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quarta-feira, 27 de julho de 2016

Ninguém liga ao que Medina Carreira diz...

Ontem na TVI, no programa Olhos nos Olhos, Medina Carreira e António Barreto fizeram o epitáfio deste governo bem como dos que lhe seguirem as pisadas. Ninguém quer saber, apesar das explicações serem simples: não temos capital e andamos a gastar demais, muito acima das nossas possibilidades. Pedimos emprestado ( no último semestre o Governo aumentou a dívida em 6 mil milhões de euros) e evidentemente não teremos capacidade para a pagar porque desde o ano 2000 que crescemos à taxa 0.

Medina Carreira foi ministro das Finanças no I Governo Constitucional, o tal que agora se comemorou a efeméride, com uma homenagem a Mário Soares. Esse governo durou pouco tempo porque em Dezembro de 1977 o PS que decidiu governar sozinho, apresentou uma moção de confiança na AR ( para obtenção de uma plataforma de acordo com os partidos e os parceiros sociais) que foi rejeitada por todos os partidos da oposição. Tal conduziu à queda desse governo e ao II governo também com Mário Soares e o apoio...do CDS, em Janeiro de 1978. Também não durou muito, por causa de Ramalho Eanes que lhe tirou o tapete...

Dez anos depois de 25 de Abril de 1974, nesta entrevista ao Expresso de 4 de Agosto de 1984 Medina Carreira explicou o que não lhe deixaram fazer nesse Governo e o que era preciso fazer nessa altura.
Tal como agora ninguém o ouviu...


A nossa grandeza foi há mais de 500 anos...

Século Ilustrado de 13.8.1960, reportagem sobre a inauguração do Padrão dos Descobrimentos  por ocasião da efeméride dos 500 anos da morte do Infante D. Henrique, o Navegador.






A mundialização da economia desenvolveu-se muito a partir das nossas descobertas...mas no séc. XVIII a Europa do Norte já nos tinha passado a perna,  pelo que os nossos mitos assentam num passado distante de muitos séculos.
A máquina a vapor surgiu em 1769, com Watt. O primeiro carro a petróleo apareceu em 1906, na América, com Henry Ford. A "conquista de África" pelas potências europeias ocorreu a partir de 1884, com a conferência de Berlim.
Nós já não éramos potência de coisa alguma, a não ser da saudade dos tempos das Descobertas...

terça-feira, 26 de julho de 2016

O vício da nossa dívida e a Censura que há

O Diabo de hoje:

 Como escreve o articulista,  porque será que "esta informação não abre telejornais?"
A resposta parece-me simples: quem alinha as noticias sabe que isto não pode ser dito assim. Se o for, como há uns tempos José  Rodrigues dos Santos o fez, a Esquerda cai-lhes em cima e perdem o lugar, eventualmente o emprego.

Censura, portanto, é o que temos para ludibriar o povo.

domingo, 24 de julho de 2016

A passarola das bancarrotas

Ontem alguém resolveu homenagear Mário Soares por ocasião da efeméride dos 40 anos passados sobre o primeiro governo constitucional que encabeçou após as eleições.

O Diário de Notícias de hoje publica uma notícia sobre a reunião de homenageadores com um texto que é um exemplo de branqueamento e desresponsabilização de um indivíduo que teve mais participação directa e afinal de contas responsabilidade, na génese das bancarrotas que nos afectaram nestes últimos 40 anos do que qualquer outro.


Torna-se um clássico deste género de branqueamentos jornalísticos que duram há 40 anos, ler que António Costa enalteceu as virtudes do homenageado, dizendo que nessa altura , esse primeiro governo de Mário Soares "fez muito em pouco tempo".
Tal significa esquecer os antecedentes dos dois anos anteriores e principalmente o que veio a suceder com a aprovação da Constituição de 1976 em que Mário Soares e o PS tiveram um papel determinante para o nosso atraso económico, durante décadas, subscrevendo, apoiando e participando na estruturação do novo sistema económico que nos tirou o capital que precisávamos e continuamos a precisar. Os resgates ocorrem por não termos esse capital e quem o escorraçou foram os adeptos desta geringonça que agora governa e nessa altura andavam de passarola.

Para mostrar o que este miserável jornalismo de lambebotismo ambiente tem feito ao longo de décadas, mostram-se uns recortes de jornais de época para que se conheça o que essa gente não relata, por desconhecimento, ignorância, má-fé ou pura censura democrática.

O primeiro é do O Jornal de 25.6.1976 em que se mostra o que seriam "os grandes problemas do novo governo PS". Um deles era a "coordenação económica" e estavam já indicados os "nomes" dos génios: Rui Vilar, um dos apaniguados-mor deste regime era um deles. Vasco Vieira de Almeida, um dos advogados deste regime, era outro.

O "Pensamento de Che Guevara" era livro recomendado...pela Bertrand cujos trabalhadores, no ano seguinte, boicotariam o lançamento do segundo volume do Arquipélago Gulag de A.Soljenitsine, privando os ascendentes da Rita Rato de matéria para lhe explicar o que eram os gulags...



Em Setembro desse ano o panorama gerido por estes génios, era este: uma bancarrota em perspectiva salva in extremis com dinheiro estrangeiro e medidas de austeridade que pareciam nunca terem fim. Gasolina a aumentar, tabaco a aumentar, inflação sempre a subir.

É desta obra que se orgulham e estão a homenagear um dos principais responsáveis?!


Um dos modos de resolver este problema já vinha do ano anterior...como relata o Expresso de 31.5.1975: ouro da "pesada herança" do tempo de Salazar e Caetano...e o resto, "austeridade". Como hoje.

Estes génios apesar de terem na mão 2/3 da Economia e orientarem de facto a politica económica nunca conseguiram melhor do que conduzir o país a duas bancarrotas. Uma logo a seguir e outra menos de dez anos depois, em 1984, com Mário Soares sempre ao leme. É disto que se orgulham  e homenageiam?!


 Para além do problema económico,resolvido do modo assinalado por aqueles dois ou três génios que acabaram por encher os bolsos ao longo das décadas, certamente em retribuição pela obra meritória em prol da Pátria, que outro problema se agigantava?

O do trabalho, por exemplo, tinha sido resolvido de um modo peculiar e sem paralelo na Europa de então: o Decreto-Lei nº 372-A/75 de 16 de Julho, em pleno PREC assegurava todos os direitos aos trabalhadores, na sequência da Constituição aprovada que tinha garantido o paraíso para os trabalhadores por conta de outrém e o inferno para os empregadores, esperando assim obter o nirvana económico.
Ainda assim, esse paraíso depressa se mostrou exíguo e em Outubro de 1976 estes mesmos génios acrescentados por outro chamado Vítor Constâncio, do mesmo naipe, capitaneados por Mário Soares, afinal acharam que era preciso fazer o que o PCP não queria, nunca quis e ainda hoje anda a refutar, pela luta contra a "precariedade": os contratos de trabalho a prazo, inventados por esse primeiro governo constitucional para remendar o desastre daquele diploma que prometia o paraíso aos trabalhadores.
É ler o Decreto-Lei 781/76 de 28 de Outubro  ( a lei dos contratos a prazo) e perceber a aldrabice em que o PS se especializou sempre sob o comando de Mário Soares...porque foi o instrumento que permitiu verdadeiramente a tal precariedade, uma vez que as entidades patronais da época e posteriormente achavam e continuam a achar que o paraíso de uns não pode ser o inferno de outros...

E o outro problema magno, o da Educação, como é que estes génios o resolveram? Fácil e já foi aqui explicado: um dos génios apontados à pasta era Rui Grácio. O mesmo que acabou com essa coisa bizarra de haver escolas comerciais e industriais para quem quisesse seguir o ensino técnico e os liceus para quem quisesse seguir para os cursos superiores das faculdades existentes.
A divisão era entendida pura e simplesmente como classista e prejudicava os filhos das classes trabalhadoras em proveito da "burguesia". Foi exactamente por isto e nada mais que aquele génio, infelizmente já desaparecido, acabou com a separação e inventou o "ensino unificado".
Com os resultados brilhantes que estas décadas evidenciaram: a maior imbecilidade de sempre, na Educação.

Portanto, esses três grandes problemas ficaram assim resolvidos pelo primeiro governo constitucional e de facto este governo fez mesmo "muito em pouco tempo". Tudo mal, quase. De resto deu continuidade ao que já vinha de trás e que era incrível o que se fez em dois anos de democracia conquistada em 25 de Abril de 1974.

No fundo qual era  o verdadeiro problema que tínhamos? É simples de enunciar e os jornais de 1975 explicavam claramente para quem sabia ler ( o que era raro, nesse tempo...):


Como é que isto se passava perante o país, sem grande sobressalto a não ser o de entregar o Governo ao referido Mário Soares e sus muchachos, com os resultados apontados e que agora celebram, sem pudor algum e memória nenhuma?

Passava-se assim, como explicava o Expresso de 25 de Abril de 1975, num artigo assinado por Helena Vaz da Silva: a imprensa estava toda, mas mesmo toda nas mãos dos democratas que nos fizeram a folha das bancarrotas. O pluralismo informativo era uma quimera e toda a gente aceitava este estado de coisas.

 Para assegurar melhor a permanência desta fantasia política os génios de então, do lado do MFA inventaram uma lei de Imprensa para amordaçar certos desviantes, sem qualquer prurido e sem se darem conta de que estavam a fazer exactamente o mesmo que não admitiam ao governo de Salazar e Caetano: a Censura pura e simples.

Este era o projecto de lei de imprensa de Agosto de 1975 que garantia a qualidade democrática pura e dura...



Pior ainda: em complemento lógico desta gigantesca e irrepetível lavagem ao cérebro colectivo que nem Salazar ou Caetano tinham logrado imaginar como possível ou desejável, o mesmo Expresso cujo director agora foi tecer loas ao homenageado, numa lógica absolutamente coerente, publicava entrevistas com indivíduos mentecaptos, loucos que não se curaram nestes últimos 40 anos e ainda andam por aí à solta, com todo o perigo que exalam.

Eis Arnaldo Matos numa entrevista em 9.8.1975, cujo conteúdo poderia ser o mesmo de hoje, com as devidas adaptações do tempo histórico entretanto decorrido.

Era isto o Expresso de Balsemão e Marcelo Rebelo de Sousa  e não admira que Portugal esteja como está... com o trabalho destes génios, como o que agora foi homenageado.



sábado, 23 de julho de 2016

José Sócrates: a pessoa que destruiu mais valor, em Portugal?

Hoje no Sol, o escrito de José António Saraiva retoma o tema de José Sócrates e o seu "maior crime" que foi a destruição do valor da PT:


O CM de hoje também pega  no tema:

Portanto, o assunto é o que se passou na PT e no negócio da venda da Vivo para a compra da OI. O caso foi mencionado por aqui, há cinco anos, em Abril de 2011,  com o título "A fina flor do entulho", referindo-se a certos banqueiros que agora são mencionados diariamente nos media...

Ricardo Salgado, se isto se provar tem que pagar criminalmente por esta tragédia e devia estar preso preventivamente.


Imagem do Sol de 15.4.2011

Estes são os banqueiro portugueses. Estão à rasca porque se endividaram demais, empanturrando-se em alavancagens. Agora precisam de 37 mil milhões ( pelo menos) nos próximos três anos.
Estes cinco banqueiros enterraram-se em dívidas, à semelhança dos portugueses dirigidos por um Partido Socialista que governou praticamente nesta última dúzia de anos.

Há um deles que descende de banqueiros que lidaram com Salazar e Caetano: Ricardo Salgado. Os pais e avôs souberam lidar com a ditadura mas não impunham regras à ditadura como este descendente impõe à democracia, incentivando despesa pública para a financiar. Parte dos nossos problemas a ele se devem. À sua cupidez natural e falta de ética de responsabilidade social e nacional. Provas?

O comunista António Vilarigues apresenta-as hoje no Público:

" Contas feitas pelo economista Eugénio Rosa ( uma espécie de Medina Carreira alternativo e sem projecção mediática, mas com maior rigor matemático- nota minha) indicam que segundo os dados do Banco de Portugal, no período 2000-2010, a dívida total líquida do país aumentou 269 por cento. A dívida líquida externa do Estado cresceu 122,6, por cento, menos de metade do crescimento da dívida do país. Mas a dívida líquida da banca e das empresas ao estrangeiro aumentou 629,2 por cento(!!!). Isto é, cinco vezes mais que o aumento percentual da dívida externa do Estado."

E continua:

" Uma das características da actual crise é a transformação da dívida privada, contraída pelo sistema financeiro com as suas trampolinices e "lixos tóxicos", em dívida pública a ser paga por todos nós. No caso de Portugal, os dados são esclarecedores. Desde 2008 ( em euros) a banca portuguesa recebeu quatro mil milhões dados pelo Governo; 20 mil milhões em avales; cerca de 7,7, mil milhões ( ou quase cinco por cento do PIB de Portugal) enterrados no BPN, dos quais dois mil milhões já aparecem nas contas públicas; cerca de 450 milhões no BPP; cerca de quatro mil milhões ( 2008 a 2010) só em juros roubados dos nossos impostos no esquema de "eu ( banco português) vou ao BCE pedir a um por cento e empresto-te a 4, 5 a 6 a 7, a 8 a 9...por cento"; para pagamento do IRC a rondar em média os 10 por cento ( quando a taxa é de 25 por cento); no OE para 2011 avales no valor de 20,181 milhões e ajudas para aumentos de capital de 9,146 milhões; lucros líquidos em 2010 iguais aos de 2009- cinco milhões de euros por dia- pagando metade dos impostos."

E pergunta o articulista comunista: " E dizem que já não aguentavam mais sacrifícios?" E acrescenta ainda: " o comissário europeu para os assuntos económicos revelou que "é quase certo" que parte dos 80 mil milhões da chamada ajuda para Portugal será canalizado para a banca portuguesa."

Dito isto talvez valha a pena acrescentar que aquela fina flor do lixo em que transformaram os seus bancos, assim considerados pelas agências de rating, merecem um castigo nacional. Não deveriam ficar impunes nesta desgraça porque são autores, co-autores e cúmplices do desgoverno da última dúzia de anos.

O dito Ricardo Salgado ainda nem há muito tempo, numa daquelas entrevistas de quem sente o rei na barriguinha cheia dizia que o primeiro-ministro Inenarrável que ainda temos, era um político aceitável e
E disse também que eram precisos os tais mega investimentos. E não foi assim há tanto tempo...
Tal como não foi assim há tanto tempo- Outubro de 2009- que em entrevista à TSF disse isto:
Ricardo Salgado considerou Teixeira dos Santos «dos melhores ministros das Finanças que Portugal jamais teve».«Na minha opinião pessoal, é muito bom para o nosso país» que continue à frente do Ministério das Finanças, no novo Governo apresentado por José Sócrates, defendeu.
Entulho, disse? É pouco. Talvez responsável directo pelo "lixo tóxico".


ADITAMENTO:

Entretanto o principal visado, José Sócrates e sus muchachos estão de nariz empinado a fustigar quem investiga fazendo dos investigadores uns salafrários e uns criminosos... e autores de coisas infamantes que dezenas de juízes de tribunais superiores já consideraram sustentáveis e credíveis. Para aqueles, no entanto, é tudo de outro mundo e nada com eles.

 Económico ( um jornal que apareceu por causa da Ongoing...em que Sócrates também teve o dedo):

Questionando o aparecimento de novas suspeitas sobre si no âmbito da "Operação Marquês" em que é arguido e a indefinição dos prazos para a acusação, o ex-primeiro-ministro José Sócrates deixou acusações ao Ministério Público: "O que se percebe é que a táctica do Ministério Público é sempre igual - cada vez que tem um prazo para concluir a acusação apresenta novas suspeitas", afirmou em Chaves.
"E até quando é que o Estado tem o direito de apontar um dedo a um cidadão e considerá-lo suspeito? Isto não tem prazos? O Ministério Público acha que faz parte da sua autonomia não ter prazos? Não, não é assim. O que eles estão a fazer deste processo é um processo que devia ser justo e exemplar num processo infame", criticou.
"Até onde é que os responsáveis da investigação querem levar esta farsa e este embuste? Eu acho que isto já vai passando a mais, porque realmente levantar suspeitas sobre suspeitas, passar de Argélia, Angola, das PPP para todos os actos do Governo qualquer dia me julgarão, enfim, contribuindo também com um pouco de espírito, como responsável por tudo desde as guerras peninsulares", considerou.

quinta-feira, 21 de julho de 2016

O Nacionalismo queque

No final dos anos oitenta do século passado, apareceu O Independente, jornal semanário dirigido por Paulo Portas e Miguel Esteves Cardoso. Aparentemente não eram de esquerda, como o actual PR também não parecia ser...

Em 19 de Agosto de 1988, o jornal publicou quatro páginas sobre produtos de origem estrangeiras que tínhamos por cá, à venda, ainda antes de entrarmos de chancas na CEE. A palermice da escrita ia ao ponto de se declarar " a CEE vem aí e nós cobrar-lhe-emos a factura das Descobertas"...

O estendal de produtos de consumo que importávamos então acompanhava o fenómeno da crescente globalização e contrastava com o proteccionismo mitigado que é apanágio de um nacionalismo então de algum modo proclamado pelos próceres do jornal.


Ainda sobre essa ideia nacionalista em contraposição ao cosmopolitismo globalizador estes dois artigos de Miguel Esteves Cardoso mostram o estado da arte de então...

Independente 3.3.1989 em que MEC enuncia uma ideia particular sobre o Nacionalismo:

Independente de 3.7.1989, contra a Europa e a globalização, em nome de  uma ideia qualquer, mal digerida, em que se equaciona o Nacionalismo com a entrada na CEE. Ideia aliás muito actual...


O Nacionalismo de Salazar não envergonha ninguém...

Acerca da ideia de Nacionalismo que foi expressa por Pedro Soares Martinez, um salazarista convicto, talvez seja interessante registar aqui algumas ideias do próprio Salazar acerca do conceito e que foram publicadas no livro La Pensée de Salazar, edição do SPN, s/d.


"O nacionalismo do Estado Novo não é nem poderá ser jamais uma doutrina de isolamento agressivo-ideológico ou político-porque se incorpora, como aliás toda a nossa história, na obra de cooperação amigável com outros povos. Também o consideramos afastado do liberalismo individualista, nascido no estrangeiro, e do internacionalismo de esquerda que outros sistemas téoricos e práticos, nascidos também no estrangeiro, por reacção contra os mesmos.

Será reconhecido um dia que Portugal é dirigido seguindo um sistema original, particular à sua história, tão diferente de todas as outras, e desejamos que se compreenda bem que não afastamos os erros e vícios do falso liberalismo e da falsa democracia para abraçar outros que podem ainda ser maiores, mas ao contrário, para reorganizar e fortificar o País junto a partir dos princípios de autoridade, ordem, tradição nacional, em harmonia com essas verdades eternas que são felizmente o património da humanidade e o apanágio da civilização cristã .

A fonte principal dos ensinamentos que recebemos, a fonte onde fomos buscar inspiração para as grandes linhas da nossa construção política foi a nossa história, a tradição, o temperamento, a realidade portuguesa, numa palavra. Desta pretendemos extrair tudo o que do passado permaneça vivo e fecundo e dos tempos novos, tudo o que pareça constituir uma aquisição segura e uma aspiração legítima para o progresso geral e para uma melhor compreensão da justiça.

A Nação, para nós, é una e eterna; nela não existem nem classes privilegiadas nem classes inferiores. O povo somos nós todos mas não havendo oposição da igualdade, a justiça exige que a maior solicitude vá onde se encontram as maiores necessidades: não se é justo quando não se é humano.

Eis a nossa tese e a nossa posição: nacionalismo intransigente mas equilibrado, que simplifique a solução dos problemas mundiais utilizando o quadro natural da divisão em nações, que trabalhe com o sentimento da solidariedade internacional para a qual contribui através do activo das suas realizações e que não ofenda nem contrarie os interesses superiores pela actividade desenvolvida no plano nacional.

A universalidade da ideia e acção no curso da evolução católica e europeia, ao serviço da elevação moral e material da espécie, eis a característica da história do nosso país.

Apertados na faixa ocidental da península entre o imenso mar e vizinhos poderosos, estamos condenados a viver em cada instante o drama da nossa vida. Mas, sob o olhar benevolente da Providência, contamos já outro séculos de trabalho, de sofrimentos, de lutas, de liberdade. Se há sempre o mesmo perigo, há também, sempre o mesmo milagre.

Poderá negar-se o que há de mais evidente e mais palpável na nossa obra, mas o despertar da consciência nacional, o prestígio de Portugal no mundo resplandecerão sempre: por toda a parte, o orgulho de ser Português rejuvenesce o sangue dos portugueses e permite que as cinzas heroicas de ontem repousem tranquilas no seu túmulo.


Essencialmente parece-me ser isto o Nacionalismo de Salazar que resumia numa frase o espírito dos direitos da Nação: “nada contra a Nação, tudo pela Nação.
Uma Nação não se confunde com um partido; um partido não se identifica com o Estado; o Estado na vida internacional não é um sujeito mas antes um colaborador associado.
O Povo na simplicidade da sua alma e espontaneidade dos seus sentimentos é sempre a fonte viva do nosso nacionalismo.”

“A grande força de progresso social e político representada pelos nacionalismos parece jogar um papel benfeitor apenas na medida em que se exerça no terreno da competição pacífica; de outro modo conduzirá a tornar ainda mais difícil a resolução de problemas que se colocam e pelo facto de despertar nacionalismos rivais.

E sobre o outro lado, o dos actuais "patriotas" da geringonça, ou seja sobre o Internacionalismo:

"Em lugar de se caminhar para uma melhor humanidade, mais fraterna ou pacífica, minou-se a segurança interior dos Estados, desbastou-se a coesão nacional, permitiu-se a criação de partidos políticos tendo uma acção e uma influência exteriores, quer dizer,  foi-se avante na hegemonia de um partido que ao mesmo tempo que parodia a raça eleita do Senhor, comete o sacrilégio de prometer a todos os povos a redenção pelo crime.

O internacionalismo aqui em evidência não é outro senão o comunismo…

O jacobinismo nunca dorme...nós é que sim.

Há cerca de dois anos, um tal Sá Fernandes, intelectual de elevada craveira e que dizem que trabalha na Câmara Municipal de Lisboa, decidiu no seu pelouro de vereação acabar com uns emblemas ajardinados e antigos, que existiam na Praça do Império, em frente aos Jerónimos.
Tais emblemas incluem brasões e símbolos da nossa portugalidade e remontam ao tempo em que ainda tínhamos colónias, como uma boa parte dos países europeus.
Em 1940, para comemorar os 800 anos da nossa nacionalidade e os 300 anos da restauração da mesma, fez-se uma exposição em Lisboa que foi chamada do Mundo Português e foi nessa altura que se construíram pavilhões evocativos e idealizou um jardim, em frente ao mosteiro dos Jerónimos que mais tarde, ainda no tempo de Salazar, veio a incluir  os referidos brasões desenhados em bucho, como elementos decorativos e simbólicos do nosso passado histórico ultramarino.

É desse passado histórico que o tal Sá Fernandes, mais a Câmara de Lisboa, responsável pelos jardins locais,  se envergonham e por isso, no alto do poder de vereação decidiram acabar com os símbolos desse mal que inclui a Cruz de Cristo que ornava as nossas caravelas quando partiram para as Descobertas.
É destes jacobinos que temos para obliterar a História à boa maneira comunista que apagava das fotografias os elementos entretanto tornados indesejáveis de figurar na história representada.

O jornal O Século, em 1940 publicou uma edição especial que pode ser vista integralmente aqui e mostra nesta imagem a composição arquitectónica, com os jardins agora em causa.  



O Século Ilustrado de 29.6.1940 mostra a inauguração:



 Durante o tempo de Salazar e Caetano e até aqui há  duas décadas atrás, os jardins e respectivos emblemas simbólicos eram cuidados assim:





Actualmente, depois de instalado na CML o poder maçónico e jacobino,  encontram-se assim, num acto de abandono voluntário e equivalente ao das fotos do comunismo estalinista:


Assim foi notícia há dois dias que um gabinete de arquitectura qualquer ganhou um concurso de ideias para refazer esteticamente o local, o que inclui, natural e obrigatoriamente ( se não,  nem sequer teriam ganho...estou em crer)  a substituição dos referidos brasões simbólicos por outra coisa qualquer, eventualmente de índole maçónica que é a profissão de fé da actual CML.

Enfim, mais uma jacobinice, das antigas e de sempre e que a falta de cultura dos portugueses em geral permite e condescende.

A propósito de tal assunto, por ocasião da referida Exposição do Mundo Português foi construida uma nau representativa das que marearam em busca de outras terras e outros mares, nos séculos XVI  e XVII. O galeão da carreira da Índia foi idealizado no início de 1939 como relata este artigo do Século Ilustrado de 25 de Fevereiro de 1939.


Foi construído no Arsenal da Marinha e serviu para engalanar o Pavilhão do Mar nessa mesma Exposição.
Foi inaugurado em Setembro de 1940, como relata o artigo desse mês da mesma revista com a imagem de Salazar, o cardeal Cerejeira e Leitão de Barros, um dos autores da ideia.
Estas fotografias, os jacobinos maçónicos não apagam da memória.

Por uma razão suplementar: a nau Portugal chama-se Sagres tal como o actual navio-escola que ostenta nas suas velas a mesmíssima Cruz da Ordem de Cristo que tanto incomoda esta gentinha de pequenez histórica assegurada.





terça-feira, 19 de julho de 2016

O nosso nacionalismo de sempre

Pedro Soares Martinez publica hoje no O Diabo este artigo que mostra o que era o nacionalismo salazarista e que não envergonha ninguém.
Em vez de se andar sempre com o (g)orgulho nacional na boca, deveria ser esta a noção mais estimada do conceito.


Neste momento, um dos exemplos mais flagrantes do conceito é este e que merece admiração:





segunda-feira, 18 de julho de 2016

O concurso de ideias peregrinas do Governo

Diz aqui que o Governo pede ideias para o Orçamento de Estado e até dá um prémio para as melhores contribuições. Tal é apresentado como uma grande inovação...ou seja uma grande ideia. Deve ser de ideias como estas que o governo anda à procura.

Os portugueses podem apresentar propostas destinadas, por exemplo, à agricultura, ciência, cultura, educação de adultos e a formação ao longo da vida.
O Governo sublinha tratar-se de uma experiência inovadora, não se conhecem outros exemplos de orçamentos participativos numa escala nacional, embora existam vários noutras escalas, em autarquias, regiões ou Estados federados.


As cabeças de cartaz destas ideias peregrinas são estas: a da esquerda é da "modernização administrativa" e não tem ideias. A da direita é um antigo erc cujas ideias secaram há muito e o do meio está a rir-se de nós porque ideias nunca teve, a não ser uma: ir para o governo e colocar os correlegionários que são legião. O resto são outros que fazem e quando não fazem botam um concurso de ideias feitas ou a fazer.

As legiões batem palmas e o jornalismo nacional exulta com a grande ideia.