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segunda-feira, junho 03, 2013

P´ra inglês ver...o pote continua sem fundo.

Sol:

Em três meses, a frota automóvel dos membros do Executivo diminuiu apenas três carros: passou de 186 para 183. O gabinete de Passos Coelho manteve até o mesmo número de viaturas: 26. Ao todo, o Governo dispõe de 413.

Os dados constam do Relatório do Parque de Viaturas do Estado (PVE) relativo a 31 de Dezembro de 2012, a que o SOL teve acesso e que foi concluído esta semana. O Governo tem falado várias vezes da necessidade de diminuir a frota automóvel e feito vários anúncios, mas, pelos dados oficiais do Ministério das Finanças, pouco tem mudado.

O documento discrimina as várias categorias de viaturas do Estado. Ao todo, existem 27.279. A administração directa (forças de segurança, Forças Armadas, etc) tem 21.493. A administração indirecta (institutos públicos, hospitais) tem 4.958. E as restantes entidades (embaixadas e consulados), 415.
Há ainda as secretarias-gerais dos ministérios com 230 e os gabinetes dos membros do gabinete com 183 carros. Destes, 87 são para representação e seis para uso pessoal – três para o ministro da Defesa, dois para a ministra da Justiça e um para o ministro da Administração Interna.
Cerca de 6,5% (1.774) são veículos apreendidos, em resultado de processos-crime ou de contra-ordenação. Alguns destes, os de gama mais elevada, são, aliás, usados por membros do Governo.
O anterior relatório, referente ao PVE no terceiro trimestre de 2012, elaborado pela Entidade de Serviços Partilhados da Administração Pública, apontava para um total de 27.533 viaturas. Nessa altura, havia 186 carros ao serviço dos gabinetes dos membros de Governo e 258 nas secretarias-gerais dos ministérios.

Muitas promessas
Em Julho de 2011, pouco tempo depois de tomar posse, Passos Coelho deu instruções para proibir os ministros de terem direito a carro para uso pessoal ou fora da agenda oficial. No início deste ano, havia a intenção de diminuir o número de viaturas e baixar a gama dos carros que seriam adquiridos. O Parlamento aprovou também nessa altura uma resolução do CDS a sugerir a redução para metade dos carros atribuídos aos ministérios.
Ainda recentemente, no início do mês, o ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira, anunciou no Parlamento que as empresas públicas e organismos da sua tutela vão deixar de ter carro e motorista para todos os vogais e presidentes das administrações para dar um exemplo de redução da despesa pública.


É pena porque este governo não é tipicamente jacobino, tenta fazer o melhor pelas contas públicas mas esquece uma coisa básica e simples: o exemplo vale mais que mil discursos.

Esta malta toma os eleitores por estúpidos e vão ter surpresas desagradáveis por causa disso.

16 comentários:

  1. Detesto sentir-me estúpido!

    Quando o Governo deixou de viajar em executiva foi duramente criticado por ser uma medida de mera maquilhagem, sem efeito prático que se visse.
    Concordando que não havia um efeito prático em termos económicos, entendi, contudo, que era uma boa decisão não por questões economicistas mas porque é preciso dar o exemplo e este deve vir de cima, como parecia vir a acontecer.

    Depois um gajo vê as nomeações e os carros e sente-se parvo. Eu sinto-me parvo.
    Fui enganado e tinha a obrigação de ser mais esperto.

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  2. Mas resumindo e concluindo, este Governo comprou algum carro novo?

    Fazem mais km que o Governo anterior?

    É que desta notícia, a única coisa que posso concluir é que este Governo diz publicamente, quantos carros é que tem, e quem os pode usar.

    O sócrates, o guterres, o durão, o cavaco, etc., alguma vez fizeram isso?

    Não lembro...

    Bolas, que este governo há-se pagar por ter e não ter cão!...
    .

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Da minha geração há uns quantos que terminaram o curso e não tinham emprego. Mas acabaram numa empresa municipal. Um deles ao fim de 9 anos nem tinha terminado a licenciatura em Direito em Coimbra mas já trabalhava como jurista, sem ter ainda o curso concluído, numa empresa municipal. Entrou pela porta dos fundos. O pai mexe-se bem na câmara municipal. Simultaneamente, tenho conhecidos com a licenciatura em Direito, sem reprovações pelo meio, que não têm trabalho. E conheço mais casos destes. Sei de um rapaz que não sabe escrever, mas mesmo assim, a muito custo, terminou o curso de Engenharia Civil num Politécnico em Faro. O pai fora presidente de uma junta pelo PSD, e mal acabou o curso teve emprego na empresa municipal dessa autarquia. Como conseguirá redigir documentos, se não sabe escrever? E pensar que há licenciados pela FEUP, em engenharia civil, no desemprego...

    Têm-me contado esquemas usados neste tráfico de influências, para dar emprego aos boys e às girls nas ditas empresas municipais. Um dos esquemas passa pela entrevista. Dão uma nota que contará 50%, e faz média depois com a média de curso. Quem está destinado para o lugar fica com nota máxima na entrevista. Um amigo, licenciado em Análises Clínicas em escola superior pública de Coimbra, com média 16 e sem reprovações, concorreu uma vez a uma vaga numa câmara do distrito. O outro candidato, relata, no dia da entrevista, cumprimentava toda a gente dentro do edifício da autarquia; tinha média 10, de escola privada. O meu amigo ficou sem a vaga: o concorrente teve nota máxima na entrevista, e ele nota negativa. Justificaram que preferiam alguém da terra, por conhecer melhor os campos do Mondego...

    E sei de casos mais flagrantes.

    Ora estas empresas municipais não existiam há uns anos. E as autarquias funcionavam. Agora existem e graças a elas as câmaras têm um poder local paralelo que duplicou o número real de funcionários públicos. E os gastos também. Há empresas municipais que até se dedicam a abrir discotecas de Verão e a organizar eventos, engordando as contas bancárias dos artistas pimba e de estrelas da TV. Isto é uma vergonha e ninguém tem coragem de acabar com o regabofe. Tenho um tio cuja mulher é irmã de um presidente pelo PS. O senhor criou há anos uma empresa municipal, e passou a acumular o salário de autarca com os mais de 3000 euros de director da dita empresa. Estes abortos são a coutada das elites políticas locais e o ninho dos jovens licenciados sem emprego ou incapacidade para estarem na economia real. Muitos um bando de inúteis que nem a licenciatura merecem. E simultaneamente jovens que estudaram, com médias de curso elevadas, em boas faculdades, estão no desemprego.

    A Esquerda, sempre tão preocupada com as injustiças sociais, não fala disto. Nem os movimentos bloquistas e comunistas, nem as associações de estudantes. As autarquias em Portugal são das principais responsáveis pela nossa desgraça mas permanecem intocáveis. Porquê? Até quando?

    O Governo compremeteu-se a reformar o poder local, quando assinou o memorando com a troika. O que fez? Uma reforma sem pés nem cabeça, que extingiu umas freguesias, para poupar 6 milhões de euros (valor dado pela comunicação social). Para inglês ver. Já passaram mais de dois anos e está tudo, portanto, igual.

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  5. a ugt-bes vai fazer greve geral:
    era pelo menos razoável que o tempo que os ditos funcionários permanecem nas repartições fosse aproveutado para emendar na Net a morada dos locais para onde se deslocam quase diariamente,

    vários anos depois:
    DIAP-rua do comércio 56-2º e não Campus da Justiça
    12º bairro fiscal-Alto dos Moinhos

    os picanços e avoilas deviam curar-se com o 'tratamento viegas'

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. No tempo da D.G.A.C. o director-geral daquela gaita ganhava pela bitola da função pública e regia aeroportos, navegação aérea e transporte aéreo. Esfrangalharam-na em três coutadas arvoradas à categoria de Institutos I.P. ou Empresas E.P.E. e os couteiros-mores daquela marmelada toda hão-de ter passado a ganhar com fausto de presidentes de conselho de administração, presidentes executivos e o diabo a sete. Somem-se-lhe as mordomias motorizadas e cartões de crédito destas sinecuras.
    Pois a navegação aérea (NAV) está por conta da Ouropa e é intocável pelo governo da republiqueta, os aeroportos (ANA) estão na mão de capitalistas franceses e o I.N.A.C. anda perdido sem despachar a regência do que lhe restou.
    Isto sou eu a pensar alto por causa das câmaras e seus sucedâneos E.E.M.. Outros hão-de pensar em desgraças como as sociedades comercias já se não limitarem à forma de sociedades por quotas, sociedades anónimas ou em comandita.
    O «empreendedorismo» precisava como de pão para a boca de novas formas de empresas, se e só se, regidas pelo Estado.
    Cumpts.

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  8. Este governo já meteu mais boys que qualquer outro anterior. Também são pagos pelas contas públicas.

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  9. Está tudo muito bem mas não percebo, naõ percebo mesmo esse fascínio por carros. É coisa de puta, só pode.

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  10. Eu nunca vi tanta politização da Administração Pública Central Directa e Indirecta. Nunca vi tanta nomeação por puro critério de bandeira, mesmo sob a veste de concurso via CReSAP, para inglês ver. (Até já acho melhor a nomeação da Assunção Cristas, sem concurso - obrigatório - com a finalidade de os nomeados adquirirem curriculum... via bandeirinha). Isto está numa decadência indizível.

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  11. os tempos apocalípticos são sempre de Revelação.
    uns sonham, outros executam

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  12. Depois da extinção dos governadores civis ficaram cansados...

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  13. Concordo com o Mentat.

    Mantiveram os carros que já tinham.


    Pelo que se lê não está a falar da aquisição de novas viaturas mas sim da manutençao de viaturas que já tinham sido adquiridas pelo estado.

    Saiem dados (relativamente) fiáveis cá para fora e começa logo um coro de criticas. Acho isto positivo pois dantes nem se sabia quantas viaturas o estado tinha pelo que não se podia criticar algo que nao se sabia.



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  14. "Este governo já meteu mais boys que qualquer outro anterior."

    Deste governo sabe-se quais e quantos os boys que foram metidos.
    Dos outros não se faz a minima ideia.
    Agora que é fácil saber que foram muitos mais, é!
    É só contar o "engordamento" constante dos quadros da função pública ao longo dos últimos 38 anos.
    É que de boys assessores, passavam a funcionários públicos.
    Vejam por exemplo, a filha do Almeida Santos.
    Mas que não haja complexos, do CDS ao Bloco de Esquerda, isso foi tudo igual.
    Se calhar não sabem que havia lugares reservados no BP e na CGD para todos os partidos.
    .

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  15. E também há a técnica de admitir um afilhado dum vereador como funcionário municipal num concelho, transferi-lo para outro, e lá fica mais um instalado.
    Neste assunto, o "consenso social" entre os mais diversos partidos era, e é extraordinário.
    Porque isto faz-se com cumplicidades inter-partidárias.
    .

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