Páginas

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

O recluso 44 tem mais um problema: o seu advogado.

 Observador:

 O advogado de José Sócrates, João Araújo, foi esta sexta-feira à TVI dizer que acredita “absolutamente” que o antigo primeiro-ministro não praticou nenhum dos crimes por que está indiciado. “Sou obrigado a acreditar. A lei manda-me acreditar, mas não é essa a questão”, disse, sublinhando: “Eu não só acredito, como declaro, afirmo”. João Araújo acrescentou ainda que está convicto de que Sócrates não irá a julgamento”.

Quando confrontado por Judite de Sousa sobre os sinais de que José Sócrates tinha um estilo de vida elevado, João Araújo, no estilo desconcertante a que já habituou os jornalistas, evitou dar uma resposta. “Eu gostava de levar esse estilo de vida que me diz que ele levava”, disse, dirigindo-se para a entrevistadora e apresentadora do jornal da TVI.

Perante a insistência de Judite de Sousa, que lhe perguntou se não lia jornais, João Araújo disse que não o fazia desde que Sócrates tinha sido preso. Por isso mesmo, diz, não sabe se o seu cliente levava ou não um estilo de vida acima das suas possibilidades. “Não sei se ele vivia numa casa de 5 mil euros [por mês]”. Até porque, garante, não fez tais perguntas ao antigo primeiro-ministro. “Eu vou perguntar isso a uma pessoa? Perguntar o quê? ‘Vivia bem? Vivia mal?'”

João Araújo respondeu positivamente quando Judite de Sousa lhe perguntou se estávamos perante um caso de politização. “Com certeza que estamos”, disse. “É um ex primeiro-ministro que durante todo o tempo do seu Governo foi alvo de imputações desonrosas. É preso preventivamente. Isto não é político?”, disse o advogado, que considera que na avaliação de deter Sócrates, o juiz Carlos Alexandre teve em conta o facto de este ter sido primeiro-ministro. Judite de Sousa perguntou depois: “Ele está preso por ser José Sócrates?” e João Araújo limitou-se a dizer: “Sim, senhora”.

Sobre as condições da prisão de Évora, em que Sócrates se encontra em prisão preventiva, João Araújo voltou a recorrer à fórmula utilizada durante a entrevista, dizendo não fazer ideia de como é a vida do antigo primeiro-ministro e acrescentando, em tom jocoso, que Sócrates está “afrontosamente bronzeado”. Tão bronzeado que, diz João Araújo, “parece que está nas Caraíbas”.

A narrativa fabulosa do 44 atenta contra o senso comum


O jornal Sol conta hoje como é que José Sócrates viveu estes últimos três anos: essencialmente com empréstimos de centenas de milhar de euros e que pretende pagar, confessadamente e perante as evidências indesmentíveis. Com que dinheiro? Mistério porque não ganha o suficiente para tal. Eventualmente esperará que lhe saia um euromilhões ou coisa que o valha, mas não consta que jogue. Constam outras coisas, bem mais desgraçadas, mas enfim.

As "regras da experiência comum" deviam ser mais que suficientes para que esta narrativa não tenha pés nem cabeça para se afirmar como credível, embora muita gente, geralmente antigos apaniguados de governos seus, acreditem numa inocência proclamada a preceito porque lhes convém, a começar pelo padrinho disto tudo, don mario, habituado a que lhe proponham ofertas de "aviões" sem pestanejar quando contou depois a historieta.

Nesta altura e segundo estas revelações, o facto de o recluso 44 ter vivido de "empréstimos" é coisa inócua em termos criminais e é nessa lógica que se afirma a tal "inocência".

Porém, sendo obviamente e segundo as regras da experiência comum algo totalmente improvável, como é que se equaciona o problema de afinal o recluso 44 ter vivido com dinheiro que efectivamente lhe pode afinal pertencer e tal ser uma hipótes  que o Ministério Público  aceita como assertiva?

A resposta é também óbvia: é preciso saber de onde lhe veio tal maquia, imensa, escandalosa e sem qualquer relação com rendimentos conhecidos ou desconhecidos e que sejam legais. São milhões a mais para poderem ser escamoteados numa qualquer historieta de empréstimos avulsos.

Esta presunção de ilegalidade não é fruto de qualquer inversão de ónus de prova que compete a quem acusa. É fruto de uma evidência que se impõe por si mesma e não admite atentados a uma inteligência básica.

Se for verdade, como se afirma no artigo,  que José Sócrates usufruiu para despesas correntes ( sem contar com despesas de capital como sejam apartamentos e outros móveis andantes) desde 2011 cerca de um milhão de euros em numerário, tal é avassalador como prova indirecta de que tal dinheiro, pertencendo-lhe, não encontra justificação plausível para uma legitimidade de inocência.

Sendo ao Ministério Público que incumbe provar a proveniência de tais milhões é também ao senso comum e à natureza das coisas que importa recorrer para se extrairem conclusões que não admitem atestados de inocência passados à priori e apenas porque convém.

Resolutamente, o recluso 44 tem uma obrigação de explicar como é que procedeu assim para poder usufruir de "empréstimos" que tudo aparenta não o serem...apesar de continuar a presunção de inocência penal que só se resolve com a decisão final de um julgamento.

O Sobrinho do patinhas destapa os buracos...

No Sol de hoje publica-se o que se passou ontem com a audição na AR, na comissão de inquérito ao GES/BES, de Álvaro Sobrinho, personagem pouco conhecida e que fez figura de sobrinho do patinhas.
Foi empregado do patinhas, geriu por conta e agora destapa alguns buracos. Ainda bem.Se for verdade que o buraco do BESA afinal estava escondido no BES, o tio tem muitas contas a prestar.



O SIS continua com os beija-cus

Passos Coelho, primeiro-ministro, tem a tutela directa dos serviços de informação. Manda. Se quiser, o director do SIS sai. O que esteve até agora, Horácio Pinto, eventual supranumerário da Viúva por influências espúrias, vai sair no fim da comissão de serviço. Não se percebe porque razão se escolheram dirigentes dos serviços de informações, dentro da magistratura, com ligações maçónicas. Horácio é juiz. Antero é juiz.
Júlio Pereira, esse, é magistrado do MºPº  e do agrado de Passos Coelho e é mação. 
São todos da Irmandade, como aliás eram os que estão agora presos no caso dos vistos gold e tal deveria suscitar sérias reservas ao exercício de cargos sensíveis em que as reuniões com os "irmãos" são uma constante ou pelo menos uma exigência periódica. Decidem em conciliábulos privados coisas públicas e escolhem essencialmente nomes e pessoas. É esse o mal e é essa a perversão de uma democracia que não praticam apesar de a tal serem constitucionalmente obrigados e terem jurado, solenemente, cumprir os deveres que lhes são confiados. Esses deveres não se compadecem com essa obediência secreta e que os demais supranumerários respeitam, mesmo sem reunirem nos beija-cus.
Isto é uma vergonha da democracia, uma coisa intolerável e que o primeiro-ministro aceita e com a qual contemporiza e se diminui.

Agora nomeou director do SIS, outro beija-cu, que o jornal Sol de hoje anuncia como pertencendo à Irmandade do Grande Oriente Lusitano, sede mor dos beija-cus.

Isto é uma vergonha nacional e a varridela que se impunha nos serviços nacionais não aconteceu nem vai acontecer porque o primeiro-ministro não quer. Vá lá saber-se porquê...

A única pessoa com cargos públicos e que publicamente se preocupa com esta pouca-vergonha é a deputada Teresa Leal Coelho e por tal tem sido ameaçada de modo sério. Tem lutado sozinha contra esta seita do mal que invadiu a administração pública há décadas e não quer largar o osso.

Sábado de 18.12.14

Das duas, uma: ou este primeiro-ministro não está nada preocupado com os olriks que manobram na sombra e dão aulas, de cátedra, nesta matéria, o que é de uma ligeireza a toda a prova ou então já são os mesmos que de tanto serem poltrões, passaram a beijar-lhe...a mão.



ADITAMENTO:

Perguntado hoje no Parlamento sobre se pertencia à Maçonaria, o novo director indigitado para o SIS respondeu assim:

 Nem “sim”, nem “não”. O diretor indigitado dos Serviços de Informação de Segurança (SIS) não respondeu à questão colocada diretamente – e por duas vezes – pelos deputados sobre se tinha algum dever de obediência a alguma associação maçónica. “Tenho dever de obediência à Constituição da República, à lei, à ética e à minha consciência”, limitou-se a dizer.

Ou seja, numa questão fundamental para se perceber a tal "ética" que afirma respeitar, começa logo por omitir a resposta a um assunto que tem a ver com tal ética. Exemplar do modo como estas pessoas da Maçonaria se comportam em público. Incrível como um indivíduo destes é nomeado para um cargo desta importância. Passos Coelho não tem desculpa.





quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A TAP de Baptista-Bastos é uma espécie de datcha




Baptista-Bastos escreve hoje no Correio da Manhã que a TAP lhe pertence porque é de todos e por isso não a deixaria vender.
O argumento principal é o de tal negócio ser imposição do capitalismo agora transformado em  monstro de "capital financeiro multinacional". Assim como um  BES à escala global que efectivamente põe e dispõe por conta das "leis de mercado".
Em resultado do funcionamento dessas leis celeradas, a TAP será vendida, quando, sendo  dele e nossa não o deveria ser, por uma questão afectiva, porque a TAP " é um estado d´alma, uma emoção, um pequeno orgulho e a módica vaidade que nos resta".
Portanto, a essência da TAP pouco lhe interessa, na medida em que continue a ser parte desse "estado  d´alma", dessa "módica vaidade que nos resta" e só por isso. 
Se funciona melhor ou pior a transportar pessoas ou coisas e nas melhores condições de segurança e conforto, isso é secundário, desde que continue a ser "nossa" e faça parte do acervo hereditário que deixaremos aos vindouros. O custo da operacionalidade, esse, também conta para nada porque Baptista-Bastos sente-se  rico, mas com o dinheiro dos outros. Aliás, já disse publicamente que isso de dinheiro nunca foi coisa com que se importasse. É a mulher que lida com essa minudência.
O assunto é assim parcicularmente do domínio do afectivo, da razão que a razão desconhece. É uma espécie de infantilidade em que certa esquerda é prenhe.

Porque não pode desconhecer que  noutros países europeus e por esse mundo fora, há muitas outras transportadoras aéreas, nas mãos horrorosas do "capital financeiro internacional" depois de terem sido  propriedade dos cidadãos desses países e por razões concretas que explicam o fenómeno. 
Alguns desses países, certamente governados por "gentalha", concluiu que seria melhor assim para todos e deixaram de ter companhias aéreas " de bandeira" desfraldada. 
A Inglaterra, por exemplo há um ror de anos que não tem essa "módica vaidade". A França, contudo, ainda vai tendo o nome, mas no final dos anos noventa privatizou-a e juntou-se depois aos holandeses da KLM. A Alemanha , com a Lufthansa, fez igual e privatizou-se, ficando sem a bandeira pública, por causa das "leis de mercado" e juntado-se a uma miríade de empresas do "capital financeiro internacional".
Em Itália havia a Alitalia, como bandeira do que era " a módica vaidade" italiana. No final da década dos 2000 faliu, por causa das "leis de mercado". Quem manda agora é a Air-France/KLM, ou seja o "capital financeiro internacional". E poderiam acrescentar-se outros exemplos.

Baptista-Bastos parou no tempo, porque não concebe "leis de mercado" aceitáveis. Por isso reclama para si uma fatia da companhia aérea de bandeira vituperando o horrendo capitalismo global que lhe quer roubar a sua querida TAP, couto de muitos camaradas e compagnons de route durante décadas a fio, em nome de um hediondo "projecto de controlo global" que é o principal inimigo dessa fraternidade sempre pronta a cantar amanhãs com o dinheiro alheio.
Baptista-Bastos é do tempo das datchas e por isso tem uma, conferida pelo Estado in illo tempore, tal como na antiga URSS havia para distribuir, não por todos, mas pelos apaniguados do regime, num processo de corrupção sem paralelo no mundo ocidental. Esse é que era um projecto global de capitalismo de estado e a corrupção generalizada que o mesmo gerou  acabou com essa inevitabilidade histórica, mas Baptista-Bastos ainda não sabe e gostaria de o repristinar.  

Por isso vale a pena lembrar os bons velhos tempos em que não só a TAP como a maioria das outras empresas "de bandeira" eram de Baptista-Bastos e camaradas e principalmente, porque razão uma a uma deixaram de o ser. 

Em 11 de Março de 1975 por obra e graça dos camaradas de Baptista-Bastos foi possível em Portugal acabar com o sistema capitalista tal como o conhecêramos até então. Foi uma festa de que Baptista-Bastos nunca mais se recompôs e quer voltar a deitar foguetes .

A TAP que até aí era uma empresa SARL com capitais públicos, passou a empresa pública e foi o maior forrobodó para a camaradagem, comissões de trabalhadores a esmo, sindicatos em barda e "leis de mercado" fora de uso. Durante vinte anos foi o fartar camaradagem, com direitos e mais direitos e deveres mínimos, tal como o trabalho. 
Tal como a "banca" a festa durou até às tantas e os festeiros eram os mesmos de agora, os camaradas de Baptista-Bastos que choram baba e ranho por perderem as posições de privilégio.  Para além das datchas essas empresas davam-lhes o direito de trabalhatem o menos possível pelo máximo rendimento. Quem pagou a factura desses privilegiados que execram "as leis de mercado" por motivos óbvios? Todos os demais. O povo real. Tal como na antiga URSS o povo em geral pagou a factura em crises económicas e bancarrotas sucessivas ( em Portugal foram já três) das experiências dessa camaradagem que não tolera "o projecto de controlo global" que lhes acabou com a incompetência, incúria, ineficiência, corrupção, mandriagem. E rabejam por todo o lado, claro que rabejam quando vêem que lhes vão tirar mais um dos sítios preferidos de exercício dessas actividades.

Porém, tal como aconteceu com as demais aventuras empresariais comunisto-socialistas que deram sempre em fracasso global, também a TAP ( e a RTP vai pelo mesmo caminho de perdição) vai ser integrada no "projecto de controlo global" das "leis de mercado".  Sendo inevitável é a prova que a gestão de empresas por camaradas ou por compagnons de route redunda sempre em falência. Primeiro das empresas e depois do país.

A TAP,  tal como as datchas, nunca foi de todos, mas apenas de alguns:os privilegiados que pouco ou nada de relevante fizeram para o merecerem. A não ser, claro, o possuirem cartão de camarada de luta contra o "projecto de controlo global capitalista".  Essa credencial foi suficiente para o privilégio e agora, vai terminar de vez. Já não era sem tempo. A URSS há muito que acabou com esse género de aparatchicks, por causa do mesmo problema: desigualdade e corrupção de quem proclamava precisamente o contrário e prometia o futuro. Tal como Baptista-Bastos...podem rabejar à vontade que o vento da História deixá-los-há à deriva.



terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Pinto da Costa enganou-se no recluso?

Observador (hoje):

O presidente do F.C. Porto visitou esta terça-feira o ex-primeiro-ministro no Estabelecimento Prisional de Évora. Pinto da Costa garantiu que estava ali para visitar "uma pessoa que muito prezo".

 Observador ( 12.12.14):

O ex-primeiro-ministro poderá ter entrado no negócio dos direitos televisivos da Liga Espanhola de Futebol através do seu amigo Carlos Santos Silva – coarguido no processo que investiga suspeitos de corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal. O Ministério Público suspeita que o dinheiro usado neste negócio tenha tido origem nos 23 milhões de euros transferidos da Suíça para Portugal, e que serão de José Sócrates.

A informação consta do despacho assinado pelo juiz Carlos Alexandre para justificar a prisão preventiva do ex-governante, garante o Diário de Notícias. De acordo com este jornal, tudo aconteceu entre 2011 e 2012, um ano depois de Carlos Santos Silva ter transferido 23 milhões de euros da Suíça para Portugal ao abrigo do Regime Especial de Regularização Tributária (RERT). Dinheiro que os investigadores acreditam pertencer a José Sócrates.

Deste valor, algum terá sido transferido para o ex-primeiro-ministro para despesas pessoais, como viagens. E uma parte terá sido aplicada nos direitos televisivos da Liga Espanhola através da empresa Worldcom, de Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT e atual presidente da SAD do Belenenses – intercetado nas escutas do processo Face Oculta, numa tentativa de compra da TVI.


 Rui Pedro Soares é um amigo muito lá da casa desportiva do presidente do FCP.  É "dragão de ouro"...
 Rui Pedro Soares e Worldcom é unha com carne...e os negócios do futebol  são parte do seu mundo.

Por aqui dá para entender porque razão Pinto da Costa se pode ter equivocado no recluso a visitar. Mas teorias de conspiração não faltam...

Se calhar deveria ter  ido visitar Carlos Santos Silva, não?!

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Uma história antiga: Collor de Melo

 A história de Fernando Collor de Melo, presidente eleito do Brasil em 1990. Tem muitas semelhanças com o que se está a passar com o recluso 44. Uma diferença é que no Brasil não havia segredo de justiça e tudo se passou no âmbito do Parlamento, discutindo-se publicamente os dinheiros de Collor e a actividade do testa de ferro, PC Farias. As revistas Veja e a Isto é, andaram meses a mostrar as provas que lograram um impeachment do presidente, actualmente senador depois de ter passado um jejum de oito anos, da política.

Tirado da Wiki:

Em meados de 1991, denúncias de irregularidades começaram a surgir na imprensa, envolvendo pessoas do círculo próximo de Fernando Collor, como ministros, amigos do presidente e mesmo a primeira-dama Rosane Collor.26 Em entrevista à Revista Veja em maio de 1992, Pedro Collor de Mello, irmão do presidente, revelou o esquema de corrupção que envolvia o ex-tesoureiro da campanha Paulo César Farias,25 entre outros fatos comprometedores para o presidente. Em meio à forte comoção popular, é instalada em 27 de maio uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar a responsabilidade do presidente sobre os fatos divulgados. Em 1° de junho, a CPI começa seus trabalhos com forte cobertura dos meios de comunicação. A Revista IstoÉ publica em 24 de junho uma matéria na qual Eriberto França, motorista da secretária de Collor, revela que ele próprio pagava as despesas pessoais do presidente com dinheiro de uma conta fantasma mantida por PC, reforçando a tese do irmão do presidente.27 Em 2 de outubro é aberto o processo de impeachment na Câmara dos Deputados, impulsionado pela maciça presença do povo nas ruas, como o movimento dos Caras-pintadas


E a história contada pela revista Veja:

 Em maio de 1992, VEJA publicou uma histórica reportagem de capa com as denúncias de Pedro Collor contra seu próprio irmão, o presidente Fernando. Nos quatro meses seguintes, a revista lançou mais catorze capas sobre o esquema de corrupção organizado pelo tesoureiro de campanha do presidente, Paulo César Farias, o PC.


Na tarde da última quarta-feira Pedro Collor tomou um avião em Maceió e chegou a São Paulo após uma escala no Recife. Em companhia da mulher, Maria Tereza, e de uma irmã, Ana Luiza, Pedro Collor deu uma entrevista de duas horas a VEJA. A seu pedido, o encontro ocorreu nas dependências da revista. A mulher e a irmã de Pedro Collor foram testemunhas de suas declarações, e chegaram a colaborar em algumas respostas. Além de fazer novas denúncias sobre a atividade de PC Farias no governo, Pedro Collor diz que ele é "testa-de-ferro" do presidente Fernando Collor. Diz que o jornal Tribuna de Alagoas, que PC Farias quer lançar em Maceió, na verdade pertence a seu irmão. Também garante que um apartamento de Paris que se supunha ser propriedade do empresário na realidade pertence a Fernando Collor. Para Pedro Collor, existe uma "simbiose profunda" entre os dois. Os principais trechos da entrevista:
VEJA - O senhor se considera louco?
PEDRO COLLOR - Não, de jeito nenhum.

VEJA - Se a sua própria mãe está falando isso, é o caso de perguntar. Já fez algum tratamento psiquiátrico?
PEDRO COLLOR - Não, nunca fiz tratamento psiquiátrico ou psicanálise. Essa pressão toda tem um objetivo claro. O objetivo foi passar para a opinião pública a sensação de que não tenho credibilidade, que estou sob forte comoção. Convenceram mamãe a assinar aquela carta. Ela é muito ingênua nesse sentido.

VEJA - As suas afirmações e denúncias, os documentos que o senhor levantou contra Paulo César Farias e as críticas que vem fazendo ao Presidente colocam o governo e o país numa situação delicada. O senhor está ciente disso?
PEDRO COLLOR - Absolutamente consciente.

VEJA - O senhor tem dito que suas revelações podem acabar com o governo do seu irmão. E isso que o senhor quer?
PEDRO COLLOR - Não, mas qual foi o principal mote da campanha do Femando? Quem roubava ia para a cadeia. Na prática, estou vendo uma coisa completamente diferente. Ninguém pode enrolar todo mundo o tempo todo.

VEJA - Essa briga começou em torno do lançamento de um novo jornal, que concorreria com a Gazeta de Alagoas, das organizações Arnon de Mello?
PEDRO COLLOR - Em janeiro de 1991, levei ao Fernando, no Palácio do Planalto, o plano de se montar um novo jornal em Alagoas. Seria um jornal vespertino. Já houve no passado vespertinos no Estado, e que pararam por um motivo ou outro, agora não há nenhum. Como achei que havia uma brecha no mercado, e a gráfica do nosso grupo estava ociosa, fiz a proposta ao Fernando. Expliquei que o novo jornal não faria parte do grupo da Gazeta, seria uma iniciativa à parte.

VEJA - O que o presidente achou da idéia?
PEDRO COLLOR - Ele me disse o seguinte: "Não, não leve a idéia do jornal adiante porque eu vou montar uma rede de comunicação paralela em Alagoas com o Paulo César, e essa rede terá um jornal". O Fernando falou que o jornal iria se chamar Tribuna de Alagoas. Disse também que a Tribuna seria impressa na imprensa oficial do Estado. Então perguntei por que ele não imprimia esse novo jornal na gráfica do nosso grupo. O Femando respondeu: "Não".

VEJA - A rede de comunicação seria de PC Farias?
PEDRO COLLOR - O PC seria o testa-de-ferro. Era uma empresa de testa-de-ferro, que teria o jornal e de doze a catorze emissoras de rádio.

VEJA - Qual foi a sua reação a essa rede?
PEDRO COLLOR - Raciocinei que, se o novo jornal ia ser impresso na imprensa oficial, seria em preto-e-branco, um jornal para ocupar espaço, evitar que grupos adversários na política entrassem na área. Dizia-se que não era um jornal para concorrer efetivamente com a Gazeta e, de repente, compraram um maquinário exatamente igual ao nosso, e me tomam funcionários pagando três ou quatro vezes mais do que eles ganham conosco. Então é um negócio para destruir o nosso, certo? Foi aí que a coisa começou. Houve também um problema corri a instalação de rádios. Na mesma reunião em que falei do novo jornal com o Fernando, eu disse que precisávamos também de duas rádios, FMs pequenas ou médias, na periferia de Maceió.

VEJA - Como o senhor conseguiria essas rádios?
PEDRO COLLOR - Pelas vias normais. Essas duas rádios já existiam no plano traçado pelo governo.

VEJA - E obteve as rádios?
PEDRO COLLOR - Obtive duas negativas. Simultaneamente, eles mexeram no plano, a ponto de contemplar todas as cidades que até então não estavam com rádios FM.

VEJA - Isso foi feito por quem?
PEDRO COLLOR - Por solicitação do deputado Augusto Farias, irmão do PC. Vejam bem: converso com ele tentando montar um jornal, falo das rádios que podem entrar. Negam para mim. E viabilizam para eles umas doze rádios que nem estavam cogitadas no plano.

VEJA - O senhor tentou chegar a um acordo sobre o jornal antes de começar a recolher documentos sobre os negócios de PC?
PEDRO COLLOR - Houve tentativas que não deram certo, porque a intenção não era montar um jornal assim ou assado, mas montar um jornal para destruir o nosso. Em fevereiro passado, saiu aquela reportagem do Eduardo Oinegue, em VEJA, sobre o assunto, em que eu chamava o PC de lepra ambulante. Eu estive então com o Cláudio Víeira (secretário particular de Collor, afastado do governo na reforma ministerial). O Cláudio me disse que há cinco dias o Fernando não despachava com ele, nem com o general Agenor, nem com o Marcos Coimbra. O Cláudio Víeira me contou que no dia anterior o Fernando havia se reunido, durante uma hora e meia. com o procurador-geral da República, Aristides Junqueira. Segundo o Cláudio me contou, o procurador disse ao Fernando que, se eu não desmentisse a reportagem de VEJA, o Junqueira iria instaurar um inquérito, e que isso derrubaria o governo. Eu respondi ao Cláudio que não tinha intenção de derrubar o governo de ninguém, que minha intenção era me preservar e alertar que o PC era uma bomba atômica ambulante, independentemente de jornal ou coisa que o valha. Esclareci que não poderia desmentir a reportagem pura e simplesmente, e pedi um compromisso firme de que o PC não iria tentar acabar com nossa organização. Sugeri que a Gazeta arrendasse a gráfica da Tribuna, pagasse, e nós imprimíssemos o jornal. Cheguei a conversar depois sobre essa proposta com o PC, e ele disse que adorou. Na hora de formalizar o acordo, sumiu. O Cláudio Vieira então me disse que o Paulo César estava com outras idéias e ia me procurar. Estou esperando até hoje.

VEJA - Por que o pre­sidente Collor, se é ele que está por trás dessa rede de comunicações montada pelo PC, esta­ria interessado em preju­dicar e até destruir os negócios da família?
PEDRO COLLOR - É uma questão que só Freud explica. (Tereza, mulher de Pedro Collor. pede para falar)
TEREZA - O Fernando Collor faz isso porque o Pedro não se submete a ele. O Fernando viu que não podia tirar o Pedro da administração dos negócios da família. Foi o Pedro quem geriu, e bem, as empresas durante esses anos todos. O Fernando quer o meio de comunicação e instrumento político, enquanto o Pedro tem a responsabilidade de administrá-lo como empresa. É daí que nasceu a divergência.

VEJA - O senhor acha mesmo que o PC é um testa-de-ferro do presidente nos negócios?
PEDRO COLLOR - Eu não acho, eu afirmo categoricamente que sim. O Paulo César é a pessoa que faz os negócios de comum acordo com o Fernando. Não sei exatamente a finalidade dos negócios, mas deve ser para sustentar campanhas ou manter o status quo

VEJA - De quem é o apartamento de Paris onde funciona a S.C.I. de Guy des Longchamps e Ironildes Teixeira?
PEDRO COLLOR - É dele.

VEJA - Dele, quem?
PEDRO COLLOR - Dele. Do Fernando, claro.

VEJA - O senhor não tem dúvidas?
PEDRO COLLOR - Não tenho a menor dúvida.

VEJA - De quem é o jatinho Morcego Negro?
PEDRO COLLOR - Acho que é do Paulo César, mas não posso afirmar.

VEJA - O presidente Collor sairá mais rico do governo?
PEDRO COLLOR - Em patrimônio pessoal, sai. Sem dúvida nenhuma.

VEJA - O presidente está envolvido na sua denúncia de que o Paulo César recebeu unta comissão de 22% sobre os negócios entre a empresa IBF e o governo para a implantação da raspadinha federal?
PEDRO COLLOR - O Fernando não entra no varejo da coisa. Ele apenas orienta o negócio.

VEJA - O que acontece com o dinheiro?
PEDRO COLLOR - O Paulo César diz para todo mundo que 70% é do Fernando e 30% é dele.

VEJA - O senhor acredita nisso?
PEDRO COLLOR - Eu não sei se a porcentagem exata é essa.

VEJA - Mas o senhor sustenta que existe uma sociedade entre os dois?
PEDRO COLLOR - Tenho certeza de que é assim. Existe urna simbiose aí. Eu não estendo as acusações ao Fernando diretamente. Uma coisa é você concordar. Outra coisa é operacionalizar. São duas coisas distintas. Operacionalizar, no sentido do dolo, no sentido do ilícito, isso é muito do temperamento do PC. Ele tem prazer nisso. O Fernando é incapaz de sentar em uma mesa e dizer assim: “O negócio é o seguinte: preciso de uma grana para a minha campanha. Me ajuda”. Pode estar nu e sem sapato que não pede ajuda. Já o PC toma. Deixa você nu se for possível.

VEJA - O senhor já ouviu do Paulo César que ele tem essa associação com o seu irmão?
PEDRO COLLOR - Sim, já ouvi dele.

VEJA - E do presidente?
PEDRO COLLOR - Não, do Fernando, não.

VEJA - O PC é uma pessoa digna de crédito?
PEDRO COLLOR - Se ele foi o tesoureiro de duas campanhas do Fernando, se age com age publicamente, se ele mesmo fala isso, eu só posso concluir que é verdade.

VEJA - Qual foi a última vez em que o senhor e o presidente conversaram sobre as atividades de PC Farias?
PEDRO COLLOR - Em janeiro deste ano. Eu tinha acabado de chegar do exterior e o Fernando me chamou para almoçar. Foi uma conversa afável, embora o Fernando, tenha se mostrado cuidadoso ao mencionar o nome do PC. Pisava em ovos. Eu reclamei da maneira como o PC vinha tentando destruir o nosso jornal em Alagoas, chamando nossos funcionários. Foi uma conversa sobre os problemas com o jornal.

VEJA - O senhor mencionou as denúncias de corrupção sobre PC?
PEDRO COLLOR - Com o Fernando, exatamente, não. Falei "n" vezes com os meus irmãos Leopoldo e Leda, com o Cláudio Vieira e o Marcos Coimbra.

VEJA - Por que nunca falou diretamente com o presidente?
PEDRO COLLOR - Eu sentia que, se eu falasse, ele iria ter uma explosão violentíssima. O Fernando não gosta de escutar críticas.

VEJA - Por que o senhor passou a envolver o presidente Collor nas suas denúncias contra o PC?
PEDRO COLLOR - Eu comecei a receber ameaças de morte dos irmãos do PC através de interlocutores comuns. Cheguei a falar com o Cláudio Vieira sobre tudo o que estava acontecendo. Concluí que o PC não estava agindo por conta própria. É o estilo típico do Fernando usar instrumentos. Ele não ataca de frente.

VEJA - O senhor não acredita que exista uma vontade política real do presidente em investigar as atividades de PC Farias. Afinal, a Receita Federal foi acionada para vasculhar o imposto de renda de PC?
PEDRO COLLOR - Não acredito nisso. Acho que a investigação ia ser empurrada com a barriga e seria apenas retórica.

VEJA - Qual a diferença entre o PC Farias e o Pedro Paulo Leoni Ramos, o PP? Ou entre o PC e o Cláudio Vieira? Ou entre eles e o Claudio Humberto?
PEDRO COLLOR - São os métodos. O PC é o erudito do roubo, da corrupção, da chantagem. Os outros têm uma aspiração, mas também têm um teto. O PC não tem limites.

VEJA - Mas o PC vai até onde?
PEDRO COLLOR - Ele é capaz de matar para extorquir.

VEJA - O senhor apresentou o PC Farias ao Fernando Collor. Quando começou a afastar-se dele? Por quê?
PEDRO COLLOR - Na época eu não o via como hoje. Ele era um sujeito enrolado com negócios, mas apenas isso. Não pagava as contas. Mas era um sujeito jeitoso, muito insinuante, muito simpático. Ele é muito envolvente em negócios. Comecei a me afastar quando o Fernando se tornou governador do Estado.

VEJA - O senhor tem alguma coisa contra o cidadão Fernando Collor, seu irmão?
Fernando Collor - Pessoalmente, o Fernando é um sujeito extremamente talentoso, carismático, magnético e, em alguns momentos, é uma criatura fantástica, cheia de energia. Ao mesmo tempo, é rancoroso, vingativo e adora manipular as pessoas. Ele gosta das pessoas subservientes.

VEJA - O senhor chegou a falar que o seu irmão Fernando tentou se insinuar junto a sua mulher, Tereza. Como foi isso?
PEDRO COLLOR - Não foi exatamente isso. Eu e Tereza tínhamos passado por uma crise conjugal, o que acontece muitas vezes entre casais. Isso foi em 1987, quando Fernando era governador de Alagoas. Nesta ocasião, eu estava no Canadá. Tive a informação de que ele chamou Tereza para conversar no palácio. Conversaram durante um bom tempo. Ali era o lugar onde ele tinha intercurso, com algumas moças. Houve fofocas sobre isso e eu fui informado. Tereza foi depois para Paris e Fernando me chamou para dizer que havia conversado com ela e que eu me preparasse porque ela iria se separar de mim. Disse que eu havia pisado muito na bola e que me preparasse. Em paralelo, eu sabia que ele estava telefonando para ela em Paris, naturalmente utilizando a fragilidade da relação para telefonar e talvez até fazer a cabeça dela. Eu consegui as contas telefônicas do palácio que comprovaram essas ligações.

VEJA - Houve uma tentativa explícita de sedução?
PEDRO COLLOR - Eu acredito que implicitamente ele tentava mapear a situação, diante de uma pessoa fragilizada emocionalmente pela perspectiva de uma ruptura de casamento. Uma voz simpática. um ombro amigo...

VEJA - Tereza, houve uma tentativa de sedução?
PEDRO COLLOR - Não, ele tem esse jeito de falar que é meio fraternal, meio conselheiro.

VEJA - Apesar de sua suspeita de paquera por que continuou freqüentando seu irmão? Por que esteve na posse dele como presidente?
PEDRO COLLOR - Porque não se deve sair arrebentando portas. Tive controle emocional.

VEJA - Pelo que se deduz, o senhor coloca esse episódio como um entre vários através dos quais seu irmão tenta atingi-lo. É isso?
PEDRO COLLOR - O que ele quer é me ver distante do comando administrativo das empresas que temos. Para colocar uma pessoa dele lá dentro, por uma questão política.

VEJA - O senhor nomeou alguém para o governo federal?
PEDRO COLLOR - Nem para a prefeitura de Maceió nem para o governo de Alagoas nem para o governo federal.

VEJA- Por quê?
PEDRO COLLOR - Não é do meu feitio.

VEJA - O que o senhor acha das nomeações do Leopoldo (irmão mais velho de Collor)?
PEDRO COLLOR - Eu não conheço as nomeações do Leopoldo. Não converso sobre esse assunto com ele.

VEJA - O senhor já admitiu que consumiu drogas na juventude. Como foi isso?
PEDRO COLLOR - Quando eu era jovem, era uma coisa que estava na moda, lá por 1968, 1969, 1970.

VEJA - Em 1968, o senhor estava com 16 anos de idade.
PEDRO COLLOR - Mas é isso.

VEJA - Que tipo de droga?
PEDRO COLLOR - Cocaína.

VEJA - Seu irmão Fernando também?
PEDRO COLLOR - Sim.

VEJA - Foi ele que o induziu a experimentar cocaína?
PEDRO COLLOR - Não é que induziu, nem apresentou nem nada. As pessoas, por serem de faixa etária um pouco acima, naturalmente têm mais acesso a esse tipo de coisa. Foi assim que aconteceu.

VEJA - LSD também tinha?
PEDRO COLLOR - Teve também LSD, umas duas ou três vezes.

VEJA - O senhor largou isso quando?
PEDRO COLLOR - Logo depois. Senti que me fazia mal. Emagreci muito.

VEJA - Quanto ao presidente, o senhor tem notícia de que ele tenha consumido drogas após essa época na Juventude?
PEDRO COLLOR - Não, depois dessa época, não.

VEJA - O senhor já ouviu falar em Allan Mishai Fauru?
PEDRO COLLOR - Conheço desde menino do Rio. Um belo dia, o Fernando já governador, me parece, o Allan o convidou para ser padrinho do casamento dele. Depois ele se mudou para Maceió, anos mais tarde, e montou um boteco. Soube depois que ele tinha ligações com traficantes, vendia, repassava. Mas ele não tem qualquer relação com o Fernando, absolutamente.

VEJA - O senhor não acha que as instituições brasileiras correm algum risco com assuas denúncias?
PEDRO COLLOR - Acho que nossas instituições agüentam o tranco. Se eu começar a entrar muito em considerações a respeito do governo, eu não dou um passo. Tenho de fazer aquilo que acho correto. Que os outros façam as partes deles.

VEJA - O senhor acredita que, com as últimas mudanças no ministério, o PC é menos influente no governo?
PEDRO COLLOR - Sim. Ele perdeu toda ou quase toda a sustentação.


Em 8 de Julho de 1992 a mesma revista apresentava o que titulava como "provas", explicando:

O presidente Fernando Collor é um ator nato. Dá a impressão de que, como quem escolhe uma gravata pela manhã, escolhe a personalidade que usará durante o dia. No primeiro pronunciamento na televisão sobre a crise provocada pelas revelações de Pedro Collor, fez o papel de irmão ofendido, cabisbaixo e meditabundo. No segundo discurso televisivo, só faltou gritar palavrões, tamanho o ódio que demonstrou contra o seu ex-líder na Câmara, Renan Calheiros. Na noite de terça-feira passada, o presidente posou de estadista: estava firme e sereno quando negou que seu alter ego, Paulo César Farias, pagasse as despesas da Casa da Dinda, através de depósitos feitos na conta de sua secretária pessoal, Ana Maria Acioli Gomes. "Sou eu o primeiro interessado no esclarecimento definitivo dos fatos, sou o primeiro interessado na verdade", disse Collor na TV. Vamos a eles, aos fatos, em busca da verdade.

Se esta semelhança não é intrigante, não sei o que seja.

Vem aí mais cobóiada e a "posse" já está de atalaia

Expresso online:

A direção geral dos serviços prisionais negou o pedido de entrevista do Expresso ao ex-primeiro-ministro depois dos pareceres negativos do juiz Carlos Alexandre e do procurador Rosário Teixeira.


O recluso 44 queria falar publicamente através de uma entrevista. Provavelmente alegar a habitual inocência que aliás lhe é presunta e implicar os "pistoleiros do costume" nas malfeitorias de que se sente vítima.
Não contente com as missivas escritas a vermelho queria agora estralejar argumentos de ordem variada e prontinhos a convencer convencidos, mormente antigos apaniguados do sistema que capitaneou durante anos a fio.


O recluso 44, segundo se conta no Correio da Manhã de hoje, disse para quem o estava a ouvir em escutas, antes de ser detido: "eles não têm coragem de me prender".


Enganou-se, foi mesmo preso e sabe Deus até quando, mas é curioso analisar eventuais razões para a fanfarronada típica de capo do bas fond.


Um indivíduo como o recluso 44, antes de o ser já o era. Quer dizer, recluso na sua própria importância de cargo exercido e sustentado por uma força política com peso eleitoral suficiente para governar.
O recluso 44, provavelmente  julga-se ainda um intocável dessa força de mando executivo e portanto com poder de nomear, de alterar leis e mudar sistemas de funcionamento orgânico. É muito poder que nenhum juiz tem ou terá e por isso é mais que natural que um indivíduo como o recluso 44 se julgue acima desse poder.
Um indivíduo cujo percurso político se fez com base em jogos partidários de espécie democraticamente duvidosa ( a luta intra-partidária é feroz e com leis da selva, em que ganha o mais forte nas influências e apoios recolhidos em promessas inconfessáveis) é bem capaz de se julgar no topo do mundo nacional quando atinge o cimo do poder executivo.
No caso teve a cúpula do poder judicial do seu lado, em várias ocasiões e tanto lhe terá bastado para se julgar acima desse poder. Aliás, começou o mandato político com ameaças concretas a esse poder democrático e que não respeitou,  acompanhando-as de insultos implícitos em acusações infundadas sobre pretensos privilégios e desabafos particulares sobre a vontade de "lhes quebrar a espinha".
Teve igualmente todo o poder legislativo de uma maioria absoluta, capaz de impôr legislação adequada à sua vontade e apenas controlada pelo poder constitucional se chamado a tal, sabendo-se que até esse poder estava minado pelos tentáculos maçónicos e afecto à maioria absoluta.
Teve depois a petulância de atacar soezmente o poder que se lhe opunha na presidência da República inventando uma cabala que aproveitou como arma de arremesso e indignação forjada.

O séquito de apaniguados que esses poderes combinados lhe conferiram fizeram-lhe perder a noção da realidade e a lembrança de que ao pé do capitólio está a rocha trapeia.

Essa obnubilação continuada, potenciada por uma energia oculta e artificial, em que avultarão "velhos vícios" de luxo e afins, transformou um pobre diabo inseguro e em busca de respeitabilidade num candidato a ditador de paróquia, cargo que desempenhou em algumas ocasiões públicas e eventualmente privadas e quem lhe obedeceu saberá com certeza melhor dizer.

O mistério da adulação que provoca ainda em alguns sectores de prosélitos do partido e dirigentes próximos ( o Pereira e o Almeida que estiveram no Poleiro, por exemplo) torna-se fácil de explicar: devem-lhe tudo em termos de carreira pessoal e muitos outros devem-lhe empregos e mais empregos e cargos e mais cargos, para além das benesses próprias e inerentes a quem comparticipa do poder de administrar verbas do orçamento do Estado, com alguma margem de discricionariedade.  Serão eventualmente alguns milhares que sofrem agora as dores do recluso 44 e anseiam pelo poder perdido e à vista de umas eleições próximas.

Esses estão prontos para a cobóiada que se adivinha e já se acercam em "posse" das instituições  que mantém preso o seu ídolo inocente, garante futuro do seu regresso ao passado.

Tal como nos filmes, conspiram em grupo, reunem armas e munições e prontificam-se a assaltar virtualmente  aqueles que o prenderam, através do descrédito que lançam sobre as instituições e pessoas que  as compõem.
 Neste vale tudo,  preferem um  desfecho com batalha final  no campo aberto da política. É esse o território onde ditam leis mais favoráveis à vitória contra "os pistoleiros do costume" que apenas disparam as balas com calibre legal e com as espingardas muito contadas pelos diversos impedimentos legais.
Pelo contrário, a "posse" dispõe de armas modernas, sem limite de munições e não convencionais.

Nesta inversão de valores,  os maus são os que supostamente devem zelar pela honra e dignidade das instituições que funcionam com as regras que aqueles mesmos instituiram para se aplicarem a outros. Os bons, com presuntos implicados, são os que lutam pela libertação do prisioneiro inocente.

Enquanto mantiverem o engodo desta inversão, estarão sempre a ganhar.

O professor jornalista comentador também toma partido pelos seus

Marcelo Rebelo de Sousa, mais conhecido como "o professor" apesar de pouco ter escrito de valor original e insofismável sobre coisa alguma de ensino, comentou ontem na TVI  as últimas do caso do BES/GES.
A vida pública de Marcelo, aliás, prende-se a tudo menos ao ensino pelo que não se percebe a parolice do título emprestado pela TV.

O que comentou não foi do agrado de um dos membros do clã e hoje o referido "professor" é desfeiteado na praça pública com um epíteto feio: mentiroso.

Assim, no Observador:

O presidente do BESI, José Maria Ricciardi, acusou esta segunda-feira Marcelo Rebelo de Sousa de mentir, durante o comentário habitual de domingo na TVI, e diz que o ex-líder do PSD passava habitualmente o fim de ano numa mansão de Ricardo Salgado, noticiam os jornais económicos.

No comunicado enviado, José Maria Ricciardi começa ao ataque e logo no início manda um recado a Marcelo Rebelo de Sousa: “Eu compreendo que o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa tenha muita mágoa em não poder continuar a passar as suas habituais e luxuosas férias de fim de ano na mansão à beira-mar no Brasil do Dr. Ricardo Salgado, mas essa mágoa não o autoriza a dizer mentiras a meu respeito e do banco a que presido, conforme fez no seu comentário de ontem”.

Logo de seguida, José Maria Ricciardi diz que Marcelo Rebelo de Sousa mentiu ao dizer que como presidente do BESI tinha autorizado a emissão e colocação de papel comercial do GES e quando fez alusão à permanência do atual presidente do BESI tanto no BES e no GES, depois de conhecido o episódio da rutura com Ricardo Salgado
.

O aludido professor devia ser mais comedido a comentar questões de família onde tem interesses cuja declaração ficou por fazer devidamente.  Para além de perder credibilidade como comentador, equivalente ao factor confiança na actividade bancária, perde também a honra se se confirmar a galga em formato doloso.
A sua aproximação a um dos primos deveria refreá-lo de qualquer ataque pessoal ao outro primo, uma vez que tal significa tomar partido sem o declarar. É feio, para não dizer pior.

domingo, 14 de dezembro de 2014

O compadre Sousa Tavares toma partido pelos seus

 

 Sousa Tavares, compadre de entalados excelentíssimos, escrevinhador avençado no Expresso, sempre pronto a despejar vitríolo em feridas alheias, qual aguarrás em cima de vítimas que não lhe agradam,  recusou até agora escrever sobre o cancro do BES, porque o seu principal responsável, Ricardo Salgado, "é da família e sobre a família não se diz nem bem nem mal".  Agora já diz, não se sabendo se deitou às malvas o princípio ético-moral ou se afinal nunca o teve e por isso nada lhe custa a contradição.

No Expresso de ontem, o escrevinhador toma partido pelo compadre e fustiga o primo do dito, retomando as dores daquele. Não sei o que parece pior: se a ausência de escrúpulos, se o golpe de rins e o ataque a um dos membros da família, escorraçado para o espaço exterior. Uma coisa é certa: este escrevinhador categoriza-se caracterialmente por esta coerência moral e a objectividade dos defensores de vínculos pessoais.

Na segunda parte do escrito ainda exacerba mais estas qualidades intrínsecas ao pronunciar-se sobre outro compadre, agora recluso, o 44.
Assegura este escrevinhador formado em Direito e até prático da disciplina como advogado temporário, que "temos assistido nos últimos vinte anos, revisão constitucional após revisão constitucional, código após código, a uma persistente e constante diminuição das garantias do Estado de direito no processo penal".
Este escrevinhador, antigo advogado até de penal, atreve-se a colocar isto por escrito, à espera que o leiam e acreditem na barbaridade por causa do tal compadre político que agora estagia detrás das grades de Évora.

"Nos últimos vinte anos", ou seja com as revisões do Código de processo penal em 1998 e em 2007, aquilo a que se asssistiu foi precisamente ao contrário, ou seja, ao reforço das garantias de defesa de entalados excelentíssimos, como aqueles dois compadres do escrevinhador moralmente caduco e sempre no sentido e na sequência de acontecimentos extraordinários que envolveram esse tipo de compadrios.
Em 2007, particularmente, assistiu-se a uma despudorada e evidente acção de protecção de potenciais entalados, dando-lhes de bandeja várias garantias processuais que outros países não têm, na sequência do processo Casa Pia.
Torna-se por isso intelectualmente abjecto escrevinhar que as garantias de defesa de um arguido, perante uma acusação ou simples suspeita, são perigosamente menores do que eram quando, há quase 40 anos, os constituintes, marcados por duas gerações de total arbítrio penal com a conivência da corporação judicial, deixaram escrito na Constituição o grito de "nunca mais".

Ora há 40 anos, tal Constituição substituiu outra que garantia legalmente a mesma defesa perante uma acusação ou suspeita. A prova está no seu próprio texto. Se a prática era propícia ao arbítrio, isso é para se discutir com elevação e não em croniquetas panfletárias.
De resto, mesmo com a actual Constituição, as garantias de defesa dos implicados no processo das FP25, em meados dos oitentas, foram substancialmente menores que as que decorriam daqueloutra do tempo do tal "arbítrio", tirando o recurso às "medidas de segurança", por motivos de guerra e de luta activa contra o comunismo terrorista.

Por causa desse mesmo terrorismo comunista, a operação das FP25, na época em que o escrevinhador se apresentava na revista Grande Reportagem como "grande repórter", foi algo que hoje seria manifestamente diferente. Por exemplo, o presidente da República de hoje nunca saberia o que se estava a passar, como o de então soube, mesmo estando no estrangeiro, numa daquelas viagens, para as ilhas das tartarugas gigantes ou para os confins da cochinchina, para ver pandas ou macacos no espelho. Isso seria uma garantia que a Constituição lhe dava na época? É que chegou a gabar-se e a reconhecer  ter dado "luz verde" a uma operação que não lhe competia conhecer, de todo, por causa de um nome equívoco que politicamente lhe apetecia dizimar...

Por outro lado, em 8 de Fevereiro de 1985, precisamente nessa altura, o escrevinhador reportava em grande naquela revista, num artigo co-assinado sobre "violência  em nome da lei", coisas que hoje são de certa forma impensáveis e que exprimem bem o progresso que o escrevinhador agora denega e que na época apresentava como algo a melhorar, mas que segundo o que escreve era melhor que hoje...

A história de "lola" é exemplar do modo como o actual escrevinhador tem a memória: no mesmo estado que a coerência moral.

 






 Por causa destas "lolas" e outras FP25, as leis penais foram modificadas, particularmente as de processo e em 1987 surgiu o Código que atribuía tantos direitos aos arguidos que até tinham o direito de não serem julgados pelos crimes cometidos, se verdadeiramente o quisessem. As faltas eram à discrição do freguês, mediante os atestados médicos que o escrevinhador conhecia bem, tendo até escrito sobre tal fenómeno.

Portanto, em matéria de evolução de garantias processuais, de facto e nesse aspecto as coisas modificaram-se, mas não é isso que o escrevinhador pretende dizer porque além de estulto seria imbecil.
O que o mesmo pretende agora afirmar por escrito é que de há vinte anos para cá "as garantias do Estado de direito diminuiram", reforçando de caminho a estulticia e evitando in extremis a outra garantia de inimputabilidade.
Ora naquele aspecto, as tais garantias do Estado até aumentaram. E noutros, como por exemplo a comunicação de factos e imputações aos arguidos então é que foi uma evolução, após o caso Casa Pia, mas desta vez em prol dos suspeitos e presuntos implicados.

De tal modo se evoluiu que agora, nos mandados de detenção fora de flagrante delito, como foi o caso do recluso 44, compadre político do escrevinhador, se fez um uso mais que adequado das garantias que os seus governos mandaram pôr em letra de leim em 2007. O artigo 258º do CPP que o escrevinhador nunca leu, pela certa, diz assim:

1 - Os mandados de detenção são passados em triplicado e contêm, sob pena de nulidade:
a) A data da emissão e a assinatura da autoridade judiciária ou de polícia criminal competentes;
b) A identificação da pessoa a deter; e
c) A indicação do facto que motivou a detenção e das circunstâncias que legalmente a fundamentam.
2 - Em caso de urgência e de perigo na demora é admissível a requisição da detenção por qualquer meio de telecomunicação, seguindo-se-lhe imediatamente confirmação por mandado, nos termos do número anterior.
3 - Ao detido é exibido o mandado de detenção e entregue uma das cópias. No caso do número anterior, é-lhe exibida a ordem de detenção donde conste a requisição, a indicação da autoridade judiciária ou de polícia criminal que a fez e os demais requisitos referidos no n.º 1 e entregue a respectiva cópia
.

Ora foi com base nestas garantias legais que o arguido, futuro recluso 44, ficou a saber o que o esperava. E foram garantias que o mesmo, pessoalmente assinou nos diplomas legais, em nome dos novos direitos dos suspeitos e arguidos.  Ou seja, supostamente, de maiores e melhores garantias de defesa, o que agora é contestado por aquele escrevinhador que tantas vezes tem dado provas concludented de ignorância crassa e ninguém lhe faz o reparo definitivo.

E tais mandados foram distribuídos e fatalmente chegaram aos jornais porque é assim mesmo que estas garantias do povo em geral se desenvolvem numa sociedade livre e democrática ( ao contrário do que se passava no tal regime "arbitrário"...). Toda a gente fica agora a saber, por causa da liberdade de informação, o que se passou com o recluso 44.  Portanto, esse segredo nem é para guardar porque quem é isso que se reclama...
É pena que também não se dê espavento ao modo como foi contratado à pressa o advogado para o motorista Perna. É pena porque também tal facto consta de despachos que o Ministério Público enviou para decisão.

No entanto tais factos, de tal modo se ficaram a saber que até o director de um jornal- José António Saraiva no jornal Sol-  que não é da confraria dos compadres do recluso 44, publicou esta semana uma espécie de editorial em que relata factos que vinham no tal mandado e ainda a sua interpretação dos mesmos, muito aproximada à verdade da ocorrência exacta e com meridiana sensatez analítica.

O compadre escrevinhador, esse, parece não ter estudos nem inteligência suficientes para chegar a tais conclusões e por isso, treslê, tergiversa, ofende quem não deve, desinforma quem não sabe e presta um péssimo serviço ao jornalismo nacional por causa de uma simples razão: a pessoal e intransmissível de se ver e sentir na pele de compadre, sem conseguir ser  isento e imparcial ou simplesmente objectivo, com um mínimo de coerência moral. Triste.

Vai continuar a escrevinhar no Expresso? Claro que vai. É precisamente disto que a casa gasta...


sábado, 13 de dezembro de 2014

Formentera lady




Ao ler os jornais de ontem e hoje, lembrei-me desta música dos King Crimson, um grande grupo de rock progressivo. Do disco Islands, de 1971, a primeira música chama-se Formentera Lady e o video que se segue é a perfeita banda sonora para acompanhar a leitura destes recortes do Sol de ontem e do Correio da Manhã de hoje.
Esta gente deve andar piúrça com o jornal e a sua estação de tv e aposto que já pensaram numa "solução final", porque a guerra é de vida ou de morte, incluindo para este "facilitador" metido em todas, mesmo todas.

A escuta transcrita no despacho que o Ministério Público apresentou ao JIC Carlos Alexandre é demasiado má para não se tomar em devida conta. E revela o que a cada dia se torna mais evidente: o campo da legalidade e o do crime já se confundem porque o advogado  Proença de Carvalho injuriou o juiz de instrução e não se ouviu a Ordem emitir um pio sequer.

Onde é que isto vai parar? Espera-se que seja ao Ministério Público. E à Ordem dos Advogados. 




De resto, esta imagem de um Correio da Manhã de 2013 diz muito a quem quiser ver com olhos de ver.
 Olrik escondido com rabo de fora...julga que vai escapar sempre. Só que tal como o patrão, o cântaro, lalalala...


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

O PCP teve prendas do BES?

O Público de hoje diz que sim e que eram ilegais...mas o bravo Jerónimo, cerra a mandíbulda, range os dentes e nega. N-E-G-A. Nega.
A culpa, se a houver? Casará com o contabilista, coitado.
Estou para ver se o Filipe e o Jerónimo e o Tiago, pedras morais das paredes de vidro, não irão esbarrondar de  tanto engolirem em seco...mas isso apenas se forem inquietados no Parlamento, o que se duvida vá acontecer.
Para já fica a notícia deste muro de vergonha.




As presunções não são todas iguais...e dependem do presumido

João Miguel Tavares anda inspirado e hoje no Público volta à vaca fria, a propósito da pele de leopardo.

Assim:




 O artigo do fradesco laico Louçã a que se refere JMT é este, de ontem no mesmo Público e mostra a grande hipocrisia do habitual comentador nos programas da SIC-N a convite da  sábia da estação, uma apara-chic sempre a defender o Rato.

Mesmo que se contradiga, a presunção que empresta a Salgado nada tem a ver com a que presenteia o recluso 44. Para que conste , a ética deste fradesco do trotskismo serôdio é sempre relativa.


O dinheiro mudo que esconde a verdade

Notícia do i de hoje:


E uma notícia da Sábado de hoje:


Estas duas notícias estão relacionadas. A do i relata que a família de Ricardo Salgado, designadamente o primo Ricciardi tem dúvidas que o GES tenha recebido a totalidade dos 85 milhões de euros que aquele afiança terrem sido recebidos.

O advogado Proença de Carvalho, segundo a Sábado, recebeu do BES, só entre os meses de Setembro 2013 e Abril de 2014, cerca de 246 mil euros para pagamento de "serviços prestados", mormente em Angola e através de actividades de "facilitação", não de serviços jurídicos.

Para além disso, o PCP era cliente do BES e parece, segundo tudo indica que o banco falido facilitou uma verba muito caladinha de 11 mil euros, "a fundo perdido", inserida num contrato normalíssimo de prestação de serviço de multibanco. O Público de hoje titula na primeira página: " BES aprovou donativo proibido por lei à Festa do Avante".
É altura de indagar a moral do PCP em andar a fazer e frei tomás...porque o Público explica que tal donativo escondia uma chico-espertice: inclui-lo nas contas da prestação de serviço, pagando o PCP apenas parte do preço...

Quanto a Júdice, ou seja a Quinta das Lágrimas,  ser devedor do BES, é uma  banalidade, Quem não tem créditos bancários? Isso significa alguma coisa? Pode significar que agora é preciso cobrá-los...