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quarta-feira, abril 08, 2015

Portugal já teve um Império...criado por decreto.

Um estreito colaborador de Salazar, Armindo Rodrigues de Sttau Monteiro ( pai, além dos demais,  de um Luís Sttau Monteiro que fazia redacções da Guidinha, ainda antes de 25A e que esteve preso por ser esquerdista subversivo, apesar do pai que tinha...) foi o co-autor de um Acto Colonial, em 1930 que instaurou a ideia peregrinado nosso Império, à semelhança de outras grandezas europeias, já nessa altura em declínio colonial.

No livro recente de Manuel de Lucena, "Os lugares-tenentes de Salazar", Armindo Monteiro biografa-se em poucas páginas com algum detalhe neste aspecto. O livro recomenda-se vivamente a quem quiser conhecer melhor Salazar, através do velho ditado "diz-me com quem andas..." e a invenção do nosso Império relata-se assim:


Porém,  esta ideia fantástica de Império, era uma elaboração mental de Armindo Monteiro.
De facto, como escrevia Marcello Caetano em Dezembro de 1970, desde 1930 que se reconhecia constitucionalmente a autonomia das províncias ultramarinas que passaram a ser assim designadas com a abolição do Acto Colonial em 1951, com a respectiva matéria integrada na Constituição de 1933, então revista.





Conclusão: nunca tivemos um Império, a não ser num papel molhado que perdeu validade antes de se consolidar, na Constituição de 1933, revista em 1951. 

Além disso, a ideia estapafúrdia de Império que caira em desuso durante o séc.XX é digna de quem precisa de de tal.
A nós, tal como Marcello Caetano definiu. bastar-nos-ia uma Nação com um território que compreendia também províncias de além-mar, administradas de acordo com critérios objectivos de eficácia e realismo prático e nunca fantástico.

Mais uma vez, era Marcello quem tinha razão...

27 comentários:

  1. o papel em branco consente tudo o que nele se coloque em termos de conceitos e factos

    conheci
    o Império Romano
    o 5º império
    o Império Colonial Português, o Inglês, o Francês, o Holandês ...
    o cinema império

    todos desapareceram porque a moda mudou

    tudo muda
    todos mudamos

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  2. Então mas quem é que falou em império?

    Eu nunca me referi a império nenhum. E penso que nem o Dragão. E também não era assim que era entendida a defesa do Ultramar quando ela teve de ser posta em prática.

    Falemos por isso em "integração" ou "tese unitária", porque era essa a doutrina subjacente; e não consistia em ter império algum, mas justamente "uma Nação com um território que compreendia também províncias de além-mar, administradas de acordo com critérios objectivos de eficácia e realismo prático".

    Portanto, para dizer que Marcello tinha razão é preciso contrapor-lhe alhos em vez de bugalhos.

    Era esta a tese que se opunha à independência inevitável de Marcello, ou ao seu federalismo dos anos 50:

    http://ultramar.github.io/estrategia-estrutural-portuguesa.html#iii-novo-conceito-para-a-estrutura-politico-administrativa-da-nacao


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  3. Portanto, a aquel'outra questão deve reformular-se assim:

    Hoje em 2015 ainda poderíamos ser um país pluri-continental e multi-racial?

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  4. "Eu nunca me referi a império nenhum"

    Império é um idealismo do Armindo Monteiro.

    E Fernando Pessoa também escreveu sobre o esoterismo do Quinto. O tal realismo fantástico...

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  5. E Armindo Monteiro não queria bem isso da integração por motivos que se explicam nos textos.

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  6. Quando se começa a idealizar o mundo acaba-se no realismo fantástico ou então no gulag

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  7. Não vejo o que tenha assim de tão fantástico o Armindo Monteiro e o texto parece-me tendencioso porque julga sem argumentar.

    Aliás, faz o que fazem todos os críticos da política ultramarina portuguesa: aponta problemas e dificuldades como se fossem de palmatória e de solução evidente. Mas depois soluções... "viste-las"!

    Portanto, discutamos então o conceito de Silvino Silvério Marques, porque esse é que contava em 74 e não o de Armindo Monteiro... porque propõe uma solução concreta, com passos concretos e sustentada por argumentos concretos também.

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  8. Mas o objectivo do postal não é sindicar a política ultramarina em 1974...

    É mostrar que a ideia de Império foi realmente fantástica, mas não passou disso. E foi nos anos trinta. Um par de anos porque pouco depois a Constituição de 33 já não tinha tal ideia.

    Sobre a alternativa e o modo de ligação das províncias ultramarinas a Portugal continental há hipóteses e não descarto nada.

    Mas lembro Moçambique, África do Sul, Brasil e concluo que não haveria hipóteses nem teorias que aguentassem o que sucedeu em África depois.

    Nem o Silvino Silvério Marques lhes poderia valer.

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  9. E já agora...qual é o sentido de uma resposta positiva a "Hoje em 2015 ainda poderíamos ser um país pluri-continental e multi-racial?"

    Para quê?

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  10. concluo que não haveria hipóteses nem teorias que aguentassem o que sucedeu em África depois

    Sim, mas depois de quê?

    Se não tivesse ocorrido a entrega, o depois podia ser diferente, ou não?

    Logo, não vale argumentar com o que ocorreu também por causa das independências para dizer que as independências eram inevitáveis.

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  11. Quanto ao sentido da pergunta, é o mesmo da aquel'outra sobre o império.

    Eu limitei-me a mudar o conceito obsoleto de "império" para o actual (à altura) de "país pluri-continental e multi-racial".

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  12. Só gostaria de saber quem foi o esperto que depois de 1945 teve a ousadia bacoca de mandar cunhar moedas para as Províncias Ultramarinas coma palavra "colónia" de 1948 a 1950

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  13. O "depois" refere-se ao que aconteceu no mundo na segunda metade do século XX.

    Não vivemos num universo de idealismos mas de realpolitik e por isso é necessário adaptar políticas a situações que não dominamos.

    Foi isso que Marcello fez e Salazar também faria.

    O problema com os nossos territórios de além-mar era apenas um, quanto a mim:

    Preservar os interesses dos que lá estavam e eram portugueses, querendo continuar a sê-lo.

    Os que queriam ser independentes que o fossem, mas sem prejudicar aqueloutros.

    E para isso era estritamente necessário continuar a guerra, em 1974.

    Essa é a única questão que me ocupa o interesse porque a ligação soberana de Portugal a essas "províncias" mais tarde ou mais cedo perder-se-ia.

    Não vale a pena imaginar federações ou commonwealths ou coisas que tais

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  14. "palavra "colónia" de 1948 a 1950": o Acto Colonial só foi integrado na Constituição em 1951 deixando então de ter qualquer autonomia.Apesar de desde 1933 ter deixado de fazer sentido.

    Assim, foi alguém mais papista que o papa...

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  15. ontem não quiz referir 3 impérios´
    1º Romano-Germânico (Heiliges römisches Reich deutscher Nation)
    2º Deutsches Reich
    3º o dos mil anos

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  16. Para mim, o importante não é se lhe devemos chamar Império ou outra coisa qualquer. Eramos o 12.º país do mundo, em território, com mais de 2 milhões 190 mil quilómetros quadrados de área. Sem a guerra que por lá eclodiu após a entrega e com os recursos de que os territórios dispunham, associados à nossa capacidade de saber fazer (da época) teríamos hoje uma população, no mínimo, semelhante à da Itália e ocuparíamos um lugar idêntico aos deles (ainda que em melhor situação económica)na hierarquia das nações. E isso não interessava minimamente às grandes potências que trataram rapidamente de patrocinar os grupos terroristas no ultramar e incentivar a propaganda de esquerda na metrópole.

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  17. É importante na medida apenas em que indica o que se queria fazer.

    E não era nenhum império.

    Embora pudesse ser. Mas contemporizou-se com os ventos da história do pós-guerra que acabaram com essa noção.

    E no que deu?

    Deu em que a seguir se teve que contemporizar mais e mais até que foi tudo para o galheiro.

    É o que dá fiar-se a gente em ventoinhas à guisa de ventos...

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  18. "contemporizou-se com os ventos da história".

    A única forma de resistir a tais ventos seria fazer como a Coreia do Norte, ou Cuba.

    Repressão mais repressão, prisões políticas, censura, fronteiras fechadas ( a Espanha aqui ao lado) etc etc.

    Eu só pergunto:

    V. são realistas ou apenas fantásticos?

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  19. Acho que afinal, estão mais próximos da esquerda syriza do que parece.

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  20. Acabar com o euro, sair da UE, reforçar o nacionalismo serôdio com um nacionalismo intelectual que não tem amarras em lado algum que se veja, a não ser numa etérea filosofia que não se exprimiu a não ser na poesia, etc.

    Perigoso, meus caros.

    E digo com pena porque afinal V. são o que de mais próximo podemos ter para enfrentar uma esquerda utópica e balofa.

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  21. Infelizmente os idealismos correm sempre este risco de cair na utopia.

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  22. E eu ia jurar que é por este motivo que não há Direita em Portugal.

    Depois admiram-se que a escardalhada marque pontos.

    Não é difícil. Até os neotontos têm caminho aberto.

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  23. Esta suposta Direita é o mais sebastiânica possível.

    Estão à espera do Chefe ou do Rei ou seja de quem for que ilumine o caminho que se perdeu.

    E o caminho faz-se caminhando, já dizia um esquerdista espanhol.

    As mudanças ocorrem sem darmos conta e temos que as adaptar aos princípios e valores.

    E até esses princípios e valores se alteram. Importa é não abdicar da sua essência quando são essenciais.

    E para isso é preciso defini-los com clareza.

    Não vejo quem o faça...

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  24. “A única forma de resistir a tais ventos seria fazer como a Coreia do Norte, ou Cuba.”

    Não creio. Os “ventos da história” são os bafos da propaganda que convém às potências que, em determinada época, dominam. Também fizemos, em tempos idos, soprar os “ventos da história”, na direcção que mais nos convinha.
    A forma de encarar estes “ventos” marca, na minha perspectiva, a diferença de mundivisão, entre Salazar e Marcello. Marcello deixa-se arrastar pela inevitabilidade dos “ventos da história”, contentando-se em sobreviver-lhes, Salazar tenta influenciar a direcção em que sopram.


    “Repressão mais repressão, prisões políticas, censura, fronteiras fechadas (a Espanha aqui ao lado) etc etc.”

    O Muja já deu a resposta, propaganda, fundamentalmente.

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  25. “Acabar com o euro, sair da UE”

    É uma discussão interessante, sim senhor, e lonnngaaa. Portanto, não a esta hora.


    “E até esses princípios e valores se alteram”

    Isto também “dá pano para mangas”…

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