixarmos passar sem que se levantem vozes críticas, para além dos especialistas chamados a comentar, com o seu habitual vocabulário técnico. Em democracia tudo se deve discutir e pôr em causa se necessário. Comparo com o que se passa na área da saúde, onde tudo é escrutinado e a Ordem dos Médicos recebe numerosas queixas. A verdade é que a população em geral tem medo da Justiça. Foram dezenas de anos duma ditadura que aplicava a repressão de forma arbitrária e um receio íntimo e abstracto passa de geração em geração. Não vão eles virar-se contra nós... E a verdade é que às vezes se viram. Observando a comunicação social, sobretudo em televisões, há “especialistas” sobre aeroportos, incêndios, legionellas, organizações de solidariedade social, futebol, mas quando se toca em casos de Justiça declaram “sobre isso não me pronuncio”, embora possa haver uma opinião que não seja de juízos técnicos.
Na situação actual relativa à Justiça, ela é lenta, cara e pouco acessível para os mais pobres, mas resulta rápida e eficaz para os considerados notáveis. Para estes também vai ser lenta ou quase infinitamente prolongada. Todavia, fica feita no momento. Empregando a interessante palavra já usada neste jornal, um “passarinho” leva no bico para certos jornais, sempre os mesmos, o conteúdo da investigação do Ministério Público, as acusações e os nomes dos acusados e em cima da hora já o público sôfrego de casos sabe tudo, o resto da comunicação social tem que ir atrás e no dia seguinte o julgamento está feito e a pena estabelecida — é culpado para toda a vida. Fica-nos a legítima curiosidade de nos interrogarmos sobre o que é que o passarinho leva para trás. Doces? Milho? Ramos de oliveira? O que se segue pouco importa. Nestes casos, o juiz de instrução, que está próximo local e mentalmente do Ministério Público, vai formalizar os conteúdos e fica a culpa formada para o julgamento que há-de vir.
A senhora procuradora-geral justificou a dificuldade em investigar as fugas do segredo de justiça (declaração de 02.02.2018), dando o exemplo de um caso recente em que estariam envolvidas no caso e nos seus detalhes e datas cerca de cem pessoas. Ah! E nós a pensarmos que a investigação estava no segredo dos deuses! Só não se percebe é como, com esta osmose, não há fugas de arguidos ou destruição de eventuais provas.
Os actores do Ministério Público e os dirigentes das suas organizações manifestam-se de uma forma claramente política, oralmente e por escrito, sem delicadezas, nem nuances. Os partidos de direita aplaudem e os respectivos comentadores na comunicação social, que são muitos, sustentam as ondas de choque. Por que não podemos então fazer uma análise política dos seus actos? Tem sido felizmente falado o dramático caso de uma mulher que após repetidas queixas ao Ministério Público acabou por ser assassinada pelo marido. Justificou-se o presidente do sindicato através de entrevista à TSF, dizendo que a procuradora em causa tinha 700 processos em cima da mesa. Volto a comparar à Medicina. Tanto para consultas, como para cirurgias, como para urgências, temos uma coisa chamada triagem e muito mal estaríamos se deixássemos ficar em fila de espera queixas altamente suspeitas de infarto do miocárdio para nos ocuparmos de um caso de dores na articulação do cotovelo de longa duração e aspecto benigno. Sugiro a classificação em verde, amarelo, laranja e vermelho e que não se atenda por ordem de chegada ao monte de papéis. O caso da mulher assassinada era vermelho. Outros há verdes e para mandar para trás. Porque isso leva-nos a não deixar de falar do que se passou com o ministro das Finanças.
A direita, no sentido lato, engoliu muito mal o bom desempenho de Mário Centeno e a sua nomeação para o Eurogrupo. No início deste Governo e nas suas primeiras aparições no Parlamento, como faltavam ao ministro ademanes de político profissional, as bancadas da direita, mal ele falava, gozavam e riam-se muito, porque julgavam que era parvo (as imagens existem). Quem o conhecesse do meio académico sabia que era brilhante e que é de uma reconhecida honestidade. Estou entre as pessoas que, apesar de se congratularem com a nomeação deste ministro, não acreditam que do centro do poder europeu nos venham grandes soluções, embora a Grécia já tenha eventualmente beneficiado desta nova composição do Eurogrupo. Também penso que se tem que enfrentar o Ministério das Finanças em termos do actual subfinanciamento da Saúde. Mas tenho que reconhecer que o ministro teve a competência de conciliar boas contas com reposição de salários, que encarou com um sorriso os sabichões europeus e é por mérito e competência que foi nomeado para o Eurogrupo.
Isto que foi uma derrota para a direita não podia ser expressa, porque seria politicamente incorrecto. Era necessário então seguir outra via. Para percebermos aquilo que é de facto desta vez uma conspiração, temos que ir à ponta onde começou o fio que acabaria em inquérito no Parlamento Europeu, e talvez a sua destituição, não fora o passo ter sido muito maior que a perna. Levantado o caso em jornal ou jornais, sempre os mesmos, alarmada a opinião pública, o Ministério Público foi célere a fazer buscas no Ministério das Finanças, vasculhando papéis e computadores, embora sabendo tudo o que se sabe hoje: que o ministro tem assinatura de lugar pago por ele, no estádio, que foi para a tribuna por razões de segurança, que o não pagamento do IMI pelo filho de Vieira dependia da câmara e estava justificado e não do ministério. E também foi célere a informação de Paulo Rangel ao Partido Popular Europeu e a ideia deste partido de levar a questão ao Parlamento Europeu. Jornais de leitura internacional publicaram sobre o caso, não faltando mesmo o New York Times. O caminho estava feito...
Foi desta vez a crítica generalizada, e a atitude firme do primeiro-ministro, que tirou as ideias a quem queria livrar-se de Mário Centeno, dizendo que não o afastaria mesmo que fosse arguido, que acelerou a marcha atrás e o arquivamento super-rápido do processo pelo Ministério Público. E até o PSD passou a ser pela retirada da queixa no Parlamento Europeu.
Ora todo este processo tem actores e responsáveis. Ou será que a luta contra a corrupção está ela própria corrompida? Não podemos deixar de dizer que alguns pensarão: “Ah, se isto fosse no Brasil! Lá é que temos um Estado justiceiro.” Mário Centeno não escaparia. Porque apareceriam logo delatores premiados, sabe-se lá com que prémios. E deste viam-se livres. Passavam logo a José de Magalhães, actor menor mas ex-secretário de Estado do Partido Socialista, arguido porque gastou 400 euros em livros e revistas, numa “mixórdia de temáticas” que, diz o Ministério Público, pouco tinham que ver com a Administração da Justiça de que era responsável. Um a um lá vão eles sendo julgados na comunicação social, porque isto de política vai mal e é necessário ocuparmo-nos de “casos”. E vão projectando um Estado justiceiro, que seria o nosso equivalente dos partidos populistas que há pela Europa fora. 

sábado, 10 de fevereiro de 2018

A imagem do MºPº actual...

Depois do congresso do MºPº no último fim de semana,  as notícias sobre o evento passaram por entrevistas a dois ou três protagonistas e imagens na tv de alguns presentes, quase todos da actual nomenklatura do MºPº que assim pretende permanecer como parece notório.
Sobre os problemas reais dessa magistratura, o que passou para a opinião publicada é completamente irrelevante,  o que significa que o congresso foi um passeio de fim de semana para alguns magistrados dirigentes, particularmente nas distritais e comarcas se mostrarem aos pares e dizerem entre si que "estão com o sindicato" na hora das votações no Conselho Superior ou em eleições próximas...

Hoje o Expresso traz um pequeno artigo de uma dupla de juristas que aparentemente procuram capar a pequena autonomia de que goza essa magistratura. Não lhes agrada nada quando tal magistratura se mostra um pouco mais acutilante com a politiqueirice ambiental e persegue criminalmente certas figuras públicas  que concitam logo o apoio em massa dos cágados de serviço e que são muitos.
Esse clube de cágados tem  uma sede no largo do Rato e diversos comissários que oficiam habitualmnte nas tv´s. Um dos principais membros, já honorário e com bastas provas públicas dadas e remendadas,  é o advogado Magalhães e Silva, como ontem referi.

Não obstante, tirando isso, o pequeno artigo dos tais "juristas" é interessante e faz muito sentido no tempo actual em que não se discute o problema de fundo que convoca: o falhanço do MºPº em investigações avulsas que se encontram em curso e algumas cujo desfecho se afigura duvidoso e até vergonhoso ( caso do ministro Centeno e agora o dos cartões de crédito do governo Sócrates).

Primeiro o artigo:


De facto não se compreende que uma investigação dirigida no DIAP, então da responsabilidade de Maria José Morgado e actualmente não sei de quem ( não quero saber...e não fui ver) aos cartões de crédito dos governos Sócrates  dê no que se conhece: acusação a dois figurões por causa de terem comprado livros e aparentemente não os deixarem no ministério...

O Correio da Manhã fez o trabalho de casa que aparentemente falhou ao MºPº no capítulo dos indícios  recolhidos e escândalos escondidos e mostra como foi a grande rebaldaria governamental nos gastos prandiais durante anos e anos. Presumivelmente ainda dura e perdura, sem escândalo ou investigação específica do MºPº a esse autêntico abuso que o jacobinismo oblitera.


O que aqui se espelha são crimes continuados (  que continuam...) de peculato, mas que o entendimento jacobino do direito penal não considera como tal, porque estão justificados pelos "usos e costumes" de quem governa à custa do povo palerma que isto permite.

Não se admite que um cabrão de um secretário de Estado, ministro ou um filha da puta qualquer que seja governante e receba do erário público,  gaste uma média de 295 euros por refeição paga por todos nós, através do Orçamento de Estado. Não se admite, ponto final.

Considerar que isto é muito normal e que portanto não é crime algum é outro crime: denegação de justiça, prevaricação mental porque revela a falta de entendimento democrático do que é e para que serve o direito penal.
Acusar um gajo qualquer ( José Magalhães, precisamente um gajo qualquer) que foi Secretário de Estado por ter gasto 400 euros em livros que aparentemente não deixou no ministério  e deixar passar ao lado tudo isto que acima se expõe é obsceno, juridicamente.

E no entanto, aposto que seria esse o entendimento de um STJ se fosse chamado a pronunciar-se sobre o crime de peculato.

Ou seja, há aqui algo de profundamente errado.

Por isso mesmo é que no Expresso desta semana, a anterior responsável pelo DIAP escreve as suas memórias com histórias da carochinha. Há décadas que não deve fazer um julgamento...



O Ministério Público actual é isto e duvido que muitos magistrados antigos se revejam nesta imagem ridícula que tem dado ultimamente. 

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Mais uma derrota da dupla Delille&Araújo

Observador:

Operação Marquês. Relação rejeita afastamento de juiz Carlos Alexandre.

E já não podem contar com o Rangel. Baixa de peso...

Entretanto, na RTP3, a dona Lourença convidou outra vez o advogado Magalhães e Silva, membro do Conselho Superior do Ministério Público para falar de processos pendentes, sob o pretexto das preleções sobre segredo de justiça e respectiva violação. O dito não se fez rogado e lá esportulou a ideia viúva, de sempre, a favor de corruptos.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Um filme sobre o comunismo real: Milada, na Netflix

 No canal Netflix que não possuo e por isso não vejo, estará em visionamento um filme importante sobre o que era o comunismo real, contado por uma protagonista do mesmo. 
 O filme  estreou em Novembro na República Checa e é sobre Milada. Milada é  uma heroína Checa que foi presa pelos nazis e enviada para um campo de concentração. Libertada no fim da guerra foi presa novamente pelos comunistas, torturada e condenada à morte. Foi enforcada em Julho de  1950.

A filha só recebeu as cartas que Milada lhe escreveu, e à família, em 1990,  depois da queda do comunismo. 

Para mostrar às Ritas Rato e Raquéis Varela que inundam os écrans das tv´s a fazerem propaganda de um comunismo cuja essência é o que se mostra no filme: o totalitarismo apenas comparável ao nazismo, mas eventualmente pior que este, porque perdura no tempo e ainda tem muitos adeptos em Portugal.  

Talvez agora, com o novo presidente da RTP, haja alguém que se lembre de o mostrar a um público mais vasto, mesmo que o PCP faça tudo para o censurar. 

A prova que faltava da inutilidade das investigações do MºPº sobre Angola...

Observador:

A procuradora, que entre 2010 e 2012 foi coordenadora do procurador Orlando Figueira, julgado pelos crimes de corrupção e branqueamento de capitais, chegou esta manhã ao Campus de Justiça para testemunhar. A procuradora do julgamento, Leonor Machado, agradeceu o facto de o ter feito presencialmente. “Podia tê-lo feito por escrito”, realçou. E começou por pedir-lhe que esclarecesse como eram as relações entre as procuradorias portuguesa e angolana.
A magistrada lembrou que, em 2009, a Procuradoria Geral de Angola e a Procuradoria Geral portuguesa, pelas mãos de Pinto Monteiro, fizeram um acordo de formação. E que destacou uma equipa do DCIAP, onde estava Figueira, para dar formação aos angolanos. A certa altura o estado angolano desistiu de uma queixa que estava já a ser investigada. E Cândida soltou um desabafo.
Eu terei desabafado… não me lembro com quem: estão a utilizar os tribunais portugueses para resolver os seus assuntos e depois deixam as investigações a meio”, disse.
Este desabafo, segundo descreveu, chegou ao Procurador Geral de Angola que aproveitou a reunião da formação para a confrontar. “Apresentou-me uma lei de Angola a dizer que recebia ordens diretamente do Presidente. Eu disse que foi um desabafo, pedi desculpa, os meus colegas nem sabiam disso. Foi a única vez que falamos de um processos”, disse.

Está aqui tudo, dito claramente, pela coordenador do DCIAP onde decorriam as investigações aos casos de Angola e "branqueamento de capitais".

O Ministério Público não tinha que fazer estas figuras. Bastava que arquivasse os procedimentos administrativos com base nos argumentos expostos: os angolanos não querem justiça real, mas apenas usar o sistema de justiça para se injustiçarem entre eles. E o PGR de Angola recebe ordens do presidente da República.

Bastavam estes dois argumentos para arquivar todos os procedimentos e nem sequer mandar instaurar inquéritos.
 Não sei porque fizeram o contrário...dando origem a estes processos, que foram todos, mas mesmo todos arquivados, precisamente por esses motivos. E dando origem a suspeitas, a mau funcionamento dos serviços do MºPº e a conflitos diplomáticos que poderiam ter sido evitados.

Dir-se-á: Portugal é um Estado de Direito e diferencia-se de Angola e por isso actua com base no princípio da legalidade. Argumento jacobino que resulta no que está à vista...

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

O jornalista que defende o couro do PCP

Ribeiro Cardoso é um jornalista reformado que viveu o PREC, por dentro, nos jornais, particularmente o Diário de Notícias.
Escreveu um livro recentemente para "repor" verdades esquecidas a que temos direito. São por isso as verdades do PCP escritas por um compagnon de route e de casa do Partido que em 1974-75 não fazia segredo do que pretendia para Portugal: um regime semelhante ao soviético, com a desmancha de todo o sistema burguês, particularmente dos "monopólios" e contra os imperialismos que no caso apenas se declinavam no singular, ou seja apenas o norte-americano.
Quanto ao soviético, os ribeiros cardosos batiam palmas, apesar de terem obrigação de saber que regime opressivo era esse, muito mais que o salazarismo jamais o fora e com uma tendência totalitária inegável e já então muito conhecida mas voluntariamente ignorada por estes pretensos néscios.

O jornal i de hoje entrevista o citado Cardoso, porventura por causa do insucesso do livro que não deve vender para pagar as encomendas.

Vale a pena ler a entrevista que é feito de verdades a que temos direito, depois de sabermos as mentiras que os comunistas denunciam com meias falsidades.



A tese do livro é muito simples: pretende provar que as vítimas do PREC foram os comunistas e que depois do 25 de Novembro levaram porrada de três em pipa, sendo saneados e despedidos por dá cá aquela palha e só porque sim, tendo depois ganho judicialmente os processos de despedimento sem justa causa.

Independentemente disso, branqueia despudoradamente o papel do nóbel Saramago na altura em que era um simples jornalista, apaniguado do PCP e homem de mão desse partido para manipular a informação estatizada do DN da época.

Argumento de fundo: não foi Saramago quem despediu jornalistas...

A imprensa da época também não disse que assim fora, apenas que Saramago era um homem de mão do PCP e portanto de jornalista tinha quase nada. E os jornalistas saíram...

O Jornal de 16.5.1975:

Expresso 23.8.1975:



Para quê mistificar realidades cujo contorno é claríssimo?



Por outro lado, o jornalista reformado pretende dar uma outra ideia do que foi o 25 de Novembro. No seu entender anda tudo enganado pelos media que repetem sempre a mesma história. E o exemplo supremo disso é a história do despedimento dos 24 jornalistas, do DN...

Na Introdução ao livro começa logo com uma calinada de tomo, ao afirmar que em 1975, "  a Constituição, pouco antes aprovada pela esmagadora maioria dos deputados, apontava sem qualquer tibieza o socialismo como caminho e meta".

De facto, em 1975 as eleições para a Constituinte deram uma vitória esmagadora a forças anti-comunistas. E a Constituição só foi aprovada no ano seguinte, em 1976. Daí o PREC...porque o PCP e a extrema- esquerda objectivamente aliados quiseram fazer tábua rasa do resultado eleitoral e ganhar na rua o que tinham perdido eleitoral e democraticamente. Cunhal desvalorizou a derrota eleitoral que lhe dera uns míseros 12% quando esperava para aí 40%...

Isto é o que o jornalista reformado se esqueceu de escrever...mas enfim, é a verdade a que prefere não ter direito.

Por outro lado, como bom cripto-comunista detesta Mário Soares. Nisso,  não deixo de lhe dar inteira razão...

O estranho mundo do jornalismo pacóvio

Este apontamento da jornalista do Correio da Manhã, Tânia Laranjo, no jornal de hoje, remete para uma reflexão sobre o conceito de pacóvio aplicado ao jornalismo.

Um pacóvio é um néscio, um rebento de imbecilidade e de estupidez que aflora no espaço público, como agora se diz, com destaque desnecessário porque deletério.

O  apontamento no CM sobre o modo como se tratam as pessoas em audiência de julgamento diz algo sobre isso e mais sobre quem o escreve e que usa expressões de antanho do género "pente fino" e outros rendilhados estilísticos aprendidos no meio social em que se  nasceu, alargado ao meio comum imaginado.
Para além do mais, "réu", em processo crime,  deixou de existir em 1987, há trinta anos portanto. Mas ainda existe nas mentes desactualizadas de quem assim escreve.
Toda a gente sabe que em Portugal um licenciado em qualquer coisa, mesmo em Comunicação Social, passa automaticamente a ser doutor, sem aspas ou abreviatura homófona. É um dado assente que qualquer pacóvio entende porque é assim aqui e afinal não é assim noutros lados, como na vizinha Espanha ou além Pirinéus.
Aqui é assim e desde há décadas e décadas, sendo uma das nossas indiossincrasias. Pretender contrariar isto é fazer figura de urso e dar mostras de não querer entender o que é básico e chão na nossa sociedade.
A alternativa seria condizer a forma de tratamento ideal. "S´tor" não serve? Então experimente-se o apelido: sr. Figueira, sr. Blanco, sr. Sousa e por aí fora. Ou então, sr. arguido, snrª. testemunha, snr. juiz, snr advogado, etc.
Fica muito melhor,  não fica?, perguntaria um dâmaso salcede a olhar para o escrito...

Portanto, era inteiramente escusada esta saloiice escrita:




terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Ainda A. Araújo e o livro sobre o atentado a Salazar em 1937

Esta imagem do Público de 26 Janeiro passado, com a entrevista ao intelectual António Araújo acerca do atentado anarquista a Salazar, suscitou-me uma curiosidade e acicatou-me a memória. Parecia-me ter visto uma imagem destas algures numa revista que tinha por cá.



Não era bem a imagem da revista mas ainda bem que fui procurar porque encontrei o que não esperava: uma entrevista de Emídio Santana, um dos anarquistas responsáveis pelo atentado a Salazar que o tal intelectual Araújo agora se deu ao cuidado de revisitar e suponho que não leu porque tal entrevista suplanta o livro no que é essencial: explicar como foi o atentado, através de um relato na primeira pessoa. 


A entrevista é à revista Opção nº 2 de 6 de Maio de 1976 e aí fica para se ler como foi o atentado...

Juízes e jornais

A atenção que actualmente se devota aos tribunais, juízes e magistrados por parte dos media é relativamente recente e tem cerca de vinte anos.

Como ontem referiu o jornalista Eduardo Dâmaso ( director da Sábado), no programa Prós&Contras e que acompanha estes assuntos há cerca de trinta anos, o protagonismo dos tribunais na sociedade portuguesa só começou quando os políticos começaram a ser incomodados com investigações a crimes de natureza económico-financeira, particularmente as verbas do Fundo Social Europeu ( com UGTs de Torres Couto e outros figurões à mistura, mais casos melancias e outros fax de Macau que nunca se investigaram devidamente porque havia cidadãos acima da lei, perdões fiscais à cerâmica Campos, etc etc).

Em 1995 o conhecimento que os jornais ( principalmente estes numa era pré-internet e com as televisões a começar a carburar, caso da SIC, lançada em 1992) tinham do Judiciário era muito escasso e não havia grandes permeabilidades ou contactos em sistema ou fora dele entre jornalistas e magistrados.
Hoje em dia não é assim. Os jornalistas aprenderam depressa ( os que aprenderam, como Dâmaso ou Carlos Lima)  que para saberem algo acerca de factos têm que se informar junto de quem sabe melhor e os magistrados são efectivamente quem pode explicar, off record, o que não se atrevem a dizer em on, porque aí são surdo-mudos e usam burka, como dizia ontem Maria José Morgado.

Essa cultura do silêncio resulta de um medo atávico ao "protagonismo",  a pior acusação que pode cair sobre um magistrado que se atreve a prestar esclarecimentos sobre seja o que seja.
Nesse aspecto, o panorama, paradoxalmente, está pior do que há vinte anos e alguns dos responsáveis por esse estado de coisas foram então vítimas dessa pressão institucional que se afigura um bullying profissional inominável.

O Público de 16 de Fevereiro de 1995 dava conta dos problemas dos juizes na altura em que se preparavam para eleger o novo Conselho Superior da Magistratura.
Na época era director-geral dos serviços Judiciários, um cargo de confiança governamental e político, o actual vice-presidente do CSM, Mário Belo Morgado. É ler o que dizia...e perceber que este tipo é nocivo à magistratura e nunca devia estar no lugar que está.


A prova de que os jornalistas de então pouco percebiam ainda destes assuntos está na circunstância de ilustrarem uma notícia sobre juízes, com as figuras de magistrados do MºPº, então numa cerimónia oficial...

Um deles é o amigo de Dias Loureiro que chegou ao SIS e esteve na Plêiade, Daniel Sanches. Na altura ainda não havia dinheiro de Angola em Portugal, como passou a haver.

O Orlando Figueira ao pé de um ou outro destes que aí figura, é um anjo...no que concerne a tráfico de influências para arranjar cargos de luxo. Ou emprego, como parece ter sido o caso. Em termos de "sistema de contactos", comparado com dois ou três que vejo na imagem, o Figueira é um principiante. E no entanto, é um corrupto...o que só denota uma hipocrisia continuada, uma falta de memória atroz e uma injustiça ainda mais preocupante.

O STJ e o lugar dos ideais

Diz o CM de hoje que a juíza suspeita Fátima Galante está no STJ, com vaga à espera do que der e vier no processo em que é visada com o ex-marido Rui Rangel.

Diga-se desde já que a escolha para integrar o STJ não é feita de automatismos curriculares, mas é precedida de um escrutínio feito pelos pares em análise documental e entrevista. Muitos ficam de fora. Fátima Galante entrou e é legítimo supor que tem alguém no STJ que a apoia. Seria curioso saber quem...

Há cerca de 20 anos, Galante ( e também o então marido Rui Rangel, mas este mais na sombra e que escapou então das suspeitas concretas) foi protagonista de um caso de corrupção.
Um solicitador denunciou na altura que a juíza teria pedido dinheiro a dois advogados de uma empresa para decidir favoravelmente um processo e o teria feito através do solicitador.

O MºPº de então, composto por alguns génios, mais a PJ, igualmente coroada de genialidade estragaram a investigação criminal de modo canhestro e o STJ, no final de contas deu como não indiciado o crime  imputado à juiza, por carência de provas suficientes.

O 24 H de 17 de Outubro de 1998 escrevia assim:

Laborinho Lúcio, então representando do PGR ( e do MºPº) no STJ defendeu por escrito a indiciação da juíza e o mesmo tinha feito o acusador do MºPº Dias Borges, então PGD de Lisboa.

Dizia então na peça processual o então desembargador Carmona da Mota, actual Conselheiro ( desde 2000, mas já falecido, segundo informação recebida em comentário) que " os automóveis ocuparam o lugar dos ideiais". A citação era de um intelectual francês, André Glucksman. Se fosse hoje, não se atrevia a citar deste modo, não fossem os patrulheiros do politicamente correcto cairem-lhe em cima como cairam ao pobre juiz Neto, do Porto.

Os juizes do STJ, no entanto, fizeram boca fina aos indícios e prova indirecta e desmobilizaram a acusação. Tal deu mote para um artigo despudorado do irmão do juiz Rangel, no DN de 10.10.1998.



Esta história bem oportuna não se conta nos jornais da actualidade. Não têm memória...mas terão arquivos, particularmente o DN. O que é que custava ao jornal destacar um/a estagiário/a qualquer para a sala do arquivo e procurar as notícias que então saíram sobre estes factos e assim informar os leitores?

Custava apenas uma coisa: ter ideias e competência para dirigir um jornal.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Os cágados

Resposta de Octávio Ribeiro, director-geral do grupo do Correio da Manhã, hoje:


Uns cágados: Garcia Pereira, Francisco Louçã, Pedro Adão e Silva, Pedro Marques Lopes, Miguel Sousa Tavares, entre outros.
Esqueci-de de outro: Daniel Oliveira, o filho do poeta Herberto. Uma besta que se corrompeu algures.

Estão identificados, os cágados. E falta mais um, talvez o maior de todos: José Miguel Júdice também rasgou as vestes, hoje, na tv. Incrível.


Entretanto, na RTP1, o Prós&Contras fala da violação de segredo de justiça. Está lá a Morgado que disse o costume e uma ou outra coisa mais interessante, sobre os magistrados actuais serem surdos-mudos e usarem burka. E falou sobre a violação de segredo de justiça.

Está lá Eduardo Dâmaso a defender-se de ataques de um ou outro cágado que lá está, como um tal Lamas que ensina Direito algures.

Dâmaso falou no problema grave da violação interna do segredo que dá notícia aos suspeitos sobre o que se passa no processo. E apontou o caso do Face Oculta.

É pena que não tenha perguntado urbi et orbi à magistrada Morgado porque é que se arquivou , no DIAP que então chefiava, o processo de violação de segredo de justiça que ocorreu no Face Oculta e em que um dos suspeitos mais importantes era Pinto Monteiro. É pena...

domingo, 4 de fevereiro de 2018

A Censura em França, em 1970

Há quem julgue que a Censura foi fenómeno exclusivo do regime anterior ao 25 de Abril e que por essa Europa fora havia uma liberdade completa.
 Em França, em 1970 a censura era uma realidade tão presente como a de cá, em Portugal, embora com contornos diversos.

Magazine Littéraire de Fevereiro de 1970:


As viúvas estão de volta

Público de hoje, Vicente Jorge Silva que dirigiu o diário no tempo das vacas gordas e nunca descobriu no seio da redacção um vislumbre de jornalismo de investigação que se lesse. Estive a folhear o caderno comemorativo dos dez anos de jornal, publicado em 2000, período em que o Vicente lá esteve e nem uma única capa se demarca do conformismo noticioso sobre "a política" , geralmente a enxúndia do costume nacional e a "cultura", normalmente a artsy-artsy que originou as aberrações que por lá persistem.
Num tempo em que a corrupção, particularmente a que envolveu gente grada do partido do dito, cimentando um pathos que ainda subsiste na sociedade portuguesa, o Público de VJS pairou nas nuvens da inutilidade informativa, nesse aspecto.

É este VJS, simpatizante descarado de um PS, corrupto no tempo de Sócrates e Cª e muito antes disso que escreve este lamento, na última página que o jornal lhe dá ( vende) ao Domingo. Normalmente não leio as inanidades deste komentador inútil, mas desta vez merecem atenção pela hipocrisia. É contra a violação de segredo de justiça, nestes casos, mas ao mesmo tempo congratula-se por se saber que ninguém está acima da lei...:




Outro que escreve habitualmente particularidades pró-PS é o membro do CSMP, o advogado Magalhães e Silva, dos poucos conselheiros desse órgão de disciplina do MºPº que diz o que lhe apetece na tv, sempre que lhe apetece, sobre processos pendentes, findos ou por encetar. Tem as costas quentes, evidentemente ( o que denota a prevalência do poder político-partidário sobre a magistratura, mostrando a ausência de autonomia real desta última)  e por isso escreve coisas destas, sem qualquer pudor e que replica depois nas tv´s:



Repare-se o que argumenta o hipócrita: estes casos deveriam todos ser secretos até à acusação. Ninguém deveria saber, antes disso, que Sócrates fora preso e assim ficara longos meses e muito menos porquê...e o mesmo defende agora, no caso do juiz Rangel.
Tudo o que fuja desta padrão estulto é "perp-walk". "O segredo de justiça servido em folhetim mata um julgamento justo", escreve o advogado partidário pró-PS. Apetecia-me dizer aqui uma injúria mas o decoro demove-me.

Por último, o decano da ignorância e má-fé nos jornais, cronista do Expresso, defensor permanente do establishment sob a capa da independência falsa. O MºPº é inimigo jurado destes tartufos, tal como Eduardo Cintra Torres explica na crónica no CM de hoje:


Alguém já lhe perguntou se recuperou e como, o dinheiro que investiu nas obrigações do BES, na altura liderado pelo seu compadre?

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Notícias falsas na Educação e uma grande, grande vergonha democrática.

Saiu o "ranking" das escolas nacionais, públicas e privadas. As privadas, mais uma vez passaram a perna completamente às públicas o que é uma vergonha para a democracia. No tempo antigo do regime de Salazar e Caetano, mesmo com um quinto dos alunos, as escolas públicas eram de excelência, quase todas e os professores eram muito melhores que os de hoje. Eram respeitados e não se sentiam uma classe proletária e desprestigiada, como hoje.

Mais: o sucesso das escolas actuais só se alcança à custa de outro fenómeno de que ninguém, mas mesmo ninguém fala: explicações privadas, mesmo ou principalmente nas escolas privadas. Se assim não fosse o "ranking" das escolas andaria perto do alcançado pela escola da Baixa da Banheira, a pior da classificação.

"Quase toda a gente tem mais que uma explicação", disse na tv, uma mãe de uma aluna de uma escola de Coimbra que tinha dito algo "politicamente correcto" na mesma peça televisiva e atribuído o sucesso aos professores.

Será que existe em Portugal maior mistificação pública do que esta? Duvido. O óbvio ululante que toda a gente que tem filhos da escola conhece é completamente obliterado nas notícias. Porquê esta imbecilidade noticiosa?

Sim, porquê? Por um lado porque é mesmo disso que se trata: imbecis que noticiam, sobre tudo e mais o par de botas e aceitam acriticamente o que lhes dão como notícia. Por outro lado, o politicamente correcto nunca admitiria que temos um sistema público de ensino completamente falhado. Completamente e que só os explicadores privados ajudam a salvar. E que também são professores, precisamente os melhores, que se elevam acima da mediocridade geral.
Estes explicadores avulsos, clandestinos na sua maior parte, são quem salva o ensino em Portugal. Deviam ser condecorados no 10 de Junho porque há anos e anos que é assim e cada vez é pior...

Quem é que não sabe que isto é assim, no ensino secundário, em Portugal?

A inquisição do MºPº

O MºPº de há uns anos, poucos, para cá, tornou-se mais eficaz no combate à criminalidade? É o que está por demonstrar.

Tornou-se mais visível, isso sim. Tornou-se mais popularizado através de alguns media, como os do grupo do Correio da Manhã que inaugurou em Portugal um estilo de jornalismo e reportagem que a meu ver tem maiores desvantagens que vantagens. Mas isso é assunto de negócio, números e nada mais. O grupo do CM procura sobreviver na selva mediática do país e de preferência em primeiro lugar, para ter lucros.  A TVI já lhe apanhou os tiques e segue na peugada. A SIC não tem alternativa e a RTP1 tem sempre a Felgueirinhas que de vez em quando faz um magnífico trabalho, como no caso dos incêndios do Verão passado, mas já borrou completamente a pintura na investigação o caso "Rangel" do Sexta ás 9 de ontem.

Há uma atenção desmesurada ao MºPº na sociedade actual e que não se verifica noutras sociedades europeias e tal não significa necessariamente um bem.  OMºPº deveria ser sempre discreto e nos últimos anos é exactamente o contrário que tem acontecido. Primeiro por se desconhecer o seu papel na sociedade e depois por se andar a conhecer cada vez melhor.

Para exemplificar um pouco o que pretendo dizer e que já fui dizendo por aqui ao longo de meses, o MºPº actual tem uma cadeia hierárquica que compreende as 4 procuradorias-gerais distritais, as coordenações das comarcas criadas na última reforma do governo de Passos Coelho e a repartição de especialidades, incluindo diaps avulsos por tudo quanto é comarca ( e são 23, no país) e departamentos especializados em investigação criminal sectorizada, com vista a uma "especialização". No centro desta organização está a PGR e o CSMP, verdadeira fonte de controlo de todo o mecanismo, através da gestão das carreiras e disciplina dos magistrados. Estará melhor do que estava?
Aparentemente sim, funcionará melhor, mais rápido e mais eficaz, numa primeira abordagem. Se se escavar um pouco mais fundo, as dúvidas começam a surgir e não são de boa catadura.

O perigo actual reside na vontade burocrática e hierarquizada pela obtenção de resultados que possam ser apresentados como positivos, garantindo prorrogações de nomeação nos cargos e um difuso prestígio para uma instituição que ainda nem se afirmou totalmente na sociedade em modo consensual.
Além disso, eue resultados são esses? Simples: mais acusações, mais condenações e mais penas de prisão. É este o discurso conceptual da Justiça,  da eficácia uniforme,  das "coordenações" que foram instauradas no MºPº há uns anos e carecem de regulamentação estatutária desde então. Funcionam à la minute, mas com eficácia conceptual, nesse aspecto.

Os elementos designados para as tais "coordenação" das 23 comarcas,  obedecem hierarquica e servilmente às PGD´s, sem  margem de autonomia ou sequer atrevimento alternativo. Cumprem ordens, instruções e indicações verbais, como sargentos na parada. Todos os meses ou quase têm que apresentar resultados burocráticos e o MºPº passou a funcionar assim, em todo o país.
Esta revolução silenciosa comporta riscos e o menor deles não será certamente a funcionarização e burocratização de procedimentos que os magistrados, tornados meros executores de ordens de serviço,  adoptam como regra de conduta se querem classificações de serviço que lhes permita sonhar com promoções e o tal "prestígio" das classificações de mérito. Números e mais números são a chave. "Resultados".

Para mostrar os efeitos imediatos destes procedimentos apresento dois casos recentes. O primeiro é o do ministro Centeno.

Tudo começa com uma notícia de jornal, com repercussão imedita, online, sobre  a pedincha, pelo ministro Centeno,  de dois bilhetes para assistir a um jogo de futebol do seu clube e com o filho ao colo do favor.  Escândalo, isto? Na capa do CM , sim. Politicamente, sem dúvida.  E na PGD? Pelos vistos também, criminalmente,  uma vez que a notícia fora apimentada com a menção nada gratuita a uma isenção de imposto que o filho do presidente do clube teria  beneficiado. Os impostos dependem do ministro das Finanças, logo...inquérito criminal rápido, célere e arrimado com uma diligência fatal: em vez de se analisar e ponderar a eventualidade de crime, antes de se instaurar o inquérito fez-se o contrário e a PGR anunciou publicamente a instauração do dito o que é um primeiro erro fatal. Como sair do problema que começou a generalizar-se como sendo reflexo de uma perseguição estúpida porque imponderada?
Com outro passo em frente, numa busca ao ministério e respectivos computadores. Outro erro fatal.
O que se sabia antes como provável verificou-se e então mais outro passo em frente, errado como os demais: arquivar a correr para mostrar que acabou o pesadelo mediático, no último erro da cadeia. A cereja no topo deste bolo fora de prazo está nas declarações, ontem, da PGR a dizer que correu tudo dentro da normalidade...

O segundo caso é o que apresento conforme o Sol de hoje o apresenta:



Repare-se bem no "resultado" desta burocracia deprimente e derivada do novo modelo de MºPº:  ainda durante o consulado do salafrário Sócrates, no ano de 2010,  o sindicato dos juízes ( vulgo Associação Sindical) então presidido pelo valente António Martins,  terçou forças com aquele executivo com vista a saber que benefícios teriam os governantes, derivados do uso quase indiscriminado de cartões de crédito profusamente distribuídos.

O assunto de base tinha a ver com discussões antigas sobre quem ganhava mais: se os magistrados se os políticos, o que se tornou casus belli na discussão do Orçamento de Estado para 2011. 

O resultado desta diligência e deste terçar armas com um salafrário deu em batalha perdida e em guerra ganha, apenas em 2012, com a remessa de elementos ao MºPº para instauração de inquérito por suspeita de ilegalidades civis e criminais no uso de cartões de crédito, subsídios de residência e despesas de representação.

Portanto, desde 2012 que a saga, para a descoberta desse graal anda no MºPº de trás para a frente dos ofícios e contra ofícios e dos relatórios administrativos e outros.

O resultado? Este que agora se lê: o antigo secretário de Estado Conde Rodrigues terá comprado algumas dezenas de livros com dinheiro do Estado. E os livros, onde estão? Diz a notícia que como não estão no Ministério que era o sítio devido, o Secretário de Estado se mancomunou com quem los vendeu e ficou com eles. Foi mesmo? Ainda vamos ter surpresas. Alguém foi ver a casa do arguido se estão para lá em algum caixote ou estante, esquecidos e à espera que chamem por eles?

Por outro lado, há outro arguido pelo mesmo facto: o antigo Secretário de Estado José Magalhães, um provocador de meia tijela que decorou o gabinete público que fora temporariamente o seu com colunas e símbolos maçónicos ficou com cerca de 400 euros de livros, para si, comprados com o tal cartão...

Tirando estes "resultados" ( certamente apoiados em volumes e volumes de documentação em "apensos") parece que vai ainda haver outra investigação autónoma aos dinheiros gastos por outros suspeito, um tal João Manuel Gonçalves, por factos ocorridos entre 2005 e 2009... esperam-se "resultados" com a brevidade do costume.

Poderia comentar estes dois casos mas escuso-me porque são...ridículos. Se isto é o MºPº que temos actualmente, num espelho de investigação deste género, tenho vergonha.

Mas suspeito que quem investigou esteja até orgulhoso/a do feito. E isso é que me preocupa.

Para exemplificar melhor o que quero dizer e alcançar toda a dimensão da palavra "ridículo" para qualificar esta actuação do MºPº, conto um episódio da mesma altura que os factos que foram "investigados" no inquérito que a ASJP obrigou a abrir, certamente com a melhor das intenções, em 2012:

Em pleno consulado Sócrates, foi instaurado, em 2009,  nos tribunais, o sistema Citius, o "Portal Citius" , invenção peregrina com anos e anos de atraso e que em alguns sectores continua ainda atrasado apesar de ter começado antes ( o SITEF, nos tribunais fiscais e administrativos...)

Durante meses e meses, os obreiros burocráticos do ministério da Justiça andaram pelas comarcas a explicar o que era a maravilha. Numa dessas vezes, apanhei-me no meio da explicação, por acaso, no tribunal da Relação de Guimarães, com toda a magistratura de topo local a assistir, mais os secretários de Estado respectivos, na altura um tal Silveira, filho de um antigo conselheiro do STJ.

No fim da explicação, cerca do meio-dia impunha-se o almocinho e tal já estava programado num restaurante local pelo pessoal da lojística governamental. Não sabia,  mas acabei convidado, sem contar, para o repasto colectivo e aceitei emparceirar na mesa com comensais que tinham assistido à prelecção da manhã.
No fim do respasto, com várias dezenas de convivas e de categoria gastronómica condizente com o . estatuto do anfitreão, o Secretário de Estado da Justiça, ou seja, coisa que então não seria para menos de 30 euros por pessoa, preparava-me para encostar a barriga ao balcão. "Que não!, não era preciso, já estava tudo pago...". Tudo pago, interroguei-me e aos meus botões...e então eu e outros que aqui vieram por arrastamento e que foram arrebanhados por acaso também entram no "tudo pago"? Entramos...vários, mais de meia dúzia.

Era assim que se fazia nesse tempo. Certamente isto que foi um crime de peculato no qual terei participado inadvertidamente e de que não me sinto culpado,  ficou de fora dos tais "resultados" obtidos pelo MºPº, agora, em 2018. Por falta de provas? Não, porque nem sequer cheiraram o esturro que tal significou e que pelos vistos era norma na altura, com aquela gente. Devem ter sido milhares e milhares de euros gastos assim, sem critério nem rigor.
Algum investigou isto? Não me parece...daí a inutilidade em investigar criminalmente factos deste género passados mais de dez anos sobre os mesmos.
Não é apenas inútil. É estúpido e jacobino.

Já agora e a talhe de foice porque me parece ainda a tempo:

Antes desse governo desse salfrário esteve outro, capitaneado pelo bravo Santana. Tinha o mesmo então um Secretário de Estado que vivia numa cidade do Norte. E que fazia para chegar a Lisboa, ido do Norte? Apanhava um avião no Porto. E quem o levava ao Porto? O motorista do ministério. E porque não seguia viagem pela auto-estrada que demora cerca de três horas a chegar, sem pirilampo ou batedor?  Porque mesmo assim não lhe apetecia. Então, o motorita lá seguia pela auto-estrada solitário enquanto o governante atravessava os ares entre Porto e Lisboa. No fim de semana seguinte repetia-se tudo, ao contrário: o motorista levava Sua Excelência ao aeroporto de Lisboa e fazia-se ao caminho até ao Porto. De seguida, transportava o dito até casa e descansava o fim de semana...repetindo tudo depois. Isto durante o consulado do tal governo de Santana.
Que diferença entre os gastos exagerados dos cartões e isto?


sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Outros faits-d´hiver para temperar guisados

No Século Ilustrado de 12 de Junho de 1971, poucos meses depois de um primeiro relato acerca do indivíduo que se deixou atascar na neve da Serra da Estrela, surgiu outro, praticamente idêntico e quase  no mesmo sítio.

 Desta vez, foi um casal de turistas franceses, apanhados em circunstâncias mais improváveis. Depois de terem passado por um grupo de cantoneiros que não lhes mencionaram o estado dos três quilómetros de estrada que os separava de uma Pousada, logo a seguir passaram pelos tripulantes de um "long-rover" limpa neves que também nada lhes disseram e continuaram a viagem arriscada ficando atolados.
 Desta vez o que sucedeu para correr mal foi a confiança na aventura de estrada coberta de neve, depois de se terem desviado de outra e pensarem que iam para melhor.

Curiosamente, o relato jornalístico remata com críticas dos protagonistas à falta de sinalização das estradas, ao contrário de França. E estranharam a falta de aviso dos cantoneiros e dos tripulantes do "rover".


O que denota este procedimento? Um desinteresse pela sorte alheia, nessa altura? Nem por isso. A mim, denota uma maior liberdade individual de escolha, menos paternalismo do Estado e maior responsabilidade inerente e também individual. Ainda ninguém se lembrava de atribuir ao Estado a obrigação de proteger os cidadãos para além do mínimo exigível.
Ao longo destas décadas caminhou-se no sentido oposto, ou seja, de atribuir cada vez mais tarefas de protecção ao Estado, tornando as sociedades mais dependentes e infantilizadas.

Será isto melhor? Os incêndios deste ano provaram o contrário...

Portugal em 1971 estava numa rota de desenvolvimento económico inequívoco, como provam estes pequenos apontamentos dessa revista. Século Ilustrado de19.6.1971:
 




E  a primeira expressão, a nível europeu,  do que viria a seguir, por cá, nos anos oitenta com a explosão de colombos grandes e pequenos à conta dos belmiros e cª. Século Ilustrado de 12.6.1971. A Europa não seguiu este exemplo e Portugal também não o seguiria, pela certa, se não tivesse acontecido o 25 de Abril de 1974. Os novos ricos devem tudo à democracia... 




Por outro lado, na mesma altura, o modo como se relatava o ambiente natural da esquerda comunista era sintomático do que se iria passar depois, com o aparecimento dos historiadores de guisados.

O alfobre intelectual em 1971 não era muito melhor que isto, na imprensa da época que relatava o que se passava na realidade dos países comunistas: intelectuais franceses que se demarcavam de confissões "espontâneas" obtidas certamente por força de convicção revolucionária nas pátrias socialistas que serviram depois de farol de guia para a nossa "construção do socialismo".

Que adiantaram estas notícias, na época? Nada de nada. Ninguém as leu ou compreendeu. Porém a sua explicação e discussão se realizada, permitiria evitar o surgimento dos intelectuais do guisado que agora temos.


 E tal era tanto mais estranho que na edição de 30. 10.1971 esta reportagem acerca de um escritor soviético, de sucesso, inicialmente identificado com o  regime e depois "defector" traidor dos ideiais socialistas, o que explicava deste modo a uma publicação inglesa não identificada ( The Guardian?) e em tradução não assinada.

Um dos indivíduos que certamente leu este apontamento bem esclarecedor do que era então a União Soviética, foi Eduardo Gageiro, o fotógrafo colector de imagens do 25 de Abril e que apoiou a causa comunista como poucos.

Estes indivíduos não sabiam ler? Queriam mesmo replicar em Portugal o que havia na URSS? Não lhes servia de lição o que poderiam aprender deste modo?

Não. Não servia e a prova é que nada esqueceram e pouco aprenderam. 




Ai jasus! Outra vez o segredo de justiça violado!

Crónica de Eduardo Dâmaso no CM de hoje:


Na tv, ontem, topei pelo menos dois destes tartufos que assentam e komentam à extrema-esquerda: o advogado Garcia Pereira, cujo perfil pessoal, perante o que se conhece da sua rastejante actuação diante do alienado Arnaldo Matos o deveria impedir de se exprimir publicamente fosse sobre o que fosse e ainda o historiador de guisados, especialista em lebre à historiador, Fernando Rosas.

Ambos rasgaram as vestes em público por causa da violação do segredo de justiça neste caso concreto que foi uma desgraça que mais uma vez coloca a Justiça de rastos e o MºPº ainda mais porque é o inegável autor das violações para essas figuras pardas bem definidas por Dâmaso.


quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

E a prova do ridículo, para quem fica?

Sapo:

Numa nota divulgada na sua página da internet, a PGDL justifica que o MP determinou o arquivamento do inquérito por inexistência de crime.

“Realizado o inquérito, recolhida a prova documental e pessoal necessária ao apuramento dos factos, o MP concluiu pela não verificação do crime de obtenção de vantagem indevida ou qualquer outro, uma vez que as circunstâncias concretas eram suscetíveis de configurar a adequação social e política própria da previsão legal”, adianta a PGDL.

A PGDL explica que “o MP no DIAP [Departamento de Investigação e Ação Penal] de Lisboa ordenou a instauração de processo-crime na sequência da publicação nos órgãos de comunicação social de notícias sobre a solicitação de bilhetes para assistência a jogo de futebol no dia 1.04.2017 em tribuna presidencial”.

Aquela estrutura do MP refere que, "segundo tais notícias, no mesmo período temporal, veio a ser concedida uma isenção de Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) a um familiar do presidente do clube que tinha oferecido os bilhetes ao ministro das Finanças".

Na última sexta-feira, magistrados do Ministério Público realizaram buscas no Ministério das Finanças para recolha documental.

O inquérito foi dirigido pela 9.º secção do DIAP de Lisboa
.

Quando se fazem asneiras, pede-se desculpa às pessoas...porque a humildade também pode ser revolucionária, embora no tempo do MRPP não o fosse...

Critérios editoriais "à maneira".

Público de hoje:


Se fosse uma editora privada, ainda vá que não vá. Assim, é o dinheiro público que vai sustentar esta mordomia maçónica que ninguém vai ler. As obras completas de Mário Soares têm tanto interesse como as do marquês do Lavradio. Porventura, menos ainda e é assunto de nicho.

Pelo contrário, as obras completas de Salazar estão no limbo de uma editora privada de Coimbra, vendidas por correspondência e completamente esquecidas da bem-pensância dos historiadores de coelho guisado.

Por isso, para comprar estas obras em alfarrabistas é preciso esportular centenas de euros...e não há muitas à venda.



Quanto à importância, qualidade, interesse ou valor intrínseco nem vale a pena comparar...

De resto a Imprensa Nacional tem, de algum tempo a esta parte ocupado certamente muitas horas e muitos salários públicos de certas chefias, a escolher as obras magnas que deitam em modo avulso.  Enfim, um sinal dos tempos que vieram com o 25 de Abril de 1974 em que predomina o nepotismo, a cunha, o compadrio e afinal, o conformismo.

A Imprensa Nacional nem sempre esteve ligada a estas tarefas e a sua história é antiga, tendo como função a publicação de diplomas do Estado, mormente o então Diário do Governo, agora Diário da República e outras publicações da Administração Pública ou de órgãos de soberania.  Era uma empresa pública e é-o há muitas décadas.

Em 1972, o Quarto Ano de Governo de Marcello Caetano publicou o Decreto-Lei 225/72, em 4 de Julho, fundindo a Impensa Nacional com a Casa da Moeda e nacionalizando esta última. As razões para tal foram então explicadas no Livro referente a esse Governo, publicado pela Secretaria de Estado da Informação e Turismo- Direcção-Geral de Informação e impresso em Dezembro de 1972... na Empresa Tipográfica Casa Portuguesa, Sucessores, Lda, Lisboa. Não, não foi na Imprensa Nacional-CM...



Coisas antigas que agora não se explicam porque não se compreendem, na historiografia dos  guisados.

Se alguém quiser saber a história da INCM, o nítido pode saber algumas coisas. Esta que agora informei não saber, porque só referem a vol d´oiseau o que ocorreu em 1972, com a junção das duas entidades, sem mais.

Nem guisar sabem. Abafam e estufam tudo.

Esta publicidade é do Sec. Ilustrado de 26.12.1970, antes da "fusão" da Imprensa Nacional com a Casa da Moeda.

"Isso é tudo comunas!"