terça-feira, 19 de novembro de 2019

Juiz Carlos Alexandre: a elementar justiça

Observador:

O Conselho Superior da Magistratura decidiu arquivar o processo disciplinar relativo ao juiz do Tribunal de Instrução Criminal Carlos Alexandre por declarações sobre o sorteio da fase de instrução do processo Operação Marquês.

“O plenário de hoje (terça-feira) do Conselho Superior da Magistratura decidiu, por maioria, pelo arquivamento do processo disciplinar relativo ao juiz Carlos Alexandre no que respeita às suas declarações em entrevista à RTP”, referiu à agência Lusa fonte oficial do Conselho Superior da Magistratura (CSM).


A Censura a este blog no Ministério da Educação e outros sítios oficiais...

Segundo mensagem que recebi este blog não pode ser acedido em certas escolas públicas, por eventual Censura de alguém do Ministério da Educação.

Já tinha sido informado do mesmo a propósito de certas autarquias.

Já disse e repito: estou-me nas tintas para as audiências do blog. Há  muito tempo que não vou sequer ver tal coisa. Escrevo essencialmente para me informar e organizar informação que assim fica arquivada, embora não despreze quem possa aproveitar tal coisa.

Porém, a atitude de censurar o que aqui se escreve, impedindo o acesso a este blog, é apenas isso: Censura.

E são as pessoas que censuram que depois apontam o dedo ao antigo regime por censurar...

Enfim.

José Mário Branco, o utópico do poder popular comunista

Morreu José Mário Branco um indivíduo que se notabilizou na oposição ao antigo regime, como comunista, fugiu para França, escapando à guerra no Ultramar que aliás entendia como "colonial" e nos entretantos compôs música e canções que ficaram gravadas em dois lp´s de antologia musical, do melhor da música popular portuguesa.

Politicamente, JMB era isto, em suma: um comunista  da velha cepa marxista-leninista, da luta de classes, com ideias de bloco de poder popular. 

"Eu continuo a achar que o motor que comanda isto tudo é a luta de classes, a exploração do homem pelo homem." (...)
A humanidade tem de pensar como é que se resolve este problema de vez. Não é cá com outra cantiguinha qualquer. É o sonho do Antero de Quental: "Não disputéis, curvado o corpo todo, as migalhas do banquete. Erguei-vos e tomai lugar à mesa". O Antero disse isto nos anos 70 do século XIX. Na altura era o sonho socialista.

(...)
continua a haver a exploração do homem pelo homem. Tendencialmente a esquerda é a favor do progresso e a favor de quem trabalha, dos mais pobres, é contra as injustiças sociais, como a acumulação de riqueza por poucos.


Esta ideologia é a do comunismo, do PCP ao BE. Tal e qual e JMB era exactamente isso, um comunista utópico.

Nunca me enganou, nem sequer logo a seguir a 25 de Abril de 1974, na primeira semana de revolução em que vieram de França os que para lá tinham ido , fugidos à tropa ou ao regime, como mostra a Flama dessa semana ( 17.5.1974) que logo nessa altura, fugiu  do Patriarcade o foi-se meter debaixo das saias dos bloquistas avant la lettre, com indivíduos de um jaez especial como Alexandre Manuel. O esquerdismo comunista passou a ser deste tipo:


José Mário Branco estava em França "exilado", mas publicava a sua música com letras cripto-comunistas, por cá.
Em 1971 e 1972 publicou  dois discos de grande qualidade musical que me encantaram sempre. José Mário Branco foi um grande músico, um indivíduo com talento para compor e arranjar e mesmo cantar.

Por isso mesmo o evoco aqui, na hora da sua morte, por causa da sua arte musical. A política é uma desgraça e uma tragédia.

Os discos são estes e foram ambos publicados por cá, sem censura de maior. Alguns temas passavam no rádio. Nem todos, claro:


Em Dezembro de 1971 teve publicidade de capa na revista Mundo da Canção e artigo desenvolvido no interior, escrito por um tal Tito Lívio, obviamente adepto da mesma causa:


No ano seguinte, em 1972, a Censura interveio e proibiu a circulação deste número que lidava com o segundo disco do músico, Margem de Certa Maneira e com outros discos igualmente "subversivos" ( sans blague) :






Portanto, não havia falta de informação sobre José Mário Branco e a sua música, antes de 25 de Abril de 1974.

Uma ou outra canção não era ouvida, por ser censurada. Por exemplo, a Ronda do soldadinho, lançada em single, em 1969 e  cuja primeira audição, para grande entusiasmo meu, na altura, foi logo nos primeiros dias após o 25 de Abril de 1974. Era uma "canção proibida" porque mencionava qualquer coisa a propósito de um soldadinho que fora para França para "fugir da guerra" e não regressara...enfim.

Logo depois do 25 de Abril, a mesma revista Mundo da Canção de pendor totalmente comunista na edição de Maio de 1974 publicou as letras. A do Soldadinho já era mais apimentada com laivos dos futuros FP25:




Em resumo: quando se evoca José Mário Branco na hora da sua morte, há o lado musical, artístico deste músico; e há o lado político, panfletário, comunista do poder popular e adepto de revoluções. Não me recordo de se ter desmarcado do PRP-BR ou das FP25.

Aliás, pouco tempo depois do 25 de Abril, fundou o GAC, o da Cantiga era uma arma...pelo que quem agora anda a pensar em condecorá-lo postumamente, devia ter vergonha.

José Mário Branco foi um comunista do poder popular, revolucionário que queria Portugal como um país desse tipo. Uma pátria de comunistas do género do costume: totalitários, repressores, assassinos quando é necessário.

A utopia de José Mário Branco nunca passou disto, por causa daquela ideologia esquerdista, do marxismo-leninismo com laivos de tintas trotkistas maoistas ou seja o que for que leve ao mesmo.

Uma seita de criminosos contra a Humanidade.

Quanto ao resto a música é outra.

domingo, 17 de novembro de 2019

Finito, Fernando Esteves

Está aqui quase tudo o que não devia ser o caso do Polígrafo, mas parece ser: uma aldrabice politizada e lamentável em prol de uma determinada força política e da sua organização social mais notória, a Maçonaria...


Já tinha desconfiado mas o autor do Polígrafo pareceu-me pessoa de bem. E será. O Bem é que não é exactamente o que deveria ser...

Um artigo obsceno e porco no Público

Este artigo de São José de Almeida, antifassista filha e neta de gente do mesmo género, é obsceno. Não é preciso dizer ou explicar muito porque escreve por si o que é.

Em dado passo: " Madureira ( é o Arnaldo, autor do livro sobre que se escreve) faz questão de contextualizar que esta década `foi particularmente violenta em toda a Europa, floresceram os autoritarismos e os totalitarismos, e também em Portugal, por exemplo, Rolão Preto criou brigadas de choque; é uma época em que há confrontos violentos de comunistas com legionários e com a polícia`.
Fica tudo dito para quem quiser entender porque esta gente se recusa a reconhecer o óbvio: que os totalitarismos que referem incluem exactamente o comunismo, com uma nuance: foi mais perverso, totalitário e com maior índice de terror sobre as populações em geral do que os outros totalitarismos. Matou mais gente que os outros totalitarismos. E ainda assim apregoam tal doutrina como se fosse de outro género e de outra espécie. E fazem mais: ao proclamar tal idiotice fazem-no com o sentido prosélito de quem nada esqueceu e pouco ou nada aprendeu.

A citação final é de antologia: " Na época, Cunhal é sobretudo um intelectual, escreve em revistas"...

É por isso que este artigo é obsceno, vergonhoso, porco:


Aqui há uns anos, aliás décadas, a editora Abril Cultural, brasileira, publicou em fascículos que foram organizados depois em seis volumes, a História do Século 20 e que também foram distribuídos por cá,  como era costume com tais publicações brasileiras, ao contrário de hoje.

Um dos fascículos era dedicado à Rússia de Estaline e às "Purgas", ou "O grande expurgo", precisamente o tempo que aqui é mencionado no artigo.

Este tipo de factos históricos tendem a ser esquecidos pelos comunistas portugueses, particularmente os que escrevem artigos de jornal como este no Público de hoje, afeitos que estão à récita apologética do comunismo que nunca passou deste totalitarismo, em nome de um povo que os derrubou em 1989 com o Muro que construíram.
Os comunistas portugueses, porém ainda hoje lamentam tal acontecimento porque sempre preferiram isto que aqui se mostra:


Para contextualizar historicamente tal época:

sábado, 16 de novembro de 2019

Roma não paga a traidores...

Sapo24:



Reunidos em plenário na sexta-feira, os trabalhadores da TSF decidiram, “com o apoio do Sindicato dos Jornalistas e do Sindicato dos Trabalhadores das Telecomunicações e Comunicação Audiovisual”, exigir ao presidente do Global Media Group, Daniel Proença de Carvalho, e aos acionistas Kevin Ho, José Pedro Soeiro e Rolando Oliveira um esclarecimento, por escrito e no prazo de dez dias, a várias questões que querem ver clarificadas.


Anos e anos a fio de jornalismo à voz do dono, deu nisto: falência. Aprendam!

Para além do mais este Proença e sus muchachos do trio los dos, não tem nenhuma rede de supermercados que lhe permita sustentar a chuchadeira deste jornalismo esquerdóide. Veremos como se safa da bancarrota...

sexta-feira, 15 de novembro de 2019

Bebé salvo do lixo: a realidade mais estranha que a ficção

Observador:

A história contada pelo sem-abrigo sobre o resgate do recém-nascido de um caixote do lixo, em Santa Apolónia, tem agora uma nova versão. Ao contrário do que Manuel Xavier tem descrito a vários meios de comunicação social e ao próprio Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, há dois sem-abrigo que descrevem como foram eles, afinal, que ouviram o choro da criança e a salvaram, depois de uma tentativa em vão de avisar a polícia. E, de facto, nas imagens recolhidas pelo sistema de videovigilância, junto à discoteca Lux, são estes dois homens que aparecem a retirar o bebé do contentor amarelo.

Esta versão da história já tinha sido contada há uma semana pela TVI por um homem que não deu cara. Esta sexta-feira a SIC identificou e conversou com João Paulo e Rui Machado, que apresentam uma versão diferente daquela que Manuel Xavier contou em vários programas de televisão, a jornalistas e até a Marcelo Rebelo de Sousa. O que lhe valeu algumas ofertas, incluindo uma casa.

João Paulo conta que andava naquela zona quando ouviu o choro de uma criança, mas, e nas suas palavras, “como tinha tomado metadona” julgou estar a alucinar. A certa altura João Paulo acredita mesmo que viu o bebé fora do contentor do lixo, então chamou o amigo Rui Machado.

Rui Machado ainda teve dúvidas do que João Paulo lhe contava, mas perante a sua insistência, acabou por convencê-lo a irem à PSP deixar o alerta. Mas as autoridades desvalorizaram e nem sequer registaram o caso.

Já à tarde, pelas 16h00, João Paulo voltou ao ecoponto e ouviu novamente os gemidos do bebé. Aproximou-se do contentor e percebeu de onde vinha o som. Então começou a chamar Rui Machado, que naquele momento se cruzou com Xavier dizendo-lhe que também viesse.

Filmagens de um vídeo amador mostram, de facto, três homens no local. Um deles estaria ao telemóvel atrás dos contentores, sendo ele Manuel Xavier. Enquanto os outros dois, que parecem de facto Rui Machado e João Paulo, forçam o contentor para conseguir alcançar o bebé. Rui Machado conta que depois enrolou o bebé a umas calças que ali encontrou e que ele se calou. Logo de seguida entregou a criança a uma mulher que também ali estaria e que ele acha que trabalhava na discoteca Lux. Aliás, foi para lá que a mulher levou o bebé e foi ali que foi assistido pelo INEM — depois de ter passado 15 horas no contentor e sentir frio.

Marcelo Rebelo de Sousa já reagiu a esta nova versão e, num comunicado oficial, mostrou-se disposto a receber em Belém os demais intervenientes. “Se em vez de um forem vários os que colaboraram nessa salvação, tanto melhor”, diz. Rui Machado, no entanto, critica o facto de Manuel Xavier estar a receber uma série de ofertas quando não foi o único que participou no resgate da criança.

A mãe da criança está presa preventivamente por suspeitas de homicídio qualificado. Com apenas 22 anos vivia na rua, depois de ter engravidado e se ter desentendido com uma irmã.


As tv´s  (salvo seja, a TVI e a SiC, porque a CMTV estava de sorna ao jornalismo pente fino, talvez por causa do caso da Grilo) levantaram a lebre: o assunto do bebé recém nascido que foi abandonado no contentor de lixo para morrer tem mais condimentos sociais que os que foram inicialmente mostrados. E mais protagonistas que o único que se mostrou e foi apaparicado pelo presidente da República que agora vai ter de refazer a rábula da exaltação de atitudes que deveriam ser normais e sem história. 

Seja como for, deveria aprender a lição e antes de se precipitar para uma câmara de tv em busca de afectos metálicos deveria procurar os verdadeiros e sentidos. 

Ainda vamos ver os restantes "sem-abrigo" a reivindicar as benesses concedidas ao que aceitou o exclusivo do salvamento...calando-se muito bem caladinho.  Enfim, uma tristeza que deveria envergonhar todo este jornalismo poligrafado.

ACTUALIZAÇÃO da telenovela ( passa na tv a todas as horas):

A ministra da Justiça, Van Dunem, foi hoje a Tires, visitar o estabelecimento e foi presenteada com  um repasto preparado pelas reclusas.
Vai daí, aproveitou a ocasião e já que lá estava foi visitar a reclusa de quem se fala. Para quê? Ela explicou, ao lado do director-geral das cadeias e serviços adjacentes, um magistrado do MºPº em funções de comissão de serviço. Disse que estava tudo bem com a reclusa Sara e saía "reconfortada".

Nem faço mais comentários, a não ser que esta indivídua é também juíza Conselheira do STJ e quer ir para lá quando sair da função política. Bem, querer, querer, queria mesmo era ir para o Tribunal Constitucional dirigir a corporação.

Estamos entendidos quanto ao estado do país.

O fascismo é o comunismo

Rui Ramos, Observador

Há discussões que um dia talvez pareçam absurdas. É o caso da que decorreu na terça-feira, na Assembleia Municipal de Lisboa, inspirada pelo voto do Parlamento Europeu, de 19 de Setembro, equiparando os crimes do comunismo e do fascismo. Como é possível fazer de conta que as ditaduras comunistas do século XX não oprimiram e assassinaram como as ditaduras fascistas?
A razão não tem a ver com qualquer diferença entre comunismo e fascismo, mas com uma iniciativa de Hitler: em Junho de 1941, ao invadir a União Soviética, empurrou-a, muito contra vontade dos seus dirigentes, para o lado do Reino Unido e, a partir de Dezembro, dos EUA. Até aí, a Rússia comunista não tinha apenas ajudado Hitler: tinha dividido com ele a Europa oriental, e imposto na Polónia, que ocupou a meias com a Alemanha, um terror tão sanguinário como o dos nazis. As potências ocidentais, antes de 1939, também negociaram com Hitler, como os comunistas gostam de lembrar. Mas a França e o Reino Unido não partilharam conquistas com os nazis, nem se dedicaram a exterminar milhares de pessoas em países ocupados, como os soviéticos fizeram a 22 000 oficiais polacos em 1940, em Katyn.
Desde 1945, porém, os comunistas usaram a sua colaboração com os Aliados para esconder essas e outras barbaridades. Mais: aprenderam até a invocar as abominações do nazismo para relativizar as suas próprias abominações, como os milhões de mortos da colectivização na Ucrânia. Ora, os comunistas não foram sanguinários por acidente: foram-no porque o ideal e o projecto comunista, tal como o ideal e o projecto nazi, implicavam a eliminação de grupos inteiros da população, em nome da homogeneidade social. Essa homogeneidade era, para uns, biológica, e, para outros, sociológica. Por isso, uns mataram em nome da “raça” e outros em nome da “classe”. Mas ambos mataram sistematicamente, assim como ambos instalaram tiranias onde a ideologia passou por ciência (como as teorias de Lysenko na URSS) e o convencionalismo secou a arte (compare-se a pintura oficial nazi com a soviética). Nem o comunismo deve servir para branquear o fascismo, nem o fascismo para branquear o comunismo.
Tudo isto deveria ser evidente. Não é, porque...


De facto estas evidências escritas por Rui Ramos não poderiam ser escritas deste modo em meios de informação de massa, em Portugal, sei lá, nem sequer há dez anos.

E porquê? Já o disse várias vezes aqui no blog que uma das razões de ser desta escrita, aqui, é tentar perceber a razão de tal fenómeno único na Europa.

Foi preciso o Parlamento Europeu dizer o óbvio para se desatarem certos atavismos e preconceitos e ver escrito coisas como esta, agora de Rui Ramos e outros que têm dito ultimamente o mesmo.

Ainda assim, os palhacitos do regime que temos, os ricardos pereiras e afins,  continuam a não ter qualquer vergonha ( por isso são palhaços) em se proclamarem comunistas ou ex-comunistas nunca arrependidos e muito chieirentos de tais opções ideológicas em prol dos pobrezinhos e da "igualdade".  Acham que lhes fica a matar e por isso comem fascistas ao pequeno almoço, sem engasgarem com a penugem de gambozino e ficam refastelados na estupidez endémica que os anima.


quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O Ministério Público em maus lençóis

No passado 3 de Outubro a revista Sábado revelava o seguinte a propósito do processo de Tancos:


A notícia referia que a Sábado tivera acesso a um despacho do director do DCIAP, Albano Pinto, relativamente a um processo, o de Tancos, no qual dera ordens escritas a procuradores titulares do inquérito para se absterem de determinadas diligências processuais em tal inquérito.
Tal despacho de 30 páginas não fora junto ao processo e fazia parte de documento avulso mas com incidência no mesmo processo, sendo uma ordem escrita dirigida aos titulares do inquérito, proferida literalmente à margem das leis de processo penal.

Escrevi aqui na altura que tal ordem se me afigurava ilegal e portanto passível de procedimento disciplinar relativamente a quem a proferiu.

Terá sido aberto inquérito disciplinar visando o director do DCIAP? Não se sabe, além do mais porque o CSMP que deveria lidar com o assunto remeteu para as calendas de um parecer do Conselho Consultivo a ordem de trabalhos de tal assunto. Veremos o que dali sairá...embora não se entenda como é que um Conselho Superior abdica de exercer precisamente um dos poderes que detêm, o de dizer o direito relativamente a estes assuntos e com discussão dos mesmos na hora e decisão na hora porque é tema suficientemente estudado e debatido entre especialistas.

Sabe-se pela Sábado de hoje que os titulares do inquérito em causa são agora visados em inquérito disciplinar para se apurar quem divulgou à Sábado ( a Eduardo Dâmaso, Nuno Tiago Pinto, Carlos Rodrigues Lima e António José Vilela) o teor do tal despacho apócrifo e que mereceu da PGR um comunicado antecipador da notícia da Sábado do dia 3 de Outubro em que se escreviam aparentemente informações no mínimo incorrectas e no máximo falsas, susceptíveis de outro inquérito disciplinar a quem o elaborou...



Ou seja, a direcção mais alta do MºPº, a PGR e o CSMP não conseguiram lidar com a divulgação de um despacho apócrifo que punha em causa a autoridade do DCIAP, legitimamente em função do assunto em causa e a importância que assumiu e mandou instaurar inquérito disciplinar para se apurar quem foi o autor da "fuga de informação".

Não creio que haja inquérito criminal porque afinal, divulgar um documento apócrifo que não faz parte de processo em segredo de justiça não será crime desse tipo.
 Logo as investigações disciplinares a cargo do inspector jubilado Gil Almeida, ficam necessariamente pela recolha de elementos documentais e a audição de pessoas sem as regras estritas do processo penal. 

De tudo isto resta que o MºPº não soube lidar com uma situação delicada que coloca em crise diversos princípios fundamentais e que continuam a causar maior dano à reputação do próprio MºPº do que a divulgação do tal despacho.

Erros todos podem cometer. Persistir no erro por uma questão de arrogância do poder é erro qualificado e acrescido e só desprestigia o MºPº

Cravinho e Constâncio: o mesmo paradigma que é o do PS corrupto

João Cravinho o ex-mes do PS que foi governante socialista logo nos primórdios das nacionalizações e bancarrotas e José Sócrates empurrou para cima em 2007, corrompendo-o com  um emprego de luxo num banco europeu, para o afastar e evitar incómodos desnecessários, escreveu uma longa carta à Sábado desta semana.

A carta é serôdia qb porque se refere a assunto com meses e anos em cima e tem como alvo principal a figura de homem e profissional do general Garcia dos Santos. É uma carta ignominiosa, sem qualquer vergonha que apoda do general de mentiroso, aldrabão e relapso na "torpeza abjecta".

Tudo porque o general ao longo dos anos denunciou o antigo governante Cravinho como um "compõe" do PS que contemporizou com a corrupção que ele próprio sabia existir na JAE e para a combater o tinha nomeado para tal empresa pública quando ainda era toda do Estado e lá andavam uns famigerados sete magníficos, com apelidos como Botto e Maranha.

O assunto foi glosado neste blog algumas vezes, sempre para traçar o perfil de Cravinho que me parece um habilidoso cuja honra se desvanece perante o general Garcia dos Santos, perante o seu percurso profissional e pessoal, mormente aquela história de 2007. Enfim, aqui fica o artigo, esperando que o general não se fique e lhe responda como deve ser. Estas pessoas estão habituadas ao poder de um certo PS que consegue sempre arranjar lugares de emprego para certas pessoas, a mais de vinte mil euros por mês, como é o caso. Só nisso, o general lhe ganha em honra, por longa distância ...



Lendo bem, tudo tem a ver com uma frase já por aqui comentada e que vinha inserida numa entrevista ao jornal i, já de 2012 ( a honra de Cravinho defere-se no tempo e carece de mais de dez  anos para ser defendida o que faz suspeitar dos motivos desta defesa a destempo, na Sábado de hoje...):

Assim, como explicava o general Garcia dos Santos, em 24.4.2012, numa entrevista ao jornal i e que em 2009 já tinha sido referido. Muito a tempo de parar a loucura Sócrates que estava instalada e conduziu a outra bancarrota, em 2011:

Quer outro exemplo? As auto-estradas, as Scuts. Eu tive uma conversa com o engenheiro Cravinho em que ele me disse que ia pôr a funcionar as Scuts. Eu disse: “Ó senhor ministro isso é um tremendíssimo disparate!”. A Scut é uma invenção inglesa, ao fim de pouco tempo os ingleses puseram aquilo completamente de parte, por causa do buraco que era previsível. Mas disse-me que o assunto estava exaustivamente estudado sob todos os aspectos, técnico, financeiro. Está à vista o buraco que são as Scuts.

Jornal i- E as PPP?
Garcia dos Santos- É a mesma coisa.

Jornal i-Quando saiu da JAE denunciou uma situação generalizada de corrupção. Acha que as PPP também se integram nessa situação? O Tribunal de Contas diz que houve contratos que lesaram o interesse público...
Garcia dos Santos-Tem que se admitir a possibilidade de haver ali corrupção, e da forte. Como é que se atribui a uma determinada entidade certos privilégios que não seriam naturais? É porque se calhar há alguém que se locuptou com alguma coisa. Infelizmente, outra coisa que funciona mal no nosso país é a justiça. Nunca chega até ao fim.

Jornal i- Foi colega do eng. João Cravinho no Técnico…
Garcia dos Santos-Foi por isso que ele me chamou para ir para a Junta. Sabe o meu feitio e quis que eu limpasse a casa.

Jornal i-Mas o que é que aconteceu? O eng. João Cravinho chama-o para limpar a casa, o senhor limpa, e depois zangam-se. O que se passou?
Garcia dos Santos-Fomos colegas no Instituto Superior Técnico. Houve um jantar de curso e nesse jantar o Cravinho a certa altura chama-me de parte e diz: “Tens algum tempo livre?”. E eu disse: “Tenho, mas porquê?”; “Eu precisava de ti para uma empresa”; “Que empresa?”; “Agora não interessa, a gente daqui a uns tempos fala”. Passado uns tempos chamou-me e disse-me: “Eu quero que vás para a Junta Autónoma das Estradas, mas não digas a ninguém que o gajo que lá está [Maranha das Neves] nem sonha”. O Cravinho deu-me os 10 mandamentos do que eu precisava de fazer na Junta, limpar a casa, obras que era preciso fazer, etc. Entretanto, comecei a conhecer a casa, dei a volta ao país todo e um dia disse-lhe: “Há aqui uma série de coisas que é preciso fazer e há 11 fulanos que é preciso pôr na rua”. Ele retorceu-se, chamou-me daí a dois dias, disse que era muito complicado. O problema é que era através de uma das pessoas que eu queria pôr na rua que passava o dinheiro para o PS.

Cravinho é um indivíduo que não me merece nenhum respeito e já o disse porquê, no perfil traçado desde 1974: é da mesma índole moral de um Constâncio, que me parece miserável: sabe da corrupção, aparece como paladino na luta contra a mesma, há mais de vinte anos e ainda assim quando tem os instrumentos necessários e suficientes para fazer alguma coisa, recua. tergiversa, manda outro no seu lugar fazer o trabalho sujo  que era limpar a JAE e aceita depois um lugar principescamente pago num banco europeu, corrido que foi pelo corrupto-mor deste país, segundo o MºPº que o acusou no processo Marquês.

Cravinho? Enfim...tem agora o filho no governo e se a acha sai à racha é melhor que maria não saia à sua mãe.


quarta-feira, 13 de novembro de 2019

O sistema convidou-os e eles aceitaram...

CM de hoje:



Há cerca de meia dúzia de anos, foi notícia a série de convites do sistema ao médico Cunha Ribeiro, o "dr. rabbit" que aliás era amigo do Porto, de Paulo Castro, o Lalanda.

Foi assim e dei aqui nota devidamente comentada:
´


As suspeitas eram tantas e de tal ordem que deveria imediatamente aparecer um inquérito com todos os métodos de recolha de prova admissíveis para se confirmar o que parecia evidente: favorecimento do Lalanda pelo dr. Rabbit, por serem amigos e por haver mais que ocasiões para manifestarem tal apreço interessado. Em milhões.

Parece que tal caiu em saco roto e o MºPº andou a caçar gambozinos que agora se transformam em laparotos que o dr. rabbit se calhar vai comer ao pequeno almoço. Uma tristeza de Ministério Público que temos...

Os factos que agora estão na berlinda são amendoins, quase. Viagens pagas pelo amigo Lalanda para o dr. Rabbit passear o seu desejo exótico acentuado e um apartamento de favor que gritava por tal situação logo que se soube. Ululava mas ninguém de responsabilidade quis ouvir.

Os responsáveis do ministério, incluindo uma tal Ana Jorge, médica do sistema e vários outros subalternos e "enxotas" das várias direcções gerais que tinham o dever de desconfiar da grossa corrupção à vista desarmada e fizeram exactamente isso: vista grossa. Não era nada com eles...

Tal como no caso dos vistos gold esta história não daria um filme mas apenas um livro se fosse bem escrito. Assim vai ficar como telenovela mexicana, com argumento escrito por uns procuradores que não sabem ler nem escrever como deve ser.

Quanto ao Fernando Esteve do Polígrafo: já me escreveu para aqui e por isso estou capitisdiminuído, porque me parece pessoa de bem.
 Apenas me parece que as pessoas tentam fazer pela vida e às vezes enfiam-se em buracos para a vida.



terça-feira, 12 de novembro de 2019

Diga lá...33 vítimas mortais de violência doméstica, este ano.

A contabilidade macabra continua a aumentar, como relata o CM de hoje:


Quem quiser saber o número de mortes por violência doméstica em Portugal escusa de procurar aqui, nos subsididados da APAV. Não tem lá o número embora tenham estatísticas em barda, para justificar existências. A APAV existe para se proteger a si mesma, como associação e pouco mais.

É preciso ir a outros lados para saber que em 2018 morreram dessa forma 28 pessoas. No ano anterior tinham sido 20 e este ano a conta já vai em 33!

O que falhou nos sistemas de protecção instituídos? É caso para os observatórios que pelos vistos pouco ou nada observam de eficiente. Não acertam nos diagnósticos porque...não sabem. Pura e simplesmente não sabem porque não estão preparados para saber, a não ser a auto-suficiência sempre pronta a enterrar a humildade necessária nestas coisas e portanto eivados de uma pesporrência incómoda e ridícula.

Trinta e três mortes num ano é record! E ainda mais quando se sabe que foi neste ano que se diligenciou pela obtenção de soluções para o problema que no início do ano fazia parangonas de jornal e agora nem vê-las.
O CM, paladino deste jornalismo tipo "pente fino" sempre a querer arrasar a concorrência lá concluiu que as notícias alarmistas sobre violência causam mais alarme e violência, o que é sabido há décadas e décadas.

Porém, o que falhou mesmo nas instâncias de supervisão e controlo?

A polícia não anda a policiar? O Ministério Público a ministeriopublicizar? Os juízes a ajuizar? O Governo a politicar? Andam, claro que andam. Mal, a meu ver.

Polícias, ministérios públicos e governos tentam conter o fenómeno da única maneira que sabem: aumentar a repressão. Erro fatal!

Hoje dá-se notícia de uma mulher que assassinou à facada o companheiro. Ao lado dá-se notícia da tentativa de um companheiro assassinar a companheira e a mãe, a tiro.

Nestes casos, a polícia vai policiar, o ministério público ministeriopublicizar e os juízes ajuizar. E o Governo a politicar enquanto as várias apavs e comissões continuarão a comissionar.

Debalde!

Até ao fim do ano as mortes ainda vão aumentar. E resta saber porquê. Porque ninguém realmente sabe e provavelmente se recusam a saber as verdadeiras razões. Porque incomodam e põem em causa tais poderes. Daí...