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segunda-feira, abril 26, 2010

O Cônsul honorário

No Expresso do último Sábado, Clara Ferreira Alves entrevistou Ângelo Correia, o mentor de Passos Coelho ( artigo dixit).

A certa altura, talvez por desfastio, a entrevistadora que accionou penalmente Vasco Pulido Valente por este ter escrito que nem o 12º ano tinha, ( percebendo o remoque ofensivo e não aguentando a estocada fatal na credibilidade intelectual), disparou:

E a justiça? Que fazer? Ao que o inefável Ângelo deu por bem empregue responder assim:

" A justiça. Independência e autonomia nada contra. Mas é preciso fazer alguma coisa com o Ministério Público." Não diz o quê, mas fica-se a pensar no pior. Ou seja, no gato- sapato com a autonomia.

À pergunta da entrevistadora sobre se o MP é dominado pelo PC, o descontraído Ângelo responde como quem sabe da poda:

" Dominado por grupos diferentes com agendas políticas diferentes. O Sindicato do MP é dirigido por um militante do PSD, latifundiário no Alentejo." E que "trabalhou com Dias Loureiro" acrescenta a pespineta entrevistadora sabedora destes meandros como poucos dos que fazem o 12º ano. Completo...e para acrescentar que "o procurador não tem qualquer autoridade", como se o despacho de arquivamento da certidão do Face Oculta fosse um exercício diletante para mostrar quem não manda.
E diz o incrível Ângelo logo a seguir e a propósito:
"E há os do PS, a Cândida de Almeida. Utilizam-se meios políticos na justiça o que é grave. Quando se deixam cair informações, se convidam jornalistas a ir a certos sítios a determinada hora ( suponho que deve ser aquela história da SIC ter ido ao Parlamento na altura da detenção de Paulo P.) é agenda política. "
E o MP devia ser o grande actor do processo penal", remata o inacreditável Ângelo, engenheiro químico da política activa sempre na ribalta dos negócios de ocasião e em administrações profusas.
E continua a tal de Ferreira Alves: "É uma máquina de derrube de governos, com os media". E o engenheiro político diz esfola com outra frase de fôlego: " E de golpes de Estado. Hoje, os golpes fazem-se assim. ( Onde?, apetecia perguntar para o ouvir logo responder- na Itália, sem pensar duas vezes na asneira) Ninguém consegue meter isto na ordem. Impossível", diz o engenheiro Ângelo.

E no fim percebe-se o lado onde se encontra o engenheiro Ângelo. O habitual, aliás. Com esta frase: "Um jornal viola a decisão do tribunal e diz que se receber a notificação violava à mesma. E ninguém diz nada. Não tem remédio." Querendo referir-se ao Sol e à desobediência justificada em editorial.

O que não tem remédio algum é o conhecimento democrático do engenheiro Ângelo, nada anjolas nestas coisas porque até se diz cultor da Filosofia, Estética e Moral e adianta que tentou aprender alemão para ler Marx, mas que pelos vistos não se lembra do caso dos papéis do Pentágono e do que fez o New York Times.

E também não tem remédio o facto de dizer que o presidente do sindicato do MP é um militante do PSD e um latifundiário.
Tal afirmação é falsa, segundo acaba de dizer o próprio. Logo caluniosa, porque implica um juizo de valor negativo sobre a isenção do magistrado.
Mas talvez tenha remédio, nesse caso, porque a injúria pode ser paga na praça pública com um desmentido descredibilizador.

Outra coisa que parece não poder ser facilmente remediada é o facto de Ângelo Correia se distanciar de Dias Loureiro de um modo muito parecido com o que fez com "o Domingos ", ou seja, Duarte Lima, numa intervenção pública na tv, por causa de uma quinta sem nome de proprietário que o Independente mostrou na capa, nos anos noventa.
Ao Dias Loureiro, quase que nem o conhece, ao dizer sobre a sua ligação aos árabes e à referência aos negócios de Dias Loureiro que "nunca fiz negócios desses". Lava as mãos daí...

Ora, o businessman Ângelo pode não conhecer as reservas de um certo Monzer Al Kassar, mas caça lá perto. Dos sírios, entenda-se.

5 comentários:

  1. A sério que não tem o 12º ano ???

    É que já por mais de uma vez ouvi chamarem-lhe "Dra." naquela espécie de programa que passa na Sic Notícias, ou é por ironia, desconhecimento ou então quem sabe serão as Novas Oportunidades ...

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  2. Ora bem...a ironia é que é formada em Direito. Por Coimbra segundo julgo porque é de um tempo que conheci.
    A sério, segundo julgo. A ironia de VPV era outra.

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  3. Mea culpa ... não me recordava da "cacetada" que refere, fazendo uma pesquisa e só por curiosidade será que foi este o texto em questão ? :

    " A HIPOTÉTICA

    A hipotética "dra." Clara Ferreira Alves (chegou com dificuldade ao actual 12º ano), crítica literária que leu (jura ela) "os clássicos", especialista do último escritor inglês com quem almoçou, autora de um romance anunciado em 1984 e nunca até agora publicado, dona de uma coluna ilegível (e bem escondida) na "revista" do Expresso, foi um dia arvorada directora da "Casa-Museu Fernando Pessoa" pela conhecida irresponsabilidade de Pedro Santana Lopes, de quem ela tinha sido uma entusiástica partidária. Daí em diante, a importantíssima Ferreira Alves e o "Pedro", como ela dizia, ficaram muito amigos. Tão amigos que a "dra." Clara apareceu um dia presuntiva directora do "Diário de Notícias", coisa que me levou a sair antes que ela entrasse.

    Felizmente, não entrou, porque teve medo de cair na rua entre o "Expresso" e o DN, com a reputação de uma "santanete" obediente. Agora, morto o seu patrono, não perde uma para o maltratar, supondo que demonstra "independência". Ontem, a propósito de um "Audi", que o homem comprou, despejou em cima da cabeça dele todo o lixo do mundo. Santana não aprendeu que a certa espécie de pessoas não se fazem favores.
    Se a "dra." Clara me quiser responder, sugiro que me responda em inglês e não meta na conversa a sua célebre descrição do pôr-do-sol no Cairo.

    Muito obrigado.



    VASCO PULIDO VALENTE "

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  4. o entrevistado é digno representante das virtudes e defeitos da nossa classe politica, o senão é que como "kingmaker" dos bastidores deveria ser um pouco mais discreto depois do trabalho para não dar a impressão de que já está com pressa em colher os dividendos de obra feita.

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  5. Hoje, em vésperas de bancarrota, lembrei-me da república e da ajuda que o seu site deu para chegarmos a esta situação... e afinal continua tudo na mesma. Então não era provisório e não sei que mais? -- JRF

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