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domingo, setembro 13, 2009

O fingidor

Fica aqui, integralmente, um pequeno interlúdio cultural, em glosa ao que tem passado na SIC, à guiza de propaganda gizada por assessores (amadores) e saído da escrita de Francisco Santos, no blog 5 dias:

"José Sócrates como nunca o viu à SIC (mas já o vimos assim, sim senhor, já vimos muito deste vazio noutras ocasiões):

“Gosto muito da ode do Ricardo Reis, principalmente aquela que fala da Noite, aquela parte em que ele fala dos Portugueses falando de si…….[récita e tal]…..Essa vocação universalista portuguesa tão bem descrita por esse poeta nesse trevo de quatro folhas [certamente passou-se] em que parte de nós atiram aos quatro pontos cardeais é muito próprio da alma portuguesa…ode de Ricardo Reis…fim de citação [Está a ouvir Alexandra? Vá ler poesia, que ele certamente tem lido bastante: ode de Ricardo Reis]

(…)

Uma folha de mim lança para o Norte,
Onde estão as cidades de Hoje que eu tanto amei;
Outra folha de mim lança para o Sul,
Onde estão os mares que os Navegadores abriram;
Outra folha minha atira ao Ocidente,
Onde arde ao rubro tudo o que talvez seja o Futuro,
Que eu sem conhecer adoro;
E a outra, as outras, o resto de mim
Atira ao Oriente,
Ao Oriente donde vem tudo, o dia e a fé,
Ao Oriente pomposo e fanático e quente,
Ao Oriente excessivo que eu nunca verei,
Ao Oriente budista, bramânico, sintoísta,
Ao Oriente que tudo o que nós não temos,
Que tudo o que nós não somos, (…)

ÁLVARO DE CAMPOS *

* Oh fatalidade! Logo lhe havia de saír o heterónimo que no Opiário diz: “Eu fingi que estudei engenharia…” "

Para além desta pequena ode à engenharia de imagem, e que no cinco dias se glosa, no dito programa intitulado Políticos como nunca os viu, o assessor profissional Cunha Vaz já disse que ficou surpreendido com a "genuinidade do Sr. PM". Então não é de ficar, com estas verdadeiras pérolas culturalmente antropológicas e que dizem mais de um indivíduo que um retrato a cores?

No mesmo programa, o mesmíssimo candidato comentou ainda outra poesia de Fernando Pessoa ( o único que enunciou depois de dizer que adora ler poesia, o que todos deviam fazer todos os dias...) na figura de ortónimo e com o verso "Eu sinto com a imaginação" .

Poderia acrescentar a seguir o sentido do poema: "Eu simplesmente sinto Com a imaginação . Não uso o coração" .
É a racionalidade feita desejo que afasta o sentimento maldito. Nada mau como retrato...cujo perfil completo ficaria melhor assim, com mais um acrescento ortónimo do poeta:

“Há entre mim e o real um véu
à própria concepção impenetrável”

Porém, nesta temática, adivinha-se-lhe o poema preferido: O poeta é um fingidor. Finge completamente...



7 comentários:

  1. Fartei-me de rir... Só lhe digo uma coisa, ainda bem que não vejo nada disso. -- JRF

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  2. Joserui

    Ainda não parei ahahahahahahahahahah!
    Também não vejo
    Obrigada José

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  3. ahahahah
    Um trevo de quatro folhas


    ":O))))))

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  4. Mas ele disse isto mesmo e ela não se riu? O Ricardo Reis do trevo de 4 folhas

    ahahahahahahahaha

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  5. zazie

    Não pode perder o tacho e, não se esqueça que estava a falar com o 6º mais elegante.
    Se calhar, penso eu de que...estão os dois à espera de Gogod.
    Vai na volta e pensam que é um cão!

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  6. Eu propunha que este "incidente" se passasse a chamar os violinos de Sócrates...

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  7. Caro José,

    Mais uma tirada daqui: http://abrupto.blogspot.com/2009/09/lendo-vendo-ouvindo-atomos-e-bits-de-13.html

    «A certa altura, Sócrates citou uma frase de Abel Salazar, que está no pórtico da Faculdade de Medicina do Porto: «Um médico que só saiba de medicina não é bom médico». Há só uns detalhezinhos a apontar:

    1) a frase não está no pórtico, mas sim no átrio;

    2) não está na Faculdade de Medicina, mas sim no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar;

    3) a frase correcta é «Um médico que só saiba de medicina nem de medicina sabe».

    Mas, vá lá, acertou no nome.

    (José Carlos Santos)

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