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domingo, julho 24, 2011

Os secretismos do jornalismo de causas

O Expresso de ontem, para além não conseguir explicar o inexplicável com a "confusão " do assunto Bairrão, ainda lança outra confusão como notícia, tipicamente ao estilo do director Ricardo Costa que definitivamente anda no jornalismo como quem anda aos polvos: a ver se topa locas, em cima de penedos escorregadios. Não sabendo mergulhar, contenta-se com os polvinhos de leite e a meter água é um ver se te avias.

Assim, o Expresso, como grande notícia do dia, replicada por todas as marias de são josé do jornalismo tipo ana lourenço, apareceu em manchete, ontem: "Fugas de informação nos serviços secretos". Ah, ganda bomba! "Ex-director do SIED terá passado ( repare-se no primor do tempo verbal, dubitativo qb mas com a cacha a contradizê-lo) informação à Ongoing antes de ser contratado."
Ou seja o Expresso não sabe se o tal ex-director do SIED passou informação à Ongoing antes de ser contratado, mas afirma logo à cabeça e para que todos leiam qualquer coisa como "fugas de informação nos serviços secretos". Como não tem ponto de interrogação, a ideia é passar a mensagem pretendida para a causa escondida: houve fugas. Logo a seguir, coloca-se a dúvida do "terá passado". Houve e não houve, como no enigma do gato de Shroedinger, com um rabo felpudo nada escondido.
O jornalismo tipo Ricardo Costa nem sequer desportivo é. É apenas de sarjeta típica e abaixo do nível em que o mau cheiro é suportável por uma razão que o Publico explica hoje: pelos vistos até usou informação contida em emails pessoais. O jornalismo tipo News of the world, afinal não anda longe do Expresso, mas o escândalo aqui é ao contrário. E falar do NotW de cátedra em televisão é um must. Aplicar os mesmos métodos, isso agora não interessa para nada...
O ex-director do SIED, Jorge Silva Carvalho, saiu do posto de trabalho, onde se encontrava há anos, no início de Novembro de 2010, pretextando uma coisa qualquer que lhe ocorreu na altura. Parece que teria sido o corte de verbas no orçamento do serviço...
Na verdade, o que Silva Carvalho pretendia mesmo era trabalhar para alguém que lhe ofereceu uma proposta irrecusável, para citar uma passagem de um filme célebre ( O Padrinho). A entrada numa empresa privada saindo directamente de um serviço secreto não é proibida em Portugal. O ex-director do serviço nada fez de diferente do que um Daniel Sanches, também dirigente de um serviço secreto que aceitou trabalhar para uma Plêiade de Dias Loureiro, sem demasiados pruridos, tal como os lencastres bernardos que trabalharam nos ministérios e passaram depois para " a privada", num meio de intrigas e "confusões". Como é sabido tudo isso desembocou em siglas: SLN e BPN. E milhões a voar de offshore para offshore, com negócios que parece estarem a ser investigados. Parece...

Portanto, esse alguém era a Ongoing, empresa concorrente da Impresa de Pinto Balsemão, presidente e dirigente e dono do Expresso e outras publicações, mai-la SIC. O nosso pequeno murdoch, à escala nacional é um político jubilado, sempre com os direitos de militante nº 1 do PSD, mas apoiante de todos os sócrates que lhe dêem apoio para as empresas e chamado frequentemente para Prós & Contras do costume.
A Ongoing causa-lhe engulhos e em tempo de crise, a guerra já é aberta. O Expresso é apenas uma das armas.
E o seu director um dos lugares tenentes. Triste, mais triste que isto para um jornalista, não pode haver. Mas quem disse que tal indivíduo era mesmo jornalista? A carteira profissional? Até o Balsemão a tem!

11 comentários:

  1. O Expresso, Espesso para outros, enveredou pelo jornalismo tipo, Correio da Manha, sem til - estamos desgraçados, agora que acabou o Pim Pam Pum

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  2. Mas não é verdade que o Governo convidou o ex-director do SIED (Serviço de Informações Estratégicas de Defesa) e actual assessor da Ongoing, Jorge Silva Carvalho, para secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP)?

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  3. Wegie,eu nem quero acreditar que o governo o tenha feito.
    Se o fez, então o que o distingue do gov socretino em matéria de informações (que tanta dor de cabeça deu a alguma gente da actual situação) será ... nada. O que seria uma desilusão para toda a comunidade de informações.

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  4. As informações em Portugal são uma brincadeira. Um passatempo. Às vezes compensa, mas não compensa o esforço todo, financeiro e não só.

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  5. Pois são José!

    Por exemplo, em 2001 o Patrão do SIEDM, agora SIED era o Lencastre Bernardo.

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  6. Karocha, terei de a corrigir.
    O LB nunca foi director do siedm ou sied.
    Ele foi director do SEF e, julgo, foi antes desse ano que refere. Nesse ano ele trabalhava para o BPN.

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  7. Karocha, pode crer que não estou errado.
    Aconselho-a a consultar o sitio do sied. Na galeria dos DG's constam todos os que exerceram as funlões e em que períodos.
    LB esteve sim ligado à tentaiva falhade de criação de um serviço nacional de informações, no tempo em que era PR o gen. Eanes. Mas que, como referi atrás, não chegou a nascer, então.

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  8. Vitor

    Para certos assuntos não vou a sites, tenho os meus conhecimentos, dos sites tira-se e põem-se o que se quer!

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  9. Eu refiro-me ao site oficial do serviço.
    É que a memória às vezes atraiçoa-nos. E só conheço uma pessoa que nunca se enganava e raramente tinha duvidas.

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