quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

O apelo populista a Salazar

No Polígrafo, o jornalista Fernando Esteves parece andar muito preocupado com o movimento de Mário Machado, NOS.

Vem aí uma manif convocada pelo referido NOS onde se evoca o nome e a imagem de Salazar para passar uma mensagem que ainda não se sabe muito bem qual seja, para além do mote "Salazar faz muita falta!", o que aliás é dito comum a quem lamenta a falta de ordem ou de certos princípios morais ou de disciplina em várias matérias ou ainda os desmandos do Estado, com destaque para a corrupção de altas figuras.

Salazar, durante décadas, tem sido apresentado como uma antítese desses fenómenos negativos e porventura como alguém capaz de pôr cobro a tudo isso- se fosse vivo. Daí o dito.

Uma coisa parece certa: com Salazar o NOS, tal como é apresentado pelos media, teria vida difícil senão impossível. Mas o NOS pode ser outra coisa e por isso impõe-se o benefício da dúvida.



Um dos temas do cartaz é a lembrança de  Salazar que tem sido banida da "nossa História". De facto tem sido banida a memória certa do que foi Salazar e do que representou. E esse debate não se tem feito. O único que se faz é o da Esquerda comunista e não comunista que o apresenta como o símbolo máximo do "fascismo" e fica tudo dito com tal acantonamento redutor.

Não obstante, Salazar tem muito mais que se lhe diga e devia dizer-se livremente. Se o apelo do NOS tem um enfoque explícito em determinados preconceitos ligados à extrema-direita, seja isso justo ou não ( interessando à Esquerda em geral atirar o NOS para tal reduto político, entre nós maldito para o politicamente correcto) a verdade é que deveria aproveitar-se o ensejo para se falar de Salazar e do que realmente foi, para além dos clichés esquerdistas de sempre.

O apelo do NOS está contaminado à partida pelo preconceito que o aflige. No meio mediático nacional não há volta a dar a tal fenómeno e o interesse de Fernando Esteves, no Polígrafo representa bem tal idiossincrasia e enviesamento.

Em Setembro de 1974 alguns apoiantes do regime anterior- de Marcello Caetano e de Salazar, diga-se- organizaram uma manifestação de apoio ao general Spínola, ainda presidente da República mas desiludido quanto ao rumo que a Revolução de Abril estava a tomar, notoriamente orientada pela Esquerda e Extrema-Esquerda e com um processo revolucionário de tomada do poder pelo comunismo em geral que terminou em 25 de Novembro de 1975.

A manifestação foi convocada para depois de uma tourada a realizar no Campo Pequeno e havia cartazes assim, para o efeito:


O desenho do cartaz, algo infeliz mas graficamente interessante era do cartunista Quito e a expressão "maioria silenciosa" apelava a reminiscências do tempo do Maio de 68 e dos gaullistas que a empregaram.

Pois bem, nessa mesma noite as forças de esquerda reagiram à "reacção" e organizaram milícias de controlo rodoviário, a que chamaram "vigilância popular". É ver a imagem de 3.10.1974:




Mais: o referido cartaz da "maioria silenciosa" por artes mágicas da esquerda do mdp-cde ( não era só a extrema-esquerda, metida nisto...) passou a figurar deste modo, mostrado pela Vida Mundial da semana seguinte:



O PCP para mostrar que não deixava créditos por mãos alheias ( embora no caso do mdp fossem as palmas da própria mão) também aproveitou a ideia em livro:


Em Setembro de 1974, também  muito por efeito da manipulação mediática da época, com a contribuição de quase toda a imprensa, rádio e tv, tomados pelas forças políticas de esquerda, (incluindo o Expresso em que lá estava o actual presidente da República), foi revertido num instantinho gráfico desse  modo.

Temo que o cartaz do NOS tenha o mesmo fim, porque estas coisas não esquecem à Esquerda.
Já há uns anos um cartaz do PNR teve direito democrático a ser ladeado por outro idêntico com mensagem hostil. A democracia do palhaço RAP é do género e ainda hoje se ufana do feito que lhe trouxe notoriedade e proveito bancário a breve trecho.  E a memória do feito viria por via paternal porque os progenitores da criatura viveram os tempos heróicos da luta contra a "reacção" desse modo prosaico. A vidinha sempre lhes  sorriu, bem empregues em empresas públicas. E os tempos continuam a correr de feição pelo que vai repetir a façanha, pela certa.

Na semanas seguintes àqueles episódios edificantes da nossa democracia, em modo popular, o problema era colocado assim, na capa da referida revista:


Era a CIA, o papão. Hoje em dia já não é a CIA mas o discurso de ódio aos americanos não mudou uma vírgula, por esses lados. Agora é o Trump que paga as favas.
A raiz desta mentalidade da esquerda nacional vem daí, desse tempo e do PREC. As madrassas do jornalismo limitam-se a reproduzir esses refrões à força de terem sido cantados tantas vezes pelos antigos mestres do "poder popular" e  a vigilância exercida permanentemente sobre a tal "reacção".

O que se passa com o NOS e a reacção destemperada provocada nos media tem essa explicação causal, a meu ver.

No outro dia apresentei uma foto, de 1953, tirada à saída de uma cerimónia religiosa, em Santa Comba Dão.

Salazar para mim é uma referência exemplar de um tempo que foi de Portugal e um símbolo dos portugueses que acreditavam na Pátria destino de todos, sem influência ou domínio comunista, ateu e desenraizado das nossas tradições.

Por mim aprecio mais Marcello Caetano como político que falhou, mas cujas convicções me seduziam mais dos que as de Salazar. Marcello Caetano atravessou também o tempo e o espaço de Salazar mas não parou algures num tempo indefinido por princípios imutáveis quanto ao modo de governar. Marcello Caetano soube adaptar-se no tempo e poderia ter conduzido Portugal a um futuro bem mais radioso do que o que nos foi legado a partir de 1974.

Relativamente a Salazar, hoje apresento outra foto exemplar e recheada de semiótica que me parece extremamente interessante debater.
As fotos são do álbum de Joaquim Vieira, publicado em 2001 pelo Círculo de Leitores e foram tiradas pelo inspector da PIDE, António Rosa Casaco, em 1953 ( o comunista Loff chorava no Público do outro dia, baba e ranho por causa do jornalista José Pedro Castanheira o ter entrevistado para o Expresso em 1996... porque tal não era jornalismo mas publicidade aos "perpetradores").



Este Salazar que aqui se mostra não será o que se deseja para pôr cobro a desmandos. Este é o Salazar rural que vivia na sua aldeia com as pessoas do campo porque tinha sido da mesma "igualha" social.

No fundo o que a Esquerda não perdoa a Salazar é esta identificação que eles nunca tiveram. Nem no Alentejo...

Esta identificação é feita de paz e sossego e não de ódio ou hostilidade a quem tem algo de seu. Comunga dos mesmos valores, no caso cristãos, ocidentais e tradicionais, ou seja, tudo o oposto a tal Esquerda.

A evocação de Salazar seja pelo NOS seja por outro qualquer deveria seguir sempre esta via, mostrada na última imagem: balizada pelos carris da tradição, com precaução mas firmeza no andar para o futuro destino.

Portugal não pode resumir-se a umas ideias de Esquerda que aqui vieram parar, vindas com o vento Leste, nos idos de 1974. Portugal é muito mais antigo que isso.

No O Diabo de ontem o articulista Manuel Silveira da Cunha mostra o horizonte desse caminho: a nossa História pregressa, mal conhecida porque mal contada pelos Rosas e afins que afinam pelo Leste. Ora nós sempre fomos do Ocidente cristão...



 O autor refere António Quadros, muito esquecido. De facto assim é. E que tal começar por este livro sobre Fernando Pessoa e o único que conheço que refere a ideia fantástica do Quinto Império da lenda?  O livro é de 1981, da Arcádia [ de notar que António Quadros é referido num apontamento da Vida Mundial de 10.10.1974, com laivos de censura: tinha sido apoiado pelo novo SNI, o M.C.S. já no tempo do PREC...].


E já agora o que dizer disto que tem sido notícia ontem e hoje:


E este do Público, um pouco melhorzinho porque traz o poema todo:


Os versos censurados pelos educadores oficiais revelam a pederastia do autor? Representam o incitamento a crimes de abuso sexual de menores, que agora devem ser punidos com penas de prisão firmes e prolongadas?

É caso para o André Ventura se pronunciar...mas pode ir lendo o livro de António Quadros que responde cabalmente a tais questões. E ao mesmo tempo permite entender que é sempre necessário colocar as coisas no seu tempo e contexto.

Tal como Salazar...

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

A Justiça popular nos casos de abuso sexual de menores

Hoje de manhã a Antena Um dava conta do seguinte: 

"O Instituto de Apoio à Criança diz que é difícil de entender o baixo número de penas de prisão efetiva para crimes de abuso sexual de crianças."


O IAC é um organismo que congrega vários magistrados, embora relativamente afastados do foro.

Ontem no CM, o articulista André Ventura,  também advogado, comentador de futebol e animador político de força política nova- Chega- publicou este texto:


Desde há meses a esta parte, assumindo maior visibilidade com dois ou três casos explorados mediática e demagogicamente ,  existe um movimento de pressão sobre os tribunais no sentido de as decisões sobre abusos sexuais de menores serem mais duras e obrigarem a prisões efectivas em todos os casos julgados. [ nem tenho dúvidas que tal pressão irá ter os seus efeitos a breve trecho com um aumento de penas de prisão efectivas, declaradas na primeira instância ou nas relações. É o efeito mediático no seu melhor, porque os magistrados deixam-se influenciar efectivamente por estas tretas que julgam acertadas. Por um lado, para certos magistrados do MºPº é sopa no mel que apresentam, uma vez que só ficam satisfeitos estatisticamente quando há muitas penas de prisão; por outro lado, os juízes temem o efeito de opinião pública e a denúncias dos institutos de crianças e afins, mais as tânias laranjos que pululam nos media].

Tal pressão, vinda de sectores específicos da sociedade, influenciados pelos media e por uma espécie de populismo à flor das notícias, procura influenciar decisões que os tribunais tomam em processos cuja tramitação raramente é entendida por aqueles e que na maior parte dos casos são noticiadas com óbvia manipulação de factos, sentimentos e opinião.

Ainda há minutos, na tv, o advogado Garcia Pereira, um MRPP que não perdeu nada da insensatez que o caracteriza politicamente,  que defende ideias politicamente absurdas e até criminosas do ponto de vista democrático, vituperava tudo o todos no sector da justiça, englobando aquelas decisões polémicas que iam do caso do "macho ibérico" ao do "juiz do Porto" sobre o abuso sexual numa discoteca.

Esta gente, particularmente advogados de barra, sente-se estimulada e abalizada a emitir opiniões definitivas sobre casos que não conhecem, senão pela rama jornalística, colocando no pelourinho dos seus anátemas sumários as decisões tomadas.

Qualquer caso de abuso sexual, seja de menores ou adultos, chegado a julgamento, tem que ser avaliado através das provas a produzir em audiência que implicam o conhecimento dos factos, da "verdade material", incluindo os da defesa e ainda a avaliação da personalidade do arguido e no caso de condenação da sua culpa concreta para uma pena concreta.

Jogar com todos esses elementos não é sequer ponderado por esses opinadores de circunstância e quanto aos elementos do Instituto da Criança, há quanto tempo os magistrados que lá estão não participam num único julgamento real, com pessoas de carne e osso em frente e que relatam o que ocorreu e o que se passa com elas?

Acaso toda essa gente, incluindo os do Instituto em causa, julgam que os juizes e magistrados do MºPº que participam em julgamentos de casos desses teor são um bando de mentecaptos cuja inteligência está alguns patamares abaixo dessas luminárias como a de um Garcia Pereira, amigo e correligionário de um Arnaldo Matos? Que respeito intelectual merece um indivíduo destes?

Os tribunais que julgam casos de abuso sexual de menores e nalgumas situações, mesmo em maioria, aplicam penas de prisão suspensas na sua execução justificam tal opção de acordo com critérios legais que entendem ser os mais adequados.

Porque razão essas pessoas que não participam nos julgamentos e os fazem a posteriori, em modo perfunctório e acreditando piamente em relatos jornalísticos, geralmente enviesados a favor de uma das partes, hão-de ter mais razão que os magistrados que acompanharam os casos, conheceram todos os factos e julgaram de acordo com as suas consciências?

O advogado André Ventura acompanhou o caso do "professor de matemática" que foi condenado em pena suspensa? Sabe exactamente o que ele fez e o que lhe aconteceu?  Tem na sua posse todos os dados essenciais para fazer o juizo de valor que fez?

Não tem. Então deveria ir bugiar, tal como os responsáveis pelo Instituto da Criança que dão palpites em modo do que lhes parece.

Basta de estultícia. E se querem discutir tais casos o melhor seria estudá-los. Infelizmente, os tribunais fecham a porta à comunidade em casos deste teor, aplicando as regras processuais com um rigor por vezes escusado e dão azo a desinformação e enviesamente de opinião publicada.

Por outro lado, de forma mais triste ainda, vêem-se representantes de conselhos superiores das magistraturas a darem razão a estas vozes desgarradas e a nem quererem entender a realidade do dia a dia dos tribunais e das razões concretas de tais decisões.

Ainda por cima, não aparece nenhum desses representantes a esclarecer o povo que emite opinião mediática, tentando explicar a realidade processual e a vicissitude de decisões desse género. O silêncio é regra e a colaboração com tal deslegitimação o costume.

Triste. Tanto mais que estes casos de "abuso sexual de menores" são quase sempre julgados pelos media segundo a mesma bitola. São sempre casos de violação quando não são e sempre relativos a "predadores" quando podem não ser.  Não há gradação nos factos que são sempre de gravidade extrema, eventualmente derivada dos fantasmas particulares de quem os descreve nos media.

Se há domínio em que as notícias falsas são reais é este. Ainda não vi um único caso relatados nos media que dê uma ideia exacta dos acontecimentos, incluindo a perspectiva de quem os praticou, se foi o caso.

Isto é que deveria ser discutido pelo Instituto da Criança e outros, porque a desinformação contribui para a injustiça. Mesmo relativa.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

O autodafé democrata da extrema esquerda


As páginas da Nova Ordem Social, com milhares de seguidores, foram expulsas daquela rede social na sequência de uma ação organizada de movimentos antifascistas nacionais e internacionais, que inundaram os servidores do Facebook com denúncias sobre as ideias extremistas defendidas pelo movimento liderado por Mário Machado.
(...)
A guerra cibernética entre o NOS e a FUA tem outra frente de batalha. O NOS está a organizar uma manifestação sob o mote “Salazar faz muita falta!”, em homenagem a António de Oliveira Salazar, antigo líder do regime ditatorial do Estado Novo (agendada para o dia 1 de fevereiro, em Lisboa). Por seu lado, o FUA está a promover uma petição pública contra a realização dessa manifestação.

“A FUA apela a todos os que se orgulham de viver num Estado democrático que se juntem a nós neste esforço para travar uma mobilização que, além de claramente inconstitucional, é no fundo uma afronta e um voto ao esquecimento a todos os que dedicaram (ou perderam) a vida para quebrar as correntes da ditadura Salazarista. Permitir o branqueamento e a revisão histórica daquilo que o período da ditadura representou para os milhares de portugueses que durante décadas foram perseguidos, mortos, atirados para a guerra, para a pobreza e para o analfabetismo, não é gozar do direito à liberdade de expressão: é uma afronta direta à memória histórica com a qual devemos aprender e uma porta aberta para o retrocesso. A democracia deve ser trabalhada e melhorada? Sem dúvida, mas esse processo não pode ser liderado por saudosistas do fascismo e da ditadura militar”, defendem os militantes da FUA, no texto da petição.


Isto nem é novo, da parte destes pseudo-democratas da extrema-esquerda. Já aqui foi mostrado um dos primeiros exemplos de um autodafé deste género:


Na altura escrevi assim: 

Um dos jornais mais esquerdista e desabridamente comunista que apareceu então, era o semanário Sempre Fixe dirigido por Ruella Ramos que também se ocupava da propaganda comunista no Diário de Lisboa.
O Sempre Fixe de Setembro de 1974 exultava com a queima de jornais, num público auto de fé antifascista. Jornais fascistas, claro está e que só por isso podiam ser queimados, sem que alguém levantasse um dedo de escrita em protesto.
Então, os hereges eram os jornalistas do Bandarra, Tribuna Popular e Tempo Novo. Os argumentos para a fogueira eram sensivelmente os mesmos de agora para com o sítio da Nova Ordem Social: fascismo. 

O fassismo é o fantasma permanente  desta Esquerda que se tolera em democracia e até se mostram os seus heróis de sempre mas que não tolera tudo o que determine ser fascista. Seja ou não seja, porque os aferidores são eles mesmos. 

É esta a democracia que temos. 

Comunistas convertidos

Observador, José Luís Andrade:

Dolores Ibárruri Gómez, mais conhecida por la Pasionaria, foi uma encarniçada militante comunista espanhola, membro do Bureau Político do Partido Comunista de Espanha desde 1932, e sua presidente desde 1960 até à sua morte em 1989. Nascida em 1895, crescera numa família basca de simpatias carlistas, entranhadamente católica. Os parcos recursos do pai, mineiro, e a sua larga prole (11 filhos), levaram-na a ter de sair da escola aos 16 anos para ganhar a vida e ajudar a família. Pouco depois, conheceu o seu primeiro companheiro, Julián Ruiz, um militante socialista filo-bolchevista, com quem casaria em 1916. Ruiz foi determinante na sua conversão ao comunismo e, com ela, e com outros defensores da inscrição do PSOE na Internacional Comunista, fundaria o PCE, em Novembro de 1921.

Ao escrever o seu primeiro artigo em El Minero Vizcaíno, adoptou o pseudónimo de Pasionaria, ou porque o tivesse redigido durante a Semana Santa, como sugere a maioria dos seus biógrafos, ou porque o usasse nos seus anteriores textos de colaboração no boletim paroquial, como defendem alguns. Mercê do seu papel na revolução das Astúrias de 1934, iniciada pelo PSOE mas a que o PCE se anexara oportunisticamente, foi «eleita» para o Comité Executivo da Komintern, no 7º (e último) Congresso da Internacional Comunista, em Agosto de 1935. Foi nesta reunião magna dos comunistas estalinistas que foi aprovada a estratégia das Frentes Populares que, poucos meses depois, daria frutos em Espanha. A Pasionaria seria uma das principais intérpretes dessa orientação política e uma das figuras de proa da eficaz máquina de propaganda de Moscovo.

A Dolores são atribuídas afirmações que lhe não pertencem originalmente; apenas a força da máquina propagandística lhas colou. «¡No pasarán!» tornou-se tão emblemática que os próprios adversários, quando entraram em Madrid cantavam jocosamente «¡Ya hemos passa[d]o!»; na realidade a frase foi proferida num contexto de exaltação por um ex-subordinado do marechal Pétain (o general Robert Nivelle), em Verdun, durante a Grande Guerra. E «Para vivir de rodillas, es mejor morir de pié» parece não passar de uma paráfrase do que o seu adversário José Calvo Sotelo, a quem ameaçara de morte em pleno Parlamento, lhe respondera: «Es preferible morir con gloria a vivir con vilipendio». Consta, contudo, que a afirmação «Más vale matar a cien inocentes que dejar escapar a un solo culpable» é mesmo dela.

Ora, no passado dia 8 de Janeiro, pela pena de Jesús Ruiz Mantilla, o El País noticiou que la Pasionaria acabou os seus dias reconciliada com a sua fé de infância e juventude, tendo regressado à Igreja Católica. Vários foram os relatos que testemunham que, depois de se confessar, comungava com o padre operário José María de Llanos, assistindo à missa e participando nos cânticos. Segundo uma ex-carmelita, a «madre» Teresa, Dolores «era uma mulher educadíssima, muito crente e devota da Virgem». Numa Europa cada vez mais marcada pela teofobia, tais narrativas causam certamente estupefacção. Mas não são inéditas. O próprio responsável pelo maquiavelismo da «hegemonia cultural marxista», Antonio Gramsci, o cominterniano fundador do Partido Comunista Italiano, acabou por se deixar tocar pela graça divina. Segundo relatos fidedignos da época, tendencialmente silenciados pelos curadores da memória histórica de Gramsci, este pensador comunista morreu depois de receber os sacramentos, rodeado por imagens religiosas que solicitara. Na prisão hospitalar, no Natal anterior, pedira mesmo para beijar a imagem do Menino Jesus.

Este tipo de salto para os antípodas das convicções, pouco publicitados pela natureza discreta e intimista do processo de conversão, preferida não só pela Igreja Católica mas também pelos ex-correligionários dos convertidos, não é contudo, um fenómeno novo. No último quartel do século XIX causou escândalo a conversão ao catolicismo, nos derradeiros instantes da sua vida, de Émile Littré. Discípulo de Saint-Simon e de Comte, Littré recusara aquilo que chamava os desvios místicos deste seu último mestre, sendo um profundo crente no materialismo tout-court. Poliglota e lexicólogo, foi autor de um grande dicionário da língua francesa, complementar ao movimento enciclopedista, pelo que bem cedo lhe fora assegurado um lugar de destaque na hagiografia anticlerical. As suas traduções de obras de filosofia, fossem da Antiguidade Clássica, fossem de ensaios contemporâneos, iam sempre acompanhadas de Notas ou Prefácios de negação da ordem sobrenatural e de afirmação do materialismo. A sua posterior conversão ao catolicismo, negando as convicções que defendera, levou a que fosse praticamente eliminado das referências axiais da militância anticristã, a partir de 1881.

Mas também entre nós se verificaram (e verificam) casos de surpreendentes conversões. Um deles foi a conversão, no Outono de 1909, de António Duarte Gomes Leal. Perante as comemorações do sétimo centenário do nascimento de Santo António em 1895, dos centros socialistas de Lisboa partira a ideia de organizar um conjunto de festividades alternativas, nomeadamente um Congresso Anticatólico, em 18 de Junho desse mesmo ano. Azedo Gneco, na abertura dos trabalhos, salientou que «é ao partido socialista que compete dar batalha a essa seita nefasta; se o capital esmaga, o clero embrutece». Reunindo pouco mais de meia centena de congressistas, nele se destacaram Francisco Gomes da Silva, da «loja» Cavaleiros da Paz e Concórdia, Ernesto da Silva, que criticou a Rerum Novarum e, sobretudo, o poeta Gomes Leal, que traçou as linhas gerais do que se poderia chamar o guião da missionação laica dos livres-pensadores, um autêntico catecismo anticatólico.

Sobre Gomes Leal, Raul Brandão diz «quem não viu n’outro tempo este homem extraordinário não conheceu um verdadeiro, um autêntico poeta satânico. […] Escreveu as páginas das Claridades do Sul, da Traição e d’O Anti-Christo. […] Agora vai todas as manhãs ouvir missa à Pena ou ao Resgate». Muitos jornais parodiaram-no, sobretudo após a publicação, em Janeiro de 1910, de A Senhora da Melancolia. Em A Capital, na edição de 3 de Abril de 1910, o caricaturista António de Sousa, com grande desumanidade, desconsidera-o, afirmando que «duas vezes somos crianças» e pondo-o, qual mendigo, «a pedir… para o Santo António». N’A Lanterna, Paulo Emílio (pseudónimo do jornalista Avelino de Almeida que anos depois experimentaria grande comoção perante o Milagre do Sol, em Fátima) dedica-lhe extensa prosa achincalhante, espalhada por vários números do periódico. Depois da sua espantosa conversão ao catolicismo, aquele que havia sido o mais radical, o mais extremista dos anticlericais republicanos, viu-se ostracizado por todos os seus anteriores correligionários até acabar por morrer na miséria.

Também o caso de Manuel Ribeiro, o presidente da Federação Maximalista Portuguesa, órgão fundado em 1919 e percursor do Partido Comunista Português, do qual Ribeiro seria dirigente com o pelouro da Educação, causou viva estupefação. Escritor de mérito, Manuel Ribeiro foi um activo divulgador das teses pró-soviéticas, tendo traduzido várias obras comunistas para português. Esteve detido alguns meses no Limoeiro como resultado da sua liderança na greve ferroviária de Junho de 1919 e sê-lo-ia, de novo, em 15 de Outubro de 1920, na sequência da ilegalização do Bandeira Vermelha de que era director. Foi no cárcere que o activo dirigente sindicalista ferroviário, e romancista anticlerical, se deixou «tocar» pelo padre Cruz, vindo a converter-se mais tarde ao catolicismo. Posteriormente, foi director da revista católica Renascença e fundou, com o padre Joaquim Alves Correia, uma outra denominada Era Nova.

Embora haja convertidos nos dois sentidos, é muito mais significativo o número dos que renegam as suas convicções teofóbicas e escolhem morrer no seio da Igreja, onde, em muitos casos, iniciaram os primeiros passos. Sobretudo quando a hora derradeira se aproxima, a fome de eternidade conduz à comunhão que liberta. Tenho um amigo nessas circunstâncias – o Luís Fernandes; provavelmente, até nem nunca recusou a Graça. Mas percebe-se que a sua esperança de eternidade o aproxima mais de Deus. A verdade é que no cair do crepúsculo da vida quando a conspícua e poluída espuma dos dias se abate, todas as glórias, orgulhos, ignomínias, desilusões, tristezas, dores, frustrações e paixões se esbatem perante a ansiedade de ser acolhido no regaço eterno de Deus. Que Ele, o Senhor da Boa Morte, te acolha, Luís, na Sua tertúlia; e, quem sabe, até talvez possas encontrar lá a Pasionaria. Seguramente, terão muito que conversar…

domingo, 13 de janeiro de 2019

A mulher do primeiro-ministro comprou uma casa velha...e é notícia no CM

CM de hoje:

Esta notícia é estranha pelo seguinte motivo: a mulher do primeiro ministro A. Costa comprou uma casa velha nos arredores de Lisboa-centro. Para comprar tal casa, um "moquifo", o casal vendeu uma moradia em Sintra, num condomínio privado com algum luxo.

Diz a notícia que A. Costa comprou a casa no condomínio em 2003, pedindo um empréstimo de 308 mil euros à CCAM. Em 2009, meia dúzia de anos depois, a casa estaria paga.

Saiu a sorte grande ao A. Costa? Ganhou algo que não esperava nesse tempo fabuloso do governo Sócrates de que Costa fez parte, sem poder exercer advocacia? Mistério que seria interessante elucidar.

Mais: em 2014 Costa tinha rendimentos mixurucos para um político que andou por Macau, com o seu amigo Lacerda, advogado no mesmo sítio. Nem sequer fazia parte dos políticos "ricos" que a Sábado elencou em Setembro do ano passado e aqui já foi mostrado há dias.

Mas...ganhou nesse ano de 2014 o que o jornal indica. Como funcionário público, o que aparece. Como "trabalhador independente", mais um terço disso. "Trabalhador independente", em 2014?!

Enfim, nunca compraria um carro usado a este Costa. Teria receio de ser enganado.


sábado, 12 de janeiro de 2019

A suspeita insensatez

DN de hoje:



Segundo o advogado Manuel Magalhães e Silva que defende um dos arguidos do processo de "terrorismo de Alcochete", cujos factos se resumirão a alguns cachaços e pouco mais, por um grupo alargado de energúmenos, a ideia mágica do "terrorismo" terá partido da luminária da CMTV, Rui Pereira.
Não me admirava nada que assim fosse, mas o delicioso da questão é o facto, contado no jornal,  de o referido advogado, também membro do CSMP, ter referido que a mulher de Rui Pereira, a penalista catedrática Fernanda Palma, ter escrito já em tempos que a agravação deste tipo de actuação para a sua integração como terrorismo só teria lugar se houvesse "uma ameaça às condições vitais da organização ou da sociedade".
Ou seja, o crime de terrorismo imputado na acusação é uma balofice insensata inspirada por um benfiquista confesso num programa de tv. De rir? De chorar, antes.

Sobre assuntos judiciários, no Expresso de hoje, a reformada/jubilada Maria José Morgado escreve algumas ideias interessantes que apresenta em modo de perguntas ao vento que passa.


O vento não vai responder  e vai calar a desgraça de vermos agora uma antiga responsável de topo do MºPº a elencar questões cuja resposta desconhece e cuja experiência profissional não foi suficiente para lhe ajudar a descobrir. Ou não quer arriscar respostas...

Haja senso em quem o tenha!

Hoje, no Público e no Sol há quem coloque as coisas no devido lugar, sobre o caso Mário Machado.

No Público, Vasco Pulido Valente que inaugura uma "coluna"  de comentário breve sobre os acontecimentos da semana,  lembra o óbvio: o esquerdismo estalinista não desapareceu de Portugal, como o Público de ontem mostrava.



No Sol, o director e o colunista Dinis de Abreu recolocam a questão: a democracia é apenas um verbo de encher lugares na A.R. para os partidos comunistas. No O Militante e outros lugares do PCP, o estalinismo continua vivo e fossilizado e com boa saúde política. Ninguém se incomoda. O Público até anda a mostrar ao Domingo o retrato destes heróis feitos domingos abrantes.



No DN agora em papel decente e grafismo melhorado, o director de informação da TVI, Sérgio Figueiredo diz coisas inacreditáveis.

Diz que foi um erro convidar e entrevistar o tal Mário Machado. Depois defende a entrevista como aliás defendeu logo no dia, em nome da liberdade de informação; depois tergiversa sobre o erro e no fim acaba por dizer que até entrevistava o Hitler, se pudesse e estivesse vivo.

Um malabarista, este Figueiredo amigo de José Sócrates e a quem vai deixar ficar mal quando as coisas derem para o torto.

Acho que há uma expressão portuguesa bem adequada a este tipo de indivíduos. É ler como justifica a informação da TVI ou a programação, notoriamente seguidista em relação ao estilo da CMTV e descarta o modelo...





sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

A Censura fica-lhes tão bem!

No Público de hoje estes três artigos definem uma seita. A de uma esquerda que nunca abandonou a matriz totalitária, mesmo que não pareça e se apresente como democrática e tolerante.

A tolerância da esquerda termina logo que se aperceba do perigo de desaparecer. O desaparecimento da Esquerda, no sentido marxista mais amplo, do termo, ocorre logo que desmorone o muro de mentiras que a protege, como aconteceu no Leste europeu nos anos noventa do século que passou. A esquerda eclipsou-se porque as pessoas em geral perceberam o logro que representava. Em todos os domínios, porque a concepção totalitária tal implicava.

Em Portugal essa Esquerda manteve-se sempre na ribalta. É um verdadeiro fenómeno, o que sucede neste país de há 40 anos a esta parte. Não há nenhum país europeu que se compare tal como não houve nenhum país europeu que tivesse um PREC como nós tivemos em 1974-75, com o prolongamento em 1976 através de uma Constituição que o institucionalizou na ideia básica: o socialismo como meta, a igualdade como desiderato proclamado e a exclusão política de adversários radicais dessa ideia.
A extrema-direita em Portugal desapareceu como por encanto, na medida em que a Direita foi logo demonizada como fascista e associada à extremidade que sempre repudiou e enquistou por isso má-consciência.

O fenómeno Mário Machado, um símbolo deste processo e fenómeno, na medida em que representa o diabo da extrema-direita para essa esquerda que tem raízes totalitárias, é exemplar.

Mário Machado é o melhor que essa esquerda até agora arranjou para diabolizar a extrema-direita que é o seu inimigo figadal, literalmente, por vezes. Mário Machado é um come-gente, para essa esquerda. Um leviathan dos pobres. Um pesadelo vivo para quem nada mais tem para sonhar em modo de seita. Ich bin der Geist der stets verneint!, poderia ter dito Mário Machado no programa do Goucha, se fosse  um letrado. E essa esquerda acreditaria piamente, porque é assim que o entende: o espírito da negação permanente dos valores em que diz acreditar. E que se assemelham, porque os contrários tocam-se como se costuma dizer. 
A extrema-direita que se corporizou nos anos trinta no nazismo e no fascismo mais suavizado e latino é a nemesis dessa esquerda. O Outro . O Diabo. O Intolerável. O espírito do Medo. O Fim.

Por isso mesmo estas reacções incríveis de pessoas que escrevem no Público de hoje e que só se compreendem porque foram de esquerda, dessa esquerda totalitária que afinal se assemelha muito mais àquele diabo de gente do que à democracia que agora dizem defender.

Em primeiro lugar este lamentável escrito do advogado Teixeira da Mota, aparente defensor da liberdade de expressão, desde que não lhe toque nestes preconceitos...


Depois o artigo desta nova inenarrável, sectária, intolerante afinal tão fascista como aqueles que vitupera:



E esta que professa na Nova ( coitados dos alunos...) Até cita Rawls fora do contexto, para defender o totalitarismo censório contra a corrente que entende como O Outro...


Rawls, o intelectual esquerdista e liberal, como se tal fosse possível, dizia que a liberdade implica a tolerância com grupos intolerantes, Com uma excepção: a que decorre do  risco para a  estabilidade da sociedade. E que risco seria esse?
Para estes intolerantes e censores, o risco de Mário Machado chega. Para Rawls seria  apenas o risco que se apresentaria em casos extremos.

Para estes censores o risco extremo, para a sociedade e portanto justificativo da censura legítima,  está já presente em Mário Machado.

Coitado do Mário Machado...e coitados destes tristes censores que afinal desafivelam a máscara por tão pouco.

A acrescentar a esses três da vida airada dessa esquerda, também este, do comunista Loff, no Público de ontem mostra bem o que vai por essa esquerda.  O totalitarismo comunista é com ele...e por isso dá mais uma mostra eloquente desse pensamento refinado. Um doido? Julgava que não mas começo a duvidar.



Os escritos desta gente deveriam aparecer sinalizados com uma epígrafe: cave sinistra.

E à medida que vou desfiando o jornal aparecem mais, como baratas debaixo de pedras...este é do Ipsilon de hoje. Muito intelectualizado pelos amaricanos do politicamente correcto.



PGR: prova de fogo superada

A novel PGR tinha uma prova de fogo a que não poderia eximir-se: a escolha do director do DCIAP, depois da saída de Amadeu Guerra.

Segundo estas impressões positivas veiculadas no Público de hoje, a nomeação, sem espinhas, do magistrado Albano Pinto representa a superação dessa prova.


Cabe agora a este magistrado superar as várias provas de fogo a que vai estar sujeito. Aqui estaremos para ver, se Deus quiser.

No CM dá-se conta da preferência pelo "crime". Não chega. Amadeu Guerra era do Administrativo...e fez um bom lugar. O que se exige no DCIAP é outra coisa.



Veremos se o que parece é, como parece escrever  Eduardo Dâmaso:


Este Governo também é enriquecedor...

Artigo de Luís Reis, no Observador:

O índice de Volume de Negócios na Indústria apresentou uma variação homóloga nominal de -2,2% em Novembro passado, reflectindo o abrandamento da procura por parte do mercado externo.

Em Novembro de 2018, as exportações de bens registaram uma variação homóloga nominal de -8,7%, enquanto as importações aumentaram 11,5%, razão pela qual o défice da balança comercial aumentou 1.157 milhões de euros por comparação com o mês de Novembro de 2017, registando um saldo negativo superior a 2.000 milhões de euros.

Portugal atingiu em Outubro de 2018 o valor mais alto de sempre da sua dívida pública líquida em termos absolutos: 251,1 mil milhões de euros (para os mais desatentos, regista-se que o aumento da dívida não pode apenas ser explicado pela vontade do Governo em contrair dívida para antecipar pagamentos ao FMI e brilhar nas aberturas dos telejornais).

O indicador de confiança dos consumidores diminuiu em Novembro e Dezembro, retomando o caminho descendente iniciado em Junho e reflectindo o contributo negativo aportado pelas perspectivas relativas à evolução da situação económica do país, pela situação financeira dos agregados familiares e pela poupança.

Todos estes dados mostram que o país real existe e que é bem diferente do país cor-de-rosa que a propaganda do Governo faz circular todos os dias com a eficaz e feliz colaboração da maioria esmagadora dos media – que não mediam, apenas transmitem.

Agora, alguns factos.

O investimento público praticamente acabou em Portugal. Qualquer riqueza criada tem sido utilizada para “repor rendimentos” (leia-se: despejar dinheiro em qualquer grupo de pressão que ameace a serenidade do país, com incidência quase exclusiva na função pública) e isso não é compaginável com investimento. Mas parece que agora – em ano eleitoral – o Governo tem um plano de investimentos em obras públicas pronto para avançar, de cerca de 20.000 milhões de euros até 2030 (e quem vier a seguir que feche a porta). Este plano, aliás, sucede a um “Plano Estratégico de Transportes e Infraestruturas”, cujos projectos estão por realizar em 80%.

A carga fiscal em Portugal é a mais elevada de sempre, consumindo quase 35% do PIB nacional e situando-se cerca de 5 pontos percentuais acima da média da OCDE. Isto, apesar da degradação diária e visível de tudo quanto são serviços públicos e da inexpressividade do investimento já explicada.

O PIB per capita de Portugal coloca-nos em 15º entre os 19 estados-membros da zona euro (em 2016 o nosso lugar era o 13º e era o 14º em 2017) — em 3 anos de “fim de austeridade” descemos três posições. O nosso PIB per capita baixou para cerca de 77% da média da União Europeia e vem cimentando a sua trajectória de divergência com ela – basta-nos agora destronar a teimosa persistência da Lituânia para descermos abaixo da linha de água e entrarmos oficialmente na zona de despromoção. Num assunto bem mais sério e importante do que o bem-estar dos portugueses, medido pelas horas que lhe são dedicadas pelos debates televisivos — o futebol –, qualquer treinador já teria há muito sido despedido, após o conveniente linchamento público.

Muito simplesmente, eu chamo a isto tudo um desastre — um país super endividado, a produzir menos riqueza relativa que todos os seus pares europeus, com exportações em queda, importações em alta e carga fiscal asfixiante. É um Estado gigante nos custos e cada vez mais anão nas infraestruturas.

Ano Novo, Vida Velha!


Se nas tv´s e jornais a informação fosse certeira, correcta e objectiva, este malabarista ambidextro seria corrido em próximas eleições. Assim...tudo continuará na mesma até nova bancarrota aparecer e a culpa ser atirada para a "direita". 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

A democracia em Portugal enriquece...

Sábado de hoje:



Sábado de 20.9.2018:




 Como tem sido dito ao longo das últimas quatro décadas, e escrevi aqui, a democracia é um regime que enriquece as pessoas. A ditadura, essa, é empobrecedora, como quase toda a gente sabe de cor.

Apesar disso, em 2007 o então já multimilionário Mário Soares que deixou o país no início dos anos setenta, ido para Paris defender a pátria contra os colonialistas e fascistas, da ditadura  empobrecedora, dizia assim ao Expresso:



 Cerca de trinta anos antes disso, tinha o cinto apertado...como grande empacotador de bancarrotas que foi:


Dois anos antes, em Julho de 1975, em casa, a revista Paris Match mostrava o ambiente de modéstia que nem a fruteira lograva esconder.


Agora, comparando com o fascista, ditador, obscurantista:

Franco Nogueira, biografia de Salazar, página em que explica o que Salazar deixou, à data da sua morte, nas contas bancárias e património imobiliário:  entre 150 a 200 contos.



A reforma de Salazar, o ditador fassista e obscurantista:



Para perceber isto é preciso primeiro entender isto...e principalmente saber istoSalazar deixou 847 toneladas de ouro e 100 milhões de contos de divisas em cofre – a célebre "pesada herança" – que impediu que a fome nos batesse à porta, após o infeliz 25 de Abril, como se designa esse malfado evento da nossa História, outrora brilhante e invejável [ esta última frase não subscrevo, mas reconheço que o 25 de Abril tomou rumos de desgraça nacional, com as bancarrotas que se sucederam. E poderia ter sido diferente se a esquerda comunista e socialista, ou seja, a do multimilionário Mário Soares, fossem outra coisa que não são].

A democracia que temos, cujo pai se tornou multimilionário por obra e graça da "política", essa foi mais ou menos assim, como profetizava Marcello Caetano, num escrito que pode ser apócrifo, mas contém a essência do pensamento do mesmo sobre o assunto: 

“Em poucas décadas estaremos reduzidos à indigência, ou seja, à caridade de outras nações, pelo que é ridículo continuar a falar de independência nacional. Para uma nação que estava a caminho de se transformar numa Suiça, o golpe de Estado foi o princípio do fim. Resta o Sol, o Turismo e o servilismo de bandeja, a pobreza crónica e a emigração em massa.”
“Veremos alçados ao Poder analfabetos, meninos mimados, escroques de toda a espécie que conhecemos de longa data. A maioria não servia para criados de quarto e chegam a presidentes de câmara, deputados, administradores, ministros e até presidentes de República.”


Marcello Caetano, sobre o 25 de Abril


Na altura em que escrevi isto, completei assim: 

A profecia de Marcello Caetano cumpriu-se integralmente com uma agravante não prevista: não há quem tenha a noção da tragédia, em Portugal. Em quantidade ou qualidade suficientes, quero dizer. Capaz de inverter este unanimismo que se instalou na sociedade portuguesa e que é o seu principal mal moral.

O apelo populista a Salazar