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sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Marcello Caetano merece ser recordado de outra forma

Um  tal Orlando Raimundo há umas semanas atrás foi notícia na revista Tabu, do jornal Sol, a propósito da reedição de um livro sobre Marcello Caetano intitulado "A última dama do Estado Novo", publicado originalmente há cerca de dez anos.

O que escreveu na altura suscitou vários reparos de monta aos familiares de Marcello, designadamente a filha Ana Maria e o filho Miguel que logo na altura lhe fizeram saber coisas do seu desagrado desmentindo-o em factos que apresentou como verdades.  Dez anos depois, em vez de corrigir os erros e refazer a obra, insistiu na publicação das mesmas histórias merecendo agora um "direito de resposta" do filho Miguel de Barros Alves Caetano, na mesma revista Tabu, do jornal Sol de hoje.


Conhecendo a obra de Marcello Caetano e sabendo o que o mesmo fez no seu tempo, facilmente acredito na versão dos familiares em detrimento das historietas de pretensos autores que revelam uma dignidade abaixo do standard mínimo nestas coisas.
Marcello Caetano foi um grande governante que Portugal teve, certamente digno de louvores e apreço que o Portugal democrático se recusa a conceder-lhe, continuando a apodá-lo e ao regime anterior de..."fascista", imitando o léxico comunista mais retrógrado e fossilizado, como se fosse a expressão mais pristina da realidade.

A justiça em relação a Marcello Caetano e ao regime de então,  tarda já 40 anos. Mas virá um dia.

quinta-feira, 30 de Outubro de 2014

Baptista Bastos, despedido e mal pago...

O jornalista João Miguel Tavares, cronista no Público das terças e quintas, desanca hoje por escrito outro jornalista das crónicas habituais em jornais. Motivo? Não se percebe muito bem, mas parece ser pessoalmente político ou de maus costumes entre jornalistas. Não sei bem, mas parece mal. Baptista Bastos é um cromo repetido do jornalismo nacional da esquerda dominante no espaço mediático e talvez seja por isso.  O pretexto é o despedimento sumário de que foi alvo o plumitivo que vive com o 25 de Abril na boca e até reportava no Diário de Notícias no tempo de Marcelino, o seu antigo labão.


Na sua última crónica no DN o escriba da nostalgia abrileira parafraseou involuntariamente uns versos de Camões...

Sete anos de pastor Jacob servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela;
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prémio pretendia.

Os dias, na esperança de um só dia,
Passava, contentando-se com vê-la;
Porém o pai, usando de cautela,
Em lugar de Raquel lhe dava Lia.

Vendo o triste pastor que com enganos
Lhe fora assim negada a sua pastora,
Como se a não tivera merecida,

Começa de servir outros sete anos,
Dizendo: — Mais servira, se não fora
Pera tão longo amor tão curta a vida!

Nesse "ponto final" de Baptista Bastos pendura-se tanta amargura quanta melancolia ressabiada e como o mesmo diz, citando Sartre, "Je suis irrécupérable". Bien sûr que é irrecuperável, Baptista Bastos.
A Raquel de BB é a sempiterna esquerda, bela e esbelta  na sua utopia e para azar do destino, Jacob BB só tem a Lia de uma esquerda coxa e mirolha,  sem a beleza etérea entrevista nos tempos em que escrevia no primeiro Ponto, jornal que ajudou a fundar em Novembro de 1980.
A beleza da raquel que BB jacob entrevia, numa terra de utopia,  está aqui espelhada nesta crónica de reportagem que  reflecte  o que então o jornalismo nacional também via: uma perfeita fantasia.

Tal como o Jacob de Camões, BB tem andado a servir os sete anos repetidos...agora no Correio da Manhã, onde outro labão o vistoria.


BB é a quintessência do jornalismo nacional que serve um patrão por amor a uma raquel de utopia e em  vez da dita só lhe dão a lia. É uma tragédia?
Não: é uma loucura.  

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Mário Soares e o socialismo embalsamado

Mário Soares e Almeida Santos não querem que o PS deixe de ser "socialista" porque tal coisa é impensável e seria "uma heresia". Portanto, este PS tem agora uma doutrina socialista ortodoxa.

E qual é a coisa qual é ela que Manuel Valls nem quer falar nela? Em 1 de Abril de 1976 o grande, grande pensador português, desde sempre radicado além Pirinéus, em Vence, argumentava muito simplesmente na Opção que essa tal coisa era nada. Vezes nada.


Ora o mesmo Mário Soares dizia em 9 de Julho desse mesmo ano à revista Século Ilustrado, ( em entrevista de Maria Antónia Palla  ) o seguinte que dá para entender que já tinha engaiolado o socialismo, liquidado de morte matada e pedurando-o para inglês ver e a palrar de vez em quando as frases da moda, dando o corpo ao manifesto das vozes ventríloquas dos animadores do sítio.  O passaroco afinal nunca foi verdadeiramente metido em qualquer gaveta mas ficou por ali, embalsamado,  a adornar o espaço mediático do Rato, debitando em ilusão os estribilhos que fazem ganhar eleições. Assim que desaparecer, acaba a peçonha. Valls quer enterrá-lo porque cheira mal e só debita frases repetidas sem nexo.  Soares e Santos que não, que ainda é passaroco para resistir a mais invernos do nosso descontentamento e os ventríloquos têm que ganhar a vidinha. E lá lhe vão dando cascas e alpista para enganar papalvos que votam e julgam que o passaroco embalsamado está vivo e de boa saúde...



Quase dez anos depois, o mesmo Mário Soares, em entrevista à Grande Reportagem de 15 de Março de 1985, pasava já a certidão de óbito ao passaroco, mas recusava enterrá-lo, mantendo-no no bálsamo da utilidade eleiçoeira, até hoje. À pergunta - A sua actuação pretende aumentar ou reduzir a intervenção do Estado?- Soares respondia como grande neo-liberal improvável que enterrara definitivamente o passaroco socialista:

"Obviamente, reduzir e simplificar. O Estado não deve ser empresário. Em toda a parte enm que a livre iniciativa dos agentes económicos se afirma. o papel do Estado deve tornar-se meramente supletivo".Melhor que isto nem a Senhora Thatcher...que aliás estava então no poder, em Inglaterra.



terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Le Nouvel Observateur agora é L´Obs

 

A revista francesa Le Nouvel Observateur mudou ( pouco) de formato gráfico, reflectindo necessidades de mudança estética. Agora chama-se simplesmente L´Obs e é uma das minhas revistas preferidas, mesmo sendo de esquerda.
A revista mudou de aparência, tal como o PSF de Manuel Valls também pretende mudar.
O PS de cá não vai em modas e não o quer imitar, largando o socialismo de vez e deitando ao lixo a gaveta onde o puseram nos idos de 1974 ou 75.
Mário Soares e Almeida Santos foram precisamente uns dos autores dessa manobra de recurso táctico que enterrou nas profundezas da tal gaveta sem fundo o marxismo-leninismo que ainda tinha alguns resquícios no PS de 1974, aliás formado pouco tempo antes e herdeiro legítimo do jacobinismo republicano e maçónico.

Desde então, o PS é de esquerda e isso basta. Uma palavrinha e já está tudo dito, para quem vota. Pobres supostos contra pretensos ricos e desta ideia básica nasce o fundamento de todo o discurso do PS, incluindo um José Sócrates, pobre entre os pobres do PS. Quase nada tem de seu ( nem uma medalhita)  e tudo lhe aparece dado...e por isso a luta de classes ainda é "chique a valer".
Os pobres, os supostos,  são para o PS o mesmo que para o PCP: o alimento essencial da vida politico-partidária.O maná da luta de classes, como conceito abstracto e sempre rentável. Nem percebo como pretendem lutar tanto contra a pobreza quando é ela que os sustenta e lhes garante votos, mas enfim.

Aqui fica a parte da entrevista em que Valls quer deitar fora de vez um socialismo postiço que já nem isso é. O que diz Valls de essencial? Que "é preciso acabar com a esquerda passadista".
Ou seja, a que Mário Soares, Almeida Santos e os jacobinos maçónicos do PS defendem, com o argumento perene da luta de classes em modo de afirmação que é sempre uma mentira, particularmente no caso pessoal desses indivíduos. São eles a burguesia, actualmente. Os ricos.  Não os pobres que dizem defender. Quando as pessoas perceberem isso, acaba-se-lhes a mama política.




segunda-feira, 27 de Outubro de 2014

Dêem-lhe a medalha dos feitos inenarráveis!

Diário de Notícias de Sábado:


A foto abaixo do texto pouco terá a ver com o mesmo, embora lhe sirva de legenda. O que Manuel Vals quer fazer ao PS francês, resguardadas todas as distâncias, não será muito diferente do que aqueles dois do lado esquerda da foto fizeram ao PS português logo nos primeiros meses de 1974: "meter o socialismo na gaveta" e governar conforme sopravam os ventos. Resultado? Três bancarrotas com o "socialismo na gaveta". Fora da gaveta seria uma, de caixão à cova...

O da direita é personagem de ficção neste Portugal contemporâneo. Diz-se de esquerda como é de bom tom ( MFM na entrevista ao i chama-lhe "dâmaso salcede", sempre pronto ao "chique a valer) mas vive como um burguês que nem a suposta direita conhece. Sem dinheiro, faz vida de rico. Casa de luxo, mercedes, sempre bons restaurantes, fatiotas tipo bijan, etc etc. Pede empréstimos para "estudar", paga tudo em pouco mais de um ano sem se saber como e continua por aí a viajar para assegurar bons negócios a farmacêuticas para quem agora diz trabalhar. De esquerda, portanto. Socialista por suposto.

Por outro lado falta na foto outra lenda socialista, Manuel Alegre. Hoje veio dizer que o da direita, sendo de esquerda, merece ser medalhado pelo presidente da República e só o não será porque este não gosta dele..."por questões pessoais".

Por mim, o da direita, dizendo-se sempre da esquerda merece ser medalhado, ao modo dos antigos camaradas soviéticos, com uma placa de medalhas a todo o comprimento das largas lapelas. Com as medalhas de outro da capacidade em afundar um país; de prata, da capacidade em tirar cursos superiores ao Domingo e de bronze da habilidade em escapar por entre os pingos da chuva ao destino natural que o deveria esperar...

Loira burra e doutorada em sociologia

Maria Filomena Mónica em entrevista ao i de hoje assume a condição de burra para se doutorar em sociologia e recomenta ao ministro Crato um "cone de burro".

Pronto, de burrices já chega e aqui vai a parte mais interessante da entrevista:


Conforme se lê, temeu que o seu doutoramento em Oxford ficasse em águas de bacalhau por se sentir burra, mas com ajuda de Salazar, porque escreveu sobre esse tema,  lá conseguiu o doutoramento per saltum, passando por cima do mestrado que era afinal o que pretendia. Tese? Prái umas centenas de páginas sobre o "regime salazarista, perceber como aquele homem governou tanto tempo e se passou da República para Salazar".
Será que a tese está publicada por aí, ou nem em alfarrabistas se topa? Talvez fosse interessante voltar ao tema e ler o que a então "burra" considerava fino dizer sobre o regime de Salazar.
Desde logo, produz uma afirmação de truz: "acho que Salazar correspondeu àquela fase da sociedade portuguesa em que era muito fácil governar Portugal. Provavelmente até eu governava Portugal com 80% de camponeses a morrer de fome e analfabetos. Quando tem 80% de pessoas no campo não h+a revoluções, as revoluções são feitas pela classe média ou pelos operários da cidade". 
Este chorrilho de patetices nem merece grande comentário porque aparentemente a condição primitiva e de intelecto com que chegou apetrechada a Oxford ainda a não abandonou.
Salazar e o Estado Novo foram a maior revolução do século XX em Portugal e se Salazar aguentou tanto tempo proavelmente é porque merecia e o povo deixou. Em 1974 produziu-se a segunda revolução do século que dura já 40 anos. Leva já no currículo três bancarrotas e um nível de vida, relativo, inferior ao que existia em 1974, no regime que Salazar deixou.

Por outro lado, MFM diz uma coisa espantosa para quem se formou em sociologia nos anos sessenta mesmo assumindo aquela triste condição asinina: "Sou formada em Filosofia, onde não aprendi nada, e tinha feito um estágio nas chamadas Ciências da Investigação Pedagógica. Como a sociologia era proibida em Portugal, achei que devia ser uma coisa fascinante, afinal era uma chatice de morte".

Tirando outra vez as tiradas adestras sobre a sua própria competência intelectual, fica a tal afirmação sobre ausência de Sociologia nesse tempo ( anos sessenta) por causa da proibição que Salazar impunha.

Impunha mesmo ou afinal o que era proibido seriam os isctes do tipo actual? É que sobre sociologia desse tempo há provas de que não era disciplina proibida.

Aqui ficam para mostra:


domingo, 26 de Outubro de 2014

A ideologia matrix de uma esquerda utópica nacional

No Público de hoje e na Tabu ( Sol) de ontem aparecem três perfis de personagens simbólicos desta democracia.

A primeira é Maria Antónia Palla, mãe de António Costa que ultimamente tem multiplicado entrevistas a propósito da publicação de um livro que intitulou pomposamente Viver pela liberdade. Uma liberdade antonomásica, por suposto, uma vez que é a liberdade jacobina.
Ontem foi o i a entrevistar e a recensear o livro ( Ana Sá Lopes, imagine-se...) e hoje é o Público  a entrevistar, pois claro. Uma entrevista longa com um título jacobino por excelência: ! Não tinha, como não tenho ainda hoje, respeito pelas hiearquias".

Esta Palla evidentemente só é entrevistada profusamente por toda esta troupe mediática de esquerda por ser mãe do almejado primeiro-ministro que lhes irá supostamente curar as maleitas deste "neoliberalismo" empobrecedor.


A entrevista do Público revela o que é semiologicamente evidente: somos dominados mediaticamente de há mais de quarenta anos a esta parte, - porque isto já vem de alguns anos antes do 25 de Abril de 1974, - por esta esquerda difusa que se alia sempre objectivamente à ideologia da aversão genérica aos ricos e à "hieraquia", focando particularmente um sistema que agora se chama "mercados" e que dantes tinha o nome, para essas pessoas, de "capitalismo". O jacobinismo puro é a essência desta esquerda mediática. Daí a profunda aversão ao Salazarismo/Caetanismo e a aceitação desse regime como sendo "fascista", adoptando a designação comunista,  corrente,  sem qualquer prurido ideológico.

Como é que esta ideologia difusa que não é comunista mas muitas vezes se apresenta como cripto-comunista,  aceita complacentemente uma ideologia e um partido profundamente anti-democrático e profundamente repressivo de liberdades? É o mistério deste meio século, para mim.

Por isso mesmo tento descorticar indícios semióticos dessa inclinação à esquerda que me permita entender como é que naufragamos colectivamente nessa aventura utópica, sem destino à vista.



Lendo o que a referida Palla diz, percebemos que essencialmente se pretende feminista, por reacção a uma suposta sociedade repressiva de direitos para as mulheres. Abortista convicta, fez disso bandeira e escreveu agora o livro de justificação de uma coisa tão pessoal que devia ser resguardada no íntimo de quem não quer ser julgado publicamente.
A certa altura da recensão no i, afirmando a amizade que manteve com Maria José Nogueira Pinto, interrogava-se porque é que a mesma seria de direita e ela de esquerda quando eram tão parecidas e tão próximas em algumas coisas...
E parece-me que é neste interstício de personalidades que se deve procurar a essência do mito. Porque é que a tal Maria José Nogueira Pinto seria de direita? Há razões objectivas e concretas para tal, se afinal as afinidades electivas eram mais que a proximidade de pontos de vista e passavam até pela leitura primordial de livros de autores de esquerda?
Que é afinal a Esquerda não comunista?  Quanto a mim, é a jacobina. A contestatária de uma tradição católica ou de uma tradição de costumes que vinham de um passado em que a autoridade e a hierarquia social eram respeitadas. Maioritariamente ateísta, contesta essencialmente uma autoridade difusa porque a não detém. Logo que a possua, adquire-lhe os piores vícios e perverte-lhe a essência, justificando-o em inúmeras contradições.  É essa a diferenciação? Pode bem ser.  M.A. Palla é de esquerda por isso, parece-me. É simplesmente um fenómeno psicológico sem razões explicativas porque foge ao domínio racional.

Outro representante desta ideologia difusa, matrix do espaço mediático e até maioritariamente político que vivemos nos dias de hoje é Joaquim Letria, irmão de José Jorge Letria, o comunista  arrepenido que escreveu um livro sobre o dealbar do 25 de Abril no ambiente mediático, militar e político da época, intitulado "E tudo era  possível".

Joaqum Letria apareceu ontem na revista Tabu., do Sol, em entrevista extensa. Também foi comunista mas por pouco tempo. Diz que ninguém lhe ligou durante 17 anos, mas antes tinha sido personagem fundamental no panorama mediático nacional pós-25 de Abril. É evidentemente de esquerda e a justificação é na mesma irracional.

Diz que estudou no Passos Manuel e no Colégio Moderno e nessa altura já tinha percebido que "queria ser jornalista".Escreveu um conto para o Diário de Lisboa que foi seleccionado para publicação e meteu uma cunha à filha do director, sua colega de escola, para ir "para lá". E foi.


Conta depois que "entrei no PCP com 16 anos". 16 anos? Portanto, entrou para o PCP no início da década de 60 do século que passou. O que se sabia do PCP nessa época? Que era estalinista puro e duro quando Krutschev denunciou tal  coisa meia dúzia de anos antes, com proclamação pública de extenso rol de crimes contra a humanidade, como hoje se diria. Salazar ao pé disso era um anjo de coro e dos mais recatados. Letria, como jornalista não sabia disso? Não se informou? Não comparou mentalmente o regime de Salazar com o soviético que almejava sendo militante do PCP?
Então que razões se encontram para essa filiação comunista e esse esquerdismo militante que nunca mais abandonou? Lá está: não há razões, a não ser psicológicas, com a particularidade de Letria, Joaquim não dar indícios evidentes de jacobinismo militante.

Porém, o papel de Joaquim Letria no panorama nacional é de muito relevo e não parece. Foi um dos fundadores de O Jornal, em Maio de 1975 e quem ler os números que sairam durante esse período rapidamente percebe que o jornal era de esquerda mas não alinhado no comunismo, antes do lado do MFA maçónico e democraticamente burguês. O do "grupo dos Nove" de Melo Antunes e similares.

Mas que não haja qualquer dúvida sobre quem Letria apoiava nessa altura. o PREC, ainda que mitigado, como o demonstra esta capa do jornal ( que tinha um jornalismo magnífico, desse ponto de vista) contra o então "contra-revolucionário" Alpoum Calvão, recentemente falecido e cujos obituários resumem bem o que foi o nosso panorama mediático dos últimos 40 anos, onde se nota a marca matrix dessa esquerda que sociologicamente não nos larga.

De resto, Letria diz no final da entrevista que "sinto-me cada vez mais empurrado para o PCP".  Os primeiros amores...pois claro e o tal fenómeno irracional a manifestar-se. Só não se compreende que tenha explicado o afastamento do PCP, ainda antes de 25 de Abril de 1974 porque " não concordava com o alinhamento do partido com a União Soviérica". Mas "respeitava muito o Cunhal", claro e que dá a dimensão dessa crença e dessa fé esquerdista que nunca passa.


Finalmente outro entrevistado hoje pelo Público é Nuno Crato, da geração com menos uma dúzia de anos que aqueles e cujo percurso ideológico é similar a muitos que moldaram o panorama mediático e são agora comentadores habituais de telejornais de uma Lourenço e afins.

Crato é outro ( a par de José Manuel Fernandes que foi seu colega de jornal na Voz do Povo, da UDP, com Henrique Monteiro e outros) que provavelmente não consegue explicar racionalmente porque acreditou no comunismo utópico numa altura em que tinha à disposição de leitura ( uma das actividades preferidas) informação mais que suficiente para se poder concluir que era uma loucura criminosa que iria tornar Portugal num sítio mal frequentado e de miséria colectiva. Crato, tal como outros não viram isso e tinham todos os meios para ver.
Por que não conseguiram ver claramente o que só muitos anos mais tarde vieram a reparar? Crato diz que "passei dos movimentos utópicos e, ao mesmo tempo de ambições totalitárias, para um movimento democrático moderno". Politicamente passou ( passaram), mas mentalmente, teriam mesmo passado?
É esse fenómeno que me interessa perceber ( e por isso comprei o livro de José Manuel Fernandes em que faz um relato autobiográfico desses tempos) porque não entendo mesmo como pessoas inteligentes conseguiram aceitar aquelas patranhas, sem pestanejar, metendo-se a fundo no processo revolucionário que visava alterar o status quo por meios violentos e depois, passados anos, mudam de agulha como se nada fosse. Não acredito nesta mudança psicológica porque suspeito que as razões inconfessáveis ou inescrutáveis para tal mudança não são possíveis de revelar ou descobrir.  São razões que a razão desconhece.



Por outro lado tudo isto me parece importante por um simples motivo: todas estas personagens do nosso passado próximo têm um ponto comum de entendimento: o Salazarismo / Caetanismo como sítio ideológico do mal quase absoluto de um "fascismo" inventado a preceiro.
Combateram esse regime como comunistas oiu simplesmente "do contra" e adoptaram  o léxico do combate como substituto ( caso dos extremistas de esquerda da segunda geração) . Ficou-lhes de tal modo impregnado no instinto irracional que não conseguem fazer qualquer "reset" no sentido de julgarem aceitável e útil a discussão sobre o regime de Salazar/Caetano que aliás se torna cada vez mais premente e necessária, por causa da nossa identidade e futuro.
 Tirando a caricatura é esse fenómeno que ainda hoje se sobrepõe no espaço mediático total e sem excepções, a não pontuais e quase irrelevantes ( O Diabo, por exemplo).

A escola que se formou com essas pessoas antigas e as que lhes sucederam no espaço mediático tem  moldado a sociedade portuguesa no sentido lato do esquerdismo  suave e que costuma dar vitórias ao PS porque o PCP, no poder,  assusta o povo.

Se António Costa ganhar as próximas eleições é por causa deste fenómeno, aliás único nos países da Europa ocidental, mesmo nos vizinhos mais próximos.

PS. os jornalistas mais representativos e mediaticamente poderosos, particularmente os da televisão, são mesmo todos de esquerda. É um facto indesmentível, parece-me e uma desgraça nacional. Uma tragédia grega, literalmente.
Interessante mesmo seria saber as razões e descobrir se serão ainda razões que a razão desconhece, como naqueles casos acima apontados.

Que espécie de maldição se abateu sobre Portugal no final dos anos sessenta do século XX?  Virá isto de França? Não me parece porque em França há movimentos ideológicos interessantes a despontar...



sábado, 25 de Outubro de 2014

Pinho quer a reforma do BES...

Observador:

O ex-ministro Manuel Pinho vai avançar com um processo judicial contra o Banco Espírito Santo para receber uma reforma antecipada que lhe terá sido prometida por Ricardo Salgado. Em causa está um valor superior a dois milhões de euros.
O semanário Expresso adianta neste sábado que Manuel Pinho, que deixou de ter funções executivas no BES no início do ano, reclama que lhe sejam pagos os salários a que teria direito entre uma reforma antecipada que Ricardo Salgado lhe teria garantido e o momento em que atingiria a idade legal de reforma. Segundo o jornal, Manuel Pinho tem uma carta do antigo presidente do BES a autorizar a reforma antecipada e a prometer o pagamento dos salários previstos até que Manuel Pinho, na altura com 55 anos de idade, chegasse aos 65 anos.
Quando faltavam cinco anos para Manuel Pinho, em 2013, ano de prejuízos históricos para o BES, o banco promoveu alterações no Regulamento do Regime de Pensões de Reforma dos Administradores. Aí, Manuel Pinho, que recebia um salário mensal bruto de 39 mil euros (14 meses por ano) como administrador de uma “holding” sem atividade, a BES África, questionou o banco sobre a sua situação e tentou receber o valor que faltava. De preferência, à cabeça. Mais de dois milhões de euros. O Expresso diz que Rui Silveira, antigo administrador do BES, recusou.

 O antigo ministro da Economia (!) Pinho era, segundo notícias da época, um dos génios da alta finança do BES. Trabalhava para o banco de Ricardo Salgado. Logo que foi a ministro. o BES ainda era o maior e Pinho ajudava José Sócrates na governação.
No final do ano de 2005, Pinho confirmou Mexia, que tinha sido empregado do BESI e  ministro de Santana, na EDP. É o que diz o Público do passado Domingo.
Em Fevereiro de 2006, a OPA da Sonae tropeçou em Pinho e Sócrates e estatelou-se. Salgado ficou a ganhar.
Em Abril desse ano, o BCP foi tomado de assalto pelo comendador da Bacalhôa e outras sombras. O BES emprestou dinheiro ( 280 milhões) para a investida.
Em Outubro desse ano Pinho autorizou a TAP a conprar a Poprtugália, do GES, por 140 milhões. Diz o Público que tal foi visto como "um favor do ministro ao ex-patrão".



Em Julho de 2009, o Pinho fez aquelas figuras tristes na AR e só assim foi despedido sumariamente, numa indignação postiça e jacobina que só o PS consegue apresentar como sinal de dignidade democrática.

Em 2010, o mesmíssimo Pinho arranjou um emprego novo, pago por uma EDP que ainda tinha umas shares do Estado.  Mexia mexeu-se, com grandes dúvidas de alguns sectores:

 A eléctrica portuguesa fez uma doação à School of International and Public Affairs (SIPA), num montante que pediu à Universidade nova-iorquina para não divulgar e que tem como uma das iniciativas o seminário sobre energia renováveis que vai ser leccionado pelo ex-ministro da Economia.
"Manuel Pinho será professor visitante School of International and Public Affairs (SIPA) da Universidade Columbia. A sua posição faz parte de uma série de novas iniciativas que estão a ser apoiadas pela EDP", disse ao Negócios fonte oficial da Universidade e Columbia
.

Agora que acabou a subvenção,  Pinho quer a reforma. Dourada. Dois milhões. Prometidos por carta escrita de Salgado.

"Num chega", dizia o outro colega de governo. Uma carta de conforto para assegurar uma reforma desse calibre "num chega" e Pinho vai ter que enfileirar na lista de credores reclamantes na insolvência do banco. Para a qual, aliás, poderá ter contribuído...

O comunismo foi sempre assim, mas o PCP jura que é assado...





O Diário de Notícias de hoje, em reflexo da nova direcção,  traz na primeira página  uma nota sobre um livro recentemente editado em Portugal, da autoria de um antigo esbirro de Fidel Castro, agora refugiado em Miami.
Em 1975, quando O Nóbél Saramago dirigia o jornal,  este livro nunca seria sequer mencionado, porque traduz denúncias que mostram a verdadeira face do comunismo, para os seus dirigentes de topo. Em resumo, o comunismo, para essa gente que se agarra poder, quase absoluto,  como lapa fossilizada, é um meio de manutenção de privilégios para uma oligarquia que mantém o povo numa miséria inenarrável a troco de palavras vãs sobre "amanhãs a cantar", com repressão policial a assegurar que cantarão mesmo.
O logro comunista há muito que foi denunciado, demonstrado, exibido em imagens e sons, com testemunhos inequívocos do seu carácter perverso relativamente aos ideias que defendem.
Não obstante tais evidências, em Portugal o PCP continua de vento em popa a proclamar os mesmos princípios, ideias e objectivos de sempre e que aliás não mudaram um milímetro ideológico.

Este gigantesco embuste ( Mário Soares dixit há umas décadas...) continua a embustear sem qualquer obstáculo e nas tv´s aparecem frequentemente os representantes desta hedionda farsa a proclamarem a sua fé numa democracia que nunca praticaram nem quereriam jamais praticar, a não ser numa acepção cuja contradição é tão evidente que só um embotado de espírito não quer entender.

A condescendência mediática para com o PCP, que é o digno representante daquilo que o comunismo tinha de pior,  tem sido de tal modo escandalosa que só  se compreende por deficiência de raciocínio lógico ou por razões que a razão desconhece, o que aliás deverá ser o caso.

O livro do antigo esbirro, agora editado em Portugal já o tinha sido em França, há meses e foi mencionado aqui, na altura, aquando da notícia do lançamento do livro, em França.



O Diário de Notícias não arranjou melhor título para anunciar o livro do que dizer que "Fidel tem pequenas fábricas onde é feito o seu próprio iogurte"... como se esse privilégio que denega a iguadade propalada, fosse o epíteto do "homem que morde o cão" e não o facto de o regime denunciado ser um modelo que o PCP, ainda hoje gostaria de ver implantado por cá, sem qualquer pejo de o afirmar. Na AR ninguém os questiona sobre esta pretensão quando falam contra o "empobrecimento" que por outro lado promovem activamente por saberem que só vicejam na miséria, como os bichos da merda. O "quanto pior, melhor" foi sempre o lema do PCP, em Portugal.

Em 1986, já em pleno processo de desagregação política, a URSS ainda continuava a propagandear o embuste, tendo a agência de propaganda soviética Novosti ( falam do SNI do "fassismo"  mas nunca mencionam esta central de lavagam aos cérebros de então) publicado um pequeno vademecum, com perguntas inconvenientes e respostas certas dirigidas aos curiosos desta Mentira permanente que é o comunismo.

Este elucidário ainda hoje deve ser o manual preferido do Jerónimo e acólitos para se defenderem dos ataques dos "fascistas". Em 1986, proavelmente, Vital Moreira e Pina Moura ainda acreditavam nestas patranhas. Hoje, parece que já não. Terão ganho inteligência depois dos trinta?

Ler a distinção entre democracia ao modo soviético ( o mesmo que o PCP ainda hoje defende) e a "democracia burguesa" é um programa.
E é com estas tretas que continuam a enganar portugueses. Lá fora já não enganam quase ninguém...