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quinta-feira, 26 de maio de 2016

PCP: não apaguem a memória de Estaline e do "grande terror".


Anda por aí, mediaticamente, algum alvoroço pelo facto de a JSD ter anunciado em cartaz jocoso que o sindicalista comunista Mário Nogueira é uma espécie de Estaline de trazer por casa.

Nogueira picou-se e ameaça processo criminal ( destinado ao arquivamento liminar) pelo desaforo que atenta contra a sua honra.

A questão coloca em cima da mesa de discussão a figura de Estaline e do estalinismo, coisa que o PCP afugenta como um diabo de qualquer cruz imaginária.
No entanto, se existe partido comunista que se aparente mais ao estalinismo semântico é precisamente o PCP, como em várias ocasiões tem sido lembrado pelas vítimas da acção punitiva do partido contra os desviantes da linha justa e ortodoxa. Há alguns dias contou-se aqui a história do militante comunista, o jornalista Júlio Pinto, já falecido e então expulso do partido com acusações do género de "rachado" ( delator de camaradas perante a polícia política da época).

Tudo isto acontece em Portugal porque não há conhecimento cabal e massificado sobre quem foi Estaline;  que obra deixou e que influência provocou nos partidos comunistas. Antes de 25 de Abril de 1974 a figura de Estaline era proscrita nos media e depois proscrita continuou por conveniência dos próprios comunistas e compagnons de route que eram aos magotes no Bairro Alto, na rua dos jornais.

Não assim em França onde se debateu sempre a natureza do grande líder do comunismo soviético, "pai dos povos" como lhe chamaram.

Em anos mais recentes tal curiosidade e divulgação histórica continuou a merecer atenção do jornalismo de massas franceses através de revistas de grande circulação que aqui chegam mas não inspiram o jornalismo português.

Em 1988:


E em Outubro de 2015



Quando Estaline morreu, em 1953, houve luto profundo em países europeus, como a França. Em Portugal, o silêncio da censura não deixou e permitiu o florescimento do mito.


Os elementos históricos sobre o que Estaline fez na União Soviética são de tal modo avassaladores que depois da sua morte foi destituído literalmente dos pedestais por Krutschev e os novos poderes soviéticos.
Não obstante, os seus crimes, semelhantes aos de Hitler com quem pactuou estrategicamente durante a II Guerra Mundial foram denunciados anos depois. Em 1997, o Livro Negro do Comunismo não deixava qualquer dúvida sobre isso:


Milhões de mortos directos e indirectos, purgas, um terror inominável durante as perseguições a adversários políticos reais ou putativos, com vista a assegurar o poder; dois tratados secretos com Hitler ( em 23 de Agosto  e 28 de Setembro de 1939) em que partilharam a Polónia e a anexação de estados bálticos, a agressão imperialista à Finlândia em Setembro de 1939, etc etc etc. em que se incluem os gulags, campos da morte semelhantes aos de Hitler.

L´Histoire Outubro de 2007:


Historia de Março Abril 2015:





Tudo isto é desconhecido ou mal conhecido das ritas ratos e raquéis varelas. No entanto lá fora sabia-se melhor:

L´Histoire de Novembro de 2015:


Portanto, uma fé.

 Em Março Abril de 2014 os franceses interrogavam-se assim e faziam uma cronologia do fenómeno que por cá nunca se estudou e sempre se ocultou mediaticamente:













Por cá, logo a seguir a 25 de Abril de 1974 o silêncio sobre os crimes comunistas foi geral, permanente e eficaz. Ainda hoje se desconhece o que foram e que importância tiveram e tal assunto não merece nada de nada nos media nacionais.

Em1969 na Vida Mundial um antigo comunista, António José Saraiva dizia claramente numa entrevista que não sabíamos nada do que se passa ou passou na maior parte dos países socialistas.  



E se não fosse a informação estrangeira ainda hoje não saberíamos porque em Portugal há um manto espesso de um silêncio cúmplice sobre o comunismo, ainda hoje, e particularmente os seus crimes hediondos.

De todas as entrevistas alargadas que Álvaro Cunhal concedeu aos media, muito poucas e sempre estrategicamente localizadas em ocasiões eleitorais específicas, ninguém lhe perguntava nada de nada sobre os regimes socialistas, o estalinismo e essas coisas. A não ser em 1990 no Independente ao que Cunhal respondeu assim:


Essencialmente foi: estalinismo? Não conheço e não pratico. Fui sempre contra...o que permite que os Nogueiras da actualidade fiquem ofendidos por serem apodados como tal.

Porém, em data mais recente, na revista O Militante, de Setembro-Outubro de 2015, o antifassista Domingos Abrantes  tecia loas ao VII congresso do PCUS, de 1935, o último realizado em modo internacionalista e que certamente contou com a participação de comunistas portugueses, eventualmente Francisco Rodrigues que deverá ter tomado conhecimento como era a obra prática do tal pai dos povos, então no poder máximo. Ainda hoje os comunistas portugueses suspiram pelos ensinamentos de tal congresso que instigou a formação de frentes populares em vários países ( Espanha e que conduziu á guerra civil e França que desembocou no fracasso com o socialista Léon Blum e por isso talvez os comunistas desconfiem sempre dos socialistas).



Em Setembro de 2014 no mesmo O Militante, um jovem comunista escrevia sobre o que foi a experiência soviética na II Guerra Mundial.

Desafio alguém a encontrar uma única menção ao herói soviético Estaline. Nem uma palavra sobre o pacto germano-soviético e sobre o horror estalinista.


É assim que os comunistas ensinam a História aos seus militantes: o revisionismo mais puro e a mentira mais completa. Por isso não admira que o tal Nogueira se sinta ofendido. Afinal, o PCP sempre repudiou Estaline...ou não é assim?!


Vital Moreira, o democrata contra a liberdade de expressão

Vital Moreira no Económico:

De facto, a liberdade de expressão não fica de modo algum diminuída só porque se tem de respeitar o direito ao bom nome dos outros. A liberdade de expressão não abrange a liberdade de injuriar ou de difamar outrem. Não precisa.

1. Suscitou uma reação negativa nos círculos jornalísticos a decisão do Tribunal da Relação de Lisboa que, num processo cível, condenou um militar que acusou publicamente o então candidato presidencial Manuel Alegre de “traição à pátria”, por este ter apoiado a luta de libertação das antigas colónias portuguesas. Mas, a meu ver, a crítica não tem fundamento.

A Constituição reconhece e protege, à cabeça dos “direitos, liberdades e garantias pessoais”, o direito à integridade moral das pessoas, incluindo o direito ao bom nome e reputação. Por isso, quando o Código Civil, em sede de “tutela geral da personalidade”, protege as pessoas contra ofensas à sua personalidade moral – onde a doutrina e jurisprudência não têm dúvidas em incluir a proteção do direito à honra e ao bom nome – e quando o Código Penal prevê e pune os crimes de difamação e de injúria, ambos se limitam a sancionar a ofensa dos referidos direitos fundamentais garantidos na Constituição.

Trata-se de direitos fundamentais universais – que as pessoas não perdem quando se tornam políticos – e que valem também nas relações entre particulares. É certo que nos media prevalece a ideia de que, por definição, os políticos não têm nenhum direito à honra nem ao bom nome; mas além de ser pedestremente demagógico, esse “racismo” antipolítico é profundamente antiliberal.

Ora, a acusação de “traidor à pátria” é uma mais infamantes que se podem fazer a um político, até por constituir a imputação de um crime grave, sobretudo quando ela não tem nenhum fundamento, como sucede no caso concreto, visto que manifestamente não se verificavam os pressupostos legais do referido crime.

2. É verdade que um certo fundamentalismo dominante nesta matéria, com apoio numa infeliz jurisprudência do TEDH de Estrasburgo, atribui proteção quase absoluta à liberdade de expressão quando os alvos são políticos.

Mas tal como todos os demais direitos fundamentais, a liberdade de expressão não é um direito absoluto, sofrendo limitações derivadas da proteção constitucional de outros direitos fundamentais – como o já referido direito ao bom nome e reputação e o direito à privacidade, entre outros –, e de outros interesses constitucionalmente protegidos, como o segredo de Estado ou o segredo de justiça.

Absolutizar a liberdade de expressão para justificar todo o tipo de ofensas à honra alheia, só porque se trata de políticos, traduz-se em aniquilar, sem nenhum cabimento constitucional, aqueles outros direitos e interesses constitucionalmente protegidos. De facto, a liberdade de expressão não fica de modo algum diminuída só porque se tem de respeitar o direito ao bom nome dos outros. A liberdade de expressão não abrange a liberdade de injuriar ou de difamar outrem. Não precisa.

Sendo indiscutivelmente um dos pilares essenciais de uma ordem liberal – como expressão da liberdade de pensamento, como manifestação do pluralismo ideológico e político e como meio de denúncia dos abusos dos poderes estabelecidos, públicos ou privados –, a liberdade de expressão não deve porém fugir à regra clássica segundo a qual a liberdade de uns deve parar lá onde ela lesa a liberdade dos outros.

Por conseguinte, não existe nenhuma razão para defender a imunidade – que rima com impunidade – das ofensas jornalísticas aos direitos de personalidade de outrem em nome da liberdade de expressão. Muito menos se justifica qualquer alinhamento corporativista neste fútil combate.



Comentário:

Antes de 25 de Abril de 1974 Manuel Alegre seria julgado pelo crime de traição à pátria se fosse apanhado em Portugal. Estava refugiado na Argélia onde fazia propaganda política de incitamento à deserção dos militares portugueses que combatiam no Ultramar que então era território nacional. Traição mais clara que esta é difícil de encontrar.

Artº 171º e 172º  do Código Penal de 1886:





É claríssimo que à luz da legalidade vigente na época em que Manuel Alegre incitava à subversão contra o regime de então ( Salazar e Marcello Caetano) incorria na prática do crime correspondente à noção de traição à pátria.

Não constitui por isso qualquer injúria chamar-lhe traidor, porque o foi  e sendo tal facto a verdade não pode ninguém ser condenado por tal.
A não ser que a traição à pátria deixasse de o ser por obra e graça de um golpe militar ocorrido em 25 de Abril de 1974 que apeou o regime então vigente. Nessa altura, as pessoas que se encontravam presas por terem praticado actos idênticos aos que Manuel Alegre praticou fora do território nacional mas com plena expressão radiofónica no interior do mesmo, e com o efeito aqui produzido, deixaram de poder ser punidas criminalmente por isso. No entanto, formalmente e de acordo com a lei vigente só a amnistia subsequente eliminou tais factos do domínio das infracções penais puníveis. Eliminou a punição mas não apagou o facto ocorrido...

Uma das primeiras medidas da Junta de Salvação Nacional e do Movimento das Forças Armadas foi precisamente essa: amnistia imediata de todos os presos políticos «salvo os culpados de delitos comuns».


Afirmar como o tenente-coronel piloto aviador Brandão Ferreira o fez e por isso foi condenado na Relação de Lisboa, em acórdão relatado pelo desembargador Antero Luís, antigo director do SIS, que Manuel Alegre foi um traidor à pátria não é injurioso, não é difamatório nem é falso.  É apenas a expressão da mais pura verdade perante o critério que então existia quando os factos foram praticados.

Manuel Alegre deixou de ser traidor à pátria depois de 25 de Abril, ipso facto?  Só se o novo regime tivesse a virtualidade de legitimar retroactivamente todos os que foram opositores ao antigo, transformando-os nos verdadeiro patriotas e todos os demais portugueses que apoiaram Salazar e Caetano classificados ipso facto como verdadeiros traidores.




Ora isto é insuportável teórica, prática e perante qualquer senso comum. Excepto para Vital Moreira, o eterno malabarista dos conceitos relativos.



E ainda há outro problema: é ilegítimo defender o antigo regime ao ponto de quem o defende ser apodado de fassista  ou quiçá traidor à pátria democrática?
Quem continua nos dias de hoje a defender o antigo regime não pode chamar traidor a quem então o atacava incorrendo em práticas criminalizadas?

Que liberdade democrática será essa que se equivale à que então era restringida por lei?  É proibida nos dias de hoje a liberdade dessa expressão de opinião?

É sobre isso que o TEDH irá certamente pronunciar-se. Vital Moreira, esse, já o fez negando tal liberdade. Diz que é democrata...

quarta-feira, 25 de maio de 2016

PCP, o fóssil de sempre

O Militante de Maio Junho de 2016:






O Militante, Março-Abril 2013:



As mesmas ideias de sempre, a cartilha de sempre e a fossilização completa. Só se engana quem quer ser enganado...

O capitalismo nacional é pindérico porque interessa à esquerda que assim seja

Económico:

Feita uma comparação com 2014, verifica-se que, em vez de diminuir, a disparidade entre a remuneração dos CEO e a média dos trabalhadores aumentou em 2015. Em termos globais, a remuneração dos CEO das empresas analisadas subiu 14,2% face a 2014, ao passo que as remunerações médias dos trabalhadores cresceram apenas 3,6%. Isto levou a que o rácio passasse de 21,3 vezes em 2014 para 23,5 vezes em 2015.

As empresas em que houve um maior agravamento deste rácio foram a Galp (passou de 44,2 para 72), os CTT (de 21,8 para 45,3), a Jerónimo Martins (de 72,7 para 90,3) e a
EDP (de 27,9 para 44,9). E, em todos estes casos, além de já terem um rácio superior à média, o agravamento deveu-se quase exclusivamente a um significativo aumento do salário recebido pelo presidente executivo de um ano para o outro: 67,3% no caso da Galp; 109,7% nos CTT; 29,5% na Jerónimo Martins e 58,2% na EDP. E, no caso da Galp, o valor criado para os accionistas nos últimos cinco anos até foi negativo, sendo mais uma razão para que houvesse maior contenção salarial na cúpula da petrolífera
.



 Isto que aí vai comparado com o que era há nem sequer uma meia dúzia de anos...até que melhorou.




Mas afinal onde estão os ricos deste país?  Nos anos oitenta (o Expresso é de 31.12.1988 )andavam à procura deles e encontraram estes:



Em cerca de trinta anos não apareceram mais. Antes pelo contrário e é disto que o socialismo e principalmente comunismo gostam:  menos ricos para haver menos pobres. Mas...então porque é que, paradoxalmente, haverá mais destes e menos daqueles?! Enganaram-se no prognóstico ou essencialmente sabiam que assim seria?

Afinal, o regime não descansou até acabar com os  verdadeiros capitalistas que ainda tínhamos  em 1974. Correram com eles, nacionalizaram-lhes os bens e fizeram uma espécie de capitalismo de Estado com o IPE. Em troca tivemos três bancarrotas de que nos salvamos in extremis. Caminhamos alegremente para a quarta...apesar de proclamarem que os antigos capitalistas voltaram e refizeram tudo, o que sendo falso é ainda mais mistificador do que as teorias acerca da luta de classes que nunca abandonaram como explicação para os males do mundo.

O comunismo e o socialismo não querem outra coisa porque é nisso que prosperam. Quanto maior miséria melhor chafurdam no esquerdismo a proclamar que é para bem do povo. A Venezuela é o   exemplo mais recente, mas os outros são a mesma coisa. Socialismo e comunismo é miséria garantida para o povo.E vidinha refastelada e privilegiada para os apparatchicks do Partido que é sempre dos trabalhadores e a vanguarda da classe operária, como o PCP ainda hoje defende. Os que se mantêm no poder durante décadas, numa espécie de sucessão monárquica da qual são destituídos apenas no caso de se desviarem em modo grave da linha justa...para esses há lojas privativas, produtos exclusivos, mercadorias de luxo. Para os demais, a miséria é de rigor e generalizada, embora a propaganda afirme o contrário. Em todos os países de Leste foi assim e quem isto não sabe, anda mal informado.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Pinho, o encornado

CM de hoje:


Este Manuel Pinho tem um currículo que o BES aproveitou num altura em que "tudo era possível". Quando saiu do Governo do inenarrável Sócrates comentou que o proposto lugar na CGD era desprezível porque ganharia pouco ( mais de trezentos mil euros por ano...) e o carro nem era por aí além...
Antes dessas tristes figuras fartou-se de fazer outras, para complemento do currículo:

 O antigo ministro da Economia (!) Pinho era, segundo notícias da época, um dos génios da alta finança do BES. Trabalhava para o banco de Ricardo Salgado. Logo que foi a ministro o BES ainda era o maior e Pinho ajudava José Sócrates na governação. Numa manobra de chico-esperto, desvinculou-se do banco, para dar boa imagem ao governo: afinal abandonou todos os cargos no BES para ser mais independente do que era. Agora deve lamentar porque nem a palavra de honra, escondida num contrato legalmente irrelevante lhe respeitaram.
Eppure...
No final do ano de 2005, Pinho confirmou Mexia, que tinha sido empregado do BESI e  ministro de Santana, na EDP. É o que diz o Público do passado Domingo ( 19.10.2014).
Em Fevereiro de 2006, a OPA da Sonae tropeçou em Pinho e Sócrates e estatelou-se. Salgado ficou a ganhar.
Em Abril desse ano, o BCP foi tomado de assalto pelo comendador da Bacalhôa e outras sombras. O BES emprestou dinheiro ( 280 milhões) para a investida.
Em Outubro desse ano Pinho autorizou a TAP a conprar a Poprtugália, do GES, por 140 milhões. Diz o Público que tal foi visto como "um favor do ministro ao ex-patrão".

 Em 2010, despedido do governo por fraca figura jacobina, o mesmíssimo Pinho arranjou um emprego novo, pago por uma EDP que ainda tinha umas shares do Estado.  Mexia mexeu-se, com grandes dúvidas de alguns sectores:

 A eléctrica portuguesa fez uma doação à School of International and Public Affairs (SIPA), num montante que pediu à Universidade nova-iorquina para não divulgar e que tem como uma das iniciativas o seminário sobre energia renováveis que vai ser leccionado pelo ex-ministro da Economia.
"Manuel Pinho será professor visitante School of International and Public Affairs (SIPA) da Universidade Columbia. A sua posição faz parte de uma série de novas iniciativas que estão a ser apoiadas pela EDP", disse ao Negócios fonte oficial da Universidade e Columbia
.

Agora que acabou a subvenção,  Pinho quer a reforma. Dourada. Dois milhões. Prometidos por carta escrita de Salgado.

"Num chega", dizia o outro colega de governo. Uma carta de conforto para assegurar uma reforma desse calibre "num chega" e Pinho vai ter que enfileirar na lista de credores reclamantes na insolvência do banco. Para a qual, aliás, poderá ter contribuído...

E então o que é que lhe chega agora todos os meses, do rol dos antigos empregados do banco? 3 mil euros, ilíquidos. Menos que um empregado das Finanças...e num dá para sapatos italianos. Mas dá para se poder dizer que passou de cavalo para burro. Se é que o não foi sempre...

Isto é que dava um programa e peras no Sexta às Nove, com aquele estilo peculiar da Felgueirinhas, empoleirada nas solas compensadas. Ou no Prós e Contras da Campos Ferreira. Ou numa reportagem desenvolvida do Público, ao Domingo, em vez das histórias artsy artsy.

Em Maio de 2009, ainda ministro o tal Pinho declarara urbi et orbi, numa entrevista radiofónica:

 "A minha forma de estar na vida é defender as pessoas que trabalham comigo, a minha equipa e os meus amigos."

Talvez por isso os amigos, como o Sebastião,  o socorreram nas acções que propôs contra o antigo patrão, a reclamar uma pensão a que não tinha direito e cujos pressupostos aldrabou quando entrou para o governo do tal inenarrável, para dar bom aspecto.

Talvez este seja o melhor exemplo do que foi o governo do tal inenarrável, nos idos de 2005 e que tão incensado foi pelos media arregimentados.
A bancarrota de 2011 é feita destas pequenas histórias. 

domingo, 22 de maio de 2016

Uma previsão do nosso futuro imediato...

 RR:

O Parlamento grego aprovou as medidas de austeridade exigidas pelos credores para a concessão de uma nova parcela do terceiro programa de resgate ao país negociado em 2015 e antes da reunião do Eurogrupo de terça-feira.
O projecto aprovado prevê um mecanismo de correcção automática em caso de derrapagem orçamental e medidas suplementares para acelerar as privatizações e aumentar os impostos indirectos.

O Costa está a fazer o mesmo percurso do Tsipras pelo que o fim do caminho será o mesmo.

A música popular em Portugal nos anos sessenta e setenta


Na segunda metade dos anos sessenta do século que passou produziu-se alguma da melhor música popular que ainda hoje se ouve e copia. O rock n´roll deu lugar ao rock tout court e apareceram os Beatles e Rolling Stones na Inglaterra e do outro lado do Atlântico os Doors, Bob Dylan, Janis Joplin, Creedence Clearwater Revival e outros.
Como é que em Portugal se dava conta deste fenómeno cultural?

Para além dos discos que passavam no rádio, havia a imprensa que dava conta dos "tops" que vinham lá de fora e até 1969 não havia jornal ou revista inteiramente dedicados ao tema.

Assim, havia páginas nos jornais diários que mostravam os tops e davam a conhecer o que se fazia lá por fora. Uma ou outra revista de espectáculos, como a Antena ou a R&T, Plateia e pouco mais, davam de vez em quando notícias sobre música popular.
Alguns discos nem chegavam cá e se tal acontecia era meses e meses depois de serem lançados na Inglaterra ou Estados Unidos e era frustrante ler o que se deveria ouvir sem o poder fazer.

Em finais de 1968 apareceu uma revista quinzenal- Cine-Disco- que a partir do nº 17 de 1 de Agosto de 1969 se passou a chamar Mundo Moderno e que trazia letras de canções ( Ballad of John and Yoko) e artigos sobre acontecimentos musicais ( concerto grátis dos Rolling Stones no Hyde Park de Londres, nesse Verão e que alguns anos mais tarde passou na televisão).
Em finais de 1969 surgiu a Mundo da Canção como já se deu conta anteriormente. E em 1.2.1971 o Disco, música&moda, com a existência efémera de alguns meses, mais o Memória do Elefante, também em finais desse ano de 1971. Estes davam uma razoável perspectiva do panorama musical internacional prestando ainda atenção à música popular portuguesa e de outros lados da Europa. Em 1972 apareceu outro jornal, Musicalíssimo que se manteve alguns anos em acção, renovando-se nos anos oitenta.

E durante alguns anos foi tudo o que se poderia ler sobre o assunto. Em Fevereiro de 1977 surgiu então uma revista, Música& Som que durou algum tempo. Em  imagem, eram estes:


E como é que as pessoas curiosas sabiam o que se passava "lá fora", nesse domínio, com esta pobreza cultural? Óbvio: lendo a imprensa especializada estrangeira e que chegava cá, sem problemas de Censura. Está aí tudo o que interessa, até a Pop alemã que só trazia posters em "farb".

Quem lia isto não sentia qualquer necessidade da imprensa nacional, a não ser para ler alguma coisa sobre os grupos e cantores nacionais. Mas isso...é outra história que a Mundo da Canção contava.



sexta-feira, 20 de maio de 2016

A voz do ridículo

Económico:

A Entidade Reguladora da Comunicação Social condena a TVI ao pagamento da taxa por encargos administrativos dado tratar-se de uma "decisão condenatória", no montante de 4,5 unidades de conta, ou seja, 459 euros. Além disso, a ERC remete a deliberação para a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ) que tem poder para, entre outros, aplicar contra-ordenações.

Em causa está uma notícia divulgada na noite de 13 de Dezembro, que terá provocado o pânico entre os depositantes do Banif e, segundo a administração do banco, conduzido à sua resolução. A TVI e o director de informação do canal, Sérgio Figueiredo - que foi ouvido esta semana na Comissão Parlamentar de Inquérito ao caso Banif - têm agora um prazo de dez dias para contestarem a decisão da ERC.


Faça-se uma subscrição para ajudar o tal Figueiredo a pagar a "taxa de justiça"... e a coima que virá a seguir. E o valor das acções cíveis. E os recursos... 
O tal Figueiredo continua no seu lugar, impassível e a mostrar como se deve ser jornalista, o que fez no outro dia na AR com um desplante inacreditável.

A canção de um mundo

Segundo anuncia o Público de hoje, antecipando o dia do Autor, a revista Mundo da Canção vai ser homenageada pela SPA, organização de índole maçónica e que tem como presidente um antigo comunista, José Jorge Letria, ele mesmo um antigo cantor ou baladeiro de protesto e alvo da atenção da revista in illo tempore. Tudo em casa, portanto.


A Mundo da Canção foi uma revista aparecida pela primeira vez em finais de 1969 e durante vários anos foi uma das principais publicações sobre música em popular, em Portugal, a par do jornal Disco, música & moda, aparecido em Fevereiro de 1971 e a revista Música&Som, surgida em 11 de Fevereiro de 1977.


O Mundo da Canção de 1969 era um pequeno mundo para além das canções: o da oposição ao regime deentão, de Marcello Caetano que tinha iniciado uma abertura política após o afastamento de Salazar, por doença, do exercício do poder.
O número um da revista tinha na capa um padre cantor, comunista da extrema-esquerda, Francisco Fanhais e que chegou a ir ao programa de tv, desse ano,  Zip Zip. A letra de uma das suas canções, À saída do correio, precisamente, foi editada num disco lp pela etiqueta Zip, em Setembro de 1969 e é reveladora do fenómeno de então, de quem escrevia para passar uma mensagem comunista: dissimular o discurso em modo parabólico para enganar a Censura.
Mesmo assim, o número 34, de data incerta ( o anterior era de Novembro de 1972) não chegou a ver a luz das bancas da altura e só treze meses depois foi publicado, já depois de 25 de Abril de 1974 como diz a tarjeta que o envolve. Portanto seria de Março de 1973. O que trazia de especial? Nada que os anteriores não tivessem já mostrado. Para além do mais, as letras integrais do disco do actual director da SPA, Até ao pescoço, mais as letras do disco de José Mário Branco, Margem de certa maneira e o de José Afonso, Eu vou ser como a toupeira, para além de outros. A Censura não queria que os portugueses que então compravam a revista soubessem que havia comunistas de extrema-esquerda a quererem derrubar o regime com palavras e canções. Mas não proibiu os restantes números que se seguiram. O seguinte, 35, comprei-o na época e tinha na capa Gary Brooker, dos Procol Harum que nessa altura visitara Cascais, para um concerto memorável. Na crítica de discos aparecia o de Sérgio Godinho, Os Sobreviventes e o Fala do Homem Nascido, um disco colectivo com orientação de José Niza e outros, com a referência a cada tema, por Tito Lívio.
Quando se chega a 25 de Abril de 1974, o primeiro número ( o que se mostra acima com a capa branca e um texto a todo o espaço, assinado por um "colectivo de acção popular") já é dominado pelo MRPP, os doidos que ainda andam por aí à solta. A citação de abertura da revista é de Mao-Tse Tung e é assinada por um tal António José Fonseca. É nesse número que aparece um texto de Correia da Fonseca, da República, sobre "O fascismo já faz queixinhas"...por aqui já publicado.


Desde o primeiro número a revista foi um instrumento gramsciano de influência cultural da esquerda, particularmente a comunista. Nesse primeiro número já se destacava a figura de José Afonso como artista de canções baladeiras e não só. Lendo o texto percebe-se onde estávamos culturalmente, em finais de 1969: nas mãos da intelligentsia de esquerda comunista.


A revista, no entanto, tinha uma virtualidade incomparável: trazia as letras de canções da música popular de maior qualidade que então se produzia no mundo ocidental. Beatles, Stones, Dylan, Moody Blues. E também dos festivais da canção completamente dominados pelos autores de esquerda como J.C. Ary dos Santos, José Niza, Pedro Osório e outros.

Em 1979 a revista fez um balanço dos dez anos de actividade, assim:


Por aí se podem ver os autores publicados e a petite histoire acerca do "social-fascismo" e da guerra de esquerda que se desencadeou logo a seguir a 25 de Abril de 1974 e que a revista espelhou fielmente.
Há um fenómeno que me intriga nisto tudo: a Banda do Casaco, provavelmente o grupo de música popular mais importante em Portugal, na década de setenta do século que passou não é mencionado...nunca percebi porquê, mas acho que pensavam que era um grupo fassista.

O Público de hoje, em vez de contar esta história ou outra que mencione tais factos, conta esta, da carochinha, como dantes acontecia:


O jornalista que a assina, Nuno Pacheco se calhar é muito novo para saber aquelas coisas.É triste viver num país em que a Censura acabou e existe uma outra ainda pior: a que escamoteia factos que deveriam ser conhecidos do Público.

A História não acaba aqui

Observador:

O Tribunal da Relação de Lisboa condenou o ex-tenente-coronel João José Brandão Ferreira a pagar 25 mil euros de indemnização a Manuel Alegre por ter acusado o socialista de traição à pátria. Esta decisão é contrária à que o tribunal de primeira instância tinha tomado, apesar de este já assumir que Brandão Ferreira tinha “plena consciência do carácter ofensivo” do que escreveu num blogue e em artigos de opinião num jornal.

Entre 2010 e 2011, Brandão Ferreira escreveu diversos artigos muito críticos de Manuel Alegre, então candidato à Presidência da República, n’O Diabo e no blogue O Novo Adamastor. Entre outras coisas, o ex-militar acusava Alegre de incitar “à deserção das tropas portuguesas e ao não cumprimento do dever militar” durante a Guerra Colonial, de apoiar e promover “actos de sabotagem contra o esforço de guerra português” e de, em suma, ter cometido atos de traição à pátria. “O cidadão MA [Manuel Alegre] quando foi para Argel não se limitou a combater o regime, consubstanciado nos órgãos do Estado, mas a ajudar objectivamente as forças políticas que nos emboscavam as tropas”, escreveu Brandão Ferreira no blogue pessoal
.


A questão tinha sido aparentemente resolvida o ano passado e dei conta disso aqui. Porém, recurso atrás de recurso e as cabeças de outros desembargadores ( entre os quais um certo Antero Luís, muitos anos no SIS...e agora regressado aos tribunais) decidiram que a sentença deveria ser outra. Parece que vai haver recurso para o TEDH e segundo jurisprudência do mesmo, a sentença vai ser para condenar o Estado português, o que os referidos desembargadores deviam saber bem. Mas enfim, fica aqui o comentário do advogado do Público Francisco Teixeira da Mota o qual aliás tem sido sempre coerente nesta matéria: a liberdade de expressão destas opiniões deve prevalecer sobre o direito de personalidade de defesa de uma honra putativa.


Alegria no trabalho da Gente

A revista (nova) Gente, do grupo editorial Impala, muito vista em antecâmaras de consultórios e salões de cabeleireiros, já por aqui também citada em algumas ocasiões e a propósito do alto nível jornalísticos dos seus profissionais ( dirigidos por um tal Gamboa), mostra na última edição esta capa apelativa:


Acicatado pela palavra "escândalo" e pela imagem condizente de José Sócrates comprei o pasquim, por um euro e quarenta, para ler de que matéria se compunha o escândalo.

Afinal, trata-se de uma pequena confraternização levada a efeito algures.A revista, exemplo ímpar do jornalismo caseiro,  não diz onde, exactamente, mas afirma que será "no local de trabalho, ou seja, numa das salas da secretaria das instalações do DIAP ( não confundir com DCIAP...) em Lisboa, no Campus da Justiça. Nem diz quando; nem porquê. Só o como e ainda assim do modo apresentado. Jornalismo ímpar, dizia? Mais que isso: revelador de imparidades. Foram contactadas as "partes interessadas" como manda o código deontológico que o tal Gamboa deve conhecer? Não consta nada...mas ainda bem que temos uma ERC que se calhar vai averiguar. Afinal, existe para quê? Para ver o trabalho de Sérgio Figueiredo na TVI no dia 13 de Dezembro do ano passado e encolher os ombros?

Uma das "chefes de secção" desse departamento de investigação penal publicou no "seu" facebook um video em que mostra tais preparos de dança de varão à roda de um cabide...enfim, gostos.

O problema com a notícia prende-se com a oportunidade da divulgação, o objectivo, o rigor informativo e a deontologia jornalística porque com a capa da revista vem associada a imagem destacada de José Sócrates.
E a que propósito surge tal imagem? Ora, porque o mesmo e os seus advogados ficaram aparentemente chocados com a cena macaqueada que lhes terá sido mostrada não se sabe por quem.
E em que circunstâncias é que se liga a cena à indignação dos ditos? Pois, pelo facto de a revista ter contactado o celebrado advogado Pedro Delille a propósito do despautério e que se mostrou então "chocado" com o que lhe contaram, dizendo que nem comentava, mas ainda assim referindo que nem queria acreditar no que lhe contavam...

Pedro Delille, hein? Pedro Delille, exactamente, o chocado.

E então qual a relação com José Sócrates? Mais nenhuma. Só essa. Nem sequer o ouviram...

Quem é que fez esta notícia? Foi esta Gente:


Como já comentei no caso Felgueirinhas, "já vale tudo".

Em tempo: soube por fonte certa que os factos cujas imagens se mostraram na Gente ocorreram em 2013. E que um eventual procedimento disciplinar está prescrito. Esta nova Gente não quis saber de tal coisa. 

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Lula e o PT: ascensão e queda de um mito


 O Jornal de 13.3.1981: ascensão de Lula da Silva, o sindicalista dos pobres e fundador do PT, já com o discurso imbatível que leva a Esquerda ao poder, onde quer que se enganem pessoas pobres. O Brasil não tinha falta disso e a ética era palavra de ordem. Parte-se do pressuposto que os direitos são iguais para todos mas os deveres ficam em segundo plano. Os ricos é que têm culpa da existência do pobres e por isso prega-se a "solidariedade internacional da classe trabalhadora". É o velhíssimo chavão marxista "proletários de todos os países, uni-vos!"
Lula foi assim que começou...





 Entretanto e passadas estas mais de três décadas, acabou assim, como relata a revista Veja de 18 de Maio de 2016:






Outro grande militante do PT, um certo José Dirceu,  foi agora condenado no âmbito da operação Lava-Jato, numa pena de prisão por 23 anos...




Observador: 

A justiça federal brasileira condenou o ex-ministro José Dirceu a 23 anos e três meses de prisão por crimes como corrupção e branqueamento de capitais no âmbito da Operação Lava Jato, divulgou a imprensa brasileira.

Os ídolos com pés de barro acabam assim, esfrangalhados no pó.