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segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A função social do imposto(r)

Observador:

Numa sessão de esclarecimento sobre o Orçamento do Estado para 2016, António Costa aconselhou os portugueses a andarem de transportes públicos, a deixarem de fumar e a moderarem o recurso ao crédito.

A estes, ao contrário de outros, nem o ridículo lhes mata a imbecilidade exposta.


imagem tirada da net eventualmente saída das "redes sociais".


Esta mania da esquerda letrada  na demagogia e que nos conduziu a três bancarrotas iminentes em 40 anos, primar pelos conselhos paternalistas desconchavados, tem antecedentes.

No Natal de 1975, há cerca de 40 anos e a escassos meses após a nacionalização dos principais sectores produtivos do país, da banca e dos seguros, pela Esquerda magnífica que hoje governa novamente com os resultados previstos, a crise económica era um facto. Grave, sustentável e que perdurou anos a fio. De facto, repetiu-se dez anos depois, com outra bancarrota imimente, salva in extremis pela ajuda externa do FMI e pela austeridade que nos foi imposta.
A culpa? É sempre de uma mítica "direita" que aliás nunca existiu em Portugal nos últimos 40 anos. A confusão com a social-democracia satisfaz a todos os "parceiros sociais" desta democracia que assim se amputou democraticamente e afastou do convívio quem não lhes interessa para nada. Para tal bastou apodar de fascistas todos os que contestam o comunismo como modo legítimo de organização política tendo ideias totalitárias e anti-democráticas.

A prova ?

Em 17 de Setembro de 1976 havia um jornal em Portugal chamado A Rua que era dirigido por Manuel Múrias, um salazarista convicto e dos poucos que não se adaptaram ao regime implantado em 25 de Abril de 1974.
Múrias era o que hoje se poderia classificar de "direita", não contemporizava com as hipocrisias da esquerda  e nem sequer era  fascista porque basta ler o que escrevia para se perceber tal coisa. Múrias era aliás um intelectual de relevo de uma direita que nunca apareceu em Portugal.
Pois bem, não sendo fascista passou a sê-lo por decreto da inteligentsia comunista e socialista da época que não tinha qualquer oposição a essa determinação ideológica firmada principalmente pelos comunistas. Todo aquele que fosse salazarista era ipso facto fascista também. E pronto. Foi assim até hoje, sem oposição visível de ninguém. E de tal modo que faz parte dos livros de ensino oficial tal designação.
Quem definiu os termos de distinção entre "direita" e "esquerda" foi Álvaro Cunhal e ninguém se importou com isso. 



O modo como é redigida a notícia sobre o jornal "fascista" A Rua é um compêndio da ideologia que nos rege há quarenta anos. 



Custa a acreditar como é que as pessoas não sabem disto ou não se lembram disto para contar aos filhos e avisá-los do que nos aconteceu.
Os livros de História oficial, os programas de tv, as opiniões de jornal e a inteligentsia nacional replicam uma visão histórica falsa e preferem andar a contar histórias da carochinha para enganar os que votam.
Isto dura há quarenta anos ininterruptos e quem é eleito fá-lo sempre no pressuposto de manter uma visão e uma versão da História que esconde esses factos e ilude as pessoas.

Em 23.12.1975, apenas saídos do golpe de 25 de Novembro que nos salvou também in extremis do poder da esquerda comunista a governar, O Jornal publicava uma  página que tem sido um resumo do nosso estado de sítio sempre que a Esquerda governa: crise económica, aumento de preços, de impostos, empobrecimento real e austeridade.

O aumento dos combustíveis e outros impostos tem sido sempre o meio de obter receitas inatingíveis pelo modo mais comum a qualquer país, ou seja através do aumento do PIB sustentado pelo investimento real de empresários capitalistas e de economia de mercado. Em Portugal tal coisa é mal vista pela esquerda que prefere a pobreza de todos ao enriquecimento de alguns.



O mais caricato e que tem paralelo com o que se passa hoje, com as declarações patéticas do Kosta que notoriamente anda a aprender a ser syriza bem comportado, foi o que ocorreu há quase quarenta anos, aquando da  referida primeira bancarrota.

Em 27 de Outubro de 1978, na sequência de mais um aumento da "gasolina" ( já era um hábito como modo de obtenção de receita, mas dessa vez foi maior do que o previsto) O Jornal publicou um artigo sobre o modo de poupar 10% na gasolina.

O mais curioso é que os aumentos ocorriam, tal como hoje, para angariar a receita que não havia, porém, simultaneamente os Kostas de então também achavam que tal coisa era compatível com o apelo veemente à poupança...na realização dessa receita. Quem não consome gasolina não paga imposto, claro. Mas aos Kostas o que interessa é que se consuma para que haja um valor maior nos impostos arrecadados. Assim, como resolvem o dilema? Com um artifício demagógico e usual: a função social do imposto.
A contradição fica resolvida: apelam a um menor consumo enquanto tal efeito se levado ao extremo eliminaria a receita esperada...

É a imposturice mais pegada, mas enfim é o costume.




A prova real sobre o Orçamento...


Observador:

A pressão dos mercados sobre a dívida soberana de Portugal aumentou esta segunda-feira fazendo subir os juros das obrigações no prazo dos 10 anos acima dos 3,3%.

Pelas 14h15 (hora de Lisboa), e num dia em que o índice ASE, da bolsa de Atenas, segue a afundar 7,89% para 464,13 pontos, penalizado pelo setor financeiro grego que caía 14,76%, os investidores manifestavam também “alguma incerteza” sobre Portugal, no primeiro dia útil após a apresentação da proposta de apresentação do Orçamento de Estado para 2016.

A taxa de juro das obrigações a 10 anos em Portugal subiu dos 1,744% do fecho na sexta-feira para 3,342% esta segunda-feira, o nível mais alto em seis meses
.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Comunismo: o mal crónico que é preciso extirpar

António Barreto escreve hoje uma crónica no Diário de Notícias que poucos com o seu estatuto podem escrever. Aliás, nenhuns porque não se vê ninguém a escrever tal coisa.

Essencialmente diz que o PCP tem merecido a condescendência permanente e o "resgate moral e político" que lhe fazem sempre os seus adversários, a começar pelos socialistas. E não merecem porque se assemelham aos fascistas e nazis e "devem ser colocados no mesmo pé".


Ninguém se atreve a dizer isto em Portugal e suspeito que tal condescendência se estende àqueles que não aceitam a democracia como modo de regime e preferem o autoritarismo sob qualquer capa ideológica, de preferência reaccionária...

Torna-se suspeita a ausência de crítica e de oposição ao comunismo e ideologia marxista da parte daqueles que defendem um salazarismo serôdio, por exemplo. É outras das condescendências.

António Barreto tem uma legitimidade intelectual e moral notável para escrever isto que escreveu por duas razões: foi comunista e tornou-se anti-comunista muito cedo, antes de 25 de Abril de 1974, quando "abriu os olhos" em Genebra, para o que se passou na Checoslováquia de 1968, por exemplo. Teve acesso à informação que descrevia o comunismo como um autêntico atentado permanente à liberdade individual e se regia pelo totalitarismo mais atroz, com gulags, polícia política indescritível e de terror permanente e controlo total da vida dos cidadãos.
O PCP defendeu e continua a defender tudo isso, adaptando-se porém ao tempo que passa à medida que perde terreno e assim tacticamente tem sempre actuado. O PCP é uma Mentira permanente mas ninguém tem a coragem de o dizer com a autoridade de António Barreto.


A  notoriedade de António Barreto como anti-comunista convicto tem uma história que merece ser contada porque imbrica no nosso principal problema político e ideológico: a preponderância da esquerda comunista na definição da linguagem política corrente.

Uma das bandeiras ideológicas mais profundas do PCP e da esquerda comunista em geral assenta na ideia de Reforma Agrária, essencialmente na colectivização da propriedade fundiária e na sua exploração pelo Estado que a reparte pelos intervenientes associados em cooperativas ou outros modos de exploração.
A colectivização da terra é uma das ideias essenciais do comunismo e por isso morreram milhões na antiga URSS de Estaline.

Em Portugal, em 1975 as nacionalizações orientadas pela Esquerda, com comunistas e socialistas a mandar também seguiram esse roteiro e no Alentejo foram expropriadas de facto inúmeras propriedades rurais pertencentes aos "agrários" que aí produziam o que de melhor tínhamos na agricultura extensiva: olival para azeite, sobreiro para a cortiça, pecuária, searas, etc etc.

Em 1975 foi um ar que lhes deu a esses terrenos dos "grandes agrários" que foram escorraçados, obrigados a abandonar o que lhes pertencia e as suas terras tomadas de assalto pelo "povo" em armas. Há um documentário alemão chamado Torre Bela que mostra isso tudo e um dos que podem falar de cátedra sobre o assunto é um tal Camilo Mortágua, pai das duas bloquistas engraçadinhas que andam por aí a dizer disparates e a contribuir para mais uma bancarrota em perspectiva.

Em 1975 o PCP embandeirava em arco com a Reforma Agrária que visava o que de facto já sucedia: expropriar as terras, roubá-las no fim de contas, para as entregar ao "povo" reunido em cooperativas mesmo que o povo não quisesse ( daí os milhões de mortos na URSS).

Em 19 de Dezembro de 1975 o PCP achava tal conquista irreversível...


Porém, cerca de dois anos depois frustrava-se a tal  irreversibilidade pela mão de António Barreto, então no governo de um PS rendido à evidência do perigo comunista que pretendia assaltar o poder com as tácticas do costume.
A. Barreto assinou uma lei celerada para os comunistas porque pretendeu pôr ordem na Reforma Agrária selvagem que os comunistas defendiam. Era uma simples Lei de Bases da Reforma Agrária. Portanto, uma lei de enquadramento de uma Reforma Agrária. Nem sequer era uma lei de reversão da nacionalização...mas para os comunistas era um crime ideológico sem perdão.
António Barreto foi crucificado por isso com manifestações histéricas do comunismo de sempre e que este artigo de 29.7.1977 demonstra.



Porque é que isto acontecia e o PCP continuava a ter este tempo de antena mediático e na opinião pública?

Por diversos factores e um deles é esquecido, mas não devia ser: o PS nunca se desvinculou completamente do PCP , como o prova o recente acordo de governo. Em finais de 1977, ao mesmo tempo que António Barreto tentava disciplinar a selvajaria das ocupações dos latifúndios de onde foram escorraçados os proprietários ( o tal Mortágua sabe como foi...) o mesmíssimo PS e o PCP tentaram um acordo como o de agora. Frustrou-se, é certo, mas a ideia não era estapafúrdia e não lhes era hostil, como às vezes se pretende fazer crer quando se passa a ideia sobre Mário Soares "lutador pela liberdade".  o certo é que este mesmo Mário Soares esteve quase a fazer um acordo com o PCP...como o demonstra este artigo de 17 de Fevereiro de 1978.


E porquê então esta condescendência que dura há mais de 40 anos? É um mistério mas há pistas para descobrir:

No mesmo O Jornal de 12.11.1976 dava-se destaque a um congresso do PCP em que se colocava a essência da mistificação: o PCP como um partido como os outros...
Era assim que se definiam os termos e a linguagem e a menção ao "enigma com 55 anos" um exercício de retórica para endeusar ainda mais o líder Cunhal que continuava a fascinar pelo seu apego arreigado ao totalitarismo comunista, nunca devidamente denunciado em Portugal nessa altura. 


Em 18 de Março de 1977 este mesmo O Jornal que é representativo da corrente ideológica do "socialismo democrático", portanto próximo do PS, dava páginas de entrevista a Álvaro Cunhal em que ele definia os termos de linguagem sobre as definições políticas de direita e esquerda em Portugal. São as mesmas de hoje, são falsas, enganadoras e míticas mas permanecem porque dão muito jeito ao PCP e principalmente ao PS manter essa Mentira.


 É por isso muito natural que em 12 de Maio de 1978 o mesmo O Jornal tivesse uma capa como esta, ilustrada por outro comunista ortodoxo, desenhador de génio, João Abel Manta. o "fascismo" estava bem definido e a ilustração vale mil palavras...
A ideia perdura até hoje perante a complacência da maioria na qual se inclui agora o próprio presidente da República eleito que contemporiza com estas enormidades porque carece de tal efeito.



sábado, 6 de fevereiro de 2016

É pouco para chegar à sociedade sem classes, mas foi o que se pôde arranjar...

Para o PCP o Orçamento sabe a pouco na caminhada para o socialismo e a sociedade sem classes, mas nada mais pode fazer, coitado. 5% de votos é o que lhe resta e espera que os sindicatos lhes dêem os restantes para arruinar o país de vez. "Quanto pior, melhor"...sempre foi o lema.

Observador:

O secretário-geral do PCP afirmou neste sábado que o “pouco e limitado avanço” que tem sido concretizado nas negociações com o Governo de António Costa não teria sido possível com o PSD/CDS-PP. “Corremos com o Governo PSD/CDS-PP e, se eles cá estivessem, nada deste pouco e limitado avanço que tem sido concretizado nas negociações com o Governo PS, nada disso teria sido alcançado. Antes pelo contrário, teríamos o PSD/CDS-PP a continuar a impor uma política de exploração e empobrecimento”, considerou Jerónimo de Sousa, num comício na Maia, distrito do Porto.

As batalhas da produção acabam sempre com o FMI à porta...


 Observador:

Combustíveis sofrem maior aumento do imposto em 16 anos. 

Austeridade no Orçamento é sinónimo de aumento de impostos sobre o consumo. Vão render mais 700 milhões de euros. Mais de metade virá dos combustíveis. Governo promete aliviar se petróleo subir.



A receita é velha e revelha e é sempre a mesma: quando falta dinheiro no Orçamento e é preciso arranjá-lo a todo o custo, o que faz o socialismo decano das bancarrotas? Aumenta o preço dos combustíveis.   
Foi assim em 1977, ano da primeira bancarrota iminente. 




Como é que o comunismo de 1975, depois de nacionalizar quase tudo o que  interessava e controlar a economia do país, resolvia a mesma situação? Simples porque é a mesma de hoje: com desenhos a explicar a "batalha da produção" E ainda por cima magníficos.




Ou então ideias fantásticas já experimentadas noutros países...





Em 1978, como isto não funcionou tivemos que pedir ajuda ao FMI. Como hoje.




E em 1985 foi outra vez a mesma coisa, sempre tocada pelos mesmos decanos das bancarrotas.
A solução encontrada depois de esgotados todos os meios é a mesma de sempre: chapéu na mão perante o FMI ou outros credores ( agora é a troika...)
 A tal batalha da produção  que os comunistas sempre advogaram e ainda hoje defendem como solução para os males da nossa economia falhou sempre. Os comunistas acham que falha porque não são eles a mandar e por isso tentam sempre tudo para obter um pouco mais desse poder. É o que fazem hoje em dia com a ideia peregrina da "democracia avançada" ou a "luta patriótica"...

A receita, essa, é sempre a mesma: bancarrota e austeridade a preceito logo a seguir. 



O antifassismo primitivo

CM de hoje:






Eduardo Lourenço é um intelectual do antigamente ( tem 93 anos...) e que viveu sempre no Sul de França. Isso não o impediu de escrever sobre Portugal e em 1976 até publicou um livrito emblemático no qual explana as suas ideias políticas embolsadas na época: um marxismo difuso que lhe garantiu sempre um lugar ao sol no panorama da intelectualidade lusa dos últimos 45 anos. Já recebeu medalhas do Estado por isso e apoia activamente este governo de frente unida de uma esquerda que geringonça por aí.





A ideia de fascismo denegado em tom irónico foi efectivamente corrigida uns anos depois. Porém, ficou sempre aquele travo da Esquerda sobre o fassismo que nunca desaparece da linguagem e daí o óbulo que este novel presidente lhe oferece: um lugar no Conselho de Estado que temos.

Quanto ao novel presidente e suas escolhas políticas não há que admirar. Logo em Setembro de 1974 alguém assinava em modo anónimo esta coluna no Expresso e se não foi o dito, ficou dito.

Em Portugal e desde então ninguém sobrevive politicamente sem a sua dose de antifassismo primitivo e esta homenagem ao intelectual de esquerda que se manifestava pelo fascismo afinal nunca ter existido é a prova de que esta mentalidade arreigou-se e pegou de estaca sem qualquer oposição.

Marcelo Rebelo de Sousa continua igual a si mesmo: filho de um fascista nomeia para o Conselho de Estado um antifascista militante da ideia falsa.
Portanto, trata-se de mais uma farsa das muitas que Marcelo já representou. Falta saber é se desta vez procura uma legitimação para além do voto ou um agradecimento pelo apoio. Com 93 anos será mais uma nomeação folclórica para compor um ramalhete de conveniências políticas e portanto nem uma coisa nem outra.

Ninguém sabe dizer o que era o tal fascismo embora o PCP o repita sempre a horas e desoras como um mantra afinado no cante alentejano.

Se pedirem uma imagem desse tal fascismo aposto que esta lhes serviria...



Ou esta, do álbum de memórias de José Hermano Saraiva publicado no Sol de 2007:




O fascismo português é um mito cuja origem remonta ao comunismo dos anos de clandestinidade com imagem retocada pelos artistas de sempre e já embalsamada como múmia a visitar.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Grande vitória moral da selecção nacional!

Observador:

Depois de semanas de intensas negociações com Bruxelas, o Governo cedeu mais às pretensões de Bruxelas e acaba por prometer reduzir o défice para 2,2% do PIB.

Kosta syriza e companhia limitada

Observador, Rui Ramos:

António Costa segue a receita do Syriza: não consiste em reverter a austeridade, mas em encenar um confronto internacional em que os seus erros passem por patriotismo, e todas as críticas por traição.

Reversão de tanta coisa, de uma só vez? Cedências sucessivas ao PCP? Picardias com o FMI? Confrontos com a Comissão Europeia? Que sentido faz tudo isto? Estarão malucos?

Não, eles não estão malucos.

Maluco estava quem acreditou que o PS sofria apenas do mal da oposição, mas que lhe bastaria chegar ao governo para sentir outra vez a responsabilidade, compreender os limites, reconhecer os constrangimentos. Doce ilusão. Durante quatro anos, os líderes do PS renegaram o memorando que o seu próprio governo negociou, atribuíram todas as dificuldades do país a uma conspiração “neo-liberal”, e cultivaram com esmero um ódio teológico à “direita”. Talvez não tenha chegado para convencer o eleitorado, mas chegou para se convencerem a si próprios de que valia tudo para afastar a maioria PSD-CDS, e que inverter as suas políticas era necessário, mesmo que não fosse realista. Que poderia um líder do PS fazer, depois de quatro anos de anti-austeridade?

Não, eles não estão malucos.

Maluco estava quem pensou que o apoio do PCP e do BE não teria consequências, nem custos. Era apenas o “alargamento da democracia”, iria finalmente comprometer comunistas e radicais na governação e iniciá-los na responsabilidade e na sensatez. Pouca gente quis admitir que o PCP e o BE não chegaram ao poder por terem mudado de ideias ou de métodos, mas unicamente porque um líder do PS derrotado nas eleições precisou dos seus votos para ganhar no parlamento. Se alguém teve de mudar até agora, foi o PS, como se viu no caso da educação, onde já quase renegou todo o seu passado governativo. É óbvio que conservar o braço sindical do PCP tem um preço, e é óbvio que o BE precisa de uma guerra com a “Europa”, até para justificar algumas votações. Mas que alternativa tem António Costa, depois de perder as eleições?

Não, eles não estão malucos.

Maluco, acima de todos, estava quem não aprendeu a verdadeira lição da Grécia. Para muita gente, a Grécia demonstrou que o radicalismo e o populismo, num país dependente de ajuda externa, servem apenas para dobrar as aflições. De facto, demonstrou. O Syriza e os seus aliados de extrema-direita começaram por anunciar o fim da austeridade, anular reformas, e inverter privatizações, para acabarem a agravar a austeridade, a retomar reformas e a prosseguir com privatizações. Visto de longe, pareceu o descrédito total das plataformas populistas e radicais. Mas que aconteceu a seguir? A seguir, o Syriza ganhou as eleições e, passado um ano, continua no poder. Tsipras mentiu, desdisse-se, fez marcha atrás, completou a ruína da Grécia, abandonou os últimos farrapos de soberania nacional – mas os eleitores mantiveram-no no governo. Não foi por acaso: Tsipras fez entrar os gregos numa espécie de II Guerra Mundial imaginária, em que se reservou o papel de “resistente”, e obrigou os seus adversários a fazerem de “colaboracionistas”. António Costa está a seguir a verdadeira receita eleitoral do Syriza: não consiste em pôr termo à austeridade ou à dependência, mas em encenar um confronto internacional em que os erros e as mentiras do governo passem por feitos patrióticos, e em que as críticas e os reparos das oposições figurem como actos de alta traição. Já era a fórmula de Hugo Chávez, que ele aliás copiou de Fidel Castro. O patriotismo, como ensinou o Dr. Johnson, continua a ser o último refúgio dos velhacos.

É por isso que durante esta semana toda a gente esteve preocupada, menos o governo. Se puderem fazer de conta que a “Europa” cedeu e aceitou um “acordo”, voltarão a Lisboa como Nuno Álvares após Aljubarrota. Se não conseguirem, dirão que bem tentaram, que esteve quase, mas que foram traídos pelos descendentes de Miguel de Vasconcelos, agora “neo-liberais” e ao serviço da Alemanha. Não, eles não estão malucos. Apostaram apenas em que somos parvos.

Ministros classe-média...

Observador:

Francisca Van Dunem é a ministra deste Governo com mais poupanças. Adalberto Campos Fernandes, o que mais dinheiro ganhava antes de ir para Governo. Ana Paula Vitorino, a mais endividada. Há dois ministros que declararam possuir Vespas e um que incluiu na lista de bens uma piscina. É isto que revelam as declarações de rendimentos que os membros do Governo estão obrigados a entregar no Tribunal Constitucional e que o Observador consultou esta quinta-feira (tem mais informação sobre o tema no artigo “Os bancos preferidos dos ministros de António Costa”).

A ministra da Justiça tem cerca de 220 mil euros em poupanças, mas a antiga procuradora-geral distrital de Lisboa não foi a pessoa que mais dinheiro ganhou em 2014, com o ministro da Saúde a arrecadar mais 180 mil euros em remunerações (167.202,29 euros em trabalho dependente e 13.617,20 como trabalhador independente).

No que diz respeito a rendimentos, nenhum ministro de Costa declara ter recebido menos de 47 mil euros – não estava disponível a declaração do ministro da Agricultura, Capoulas Santos. Quem recebeu menos foi o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que declara ter juntado 47.628,12 euros provenientes apenas do seu trabalho dependente — antes de ser ministro, foi presidente do Conselho de Administração da empresa Águas do Porto. No entanto, é também o ministro com maior património no seu nome, embora declare que mais de 400 mil euros em duas contas de que é titular pertencem aos pais, não entrando assim para a contabilidade das suas poupanças pessoais.

Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros, Constança Urbano de Sousa, ministra da Administração Interna e Francisca Van Dunem declaram todos ter recebido mais de 90 mil euros do seu trabalho em 2014.

Van Dunem é mesmo a ministra que declara ter mais dinheiro em depósitos a prazo, fundos de investimentos e planos poupança reforma. A ministra tem contas a prazo no Deutsche Bank no valor de 221.374 euros e ainda 22 mil certificados de aforro, com valor individual de “500 escudos”, embora não especifique quando foram comprados, o que torna difícil calcular o valor real destes títulos hoje em dia (pode rondar os 54 mil euros).

Logo a seguir está Mário Centeno. O ministro das Finanças, que é quadro do Banco de Portugal, declara ter no total 213.286,92 euros em poupanças, contando com a sua conta à ordem, que tem 29.319,22 euros e vários fundos de investimentos onde tem entre 3.085,88 euros e 33.443,72 euros. O responsável máximo pelas Finanças portuguesas tem ainda dois PPR – para ele e para a mulher – com um valor superior a 17.866,10 euros cada um.

Outra ministra com um património considerável é Maria Manuel Leitão Marques, que em investimentos e poupanças em bancos tem 199.354,81. João Soares, da Cultura, e Manuel Heitor, da Ciência, são os únicos ministros que não apresentam quaisquer investimentos bancários e não declaram contas à ordem com um valor superior a 50 salários mínimos — o valor mínimo para que os titulares de cargos políticos tenham de declarar as suas contas.

Mas os ministros não declaram só o dinheiro que têm, declaram também o dinheiro que devem. Neste Executivo, a pessoa com mais créditos é Ana Paula Vitorino, ministra do Mar, com um total de 362.635,99 euros. Um destes créditos, de 112.978,43 euros, foi pedido para pagar um apartamento em Lisboa, outro para pagar obras — no valor de 50.494,52 euros –, outro para comprar uma quinta em Santarém e ainda outro foi pedido para comprar um apartamento no Porto, do qual a ministra é co-proprietária
.


O que se pode dizer disto que é importante para se perceber quem nos governa e o país que somos? Simples: praticamente todos estes ministros estão ligados profissionalmente de um modo ou de outro, ao Estado. É este o nosso Estado Social verdadeiro que sustenta uma classe média que foi aumentando nas últimas décadas.

Sintomático ainda é que a ministra que mais dinheiro tem seja a ministra da Justiça, Francisca Van Dunem.
Esta senhora praticamente nada mais fez na vida profissional do que trabalhar no Ministério Público. Os magistrados, incluindo os do MP são a classe profissional que trabalha por conta do Estado, que mais ganha em termos nominais, ou seja, no papel das remunerações da função pública. Há cargos singulares ( por exemplo a Secretaria da AR) que paga mais, porém, em termos de classe profissional ( os políticos não são classe profissional...) os magistrados estão no topo da tabela. Tal como os diplomatas e os militares. Por uma razão que se compreende: não podem fazer mais nada e nada mais receber em acrescento, como muitos podem ( os políticos, por exemplo, os deputados). E são cargos superiores do Estado que lidam com órgãos de soberania. Todos os estados modernos reconhecem isso e pagam assim a esses serventuários.
E quanto é que ganha um magistrado do topo da tabela e que portanto esteja já no escalão máximo do STJ ou da PGD? Em termos líquidos nem chega a 5000 euros.  Coisa pouca para quem leu que os administradores das entidades reguladoras  e portanto de supervisão ( e o MºPº já foi considerado também uma entidade de supervisão) ganham 2 ou 3 vezes mais que isso, em termos líquidos.
Portanto para se poupar 200 mil euros, se se tiver encargos ( casa, carro, filhos, etc etc) é obra digna de apreço. É preciso poupar muito e sempre durante muitos anos e levar uma vida frugal e sem despesas avultadas. Não dá para ter filhos a estudar no estrangeiro, por exemplo. Nem para ter casas de luxo ou carros de idêntico porte.
A não ser que o cônjuge providencie pelo pagamento das despesas correntes e de capital. Nesse caso, sim, é possível poupar muito, sempre e durante muito tempo.

Ora a noção de proveito comum do casal, neste caso, implica necessariamente uma atenção ao cônjuge, aos negócios do cônjuge, aos interesses do cônjuge que afinal são em proveito comum.

Para bom entendedor...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A Grécia deixou de ser notícia nas tv´s...

Económico:

Mais de 50 mil pessoas saíram hoje à rua na Grécia para protestar contra a reforma das pensões, em dia de greve geral marcada por incidentes que paralisou o país.

Com marchas de cerca de 40 mil manifestantes em Atenas e 14 mil em Salónica, segundo a polícia, esta mobilização popular é a maior desde a chegada ao poder, há um ano, do primeiro-ministro da esquerda radical, Alexis Tsipras, que defende esta reforma exigida pelos credores União Europeia (UE) e Fundo Monetário Internacional (FMI)
.



Na Grécia foi igual...

Ontem:

OE fechado do lado português. Portugal vai mesmo virar “página da austeridade", diz Costa

 Hoje:

Bruxelas insiste: sem medidas de 950 milhões Orçamento é chumbado.


No fim de contas vamos continuar com austeridade. E ainda maior... espero é que se aprenda a lição por uma vez.

Na Grécia as sondagens mais recentes atiram o Syriza para as ruas da amargura e das manifestações violentas.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Louçã, o anacronismo caseiro em versão pós-moderna


Observador: "  Carlos Costa é “um perigo” para o país

“Creio que este governador demonstrou uma impreparação técnica, uma vulnerabilidade a pressões externas e uma incapacidade de consolidar o sistema bancário com o sistema de confiança para os depositantes que o torna um perigo para Portugal“, afirma Francisco Louçã.

Em tempos, sobre este mesmo Francisco Louçã já deixei por aqui e em várias ocasiões, considerações que me permitem dizer que este padreca laico é que é o verdadeiro perigo para o país que temos actualmente. O filho do Comandante Louçã, um capitão ( capitão de fragata, correspondente a tenente coronel  nas outras armas, segundo informação de um comentador, que agradeço)  que  borrou a pintura de uma vida no dia 25 de Abril de 1974, ao largo do Tejo, anda há anos a borrar o nosso panorama político com ideias revolucionárias saídas do mofo marxista e trotskista.

Esse é que é o verdadeiro perigo para o país!

Aqui fica um artigo de 3.9.2014

Francisco Louçã, hoje no Público:
(...)
Que o liberalismo é ou pode ser pouco liberal, é um facto bem conhecido dos historiadores. Um saboroso episódio pouco conhecido em Portugal revela essa ambiguidade essencial: Friedrich Hayek, esse guru do liberalismo moderno, escreveu em 1962 uma carta a Salazar, explicando a motivação para o envio anexo do seu livro The Constitution of Liberty, que o devia ajudar “na sua tarefa de desenhar uma Constituição que previna os abusos da democracia”. Mesmo considerando o prestígio a que Hayek se veio a alcandorar mais tarde, em particular depois de ter recebido o Prémio Nobel da Economia (em 1974, ex-aequo com Gunnar Myrdal, por um óbvio efeito de balanceamento político), este episódio revela uma atitude perante a liberdade e o Estado, incluindo uma ditadura, que é mais expressiva do que qualquer distinção honorífica.

Hayek voltou a este tema numa carta ao diário The Times em 1978, registando que, na sua opinião, tem havido “muitas instâncias de governos autoritários em que a liberdade pessoal está mais segura do que em muitas democracias. Nunca ouvi nada em contrário quanto aos primeiros anos do governo do Dr. Salazar em Portugal e duvido que haja hoje em qualquer democracia da Europa Oriental ou nos continentes da África, América do Sul e Ásia (com a exceção de Israel, Singapura e Hong Kong) uma liberdade pessoal tão bem protegida como acontecia então em Portugal”. Estas relações entre várias ditaduras e Hayek, incluindo a de Salazar, foram estudadas por autores como o economista Brad DeLong ou o cientista político Cory Robin.


(...)

Associar o liberalismo aos regimes autoritários, a Salazar, Pinochet e aos inimigos da democracia é o objectivo deste escrito de Louçã, juntado a essa utilidade a cereja agradável da associação do novel presidente do Conselho Europeu à troupe politicamente maldita.
Para isso não se coíbe de citar um par de jarras da intelectualidade académica do costume e repisar por contraste a sua natureza de democrata de algibeira esquerda.
Louçã, porém, não é um democrata. Será quando muito um cripto-democrata. Louçã, se tivesse o poder de Salazar, seria porventura o que os esquerdistas utópicos foram sempre nos países onde chegaram ao poder: repressores de liberdades individuais em nome de um interesse colectivo; polícias do pensamento divergente; matadores de iniciativas individuais economicamente produtivas; adversários de empresas privadas de produção de bens; organizadores de desgraças colectivas inomináveis que se repetiram sem excepção durante todo o século XX em todo o mundo.
Louçã tem um pensamento desgraçado, horrível e digno das páginas mais negras da História do século XX. Louçã é um anacronismo ambulante que não se dá conta que o muro caiu e não se pode reerguer por obra dos derrotados do estalinismo que queriam ser califas no lugar desse califa monstruoso.

Louçã  não é assim? Então é ler o que tem dito sobre tudo isso.
Louçã é um padreca laico do comunismo mais atávico travestido de linguagem modernaça daqueles jarretas do pensamento pós-utópico. A sua missa negra tem a homilia de um evangelho apócrifo e os paramentos cheiram a mofo.
Louçã existe porque Salazar existiu e será essa a sua maior desventura. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

As engraçadinhas em despique...

Económico:

A deputada do PEV, partido que tem acordo de incidência parlamentar com o PS, saiu ontem ao ataque ao Bloco de Esquerda por Mariana Mortágua ter afirmado que só a candidata Marisa Matias se opôs à solução do Governo para o Banif.

Em causa está um artigo de opinião da deputada bloquista, onde Mariana Mortágua escreve que "a única a rejeitar à partida a opção Banif" durante a campanha para as presidenciais foi a candidata Marisa Matias. O PEV não gostou o contra-atacou.

Na sua página no Facebook, a deputada Heloísa Apolónia acusa Mariana Mortágua de ter faltado à verdade. "É absolutamente falso", diz, vincando que durante a campanha o candidato apoiado pelo PEV e PCP, Edgar Silva, "contestou veementemente, a solução aprovada pelo Governo de António Costa. Heloísa Apolónia lembra até que o BE chegou a colocar a hipótese de votar a favor do orçamento rectificativo, o que, disse, lançar mais dinheiro dos contribuintes para a banca privada
".




Engraçadinha por engraçadinha, até prefiro esta...