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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A lucidez é rara mas existe

Este artigo publicado na revista francesa L´Express, desta semana, foi originalmente publicado em 25 de Agosto de 1979 e é da autoria de Jean-François Revel, falecido em 2006.

A lucidez do escrito ainda hoje contrasta com o que se viu, ouviu e leu, nos media portugueses da actualidade.


Hoje na revista Sábado esta pequena nota de Alberto Gonçalves mostra, porém, que nem todos estão anestesiados nem todos são   adelinos farias, o novo chantre da manipulação da informação televisiva.



Elina fora.


Observador:

Guilherme Figueiredo foi confirmado esta manhã como o novo bastonário da Ordem dos Advogados com a publicação dos resultados oficiais das eleições que decorreram esta terça-feira, confirmando assim a notícia avançada durante a madrugada pelo Observador.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O últimos lusitanos da Direita nacional

Há uma Direita portuguesa que  existia em 1974 e entretanto desapareceu, restando ainda alguns indivíduos isolados e na maioria silenciosos, alguns deles em blogs. Essa Direita não encontra qualquer expressão ou oportunidade para tal nos principais media, o que denota bem a qualidade da democracia que temos.
É uma Direita difícil de definir mas que encontra um denominador comum na questão do Ultramar português, nunca resolvida porque nunca esclarecida devidamente nos pormenores essenciais que levou ao abandono do mesmo, depois de vários séculos de vicissitudes que ficam sumariamente explicadas neste artigo de Brandão Ferreira, no O Diabo de hoje:



Essa Direita no final dos anos setenta decidiu, através de alguns dos seus elementos mais proeminentes accionar criminalmente alguns indivíduos que tomaram como os responsáveis directos da chamada "descolonização".

Em 28 de Dezembro de 1979, o General Silvino Silvério Marques e o Engenheiro Leonel Luís Nunes Vieira de Aguiar apresentaram uma queixa crime na PJ contra certos indivíduos, assim:



Essa queixa teve os trâmites legais e chegou ao STJ. Como é costume dizer-se não deu em nada...

Os autores publicaram depois na Ulisseia, em 1983 um livro com as peças processuais e pareceres em que se destaca o do Prof. de Direito Penal da escola de Lisboa, Manuel Cavaleiro de Ferreira.

A introdução resume o teor do livro:



E os responsáveis, segundo Kaulza de Arriaga, no seu livro Guerra e Política ( tiragem de 6000 exemplares) , de 1987:










Fica feito o balanço. Só falta é descobrir o que é essa Direita mítica que procuro saber desde há muito o que é...

Terei que ler que autores mais?

Dar o flanco...

Brandão Ferreira, cujos escritos leio no O Diabo,  publicou este, hoje,  em que dá um flanco desnecessário a quem o quiser atacar ( o termo é de índole militar, como o cronista que é oficial piloto aviador).


Quando saiu a notícia no Expresso,  mencionava a  procuradora titular do inquérito como tendo referido que os arguidos, ou seja "os militares em causa moviam-se por “ódio patológico e irracional contra os instruendos” e consideravam-nos “pessoas descartáveis”,e  achei estranho

O Expresso ou o Observador que dava conta das expressões que me pareceram insólitas não esclarecia os leitores, como é habitual. Provavelmente não falaram com ninguém do MºPº a pedir explicações, apesar de o MºPº andar ultimamente muito preocupado com os processos de repercussão social. Essa preocupação, no entanto, não é suficiente para evitar equívocos e notícias como a do Expresso e Observador que rebuscam sempre o lado insólito das notícias que lhes chegam. E depois acusam o Correio da Manhã de jornalismo fraco...ou pior que isso.

A seguir a essa notícia muito mal parida e desinformadora porque não explicativa dos contornos em que a procuradora escrevera tais expressões, soube-se que tinha sido no âmbito da investigação já efectuada pelas autoridades militares e com os elementos de prova já recolhidos indiciariamente no inquérito que justificaram, no entender da mesma, a detenção dos militares para os apresentar em primeiro interrogatório judicial e aplicação de medidas de coacção.

Tal decorre das regras do processo penal e o artigo de Brandão Ferreira denota que o mesmo não percebeu tal procedimento, ao falar em prisão, pena e outras barbaridades que só o corporativismo, neste caso militar, pode de algum modo contextualizar e desculpar. Mas acaba na mesma por dar o flanco ao qualificar a procuradora para além do necessário.

Como se deve saber e decorre daqui, do artº  141º do C.P.P., assim:


Artigo 141.º
Primeiro interrogatório judicial de arguido detido

1 - O arguido detido que não deva ser de imediato julgado é interrogado pelo juiz de instrução, no prazo máximo de quarenta e oito horas após a detenção, logo que lhe for presente com a indicação circunstanciada dos motivos da detenção e das provas que a fundamentam. (...)

Actualmente, por força das alterações da lei processual motivadas pelo processo Casa Pia e outras ocorrências envolvendo gente do PS, o MºPº é obrigado a apresentar o detido para interrogatório do juiz de instrução, com uma descrição e narração pormenorizada dos factos imputados e também, se entender curial, das razões por que pretende esta ou aquela medida de coacção.

A magistrada em causa, para justificar a medida de coacção pretendida, eventualmente de prisão preventiva, "carregou nas tintas" e escreveu aquelas expressões que me parecem na mesma algo insólitas, no contexto que não foi apresentado aos media ( o MºPº não foi capaz de passar aos media a informação eficaz e correcta, apesar de todo o formalismo da comunicação que não o devia ser tanto. Assim ficou a fuga de informação a valer mais que tal comunicação num processo com repercussão social evidente).

Porém, o juiz de instrução que procedeu ao interrogatório não concordou  com a medida de coacção proposta e alterou, não constando que tenha exarado aqueles considerandos sobre a personalidade dos arguidos militares, sem perícia psicológica ou psiquiátrica que os sustentasse devidamente.

Portanto, ainda não houve "acusação" como refere o artigo de Brandão Ferreira, mas apenas despacho de indiciação de factos para primeiro interrogatório judicial de detidos; ainda não houve "pena" porque a medida de coacção não é uma pena, mas uma medida cautelar, no inquérito e ainda não foi deduzida acusação formal e muito menos se encontra designado julgamento se for esse o caso.

Tudo isto resulta da desinformação do Expresso, habitual e cretina como sempre. Mas quem escreve sobre as cretinices do Expresso deveria saber melhor e ponderar a verdadeira informação que esclareça os factos.

Uma notícia mais razoável sobre o assunto pode ser lida aqui.

Atacar a procuradora por expressões no mínimo infelizes também ajuda pouco no caso...
Quanto ao assunto dos militares arguidos, deixemos correr o inquérito e as suas conclusões e depois poderemos falar com mais propriedade. Defender desde já a instituição militar baseados nos preconceitos a favor da mesma também ajuda pouco como explicação do que se passou.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

O PCP mesmo fossilizado, sonha alto...

sapo24:

O “capitalismo está esgotado” e o sonho de Lenine continua vivo no PCP...

O PCP anda a sonhar alto do fundo do âmbar em que fossilizou. Outros melhores e mais antigos profetizaram o fim do capitalismo e o muro que caiu, afinal, foi o do Leste...

A revista Marianne desta semana publica uma recensão a livros sobre um diletante intelectual que escreveu sobre o assunto há uns anos e adivinhou a crise actual do capitalismo. Se o capitalismo mudar, por necessidade natural de adaptação,  não irá ser para o comunismo, isso é que parece certo. E muito menos para o leninismo fossilizado do PCP.


Então o Vale também não tem o direito de ter amigos...?

CM de hoje:







Percebido, folks?

Contributo para melhor conhecer Salazar: fala um sobrinho-neto




 Observador:


Não era avô. Mas Rui Salazar de Mello tinha-o como sendo um. António de Oliveira Salazar era o irmão da avó materna. E padrinho da mãe. O pai de Rui foi médico de Salazar, “que sofria muito da garganta”. A separá-los, uma vida. Ou quase. Na infância de Rui, Oliveira Salazar presidia ao Conselho, durante o Estado Novo. Visitou muitas vezes o tio-avô em São Bento. E encontravam-se os dois no Vimieiro, a terra onde Salazar nasceu, ora nas férias da escola, ora no aniversário do homem mais ilustre da terra, a 28 de Abril.
Diz do tio-avô que era “terno” com ele. E guarda ainda consigo o primeiro presente que este lhe ofereceu. “O meu avô materno morreu cedo e mal o conheci. Então, tinha o professor Oliveira Salazar como um. Mas nunca o tratei por avô. Tinha-lhe muito respeito e tratava-o por professor. Ele sempre foi um homem terno comigo. Certo dia, e como ele sabia que eu gostava de animais – e ele também –, ofereceu-me uma perdiz. Não era verdadeira. Era só uma estátua. Mas como eu era criança, acreditava que sim, que era mesmo uma perdiz. Tinha uns olhinhos de vidro. Ainda a tenho em casa”, recorda.
Rui Salazar de Mello cresceu e viveu parte da vida em Coimbra. Estudaria em Lisboa. Hoje vive no Vimieiro, em Santa Comba Dão, na casa que fora dos pais de Salazar e onde este passava férias. À avenida (de poucas casas e pouca ou nenhuma gente na rua, uma pacatez que só os carros desassossegam de quanto em quando) foi atribuído o nome do ditador. Tudo nela, e não apenas no n.º 46 onde Rui vive, evoca Salazar: há o lugar onde este nasceu em 1889, recuperado e onde à entrada se lê que é a casa de um “senhor que governou e nada roubou”; há a escola onde estudou e à qual foi igualmente atribuído o nome de Salazar; há um armazém (do sobrinho-neto Rui) onde se amontoa a mobília da casa onde Salazar vivia quando estudava em Coimbra.

 A vinha que fora de Oliveira Salazar ainda lá está, hoje a produzir menos (ou quase nada) do que outrora. “Quando é que você nasceu? Talvez tenha por aqui uma garrafinha do seu ano e depois envio-lha pelo correio. Ora escreva-me aí o seu endereço”, começou por atirar Rui Salazar de Mello, sentado na sala de casa, num velho sofá onde se lhe afunda o corpo, ao lado de um “altar” sobre o qual estão pousadas figuras religiosas, Jesus Cristo, a Virgem Maria, lado a lado com um busto de Salazar. “Olhe aqui! Sabe o que é isto?”, pergunta Rui, enquanto folheia documentos antigos, de papel algo amarelado, visivelmente gasto, até corroído, mas legível ainda. E, então, lê. Quase telegraficamente: “Federação de Vinicultores do Dão. 1 de Novembro de 1944. António de Oliveira Salazar. Branco: 260 litros. Tinto: 3.150 litros.”
A velha casa guarda ainda as histórias de quem lá viveu um dia. Sobretudo as de Salazar. O sobrinho-neto conta-as. Nas paredes da sala, por exemplo, estão pendurados três quatros, religiosos, e envolve-os uma moldura em madeira, escura, trabalhada e fina. Destoam. Eram de Oliveira Salazar, como quase tudo. E vieram directamente de São Bento, após a morte do presidente do Conselho. “Representam a Santíssima Trindade. Olhe com atenção: estão assinados pelo próprio cardeal Cerejeira. Foram oferecidos para dar protecção à casa do presidente do Conselho. O professor Oliveira Salazar era um homem religioso. Muito religioso. Mas praticava a religião longe dos olhos do mundo. Ele sempre deu muitas esmolas a gente que precisava. Tinha princípios morais. Foi o Marcello Caetano que ligou para os herdeiros quando ele morreu e disse-lhes para retirarem de São Bento os bens. E vieram para a casa do Vimieiro”, conta.

António de Oliveira Salazar morreria em 1970. O sobrinho-neto guarda o jornal O Século de 27 de Julho, o dia do seu falecimento. Adolescente, Rui esteve presente no velório em Lisboa e, mais tarde, no enterro em Vimieiro. “Senti uma pena imensa. Naquele dia morreu mais do que o professor Oliveira Salazar: morreu o meu avô. Mas tenho a certeza que ele, onde quer que esteja, continua a zelar por mim. E por Portugal também”, explica.
À morte do ditador seguir-se-ia, anos depois, a revolução do 25 de Abril. O apelido que Rui ostentava, persegui-lo-ia então. Ainda persegue. “Fui perseguido, sim. Fui marginalizado. E posso até dizer que sou uma vítima da democracia que chegou depois do 25 de Abril.” À época, era universitário em Lisboa. “Nós tínhamos que fazer trabalhos de grupo e os colegas recusavam-se a trabalhar comigo”, conta. Não temia pela vida. Temer, só temeu anos mais tarde, no Vimieiro, na casa onde vive.
Mal se entra na sala, e olhando em redor, o que salta à vista é um gradeamento, negro, de aço, que envolve toda a porta. É quase como se se entrasse num cofre-forte. Durante a noite o gradeamento é fechado à chave. Rui Salazar de Mello fá-lo para se proteger. “Certo dia, à noite, entraram-me dois homens em casa. Rebentaram a fechadura e entraram. Estiveram nesta sala onde estamos agora a conversar. E cheguei a ouvi-los dizer um para o outro: “Ele está cá, ele está cá!” Continuei no quatro, deitado, aqui mesmo ao lado. Eles vinham para me fazer mal. Tenho a certeza. Por sorte, um carro fez barulho na rua, eles assustaram-se e fugiram. Depois disso, tive que mandar pôr as grades na porta.”
 Rui Salazar de Mello adoptou três crianças, hoje adultos. Não herdaram os apelidos Oliveira e Salazar. A “perseguição” não chegaria a eles. “Não, eles não têm os apelidos. Mas estudaram e, estudando, tiveram oportunidade de tirar as conclusões que tinham a tirar [sobre quem foi Salazar e a ditadura]. As conclusões reais! Não as conclusões que se contam nos livros de história e na escola. Eles têm orgulho de pertencer à família dele [Oliveira Salazar]”, garante.

A pergunta é delicada. Ou melhor, fazê-la ao sobrinho-neto de Salazar pode torná-la delicada. “Quer perguntar, pergunte. Vai-me perguntar se ele foi um ditador? Um fascista? Eu respondo-lhe: não foi.” Porquê? “O fascismo foi em Itália. Nunca chegou cá a Portugal.” Mais fascista ou menos fascista do que em Itália, o Estado Novo tinha uma polícia, a PIDE, a qual usou politicamente durante toda a ditadura, uma PIDE que prendia e torturava, que matou, que silenciou pelo medo, que desprezava a liberdade individual e os direitos fundamentais. E isso é ditatorial. Não? “Não. Claro que não é verdade. Eu sempre ouvi dizer que Portugal era uma ditadura e que a PIDE fazia mal às pessoas. Mas isso está mal contado. Não acredito que a PIDE tenha feito tudo o que dizem que fez. Cheguei a ter conversas com gente que trabalhou na PIDE. Eles contavam-se que o que faziam era dizer às pessoas que as maltratavam se elas não dissessem o que tinham a dizer. Não acredito em torturas. Nunca torturaram ninguém”, defende.
O tema “ditadura” é desconfortável a Rui Salazar de Mello. Mas contrapõe sempre. Do analfabetismo, com uma das taxas (acima de 75% para as mulheres e 70% para os homens) mais altas na Europa à época, diz que foi “uma escolha”. E explica: “Havia muito analfabetismo durante o Estado Novo? Sim, havia. Mas o regime não tinha culpa nenhuma. O regime fez escolas. Todas as aldeias tinham escolas. Aqui no Vimieiro até havia mais do que uma. As crianças não iam à escola por causa das famílias, que não queriam. A escolha é das famílias.”

– Você sabe porque é que se fez o 25 de Abril? Diga lá a razão… [Pausa] Foi para acabar com a Guerra Colonial? – pergunta, retoricamente e de chofre, Rui.
O sobrinho-neto de Oliveira Salazar não aceita a razão. Para ele, o 25 de Abril “foi mau” para Portugal. “Você sabe que durante o Estado Novo a economia crescia 7% todos os anos em Portugal? O 25 de Abril veio acabar com isso. A maior parte dos políticos a seguir ao 25 de Abril são uns traidores! Os mortos durante a Guerra Colonial não são razão para se fazer o que se fez. Durante esse período [1961-1974], houve mais mortos nas estradas portuguesas do que na guerra. O professor Oliveira Salazar bem avisou: quando perdêssemos as colónias, estávamos perdidos economicamente. O resultado está à vista de todos. Se ele estivesse vivo, o 25 de Abril nunca tinha acontecido”, explica.

Quando Rui Salazar de Mello morrer, morre o últimos dos herdeiros de Salazar. Tem hoje 63 anos. Sobrevive com uma pensão de invalidez, “menos do que um salário mínimo”, que recebe mensalmente das Forças Armadas. Também por isso, pela pobreza em que vive – “Só como uma vez por dia!”, conta – e por querer que a memória (e o espólio) de Salazar não desapareça ao morrer, levou a Câmara Municipal de Santa Comba Dão a tribunal. Exige-lhe uma pensão mensal e vitalícia, “para ter uma velhice com dignidade”.
Mas a história é antiga. E envolve a doação da herança (parte dela foi depositada e não doada) do ditador à autarquia. E enumera: “É sobretudo material filatélico, numismático, medalhístico, objectos, revistas, jornais, documentos, mapas e livros. Tudo do professor Oliveira Salazar. Valerá, pelas minhas contas, 324 mil euros. E o que peço é uma contrapartida por esse depósito e essa doação.”
Quando recebeu a herança de Salazar, o sobrinho-neto dividiu-a em três quinhões. “E pensei: um deles há-de ser para a Câmara Municipal de Santa Comba Dão. Afinal, o professor Oliveira Salazar é de Santa Comba Dão, nasceu no Vimieiro, e um quinhão tinha que ser para o concelho. Nessa altura fiz uma doação. Outro quinhão dei-o à Universidade Católica de Viseu — essencialmente livros e correspondência. O terceiro quinhão ficou comigo.” Mais tarde, Rui depositaria na Câmara mais herança. “Entreguei seis depósitos à Câmara. Dois em 2007, dois em 2008 e outros dois em 2009. Depositei-os de boa fé”, garante.
Em tribunal, a Câmara Municipal de Santa Comba Dão garantiu que as caixas entregues por Rui Salazar de Mello não chegaram a ser abertas. Mas acatou a decisão da juíza. Até ao começo do ano, terá que avaliar o conteúdo — “com um valor histórico para Portugal”, assim foi definido no Tribunal de Viseu — destas e, seguidamente, definir uma renda a pagar mensalmente a Rui. “Sinto-me feliz com a decisão da juíza. Mas eles [Câmara Municipal] não pensem que vão avaliar mal. Não aceitarei que me paguem uns tarecos por aquilo. Eu quero estar presente — com a advogada — na avaliação às caixas”, lembrou.
 
— Para que é que lhe vai servir esta renda?
— A primeira coisa que vou fazer é mandar arranjar os dentes. E quero um dia poder ir para um lar.

Uma coisa é certa: em Santa Comba Dão não avançará o Centro de Estudos do Estado Novo. “Quando fiz a doação à Câmara, o presidente da altura disse-me que o Centro de Estudos avançaria — foi também isso que me convenceu a fazer os depósitos mais tarde. Isto em 2006. Esse presidente chegou a dizer que me pagaria 2.000 euros por mês de renda. Agora já só peço mil. Vamos lá a ver… Mas nunca se fez nada. O actual presidente ainda disse que seria em 2017, mas não há dinheiro. É sempre isso que dizem: que não há dinheiro. O que eu penso é que não há vontade de se fazer nada. Têm medo…” Medo? Rui Salazar de Mello explica, revoltado: “Sim. É que quando se falou do Centro de Estudos, apareceram anti-fascistas em Santa Comba Dão a protestar. Então, os presidentes, com medo, vão sacudindo o capote. Mas esses indivíduos que se dizem anti-fascistas nem são de cá. Porque é que não vão fazer barulho lá para a casa deles, lá para a terra deles, e não deixam a memória do professor Oliveira Salazar em paz?”
Durante a entrevista, as mãos trémulas de Rui vão folheando os documentos que guarda do tio-avô. Volta e meia pára e começa a lê-los, vagarosamente, . “Olhe aqui: é uma carta enviada ao presidente do Conselho. Foi escrita por presos. E termina assim: ‘Que Deus abençoe o bem que espalhais. Respeitosamente beijamos vossas mãos!’ O professor Oliveira Salazar foi um homem respeitado por todos, até presos. Tenho aí umas condecorações que ele recebeu. Mas essas hei-de doá-las ao Museu da Presidência. Tenho a certeza que o Marcelo [Rebelo de Sousa] as vai querer lá — o pai dele foi Governador-Geral de Moçambique durante o Estado Novo. À Câmara não entregarei mais nada. ”
Rui Salazar de Mello fecha o dossier onde arquivou os documentos que herdou do tio-avô.
– Que horas são? Quase uma da tarde?! O melhor é irmos almoçar ao Típico, se não depois não há tacho!
Almoça no restaurante — não muito longe de casa — todos os dias. É dele a mesa que está reservada no canto. “A cozinheira é que escolhe o que eu vou comer. Hoje vai ser peixinho cozido.” É a primeira e única refeição do dia.


O texto é de Tiago Palma
Aqui as fotos tiradas pelo repórter do Observador,  Michael Matias

Em primeiro lugar a casa onde Salazar nasceu, entretanto arranjada, nos últimos meses, eventualmente pela Câmara local.



Coisas de Salazar, ainda guardadas.




Os quadros religiosos aludidos no texto, oferecidos pelo cardeal Cerejeira.


 Rui Mello:










O escritor comunista Saramago tem uma casa-museu. Salazar, a maior figura do século XX português tem nada. Nada de nada. Nem sequer os seus discursos coligidos em seis volumes estão reeditados.
[nota apócrifa: os discursos em obra completa foram agora publicados pela Almedina. Finalmente!]

Não há e não houve ninguém em Portugal nos últimos 40 anos que fosse capaz de organizar uma casa-museu dedicada a Salazar e ao estudo da sua obra e do seu tempo. Nada de nada.

Maior vergonha para Portugal não há, neste aspecto. Maior vergonha para aqueles que aproveitaram o regime de Salazar e mudaram de casaca também não haverá.

O presidente Marcelo Rebelo de Sousa, filho de um ministro de Salazar ( curiosamente o único que não foi preso depois de 25 de Abril de 1974, como refere Silva Cunha em memórias)  pode e deve prestar a homenagem devida a essa grande figura portuguesa e recuperar a sua memória válida para todos os portugueses. Se é um presidente de "afectos" que se lembre do pai...

Deixem os comunistas berrarem à vontade...e mostrem-lhes então as imagens do Gulag, os livros de Soljenitsine, o Livro Negro do Comunismo a história de Cândida Ventura e talvez ganhem vergonha e se calem.

Portugal teve um passado do Estado Novo que começou em 1926 e  durou dezenas de anos até 25 de Abril de 1974. As novas gerações não conhecem esse passado porque a Censura do actual regime assim o quis por imposição dos comunistas, principalmente.
É tempo de recuperar a memória desse passado e mostrar às novas gerações que o tempo de Salazar não foi o do fascismo e da tirania da ditadura fascista e outras balelas correntes.

É tempo de mostrar às gerações mais novas que Portugal tinha uma dignidade que entretanto perdeu e mostrar porquê: porque perdeu a sua independência real e alguma da sua identidade secular.
Portugal não é apenas o que resulta dos últimos 40 anos de democracia mas muito mais que isso. Há que o mostrar sem qualquer revivalismo serôdio mas apenas por uma questão de respeito à História que os comunistas Rosas, Flunser e Varela contam à sua maneira e já tiveram todo o tempo e espaço mediático para o fazerem. Se são democratas deixem que outros contem a sua versão dessa História e não se intrometam com os insultos usuais à inteligência comum.

A análise comum sobre o comunismo

Este artigo de alguém que conhece o comunismo por dentro e por fora é sintomático do tipo de análise que deveria ser comum nos media mas não é por razões que deveriam ser indagadas porque são estranhas e eventualmente encontrarão explicação esotérica e psicológica.

Milhazes, o correspondente Observador:


Porque será que o Partido Comunista Português é praticamente o único partido comunista que ainda sobrevive na Europa? Por duas razões fundamentais: pelo subdesenvolvimento de Portugal em relação aos países ricos do continente europeu, que continua a manter desigualdades sociais grandes, e pelo facto de esta força política defender aquilo que noutros países europeus é defendido pela extrema-direita.
Ninguém esperava que o XX Congresso do Partido Comunista se transformasse em algo minimamente semelhante ao XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética de 1956, reunião em que os líderes soviéticos reconheceram os crimes (não foram erros, nem desvios) do regime estalinista. Como disse o deputado comunista António Filipe numa entrevista ao Observador: “Esses balanços estão feitos”.
Esses balanços estão feitos também em relação aos regimes comunistas de Cuba, Coreia do Norte, Vietname, China, ou ao regime “democrático-familiar” de Angola. Segundo os comunistas portugueses, qualquer um desses regimes é melhor do que as democracias europeias. Mas, em todo o caso, propõem para os mais cépticos uma via própria para o socialismo.
António Filipe dá um exemplo curioso para provar que em Cuba não houve, nem há presos políticos: “Vimos agora na recente visita do presidente Barack Obama, em que um jornalista norte-americano perguntou ao presidente Raul Castro porque é que não libertava os presos políticos e a resposta dele foi: ‘Diga-me lá quais são que eu liberto-os de imediato’”.
Ora, o deputado comunista deve ter-se esquecido que essa resposta não foi original, mas utilizada por dirigentes de outros regimes comunistas e totalitários. Os líderes soviéticos diziam exactamente o mesmo em relação a conhecidos dissidentes. Por exemplo, é o caso do grande poeta Iossif Brodski, Prémio Nobel da Literatura. Ele foi condenado por não ter um emprego, e não pelas ideias que defendia. Ou seja, assim não se poderia chamar preso político a uma pessoa que cometeu um crime de delito comum (quem não tivesse um emprego na URSS era considerado um criminoso — Brodski afirmou no tribunal que era poeta, mas o juiz não aceitou essa explicação e condenou-o). Esse método é actualmente utilizado na Rússia, onde Vladimir Putin deu precisamente a mesma resposta que deu Raúl Castro aos jornalistas quando lhe fizeram essa pergunta.
Nada de original tem a política do PCP em relação ao apoio de um governo do PS, considerado pelos comunistas “partido burguês” e de “direita”. Como é sabido dos clássicos do marxismo-leninismo, os fins justificam os meios e são permitidas alianças até com o diabo, desde que favoreçam a causa. Daí a política do “participa, mas não entra”.
Porém, os comunistas serão os primeiros a roer a corda quando as coisas começarem a dar para o torto. Por exemplo, a domada Intersindical passará à ofensiva.
Houve tempos em que o PCP se gabava de ter mais de 200 mil militantes, mas hoje são pouco mais de 50 mil. No entanto, ainda é cedo para tirar conclusões sobre a morte irreversível desta força política. Tendo em conta a situação política, económica e social que se vive em Portugal e na União Europeia, é previsível que o PCP tenha ainda muitos anos de vida, a não ser que o seu mais perigoso adversário, o Bloco de Esquerda, lhe continue a roubar o nicho por ele ocupado no sistema político português.
Além do atraso crónico em relação ao núcleo central dos países da União Europeia, fruto da incompetência dos partidos centristas, das ligações obscuras entre os poderes financeiro e político, da corrupção, etc., que fazem com que muitos cidadãos procurem soluções noutros quadrantes políticos mais radicais, em Portugal, devido à ausência de forças da extrema-direita, o PCP e o BE chamam a si também o papel que esse sector político desempenha noutros países da UE, estão juntos no combate contra o projecto europeu.
Exceptuando a xenofobia, exigências como a saída do euro ou até da União Europeia são comuns a ambos esses sectores políticos extremos. Em alguns sectores, o discurso de Jerónimo de Sousa ou de Catarina Martins não ficam atrás dos de Marine Le Pen no que diz respeito à “defesa dos interesses nacionais”.
Também não é por acaso que esses sectores apoiam a política externa de Vladimir Putin, vendo nela uma ajuda na destruição da União Europeia e no “combate ao imperialismo”.
A burocracia de Bruxelas e os governos dos países membros da União Europeia mostram cada vez menos capacidade de dar um novo alento ao processo de coesão, o projecto europeu está cada vez mais à deriva, criando um clima fértil para que forças extremistas conservem ou aumentem mesmo o seu poder de influência, para que surjam políticos populistas capazes de fazerem recuar a Europa a épocas sombrias.

E já agora esta também tem interesse, mas bate na mesma tecla do conformismo assolapado nas redacções:


1. Posso começar com uma citação? Ao falar sobre a campanha eleitoral para a Assembleia da República, o secretário-geral do PCP chamou a atenção para as “duas direcções fundamentais da sua actuação”. Eram elas: “Por um lado, evitar uma maioria da direita […] CDS e PSD e, por outro lado, criar condições para uma maioria de esquerda”. “Temos insistido na necessidade do acordo dos socialistas”, esclareceu, porque senão “o PS vai aliar-se à direita, vai aliar-se ao PSD e talvez ao CDS”. Depois de conhecidos os resultados eleitorais, e perante o sucesso do seu duplo objetivo, defendeu, com convicção e esperança, que “haveria possibilidades para a formação de um governo de esquerda assente nessa [nova] maioria”.
Todas estas citações são, obviamente, de Álvaro Cunhal, que falava sobre as primeiras eleições legislativas da democracia, em 1976. Está tudo nas Obras Escolhidas de Álvaro Cunhal — Tomo VI, 1976 (Edições Avante!). 

Outra análise sobre o PCP, no Público de hoje e que arrisca a exposição das contradições sem tirar conclusões lógicas...

 

domingo, 4 de dezembro de 2016

A grande obra do PCP, segundo Lopes, aos Domingos.

Sapo24:

“No nosso país tudo o que de melhor foi feito tem o contributo do PCP”, vincou o homem que é um dos braços direitos de Jerónimo de Sousa dentro do partido, sublinhando que “pela sua natureza” os comunistas são “um alvo permanente do capital, dos seus meios e torturas”.  



O melhor do PCP, nos últimos 40 anos,  foi isto:

 A balbúrdia do PREC que nos trouxe a primeira bancarrota em mais de 50 anos.





O ataque aos "milionários" e a descapitalização do país durante décadas que ainda hoje se sente:





O "ataque" teve como perpetrantes indivíduos deste jaez...comunista de gema podre:

 



A Constituição de 1976 como obra de arte da ronha comunista e vergonha inominável de alguns idiotas úteis:



O ataque à Liberdade tal como concebida pela "democracia burguesa" e incompatível com o ideário comunista. Um prelúdio do que nos esperava se não tivesse ocorrido o 25 de Novembro:


Tudo isto obra de um partido com "paredes de vidro" aqui bem espelhadas:






sábado, 3 de dezembro de 2016

O PCP nunca enganou ninguém...




O mais estranho é que muitos se deixem enganar. Um partido revolucionário como o PCP não é um partido de democracia burguesa. E se aceita esta forma de participação democrática há cerca de 40 anos é apenas porque não tem alternativa, desde 25 de Novembro de 1975.

O PCP anda a engolir sapos há 40 anos de tal modo que a pele já se confunde com a dos batráquios: dura e rugosa. O PCP é um partido fóssil cujo futuro é continuar a engolir sapos cada vez maiores.

Actualmente o PCP é um partido revolucionário que vive de...rendas. A contradição suprema dos princípios por força da necessidade de sobrevivência não fica obviamente por aqui e a vergonha que deveriam sentir é inexistente porque quem a perdeu há muito não chora sobre leite derramado.

Não há em Portugal outro partido mais desavergonhado que o PCP uma vez que vive há 40 anos em contra-corrente, a fazer das tripas coração e a usar os trabalhadores da função pública como arma de arremesso permanente para se afirmar politicamente. Uma tragédia. 

Parece que há jovens que ainda acreditam nestas balelas programáticas e no imaginário comunista morto há longos anos e enterrado para sempre.


sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Tão ladrão é o que rouba como o que fica à porta...da loggia.

 No i de hoje o socialista de boa cepa maçónica volta à carga da superioridade moral...para dizer que "vi a corrupção e fui-me embora. Fui mais útil ao PS saindo do que ficando"...



Tal como se escreveu aqui, há quase um ano:

António Arnaut, um maçónico bem intencionado e provindo da parolice coimbrã foi ministro socialista, dos "Assuntos Sociais",  em 1978, quando podia ter sido ministro da Justiça. É verdade e tal foi contado aqui, pelo próprio.
A Maçonaria mandava no Governo e o irmão Arnaut estava bem emparelhado com o irmão Almeida Santos, o Sombra do regime ( ele o disse quando afirmou que andava sempre na sombra de Mário Soares...)

Como é típico dessa parolice que copia modelos estrangeiros sem medir distâncias ( em Direito também há disso, lá em Coimbra) na altura o maçónico Arnaut, muito preocupado com os pobrezinhos e desvalidos, contando com o dinheiro que não tinha, mandou estudar um sistema de saúde que aliás vinha a ser estudado desde 1971, por Marcello Caetano.


 Ninguém contesta as melhorias no sistema de saúde, em Portugal, nestes quase 40 anos de experiência do SNS. Era o que mais faltava ser assim tão reaccionário quando é certo e sabido que o governo de Marcello Caetano tinha os mesmos propósitos de preocupação social que o maçónico Arnaut. Porém, os métodos e valores intrínsecos não eram certamente os mesmos e o diletantismo de alguém que poderia ter sido ministro da Justiça e acabou, por acaso na pasta dos assuntos sociais, nunca teria ocorrido.
Assim, como geralmente acontece com estes diletantes socialistas que pensam no bem e acabam por fazer o mal que todos pagamos, com língua de palmo, o SNS desvirtuou-se e perverteu-se.
Assim... o que aconteceu de novo na medicina em Portugal? Foi alcançado o desiderato do maçónico, de acabar com os tais exploradores ou os mesmos conseguiram afinal multiplicar-se e vicejarem como cogumelos na humidade?