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quarta-feira, 26 de abril de 2017

O advogado Júdice anda frenético...

 Observador/i:

 José Miguel Júdice, advogado e agora komentador residente na TVI de Sérgio Figueiredo a mandar nesse sector, disse há dias ao jornal i umas coisas sobre António Costa, Passos Coelho e Marcelo, presidente da República:


"José Miguel Júdice não poupa elogios e críticas aos vários elementos da política portuguesa, tanto da esquerda como da direita. Numa entrevista ao jornal i, o antigo dirigente do PSD afirma que António Costa é “mais adequado” para o momento político atual do que Pedro Passos Coelho, considerando que o antigo primeiro-ministro já “está morto politicamente”.
Passos Coelho está morto politicamente, só que ainda ninguém lhe disse. (…) Não estou a dizer que ele não possa ressuscitar, mas acho que está politicamente morto”, diz o advogado.
Júdice defende que Costa e Marcelo Rebelo de Sousa são “os mais dotados das suas gerações”. Ainda assim, não deixa de apontar o dedo ao Presidente da República, sublinhando que alguns dos seus erros têm sido “a verborreia” — “quem fala sobre tudo não fala de nada” — e o seu excessivo entusiasmo com António Costa. “António Costa fez com Marcelo Rebelo de Sousa um bloco central. Compensou a sua fragilidade e a sua dependência dos partidos de extrema-esquerda”

Para se entender melhor este advogado, nada melhor que publicar uma página do Expresso da semana passada que escrevia assim:


 Quem não os conhecer que os compre... e suspeito que este Júdice anda a fazer pela vidinha, como sempre, aliás.

O comunismo racista e eugénico

Quem abrir a Wikipedia no termo "eugenia" pode ler o que é e logo a seguir a referência ao nazismo, onde se diz que veio a ser parte da ideologia da pureza racial que culminou no Holocausto.
Como exemplos de países onde se praticou de algum modo tal efeito para tornar as pessoas "melhores e mais puras" aparecem alguns países, mas não a antiga URSS.

Para colmatar tal lapso, certamente devido a ignorância atávica, apareceu agora um livro muito instrutivo, com 530 páginas  e da autoria de Simon Ings que pelo nome pode ser próximo da raça perseguida por aqueles durante o nazismo.


Simon Ings, porém, relata o que sucedeu logo a seguir à Revolução de Outubro e durou todo o tempo de Estaline, até 1953: a procura do Homem Novo através da eugenia.

A diferença com o nazismo? Os soviéticos queriam ampliar a raça humana existente, melhorá-la, cientes que havia raças inferiores e superiores e não apenas exterminar uma parte, a má, toda encostada aos judeus, ciganos e outros marginais, como pretendiam os nazis...

O resultado, porém, poderia ir dar ao mesmo, a partir do momento em que se admite a superioridade de genes em relação a outros,  atribuídos a determinadas classes de indivíduos.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Uma pequena banda sonora do dia 25 de Abril de 1974

No dia 25 de Abril de 1974 em Portugal ouvia-se a música popular que em qualquer país europeu se poderia ouvir e ainda um pouco mais porque a música brasileira por cá tinha maior curso no rádio que noutros lados.

Assim, nesse dia, no então Rádio Clube Português ou na Rádio Renascença, durante a tarde e se não tivesse poderia ouvir-se esta selecção de músicas, publicadas nesse ano até ao momento:

A primeira música é  um single de Janeiro de um grupo inglês do chamado Glam Rock e que atingiu o primeiro lugar de vendas em vários países da Europa: Mud, com Tiger Feet.




Passando imediatamente ao tema musical do momento do Festival da Eurovisão de 1974, no passado dia 6 de Abril, Abba e Waterloo:



Uma música também lançada em single no passado mês de Janeiro e que atingiu os primeiros lugares de vendas na Europa: os Hollies, com The Air that i breathe.



 De um album de Elton John de 1973, Goodbye Yellow Brick Road, uma canção agora editada em single, Candle in the wind:



Vinda do ano passado, esta canção brasileira do grupo Secos & Molhados, Sangue latino:



Para terminar uma canção portuguesa do último festival da Canção, do passado dia 7 de Março. José Cid e O dia em que o rei fez anos, superior à de Paulo Carvalho que ganhou o festival:



Como curiosidade, nenhuma destas canções, com excepção da dos Secos & Molhados, tinha a minha preferência na época. Era música que ouvia sem interesse especial porque passava no rádio, à hora do almoço, por exemplo, em programas do RR ou do RCP.

O que me interessava então ouvir eram antes estes artistas e estas músicas, em curso de divulgação durante esses primeiros meses de 1974:

King Crimson, no álbum Starless and Bible Black.
Camel e o disco Mirage.
Frank Zappa/Mothers of Invention e o lp Overnite Sensation de finais do ano anterior
Gentle Giant com In a Glass House
Renaissance e o lp Ashes are Burning
Genesis e o disco Selling England by the pound, lançado em finais de 1973
Brian Eno e o lp Here comes the warm Jets
E.L.P. Brain, Salad, Surgery
Yes Tales from topographic oceans, publicado em Dezembro de 1973.
Wings e o disco Band on the run, lançado em Dezembro de 1973.

Era possível ouvir estes discos e músicas no rádio de então? Algumas músicas, sim: no programa Página Um, da Rádio Renascença, das 19:30 às 21:00, de Segunda a Sexta-Feira. No RCP, talvez no programa Perspectiva, a partir das duas da manhã.
O resto, nicles. Quem tinha dinheiro comprava os discos. Quem não tinha ouvia-os através das crónicas que apareciam nas revistas estrangeiras ( Rock&Folk ou Rolling Stone) e esperava que meses depois ( ou anos) se publicassem por cá.
Ainda hoje é esta música popular a que me interessa ouvir e procuro ter os lp´s originais, preferencialmente em primeira prensagem da época. E, aliás, já os tenho, com excepção do Renaissance e o dos contos dos oceanos topográficos. Qualquer um deles é disco de ilha deserta.


Um povo à procura da memória perdida

O Público de hoje tem várias páginas dedicadas ao tema do "25 de Abril". Duas delas referem-se à " memória do Estado Novo", escrevendo o autor ( Nuno Ribeiro) que não sabemos o que fazer com ela...




Há desde logo no artigo um problema epistemológico, de saber o que é o Estado Novo. No artigo, aliás como em muitos outros, o Estado Novo confunde-se com o período que vai do tempo de Salazar até ao dia 25 de Abril de 1974. Ora, o Estado Novo não foi todo esse período e se o quiserem abarcar deverão citar o tempo de Marcello Caetano que vai de finais de 1968 até 1974. Muito tempo e que foi determinante para se entender um regime.
Porém, de Marcello Caetano pouco se fala quando se fala em fassismo ( felizmente o artigo não usa a palavra maldita que o PCP afeiçoa sobremaneira) e a prova é que num Estudo do ICS onde se referem "níveis de notoriedade" Marcello Caetano aparece com 20 a 30%, muito abaixo do "primeiro patamar" que engloba Salazar, Mário Soares e Álvaro Cunhal.

Marcello Caetano foi muito mais importante para o nosso país do que Mário Soares. Digo eu e está dito, embora tal seja irrelevante porque nada represento senão uma mera opinião. Mas foi menos importante que Álvaro Cunhal que revolucionou, com o PCP, o modo de pensar da generalidade da opinião pública e publicada, alterando o léxico político e até social. Isso foi uma verdadeira revolução cultural que ainda se sentem os efeitos difusos mas permanentes.

A questão da "Memória do Estado Novo" tem evidentemente a ver com tal fenómeno. Foi possível nos últimos 40 anos falsificar a História e contá-la do ponto de vista de uma minoria de alguns, poucos milhares de militantes comunistas que existiam antes de 25 de Abril de 1974. Foi a linguagem que eles utilizavam nas suas publicações clandestinas como o Avante e o Militante que foi depois adoptada no léxico jornalístico, primeiro, e depois até em publicações universitárias e na própria Constituição de 1976.

Um punhado de uns, poucos, milhares de pessoas conseguiram impor a milhões de portugueses  uma linguagem que não era a sua. Notável, sob qualquer ponto de vista! E tal se deve a Cunhal e ao PCP, incluindo também as franjas comunistas de extrema-esquerda e o partido socialista que foi atrás, como sempre e bom compagnon de route. A linguagem do PS dos primeiros tempos ( só se constituiu como partido em 1973) era marxista, idêntica por isso à do PCP, com nuances.

Por isso mesmo a primeira tarefa seja de quem for que se preocupe com a Verdade histórica é a reposição da linguagem original que tínhamos à data de 25 de Abril de 1974, agora com a recomposição democrática da linguagem comunista que existia então clandestinamente. Mas nunca para se inverterem os termos e passarmos a adoptar, como aconteceu, a linguagem bastarda que existia apenas clandestinamente.

Tal é muito simples de fazer e basta que os jornalistas o façam, com a consciência de o fazerem por tal motivo, como aconteceu a partir de 25 de Abril de 1974. Portanto, trata-se de desfazer o que foi feito, de repôr o que existia e de reverter a perversidade cometida ao povo português, pelos comunistas e socialistas. O povo português nunca foi apenas constituído por esquerdistas do comunismo e socialismo e por isso mesmo é preciso repôr, democraticamente a representação real e sociológica que sempre existiu.
O contrário é continuar a falsificar a História como se faz na Constituição de 1976 que nenhuma revisão posterior alterou nesse sentido.

Por exemplo, uma das primeiras tarefas práticas para se repôr a Verdade histórica, para além da oficializada pelos representantes marxistas Fernando Rosas, Flunser Pimentel, Pacheco Pereira e tutti quanti será a de publicar o que está esquecido e censurado na prática:

A Constituição de 1933 que não se encontra em lado nenhum desde há 40 anos a esta parte.
Os discursos de Salazar que não se encontram em lado nenhum, com excepção de uma editora obscura de Coimbra que os vende em livro semi-clandestino, pela internet e desde há muito pouco tempo.
A possibilidade de o discurso mediático se alargar a outras pessoas que não  entendam o tempo de Salazar e Caetano como sendo o do "fascismo", o que está muito longe de acontecer, porque mesmo aqueles que não são esquerdistas-comunistas adoptaram os conceitos destes e falam a sua língua de trapo. O Estado Novo é por isso um tempo de obscurantismo, de repressão e até, como há poucos dias se escrevia de modo nojento no Público ( Ana Cristina Pereira, como sempre...) um Estado em que os malditos ( mendigos, vadios e cadastrados) eram perseguidos, como autênticos leprosos...

Para mostrar o que deve ser feito fica aqui uma pequena parte de uma obra que deveria ser reeditada e discutida nas Faculdades de Direito ( aposto que o professor Marcelo, agora presidente da República desta democracia nunca a citou ou recomendou, aos seus alunos de Direito Constitucional ou Ciência Política...).

Os comentários de Marcello Caetano ao carácter marxista da Constituição de 1976 são claros, nas páginas que seguem:



No jornal i de hoje mostra-se um pequeno contributo para a tarefa que é premente. O jornal consagra várias páginas ao assunto do tempo que passou desde o 25 de Abril de 1974 (o Diário de Notícias, em comemoração da efeméride publica, tão só e apenas, um cartoon de Carrilho):



O Estado Novo não foi como o pintam os antifassistas e Portugal não tem que se envergonhar de tal período. Tem é de o estudar sob outra perspectiva diversa da que tem sido a oficial, a dos últimos 40 anos.

Os comunistas e esquerdistas em geral não têm o monopólio da cultura em Portugal, ou pelo menos não deveriam ter, por uma razão: estão habituados a falsificar a História, desde os tempos de Lenine, apagando as figuras caídas em desgraça das fotos oficiais.

Aliás, a desinformação, a mentira sistemática derivada da falsificação histórica, dá casos como este de absoluta ignorância mas com estatuto de escrita num sítio de internet. A autora parece jovem mas já tem mais de cem anos na mentalidade distorcida pela propaganda...

domingo, 23 de abril de 2017

O "fascismo" que pegou de estaca em Portugal

A palavra "fascismo" era virtualmente inexistente no léxico português corrente antes de 25 de Abril de 1974. Não era utilizada nos media e a população em geral não usava tal palavra.
A excepção era o PCP e seus compagnons de route, incluindo um PS ainda marxista que nunca abandonou tal linguagem. Nos escritos clandestinos circulados por alguns, muito poucos, milhares de destinatários, usavam tal palavra e outras, como "reaccionário", "imperialista", "guerra colonial", etc.

Porém, tal expressão, como as demais, pegaram  de estaca e nos dias que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 os jornais estava inundados com tais palavras novas para a população em geral.

Em 29 de Abril de 1974, escassos quatro dias após o golpe,  o jornal Diário de Lisboa que uma semana antes nem sequer conhecia tal palavra escrita publicava-a em repetidas notícias e alusões.
Na primeira página aparecia duas vezes, para a "normalização da vida portuguesa". 

Na 2ª, 3ª 5ª, 9ª e 11ª era repetida.



O crítico de tv, Mário Castrim, comunista encartado e que escrevia geralmente nas entrelinhas dava largas ao contentamento de poder escrever claramente em linguagem comunista, convocando comunistas para o convívio da "normalização da vida política".  Um happening!

 

O PCP tinha honras de página em comunicado:


A Juventude Comunista, da UEC,  idem:


Evidentemente que o assunto da guerra no Ultramar era questão prioritária e a voz era dada aos que uma semana antes eram apenas "terroristas"...



Os demais jornais não ficavam atrás na adopção dessa novilíngua que perdura até hoje. A Capital de 21 de Junho de 1974:



E o Expresso, na edição de 9 de Novembro de 1974 já tinha devidamente assimilado tal novilíngua comunista como se fosse a genuína, de sempre, do falar português.

Na segunda página lá estavam duas referências ao "fascismo"...


Na página de opinião já aparecia um certo Vicente Jorge Silva, depois primeiro director do Público, também a usar o jargão da novilíngua para designar como "fascista" o regime deposto...



Perante isto quem se atrevia a remar contra a maré e contestar a validade da designação ou a corrupção linguística corrente?

Ninguém...até hoje. Ninguém se interessa com isto porque acham que não tem importância alguma...tal como desvalorizam qualquer tentativa de contar a História do Estado Novo de modo diferente da que os antifassistas a contam.

sábado, 22 de abril de 2017

As eleições resolvem-se na essência desta análise

No Sol de hoje, o conselheiro editorial escreve assim:






Esta análise opinativa de um jornalista apanha o essencial da política portuguesa dos últimos anos. Se a maioria dos portugueses que vota compreendesse isto que aqui fica escrito, a demagogia não teria campo aberto e colheita farta.

Assim, o disco vira e toca o mesmo: a música dos pobrezinhos e dos trabalhadores. Os patrões e a austeridade e os cortes são os maus da fita e quem os defende perde sempre.

JMT no Público de hoje: uma pergunta corajosa mas insuficiente...



Crónica de JMT no Público de hoje, de facto corajosa qb e a merecer encómios, neste caso. Porém, a pergunta final é tímida: " que negócio, afinal, foi este?". A pergunta deveria ser outra que coloco no fim do postal.
Compreende-se e suspeita-se que JMT tem desde agora a cabeça a prémio. Está no Público e ganha dinheiro com isso? Também está no programa de palhaçada da TVI, com o palhacito sonso que é Ricardo Araújo Pereira que nunca se mete nestas alhadas. E quem manda na TVI é um grupo que aceitou ter um Sérgio Figueiredo a dirigir a informação.
Portanto JMT está quilhado! E vai ver se não está...é só esperar umas semanitas ou mesitos para não dar nas vistas.

Há meses, quando se soube da falência técnica da Global Media, apareceu de repente um grupo misterioso a ajudar, vindo dos lados do Oriente. Um fundo, ho!
Então, escrevi e ilustrei com foto em retrato de família política, um Camões, um Proença e um Presidente que pedia, sem se rir que os jornalistas do retrato fossem "implacáveis no escrutínio de todos". O agora presidente quando foi jornalista do Expresso e Semanário foi o exemplo dessa implacabilidade...na intriga. Quanto ao resto, moita carrasco que os Salgados tinham herdade na Comporta e férias noutros lados. Mas com a ajuda deste novo amigos dos pobrezinhos estou certo que disponibilizarão meios ocultos para resolver os problemas dos sem-abrigo, coisa que agora muito o preocupa, a este presidente de afectos e coisas que tal.
Para  chefiar os bravos jornalistas do DN nessa tarefa apareceu um Paulo Baldaia que considera o komentador JMT um jornalista justiceiro e fica tudo dito sobre tal personagem de redacção para ficção ver ou vice-versa:



DN:

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve hoje na inauguração das novas instalações da Global Media, em Lisboa, e pediu aos jornalistas do grupo para serem "implacáveis no escrutínio de todos", a bem de Portugal. 


Os bravos jornalistas do DN, aqui a ouvir o presidente, mais o senhor Camões que está no Norte a velar pelas Notícias globais e aqui todo sorridente e ainda o magnífico presidente da coisa, o advogado Proença de Carvalho, encolhido como de costume, podem já começar o trabalho a "bem de Portugal": esclarecer quem são os verdadeiros titulares do fundo que os comprou...

A pergunta certa que JMT não fez, é esta: quem são os detentores do fundo que comprou parte importante das acções da GlobalMedia? E outra: o que tem Proença de Carvalho a ver com tais pessoas?

Paulo Baldaia pode começar a escrutinar...porque a resposta a tais perguntas dar-nos-á a medida da saúde da nossa democracia actual e passada.

É importante? Da maior importância, de facto e por isso ninguém vai dar importância alguma, nos media.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Vinte e sete vezes o "fascismo" num único número de Jornal de 1975!

Este texto de Miguel Esteves Cardoso, no O Jornal de 5.9.1975 será talvez o primeiro que o então jovem estudante com vinte anos publicou em jornal.

No texto, a propósito de um filme português de Seixas Santos, Brandos Costumes, MEC usa a palavra "fascismo" cinco vezes. É obra! Comunista, claro está. E na mesma página, o comunista Correia da Fonseca acrescente só da sua lavra, mais sete.

É só um exemplo do fenómeno que atingiu em cheio a cultura portuguesa pós-74.


No mesmo número de O Jornal esta página sobre o então arcebispo de Braga, d. Francisco Maria da Silva juntava mais três "fascismo", incluindo do título da notícia.



Por curiosidade dei-me ao trabalho de catar em cada página desse número de O Jornal as vezes que tal palavra aparece escrita.

Na pág. 2 aparece num artigo de Cáceres Monteiro ( "Uma Revolução para perder ao jogo?"), inserida na expressão " pesadas grilhetas do fascismo".
Na pág. 3 aparece duas vezes.
Na pág. 10 nada menos que três vezes num pequeno artigo de Urbano Tavares Rodrigues.
na pág 14 em editorial nada menos que duas vezes e na página seguinte, das cartas do director, uma vez.
Na pág. 29 na redacção da Guidinha, de Stau Monteiro, uma vez.
Na pág. 30, numa notícia sobre os jornalistas despedidos do DN ( pelo avant nóbél Saramago) uma vez.
Na pág. 32, em notícia sobre Angola, num comunicado do CEME do general Fabião, uma vez.

No total a palavra "fascismo" aparece 27 vezes, neste único número de O Jornal!

Fátima para totós: a teopsia

  D. Carlos Azevedo, bispo-delegado do Conselho Pontifício da Cultura no Vaticano, ao Público:

D. Carlos Azevedo  defende que a leitura de Fátima não pode ser literal, mas teológica, “há uma interpretação a fazer” porque os fenómenos místicos “são naturais”.

Chegou o momento para falarmos com linguagem exacta. Joseph Ratzinger no ano 2000, quando fez o comentário teológico à última parte do segredo de Fátima, usou sempre a palavra visões e esse é o rigor teológico. O grande teólogo Karl Rahner também escreveu um livro sobre visões e profecias, usando a palavra visões. Esse é o termo exacto.

As visões, de vários tipos, são fenómenos místicos, espirituais, não físicos. Claro que uma pessoa ao descrever uma visão projecta os seus arquétipos, o que tem na sua mente, a sua memória, e na mensagem que recebe já entra a fé. Há uma mensagem que a transcende e que tem de ser interpretada. É a revelação particular que depois tem de ser interpretada à luz do evangelho e da doutrina, segundo as regras que a Congregação da Doutrina da Fé publicou em 2011, mas já conhecidas desde 1998.

Há muitos fenómenos de visões. Nós, párocos, conhecemos sempre alguém que nos vem dizer que tem visões. Estes fenómenos são naturais, sobretudo em períodos de crise, de dificuldade, ou da própria pessoa ou do mundo, em período de guerra, como foi o caso de 1917. É impressionante a densidade de factos do ano de 1917 em Portugal e no mundo.

Há uma interpretação a fazer e essa interpretação é a da presença maternal de Maria na vida dos cristãos, como disse João Paulo II quando foi a primeira vez a Fátima. Todos os cristãos sentem essa presença mas alguns podem-na sentir de modo mais intenso. Isso então é uma visão, uma experiência mística. A presença de Maria não vem do céu por aí abaixo. Essas descrições são mais simples, mais imediatas, para entender o que é uma visão mística, mas precisamos de usar a linguagem exacta para não cair no ridículo. Gostava que este livro servisse para quem não crê ter respeito para com o episódio, ainda que não acredite
.

Tal como dizia o outro padre Anselmo Borges, "é evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima", agora o bispo Azevedo também tem a sua interpretação sobre o fenómeno: tudo experiências místicas, visões particulares dos pastorinhos, pobres coitados, incultos e que não sabiam teologia e ainda as de dezenas de milhar de pessoas que viram fenómenos que não se compadecem com experiências místicas e mesmo assim passaram a sê-lo.

Esta explicação "racional" para os fenómenos de Fátima já tinha sido apresentada em livro, - a Senhora de Maio, da autoria de António Marujo e Rui Paulo da Cruz, edição Círculo dos Leitores, 2017- em modo um pouco mais elaborado:

 

Dá a impressão que a Igreja Católica tem vergonha de Fátima, por ser tão contemporâneo, ter sido testemunhado por crianças simples e sem instrução e não ter explicação racional aceitável.
Só me interrogo se não terá vergonha de alguns  fenómenos que são apresentados como verdade de Fé, alguns até no Credo...

Após a Paixão e Morte de Cristo na Cruz, a subsequente Ressurrreição, verdade de Fé, ocorreu, para o bispo Azevedo e outros padres Anselmos? E as sucessivas aparições de Jesus Cristo ressuscitado,  tê-lo-ão sido mesmo ou apenas "visões"?

Desconfio saber a resposta e não me agrada nada.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

O jornalismo nacional é uma casa comum, diz JMT

O jornalista e komentador João Miguel Tavares, na passada terça publicou uma crónica de costumes sobre o caso Dias Loureiro e o seu advogado de estimação, Proença de Carvalho, também administrador de certas empresas, incluindo a GlobalMedia que possuía o DN, onde pontifica actualmente na direcção o jornalista Paulo Baldaia.

Tal crónica foi comentada por aqui e ontem no DN o referido Paulo Baldaia, cheio de dores alheias, komentou em editorial o assunto que o condoeu: um ataque ao seu jornal por ter criticado o MºPº que arquivou o caso de Dias Loureiro/BPN, em que o referido advogado de estimação comparticipa numa tríplice qualidade: advogado, administrador e amigo.

Aqui o editorial condoído de Paulo Baldaia:


Como se pode ler, o referido Baldaia diz que é coerente de há uns anos para cá e ataca sempre a corrupção do Estado de Direito levada a cabo pelo MºPº e "políticos". Esta última referência é para distrair o leitor que não se lembra de algo substancial, escrito por Baldaia, sobre Pinto Monteiro, escutas de Face Oculta, Noronha Nascimento, José Sócrates e a sua responsabilidade na prática de crime de atentado ao mesmo Estado de Direito, etc etc. Baldou-se, nesses casos.

Não explica há quantos anos é coerente mas será fácil de perceber que o será desde que trabalha por conta de alguém que mandava nos media em que o Estado de Direito poderá ter sido posto em causa, através de fusões e aquisições para controlar melhor a informação oficiosa que o povo merece ler. A verdade a que temos direito, sem mais.
Paulo Baldaia tem todo o direito a ser a "voz do dono", como de facto agora é, no DN. Quem o lê, porém, tem o direito de saber quem será verdadeiramente tal dono, incluindo a sua consciência profissional. Até lá vai-se adivinhando e neste editorial não ficamos esclarecidos.
Porém, ficamos cientes de uma coisa: de direito penal sabe pouco e escreve asneiras. Como director de jornal é lamentável. Ao escrever que o artº 277º nº 2 do C.P.P. não diz que quando se arquiva um inquérito pode ser também por existirem suspeitas fundadas, não sabe ler mais que isso, nesse segmento.
Devia ler também o artº 283º do mesmo Código que refere a expressão "suspeitas suficientes" e ainda, principalmente, o artº 262º sobre as finalidades dos inquéritos criminais e ainda o artº 272º do mesmo diploma que diz assim no nº 1:
1 - Correndo inquérito contra pessoa determinada em relação à qual haja suspeita fundada da prática de crime é obrigatório interrogá-la como arguido, salvo se não for possível notificá-la.

Saberemos nós e o jornalista Baldaia deveria saber sob pena de indecente e má figura que Dias Loureiro já tinha sido ouvido como arguido?  Sabemos e o DN também já sabia desde Julho  de 2009.
Portanto, o jornalista Paulo Baldaia deveria perguntar, por exemplo ao seu colega Carlos Lima, mais competente nestas matérias, antes de escrever a baboseira que escreveu. Tem uma desculpa de tomo: o "Daniel" também não sabe. Dá a entender que sim, proferindo grandiloquências sobre os direitos, liberdades e garantias, mas não sabe. Se soubesse seria mais comedido e inteligente. 

Agora o artigo no Público de hoje, de JMT, komentador de "direita", ápodo nada gratuito e destinado a circunscrever, limitar e aniquilar a eficácia dos escritos e que os baldaias agora colam ao dito.


Diz que continua no Sábado e se Deus quiser cá estaremos...à espera da coragem que deveria ter. Veremos se a tem e os tem no sítio. 

As "amplas liberdades" que aproveitam ao comunismo...


Observador, José Milhazes:

A revolução comunista de 1917 na Rússia continua, hoje, rodeada de muitos mitos. Um deles é que foi ela que acabou com a repressão e o regime burguês saído da Revolução Democrática de Fevereiro/Março, quando a verdade é que os bolcheviques tomaram o poder aproveitando-se exactamente das liberdades democráticas abertas por esse regime.
“A originalidade do momento presente na Rússia consiste na transição da primeira etapa da revolução, que deu o poder à burguesia devido à insuficiente consciencialização e organização do proletariado, para a sua segunda etapa, que deve passar o poder para as mãos do proletariado e das camadas mais pobres do campesinato”, escreveu Lénine no seu artigo “Sobre as tarefas do proletariado neste revolução”, pouco tempo depois de ter chegado do exílio a São Petersburgo — viajando com a ajuda da Alemanha, país interessado em que a Rússia saísse da Primeira Guerra Mundial.
Esse artigo de Lenine entrou na história como as “Teses de Abril” e foi publicado no jornal “Pravda” no dia 20 de Abril (7 de Abril no calendário russo) no meio de uma discussão feroz não só entre os socialistas russos em geral, como entre os próprios bolcheviques. Alguns consideraram mesmo essas teses um “delírio” (Gueorgui Plekhanov)
Mas, neste artigo, é da mais primordial importância reparar em qual foi a táctica defendida por Lénine para impor a “ditadura do proletariado”, em concreto aproveitar-se da existência de grandes liberdades e da ausência de repressão na Rússia saída da Revolução de Fevereiro.
“Este período caracteriza-se, por um lado, pelo máximo de legalidade (a Rússia é, agora, o país mais livre do mundo de todos os países combatentes) e, por outro lado, pela ausência de repressão sobre as massas e, por fim, pela sua atitude de confiança e inconsciência face ao governo dos capitalistas, dos piores inimigos da paz e do socialismo”, escreveu o dirigente bolchevique.
Porém, após o assalto ao poder a 25 de Outubro/7 de Novembro de 1917, os bolcheviques viram que a continuação dessa liberdade era um obstáculo ao seu poder absoluto, mascarado sob a forma de Sovietes de Operários, Camponeses e Soldados. O exemplo da dissolução da Assembleia Constituinte é disso o mais flagrante.
Receando o descontentamento da opinião pública se não se realizassem eleições para esse órgão legislativo, ideia muito popular no país, Lenine acabou por aceder e o escrutínio realizou-se a 12 de Janeiro de 1918. Nele a situação caótica em que o país vivia e a guerra contribuíram para uma baixa afluência às urnas (menos de 50% dos eleitores), o que não impediu que os bolcheviques tenham sofrido uma pesada derrota: dos 750 deputados eleitos, apenas cerca de 180 eram bolcheviques, que ficaram muito atrás dos socialistas revolucionários e centristas, que conquistaram 370 lugares na Assembleia Constituinte. Os restantes deputados estavam repartidos por forças políticas que também não apoiavam os bolcheviques.
Após uma longa primeira sessão, às 5 horas da manhã um marinheiro subiu à tribuna e anunciou: “A guarda está cansada. Peço que terminem a sessão e regressem a vossas casas”.
Segundo recorda Nikolai Bukharine, um dos muitos dirigentes comunistas fuzilados pela ditadura criada com as próprias mãos, a reacção de Lenine à notícia dessa acção foi sintomática: “Ele riu-se durante muito tempo, repetiu para si as palavras que ouvira e riu-se, riu-se. Alegria contagiante, até às lágrimas. Riu-se às gargalhadas”.
A Assembleia Constituinte ainda teve tempo de tomar algumas medidas importantes: a lei da terra, que considerava-a propriedade nacional; um apelo às potências beligerantes para que fosse dado início às conversações de paz e a proclamação da República Federativa Democrática da Rússia.
E assim foi enterrada uma grande possibilidade de a Rússia se transformar num Estado europeu e democrático e dado início a uma experiência social que durou 74 anos e custou milhões de vida.
Aliás a obra “Rumo à vitória”, escrita pelo antigo dirigente comunista português Álvaro Cunhal, não passa de uma adaptação à realidade portuguesa das “Teses de Abril” e de “O Estado e a Revolução”. Nesse livro, Cunhal fundamenta igualmente a transição da revolução burguesa para a socialista, antecipando o que o Partido Comunista Português tentaria concretizar entre 25 de Abril de 1974 e 25 de Novembro de 1975, mas o conseguir para o bem da nossa democracia.
Numa época atribulada como a que vivemos, as democracias têm de reforçar os seus meios de defesa contra os extremismos de direita e de esquerda, apresentar alternativas e novos caminhos perante a ameaça de repetição de ideologias manchadas pelo sangue e pelo ódio
Parafraseando uma declaração de Lenine, que dizia que uma revolução só vale alguma coisa quando se sabe defender, eu diria que a democracia só vale alguma coisa se se souber defender. Foi assim há 100 anos, é assim hoje.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A nostalgia do PCP: guerra civil e luta de classes

"O PCP reafirma a solidariedade com a Revolução Bolivariana e o povo venezuelano" e mostra-se contra os ataques à "soberania e independência da República Bolivariana da Venezuela", lê-se em comunicado.

Os comunistas portugueses condenam as "ameaças de intervenção militar do comando sul norte-americano, a manutenção pela Administração dos Estados Unidos da inaceitável ordem executiva de 2015 que considera a Venezuela uma 'ameaça incomum e extraordinária' e a "ingerência da OEA e do seu secretário-geral, Luis Almagro, procurando promover a ingerência externa".

A Organização de Estados Americanos (OEA) condenou esta quarta-feira a decisão do Governo venezuelano de entregar armas aos civis e pediu a Caracas que proteja o direito dos venezuelanos a defender a democracia e liberdade.
 
A oposição venezuelana anunciou para hoje uma grande manifestação de protesto, no mesmo dia em que o governo prometeu uma "marcha histórica", para assinalar o 207.º aniversário da 'revolução' de 1810, que levou à independência do país.

A intenção dos opositores do Presidente Nicolas Maduro é realizar a "mãe de todas as marchas", em todos os 24 estados do país.

Os protestos são contra a alegada ruptura constitucional e contra duas sentenças em que o Supremo Tribunal de Justiça limita a imunidade parlamentar e assume as funções do parlamento, onde a oposição detém a maioria.

Antecipando o protesto dos opositores, o Presidente ordenou às (FAB) que se dispersem por todo o país e anunciou que aprovou um plano para aumentar para 500.000 os membros da Milícia Bolivariana que, armados, serão enviados "em defesa da moral, da honra, do compromisso com a pátria"
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