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sábado, 1 de agosto de 2015

Aqui há ratos

CM de hoje:


Revista Veja de 29 de Julho de 2015:




Veja de 22 de Julho de 2015:



Duas observações: a investigação brasileira ao caso "Lava Jato" apresenta ligações a Portugal, na medida em que estão em jogo comissões distribuídas a políticos brasileiros, entre os quais eventualmente o próprio Lula, de forma ilegal e para traficar influência em modo criminoso e tê-lo-ão feito por cá, com a colaboração dos apreciadores de robalos. Terão recebido "propina" por isso e já são vários os "delatores premiados" a dizê-lo.
O Ministério Público brasileiro dá a cara abertamente, fala do assunto e refere expressamente a possibilidade de cooperação judiciária internacional entre Portugal e o Brasil. Segundo diz, o DCIAP de cá ainda não descobriu a virtualidade de tal cooperação, neste caso concreto.
Segunda: o segredo de justiça, no Brasil, não serve para encobrir estas coisas da opinião pública e a questão que se coloca é saber se a prova recolhida por lá com recurso a declarações de arrependidos ( delações premiadas) poderá ser aproveitada cá, no nosso processo penal ultra-garantístico e com vigilância activa dos professores catedráticos de Coimbra, com destaque para o professor Costa Andrade, cuja atitude de jurista se poderá assemelhar à de mercenário, o que será muito triste se tal vier a suceder.

Entretanto, o Expresso de hoje dá à capa da Revista um assunto que me levou a esportular os 3 euros.: Hélder Bataglia, precisamente.
O português da mala de cartão que foi para Angola depois do pai, de Vieira de Leiria ter ido para lá "ganhar a vida" porque era muito pobre. Em 1975 Hélder nada tinha porque perdera tudo. Em 1979 ganhou uma mulher italiana ( daí o apelido?- o Expresso não diz) e refez a vida, por esse mundo fora. Argelinos,chineses, venezuelanos, argentinos, tudo conta para se andar na vida de negócio em que se perde e ganha. no dealbar dos 2000, Hélder conhece Álvaro Sobrinho e o BES. O resto é história que o episódio dos 14 milhões poderiam ajudar a contar melhor.
O Expresso não conta porque não existe para tal. O Expresso existe para fazer o frete a certo patronato que vive destas misérias da corrupção. É triste dizê-lo mas é assim. O artigo, para além de alguns factos biográficos nada adianta de novo ou de especial no que se refere às negociatas mantidas entre 2005 e 2011, com o governo do recluso 44, o BES, a Escom e o resto.
Hélder, o aventureiro, se quisesse deslindava em dois tempos a meia dúzia de anos que o recluso 44 passou à frente do Governo. E contribuiria para fazer a devida Justiça. Porém, não quer e anda fugido. Até quando?

Por isso ficam aqui duas páginas, a primeira e a última. O resto nem interessa.





sexta-feira, 31 de julho de 2015

Jornalismo à Camões

JN de hoje:


O emprego do jornalista Camões, na direcção do Jornal de Notícias, deve-se aos bons ofícios do actual recluso 44.
Em recompensa de tal  desvelo aparecem estas notícias porque a vergonha não mora ali. Mora outra coisa: corrupção moral, traduzida em política disfarçada de jornalismo.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Voltar a Voltaire

Voltaire é um dos filósofos das Luzes e morreu em  1778, um pouco antes da Revolução em França.
O autor do Tratado da Tolerância, agora muito citado por causa dos atentados de Paris, em Janeiro, ao Charlie Hebdo, era um defensor da liberdade de expressão e de imprensa.

Contudo, como mostra a revista cujos textos tenho vindo a passar, tinha facetas desconcertantes para quem vê uma unidimensionalidade simplista nesse pensamento "progressista".
Afinal o pensador das Luzes seria um esclavagista homofóbico, racista, anti-semita, anti-islamita e misógino? É ler...


O pântano nacional

Este pequeno apontamento de Eduardo Dâmaso na revista Sábado de hoje dá-nos uma imagem muito aproximada da realidade politico-social que viceja nas altas esferas do poder. O fenómeno tem alguns anos mas na última dúzia refinou-se de tal maneira que se torna imperioso exterminá-lo sob pena de sermos nós, os cidadãos comuns, a pagar as favas, em democracia.

Por outro lado, há os que vêem este fenómeno claramente visto e há os que o vendo enterram metaforicamente a cabeça na areia, como é o caso da generalidade dos jornalistas.

Saiam desse armário! Lutem pelos direitos a uma informação livre e pela dignificação da profissão. Denunciem os proenças e figueiredos e balsemões! Não vêem o que vos fazem? Querem continuar nessa escravatura real?


A antifilosofia em contra-luz

A mesma revista que publicou o estudo sobre o Iluminismo dá conta dos anti-iluministas que apareceram depois, para vituperarem a fé excessiva na Razão e o abandono precipitado da Fé cristã.

Declaravam-se anti-filósofos e apontavam aos iluministas, pretensos tolerantes, a contradição de afinal serem intolerantes com eles e não os respeitarem. O principal alvo da crítica anti-filosófica era a Enciclopédia de Diderot e d´Alembert ( aparecido por inspiração da Chambers inglesa).
Segundo a revista, com a Revolução francesa apareceu também a corrente anti-luzes, em defesa da religião e também do Antigo Regime monárquico. Na sequência desta luta de ideias aparece Edmond Burke a clamar por escrito contra a igualdade ( falsa) uma vez que se torna evidente a necessidade de existência de uma hierarquia entre os homens. Contra o Contrato Social de Rousseau.

Estará aqui a linha divisória entre a Esquerda e a Direita? Talvez.
Maurras aparece depois a defender o "nacionalismo integral" : " a nação é o mais vasto dos círculos comunitários que existem, sólido e completo. Quebrando-a, despe-se o indivíduoa " Ou  seja, uma apelo a uma razão colectiva.
A Primeira Guerra Mundial dá azo a contestar a ideia do "progresso humano" em que se destaca Oswald Spengler que recusa a democracia, a igualdade e a racionalidade. Heidegger contesta as virtudes da Técnica e das Ciências...porque "a Ciência não pensa" e é apenas um elemento de alienação humana.
Após a Segunda Guerra Mundial estas correntes anti-luzes perdem influência por terem contribuído para armar ideologicamente o nazismo, mas são retomadas pela associação das Luzes ao comunismo estalinista totalitário, com a ideia de "homem novo" em causa.
Há um teórico- Sternhell que vai mais longe e atribui às Luzes todos os males presentes...
Mas...haverá muito mais a dizer e pensar sobre o assunto. " As luzes são constantemente reinterpretadas em função da conjuntura política na qual se inscreve aquele que as procura definir, erigindo-as em objecto de estudo"- Didier Masseau..


E com isto se mostra que é possível discutir estas coisas sem chamar nomes feios seja a quem for e sem nos situarmos numa pocilga imaginária onde só vemos suínos à volta...

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O que a Europa deu à luz

A partir de finais do século XVII em vários locais da Europa começou aquilo que se convencionou apelidar de século das luzes.
Essencialmente foi um vasto movimento intelectual que acreditava no progresso do espírito humano. Foi esse também a raiz da Esquerda tal como se conhece uma vez que nesse movimento apareceram ideias utópicas sobre a Humanidade e o seu futuro, até se chegar ao paroxismo dos "amanhãs a cantar".
Por causa disso deverá vituperar-se tal movimento como sendo de origem perversa e demoníaca?
Nem tanto, porque tal significaria uma apologia simplista da ignorância redentora e da pobreza salvífica, reconstruindo-se mais uma vez um passado idealizado, sem epidemias de peste, sem fomes negras e sem sistemas feudais para não dizer esclavagistas.
Vituperar o progresso científico, técnico e mesmo social, com a melhoria generalizada das condições de vida do "povo" é, parece-me, cegueira de quem se recusa a ver...a luz.

Para além disso, a Esquerda só apareceu a seguir e este progresso não é património seu mas da Humanidade.

Este artigo da revista Les cahiers Science&Vie de Abril 2015 mostra um resumo do que foi o Iluminismo na Europa, incluindo Portugal pós terramoto. Ora quem se distinguiu neste movimento? França, Inglaterra e Alemanha.



domingo, 26 de julho de 2015

Os sindicalistas PS(P)

RR. Sapo:

A Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP) manifesta preocupação com a ordem de prisão domiciliária aplicada a Ricardo Salgado.

Pelo menos, oito agentes estão mobilizados, em permanência, desde sábado, para vigiar a casa do ex-presidente do BES, em Cascais. São menos oito agentes a patrulhar as ruas, diz à Renascença o dirigente da ASPP, Paulo Rodrigues.

“Alocar recursos humanos, única e exclusivamente, para fazer a vigilância de uma residência, no fundo é colocar o polícia num posto fixo, acaba por trazer algumas dificuldades porque ele deixa de fazer o patrulhamento normal à população daquela área, para fazer a vigilância a uma residência. Isto causa problemas ao nível da gestão do efectivo, mas no fundo que sai prejudicado é a população daquela área”, afirma.

A opção para a falta de recursos na PSP de Cascais pode ser o contingente de Lisboa, mas não é suficiente, diz Paulo Rodrigues
.

Os sindicalistas da PSP, do inefável polícia Rodrigues, ficaram subitamente preocupados com a circunstância de meia dúzia de agentes, se tanto, terem de ocupar horas de serviço, pago regularmente pelo Estado pela tabela normal, a vigiar um arguido.  Se fosse uma empresa qualquer a pagar em suplemento estou em crer que o sindicalista Rodrigues não teria esta preocupação acrisolada.

É por estas e por outras que o sindicalismo nas polícias é o que é: um meio de fazer política, como qualquer outro e potencialmente manipulável a quem interessa. Neste caso a um certo PS. Por isso mesmo seria interessante saber quantos serão os agentes da PSP ocupados a vigiar figuras públicas e quais e ao mesmo tempo saber quantos agentes da mesma PSP prestam serviço regular de vigilância paga por entidades privadas.
Se tal se souber, talvez o sindicalista Rodrigues fique de repente mudo...ou acrescente algum argumento válido àquele, pífio, que anda a propalar.

A bataglia de Ricardo Salgado pela honra perdida

No Correio da Manhã de hoje aparece este pequeno editorial do director Octávio Ribeiro ( que evidentemente merece todos os encómios pelo papel relevante que tem vindo a desempenhar em prol de uma maior sanidade política em Portugal, o que é mérito digno de medalha do 10 de Junho).




Octávio Ribeiro percebeu já a essência do que está em jogo, neste momento: a exposição pública e com provas válidas de uma rede de tráfico de influências ao nível das mais altas instâncias do poder político de há uns anos, particularmente aqueles em que José Sócrates governou, mas com ramificações noutras personagens de outros partidos, com o mesmo género de moral política que se chama ética. Alguns desses factos e actuações assumem relevância criminal de grande gravidade pelas consequências que trouxeram a todo o povo português.
É isso que está em jogo e o Ministério Público português parece neste momento amedrontado. Não é o caso do juiz Carlos Alexandre que ainda não cometeu um único erro em todo este emaranhado de procedimentos de há um ano a esta parte. Ou talvez tenha cometido: não mandar para prisão preventiva o actual detido domiciliariamente.

Quanto a Ricardo Salgado se quer mesmo lavar a honra da família e fazer jus ao antigo José Maria do Espírito Santo que nasceu não se sabe de quem  e ficou dono de uma casa de câmbios da Calçada dos Paulistas, tem um caminho de via única: contar no processo o que sabe da comissão de 14 milhões de euros recebidos do construtor José Guilherme e principalmente contar o que sabe da colaboração de Hélder Bataglia nos casos que envolveram o GES/BES e este indivíduo que me parece sinistro em alto grau. Pode começar pelo da Escom e dos submarinos, cujas comissões foram efectivamente distribuídas por cá, eventualmente por testas de ferro de certos políticos.
Bataglia sabe disto e muito mais e se contar o regime pode sofrer um abanão e regenerar um pouco, como na Itália. Mudar um pouco o paradigma da pinderiquice da nacional-corrupção que não atingindo a dimensão brasileira tem agora pontos de conexão importantes. O PS pode acabar? E daí? Perde-se alguma coisa a não ser para um par de milhar de apaniguados que contam com o partido para ganharem a vidinha que nunca tiveram? Na Itália também acabou e o país não parou.

É isto que me parece que o MºPº português não tem capacidade para investigar como deveria ser. E muito menos Rosário Teixeira que deveria ser apenas um consultor nesta investigação, porque guarda em memória muitos factos e ligações cuja prova nunca conseguiu materializar mas são importantes.
Por outro lado parece-me que tem medo, aquele medo real que amedronta mesmo. Ora quem tem medo, compra um cão.
Isto ainda não é como na Itália, mas quando entram angolanos é mesmo um problema que exige outra abordagem porque isto é doutra dimensão que já não se fica pelo pilha-galinhas que está preso em Évora.

Haverá gente capaz disto no MºPº? Talvez. É uma questão de procurar...com coragem e sentido do dever. O que vem aí é um desafio ao MºPº, como se costuma dizer. Espera-se que esteja à altura, pelo menos tanto quanto esteve nos idos dos anos oitenta com o caso FP25. Mas isto parece-me pior...

sábado, 25 de julho de 2015

O futuro há 40 anos

Flama de 30 de Maio de 1975. Mais claro que isto não há, para se perceber o que nos preparavam nessa altura aqueles que mandavam no país. Toda a Esquerda, incluindo o PS queria isto que aqui está escrito...


O mais intrigante é que poucas vozes se ouviam claramente em oposição a esta perspectiva, bastando para tal reler os jornais da época, como por exemplo o Expresso. Toda a gente se adaptou ao discurso e todos os partidos, numa Constituinte dominada pela Esquerda se preparavam já para aprovar o que viria a ser o esqueleto ideológico da Constituição aprovada em 1976, dali a um ano.

O ambiente político e social que se vivia há quarenta anos era de autêntico processo revolucionário. Tendo-se já modificado radicalmente as estruturas económicas fundamentais do país  preparava-se o clima  para alcançar o poder político que escapava e que nas eleições do mês anterior ( 25 de Abril de 1975) tinha dado a esmagadora maioria ao PS e ao PSD.
 Estes partidos, no entanto, procuravam adaptar-se ao que aparecia como o sentimento da rua urbana e lisboeta e "cintura industrial" que incluía o de outras cidades do país.
Se não fosse a Igreja Católica e uma maioria de pessoas, do Portugal profundo, apesar de tudo moderadas e que votaram no PS, teríamos caído no que agora se pode assemelhar à Venezuela, ou pior ainda.
E tal nem é contraditório porque o mesmo PS que aplaudia as nacionalizações e se aproximava do modelo económico de planificação centralizada, como era a comunista, não queria ser corrido de cena por um PCP e uma esquerda radical que se lhe pretendia sobrepor politica e socialmente. O caso República e da unicidade sindical, que surgiram nessa altura, são os melhores exemplos de tal.
Este mesmo PS que vivia nesse dilema ainda hoje o experimenta: sendo essencialmente social-democrata recusa a matriz de "direita" que tal implica, na organização económica, mascarando a contradição com certas posições de "esquerda" em assuntos laterais, mantendo o discurso do costume e que foi sempre enganador. É assim que tem conquistado votos ao longo destas décadas.
O PS foi sempre um partido de enganos: para a esquerda comunista e radical nem é preciso lembrar porque é o discurso actual e de sempre, corrente. Para uma direita que nem o chega a ser, é um aliado da esquerda radical sempre que tal lhe sirva propósitos eleitorais. E com isto temos vivido nos últimos 40 anos.

O que o BE e o PS radical de hoje em dia pretendem é repristinar de algum modo o sentimento  perdido dessa esquerda órfã e impedir sempre " a direita" que o é tanto como esse mesmo PS quando está no poder, de tomar o poder e governar.
O combate ao euro ou ao capitalismo alemão ou seja o que for que ponha em causa o status quo existente no modo de produção de bens e serviços que existe na Europa ocidental tem a sua base profunda nessa raiz ideológica que nunca foi abandonada e se baseia nas mesmas frases adaptadas aos tempos actuais e nas mesmíssimas ideias sobre os ricos, os pobres e agora " a dívida" e a "austeridade". Os novos representantes dessa desgraça nacional são outros, tipo gémeas Mortágua, seguidoras dos ensinamentos paternos ou Isabéis Moreira, neste caso bastardas das ideias dos progenitores.
Como se dizia numa peça de teatro da esquerda desse tempo: " e não se pode exterminá-los?"

O que distingue o tempo de agora e o de então é o "aggiornamento" dessa Esquerda que deixou de ser explicitamente marxista e revolucionária e se trasmudou em força integrada na democracia burguesa que rapidamente substituiriam, sob os mais diversos pretextos, logo que aparecessem as contradições escondidas.

A prova? O que aconteceu no referendo da Grécia e que nem sequer foi muito falado por cá: um inquérito oficial aos jornalistas que decidiram apoiar o "sim"...

Como a Esquerda nos desgraçou, não aprendeu e quer voltar ao mesmo.

Daqui, no postal que sequencia o anterior, julgo poder demonstrar-se que a ideologia esquerdista desgraçou Portugal nos últimos 40 anos e particularmente nos que seguiram às nacionalizações.
Os syrizas nacionais, sempre apoiados pelo PS que nesse aspecto nunca mudou ( para não perder votos à esquerda posiciona-se sempre no lado de uma esquerda mítica, mesmo que depois não cumpra o respectivo programa e frustre sempre as expectativas dos adeptos). defendem sempre o mesmo, embora adaptando a linguagem. Neste momento, o discurso corrente desta gente que me parece mentecapta, é o adoptado pela menina Mortágua, filha do velho terrorista reciclado em latifundiário legitimado ideologicamente.
Sendo uma linguagem apelativa aos bons sentimentos da solidariedade e contra os exploradores e ricos, pega sempre e tem garantidos os votos suficientes para nunca sairem do poder ou seus bastidores.
O PS alia-se sempre a esta linguagem que depois, uma vez no poder entra em contradição com aquilo que realmente é necessário fazer. Tem sido esta a história recorrente da nossa democracia dos últimso 40 anos: sempre que o PS governa surgem sinais de bancarrota, seguindo-se políticas de austeridade, emcetadas pelo bloco central que acaba por ser castigado eleitoralmente logo a seguir para se voltar ao mesmo.
Desta vez é fácil o prognóstico do que aí vem após as eleições de Outubro: mais despesa, dinheiro emprestado que depois é preciso pagar, dificuldades conjunturais e desculpas de maus pagadores habituais, tipo "crise internacional", ausência de solidariedade da UE, Alemanha mostrada como culpada do que nos vende e empresta, etc etc.

Para já fica o artigo de Junho de 2014 sobre o que aconteceu ao universo das nacionalizações da economia portuguesa e o que diziam sobre o fenómeno, alguns que ainda andam por aí com o discurso reciclado e sempre pronto a repetir as mesmas aleivosias de raiz, porque nunca deixaram de acreditar nisso. Aterrador...particularmente o que diz João Cravinho, um dos artífices desta mentalidade mentecapta e tido como um pequeno génio não se sabe bem de quê...


Com as nacionalizações de 1975 e o poder político nas mãos da esquerda,  o que faltava para Portugal recuperar do tempo de "obscurantismo", "atraso", "analfabetismo", "falta de liberdade", etc etc que se resume tudo na palavra mágica "fascismo"?

Pois, por mim, faltou o essencial: saber, competência e "outras políticas" como agora dizem os desgraçados que nos desgraçaram já por duas vezes.

Tinham o capital todo do lado deles ( com toda a banca nacionalizada); tinham a faculdade de produzir moeda, fazendo dinheiro; tinham a indústria e serviços mais importantes do lado deles, porque nacionalizados e mesmo assim...bancarrota à vista em 1976 e empobrecimento permanente, com crise económica constante.
Como foi possível tal fenómeno que os esquerdistas preferem esquecer e de que nunca falam? Nos livros do BE sobre os milionários "fascistas" e os "donos de Portugal" nunca falam sobre este estranho fenómeno- et pour cause...

Senão vejamos em concreto e com recortes de imprensa o que se passou até à segunda bancarrota, de 1983.

Em 1975, logo após a nacionalização da Siderurgia e o "ataque aos milionários", Champallimaud que era o génio da empresa, estava a reconstruir o seu império no Brasil, mesmo com crise internacional. A empresa que lhe tiraram cá, essa estava quase falida. Num ano.
Perante a realidade que se lhes impunha perante os olhos incrédulos dos joões martins pereiras e joões cravinhos da época, como é que o falhanço rotundo era explicado?

O Expresso de 20 de Dezembro de 1975 já dava conta do prenúncio do falhanço. O problema era até elencado de modo eloquente: " (...) A análise económico e financeira, da tributação sobre os lucros, da negociação mercantil dos acordos colectivos de trabalho (...) parecendo tecnicamenre inofensivos, constituem- a menos de reformulação e adaptação ponderada e orientada por critérios de âmbito nacional- significativos mecanismos reprodutores de um sistema incompatível com uma fase de transição para o socialismo".

Ou seja, com esta novilíngua que passou a ser norma jornalística, pretendiam explicar o inexplicável e esconder as contradições com o almejado socialismo e a realidade das empresas que já eram tantas que até dá dó pensar como essa gente nem pensou nisso- antes... 


Por outro lado, em 1983 não era só a Siderugia que estava falida. Na realidade, estavam falidas TODAS as empresas públicas nacionalizadas e roubadas ( porque não indemnizadas) aos patrões que eram os tais "donos de Portugal". Os novos "donos de Portugal" deixaram falir tudo. E ninguém lhes deu um pontapé no traseiro eleitoral para os pôr a mexer deste país ou do governo do mesmo, como fizeram aos tais "fascistas". Continuaram a mandar na intelligentsia jornalística e a mandar na ideologia da Constituição. Até hoje.

Sousa Franco, o fundador do PPD tornado socialista, até dizia na altura ( O Jornal 1 de Dezembro de 1983) que a banca privada e a pública era a mesma coisa e portanto o problema não era a banca...


No entanto, em 15 de Junho de 1984, o mesmo O Jornal já chamava às empresas públicas "elefantes brancos"!  Fantástico, sem dúvida, a capacidade desta esquerda em dar a volta ao problema que criaram de modo a que ninguém perceba qual a  raiz do mal. "Elefantes brancos" e pronto, está tudo explicado, sem precisar de mais razões.



 
 

A par deste experimentalismo social e económico aparecia entretanto outro tipo de experimentalismo que assentou depois arraiais no ISCTE.

É ler e rir porque chorar já nem vale a pena. O estudo que o Expresso de 12 de Março de 1983 publicou dava conta que afinal andamos enganados o tempo todo e o modelo industrial que tínhamos não prestava. Apesar de nos ter feito crescer a taxas fenomenais no tempo de Marcello Caetano, não prestava porque afinal só produzia bancarrotas e elefantes brancos...

Autores do estudo? Além do mais, um rapaz que dali a uns anos teria sérios problemas com quatro ranhosos que resolveram acusá-lo de coisas inomináveis: Ferro Rodrigues.

Outro que dava o palpite mais fantástico era o tal Cravinho, suma instância da inteligência pátria ( era então director de um GEBEI, uma coisa que se anacronizava a estudar "basicamente" a economia industrial...). Dizia então que "era preciso criar outra classe empresarial". Assim como quem cria mulas e machos...

Se isto não é de rir às lágrimas é de chorar pela demência desta malta.


Esta gente que muita outra gente levou a sério não era levado por todos a sério. Por exemplo este não os levava- nem leva, suspeito- minimamente a sério.

Em 1986 ( Semanário de 1 de Março desse ano)   traçava o quadro negro das nossas experiências dos últimos dez anos e deitava por terra todas aquelas experiências daqueles génios incompreendidos.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

Onde está o capitalismo português? Perguntem no ISCTE pelo Mamede...

Algumas pessoas ainda escutam certos economistas que aparecem agora nas tv´s, como um tal Mamede que se ilustra no ilustrérrimo ISCTE, instituição criada no tempo de Marcello Caetano para acantonar e empregar os syrizas em gestação já nessa altura e que devia fechar porque não se notaria diferença, a não ser para melhor, na nossa sociedade.


Este Mamede é a enésima reencarnação espiritual de um outro syriza avant la lettre: João Martins Pereira, o guru do BE e de Louçã em particular.
As lições de JMP sobre o capitalismo português são do nível do ISCTE, ou seja, a meu ver, e retomando as classificações das agéncias de "rating", lixo. É gente que quando era pequena caiu num caldeirão de doutrinas marxistas e ainda está embebida nessas tretas.


Retoma-se aqui um postal do ano passado, sobre o tema.


A primeira ideia, básica, persistente, inamovível, mítica e repetida ad libitum: Salazar protegeu os grandes capitalistas, os “donos de Portugal”. Está escrito preto no branco pardo do livro já citado, dos apaniguados do BE: “ O Estado da ditadura escolhia, protegia e favorecia  E apresentava dois exemplos do paradigma mitificado: a Siderurgia de Champallimaud e o grupo CUF dos Mello, os dois “monopólios” estigmatizados segundo a cartilha marxista destes inteligentes.

Quem analisou este estigma magno e purulento? João MartinsPereira, o único que estes teóricos do BE apresentam como mentor e cuja capacidade intelectual é semelhante à de todos os analistas da cartilha marxista..
João Martins Pereira, este génio incompreendido da primeira bancarrota nacional e  guru desta gente,  cujos ensinamentos fantásticos, colhidos na doutrina marxista-leninista-trotskista,  moldaram  a capacidade de raciocínio destas pessoas de esquerda, sobre a realidade portuguesa, já foi por aqui citado algumas vezes.
Em 1974, após o PCP e a Esquerda com doença infantil ( toda a extrema-esquerda, no entender do PCP por causa do livro de Lenine assim o ter definido) terem percebido que o MFA estava com eles – daí o slogan mistificador e aldrabão que assimila “povo” a comunistas por obra e graça do desenhador comunista João Abel Manta- apareceu logo o tal João Martins Pereira, trânsfuga dos capitalistas da CUF e da Siderurgia, onde trabalhou por conta dos patrões que o tinham acolhido como técnico de engenharia.


Primeiro em entrevistas extensas nas revistas da época, como a Vida Mundial, onde dava o seu parecer sobre o capitalismo nacional. Depois, no IV governo de Vasco Gonçalves e em parceria com João Cravinho, o bluff nacional por excelência, que o escolheu para ajudante no governo. 
Tanto um como o outro conheciam a realidade industrial portuguesa, anterior a 1974 e nem isso os ensinou a terem juízo e a não desgraçarem o país, como o fizeram.  João Cravinho, por várias vezes, a última das quais, também no governo de Guterres, com o desmantelamento atabalhoado da JAE.
Quem aparecia nos media a contrariar esta onda esquerdista? Pode procurar-se com uma candeia de Diógenes…porque é inútil.
Muitos dos que agora peroram estavam calados ou a defender activa e publicamente  estas aberrações, como é o caso de Cravinho, devidamente premiado com sinecuras precisamente no coração dos sistemas que criticava.   E por isso chegamos onde chegamos, sem sequer os ouvirmos a murmurar o mea culpa ou a justificação plausível ou razoável para o estado de loucura que os atingiu.
Fizeram a elipse temporal como se nada tivesse ocorrido. E de vez em quando, como é natural, o pé foge-lhes para essa chinela que ainda guardam no armário.

No livro já citado sobre "Os burgueses"  em meia dúzia de páginas caracteriza-se o mal que vinha do "fascismo" aqui apelidada de "ditadura", para se diferenciarem do PCP na análise marxista do devir histórico. Esse mal é consubstanciado nas empresas, particularmente as maiores e com elevadas potencialidades de criação de riqueza. Hoje, a Autoeuropa é uma empresa alemã, das maiores do mundo e que curiosamente não é alvo do mesmo tipo de crítica marxista destes próceres de um trotskismo serôdio. 



E lá aparece o tal João Martins Pereira citado avulsamente para justificar a tese peregrina: a "ditadura" protegia o capitalismo nacional porque dele dependia...


Em Outubro de 1974, na revista Vida Mundial o mesmo João Martins Pereira dava nas vistas a propósito da análise que fazia do "capitalismo português".


Em Outubro de 1974 não havia já ilusões sobre o que a Esquerda, incluindo o PS, pretendiam do país económico: tomal conta dele, em nome do "povo". Substituir-se aos industriais com vocação para tal e tomarem as rédeas do investimento, da produção económica e industrial, tirando àqueles o que lhes pertencia de pleno direito, nacionalizando-lhes as fábricas e bens, com base numa doutrina e concepção ideológica do Estado e do desenvolvimento económico consubstanciada no comunismo e socialismo.


João Martins Pereira é muito claro na entrevista: "Creio que, com poucas excepções, o 25 de Abril terá sido bem recebido ( ou, pelo menos, com benévola expectativa) pelos interesses capitalistas mais importantes. No dia 26 de Abril os grandes empresários não estariam propriamente em pânico. Mas nas semanas que se seguiram, no mês de Maio, a explosão popular, as lutas que se desencadearam imediatamente, o aparecimento de forças políticas até aí clandestinas que as pessoas não estava habituadas a olhar cara a cara, tudo isso fez de Maio um mês psicologicamente difícil para os detentores do capital".
Ou seja, o PREC começou em Maio de 1974.

Em Novembro de 1974 o bluff João Cravinho, patrono daquele João Martins Pereira escrevia no Expresso o que iria ser o futuro da economia nacional: um roteiro para  a bancarrota dali a dois anos.


Na mesma revista de 5 de Dezembro de 1974 as intenções desta Esquerda global tornaram-se mais claras. O mesmo João Martins Pereira questiona o empório do maior industrial da época, Champallimaud. Assim:


A argumentação deste génio do jornalismo económico de tendência marxista era deste género: "pode estimar-se que a Siderurgia Nacional deve valer hoje algo da ordem dos 5 milhões de contos, património de que são proprietários os senhores que nela investiram 874 mil contos! A taxa de lucro destes 874 mil contos terá sido superior a 15 por cento" (...)

A solução para este "roubo"?  Viria dali a meses, em 11 de Março de 1975 e teve como protagonista João Martins Pereira e outros, muitos outros:  Entre Março e Agosto de 1975 foi secretário de Estado da Indústria e Tecnologia do IV Governo Provisório, presidido por Vasco Gonçalves, no ministério da Indústria e Tecnologia, tutelado por João Cravinho 3 , e foi o autor da nacionalização das grandes empresas industriais: siderurgia, cimentos, estaleiros navais, química pesada, petroquímica e celuloses.

Contas por alto, o Estado, em 1975 controlava a maior parte da economia do país.


 De repente, num espaço muito curto de alguns meses, o sonho da Esquerda comunista e socialista e daquele João Martins Pereira e próceres, em ter a economia colectivizada em modo de produção socialista, realizava-se.

Bastou para tanto que aos políticos de esquerda socialista e comunista que tomaram o poder em 1974-75 se juntassem os militares do MFA e tal aconteceu durante o PREC.

Assim, a  par dos governantes havia ainda o famigerado MFA da esquerda militar que tutelava o país desde o 25 de Abril de 1974. Uma das figuras de proa destes bravos era Melo Antunes, tido como o intelectual deles todos juntos e atados em molho, com o Vasco Lourenço a abanar as patilhas.
Melo Antunes era em 1975 uma carta num baralho com vários naipes. Tinha um trunfo que era o controlo ideológico de uma certa parte do MFA, os "moderados" apoiados activamente pelo O Jornal. Melo Antunes publicou então um documento chamado "dos nove", no qual clamava por soluções já ultrapassadas na dinâmica revolucionária da época.
Marcello Caetano, sobre esse "documento dos nove" foi muito sucinto: o PCP e os doentes infantis engoliram-no de um trago, como um cálix de vodca...



Ainda assim, em 1992, ao Público de 14 de Dezembro continuava a reafirmar a sua fé inabalável na economia estatizada das nacionalizações...



Quem deixou estes cretinos cometerem  este crime de lesa-pátria como poucos outros terão acontecido na História de Portugal?  Ora, ora...a resposta está no vento.

Certo, certo é que a partir dessas nacionalizações em massa, o Estado ficou apetrechado para  prosseguir todas as tarefas utópicas a que se prometeram aqueles génios. Tinha então todos os instrumentos para alcançar o socialismo económico. Só lhe faltava uma coisa.

 Veremos a seguir o que foi.