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sábado, 23 de maio de 2015

RTP: e depois do adeus ao prec, brasileiradas, pituns e cª

A RTP foi durante décadas a única estação de tv que se poderia ver em Portugal, com excepção das emissões da TVE captadas nas zonas raianas.

Em 1977, a vizinha Espanha já tinha tv a cores e nós  estávamos na apagada e vil tristeza da bancarrota. depois da experiência fantástica comunista-socialista que nos prometiam amanhãs de sonho. A cores, porém, só a partir de 1980.

Um dos sinais evidentes da nossa colonização cultural espelha-se na RTP. Começou em 1957 a mostrar os "ventos da História" e já então Salazar se sentia cansado de governar, tendo-o feito apenas por um dever ser que seria quase um imperativo categórico. 
Porém, os tais ventos que mais não são do que as modas, as ideias peregrinas e a influência cultural de um estrangeiro longínquo, como os EUA, não mais nos abandonaram, soprando agora como o suão que ninguém sabe ao certo o que é, mas que existe com categoria semiótica.

Como aqui se diz, a seguir ao prec, os jornalistas sentiram-se obrigados a pertencer a um dono ideológico e até partidário, tornando-se prosélitos das causas avulsas que defendiam. A RTP não fugia à regra e com o I Governo Constitucional, saído de eleições em 1976 torna-se a voz do dono socialista democrático.

Em Maio de 1977 houve dois programas que definiram um estilo da nova tv pós-prec: uma telenovela brasileira, Gabriela; e um concurso para dar prémios a concorrentes, A Visita da Cornélia".

A telenovela assentou arraiais nas salas das casas portuguesas ( e ainda haveria relativamente poucos receptores, cerca de 150  por mil habitantes) e à hora de jantar de todos os dias úteis da semana.
O concurso vinha logo a seguir, mas apenas às segundas-feiras.

A telenovela demorou muito pouco tempo a conquistar a audiência máxima, em Portugal. Merecida, aliás, pelo virtuosismo das interpretações e acaparada por toda a intelligentsia de então, devido ao enredo esquerdizante do romance de Jorge Amado, adaptado para tv e transmitida no Brasil em 1975.

Em 20 de Maio de 1977  apresentava-se assim, no O jornal, os dois eventos prestes a inaugurar a nova era da tv em Portugal e a nossa colonização cultural mais rasca e poluente ( telenovelas e concursos) que moldou personalidades, alterou hábitos e modificou costumes. Até a onomástica antroponímica se modificou radicalmente de tal modo que nomes tradicionais portugueses que até aí eram correntes,  desapareceram dos registos de conservatória, trocados pelos bastardos brasileiros. Os Marcos tão influenciados pelos Paulos passaram aos Márcios das novelas e as Elizabetes inglesas e francesas foram trocas por Marlenes sem tiques.
Em 1977 ainda não era assim...



A história da telenovela na RTP pode ler-se melhor aqui, no O Jornal de 21 de Outubro de 1977, no auge da novelamania que se desencadeou. Aqui está a prova da "alienação" e a origem da colonização. Nem Cunhal escapou...






Apesar de todo o sucesso da telenovela e da influência maciça que provocou, parece-me mais interessante porque mais subtil o tal concurso da Visita da Cornélia, cujo funcionamento prático aqui se explica.
Os concorrentes habilitavam-se a ganhar prémios "de milhares de contos: automóveis, andares, electrodomésticos". As viagens ainda não estavam na moda...

A curiosidade maior deste concurso prende-se com a qualidade intrínseca dos concorrentes nas provas que apresentavam. E com os nomes dos mesmos, quase todos da rosa, com excepção de um: Rui Guedes.
No artigo abaixo publicado do O Jornal de 9 de Setembro de 1977 dá-se conta de um dos candidatos fétiche: o arquitecto Francisco Keil do Amaram, conhecido por Pitum que tendo sete filhos ( seis de um primeiro casamento e um mais recente) , com 42 anos, foi um fenómeno de popularidade e ajustava-se perfeitamente ao politicamente correcto da época e "profudamente humanista". Era bisneto do autor da letra de Heróis do Mar...

Entre os nomes sonantes aparecem Orlando da Costa, escritor ( pai dos Costas que agora estão na ribalta) Vasco Vieira de Almeida, o advogado de uma das firmas do regime, etc.

Vale a pena ler porque é de um tempo que já não há. Agora só há os filhos e segundo Fernando Dacosta que citava Natália Correia a propósito do assunto, agora é que se iria ver o descalabro que viria a surgir. Como aliás, se vê...
Estas páginas revelam um fenómeno antropológico e sociológico, em Portugal, que merece estudo ou pelo menos consciência da sua existência.
O Portugal  destes finais de anos setenta foi um viveiro do que viria a seguir, no pós-abrilismo.  Ao mesmo tempo que revela o tal "humanismo" que não se percebe muito bem o que seja, mas fica a interpretação própria de quem queira, mostra o lado negro da esquerda mais atávica que nunca permitiu alternativa e abertura ao que havia dantes. A consolidação do pensamento politicamente correcto começou por aqui.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

So british!

Durante a chamada segunda "guerra dos boers", em finais do sec. XIX e princípio do XX, na agora África do Sul, os ingleses  atacaram então as pretensões de duas regiões de autóctones mais chegados aos holandeses e que pretendiam ser independentes da Coroa Britânica.   Ganharam a guerra e assim se formou a África do Sul.

Aqui se explica melhor o que sucedeu:

No período conturbado dos finais do século XIX português, a bancarrota de 1892, as intensas lutas políticas, o entendimento do rumo seguido pela política externa após o ultimatum britânico e a aproximação anglo-alemã para partilha dos territórios ultramarinos portugueses, tiveram repercussões de fundo na acção política dos sucessivos governos. Após o ultimatum britânico grassam em Portugal, sobretudo em Lisboa, manifestações e clamores contra a Inglaterra, numa clara pressão sobre o governo. Um primeiro tratado entre a Inglaterra e Portugal foi rejeitado pela Câmara dos Pares do Reino e pela Câmara dos Deputados e pela opinião pública em geral. Face a esta situação, o governo de Luciano de Castro, do Partido Regenerador, pediu a demissão.
Quando estala a guerra anglo-boer, a opinião pública e alguma classe política vêm uma oportunidade para mostrar o descontentamento com os britânicos. “As principais fases do conflito, às quais o governo português esteve directa ou indirectamente ligado”25, foram alvo de amplo debate político e dos principais periódicos portugueses.
É através dos periódicos que se jogam as influências e as expressões políticas. A orientação das redacções dependia da influência que os maiores partidos exerciam através das suas equipas redactoriais. Era através das redacções dos jornais que se captavam as opiniões públicas.26 Este facto é muito importante porque só os alfabetizados podiam votar.
Após os efeitos do ultimatum e da aproximação anglo-alemã de 1898, a guerra anglo-boer foi aproveitada pelos principais partidos, através das redacções dos jornais, para a luta política, para influenciarem os decisores políticos e mostrar aos governos estrangeiros a posição da opinião pública portuguesa. Este facto não era bem visto aos olhos da diplomacia portuguesa e britânica. Para o Marquês de Soveral, a actuação da imprensa teve como impacto “ […] tirar a força moral aos representantes do paiz [sic] junto dos governos das nações contendoras.”27
Os ataques da imprensa à actuação da Inglaterra eram de tal maneira contundentes que levaram o ministro de Inglaterra em Lisboa, Mac Donell, a pedir ao Governo Português que interviesse de forma a não hostilizar o governo de uma nação sua aliada. Aquele diplomata chegou a referir que, à excepção de algumas personalidades políticas onde incluía D. Carlos, a generalidade dos políticos era adversa aos interesses britânicos, como consequência dos acontecimentos de 1890-91. Contudo, o gabinete de Luciano de Castro nada podia fazer contra essa tendência sob pena de ser conotado como subserviente da política britânica. De uma forma geral, os principais partidos criticavam a actuação do governo de Luciano de Castro face à sua posição, tirando partido da opinião pública pró-boer quanto à neutralidade portuguesa, sendo mais contundente o Partido Republicano, através do jornal diário A Pátria.
Para mostrar o que era a tal imprensa da época, nada melhor que o jornal satírico A Paródia do ano de 1900.

A Paródia de Junho de 1900:





A Paródia de 9.5.1900



A Paródia de 17 Outubro 1900


40 anos depois, durante a II Guerra, Portugal tinha uma posição de neutralidade vigilante, muito por mor de Salazar e desta vez os ingleses não nos comeram as papas na cabeça. Mas esteve quase...como se pode ler nestas páginas de Os lugares tenentes de Salazar, recentemente publicado por Manuel de Lucena ( Aletheia). A questão centra-se em Armindo Monteiro, o embaixador português em Londres que acreditava numa vitória dos Aliados e por isso entendia que Portugal não deveria ficar neutral:


E como é que isto se explicava então aos portugueses que leram O Século, edição especial sobre o "duplo cententário"?  Bem, tinha havido altos e baixos, mas estávamos num mar de rosas. Já lhes tínhamos dado Cochim e Tânger mais uns milhões de cruzados no séc. XVII, mas isso...se calhar na altura nem fazia parte da Pátria. E foi como dote de casamento de uma dama ilustre da Casa de Bragança, com um inglês de gema.


Aliás sobre os britânicos e as suas idiossincrasias nada melhor que este artigo de William Boyd, escritor escocês, publicado no jornal francês desdobrável ( literalmente), Le Un 1 e que é um jornal semanário e que já vai no nº 58, sendo quase todos eles coleccionáveis. Este tem data de 6 de Maio do corrente ano e o que o autor diz dos seus primos ingleses é que são tudo menos igualitaristas e se distinguem pelo sotaque. Sim, pelo modo como pronunciam o inglês que aprenderam, eventualmente nas escolas privadas. São aristocratas desde as classes mais baixas até às superiores que descendem directamente da realeza.




A História da nossa Aliança com os ingleses: séculos de aceitação do direito do mais forte

Desde a celebração dos tratados que firmaram a Aliança Luso-Britânica, em 1372 e 1373, como é que se comportaram os ingleses em relação a nós, até ao século XVII?

Marcello Caetano explica:

"Nesse largo período de tempo a aliança, formulada na base da igualdade dos poderes e da reciprocidades dos interesses, conheceu fases de cordialidade e fases de crise, estas sobretudo provocadas pela cobiça dos ingleses relativamente aos mares que os portugueses consideravam sob sua jurisdição e ao comércio com os territórios ultramarinos, que Portugal reservava para si. O Governo inglês não negava os princípios, mas não reprimia a iniciativa dos seus súbditos, mesmo quando surpreendidos em actos de pirataria."
"As relações comerciais continuaram mas, se antigamente a maior parte do tráfego era efectuado por portugueses, estava agora nas mãos dos ingleses. Mercadores ingleses estabeleceram-se em Lisboa, onde adquiriram privilégios e instituições,  tais como o direito de serem as suas disputas resolvidas pelo juiz das alfândegas e a posse de uma corporação e de uma capela dedicada as a S. Jorge. Eram designados pelo termo português para posto comercial, feitoria, utilizado no sentido de colónia mercantil "( prof. H.V. Livermore, da universidade da Colômbia Britânica).

A seguir à Restauração houve outro Tratado ( de Westminster) , em 1654, o qual foi considerado desastroso para os nossos interesses, por conceder privilégios extensos aos súbditos ingleses de Sua Majestade ( isenções fiscais, imunidade quando à Inquisição, etc etc).
Em 1703, em Methwen, outro tratado dá-lhes ainda mais: lã por vinho. E vêm para cá, tomando conta do negócio do vinho do Porto e com fábricas têxteis em Lisboa.

Na primeira metade do Séc. XIX diz-se que Portugal era um país tutelado pelos ingleses e em 1890 houve uma intimação inglesa a Portugal por causa da faixa territorial entre Angola e Moçambique, desejada por ambos os países e com a Inglaterra a querer garantis uma possessão do Norte ao Sul da África. Estender o Império e dilatar a...cobiça. Portugal, ameaçado directamente de intervenção armada, pelos ingleses, desistiu das pretensões a favor dos ingleses e assim continuou a Aliança.

Tudo isto está melhor explicado aqui, num artigo extenso da revista Observador de 18 de Junho de 1973, por ocasião da celebração dos 600 anos daquela Aliança.

A conclusão é que fomos sempre submissos aos ingleses. Isso significa ser independente? E outra ainda: a nossa colonização tem séculos. De facto, deste os romanos que o somos. Não começou no 25 de Abril de 1974 e muito menos com Marcello Caetano e a invasão dos amaricanos da Coca-Cola ou do Williams dos sabonetes...



 

 
 

quinta-feira, 21 de maio de 2015

A nossa História com a Inglaterra: pois Cant é.

O historiador J.P.Oliveira Martins publicou em 1889-1890, na Revista de Portugal a obra Os filhos de D.JoãoI.

Em 1947 ia na 7ª edição, de que se deixam as primeiras páginas  para entendermos como tudo começou entre nós e os ingleses: por um tratado de conveniência entre ambos os povos, contra Castela.
E com consequências práticas importantes. D.João I, em resultado de casamento de conveniência, desposou em 1387 a inglesinha D. Filipa de Lencastre, um pãozinho em sal mas com muito fermento e nada mais foi como era, em Portugal.
É ler para saber quem e como nos colonizou culturalmente. E tudo por causa da independência...






Conclusão? Pois Cant é o que nos falta...

terça-feira, 19 de maio de 2015

Epístola de Júlio César aos romanos, no ano 60 antes de Cristo.

Mais ou menos por volta do ano 60 antes de Cristo , o imperador Júlio César poderia ter feito este discurso aos romanos, a propósito de um povo, o lusitano, que aparentemente resistia o mais que podia à colonização romana  e não se deixava submeter pela civilização "superior", preferindo viver em cavernas ou habitações lacustres e vestir peles de animais do que usufruir de quadrigas ou tricliniuns. Os carreiros de cabras serviam-lhes bem e por isso as vias romanas eram tidas como luxos da decadência, sem futuro.


Não sendo necessário citar E. Gibbon, porque basta a wikipedia para tal tarefa, os romanos venceram e convenceram, colonizando a península ibérica e adaptando-nos uma língua materna.

Em cem anos, os que se seguiram à morte de Cristo, colonizaram-nos e colonizaram-nos bem, deixando marcas que ainda hoje se vêem. Assim, nós também somos um produto finalizado do romano original e por isso somos latinos e não árabes ou cartagineses.
Alguém lamenta esta colonização em pleno, linguística, comercial, industrial e cultural,  com mais de dois mil anos de recuo?  Às tantas, talvez, se se entender que a colonização é um mal em si e a independência   um bem absoluto e uma vaca sagrada que devia ser adorada num altar de ouro.

E é nesse ponto que importa focar a atenção.

Quem nos coloniza actualmente? Ou melhor, fomos colonizados por quem e como, a partir daí? E qual será a nossa independência real, medida ao contrário, isto é, com ausência de colonização? Alguém o poderia fazer, dizer ou sequer saber?  Duvido.

A nossa pátria, que a meu ver não se confunde com a língua, nasceu por obra e graça de dois estrangeiros que chegaram a esta terra que começa no Minho e acaba nos algarves e nessa altura nem isso. Dois nobres estrangeiros ( Leão e Borgonha) que vieram cá combater os mouros deram os genes a Afonso Henriques que por sua vez terá sido educada por um autóctone, Egas Moniz.

A partir de então, tirando pequenos períodos, fomos independentes de outros povos. Mas não isentos de influências ou colonizações culturais. Nunca, tal como hoje.
Olhando de relance para a História, quem foram os povos que nos influenciaram mais? Parece-me que não haverá dúvidas que os ingleses, britânicos,  levam a palma. A mais velha aliança entre povos, no mundo, é a que foi realizada entre nós e os ingleses, por vários motivos, incluindo familiares, culturais e militares.  Data de 1373 que temos por assente que a Inglaterra, Reino Unido, Grâ-Bretanha, é nossa aliada incondicional e segundo reza a História, pacificamente e sem ventanias, quem tirou sempre melhor partido do acordo foram aqueles, os ingleses britânicos. Porquê? Porque foram mais finos, parece-me e sem questionar muito. Comeram-nos sempre as papas na cabeça e nós deixamos.
 Quem é que se impôs mundialmente, durante séculos, em modo imperial? Nem é preciso dizer muito mais que a wiki ajuda a dizer: os britânicos dominaram mais que outros antes deles e depois.
No início do séc. XX começaram a perceber que não poderiam ostentar o ceptro de imperadores  toda o tempo e para todo o sempre. E descolonizaram. A seu modo, claro.

E nós que tínhamos um imperiozinho, mesmo incluindo o Brasil, que fizemos nós à nossa vida de colonizadores e imperialistas? Não desistimos e inventamos uma realidade fantástica, veiculada por poetas: um quinto império haveria de surgir e seríamos nós a mandar no Mundo para todo o sempre, com todos os povos rendidos à evidência da cristandade. Bom demais para ser real. Místico demais para se poder formar crença sólida.

Esta ideia fantástica caracoleou e proliferou até ao século XX e impregnou pessoas bem inteligentes e capazes.  Ainda hoje parece que acontece assim e haver quem acredite piamente em ditos proféticos do séc. XVI, interpretados à maneira do séc seguinte e dos primeiros anos do XX.
Os ingleses, nossos aliados, o que pensaram disso, na altura?  Alguns terão pensado que se nós conseguíssemos aguentar, aguentar e aguentar, seríamos uns heróis de uma causa...perdida. E foi isso que sucedeu durante mais de 40 anos e particularmente durante a última dúzia de anos antes de 1974, em que se tornou evidente que não poderíamos de facto aguentar, aguentar e aguentar por muito mais décadas, como antes tinha acontecido e os britânicos descobriram a tempo.

 Aquele pequeno excerto de um discurso de Salazar de 30 de Novembro de 1960 é a prova de uma utopia. Brilhante, heróica, mas utopia na mesma e não muito diferente daquela que prometia o "Homem Novo", noutra paragens eslavas.
 Nem sequer conseguimos fazer como os romanos fizeram...porque já quase ninguém acreditava naquele discurso, dez anos depois.

Esse discurso, aliás,  é o de um guardador de impérios, tal como os romanos o foram durante uns tempos largos.  Poderia ter algum sucesso, no século XX?  Poderia ter o mesmo que teve o império romano do lado de cá do ocidente?
Bem, se a colonização ( na altura, romanização) fosse efectiva, real e acelerada como mais ninguém fez antes ou depois, talvez. Talvez...mas era em África e os colonizados não tinham a mesma cor, a mesma identidade de solos e climas. Mais difícil ainda.
Os britânicos nunca acreditaram nisso e no início do século XX eram o país mais desenvolvido do mundo, depois da revolução industrial. Mesmo assim , largaram os territórios e desistiram da ideia de império, tentando salvar as pratas e ouros que lá tinham.  Nós, seus aliados, éramos uma nação em bancarrota...incapazes de verdadeiramente colonizar fosse quem fosse, e muito menos africanos tribais rendidos a gungunhanas.
Quando os britânicos nos mostraram os dentes, durante um ultimatum, encolhemos a honra em justificações espirituais e assim ficamos, permanecendo aliados.

Quem julgar que isto é independência, restringirá o conceito ao domínio poético do costume.

Portanto, a discussão permanece em aberto: o que é uma verdadeira independência? Será possível ou desejável tal situação de facto sem os meios para um estado de direito que se possa impôr a quem  a colocar em risco?

E colonização o que significa realmente? É aquilo que o discurso diz? Se for, estamos conversados sobre a legitimidade em querer para os outros o que não desejamos para nós...

Observador faz um ano...parabéns!

O sítio Observador, na internet, acaba de fazer um ano de existência.

Aposta ganha, parabéns merecidos.



Ah! Já me esquecia...e custos? É subsididado por beneméritos filantropos do género do Público ou já se auto-sustenta?

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O futebol em 1968

O Benfica foi campeão nacional de futebol em 1968. A revista Flama de 17 de Maio desse ano deu este destaque ao assunto:



Como se pode ver, a "alienação" que o futebol representava em 1968 era muito menor que hoje...

O nome das rosas

Esta crónica de Helena Matos no Observador reporta uma série de notícias com palavras certas. Falta uma coisa: dar o nome aos que escreveram aquelas palavras para noticiar factos e acontecimentos. Pôr o nome aos boys e girls que desvirtuam a linguagem corrente, com o fito de criarem novilíngua que julgam mais moderna.
Ao longo das últimas décadas, particularmente com a proliferação de cursos de "comunicação social" e adereços curriculares tirados nos isctes, ficamos entregues a uma brigada de costumes transformado em grupo de intervenção armada  de conceitos. As armas deixaram de ser cantigas e passaram às simples palavras que compõem a linguagem. O efeito é devastador e assemelha-se ao de uma bomba termonuclear com núcleo de esquerdismo militante e radicalismo detonador.
Foram lançados já vários engenhos desse tipo, de há 40 anos a esta parte e arrasados vários conceitos de senso comum que eram linguagem corrente e tradicional.

Quem não se apercebe desta guerra silenciosa e mortal para uma civilização tenderá a perecer às suas mãos, muitas delas anónimas e ingénuas.
Uma das últimas generalas deste exército das sombras linguísticas que traçam conceitos de moda é a deputada Isabel Moreira, uma das mais eficientes terroristas do "género", cujo pai nem se apercebe que corvo andou a criar. 
Será isto tremendismo ( uma palavra das tais...) psicológico e paranóico?

Não sei, mas basta atentar ( outra...) nos usos e costumes e palavras que os designam nos media.

Assim, com o nome posto aos terroristas ( porque é disso que se trata, na devastação de palavras) poderemos sindicar a origem da educação e a raiz do Mal.

domingo, 17 de maio de 2015

A politização uniformemente acelerada à esquerda

Parece ser um facto notório que a politização geral da população portuguesa em Abril de 1974 era relativamente baixa. Ou seja, logo após o golpe de 25 de Abril não havia informação suficiente sobre determinadas noções políticas, mormente sobre os partidos comunista e socialista.

A prova está na publicação, logo em Junho de 1974 de um livro que sintetizava em modo simples as noções dos "4 ismos", comunismo, fascismo, capitalismo e socialismo, a par de milhentas publicações sobre o comunismo esquerdista e os seus autores mais célebres. Tais livros de divulgação eram pura e simplesmente proibidos pela Censura e Exame Prévio e por isso saltaram para as "bancas" nos meses a seguir a 25 de Abril de 1974, como pãezinhos quentes a sair do forno das ideias feitas.
A politização iniciada com essa onda de publicações, quase todas de esquerda comunista conduziu eventualmente à formação de uma nova "moda" nas ideias da época e ajudou a consolidar a tendência para a institucionalização de uma esquerda cultural na sociedade portuguesa, particularmente nos media.


A ausência de liberdade de consulta de publicações do género, antes de 25 de Abril de 1974, ao contrário do que acontecia  nos países da Europa, ajudou à formação e desinformação acelerada que se verificou.

Ao pesquisar notícias sobre alguns temas importantes dos acontecimentos que envolveram países comunistas na década de 50 e 60 do séc. XX, deparam-se pelo menos três ocasiões em que as notícias em Portugal deveriam acompanhar o que se passou noutros países europeus e nos EUA.

A primeira ocorreu em finais de 1956, com a invasão da Hungria pela URSS. O facto constituiu escândalo mundial e foi noticiado em Portugal, embora de feição muito cuidadosa, como se depreende de uma notícia que apareceu então numa revista francesa ( à míngua de recortes de imprensa nacional da época...): em Fátima, 200.000 peregrinos rezaram pela Hungria...o que deixa a previsão de que o acontecimento foi amplamente divulgado e comentado. Como? Era isso que importava saber, mas não tenho fontes.

Ainda durante o ano de 1956 ocorreu outro facto de relevância magna na URSS: Krutchev denunciou em discurso "secreto", perante altos dignitários do Partido Comunista as malfeitorias de Estaline, particularmente um odiento culto de personalidade.
O assunto mereceu atenção destacada na imprensa internacional e os seus desenvolvimentos, com a chamada desestalinização do regime e o "degelo krutcheviano" deram ao seu autor a menção de "homem do ano" na revista americana Time, de Janeiro de 1958.


E por cá? Será que se discutiu o assunto como sucedeu nos demais países europeus, em que Estaline foi devidamente cilindrado pelo comunismo politicamente correcto?
À míngua de recortes e informação, fico a duvidar e se notícias houve, discussão aberta e pública não houve de certeza.

Em 1968, porém, sucedeu outro acontecimento de relevo: a invasão da Checoslováquia pelos tanques russos do Pacto de Varsóvia, ou seja pela URSS.

O facto foi amplamente divulgado na nossa imprensa, como mostram estas primeiras páginas do Diário de Lisboa, de 23 e 25 de Agosto de 1968,  sacadas do sítio de uma Fundação paga por todos nós.


 Contudo não me parece que tenha havido informação como esta, e com este tipo de títulos,  veiculada pela revista italiana Panorama, em Agosto de 1968:


 Portanto, houve informação, ao contrário do que suspeitava, ampla e sem reservas. O que faltou, porém, foram os comentários, as análises e a ponderação do  que o então PCP clandestino tinha a dizer sobre o assunto. Sabemos agora: apoiou a invasão, em ambas as ocasiões, bem como se demarcou da desestalinização.

Isso foi debatido na sociedade portuguesa antes de 25 de Abril de 1974? Não foi. Nunca foi porque o PCP era partido inexistente no léxico político partidário que era possível publicar.

O PCP passou sempre à margem destas polémicas internacionais e com relevo para a História porque não foi visto nem achado nesses casos.
No entanto, os jornais noticiavam os assuntos. Até se noticiava que Sartre condenara a invasão.

Que conclusões se podem tirar destes factos? Uma delas é a de que a população portuguesa não estava suficientemente informada em Abril de 1974, sobre o que era verdadeiramente o PCP.
E outra: nos anos a seguir, tirando os intelectuais, certos intelectuais, continuou na mesma ou pior, uma vez que se omitiram informações e esclarecimentos, ao longo dos anos que poderiam ter desfeito o mito do comunismo português, de Cunhal e do PCP em particular.
É certo que houve discussão como o provam estes recortes de O Jornal de 2.12.1977 e.1978, mas o assunto ficou entre académicos e nunca passou para as primeiras páginas que espelhassem o esclarecimento cabal. Aliás, o culto de personalidade que a imprensa nacional, após o 25 de Abril dedicou a Álvaro Cunhal é prova disso mesmo.

O que se passou durante o ano de 1974, em que Soljenitsine foi figura mundial menos por cá, em Portugal, é revelador disso mesmo também.



A mutação genética da cultura nacional

Crónica de VPV no Público de hoje. " Sucede também que a atmosfera em que se formou o regime, em 1974 e 1975, contribuiu para solidificar as principais facções com instrumentos de poder  institucional e político que dali em diante não tornariam a largar", escreve.





O PCP nos anos 50 ou 60 é um partido de massas ou aspirante a tal? Nem por sombras. É um partido de seita em que os acólitos são fanáticos e até mesmo mártires. É um partido de catacumbas que promete uma vida melhor nesta terra aos que nada têm de seu a não ser a força de trabalho. Esse leit-motiv transformado em programa é de uma força avassaladora quando se trasmuda em credo seguido. O exemplo pode ir buscar-se à religião cristã em que os primeiros  cultores se esconderam para praticar os ritos, sendo perseguidos pelo poder de então.  Quando a doutrina se espalhou  livremente e influenciou o poder, tinham passado mais de 300 anos. A religião cristã venceu e suplantou as seitas pagãs. Para tal foi necessário o dar-se a conhecer, divulgando-se a doutrina e os seus efeitos nas pessoas que a aceitaram como a melhor religião para as suas vidas. 
"Pelos frutos se conhecem as árvores"  é expressão derivada de parábola do cristianismo.  Os frutos do cristianismo eram as "promessas de vida eterna" no Céu e o amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos.  Não há outros frutos que sejam podres.
E no comunismo, particularmente o seguido pelo PCP?  Há imensos frutos podres que foram escondidos , em detrimento das vistosas proclamações de amanhãs a cantar para as classes trabalhadoras e de igualdade assegurada entre todos, pela eliminação das classes de pessoas, em resultado da abolição da exploração do homem pelo homem. 
Estes desideratos grandiosos, para viver na Terra e não em qualquer Céu no qual nem acreditam, fundou o comunismo e solidificou a crença da seita, até hoje.
Os fanáticos desvalorizam qualquer facto ou fenómeno que aparentemente possa contrariar tais objectivos auspiciosos e por isso continuam a lutar pela causa, como se fosse a única razão de viver.
Uma seita porém, não se transforma em religião ou partido de massas se não concitar crentes e aderentes e estes só aderem e passam a acreditar na medida em que as propostas forem credíveis, exequíveis e confiram  uma identidade de credo e afiliação.
É neste processo de transformação das ditas correntes de moda para as de fundo que ocorrem os fenómenos  que  podem condicionar o crédito na doutrina e na religião nascente em forma de partido político de massas.
Ora o PCP e os partidos da esquerda comunista em geral, antes de 25 de Abril de 1974 eram um grupo de sectários sem expressão relevante. Poucos milhares de aderentes e poucos  militantes.
Porque razão encheram praças e comícios, aos milhares e milhares logo a seguir ao 25 de Abril de 1974?
Por curiosidade da política? Por fenómenos tipo maria-vai-com-as-outras? Não me parece.  

Então que razões mais poderá haver?Vejo uma: adesão genuína ao sentimento geral da esquerda que é o da igualdade, o da solidariedade, seja lá isso o que for e à ideia de que os partidos de esquerda são "pelos pobres".
Essa ideia base é o cimento do predomínio da Esquerda em todos os sectores, incluindo no aparelho de Estado. 
E é esse logro que se torna mister desmontar, começando por compreender a origem o equívoco.  

Daí que o artigo do Dragão seja importante e seja igualmente importante repescar estes temas para a discussão pública que aliás não se faz porque nunca se fez verdadeiramente.

sábado, 16 de maio de 2015

As opiniões mutantes

Recomenda-se a leitura deste texto, o qual comento do seguinte modo:



Marcello Caetano considerava ( no livrinho de que tirei alguns extractos, em baixo) que no conceito de opinião pública se integram  ideias melhor entendidas como "correntes", uma vez que existe um fluir constante nessas categorias.
Haveria por isso "correntes profundas ancoradas em crenças, hábitos e tradições, sentimentos e até preconceitos"  que alicerçam a vida social e são desta ordem  os juízos dominantes sobre a  família, a propriedade, a moralidade e a religião que caracterizam uma cultura.
Depois haveria correntes intermédias constituídas pelas "modas" que dominam épocas de maior ou menor duração. Apontava como exemplo o uso da palavra "fascismo" cujo significado e semântica variou ao longo de décadas. O mesmo ocorria com as palavras "colónias" , "Império" ou "progressista".  A força de determinação destas modas seriam vagas ideológicas que na Europa assumiram modas liberais ou autoritárias, liberais, socialistas, etc.
Por fim haveria a noção de "correntes superficiais" de opinião que variavam  frequentemente,  quase em ritmo quotidiano acertado em compasso com notícias sobre pessoas, factos, acontecimentos.
Ao mesmo tempo considerava Marcello que as transformações tecnológicas do séc. XX estavam a acelerar o ritmo das mudanças profundas, "prestando-se a transigência na moral, nos costumes e nos ritos" que entendia como preocupante.
No domínio das correntes intermédias, das modas, também as modificações no gosto decorreria  de forma mais acelerada quando as "belas-artes" ( literatura, teatro, cinema, pintura ou música)  entravam no jogo, porque "as ideias, no seu estado puro, actuam nos espíritos de élite, formam e conduzem os homens de escol e através destes influem poderosamente na vida corrente. Mas a doutrina abstracta não penetra nas consciências da grande massa e raramente impregna a inteligência comum enquanto não traduzida em fórmulas práticas ou soluções concretas".
Assim,   entre estas três correntes  haveria continuamente uma relação de sobe e desce,  entre as profundas e as superficiais e quando a influência das superficiais, das notícias, dos acontecimentos, etc.  é maior e mais penetrante naquela profunda e enraizada, cultural, a modificação pode operar-se criando uma crise de cultura.
O papel dos mass-media nestas modificações torna-se crucial porque nos dão a imagem do movimento das modas, tendências e ao mesmo tempo nos asseguram o ritmo dos factos e acontecimentos que por vezes os vão condicionando e modificando, alterando lentamente a cultura de uma sociedade.
Estas opiniões individuais que se vão formando neste processo dinâmico exprimem-se depois em sufrágio político.

Ora é neste resultado que se poderá revelar a alteração das "opiniões" que influenciam já a cultura geral de um povo ou sociedade.
Marcello e os governos do Estado Novo antes dele, tentaram condicionar a propagação de modas entendidas como subversivas para o bem estar social como o entendiam e criaram por isso uma censura permanente aos órgãos de informação, muito para além da estrita necessidade de o Estado defender os seus valores intrínsecos de segurança e estabilidade institucional, mormente em tempo de guerra com outros povos animados de  ideologia antagónica, como era o caso dos movimentos terroristas nas antigas províncias ultramarinas ( que tinham sido "colónias" durante algunas décadas na primeira metade do séc.XX).
Esta Censura permanente que atingiu aquele núcleo das "modas" propagadas pelos países que nos rodeavam geograficamente e em que estávamos inseridos culturalmente ( Europa e Estados Unidos)  foi fatal para  que em 25 de Abril de 1974 se deparasse ao povo que vota e escolhe politicamente,  uma ausência de referências precisas e esclarecidas sobre essas modas e tendências.
Ao invés do que acontecia nos grandes e pequenos países da Europa e nos EUA, Portugal era um país relativamente fechado e imune a certas modas, como o exercídio democrático do voto que congregasse representantes de ideias que fossem consideradas subversivas para o regime, tal como o comunismo e o socialismo ainda marxista.
Essa circunstância, a meu ver, condicionou de modo determinante o resultado do processo revolucionário que cursou durante a segunda metade do ano de 1974 e cavalgou todas as ondas no ano de 1975, transformando-o  em moda a seguir por toda a gente dos media e que por sua vez replicaram o fenómeno  em progressão geométrica.
Não obstante, permanece por esclarecer, para mim, por que motivo ocorreu essa mudança de moda de forma tão repentina e aparentemente súbita, com uma influência tão devastadora na cultura nacional que até então se vivia, modificando por isso a corrente profunda da opinião.
Das duas uma: ou já se tinha modificado internamente, no espírito das pessoas e portanto foi apenas uma revelação consequente ou então surgiu ex-nihilo , de rompante, como um furacão ideológico que varreu os ventinhos que sopravam antes.

Seja o que for, o que sucedeu nesses meses e anos posteriores foi um autêntico tsunami cultural, para ficarmos nas imagens meteorológicas que acompanham os "ventos da História", expressão típica de uma dessas modas. 

E que razões concretas teriam suportado tal mudança? E que motivos  a podem explicar?

Para mim, apresentam-se dois: a Censura anterior e o apelo ideológico da igualdade, fraternidade e solidariedade, do socialismo democrático, essencialmente. Ou da social-democracia que vai dar ao mesmo, anos depois, aqui em Portugal, tal como na Europa já tinha dado antes. Ou seja, o que resulta de uma das correntes de moda política dos tempos que então corriam.
Foi esse apelo ideológico irresistível que sufragou as escolhas políticas que então se fizeram, por uma razão, a meu ver: as pessoas em geral, realmente não estavam preparadas para a escolha totalmente livre, por desconhecimento.
Marcello e Salazar tinham inteira razão nesse aspecto,  mas paradoxalmente foram os obreiros principais desse "obscurantismo",  ao proibirem a difusão maciça de mensagens, notícias, ideias, debates e no fim de contas cercearem a propagação de outras modas que contrariassem aquelas, nefastas e que nos prejudicaram colectivamente nas últimas décadas.
E com um efeito perverso: não conseguiram impedir as "elites" de acederem a tais modas e cortaram efectivamente ao povo em geral, o que vê tv de concursos e telenovelas ou o que apreciava o "festival da Eurovisão" , a possibilidade de acesso a tais informações do mesmo modo que se fazia na Europa. 

A Censura extrema ao comunismo e socialismo marxista impediu que as pessoas ficassem a conhecer a verdadeira face de tais ideologias e pudessem escolher livremente quando lhe deram oportunidade para tal. Em Abril de 1975 tal fenómeno tornou-se notório, com as primeiras eleições ditas livres, em mais de 40 anos.
Livre foram, mas apenas naquele contexto das novas modas...


O jornalismo impalado


Esta é a capa da revista Nova Gente ( Impala- Jaques Rodrigues) desta semana. As duas páginas do artigo sobre a figura da capa são da autoria de Humberto Simões que aparece na ficha técnica da revista como "chefe de redacção" e tal implica jornalismo de investigação feito à pala de processos judiciais em curso e com citação de outra fonte que é o livro Cercado, de Fernando Esteves.
O chefe de redacção da Nova Gente, à pala daquele,  escreve sobre uma "amiga secreta" de José Sócrates a quem este deu dezenas de milhar de euros, desde 2008, ou seja enquanto era primeiro-ministro. O caso é evidentemente relevante porque o então PM sempre disse que ganhava o que ganhava oficialmente e afinal revela-se que auferia rendimentos de outra proveniência e esportulava euros como um improvável patinhas nunca o faria. 

A redacção da  notícia à pala daquele livro é curiosa porque cita declarações de uma advogada do caso- Paula Lourenço- que refere o assunto de modo lapidar " É crime? Não, não é crime". E a revista escreve que este esclarecimento da advogada foi "telegráfico".

É crime o quê? Dar dinheiro a uma "amiga secreta"?  E porquê uma capa com uma notícia destas, aparentemente anódina de entre todas as demais? O que se esconde por trás da "amiga secreta"? O reporter indagou, falou com alguém, apurou se a "amiga secreta" seria alguém que ultrapassaria as "relações pessoais" daquele antigo P.M. quando este ainda o era e aparentemente tinha outras amigas menos secretas? E qual o contorno desse relacionamento pessoal capaz de fazer esportular regularmente milhares de euros com destino preciso e objectivo incerto a um então primeiro-ministro? Era para pagar alguma coisa? O quê? Era para ajudar nalguma coisa? Em quê?
E seria isso importante para o caso de se fazer capa?

Este jornalismo é manhoso se o repórter souber mais alguma coisa e não o disser...mesmo que "não seja crime".
Assim, a especulação anda à solta e não será nada agradável porque uma das hipóteses que a "notícia" deixa em aberto, do modo como é redigida e destacada é a de ser algo inconfessável, apesar de não ser crime, porque nem consta do elenco dos factos criminais imputáveis e conhecidos publicamente até agora.