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segunda-feira, 20 de Outubro de 2014

E o Proença, pá?

 Observador:

A Altice, sociedade luxemburguesa controlada pelo multimilionário Patrick Drahi, quer comprar a PT Portugal e contratou o Morgan Stanley para a assessorar. Na sexta-feira, o Morgan Stanley enviou uma nota de análise aos seus clientes em que avaliava a Portugal Telecom em 0,79 euros por ação. O mesmo Morgan Stanley, presidido por James P. Gorman, é um dos acionistas de referência da Portugal Telecom. No início de setembro, a Portugal Telecom comunicou ao mercado que o Morgan Stanley tinha 2,38% do capital social da empresa portuguesa, obtidas através de um empréstimo.

O envolvimento entre a Altice e a Morgan Stanley é antigo. Antes de ingressar na Altice em 2009, Dexter Goei, o presidente executivo, esteve dez anos no Morgan Stanley. Depois de 25 anos também no Morgan Stanley, Scott Matlock reformou-se aos 49 anos e tornou-se administrador não-executivo da Altice.

A Altice, que se encontra cotada em Amesterdão, controla várias participações no setor das telecomunicações. Além de ser dona das portuguesas Cabovisão e da Oni, tem subsidiárias em França, Israel, Bélgica, Suíça e Caraíbas.

O Observador contactou o Morgan Stanley para aferir o risco de conflito de interesses, mas, até ao momento, não obteve resposta.

Às 15h00 de Lisboa, enquanto as ações da Portugal Telecom cotavam a 1,035 euros, menos 14,74% do que no final da sessão bolsista de sexta-feira, os títulos da Altice caiam 0,09% para 43,61 euros. Durante a sessão desta segunda-feira, a PT chegou a valer menos do que o empréstimo que fez à Rioforte. À mesma hora, as ações ordinárias da brasileira Oi, que está num processo de união com a PT, desvalorizava-se 7,63% para 1,21 reais.
 
Mas...e o Proença de Carvalho não conta para os conflitos de interesse?  É que segundo se diz( foi o próprio a confirmar) representa os interesses da Altice em Portugal...

domingo, 19 de Outubro de 2014

A PJ fora da lei? É inadmissível.

Estas duas páginas da revista Sábado de 2 de Outubro mostram-nos o que se passa na PJ, polícia de investigação e que tem regras que são as das  outras polícias. As regras são a legalidade vigente.
A excepção que aqui se configura é criminosa e a PJ não pode funcionar assim, sob pena de se perder o mínimo de moralidade que se exige ao vulgar cidadão e cujo padrão serve para se condenar pessoas em julgamento.

Perante o que aqui está escrito, o senhor que aparece na primeira fotografia e que dirige a instituição já nem devia lá estar.
Porém, com esta ministra da Justiça que estranhamente optou por deixar nos lugares as figuras do passado, no topo das instituições políciais e de segurança,  torna-se ainda mais estranho que no pase nada.


Outra bancarrota, já a seguir. Será este o nosso destino?


O Diário de Notícias de hoje conta-nos a mais recente tragédia grega a juntar às míticas, da Antiguidade. A nossa vem a caminho e a galope.

Em Março de 1995, prestes a alcançar o poder que um Cavaco exaurido lhe colocou nas mãos, António Guterres tinha uma equipa de 100 nomes para mudar Portugal, saindo do "neoliberalismo" ou coisa que o valesse e caminhando pela vereda esquerda, muito amiga dos pobrezinhos que votam sempre em promessas vãs e são sempre enganados com papas e bolos de benesses irrealizáveis.



O que deu essa aventura do PS de Guterres, seguida logo de outra do extraodinário Inenarrável que se locupletou fartamente de ideias keynesianas e cujos nomes ainda andam por aí, à solta e prestes a voltar ao poder se ganharem as eleições?

Deu uma bancarrota,  em 2011...aliás a terceira em menos de 40 anos.

Guterres, 1 de Dezembro de 2012:

“Todos aqueles que exerceram funções em Portugal têm uma responsabilidade, diz Guterres.
O antigo primeiro-ministro socialista António Guterres afirmou esta noite de sexta-feira que todos os que exerceram cargos públicos têm "uma responsabilidade" no estado actual do país, reconhecendo a sua parte na "incapacidade tradicional [de Portugal] para competir" com a Europa.
"Todos aqueles que exerceram funções em Portugal têm uma responsabilidade no facto de nós, até hoje, ainda não termos sido capazes de ultrapassar esses défices tradicionais, essa incapacidade tradicional para competir em plano de verdadeira igualdade com os nossos parceiros, nomeadamente no quadro europeu", afirmou António Guterres, em entrevista à RTP sexta-feira à noite.
"Ainda não fomos capazes - e eu próprio porventura também o não fui - de re-situar o país por forma a pudermos garantir aos nossos cidadãos melhores níveis de emprego e de bem-estar", reconheceu o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.


Actualmente, a perspectiva que se depara ao ouvir os 20 economistas que António Costa reuniu numa sala do Parlamento, para "debater ideias" sobre a economia parece muito fácil de antever: outra bancarrota. Está lá o economista Pedro Lains, bem como o assimétrico Vieira da Silva para assegurar tal destino certo. Estão lá vários fautores da última, de 2011 e da qual ainda estamos a pagar as favas, mas que se julgam isentos de responsabilidade nessa matéria, imputável totalmente ao poder do momento que nos "empobrece".  Este discurso obsceno logra aceitação generalizada entre a população.



Não é preciso ser grande adivinho ou profeta para perceber que dali a alguns meses, porque já nem serão anos, os socialistas a governar conduzirão o país a nova bancarrota, como acontece na Grécia.

Então, será mesmo o fim de Portugal tal como o conhecemos e o destino parece traçado. Tal e qual a história de Panurgo cujos carneiros se deitaram a afogar ao som dos balidos do carneiro já perdido.

Parece inútil argumentar com o senso comum, porque a falta de senso já tomou conta do país.

sábado, 18 de Outubro de 2014

O jornalismo luso do saber instantâneo





Nos media nacionais, com destaque para o Público e o Diário de Notícias e também o Observador, (embora o vírus noticioso pareça ter partido da loca infecta do costume),  aparecem hoje notícias sobre um "acórdão" do STA que diz " a sexualidade aos 50 anos já não tem a mesma importância".
É esta a frase que foi catada no dito acórdão para permitir mais uma sindicância jornalística à Justiça, em Portugal.
A frase, capciosa, diz algo que qualquer jornalista entende: os juízes que subscreveram um acórdão do STA sobre uma questão jurídica são "conservadores" na visão  tradicional do Diário de Notícias ( Carlos R. Lima) ou simplesmente dos "democratas exaltadosdo  Público para quem qualquer divergência em relação ao pensamento politicamente correcto é sujeita a anátema  jacobino e exterminador. A única coisa que não pega no Público é a vergonha de terem um jornal falido sustentado pela boa vontade de patrão generoso e complacente e que subsidia este jornalismo de jarreta.

Não vou ater-me ao conteúdo do acórdão que nem li para não desistir liminarmente deste escrito porque tenho quase a certeza que a intenção, em escrito mediaticamente virulento,  imputada aos juízes subscritores do dito aresto não tem correspondência com o teor essencial do mesmo.
O Público ( Ana Henriques e Alexandra Campos) chamam um figo a essa frase maldita que cobre todo o acórdão de ingnomínia mediática e titula: " Juízes com mais de 55 anos dizem que sexoperde importância nesta idade".  Não dizem o nome dos juízes mas lá adiantam no texto que "entre eles há uma mulher"...
Lendo apenas o que aquelas jovens ( com menos de 55 anos provavelmente)  jornalistas escrevem,  a ideia que extrairam da leitura do aresto é esta:  uma mulher ficou impedida de ter relações sexuais "com normalidade" depois de ter sido operada há 19 anos num hospital de Lisboa e por isso foi indemnizada pelos tribunais administrativos em 171 mil euros, menos de metade do que a demandante queria. O STA, para reduzir ainda mais o montante do petitório, para 111 mil euros, aduziu razões jurídicas e de facto. Considerou que afinal a operação maldita "mais não fez do que agravar uma situação anterior já difícil" e que a mesma já antes padecia de maleitas como dores insuportáveis e sintomas depressivos".
Em resumo: tais factos bastariam como justificação para se baixar o tal pedido indemnizatório e o jornal até explica que os juízes, neste caso do STA têm ampla margem de discricionariedade para tal, recorrendo a critérios de equidade ( ou seja, de comparação com outros casos semelhantes) para fixar o montante. O jornal até refere que a indemnização de 111 mil euros que o STA decretou como justa é até mais elevada que em casos do género, como seja o de um indivíduo que ficou impotente na sequência de um acidente de viação e a mulher recebeu 50 mil euros pela incapacidade de pensar do marido.
Portanto qual é a questão fundamental, aqui? É a decisão concreta do STA? Não, não é. É apenas aquela frase do acórdão redigido por um(a) conselheiro(a) e subscrita por mais dois. 
A mulher em causa, na altura já tinha 50 anos e para os referidos conselheiros tal "é uma idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança".

Esta frase entrevada no meio do acórdão e que poderia nem ter sido escrita para justificar o que foi decidido é erigida como  declaração urbi et orbi de efeito social devastador para as ideias politicamente correctas.
E  que ideias são essas? Ora, as que foram ouvidas dos "especialistas contactados pelo Público".
O primeiro especialista é o conceituado radiólogo ( sem ofensa porque gosto de ouvir os programas na Antena Um)  Júlio Machado Vaz. Diz que tal afirmação é errada do ponto de vista científico. E para cimentar a opinião apresenta o argumento de que " ainda há poucos meses sairam artigos científicos na imprensa internacional " que dizem que  a partir dos 50 é que é bom. Enfim, nem comento, porque a roda da sexualidade tem tanto tempo quanto o tempo humano teme portanto é invenção antiga. Não é preciso artigos científicos internacioanais para entender uma realidade que é comum às pessoas. 
Outra especialista é uma professora de Direito da Universidade Católica, Maria da Graça Trigo que lá adianta, como professora de Direito que esse tal argumento "não tem qualquer base científica". Antes tinha dito que afinal poderia ser procedente, para se reduzir a indemnização, "o facto de a cirurgia se ter limitado a agravar uma situação já existente".  O outro argumento, maldito, é então explorado pelos jornalistas para tentarem a sentença de condenação catedrática, mas sem sucesso.  Um advogado anónimo, Ricardo Amaral pensa o mesmo:  "não faz sentido associar maternidade a sexualidade" quando o assunto em causa nem era tal.
Uma tal Ana Carvalheira, "investigadora do ISPA"  é de opinião mais radical e indignada , na sua santa ignorância de assuntos jurídicos: " esta decisão choca-me".  Evidentemente não percebeu o alcance e sentido da decisão mas ateve-se firme à frase que lhe foi dita, como motivo de justificaçãoda putativa indignação selectiva.
E foi assim, com estes "especialistas" que aqueles dois jornalistas fizeram uma notícia de página inteira e com o título epigrafado para ignominiar juizes.
Brilhante jornalismo este que da ignorância faz trunfo de causas politicamente correctas. É um jornalismo jarreta, de intuitos causais de quem se julga aferidor moral de comportamentos e costumes.  Esquecem é de se verem ao espelho para perceberem que a trave que se lhes atravanca não lhes permitiria ver as tristes figuras que fazem.



No D.N. o tom é diverso e mais tradicional, mas com intuito semelhante.  O meu amigo jornalista entende esta decisão como um espelho do conservadorismo vigente na magistratura de certas decisões e nessa medida a notícia é apenas um pretexto para escrever sobre o tema. Pena que sejam sempre os "juízes" os visados com estas prendas sobre o conservadorismo de costumes e a sua horripilação. Porque é que os costumes conservadores são maus? Porque sim? E porque não?
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O título do DN é "sexo na meia idade revela justiça conservadora". Ora aqui está um título que nada tem a ver com a decisão concreta e tem muito a ver com a sociologia  dos tribunais superiores que seria muito interessante investigar mas não apenas numa página de notícia sobre um caso concreto.
E era de facto aqui que se tornava interessante investir nesta notícia. Partindo da mesma frase meramente simbólica e excrescente ao acórdão, o jornalista nomeia os autores da mesma ( Maria Fernanda Maçãs, Alberto da Costa Reis e José Fonseca da Paz)  e acresenta que o juízo implícito naquela frase "acabou por influenciar a decisão do STA".
Acabou mesmo? Foi isso que sucedeu? Estamos aqui no baba do jornalismo: o quê?- é a primeira pergunta.  Ou seja, a decisão dependeu ou foi influenciada decisivamente por tal frase? É isso que não sei nem tenho meios de saber sem ler a decisão e o jornal não me informa devidamente. Ao escrever que tal frase teve influència na decisão isso não chega.  O Público, aliás, através da professora de direito  diz-me que talvez não e que afinal a decisão poderia ser a mesma sem tal frase ou conceito expresso.  Bastava a circunstância , aduzida de "a cirurgia se ter limitado a uma situação já existente".
Portanto, com a leitura do DN ou do Público fico sem saber o que importaria saber em termos estritamente jornalísticos e primordiais: o que sucedeu, factualmente? Não sei , com exactidão e deveria saber porque é parar isso que leio os jornais. 

O que sei é a opinião dos jornalistas sobre os juízes do STA e sobre as decisões em que são escritas frases como a citada.
O DN aliás convoca outros especialistas para debater a frase ( que não o acórdão). Uma tal Marta Crawford, dita sexóloga, ( é disciplina recente e sem currículo, acho)  acha um disparate, tal frase.  A socióloga antiga Maria Filomena Mónica, formada em Oxford em plena época pós flower power,  perante tal frase, sem conhecer o contexto,  foi mais peremptória, como sempre costuma ser: " Os juízes devem estar a falar por experiência própria. Mas não é a minha".  Pois... sobre estas "experiências próprias" também há estudos que dizem que as pessoas mentem e mentem e mentem...
Um outro especialista em magistrados, João Paulo Dias, do CES de Coimbra (uma espécie de  parceria público-privada do grande sociólogo Bonaventura, prestigiadíssimo em países como a Bolívia) diz que a questão é incontornável e que " por muito que os juizes digam que apenas decidem de acordo com o bom senso e a sua consciência jurídica, as suas atitudes e comportamentos ao longo da vida acabam por influenciar a aplicação do Direito".  E conta uma história picante de emoção contida: " um certo dia viu um juiz com um santinho, a servir de marcador num código".  Pela entrelinha da frase percebe-se que o santinho não era o Che. 
O sociólogo do CES, especialistas em juízes acha ainda que a solução para estes conservadorismos em lata só pode ser desencarcerado com "mais formação contínua". Presumivelmente "dada" pelo dito professor Bonaventura prestigiadíssimo intelectual dos pós dos doutoramentos. Tal formação daria a juizes como a Conselheira Maçãs, o sabor inefável do fruto proibido que eventualmente desconhece e o professor quer dar a provar... 

Enfim, duas notícias que espelham bem o estado da arte do nosso jornalismo: as opinões, principalmente as implícitas e politicamente correctas são mais importantes que os factos.  Noticiar estes, com a simplicidade antiga parece uma arte perdida.Qual era o facto relevante nesta notícia, afinal? 17 anos para se obter uma decisão transitada em julgado? Não, isso nem lhes interessa por aí além. Saber os factos concretos e perceber o teor real da decisão? Também é secundário. Importante, importante mesmo é aquela frase suicida. Essa é que interessa porque é o homem a morder no cão...

Este jornalismo assenta ainda num fenómeno curioso, recente e finalmente positivo: perante um assunto relativamente complexo, ouvem-se supostos especialistas e escreve-se o que dizem. 
O método tem um caveat que é o que o antigo cineasta João César Monteiro mostrava em dito assim: se não sabes, por que perguntas? Ou seja, para se perguntar algo de jeito é preciso saber algo a preceito. Caso contrário, corre-se o risco de não se entender o essencial e se reportar o acessório.
Este jornalismo de saber instantâneo é o mesmo fenómeno que acontece aos juízes perante assuntos da sua ignorância: valem-se de pareceres de especialistas que explicam. E se não explicam?  É o mesmo risco deste jornalismo: cairem nas opiniões idiossincráticas que servem de pasto a notícias e comentários.

Quem  é que ensinou isto aos jornalistas jovens que temos?

ADITAMENTO imediato:

Depois de ter escrito isto fui ler o acórdão. Na parte que interessa diz isto:

 10. 3. Finalmente, e no que toca aos danos não patrimoniais, importa fixar um valor que indemnize a Autora das dores, perda de sensibilidade e inchaço na zona vaginal e da dificuldade em sentar-se e andar, o que lhe causa mau estar e a impedem de fazer a sua vida normal obrigando-a a usar diariamente pensos para fazer face incontinência urinária e fecal, limitando seriamente a sua actividade sexual, fazendo com que se sinta diminuída como mulher, ao que acresce o facto de saber que do ponto de vista médico inexiste solução que possa resolver os seus problemas. Tudo isso provocou-lhe um quadro depressivo grave com componente ansiosa e acentuada expressão somática que se manifesta na dificuldade que tem em dormir, no profundo desgosto e frustração pela situação em que vive e no ter-se tornado numa pessoa profundamente triste que a inibe no seu relacionamento com os outros e a levou a deixar de visitar família e amigos com regularidade, a ir à praia ou mesmo ao cinema e ao teatro, tendo já equacionado o suicídio.
Recorde-se, no entanto, que o problema do foro ginecológico de que a Autora sofre é antigo (desde, pelo menos, 1993), que já antes tinha feito diversos tratamentos sem resultados aceitáveis e que foi essa ausência de resultados e a impossibilidade daquela patologia ser resolvida de outra forma que motivou a cirurgia. E que já antes dela tinha dores insuportáveis e sintomas depressivos. O que significa que as queixas da Autora já não são novas e que a cirurgia mais não fez do que agravar uma situação anterior já difícil, realidade esta que não pode ser ignorada aquando da fixação do montante indemnizatório.
Por outro lado, importa não esquecer que a Autora na data da operação já tinha 50 anos e dois filhos, isto é, uma idade em que a sexualidade não tem a importância que assume em idades mais jovens, importância essa que vai diminuindo à medida que a idade avança.
Deste modo, e considerando todas aquelas vertentes, julgamos que a indemnização atribuída pelo Tribunal recorrido excedeu o razoável pelo que, corrigindo essa fixação, atribuamos à Autora uma indemnização de 50.000 euros.




Na parte em que se consideram "todas aquelas vertentes" o que se pode chamar ao jornalismo que pega numa vertente que nem é a mais significativa ou importante para a decisão e a toma como a pedra de toque da mesma e a chave da "injustiça"?

Chama-se jornalismo pobre, mal feito, incompetente e jarreta. Há mais adjectivos mas estes chegam porque também chega para dizer porque é que os jornais não se vendem.Não é só por causa da crise, mas também por causa da mediocridade do jornalismo.

Por último e porque isso também é importante, seria interessante saber quem passou este acórdão para o jornalismo luso. Quem topou a frase infeliz e quem a sublinhou para a cacha do homem que anda a morder os cães.
Não sei, mas sei quem tinha interesse em desprestigiar juizes do STA: quem perdeu...

ADITAMENTO 2 (19. 10. 14):

O Público de hoje volta à carga com outra notícia enquadrada na página 16 e assinada pela mesma jornalista da peça inicial, Ana Henriques. O título é assim:

Portanto, a notícia é sobre um recurso da "mulher lesada na maternidade". O recurso  foi "revelado pelo seu advogado" ( huummm...) e destina-se ao TEDH, por causa da demora de 17 anos na decisão final, 19 anos depois dos factos.
Desde logo resulta, pela leitura do texto que a mulher tem hoje 69 anos e na altura em que os factos ocorreram teria ficado lesada na sua maternidade,  aos 50 anos. Há casos destes? Há,  raros e um deles até vem na Bíblia, reportado como um milagre: a mulher de Abraão, Sara,  foi mãe aos 90 anos! Talvez seja um caso destes...
Depois volta a insistir-se na frase que suscitou a notícia, desgarrando-a do contexto da decisão e não mencionando o facto de a mesma reflectir outros factores para a redução da indemnização.  Lá vem à baila os "especialistas" sexólogos que desancaram a frase até ao tutano da sua inconsistência científica. Jacobinismo puro em modo jornalístico. 

Ontem, o DN dava conta do depoimento científico de um "especialista em magistrados", vindo do CES de Coimbra, feudo intocável do célebre professor Bonaventura. Dizia o mesmo, num  assomo de jacobinismo inenarrável que para resolver estes problemas com juízes que devem "interpretar a vida em sociedade e a própria evolução das pessoas", só mesmo a "formação contínua", se calhar prestada naturalmente pelo célebre professor Bonaventura e outros do género, vindos do ISCTE, por exemplo. São esses professores quem ensina ao vulgo a "evolução das pessoas e a interpretação da vida em sociedade" porque os juízes tendem a parar no tempo e a cristalizar tradições ultrapassadas, tornando-se conservadores, o que é uma praga para exterminar socialmente.

Curiosamente, não ocorreu ao docente jacobino que um dos juízes é a conselheira Maria Fernanda Maçãs. O percurso de vida desta magistrada do STA talvez elucidasse o lente. Como conselheira do STA é a mais nova em tempo de serviço: ainda nem perfêz três anos de serviço. 
Antes disso, esteve noutras paragens. Por exemplo, há dez anos, no Conselho Consultivo da PGR.
 

sexta-feira, 17 de Outubro de 2014

Vem aí a pipa de massa e já há comissão de festas.



 Esta notícia do i de hoje é preocupante por dois motivos: o primeiro é óbvio e tem a ver com a corrupção em estado puro, ou seja, a indetectável, inefável e impecável. É a corrupção moral que não existe no catálogo penal republicano, jacobino e laico. O antídoto para esta análise também vem na receita: apodar de  fundamentalistas quem a acusa e está o caso arrumado.Ou defender-se como o fez o ex-comunista, socialista, capitalista  e o mais que seria se tal fosse coveniente, Pina Moura: a ética republicana é a lei. E pronto.
Escolher uma empresa "amiga" para liderar um processo de "selecção de futuros gestores de fundos europeus" ( repare-se no preciosismo- uma empresa para seleccionar gestores...) é no mínimo sinal de que as coisas podem correr mal como correram da primeira vez e o dinheiro seja para espalhar em obras de utilidade duvidosa e formações em coisa nenhuma.

Tanto faz que a justificação jurídica seja adequada ou não porque a suspeita que fica, se o facto for como conta o jornal i é de que Rui Rio foi beneficiado. E isso conta, porque se borra por uma dúzia de milhar de euros e compromete um futuro político que afinal pode não ser futuro nenhum.

Isto, se a notícia for verdadeira, claro está.

Por outro lado, Rui Rio é agora "empresário" da área dos "serviços", dos "recursos humanos".  Os "gestores" que forem escolhidos pela empresa de Rio ficarão agradecidos, veneradores e atentos aos futuros concursos para gastar os 12 mil milhões de euros, porque é assim que as pessoas, mesmo a muito bem intencionadas funcionam. São pessoas num ambiente propício e cujos costumes em Portugal são os que a experiência social mostra: onde aparece a ocasião surge o "ladrão", mesmo entre o nelhor pano das magníficas intenções dos discursos planos. Será inevitável e mesmo com todas as inspecções, fiscalizações e recomendações, haverá sempre tentações. É "uma pipa de massa". Logo...
O Secretário de Estado do desenvolvimento regional, Castro Almeida já decretou que era para "gastar tudo"...como dizia ao Sol de 1 de Agosto de 2014...e vai ser gasto, olá se vai. O bloco central precisa disto como de pão para a boca. Advogados de regime, empresas de vão de escada, consultadorias ineptas e "pogresso" em barda. Mais uma vez, seremos iguais a nós mesmos como povo, porque quem manda já mandou e não vai ser agora que vão alterar regras de comportamento assumido como corrente. Os jornais? Para quem é, bacalhau basta e ainda vai sobrar uns cobres para o "jornalismo".

Estamos tramados mais uma vez.




quarta-feira, 15 de Outubro de 2014

Água benta, nisto?

Observador:

Antes de sair para a direção do BES e, depois, do Novo Banco, Vítor Bento pediu a reforma antecipada do Banco de Portugal — uma condição aceite pelo governador Carlos Costa –, mas nunca chegou a assinar os papéis. Depois de um mês de férias, Bento regressou esta semana ao trabalho naquela instituição, onde trabalha desde 1980, confirmou ao Diário de Notícias o próprio banco central.
Apesar de ter desempenhado vários cargos nos últimos anos, incluindo a presidência da Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS), o economista manteve o seu cargo no BdP pedindo licença sem vencimento. Antes de aceitar o lugar no BES pediu a reforma antecipada, mas o pedido nunca foi assinado e formalizado, apesar de ter sido enviado para o regulador dias antes da demissão.
“A partir do momento em que o dr. Vítor Bento cessou as funções que desempenhava no Novo Banco reassumiu, por direito, a condição de empregado em efetividade de funções no Banco de Portugal”, respondeu o BdP ao Diário de Notícias.
O jornal não refere, porém, que cargo assumiu o economista, agora que regressou.

Lei Orgância do Banco de Portugal:


Vítor Bento, como por aqui se refere, entrou no BdP em 1980 ( diz que foi por "convite" e era bom que se soubesse de quem, porque em 1980 parece que já não havia governador no activo, depois de Silva Lopes ter saído...e de Vítor, o Constâncio ter entrado em 1985 e lá ter ficado a eternidade da pose permanente)  e nunca mais de lá saiu, apesar de ter andado por outras instituições. Portanto, Vítor Bento foi sempre trabalhador do BdP enquanto trabalhava para outras instituições privadas, até. É certo que tinha licença sem vencimento, mas...chegava isso? É que parece que essas licenças tinham um período de validade máxima de 3 anos. Além disso, foi sendo promovido, mesmo sem  lá estar. Como outros, aliás. Octávio Teixeira não será outro?
 Agora, antes de ir para o BES/NovoBanco pediu a reforma antecipada. Pediu? Não, não chegou a assinar...

Este tipo de chico-espertices ( que outro nome se lhe pode dar?) desacredita esta democracia e estes lídimos representantes de uma suposta elite. É uma vergonha.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

as vacas e os boys

Hoje no Correio da Manhã vem uma crónica de costumes em duas notícias de primeira página que demonstra um ditado antigo e bem português: a uns arrebentam-se-lhes as vacas; a outros, parem-se-lhes os bois.

A primeira é esta:
Segundo se conta, os dissabores de Armando Vara com a Justiça continuam e estão para durar. O bravo empregado de balcão de um banco de Trás-os-Montes tem muito que contar. Desde que em meados dos anos noventa passou a ponte a buzinar, num fiat 127 ou parecido, em protesto contra o então ministro Dias Loureiro,  a vida sorriu-lhe. Foi ministro, deixou de o ser e como amigo de outro salta-pocinhas conseguiu tirar um curso superior na Independente, a la minute e num instante tornou-se administrador de bancos. Primeiro a CGD, depois o BCP, com juras do principal figurão, um certo Santos Ferreira, de que a competência daquele antigo amanuense era digna de doutoramento, passando por cima de qualquer mestrado. Por isso mesmo, Vara deixou de protestar contra Dias Loureiro.

Como se vê pela notícia, Vara parece que se esqueceu de declarar uma pequena quantia de 800 mil euros, no rendimento a colectar pelo Fisco, na altura do Face Oculta. Fraude fiscal, simples? Parece que é pior: como não haverá justificação plausivel para a maquia, o MºPº anda às voltas com a origem das  notas que apareceram nas contas bancárias, segundo diz o jornal. Veremos o que isto dará, sendo certo que acumulará aos cinco anos já contados para passar na Carregueira, se os tribunais superiores confirmarem, o que não é certo perante as presunções legalistas.

Portanto, a Armando Vara arrebentam-se-lhe as vacas leiteiras.

A outra notícia tem a ver com esta conhecida figura do meio lisboeta que mistura  negócios e empresas com assuntos juríricos de alto estado. Como é nosso conhecido não precisa de apresentação.


O advogado Proença já representa juridicamente a empresa francesa que pretende comprar a empresa portuguesa Portugal Telecom, PT.

"Natural, neste tipo de operações", diz o dito para esclarecer ditos. Naturalíssimo, pode acrescentar-se à maneira de um dupond. A francesa Altice é uma empresa que já tem a Oni e a Cabovisão e parece que têm dificuldades em detectar interlocutores para propostas de negócio. Daí à tal "naturalidade, neste tipo de operações" é um pequeno passo, já dado.

O que quer a Altice? Comprar pelo preço mais barato possível. O que quer a PT e os portugueses? Vender pelo preço mais alto possível.
Quem representa os franceses? Proença de Carvalho, naturalmente.A bem de Portugal, da democracia e dos portugueses, como gosta de dizer sempre que é entrevistado e não falta muito para aparecer outra vez na televisão, onde é figura residente em certas alturas, dos programas da SIC da dona Lourenço.

Ou seja, a este Proença parem-se-lhe os boys.

E como é que este ditado se encontra? Assim, como conta o jornalista Gustavo Sampaio no seu livro Os Facilitadores, a partir da página 290:


Como se pode ler, " o caminho percorrido pelo advogado Proença de Carvalho até á presidência da Cimpor entrecruza-se com o trajecto do ex-político Armando Vara que desembocou na presidência do Conselho de Administração da Camargo Corrêa África" e por aí adiante.

É por isso que se estranha tanto azar de um para tanta sorte do outro. Não sobra nada para o desgraçado? E para o outro, coitado que nada tem de seu e tudo lhe vem parar à mão de semear?

segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

O "terramoto" do BES no Prós e Contras é contra o governo actual.

O programa Prós e Contras da RTP1 de hoje é sobre o "terramoto do BES". A primeira parte foi uma vergonha completa. A animadora chamou para o "debate" um tal Pedro Lains que já teve duas intervenções de pura propaganda contra o actual governo, sem explicar minimamente o tal "terramoto", designadamente sem mencionar o seu mentor, José Sócrates que nem uma única vez foi mencionado até agora, no programa.

Depois do tal Lains que acha que o governo tem agora que salvar a PT, apareceu Murteira Nabo a explicar o "terramoto". O discurso foi quase igual, com umas menções muito por alto do que aconteceu cronologicamente, sem ir ao ponto essencial.
Depois um "espectador interessado"  no sindicalismo comunicou à plateia que se Belmiro e a Sonae tivessem comprado a PT já a tinham vendido e com um prejuízo para o país e com uma dívida de mais de uma dúzia de milhar de milhões de euros. Ou seja, passou ali o atestado de menoridade ao capitalista Belmiro, este sindicalista habituado a estas tiradas grandiloquentes muito acarinhadas pelo Público que Belmiro sustenta, como um ónus.
Depois apareceu Carlos Queirós a contar o seu caso muito pungente imputando ao BES a prática de malfeitorias inomináveis. Queirós pôs o dinheirinho no banco, no Dubai, entenda-se o que o mesmo não disse,  e afinal tiraram-lhe o dinheiro para investir na Rioforte e lá se foi o pecúlio.

O Prós e Contras continua daqui a bocado com mais prós contra o governo, o bes e quem mais aparecer a tentar esclarecer a verdade.

Queirós interpelado na segunda parte sobre o que vai fazer, diz que bla bla bla. Lá diz que alguns anos depois do BPN, o antigo presidente do BdP, Vítor, o Constâncio que aliás não nomeia, depois de acompanhar aquele caso, foi promovido para o Banco Europeu. Foi aplaudido, mas não vi o tal Lains a fazer o gesto...
Exige depois a responsabilização do actual governador do BdP. "Que se vá embora!" E foi outra vez aplaudido. O presidente do BdP é que devia ter regulado o banco no Dubai...

Murteira Nabo outra vez, para responder a Queirós. "Falhou tudo", diz Nabo, sobre o BES. Deve incluir o que fez na PT e com as contratações dos amigalhaços e filhos...mas isso ninguém lhe pergunta. Queirós outra vez no programa sobre o "terramoto do BES" a responder a Nabo e sem mediação da moderadora. É o programa de Queirós, este Prós. Vergonha, outra vez.

Entretanto um pequeno investidor, piloto de aviação no estrangeiro vem falar do assunto mais importante que aliás Queirós também referiu: até onde vai a responsabilizaçao, a moralidade dos intervenientes no processo do "terramoto". Ora, é perguntar ao tal Lains...
Agora aparece um advogado a representar o "consórcio dos investidores do BES" a dizer que tem uma acção preparada para investigar as contas do banco e as razões da solução encontrada pelo BdP.

Depois um certo Avelino de Jesus que também bla bla bla pela segunda vez. "O sistema financeiro é um sistema arriscado", diz. "Situações destas são situações recorrentes". Pois. Bla bla bla. "Nem o senhor governado do BdP, nem o senhor presidente da República deviam fazer as observações que fizeram". Pois. Bla bla bla.

E agora outra vez o grande intelectual do sistema alternativo, o Viriato Soromenho Marques. Nem ouço mais. Não vale a pena. Pedir a opinião deste indivíduo para explicar este "terramoto" é, sei lá, pedir a um pedinte para explicar o funcionamento da bolsa de valores. É a maior confusão conceptual, apresentada como um menu elaborado e rendilhado de ideias difusas sem nexo.

Desisto.

Fundação Mário Soares: quantos milhões já recebeu até agora, de dinheiro público?

CMjornal, em 28 de Setembro de 2011:

Para além dos 50 mil euros anuais que "o Município está obrigado" a dar como "apoio financeiro" à fundação de Soares, acrescem mais 14.825 euros, propostos pela vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto – e que vão hoje a discussão e votação em reunião de Câmara.

O CM teve acesso ao contrato-programa, entre a CML e a Fundação Mário Soares, em que se adianta "a atribuição de apoio financeiro para o prolongamento, até ao dia 31 de Dezembro de 2011, da exposição ‘A Voz das Vítimas’, organizada pela Associação Movimento Cívico Não Apaguem a Memória" e pela fundação de Soares.

O protocolo entre o município de Lisboa e a Fundação Mário Soares, que obrigava a um apoio anual entre 30 e cerca de 44.000 euros, foi assinado a 07 de Novembro de 1995, pelo presidente da Câmara, Jorge Sampaio, vigorando no prazo de 10 anos, renovável para igual período. Ou seja, no mínimo até 2015.

Foi actualizado para 50 mil euros em Julho de 2010, pela vereadora da Cultura, Catarina Vaz Pinto, como "reconhecimento do trabalho levado a cabo pela Fundação". 


O dinheiro que a Fundação Mário Soares já recebeu até este ano será  da ordem de um pouco menos de dois milhões de euros, em quase vinte anos, desde 1995 e o governo de Guterres. Segundo o DN é muito mais que isso. Só no tempo de Sócrates foram mais de 3 milhões. É muito?  É. Para o caso, é. É um escândalo e por isso Mário Soares espuma com este governo que chegou a ameaçar acabar com esta mama. No "auge da crise", o governo de Sócrates deu-lhe 600 mil euros ...
Neste contexto, a notícia do CM sobre os 40 mil euros que "Costa dá à Fundação" é apenas um fait-divers". Na verdade quem financia a Fundação de Mário Soares somos sempre nós, contribuintes. E Mário Soares é um protegido deste sistema que parece ter medo de um indivíduo deste jaez...e por isso esta intenção ficou em águas de bacalhau. Os milhões, esses, continuam a fluir...