quarta-feira, 21 de agosto de 2019
A Amazónia há trinta anos
A propósito das notícias sobre a Amazónia, quase todas contra Bolsonaro e considerada "pulmão do mundo", em designação ridícula que circula pelas redacções de ignorantes, a revista Veja publicou um estudo, na edição de 5.7.1989.
A ideologia híbrida do director do Público
O editorial do Público do outro dia, acerca da morte de Alexandre Soares dos Santos dá que pensar...
Manuel Carvalho, director do jornal, tem um curso de jornalismo no Cenjor e cursilhos vários. Entrou para o Público em 1989, como estagiário e por lá ficou até ser director. É de esquerda mas escreveu este editorial no outro dia, em que celebra as virtudes de um capitalista português dedicado aos negócios da distribuição alimentar.
Tal como o da mão que lhe dá de comer, na Sonae, o que só pode ser coincidência...
Alexandre Soares dos Santos morreu num tempo em que os exemplos da sua carreira e da sua condição de homem livre fazem mais falta do que nunca. Porque raramente como nos últimos anos se viu tanta amplitude e tanta veemência no discurso contra a iniciativa privada, a criação de riqueza, o lucro ou liberdade empresarial. A devastação da troika, a obsessão com as rendas fáceis, a corrupção e a destruição do pouco valor acumulado pelo capitalismo português podem explicar a mudança da forma como o país vê os seus empresários. É por isso importante dar um passo atrás e lembrar que, para lá dos danos causados pelos outrora donos disto tudo, houve milhares de empresários que ajudaram a salvar o país da crise financeira. Como Alexandre Soares dos Santos.
Visionário, corajoso e arrojado, o homem que transformou a Jerónimo Martins numa multinacional faz parte daquela estirpe de homens de negócios rara em Portugal que privilegia as regras dos mercados em detrimento dos favores políticos. A sua intervenção pública jamais se pautou por qualquer tipo de seguidismo ou reverência para com os poderes. Essa irreverência fez dele um alvo prioritário do discurso de uma certa esquerda que continua a associar o lucro privado a um crime colectivo — os salários dos seus gestores ou a decisão de levar a sede fiscal da holding para a Holanda também ajudaram. O velho Portugal de mão estendida ao poder político não perdoa o sucesso nem estimula a liberdade dos que pensam contra a corrente — mesmo os que pelo mecenato criam instituições com a valia social da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Gente da estirpe de Alexandre Soares dos Santos faz cada vez mais falta porque o país precisa de criar riqueza capaz de alimentar o Estado social e de gerar empregos qualificados. Esse é o grande desígnio nacional que foi subalternizado na legislatura que acaba. Não porque não faça parte programa do PS, mas porque o PS está no que diz respeito ao mundo dos negócios atado pela ortodoxia dos seus parceiros da esquerda. O discurso contra as grandes empresas e os grandes empresários que o Bloco e o PCP alimentam não se instituiu no poder, mas condicionou a acção do Governo. Continuamos por isso a discutir muito a distribuição de riqueza e muito pouco a melhor forma de a criar. Neste contexto, Alexandre Soares dos Santos teve uma história exemplar. Homenageá-lo é uma forma de recusar a cultura de dependência e o miserabilismo que trava a iniciativa privada e impede o país de dar o salto em frente de que tanto precisa.
Acho verdadeiramente extraordinário que um esquerdista notório, que detesta Salazar e todos os que o apoiam, que esportula ideias esquerdistas contrárias às vertidas no editorial, escreva o que escreveu: uma ode a um capitalismo feito de distribuição de produtos alimentares e não só, que marginaliza por vários modos pequenos e médios produtores nacionais de produtos genuínos e que os impede ipso facto e através de condições leoninas de distribuírem e venderem livremente os seus produtos.
Quem quer cerejas de Resende ou da Cova da Beira, na época delas, compra-as à beira da estrada. Quem quer queijos de qualidade, vindos da Serra ou vai ao queijeiro de Contenças, do finório do PS ou procura lá perto. Quem procura amêndoas de Trás-os-Montes e Alto Douro ou do Algarve e doces correspondentes vai aos sítios e às feiras locais. Quem quer azeite "caseiro" de fábricas artesanais, compra algures. Mas não há disso nos pingos doces e continentes. Aí só "produtores seleccionados" que deixaram o couro e o cabelo nas mãos destes capitalistas que Manuel Carvalho defende...e não tenho qualquer dúvida que se tivesse idade, em 1974, para se pronunciar sobre os verdadeiros capitalistas portugueses dessa época, tê-los-ia rejeitado liminarmente como fizeram os seus patronos ideológicos da época...e de agora.
Incrível!
Manuel Carvalho, director do jornal, tem um curso de jornalismo no Cenjor e cursilhos vários. Entrou para o Público em 1989, como estagiário e por lá ficou até ser director. É de esquerda mas escreveu este editorial no outro dia, em que celebra as virtudes de um capitalista português dedicado aos negócios da distribuição alimentar.
Tal como o da mão que lhe dá de comer, na Sonae, o que só pode ser coincidência...
Alexandre Soares dos Santos morreu num tempo em que os exemplos da sua carreira e da sua condição de homem livre fazem mais falta do que nunca. Porque raramente como nos últimos anos se viu tanta amplitude e tanta veemência no discurso contra a iniciativa privada, a criação de riqueza, o lucro ou liberdade empresarial. A devastação da troika, a obsessão com as rendas fáceis, a corrupção e a destruição do pouco valor acumulado pelo capitalismo português podem explicar a mudança da forma como o país vê os seus empresários. É por isso importante dar um passo atrás e lembrar que, para lá dos danos causados pelos outrora donos disto tudo, houve milhares de empresários que ajudaram a salvar o país da crise financeira. Como Alexandre Soares dos Santos.
Visionário, corajoso e arrojado, o homem que transformou a Jerónimo Martins numa multinacional faz parte daquela estirpe de homens de negócios rara em Portugal que privilegia as regras dos mercados em detrimento dos favores políticos. A sua intervenção pública jamais se pautou por qualquer tipo de seguidismo ou reverência para com os poderes. Essa irreverência fez dele um alvo prioritário do discurso de uma certa esquerda que continua a associar o lucro privado a um crime colectivo — os salários dos seus gestores ou a decisão de levar a sede fiscal da holding para a Holanda também ajudaram. O velho Portugal de mão estendida ao poder político não perdoa o sucesso nem estimula a liberdade dos que pensam contra a corrente — mesmo os que pelo mecenato criam instituições com a valia social da Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Gente da estirpe de Alexandre Soares dos Santos faz cada vez mais falta porque o país precisa de criar riqueza capaz de alimentar o Estado social e de gerar empregos qualificados. Esse é o grande desígnio nacional que foi subalternizado na legislatura que acaba. Não porque não faça parte programa do PS, mas porque o PS está no que diz respeito ao mundo dos negócios atado pela ortodoxia dos seus parceiros da esquerda. O discurso contra as grandes empresas e os grandes empresários que o Bloco e o PCP alimentam não se instituiu no poder, mas condicionou a acção do Governo. Continuamos por isso a discutir muito a distribuição de riqueza e muito pouco a melhor forma de a criar. Neste contexto, Alexandre Soares dos Santos teve uma história exemplar. Homenageá-lo é uma forma de recusar a cultura de dependência e o miserabilismo que trava a iniciativa privada e impede o país de dar o salto em frente de que tanto precisa.
Acho verdadeiramente extraordinário que um esquerdista notório, que detesta Salazar e todos os que o apoiam, que esportula ideias esquerdistas contrárias às vertidas no editorial, escreva o que escreveu: uma ode a um capitalismo feito de distribuição de produtos alimentares e não só, que marginaliza por vários modos pequenos e médios produtores nacionais de produtos genuínos e que os impede ipso facto e através de condições leoninas de distribuírem e venderem livremente os seus produtos.
Quem quer cerejas de Resende ou da Cova da Beira, na época delas, compra-as à beira da estrada. Quem quer queijos de qualidade, vindos da Serra ou vai ao queijeiro de Contenças, do finório do PS ou procura lá perto. Quem procura amêndoas de Trás-os-Montes e Alto Douro ou do Algarve e doces correspondentes vai aos sítios e às feiras locais. Quem quer azeite "caseiro" de fábricas artesanais, compra algures. Mas não há disso nos pingos doces e continentes. Aí só "produtores seleccionados" que deixaram o couro e o cabelo nas mãos destes capitalistas que Manuel Carvalho defende...e não tenho qualquer dúvida que se tivesse idade, em 1974, para se pronunciar sobre os verdadeiros capitalistas portugueses dessa época, tê-los-ia rejeitado liminarmente como fizeram os seus patronos ideológicos da época...e de agora.
Incrível!
terça-feira, 20 de agosto de 2019
Desta vez é "crime violento"...
O CM já não sabe como há-de titular os casos de crimes de violência doméstica. Ontem era de um "crime passional" de que se tratava, com o homicídio seguido de suicídio num casal.
Hoje é um caso de "crime violento", também entre um casal.
Em que ficamos? Os homicídios/feminicídios entre casais são "crimes violentos", "crimes passionais" ou simples violência doméstica?
Enfim, o politicamente acorrentado é assim: vai onde vai a maré, à mercê do vento.
Hoje é um caso de "crime violento", também entre um casal.
Em que ficamos? Os homicídios/feminicídios entre casais são "crimes violentos", "crimes passionais" ou simples violência doméstica?
Enfim, o politicamente acorrentado é assim: vai onde vai a maré, à mercê do vento.
segunda-feira, 19 de agosto de 2019
Museu de Salazar, não! Museu da resistência e liberdade, sim!
Expresso:
Pedro Adão e Silva, Maria Teresa Horta e Barata Moura, são três dos subscritores da petição que está a circular na net e redes sociais. Querem impedir a abertura de um Museu do Estado Novo, em Santa Comba Dão.
A petição “MUSEU de SALAZAR, NÃO! — que como o nome indica recolhe assinaturas contra a abertura de um museu do Estado Novo no Vimieiro, freguesia onde nasceu António Oliveira Salazar— recolheu 4401 assinaturas em menos de 48 horas.
Inicialmente assinada por um grupo de 18 subscritores — entre os quais se encontram o analista político Pedro Adão e Silva, a ex-eurodeputado do Bloco de Esquerda, Alda de Sousa, o ex-reitor da Universidade de Lisboa, José Barata Moura, a escritora Maria Teresa Horta, e Margarida Tengarrinha [viúva de José Dias Coelho, assassinado pela PIDE] — a petição é uma carta aberta ao primeiro-ministro António Costa.
Público, 25 de Abril 2019:
Peniche vai ter um museu único na Europa do Sul
O regresso do primeiro-ministro à Fortaleza de Peniche mostra a importância que o Governo está a dar à preservação da memória de uma das mais duras prisões políticas do Estado Novo. Como o museu só deverá chegar no final de 2020, Costa comemora o 25 de Abril com a inauguração de um memorial aos presos.
Este "herói" rejubila com estes idiotas úteis quando esta foto lhe faz inteiro jus...
Na peanha da estátua a Salazar que os "antifassistas" apearam em 1976 dizia assim: "Portugal pode ser, se nós quisermos, uma grande e próspera Nação".
É uma frase de Salazar que nunca vi na boca destes pindéricos do antifassismo...que acham tal frase fascista. Enfim.
Pedro Adão e Silva, Maria Teresa Horta e Barata Moura, são três dos subscritores da petição que está a circular na net e redes sociais. Querem impedir a abertura de um Museu do Estado Novo, em Santa Comba Dão.
A petição “MUSEU de SALAZAR, NÃO! — que como o nome indica recolhe assinaturas contra a abertura de um museu do Estado Novo no Vimieiro, freguesia onde nasceu António Oliveira Salazar— recolheu 4401 assinaturas em menos de 48 horas.
Inicialmente assinada por um grupo de 18 subscritores — entre os quais se encontram o analista político Pedro Adão e Silva, a ex-eurodeputado do Bloco de Esquerda, Alda de Sousa, o ex-reitor da Universidade de Lisboa, José Barata Moura, a escritora Maria Teresa Horta, e Margarida Tengarrinha [viúva de José Dias Coelho, assassinado pela PIDE] — a petição é uma carta aberta ao primeiro-ministro António Costa.
Público, 25 de Abril 2019:
Peniche vai ter um museu único na Europa do Sul
O regresso do primeiro-ministro à Fortaleza de Peniche mostra a importância que o Governo está a dar à preservação da memória de uma das mais duras prisões políticas do Estado Novo. Como o museu só deverá chegar no final de 2020, Costa comemora o 25 de Abril com a inauguração de um memorial aos presos.
Ver aqui o sítio do museu resistência e liberdade que se destina a preservar a memória destes heróis, "homens bons" por natureza e que defendiam com denodo o regime do leste soviético, no tempo de Estaline.
Este herói é mesmo especial. Domingos Abrantes é um dos últimos dinossauros do totalitarismo comunista, nos tempos de hoje. Naturalmente é um "homem bom", defensor dos processos de Moscovo que dizimaram militantes incómodos do PC soviético; defensor das piores atrocidades estalinistas; defensor do genocídio do Holodomor. É este o herói, grande impulsionador do museu de Peniche, uma vergonha nacional, evidentemente.
O museu de Peniche é o equivalente a um museu dos defensores do regime nazi, no tempo dele, mas ninguém quer fazer o paralelo porque é politicamente incorrecto e a esquerda é quem define os termos.
É um museu que mostra a "resistência" dos comunistas ao regime do tempo de Salazar que não os admitia no convívio político porque eles queriam precisamente destruir tal convívio e instaurar uma ditadura comunista, acompanhada de toda a receita estalinista de organização totalitária; uma repressão policial que nunca o regime do tempo de Salazar teve; uma censura sem comparação alguma e uma proibição generalizada de manifestações políticas ou sociais que Salazar apesar do regime autoritário, admitia.
É esta a realidade que o museu pretende escamotear, mostrando a tal disponibilidade para a "liberdade" comunista. Hipocrisia maior não existe, mas é assim e ninguém se incomoda.
Este "herói" rejubila com estes idiotas úteis quando esta foto lhe faz inteiro jus...
Em Peniche deveria também figurar esta imagem de uma cela na cadeia Lubianka, onde estavam os opositores ao regime que este salafrário defendia, de Moscovo. Para além do mais, dava uma perspectiva mais realista do que eram as celas de Peniche e aquelas que um domingos abrantes qualquer pretendiam construir para albergar os "salazaristas" e "fascistas" e no fim de contas quem se lhes opusesse politicamente:
E este pátio também, com esta vista fantástica, do mesmo sítio, em pleno centro de Moscovo:
O sítio do museu de Salazar é este, na aldeia do Vimieiro, em Santa Comba Dão: uma escola pública, modelar, construída no tempo de Salazar com dinheiros privados, vindo de portugueses no Brasil:
O "museu de Salazar", aliás, e ao contrário do que aqueles salafrários antifassistas pretendem, destina-se a dar a conhecer ao povo que o queira visitar, o que foi o tempo e a obra de Salazar, na parte em que os poderes públicos actuais permitirem.
Pretende apenas testemunhar com documentação in vivo, isto, para além do mais ( todas as fotos retiradas do livro de Joaquim Vieira, sobre Salazar e publicado no Círculo de Leitores, em 2001):
O museu da "resistência e liberdade" e esta petição de alguns anti-fassistas, como o palerma Pedro Adão e Silva, um imberbe imbuído de sectarismo ideológico, teve os seus antecedentes, já com 40 anos em cima.
Uma das manifestações mais claras de abaixo-assinados pelos antifassistas das praxes todas do esquerdismo comunista foi esta, em Fevereiro de 1976:
Ora o que puseram no lugar da estátua de Salazar, naquele largo de Santa Comba Dão? Isto: um monumento ao "anticolonialismo". E ainda lá está...
O que significa isto, no fim de contas? Uma adulteração da História, uma manipulação de factos e uma tentativa de reconstrução da realidade, como os comunistas estão habituados a fazer, desde sempre.
Pelo menos desde os tempos de Lenine e Estaline...e nada esqueceram, nada aprendendo também. O que espanta é que ainda haja tanta gente que lhes dá trela a estes palermas todos.
Estas fotos tiradas da Wikipedia mostram bem de que substância é feita a mentalidade comunista dos domingos abrantes que agora aparecem aí como democratas de última hora:
Na peanha da estátua a Salazar que os "antifassistas" apearam em 1976 dizia assim: "Portugal pode ser, se nós quisermos, uma grande e próspera Nação".
É uma frase de Salazar que nunca vi na boca destes pindéricos do antifassismo...que acham tal frase fascista. Enfim.
Os "crimes passionais" no CM
No Correio da Manhã de hoje mais uma notícia acerca de um "crime passional" que deixou de ser apenas de "violência doméstica".
A evolução semântica fica a dever-se, provavelmente, ao uso estafado daquele termo específico, afastador de leitores pela banalidade temática. Deixou de ser sensacional, pensaram os redactores do jornal que passam tudo a pente fino e arrasam a concorrência.
A notícia, por outro lado, é apenas a confirmação, a meio do ano, daquilo que escrevi aqui no início do ano: a violência doméstica mortal é também consequência da violência do Estado, defendida por vários "especialistas" no assunto, pessoas tão inteligentes como Rui Pereira, Moita Flores ou o procurador Rui do Carmo. Todos defendem o aumento da violência do Estado sobre os suspeitos de crimes dessa natureza como modo de os controlar e diminuir a carga letal verificada.
Então façam as contas a essa belíssimas ideias e aos seus resultados, porque me parece evidente que não se dão conta do paradoxo de tais medidas drásticas:
A conta já vai em 19 vítimas, sem contabilizar os suicídios correspondentes que também são mortes em consequência de violência doméstica.
No ano passado morreram 28 pessoas nestas circunstâncias e também sem contabilizar os outros que passam como se fossem casualidades sem conexão.
Veremos se no fim do ano a contabilidade se mantém estatisticamente como acontece com os acidentes de viação.
Há quem não entenda estes paradoxos e ainda quem se recuse a aceitar o erro das suas análises, desprezando quem os critica. Veremos então...se não tenho razão no que por aqui escrevi em 5 de Fevereiro deste ano:
Obviamente não percebem a raiz do problema e tentam resolvê-lo criando maior violência. Terá ainda mais violência...até que parem para reflectir no seguinte: muitos dos comportamentos violentos são acompanhados de suicídio. Ninguém os refere como factor de ponderação acerca das causas e soluções a encontrar.
A única que encontram é maior intervenção do Estado porque é assim que acham que devem actuar e é assim que se formataram a pensar.
Terão um resultado cada vez mais funesto, a meu ver.
A evolução semântica fica a dever-se, provavelmente, ao uso estafado daquele termo específico, afastador de leitores pela banalidade temática. Deixou de ser sensacional, pensaram os redactores do jornal que passam tudo a pente fino e arrasam a concorrência.
A notícia, por outro lado, é apenas a confirmação, a meio do ano, daquilo que escrevi aqui no início do ano: a violência doméstica mortal é também consequência da violência do Estado, defendida por vários "especialistas" no assunto, pessoas tão inteligentes como Rui Pereira, Moita Flores ou o procurador Rui do Carmo. Todos defendem o aumento da violência do Estado sobre os suspeitos de crimes dessa natureza como modo de os controlar e diminuir a carga letal verificada.
Então façam as contas a essa belíssimas ideias e aos seus resultados, porque me parece evidente que não se dão conta do paradoxo de tais medidas drásticas:
A conta já vai em 19 vítimas, sem contabilizar os suicídios correspondentes que também são mortes em consequência de violência doméstica.
No ano passado morreram 28 pessoas nestas circunstâncias e também sem contabilizar os outros que passam como se fossem casualidades sem conexão.
Veremos se no fim do ano a contabilidade se mantém estatisticamente como acontece com os acidentes de viação.
Há quem não entenda estes paradoxos e ainda quem se recuse a aceitar o erro das suas análises, desprezando quem os critica. Veremos então...se não tenho razão no que por aqui escrevi em 5 de Fevereiro deste ano:
Obviamente não percebem a raiz do problema e tentam resolvê-lo criando maior violência. Terá ainda mais violência...até que parem para reflectir no seguinte: muitos dos comportamentos violentos são acompanhados de suicídio. Ninguém os refere como factor de ponderação acerca das causas e soluções a encontrar.
A única que encontram é maior intervenção do Estado porque é assim que acham que devem actuar e é assim que se formataram a pensar.
Terão um resultado cada vez mais funesto, a meu ver.
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
As evocações apócrifas de Woodstock
O Observador também deu o seu contributo para a evocação da efeméride dos 50 anos de Woodstock, seguindo à risca os ditames da "brand" em curso: em Portugal só não se soube mais por causa da Censura. Para este esclarecimento foram ouvir um radialista a apresentador de televisão, com muita experiência e idade para ter mais juízo, Júlio Isidro, o célebre animador do Passeio dos Alegres, na tv.
Júlio Isidro e Tozé Brito, autor de músicas festivaleiras, contam a sua experiência pessoal com as memórias já inventadas por outros:
Júlio Isidro garante ao Observador que a ausência de notícias na imprensa portuguesa não é prova da falta de interesse nacional no que se passava em Woodstock, apenas da eficácia da máquina censória do antigo regime. Na altura, tinha 24 anos e acumulava o emprego diurno como delegado de informação médica com a apresentação de noticiários no Rádio Clube Português, por 25 escudos por noite.
Recorda-se de ver chegar telexes com informações sobre Woodstock, mas não consegue precisar se chegou sequer a ler algum deles no ar: “Acho que a maior parte ficou suspensa. Para além da Comissão de Censura, que estava no Palácio Foz, o Rádio Clube Português tinha censura própria, havia um gabinete com três pessoas só para isso. Ainda por cima os telexes vinham com fotografias horríveis de maminhas à mostra — numa altura em que era proibido mostrar decotes na televisão, imagine! — e como se não bastasse ainda falavam sobre droga, que era uma coisa horrível que não se podia mostrar! Para o regime cinzento e bem comportado em que vivíamos, coisas como o Woodstock eram perniciosas, de evitar, quanto menos se soubesse sobre o que se estava a passar lá fora, melhor. Os jovens tinham de se manter burros e ignorantes.”
Quando o Woodstock arrancou, Tozé Brito estava a dez dias de completar 18 anos. Era jovem, não ignorante: já membro do célebre Quarteto 1111, sabia que o Woodstock ia acontecer, só não sonhava que se tornasse — muito menos que se mantivesse até hoje, 50 anos mais tarde — o evento musical mais importante da história.
“Foi o pontapé de saída para tudo o que vemos ainda hoje no mundo dos festivais e o cartaz era brutal, ótimo. Ainda assim, parece-me que foi ainda mais importante enquanto movimento de massas, de uma geração anti-belicista contra o poder instituído. O nosso baterista, o Michel Silveira, era chefe de cabine da TAP, viajava para os Estados Unidos e para toda a parte. Para além de nos trazer notícias, trazia-nos as revistas que na altura não chegavam a Portugal. Fomos sabendo tudo sobre o festival, sobretudo a posteriori — quando apareceu era para ser uma coisa muito mais pequena, eram cinco amigos a organizar, pensavam que iam ter 50 mil pessoas e acabaram com 500 mil. O Woodstock teve um impacto gigante, tanto na sociedade americana como a nível mundial, mas cá as notícias não chegavam porque eram censuradas”, explica ao Observador.
A música também não, acrescenta Júlio Isidro. Em 1969, em Portugal, não era fácil comprar discos de Janis Joplin, Grateful Dead ou Jimi Hendrix, muito menos de Carlos Santana, que à data só tinha 22 e estava ainda a começar. “Na altura existiam discotecas, lojas de música que eram simultaneamente editoras, como a Valentim de Carvalho e a Sinfonia, mas havia muito pouca música do género disponível. Aquilo que chegava era por importação”, revela o apresentador, que em 1969 estava ainda a um ano de integrar a equipa que fazia o “Em Órbita”, o programa que mantinha, todos os dias, das 19h às 21h e da meia-noite à 1h, os fãs portugueses da nova música anglófona agarrados à antena do Rádio Clube Português.
“Quando foi o Woodstock ainda não fazia o programa, mas já era companheiro de cabine deles. As bandas e os músicos que atuaram no festival eram as que passavam no «Em Órbita» — e em mais lado nenhum em Portugal. Tínhamos um correspondente, o Manuel Espinho, que era comissário de bordo e nos trazia de Londres e de Nova Iorque os discos todos que lhe encomendávamos. Líamos a New Musical Express, a Billboard, ouvíamos a Voz da América e a BBC Overseas, e dizíamos-lhe o que queríamos. E depois havia ainda uma tabacaria, a Havaneza de Campo de Ourique, que tinha o privilégio — ou corria o risco! — de ter alguns desses discos à venda. Ao programa emprestava, só pagávamos se voltasse picado”, revela o apresentador, hoje com 74 anos.
“O «Em Órbita» passava exclusivamente música anglo-americana, mas não passávamos as musiquinhas dos tops, o lema era «menos comércio e mais espírito de iniciativa», com textos curtíssimos e uma linguagem muito despida, muito crua. Era um programa anónimo, não havia nomes, como costumávamos dizer — «o programa é feito por nós e dito por mim». Passávamos as músicas por inteiro, não havia cá disc-jockeys saloios a falar por cima da música. E todos os anos elegíamos — com o rigor da eleição de um papa — os dez melhores álbuns, as dez melhores músicas e a pior música do ano. Num ano elegemos o Frank Sinatra, esse grande piroso, como o pior! Está a ver a peneirice que nós tínhamos?! Hoje amo o Sinatra mas naquela altura pareceu-me muito bem”, ri-se o histórico apresentador de televisão. Que também garante: muitos dos álbuns editados na época em Portugal só o foram graças ao histórico programa, criado em 1965 por Jorge Gil e Pedro Soares Albergaria, ambos já falecidos. “As editoras penduravam-se em nós, no final do ano era uma correria para saberem quais, de entre a nossa lista de dez álbuns, é que lhes pertenciam. Nessa altura imprimiam quase de um dia para o outro e vendiam uma série de discos, muita malta nova parava todos os dias para ouvir o programa, que era sempre em direto, sete dias por semana.”
Vejamos se assim era, com elementos de facto do próprio programa Em Órbita de finais de 1969, com a amostra de tal "top", publicado aliás na revista Mundo Moderno no início do ano de 1969 e relativo ao ano anterior.
Nem uma linha na capa destas edições desse Verão, acerca de Woodstock. Nem uma! Pois aquela gente afirma que foi por aqui que se informou...arre!
Júlio Isidro e Tozé Brito, autor de músicas festivaleiras, contam a sua experiência pessoal com as memórias já inventadas por outros:
Júlio Isidro garante ao Observador que a ausência de notícias na imprensa portuguesa não é prova da falta de interesse nacional no que se passava em Woodstock, apenas da eficácia da máquina censória do antigo regime. Na altura, tinha 24 anos e acumulava o emprego diurno como delegado de informação médica com a apresentação de noticiários no Rádio Clube Português, por 25 escudos por noite.
Recorda-se de ver chegar telexes com informações sobre Woodstock, mas não consegue precisar se chegou sequer a ler algum deles no ar: “Acho que a maior parte ficou suspensa. Para além da Comissão de Censura, que estava no Palácio Foz, o Rádio Clube Português tinha censura própria, havia um gabinete com três pessoas só para isso. Ainda por cima os telexes vinham com fotografias horríveis de maminhas à mostra — numa altura em que era proibido mostrar decotes na televisão, imagine! — e como se não bastasse ainda falavam sobre droga, que era uma coisa horrível que não se podia mostrar! Para o regime cinzento e bem comportado em que vivíamos, coisas como o Woodstock eram perniciosas, de evitar, quanto menos se soubesse sobre o que se estava a passar lá fora, melhor. Os jovens tinham de se manter burros e ignorantes.”
Quando o Woodstock arrancou, Tozé Brito estava a dez dias de completar 18 anos. Era jovem, não ignorante: já membro do célebre Quarteto 1111, sabia que o Woodstock ia acontecer, só não sonhava que se tornasse — muito menos que se mantivesse até hoje, 50 anos mais tarde — o evento musical mais importante da história.
“Foi o pontapé de saída para tudo o que vemos ainda hoje no mundo dos festivais e o cartaz era brutal, ótimo. Ainda assim, parece-me que foi ainda mais importante enquanto movimento de massas, de uma geração anti-belicista contra o poder instituído. O nosso baterista, o Michel Silveira, era chefe de cabine da TAP, viajava para os Estados Unidos e para toda a parte. Para além de nos trazer notícias, trazia-nos as revistas que na altura não chegavam a Portugal. Fomos sabendo tudo sobre o festival, sobretudo a posteriori — quando apareceu era para ser uma coisa muito mais pequena, eram cinco amigos a organizar, pensavam que iam ter 50 mil pessoas e acabaram com 500 mil. O Woodstock teve um impacto gigante, tanto na sociedade americana como a nível mundial, mas cá as notícias não chegavam porque eram censuradas”, explica ao Observador.
Portanto, para Júlio Isidro a informação deficiente e omissiva sobre Woodstock foi tudo obra da maldita Censura que não deixava mostrar maminhas...tal como em França não deixava; ou em Itália, ou mesmo na velha Inglaterra. E muito menos nos países do leste europeu que tinham o regime que estas pessoas sonhavam para Portugal.
Estas pessoas sabem isto perfeitamente mas continuam a mistificar tal realidade. Ainda assim esta capa é da revista Mundo Moderno de Agosto de 1969 que se vendia livremente por cá:
“Quando foi o Woodstock ainda não fazia o programa, mas já era companheiro de cabine deles. As bandas e os músicos que atuaram no festival eram as que passavam no «Em Órbita» — e em mais lado nenhum em Portugal. Tínhamos um correspondente, o Manuel Espinho, que era comissário de bordo e nos trazia de Londres e de Nova Iorque os discos todos que lhe encomendávamos. Líamos a New Musical Express, a Billboard, ouvíamos a Voz da América e a BBC Overseas, e dizíamos-lhe o que queríamos. E depois havia ainda uma tabacaria, a Havaneza de Campo de Ourique, que tinha o privilégio — ou corria o risco! — de ter alguns desses discos à venda. Ao programa emprestava, só pagávamos se voltasse picado”, revela o apresentador, hoje com 74 anos.
Conforme já mostrei por aqui, as notícias e imagens de Woodstock foram muito parcas na altura e só a revista americana Rolling Stone deu um destaque proporcional ao evento. Mas não mostrou maminhas nenhumas...pelo que Júlio Isidro deve ter imaginado imagens que nunca viu.
O Observador aprendeu entretanto a fazer um mínino trabalho de casa e foi a uma hemeroteca consultar jornais da época. O Diário Popular, por exemplo.
O Observador aprendeu entretanto a fazer um mínino trabalho de casa e foi a uma hemeroteca consultar jornais da época. O Diário Popular, por exemplo.
Por outro lado aquele Júlio Isidro diz que se informava com a leitura avulsa de jornais e revistas inglesas e americanas que lhe traziam de Inglaterra e ouvia programas na BBC e Voz da América.
A BBC não é exemplo para ninguém da censura porque efectivamente censurava discos por causa de passagens menos ortodoxas e a Voz da América tinha mais que fazer do que reportagens de Woodstock, numa altura de muitos festivais desse Verão. A BBC censurou a canção que fazia "escândalo" na América, conforme noticiado no DP. Seria a Inglaterra um país fassista e salazarista, cinzento e tudo?
Depois diz que as bandas e os músicos que actuaram no festival eram os que passavam no Em Órbita...huummm, tal afirmação cheira a apócrifo que tresanda.
“O «Em Órbita» passava exclusivamente música anglo-americana, mas não passávamos as musiquinhas dos tops, o lema era «menos comércio e mais espírito de iniciativa», com textos curtíssimos e uma linguagem muito despida, muito crua. Era um programa anónimo, não havia nomes, como costumávamos dizer — «o programa é feito por nós e dito por mim». Passávamos as músicas por inteiro, não havia cá disc-jockeys saloios a falar por cima da música. E todos os anos elegíamos — com o rigor da eleição de um papa — os dez melhores álbuns, as dez melhores músicas e a pior música do ano. Num ano elegemos o Frank Sinatra, esse grande piroso, como o pior! Está a ver a peneirice que nós tínhamos?! Hoje amo o Sinatra mas naquela altura pareceu-me muito bem”, ri-se o histórico apresentador de televisão. Que também garante: muitos dos álbuns editados na época em Portugal só o foram graças ao histórico programa, criado em 1965 por Jorge Gil e Pedro Soares Albergaria, ambos já falecidos. “As editoras penduravam-se em nós, no final do ano era uma correria para saberem quais, de entre a nossa lista de dez álbuns, é que lhes pertenciam. Nessa altura imprimiam quase de um dia para o outro e vendiam uma série de discos, muita malta nova parava todos os dias para ouvir o programa, que era sempre em direto, sete dias por semana.”
Vejamos se assim era, com elementos de facto do próprio programa Em Órbita de finais de 1969, com a amostra de tal "top", publicado aliás na revista Mundo Moderno no início do ano de 1969 e relativo ao ano anterior.
Em primeiro lugar os grupos que se viram e ouviram em Woodstock, tirando uma ou outra excepção não eram os habitués do programa Em Órbita.
Em segundo lugar não era o único programa de rádio a passar música popular anglo-saxónica de qualidade, pois já existia o Página Um e o 23º Hora.
Em segundo lugar não era o único programa de rádio a passar música popular anglo-saxónica de qualidade, pois já existia o Página Um e o 23º Hora.
Finalmente, os Grateful Dead ou mesmo Janis Joplin não era propriamente o prato do dia dessas estações de rádio porque os discos que editaram nessa altura ainda não tinham atingido o sucesso que depois vieram a ter, mesmo nos seus países de origem.
Os Grateful Dead eram nada de nada na Inglaterra desse tempo e os tais New Musical Express de que fala esta gente, em memórias inventadas, ligaram nada de nada ao festival de Woodstock, pela simples razão de que tinham outros festivais com que se ocupar, como por exemplo o da ilha de Wight ou de Plumpto, ou mesmo o concerto grátis no Hyde Park, como a Rock & Folk francesa, aliás e mostrei aqui.
Uma busca rápida pelos números do Verão desse ano, ao New Musical Express mostra isto claramente:
Mas nem era apenas o New Musical Express a desprezar Woodstock como acontecimento de capa. Também o Melody Maker fazia a mesma figura. Resultado, agora ninguém fala ou evocou o festival da Ilha de Wight, mas nesse tempo esse foi o acontecimento. Não Woodstock...
Mesmo Richie Havens que tinha tocado em Woodstock é notícia aqui, na edição de 3.9.1969 porque tinha também actuado em...Wight.
Mesmo Richie Havens que tinha tocado em Woodstock é notícia aqui, na edição de 3.9.1969 porque tinha também actuado em...Wight.
Nem uma linha na capa destas edições desse Verão, acerca de Woodstock. Nem uma! Pois aquela gente afirma que foi por aqui que se informou...arre!
O Público de hoje também não podia faltar à comemoração, também na mesmíssima linha de evocações apócrifas com memórias inventadas.
Desta feita, o "crítico" de música João Lopes ouviu António Macedo, um maduro do rádio que trabalha nas manhãs da Antena Um e que se lembra de Woodstock assim:
O Macedo do rádio diz que tinha um amigo que lia revistas inglesas e francesas e que era por aí que se informava "naqueles tempos cinzentos". Diz que faltaram os Beatles, os Stones e os Doors mas "estava lá a fina flor toda". De resto havia a "guerra colonial" e o fassismo...e foi por isso que dali a menos de meia dúzia de anos este indivíduo era dos que queria o "poder popular". Já.
Enfim, para ver quem era esta fina flor é melhor ler estes artigos, neste blog que esclarecem mais que estas afirmações sem grande sentido.
A "fina flor" para este maduro era esta:
- Richie Havens
- Country Joe McDonald
- John B. Sebastian
- Sweetwater
- Incredible String Band
- Bert Sommer
- Tim Hardin
- Ravi Shankar
- Melanie
- Arlo Guthrie
- Joan Baez
- Quill
- Keef Hartley Band
- Santana
- Country Joe McDonald
- Canned Heat
- Mountain
- Janis Joplin
- Grateful Dead
- Creedence Clearwater Revival
- Sly & the Family Stone
- Who
- Jefferson Airplane
- Joe Cocker
- Country Joe and the Fish
- Ten Years After
- The Band
- Blood, Sweat & Tears
- Johnny Winter
- Crosby, Stills, Nash & Young
- Paul Butterfield Blues Band
- Sha-Na-Na
- Jimi Hendrix
Enfim, há gostos para tudo, mesmo para desinformar, com memórias falsas e inventadas. Porém, o que me entristece é o amadorismo destas evocações, os erros cronológicos, as evocações apócrifas, o desprezo pela verdade factual e a manipulação ideológica imanente e que se limita a reproduzir o discurso corrente da brand, da marca de desinformação contínua.
- Richie Havens
- Country Joe McDonald
- John B. Sebastian
- Sweetwater
- Incredible String Band
- Bert Sommer
- Tim Hardin
- Ravi Shankar
- Melanie
- Arlo Guthrie
- Joan Baez
- Quill
- Keef Hartley Band
- Santana
- Country Joe McDonald
- Canned Heat
- Mountain
- Janis Joplin
- Grateful Dead
- Creedence Clearwater Revival
- Sly & the Family Stone
- Who
- Jefferson Airplane
- Joe Cocker
- Country Joe and the Fish
- Ten Years After
- The Band
- Blood, Sweat & Tears
- Johnny Winter
- Crosby, Stills, Nash & Young
- Paul Butterfield Blues Band
- Sha-Na-Na
- Jimi Hendrix
Enfim, há gostos para tudo, mesmo para desinformar, com memórias falsas e inventadas. Porém, o que me entristece é o amadorismo destas evocações, os erros cronológicos, as evocações apócrifas, o desprezo pela verdade factual e a manipulação ideológica imanente e que se limita a reproduzir o discurso corrente da brand, da marca de desinformação contínua.
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