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domingo, julho 27, 2014

Paulo Baldaia, na pele de crocodilo amestrado que voava baixinho



A justiça está deitada na cama que fez para si própria nas últimas décadas. O povo já não se contenta com o facto de o dono disto tudo ter sido detido e interrogado por um juiz. Pelo contrário, desconfia de tanto aparato e já nem pede justiça, exige vingança.
Todos perguntam onde estava este poder (juízes, procuradores, jornalistas, políticos...) quando ele era de facto dono disto tudo? Por certo se sabe muito mais hoje do que há apenas dois meses, mas não estranhem que o povo estranhe tanta vontade de fazer justiça depois de tanto silêncio e cumplicidade.
Para ficar bem na fotografia, a justiça está "obrigada" a dar ordem de prisão a este banqueiro e o povo, de seguida, pedir-lhe-á mais prisões, de mais banqueiros, de mais gente importante e poderosa. Pressionada, a nossa justiça deixará que a violação do segredo de justiça, essa arma poderosa para condenar pessoas na praça pública, volte a funcionar. E já começaram as fugas selectivas de informação, querendo provar a culpa do arguido mesmo que para isso quem investiga tenha de fazer figura de parvo.
O Expresso Diário contou-nos a história de umas caixas, com papéis para destruir, encontradas pela investigação no escritório improvisado de Ricardo Salgado, e dava nota do que essa mesma investigação terá feito perante tão grande descoberta. Passo a citar: "A PJ fotografou, foi-se embora e cinco dias depois [...] entrou no hotel com um mandado de busca." Se não fosse trágico, dava para rir. O Ministério Público acreditou que Salgado queria destruir provas e achou por bem dar-lhe cinco dias para pensar no assunto. Não lhes passou pela cabeça que é na produção de prova e na sua justa avaliação, de acordo com a lei, que se faz boa justiça. Por aqui se vê que, infelizmente, não há uma única razão para acreditar que a justiça vai mudar em Portugal.
Para avaliar o estado da justiça pouco importa que isto termine com uma condenação ou uma declaração de inocência do mediático arguido. A democracia assenta na separação de poderes mas a maior parte do tempo parece que a justiça é um Estado à parte, com as suas próprias regras, sem ter de dar cavaco a ninguém.


Este artigo de Paulo Baldaia um jornalista  com muitas facetas  é  um equívoco, para ficarmos por aqui.   Pergunta  onde estava este poder (juízes, procuradores, jornalistas, políticos...) quando ele era de facto dono disto tudo?” 
“Este poder” estava onde sempre esteve: nos seus devidos lugares.  
Porém, quando o tal dono disto tudo  era um dos mais poderosos do país, houve gente destes poderes que não soube ocupar esses lugares. E essa questão é que deve ser colocada para se responder. Duvido muito é que o tal Paulo Baldaia seja a pessoa mais indicada para o fazer...

Assim, quem é que a partir de  2005, para não recuarmos mais um pouco, se associou de facto ao dono disto tudo para o mesmo dispôr disso tudo mais à vontade e de modo mais seguro?
Agora sabe-se muito bem, mas havia quem já o soubesse.  
Por exemplo, onde estavam os representantes dos tais poderes, no caso da opa da Sonae à PT, em  2007? 
Belmiro de Azevedo disse  em 10.3.2013 ao Público que tal devia ser investigado...pelo jornalismo. 



O mesmo Paulo Baldaia, nessa altura estava onde?  No grupo de media do "amigo Joaquim" que incluía o JN e a TSF , onde se tornou um dos maiores socratinos residentes. Investigou alguma coisa, alguma vez, sobre o caso da opa ou de outro qualquer? Tá bem...

Em  2010, aquando do escândalo do bijan, onde estava Paulo Baldaia? Na TSF a socratinizar com o "amigo Joaquim". 

Aquando do escândalo da licenciatura ao Domingo, numa Independente que acolheu igualmente um Vara e lhe deu uma licenciatura fantástica, onde estava Paulo Baldaia? Ora, nem vale a pena perguntar.

Aquando do escândalo Face Oculta que originou inquéritos parlamentares e tudo, onde esteve Paulo Baldaia? A telefonar ao dito.  Isso porque eventualmente se preparava para participar e aproveitar pessoalmente no assalto ao poder mediático, encetado pelo dito indivíduo do "poder político". Ou seja, comparticipando num crime de atentado ao Estado de Direito.

Enfim, é este mesmo Paulo Baldaia quem vem agora com escritos destes apontar o dedo "à Justiça" que não funciona e que Paulo Baldaia queria mesmo que tivesse funcionado em todos esses casos.
Daí estas lágrimas de crocodilo amestrado, habituado a voos baixinhos.

ADITAMENTO:

Num comprimento de onda semelhante ao de uma enguia eléctrica, hoje na TVI, um Marcelo Rebelo de Sousa fez mais uma vez jus a um carácter único e já por aqui bem explicadinho, nos anos setenta, com a história dos dez negrinhos.

Sobre Ricardo Salgado, amigo de passeatas, patrão de uma sua companheira pública, convívios vários e pessoa de trato de intimidade necessária que disse Marcelo Rebelo de Sousa?  Pois...que se safe que não o conheço suficientemente para o proteger seja do que for, mesmo sendo amigo e continuando a ser. Foi isto mais ou menos. 
Nem sequer teve o pudor de dizer o que disse o outro compadre que escreve no Expresso: sobre a família não se diz nem bem nem mal. Ou pedir escusa em comentar, esclarecendo os contornos da sua amizade de décadas com o tal dono disto tudo. Que implica uma coisa simples que Marcelo devia perceber melhor que ninguém: em política o que parece, é. E outro ainda: diz-me com quem andas...

Marcelo diz sempre- mal, mesmo que afirme que é bem e parece que com isso procura satisfazer uma necessidade extrema em  provar publicamente que é objectivo e incorruptível. 

Não é e neste caso afundou-se. A queda de Salgado arrasta a sua própria, mesmo que não queira e mais uma vez procure salvar a pele. Salgado perde o poder "disto tudo". Marcelo a credibilidade que procura ter.

Basta!

19 comentários:

  1. José
    Terá as suas razoes e é normal que sinta as dores da magistratura, mas isso não invalida o facto de mais uma vez o segredo de justiça ser uma enorme palhaçada.

    Como é que explica que para deter o homem o Correio da Manhã tenha chegado à porta da casa dele ao mesmo tempo que a PSP?

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  2. Queria que não se soubesse que o indivíduo foi detido, é isso?

    Se for isso, compreendo o reparo. Se não, é irrelevante o que diz.

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  3. Criticam os jornaleiros as relações entre o poder económico e o poder politico, mas esquecem-se que eles próprios são bem a amostra desse putedo.

    O Jerónimo das Farturas parece que nesta matéria descobriu um crime de lesa pátria e comenta como virgem ofendida embora não tenha 'os três' desde a PRECada.

    Salazar deu exemplo nesta matéria.

    Ou seja não haveria problema nessa relação se o respeito existisse, porque a tentação é como a maçã ou a bela viúva, está sempre presente.

    No entanto, os 'comedores do 25' são promíscuos e dormem na cama uns dos outros.

    Ai que saudades de orgias deverá ter o cão gordo, do tempo da TV-fórró do papagaio Louro!

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  4. Un journaliste aujourd'hui, c'est une pute ou un chômeur

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  5. Não por acaso também a Sonae não conseguiu ter acesso à criação de um Banco, não obstante ter interesses evidentes na área, de que o facto de o BPA ter sido de Pinto de Magalhães é um exemplo (a Sonae tem a sua origem neste grupo).

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  6. Sim José, era isso que eu queria.

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  7. Acha possível que não se soubesse que o indivíduo foi detido?

    Repare que isso é mais difícil porque já não é assunto da Justiça...

    Há agentes da PSP que são do Ministério da Administração Interna. Agentes da Inspecção Tributária que são do Ministério das Finanças e que foram os que detiveram o indivíduo.

    Há ainda os agentes da própria segurança pessoal do indivíduo, israelitas e que estiveram no Campus da Justiça, o dia todo, dentro de um BMW, suponho ( vi).

    Acha possível?

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  8. Por outro lado, essa detenção terá sido observada nos locais em que se fizeram buscas.

    Acha possível?

    Agora, outra coisa: porque é que este indivíduo deve ser preservado do conhecimento público acerca de uma detenção?

    Sim, porquê?

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  9. Há algum país que preserve tal coisa com fundamento em qualquer princípio válido?

    Talvez os países totalitários consigam...

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  10. A Sonae tentou controlar o BPA, mas o Governo de Cavaco Silva não o permitiu e foi Jardim Gonçalves quem venceu a 3ª e última fase da privatização.

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  11. Se em vez de detido tivesse ido prestar declarações como ele diz que propôs fazer, evitava-se o circo da condenação antecipada.
    Eventualmente até se chegava a cumprir a presunção de inocência.

    Mas repare que eu já nem estou a falar de saber, mas sim do CM estar lá mesmo antes da detenção ter sido efectuada.

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  12. Então diga lá o palpite: quem avisou o CM?

    Quer saber o meu? Eu digo a seguir...ahahah

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  13. Eu digo quem acho que não foi, o presumível inocente.
    O advogado de defesa duvido bastante.

    De resto se o processo é conduzido por alguém então é responsável, e culpado das falhas.

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  14. Coitadinho... Parte-se-me o coração de pena do presumível inocente...

    Só que apenas a Justiça é que tem de o presumir inocente. Eu não tenho de o fazer, nem o José, nem mais ninguém.

    Aliás, com os milhõezinhos dos RERTs, para mim nem sequer tem já recurso...

    E depois, em Portugal sucede sempre uma coisa curiosa: nas mais das vezes, as condenações antecipadas, vai-se a ver, e não resultam em condições efectivas...



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  15. Então eu também digo quem acho que não foi: a magistratura. Não tinha qualquer interesse nisso.

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  16. E a responsabilidade, neste caso, nunca pode ser objectiva.

    Só pode ser objectiva no caso de o dominus ser um só e poder controlar todas as possíveis falhas.

    Como é possível responsabilizar-se quem detém a titularidade do processo se as polícias lhe fogem ao controlo?

    É capaz de contestar isto?

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  17. Muja...
    Eu não sou advogado de defesa do homem, mas a sua opinião é como os rabos, toda gente tem um e usa-o como quer.

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  18. José
    Pela mesma teoria que apresentou para a magistratura (falta de interesse na fuga de informação), qual a vantagem das policias?

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  19. Eu não falei nas polícias...apesar de ter excluído as magistraturas.

    Só disse que não será possível responsabilizar objectivamente quem não detém o domínio integral do processo.

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