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terça-feira, 21 de abril de 2015

O 28 de Setembro de 1974 no entendimento preclaro de Ferro Rodrigues


O jornal cripto-comunista Sempre Fixe que se publicava, em segunda série,  desde 1973 e entrou pelo prec dentro como carro de assalto da extrema-esquerda, conduzido por A. Ruella Ramos, do Diário de Lisboa, em 5 de Outubro de 1974 dava a voz ao preclaro Ferro Rodrigues ( que anos mais tarde teve aquela chatice da Casa Pia, mas já se reciclou no parlamento a liderar a bancada do PS) para explicar o que foi o 28 de Setembro de 1974.

Tudo obra da burguesia colonialista...

Estes indivíduos são para levar a sério ou  isto é um pátio das cantigas?


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Miller Guerra, deputado em dois regimes

 Do Observador:

No dia 6 de Fevereiro de 1973, Miller Guerra causou um alvoroço no Palácio de São Bento com um mero discurso. Dois anos depois, a 17 de Junho de 1975, o mesmo deputado provocaria o mesmo efeito, no mesmo local – e com o mesmo discurso. Só tinham mudado duas coisas. A primeira: agora ele não estava na Assembleia Nacional, mas na Assembleia Constituinte. A segunda: agora quem o tentava silenciar não eram os deputados da Acção Nacional Popular, mas os deputados do Partido Comunista Português.
Logo que começou a falar, Miller Guerra, que renunciara com estrondo ao lugar de deputado durante o Estado Novo e acabara de ser eleito para a Constituinte pelo PS, explicou as semelhanças que, em sua opinião, havia entre as duas épocas: “Tenho estado com atenção às discussões que se têm desenrolado e sobretudo com uma grande apreensão. Estou vendo, pouco a pouco, levantar-se aqui um fantasma da repressão, como aquele contra o qual eu e outros deputados aqui nos levantámos e pelo qual pedimos a nossa renúncia. Vou então ler o discurso de renúncia que pronunciei, nesta sala, e quase neste lugar, em 1973 (…). E peço a Vossas Exas. o favor de introduzirem as modificações que entenderem, adaptadas ao momento que, mutatis mutandis, receio muito que se venha a reproduzir nesta situação (…).”
Repetir o discurso que fizera anos antes na Assembleia Nacional era um acto obviamente provocador: Miller Guerra estava a estabelecer uma equivalência entre a situação que se vivera no Estado Novo e a que se vivia no PREC (Processo Revolucionário em Curso). Alguns achavam que insinuar que no pós-25 de Abril havia um problema de “liberdades públicas” parecido com o que existira no pré-25 de Abril era uma demonstração de lucidez; outros entendiam tratar-se de uma prova de reaccionarismo – mas todos concordariam que era um exercício de arrojo. O resultado desse arrojo, naquelas circunstâncias, só podia ser o caos. E foi mesmo.
Pouco depois de Miller Guerra ter começado a falar, com os seus óculos bem comportados e o seu ar pacífico de ex-bastonário da Ordem dos Médicos, o líder do grupo parlamentar do PCP levantou-se da cadeira, fazendo com que o discurso parasse a meio de uma frase:
“Miller Guerra: A Assembleia converteu-se num apêndice ornamental do poder governativo, extinguindo…
Octávio Pato: Peço a palavra, Sr. Presidente.
Miller Guerra: É a mim que tem de pedir a palavra, Sr. Deputado Pato.
Presidente: Tem de pedir autorização ao Sr. Deputado.
Miller Guerra: Então faz favor no final da minha intervenção.
Presidente: Tem de pedir ao Sr. Deputado.
Miller Guerra: Quem dá a palavra sou eu.
Presidente: Se o Sr. Deputado autorizar a interrupção.
Miller Guerra: Não autorizo!
Octávio Pato: Sr. Presidente, a questão é a seguinte: não se trata de uma interrupção.
Miller Guerra: Não pode falar sem autorização do orador.
(Grande burburinho na sala, apupos e aplausos.)
Presidente: Peço atenção.
Miller Guerra: …extinguindo de motu próprio, a Assembleia converteu-se num apêndice governamental do poder legislativo.
Presidente: Peço atenção!
Miller Guerra: Sr. Presidente, chamo a atenção…
Presidente (dirigindo-se ao Sr. Deputado Octávio Pato): Mantenha a sua calma e a sua dignidade como tem acontecido até aqui.
Miller Guerra: Sr. Presidente, chamo a atenção…
(Apupos e aplausos.)
Octávio Pato: Tal discurso é fascista. Feito por um deputado que está aqui, nós não podemos permitir que, na Assembleia Constituinte, depois do 25 de Abril…
Miller Guerra: Sr. Presidente: …extinguindo de motu próprio…
(Apupos na sala e nas galerias.)
Presidente: As galerias não se podem manifestar.
Miller Guerra: …extinguindo de motu próprio as liberdades que tantos séculos de luta levaram a conquistar aos privilegiados e ao Estado absoluto. (…)
Vozes: 48 anos de fascismo!”
O deputado do PS continuou, até às últimas duas frases do seu discurso: “A liberdade foi subjugada, mas um dia renascerá. Entretanto, é preciso manter a atitude inquebrantável de protesto.” Seguiram-se “aplausos” e “apupos”, além de um “burburinho nas galerias”, a que se juntaram, vindas da bancada do PCP, “expressões como ‘fascista’”.
Para Miller Guerra, era demais. Levantou-se novamente: “Eu peço a palavra para me defender! Eu estou aqui a ser insultado. A palavra ‘fascista’ é um insulto.” A deputada Alda Moreira, do PCP, respondeu: “Quem insulta esta Assembleia é o deputado que ousa fazer este discurso…”.


Miller Guerra aqui citado foi deputado na chamada Ala Liberal e em 14 de Maio de 1971 a revista Vida Mundial entrevistou-o sobre vários assuntos, incluindo a liberalização do regime. Miller Guerra, para os conservadores do regime de Marcello Caetano era o que de mais próximo tinham como esquerdista, mas ainda assim exprimia-se livremente na então Assembleia Nacional.
Para o PCP de 1975 simplesmente um fascista, sem direito a qualquer liberdade de expressão...

As diferenças são óbvias e dão conta da medida do logro que o comunismo seria em Portugal no caso de tomar o poder político.

Os gloriosos flanadores da rusticidade perdida

"Era um homem pegado à terra, à vida rural, ao fundo agrícola da sua família e da sua infância"-
  Barradas de Oliveira sobre o perfil psicológico de Salazar, na revista Resistência do Verão de 1977. 

"Eu sou camponês, filho de camponeses. Não posso viver sem respirar o cheiro da terra. Para trabalhar preciso de sentir em volta de mim árvores, moitas e flores". [sobre o cantar das fontes] "É o único ruído que suporto. Gostaria de ouvir a toda a hora, este canto cristalino"- Ibidem.

Sobre a rusticidade de Salazar não é preciso dizer muito mais. A não ser esta passagem que o biógrafo Franco Nogueira publicou no vol.V da respectiva biografia:


O que aqui se explica- o cuidado de Salazar em preparar a sua pedra tumular, quando tinha setenta anos, em 1959, ainda a vários anos de distância da sua morte- mostra uma realidade perfeitamente admirável mas comum, nessa época.
Salazar, que na altura considerava que "ja vivi muito, já vivi de mais", mandou arrancar um cabeço de pedra, existente no termo o seu quintal, nas traseiras da casa onde nascera, e com essa pedra recortada em mais sete  pequenas lajes, "contratou o trabalho com pedreiros de Viseu que estão construindo no Caramulo uma estalagem" e encarregou-os de talharem as pedras tumulares para si e para os seus.
"Na que lhe era destinada manou lavrar somente as letras A.O.S."

Esta atitude de Salazar, já no ocaso da vida, revela que nunca se separou da memória dos seus e do sítio onde nasceu e viveu enquanto jovem, o qual conservava como raiz de identidade.

Este apego a valores perenes de identificação merece ser realçado porque constitui uma base da tradição.  Esta só muda quando o tempo o permite ou impõe. Conforme o biógrafo aludido, Salazar, nessa época já tinha visto mudar "o seu mundo. as casas na vila e na aldeia são outras, e os caminhos e moradores são outros, e tudo é cada vez mais diferente."

Tudo isto constitui lição de vida sobre "o tempo que não volta para trás". E por isso apenas as memórias se repercutem no tempo posterior, sendo que algumas delas podem estar já desfasadas do tempo em que eram realidades.

Esta evocação da rusticidade e dos valores inerentes encontra imagens actuais e passadas. No início dos anos setenta do século que passou, Portugal do interior e em boa parte do litoral, ainda era um país rústico.
As pessoas nas aldeias, particularmente no Centro e Norte,  cultivavam os campos que tinham e os que havia "a monte". Aparavam as matas, criavam animais  e viviam de uma subsistência agrícola que era importante para atenuar a pobreza.
Salazar era desse tempo que entretanto desapareceu e é apenas uma memória em muitos lugares, como o é o assunto desta notícia do Século Ilustrado de 6 de Março de 1971.

É por isso admirável este panorama do  Vimieiro que retrata aquela história publicada acima:



As traseiras das casas da família de Salazar. onde se nota a antiga existência dessa cultura rural. Foi nestes lugares que se produziu este vinho assim engarrafado em 1970, ano da morte daquele. Só a garrafa já é um artefacto digno de nota.




A capela perto do cemitério, mais acima na imagem e na actualidade de alguns meses.


E as pedras tumulares que Salazar mandou preparar, alisar e gravar.

Nestas três imagens pode concentrar-se uma glosa sobre o que foi a ruralidade de Portugal e a essência do que lhe está subjacente. E Salazar era herdeiro desse património que preservou, acima de tudo.


domingo, 19 de abril de 2015

A lavagem ideológica da sujidade totalitária

O Público de hoje destaca na primeira página a família Mortágua onde alegadamente, "os ideiais revolucionários correm nas veias".

Os ideais revolucionários do Mortágua pai,  já são conhecidos há décadas e fizeram escola no tempo em que os amanhãs prometiam cantar. O ideário político da Luar era do género totalitário, comunista e inadmissível na civilização ocidental.
As filhas não têm culpa disso. Porém, deveriam saber que o assalto ao Santa Maria não foi só coisa tipo brincadeira, porque não se tratou só de feridos, como conta a menina Mariana, que se calhar nunca ouviu outra história.
Porém, houve um morto e tinha nome: José Nascimento Costa. Era casado e tinha um filho bebé... que nunca chegou a conhecer bem o pai, por causa daquele "ideal revolucionário" de que as filhas agora se orgulham muito.

Para saberem melhor o que o pai fez em nome da "Santa Liberdade" podem ler a acusação de que foi alvo: homicídio voluntário consumado e vários frustrados. Aqui. E foi condenado por esse e outros crimes, por um tribunal.
Não parece que seja coisa de que alguém se deva orgulhar assim tanto, mas enfim.

Pena que estas coisas sejam obliteradas por um Público cada vez mais nojento jornalisticamente e que faz propaganda acéfala destas coisas que metem nojo, contando parte da verdade e escondendo a mais inconveniente.

Marcello traiu o ideário de Salazar?

É ler o que Caetano disse e fez no último ano de governação, o quinto, até finais de 1973. Tal recolha de textos, legislação avulsa e outros, foi organizada no livro com 240 páginas Quinto ano do governo de Marcello Caetano, publicado pelo próprio governo.























As ideias simples, seguras e  explicadas por Marcello Caetano, numa linguagem herdada directamente de Salazar e que se lhe assemelha nessa característica, ficam aqui mostradas, para quem quiser ler:









Sobre o que se passou em Londres, em Julho desse ano, por ocasião da visita retributiva da  comemoração do sexto centenário da Aliança Luso-Britânica, Marcello Caetano explicou:






 A pedra de toque de toda esta alteração visível no panorama internacional, prendia-se com o Ultramar. E Marcello Caetano, sobre isso, era claro e explicativo mais uma vez, e na mesma linha que Salazar também tinha sido.

Qual a diferença substancial do discurso de Salazar, em meados dos anos sessenta e agora, quase dez anos depois e de guerra permanente em três frentes?
É ler e concluir. 



  







A diferença é nula, como se pode ler. Pode sempre dizer-se que este discurso era para "inglês ver", literalmente,  e que a realpolitik era outra. Poder, pode. Contudo, será sempre necessário demonstrar que Salazar teria um discurso diferente, nesta altura e se fosse vivo e ainda que não praticaria a realpolitik que sempre praticou nalgumas situações críticas.

Quod erat demonstrandum...e não vale o recurso ao pensamento antigo de Salazar. Por uma razão: mudou porque Salazar adaptava-se também às circunstâncias e se não mudava no essencial, o acessório poderia impor-lhe a mudança indesejável.
Não chegou a experimentar o dilema de Marcello Caetano, mas tal não é condição para se perpetuar um mito.

A grandiosidade fantástica dos adeptos do salazarismo sem Salazar

"Será que o Marcellismo foi um corolário do Salazarismo ou um preâmbulo ao socialismo/ social-democracia?"

A pergunta formulada aqui, segue uma hipótese explicativa do sucesso do golpe militar em 25 de Abril de 1974, ou seja a de que ninguém, nessa altura, estava disposto a "dar o coiro por Marcello Caetano".

Marcello Caetano estava sozinho nesses primeiros meses de 1974?

Para se compreender quem era Marcello Caetano em 1974 é necessário surpreender o que disse, o que fez e o que escreveu e ainda assim ficam dúvidas sobre a pessoa e aquilo que pretendia para o país que já não era o mesmo que herdara de Salazar em 1968.

Os adeptos indefectíveis de Salazar e que gostariam de ver continuada a obra e o espírito do mesmo sem cortes epistemológicos, não perdoam a Marcello Caetano a "evolução na continuidade".
Para esses, como é o caso flagrante de E. Freitas da Costa e outros, não muitos, e que escreveram sobre o assunto, Marcello Caetano foi uma espécie de traidor a essa obra que se organizou em quase 40 anos.

O melhor  exemplo dessa corrente imobilista, bem como a explicação das razões para tal,  é dado pelo mesmo E. Freitas da Costa no livrinho Acuso, já citado.

A primeira explicação tem a ver, aliás, com acontecimentos dos últimos anos de governo "salazarista" e protagonizados pelo próprio.
Em primeiro lugar a suavização da "mão de ferro". Salazar nunca fora o ditador que agora se apresenta para as crianças aprenderem e se lembra falsamente ao povo, mas a partir dos seus setenta anos amaciou a luva que envolvia aquela e tal seria consequência da perda de energia para lidar com todos os ministérios, uma vez que os da guerra lhe exigiam todo o esforço. Os restantes, foram-se autonomizando mais do que antes. 


A seguir, uma remodelação governamental em Agosto de 1968 que terá sido "cozinhada" pelos áulicos que já tinham tomado as rédeas da autonomia que dantes não havia.


Portanto, a conclusão lógica é que o primeiro erro de Salazar foi a concessão de maior autonomia aos membros do seu Governo, em vez de uma maior concentração de poder na sua pessoa e por isso maior autoritarismo, o que aliás  já era uma das características do próprio regime.
Os críticos de Marcello Caetano queriam maior ditadura do que a já existente. Isso num mundo ocidental em que a pressão para acabar com as ditaduras, mesmo suaves como a nossa,  era já insistente, permanente e que nos colocava em isolamento crescente. O episódio "Maurice Béjart", em Junho de 1968,  nada lhes ensinou e julgam por isso desejável e possível tal continuidade sem evolução

Depois, ainda segundo o mesmo e outros,  tal efeito amaciador e deletério conduziu ao descalabro, porque permitiu a entrada do cavalo de tróia da execrada renovação, mesmo travestida de evolução na continuidade. Responsável? O "autoritário e orgulhoso" Marcello Caetano que passou a dar preferência aos "áulicos" da nova corte.

Marcello Caetano, para estes fiéis seguidores do salazarismo atávico, mais papistas que o próprio papa ( Salazar desinteressara-se da escolha do seu sucessor, pura e simplesmente),  Marcello não era  "especialmente dotado" para reiniciar a actividade coordenadora que Salazar perdera com a idade...e havia melhor por onde escolher.  Por exemplo, "o Professor João Lumbrales, dr. João Soares da Fonseca, dr. António de Castro Fernandes, dr. Franco Nogueira" , são os nomes apresentados.



Portanto, a partir de Marcello Caetano tudo se desconjuntou e não só as "estruturas" antigas se desagregaram por efeito deletério das ideias "involutivas", como tomaram rumos que futuramente desaguariam na alteração do regime, ocorrida em 25 de Abril de 1974. Culpado principal? Nem é preciso apontar...

Esses antigos defendiam ( e defendem?) um reforço do corporativismo dos anos trinta, um maior esforço da política fiscal sobre os "plutocratas" em embrião que se desenvolveram a olhos vistos e ainda a retoma da velha ideia de império dos anos 40, com a exploração plena de "todas as virtualidades da pluricontinentalidade do nosso território".

Um programa fantástico, claro,  no qual nem Salazar já acreditaria se tivesse a idade de Marcello Caetano.  É este o realismo fantástico dos salazaristas empedernidos pelo tempo que tinha passado.




Mas...teria Marcello Caetano traído esses ideiais de grandiosidade fátua assente numa ideia fantástica?

Veremos a seguir.

sábado, 18 de abril de 2015

Declarações de honra e saneamentos em Maio de 1974

No dias a seguir a 25 de Abril de 1974 a caça às bruxas, perdão, "pides" fazia parte do ar do tempo.

Por isso tornava-se curioso ler certas declarações publicadas por esses dias nos jornais, as quais e destinavam a dar notícia pública que determinada pessoa, às vezes com foto e bi assinalados, não tinham pertencido à "Pide/DGS e nalguns casos nunca tinham sido fascistas.

Algumas declarações tinham também a ver com outro fenómeno surgido na ocasião: os "saneamentos"...

Este tipo de fenómenos só pode mesmo ser mostrado assim, com scanadelas de "pasquins". Não há mesmo outro meio...


Diário Popular de 3 de Maio de 1974:






Diário Popular de 4 de Maio de 1974:



Diário Popular de 21 de Maio de 1974:





Diário Popular de 28 de Maio de 1974:




O PS precisa de massa...

Observador:

O PS está com dificuldades financeiras, com passivo acima de 10 milhões. Partido culpa retenção do IVA das campanhas e também por não estarem resolvidos processos sobre as subvenções autárquicas.


 Nada que uma leizita à medida não venha resolver...

sexta-feira, 17 de abril de 2015

E. Freitas da Costa acusou Marcello Caetano

O escritor Eduardo Freitas da Costa não gostava de Marcello Caetano. Respeitava o professor mas nada mais.

Admirava Salazar e escreveu sobre ele "Para um retrato de Salazar", em 1971. O filho escreve num blog, O Futuro Presente.

Para perceber por que razões não gostava de Marcello Caetano, o melhor é ler passagens do livro Acuso Marcelo Caetano que publicou logo em 1975, em 5 mil exemplares e que agora, alguns deles, andam pelos alfarrabistas.

O livro é um excelente argumento para os que apelidam Marcello Caetano de "fascista" porque parece querer provar isso mesmo, ao longo de várias páginas, o que não deixa de ser muito curioso, em 1975.

Por outro lado estão aqui todos os argumentos contra Marcello dos que prefeririam outras soluções que o mesmo não perfilhou.

Leia-se e tirem-se conclusões. Quem  puder e quiser.







quarta-feira, 15 de abril de 2015

Os ventos da História a dançar com Béjart em Junho de 1968

No volume VI da biografia de Salazar, Franco Nogueira relata esta historieta interessante ocorrida em 6 de Junho de 1968, dia da morte de Robert Kennedy.
O coreógrafo Maurice Béjart num espectáculo de bailado no Coliseu soprou um dito fatal, nesses dias, a seguir aos fenómenos hippies, nos EUA e dias depois de em Paris terem ocorrido as manifestações do "Maio de 68": "façam amor, não façam a guerra" .
Ora nós estávamos em guerra aberta em três frentes e tal caiu muito mal ao próprio Salazar. Reacção pronta do mesmo: cancelamento de espectáculo e expulsão do artista,  imediatamente.
Com estas justificações que depois se tornaram interessantes,  para com o presidente da Gulbenkian.

Salazar fala em "ventos que sopram de certos quadrantes".  Ventos, pois...