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sábado, 29 de abril de 2017

O Sol, um polícia e a autoridade do Estado

Na semana passada o Sol colocou em destaque uma notícia sobre o director nacional da PJ, Almeida Rodrigues, um "alto funcionário do Estado", como dizia Cunha Rodrigues há uns anos,  mas no fim de contas um polícia que dirige um órgão de polícia criminal.

Esse polícia era colocado em causa na sua actuação como tal, por um subalterno que tendo sido apanhado em malfeitorias relacionadas com investigação criminal em processo de tráfico de droga, decidiu entregar o referido director nacional por factos que considerava dignos de censura e que teriam ocorrido em 2012.

Contou em 2016, a um juiz de instrução criminal, no âmbito de um interrogatório em que estiveram presentes os magistrados do MºPº, titulares do inquérito respectivo,  que o polícia que então dirigia a PJ, Almeida Rodrigues, solicitara por escrito a legalização de uma cidadã brasileira como contrapartida de informações cedidas por um informador, segundo escreve o jornal. Assim:


Perante a informação de tal modo confirmada pelo arguido em interrogatório, o juiz de instrução terá dito em alta voz , para aquele arguido confirmar ou não, se seria verdade que o dito polícia, director da PJ, assinara um pedido para que uma cidadão brasileira ficasse cidadã nacional por conta de uma troca, uma compensação de outra pessoa ter dado um bom serviço à polícia. Sabe-se agora que sim que assinou e fê-lo "de cruz".

Perante a confirmação do arguido, o juiz de instrução terá dito que  não se revia naqueles métodos.

Após o conhecimento deste pequeno excerto de interrogatório efectuado em 2016, o director nacional da PJ, muito ofendido com o dito do juiz de instrução, principalmente pelo facto de o Sol ter dado destaque de primeira página ao assunto, anunciou que iria fazer queixa do juiz ao órgão de disciplina do mesmo, o CSM. E tal anúncio foi publicado em primeira mão pelo Público, desconhecendo-se a fonte de uma informação que até aí seria apenas uma intenção do queixoso...

Portanto de que se queixa este polícia, que ainda é director nacional da PJ? De um juiz ter comentado algo que lhe pareceu estranho e segundo o depoimento de um arguido, eventualmente ilegal e  até criminoso .e comprometedor para o Estado de Direito

Como isso, deveria perguntar o Sol e o Público, antes de publicarem fosse o que fosse sobre o assunto e não dar largas ao voyeurismo a tudo o que envolve um juiz, no exercício do seu múnus e por isso mesmo enquanto órgão de soberania?

Pois, o que o arguido interrogado contou poderia mesmo ser uma ilegalidade e eventualmente um crime.
Em primeiro lugar é estranho que um polícia, director nacional da PJ tenha sido o requerente de algo num processo de inquérito que é dirigido pelo MºPº. Se alguém devesse requerer fosse o que fosse, eventualmente seria o MºPº e tal lhe deveria ter sido comunicado. Foi? Alguém perguntou ao polícia em causa? Tinha delegação de competência concreta para tal, a PJ?
Em segundo lugar, a revelação de prática de um eventual crime ou mera irregularidade passível de procedimento disciplinar ( um director da PJ não está isento disso...) não deveria suscitar qualquer reserva do magistrado que dirige nesse momento o acto processual, no caso o interrogatório do arguido? Deveria o mesmo ficar calado e reservado, sem tecer comentários que lhe aprouvessem e fossem pertinentes, como eram?

O polícia ofendido, director da PJ pega num pormenor que lhe parece importante: afinal o que o seu subordinado contara ao juiz não era correcto, porque se tratava da legalização de estadia temporária em território nacional e não da concessão de cidadania nacional. E refere que assinou de cruz o ofício que lhe pediram para assinar, numa assunção de competência rara que deveria ter uma consequência, associada às demais: demissão, já!

As demais são estas: um polícia que dirige um opc, entalado por um subalterno no âmbito de um processo, perante afirmações de perplexidade do juiz que interrogou aquele, decide processar o juiz.

Isto não é apenas bizarro. É mais complexo que isso e carece de explicações que certamente o tempo dará...
Nem no tempo de Fernando Negrão o polícia-magistrado que dirigia a PJ quando Cunha Rodrigues era PGR e que foi apanhado a revelar segredo de justiça em directo, estas bizarrias aconteciam. Cunha Rodrigues colocou-o então no devido lugar: "um alto-funcionário do Estado", apenas. E não o que ele julgava ser: um órgão de soberania.
Agora é pior: um polícia entende processar um órgão de soberania, fazendo uma caramunha por um mal que terá praticado.

E ninguém se incomoda.
Será que o komentador Lopes, ao menos,  irá pronunciar-se sobre este assunto que lida com o "Estado de Direito"?

Ah! E já me  esquecia: o MºPº, segundo se lê no Sol não dá razão alguma ao polícia Almeida Rodrigues. O MºPº entendeu não extrair certidão para outro inquérito relativamente à actuação da PJ, no caso concreto, "depois de analisar de forma integrada todos os elementos constantes do inquérito".
Nada mais.  E por isso é abusivo escrever o que o Sol escreve, até se saber que elementos foram esses analisados "de forma integrada".  Pode muito bem ser a ausência de comportamento criminal, derivado do equívoco que o inspector-arguido relatou no interrogatório...


sexta-feira, 28 de abril de 2017

A função pedagógica dos "cachaços"...

De um jornal regional de ontem, uma pequena história acerca de métodos de disciplina no Ensino, pouco tempo antes de 25 de Abril de 1974.
O estabelecimento em causa era uma Escola Comercial e Industrial e o director que relata a história é artista plástico e começou a trabalhar no ensino no Alentejo, sendo colega de Júlio Resende, entre outros.
O episódio terá ocorrido em período de aulas nocturnas, para "estudantes-trabalhadores", como dantes se dizia...e o episódio seria completamente impossível, hoje em dia. Dá para meditar no que se transformou a sociedade e pensar qual seria melhor.


quinta-feira, 27 de abril de 2017

A komentadoria apaniguada do sistema

Estreitamente relacionado com o assunto abaixo tratado temos uma pequena polémica entre jornalistas que estalou no Público e o DN, entre João Miguel Tavares e Marques Lopes.

Após a querela sobre os escritos sumários a propósito de Dias Loureiro, aquele Marques Lopes, sempre condoído em nome dos sagrados princípios do Estado de Direito que proclama na parte que lhe interessa esquecendo os demais, publicou este textículo no DN de Domingo:

 Num artigo publicado na terça-feira no Público, o comentador João Miguel Tavares insinua que eu e três jornalistas escrevemos o que o presidente do conselho de administração da Global Media nos manda. Além disto, JMT acha ainda que defender princípios básicos de um Estado de direito significa apoiar a corrupção e a miséria moral.
Vamos por partes.
O JMT insinua que três jornalistas com longas carreiras seguem as ordens de um administrador, que não são editorialmente independentes nem escrevem artigos de opinião seguindo o seu próprio juízo e pensamento. Ele conhece a gravidade desta miserável insinuação, que atenta contra a dignidade profissional desses três homens. Eles não precisam que eu os defenda; mas há, porém, um detalhe curioso. JMT, noutro artigo, acha que o diretor adjunto do DN fez perguntas macias a Dias Loureiro - acusação injusta e que se esquece de fundamentar. Mas se julga mesmo isso seria interessante saber o que pensa da qualidade das perguntas que os jornalistas da TVI fizeram a Sócrates nas várias entrevistas que este deu ao canal. Estranhamente, nunca se ouviu a JMT um comentário sobre o assunto, nem em crónicas nem naquele programa da TSF em que participa e que por acaso passa na mesma TVI. E como sabemos a atenção com que JMT segue todas as intervenções do ex-primeiro-ministro... ou estava distraído ou não as viu ou então achou-as incrivelmente duras, como ele gosta.
Já eu, insinua JMT, só escrevi o artigo de 9 de abril - sobre o arquivamento do inquérito a Dias Loureiro e no qual pela enésima vez afirmo que algo está muito errado na nossa justiça - por ter recebido uma espécie de ordem de Proença de Carvalho. Poderoso homem que não só me dá ordens para eu defender Dias Loureiro como, claro está, para defender Sócrates, essa árvore das patacas de JMT.
A coisa é tão desonesta e baixinha que até custa a responder, mas, desta vez, JMT preferiu escrever o meu nome em vez das indiretas que de vez em quando me dirige. JMT sabe que o que escrevi nesse dia é o que venho escrevendo e dizendo em jornais, TV e rádio há muitos anos, antes de haver Operação Marquês. Mas não resistiu à insinuação que sabe ser caluniosa. Disse, no fundo, que escrevi a pedido, não porque em consciência ache que eu ande às ordens de quem quer que seja, mas porque não gostando das minhas opiniões sobre assuntos da justiça e outros que tais quis descredibilizá-las atacando a minha dignidade e a minha honra. O que diz muito sobre o carácter de quem faz a insinuação.
Mais tarde, noutro artigo do Público, tendo sido confrontado pelo diretor do DN com o facto de que mais colunistas, noutros órgãos de informação, formularam opiniões parecidas com a minha e com a de dois jornalistas do DN, JMT lança o argumento que lhe serve para tudo: esses também querem é defender o Sócrates. Pobre JMT: obcecado que está por Sócrates, não consegue perceber que há quem não sofra da mesma patologia, e portanto não divida o mundo entre pró-Sócrates e contra-Sócrates; como só consegue raciocinar e argumentar ad hominem, é-lhe, pelos vistos, impossível imaginar que possa haver quem defenda princípios independentemente de a quem estes, conjunturalmente, possam parecer favoráveis.
Para defender esta sua abordagem, JMT argumenta que há para aí uns princípios que só são válidos no reino do abstrato e quem os enuncia - para os defender, bem entendido - está a colaborar para "manter o lastimável currículo português no combate à corrupção" e "é cúmplice do estado moralmente miserável em que nos encontramos".
E que são esses tais princípios contra os quais ele, neste e noutros textos, direta ou indiretamente se insurge? Trata-se, entre outros, da presunção de inocência, da não inversão do ónus da prova, do direito ao bom nome, da necessidade de haver provas suficientes para condenar alguém e de que a função do MP é acusar ou arquivar - não condenar.
Surgem três hipóteses. A primeira: o JMT não sabe que esses princípios são pilares fundamentais de um Estado de direito e de uma democracia liberal. Confesso que tenho alguma dificuldade em imaginar que alguém com tanta notoriedade e com tanto espaço nos media não saiba isto, mas a ignorância nunca deve ser desprezada.
JMT não saberá, mas aqueles princípios que ele depreciativamente chama de abstratos têm de ser, num Estado de direito, mesmo abstratos e gerais: são para todos (e não para as pessoas que JMT decidir) e para todos os casos que se encaixem na norma (e não para os casos que JMT quiser).
A segunda hipótese é a de que conhece os referidos princípios, mas não quer saber deles, rejeita--os. Nesse caso, não é um defensor do Estado de direito e da democracia liberal. Ou acha que é ele ou quem pensa como ele que deve definir a quem estes princípios se devem aplicar. Um estado Tavares com Tavares a definir quem são os culpados e os inocentes - o tavarismo, ou a tirania Tavares
A terceira hipótese é a de que sabe o que é o Estado de direito, gosta da democracia, mas dá-lhe jeito dizer que isto é tudo uma farsa, que isto dos princípios é uma malandrice para os ricos e poderosos se safarem. Porque sabe que isso lhe garante palmas; sabe que de cada vez que ataca as regras básicas do Estado de direito há uma multidão de injustiçados pela vida, legitimamente revoltados com a corrupção e desmandos, que, por desespero e ignorância, o aplaudem. JMT sabe que se desprezassem os tais princípios abstratos essas mesmas pessoas teriam uma vida pior, ficariam expostas a um qualquer déspota, veriam os seus direitos despedaçados. Mas quer JMT lá saber disso; o seu discurso dá-lhe palco e luzes, faz dele uma pessoa popular. Vive desse reles foguetório.
Preferia acreditar que JMT defende o que defende por ignorância ou por não acreditar no Estado de direito, mas não me parece que seja, infelizmente, o caso.
Espero que viva bem com a sua consciência e que o mundo que ele afirma desejar nunca chegue.

Hoje no Público, JMT responde  assim, ao komentador Lopes que acumula várias ( cerca de dez) avenças mediáticas, todas estipendiadas a preceito, como será natural:



O que fascina no komentador Lopes é a facilidade de arremesso de propalados princípios e regras básicas do Estado de direito que aliás não enuncia, para além da obviamente bovina obsessão em os proclamar, para se sentir superior e indefectível na argumentação. 

A melhor resposta a estes tartufos é dada por Eduardo Dâmaso na Sábado de hoje, comparando o que se passa aqui com o que se passou em Itália, nos ano noventa. Também nessa altura, por lá, havia Lopes em barda...


Há fogo na Casa Grande e já há barbas de molho

No passado Sábado o Sol publicou uma notícia algo preocupante sobre a casa grande da PJ, em Lisboa.
Um inspector-chefe, já reformado, foi apanhado num esquema de corrupção e em Junho do ano passado terá decidido contar algumas coisas que se passavam na sede da PJ, incluindo o director nacional, Almeida Rodrigues, nas denúncias de malfeitorias.

O assunto fez parte de peças processuais remetidas ao tribunal da Relação de Lisboa, em  no âmbito de recursos e o Sol teve acesso ao conteúdo que publicou, nessa parte, adivinhando-se que existem outras partes que ainda se não conhecem.


Almeida Rodrigues está obviamente com as barbas de molho e decidiu proceder assim, segundo o Público de hoje. O ataque de Almeida Rodrigues é a um órgão de soberania, no caso o titular do TCIC, Carlos Alexandre, nessa qualidade e nessa função.
Não é inédito e ultimamente tem acontecido mais vezes, mormente no processo do Marquês. Tal como neste caso, os interessados contam com o CSM para lhes aparar as dores, procurando lenitivo  para as aflições de momento. Almeida  Rodrigues já deveria ter sido demitido da PJ, mas enfim, isto que noutro tempo seria de rigor, hoje é apenas de conveniência. A ministra vai esperar que o fogo alastre e depois logo se verá se os bombeiros de serviço acorrem...enquanto se queima em fogo lento um dos responsáveis pelo bom funcionamento da Justiça  no nosso país, obviamente o juiz do TCIC.

A notícia do Público é , a esta luz, extraordinária: o director da PJ vai fazer queixa do juiz. Ainda não fez e o Público ( Ana Henriques)  já sabe da intenção do queixoso. Adivinhe-se quem lha comunicou...em tempo tão oportuno. 


Esta matéria não anda desgarrada das notícias que visaram ultimamente um dos titulares do TCIC ( só um; o outro, nunca é notícia...) e que foram publicadas no penúltimo número da Sábado em escrito manhoso de António José Vilela que conta os pormenores da investigação do caso Fizz que envolveu o procurador Orlando Figueira ( "A PJ vigiou a casa do juiz Carlos Alexandre", escreve-se aí em enquadramento a uma redacção dúbia dos factos).
Portanto, temos outra vez o cenário do costume: de um lado, o juiz do TCIC, Carlos Alexandre, sozinho, completamente,  e do outro uma bateria de interessados em queimá-lo, de preferência na praça pública e através do meio mais expedito: processos disciplinares no CSM, cujos membros, em boa parte desejam precisamente o mesmo, conforme votações recentes em casos similares ( caso da entrevista à SIC).

Não me parece que haja nisto qualquer teoria de conspiração rebuscada porque os factos apontam para essa eventualidade. E se assim for, a única defeza do juiz, mais uma vez será apenas a da legalidade estrita e a de não pisar terreno minado, contando para isso que continue a haver "juízes em Berlim", como até aqui tem acontecido, mas não é seguro que continue sempre a haver. Parece-me ser essa a única defesa do visado e é triste que assim seja.
Não há ninguém na magistratura que se preocupe com isto e deixa-se correr o marfim porque toda a gente tem medo. Não sei bem de quê, mas têm medo, parece-me.

Honra seja feita ao visado mais uma vez. Não conheço muita gente com a coragem que denota e a determinação que o anima. 

quarta-feira, 26 de abril de 2017

O advogado Júdice anda frenético...

 Observador/i:

 José Miguel Júdice, advogado e agora komentador residente na TVI de Sérgio Figueiredo a mandar nesse sector, disse há dias ao jornal i umas coisas sobre António Costa, Passos Coelho e Marcelo, presidente da República:


"José Miguel Júdice não poupa elogios e críticas aos vários elementos da política portuguesa, tanto da esquerda como da direita. Numa entrevista ao jornal i, o antigo dirigente do PSD afirma que António Costa é “mais adequado” para o momento político atual do que Pedro Passos Coelho, considerando que o antigo primeiro-ministro já “está morto politicamente”.
Passos Coelho está morto politicamente, só que ainda ninguém lhe disse. (…) Não estou a dizer que ele não possa ressuscitar, mas acho que está politicamente morto”, diz o advogado.
Júdice defende que Costa e Marcelo Rebelo de Sousa são “os mais dotados das suas gerações”. Ainda assim, não deixa de apontar o dedo ao Presidente da República, sublinhando que alguns dos seus erros têm sido “a verborreia” — “quem fala sobre tudo não fala de nada” — e o seu excessivo entusiasmo com António Costa. “António Costa fez com Marcelo Rebelo de Sousa um bloco central. Compensou a sua fragilidade e a sua dependência dos partidos de extrema-esquerda”

Para se entender melhor este advogado, nada melhor que publicar uma página do Expresso da semana passada que escrevia assim:


 Quem não os conhecer que os compre... e suspeito que este Júdice anda a fazer pela vidinha, como sempre, aliás.

O comunismo racista e eugénico

Quem abrir a Wikipedia no termo "eugenia" pode ler o que é e logo a seguir a referência ao nazismo, onde se diz que veio a ser parte da ideologia da pureza racial que culminou no Holocausto.
Como exemplos de países onde se praticou de algum modo tal efeito para tornar as pessoas "melhores e mais puras" aparecem alguns países, mas não a antiga URSS.

Para colmatar tal lapso, certamente devido a ignorância atávica, apareceu agora um livro muito instrutivo, com 530 páginas  e da autoria de Simon Ings que pelo nome pode ser próximo da raça perseguida por aqueles durante o nazismo.


Simon Ings, porém, relata o que sucedeu logo a seguir à Revolução de Outubro e durou todo o tempo de Estaline, até 1953: a procura do Homem Novo através da eugenia.

A diferença com o nazismo? Os soviéticos queriam ampliar a raça humana existente, melhorá-la, cientes que havia raças inferiores e superiores e não apenas exterminar uma parte, a má, toda encostada aos judeus, ciganos e outros marginais, como pretendiam os nazis...

O resultado, porém, poderia ir dar ao mesmo, a partir do momento em que se admite a superioridade de genes em relação a outros,  atribuídos a determinadas classes de indivíduos.


terça-feira, 25 de abril de 2017

Uma pequena banda sonora do dia 25 de Abril de 1974

No dia 25 de Abril de 1974 em Portugal ouvia-se a música popular que em qualquer país europeu se poderia ouvir e ainda um pouco mais porque a música brasileira por cá tinha maior curso no rádio que noutros lados.

Assim, nesse dia, no então Rádio Clube Português ou na Rádio Renascença, durante a tarde e se não tivesse poderia ouvir-se esta selecção de músicas, publicadas nesse ano até ao momento:

A primeira música é  um single de Janeiro de um grupo inglês do chamado Glam Rock e que atingiu o primeiro lugar de vendas em vários países da Europa: Mud, com Tiger Feet.




Passando imediatamente ao tema musical do momento do Festival da Eurovisão de 1974, no passado dia 6 de Abril, Abba e Waterloo:



Uma música também lançada em single no passado mês de Janeiro e que atingiu os primeiros lugares de vendas na Europa: os Hollies, com The Air that i breathe.



 De um album de Elton John de 1973, Goodbye Yellow Brick Road, uma canção agora editada em single, Candle in the wind:



Vinda do ano passado, esta canção brasileira do grupo Secos & Molhados, Sangue latino:



Para terminar uma canção portuguesa do último festival da Canção, do passado dia 7 de Março. José Cid e O dia em que o rei fez anos, superior à de Paulo Carvalho que ganhou o festival:



Como curiosidade, nenhuma destas canções, com excepção da dos Secos & Molhados, tinha a minha preferência na época. Era música que ouvia sem interesse especial porque passava no rádio, à hora do almoço, por exemplo, em programas do RR ou do RCP.

O que me interessava então ouvir eram antes estes artistas e estas músicas, em curso de divulgação durante esses primeiros meses de 1974:

King Crimson, no álbum Starless and Bible Black.
Camel e o disco Mirage.
Frank Zappa/Mothers of Invention e o lp Overnite Sensation de finais do ano anterior
Gentle Giant com In a Glass House
Renaissance e o lp Ashes are Burning
Genesis e o disco Selling England by the pound, lançado em finais de 1973
Brian Eno e o lp Here comes the warm Jets
E.L.P. Brain, Salad, Surgery
Yes Tales from topographic oceans, publicado em Dezembro de 1973.
Wings e o disco Band on the run, lançado em Dezembro de 1973.

Era possível ouvir estes discos e músicas no rádio de então? Algumas músicas, sim: no programa Página Um, da Rádio Renascença, das 19:30 às 21:00, de Segunda a Sexta-Feira. No RCP, talvez no programa Perspectiva, a partir das duas da manhã.
O resto, nicles. Quem tinha dinheiro comprava os discos. Quem não tinha ouvia-os através das crónicas que apareciam nas revistas estrangeiras ( Rock&Folk ou Rolling Stone) e esperava que meses depois ( ou anos) se publicassem por cá.
Ainda hoje é esta música popular a que me interessa ouvir e procuro ter os lp´s originais, preferencialmente em primeira prensagem da época. E, aliás, já os tenho, com excepção do Renaissance e o dos contos dos oceanos topográficos. Qualquer um deles é disco de ilha deserta.


Um povo à procura da memória perdida

O Público de hoje tem várias páginas dedicadas ao tema do "25 de Abril". Duas delas referem-se à " memória do Estado Novo", escrevendo o autor ( Nuno Ribeiro) que não sabemos o que fazer com ela...




Há desde logo no artigo um problema epistemológico, de saber o que é o Estado Novo. No artigo, aliás como em muitos outros, o Estado Novo confunde-se com o período que vai do tempo de Salazar até ao dia 25 de Abril de 1974. Ora, o Estado Novo não foi todo esse período e se o quiserem abarcar deverão citar o tempo de Marcello Caetano que vai de finais de 1968 até 1974. Muito tempo e que foi determinante para se entender um regime.
Porém, de Marcello Caetano pouco se fala quando se fala em fassismo ( felizmente o artigo não usa a palavra maldita que o PCP afeiçoa sobremaneira) e a prova é que num Estudo do ICS onde se referem "níveis de notoriedade" Marcello Caetano aparece com 20 a 30%, muito abaixo do "primeiro patamar" que engloba Salazar, Mário Soares e Álvaro Cunhal.

Marcello Caetano foi muito mais importante para o nosso país do que Mário Soares. Digo eu e está dito, embora tal seja irrelevante porque nada represento senão uma mera opinião. Mas foi menos importante que Álvaro Cunhal que revolucionou, com o PCP, o modo de pensar da generalidade da opinião pública e publicada, alterando o léxico político e até social. Isso foi uma verdadeira revolução cultural que ainda se sentem os efeitos difusos mas permanentes.

A questão da "Memória do Estado Novo" tem evidentemente a ver com tal fenómeno. Foi possível nos últimos 40 anos falsificar a História e contá-la do ponto de vista de uma minoria de alguns, poucos milhares de militantes comunistas que existiam antes de 25 de Abril de 1974. Foi a linguagem que eles utilizavam nas suas publicações clandestinas como o Avante e o Militante que foi depois adoptada no léxico jornalístico, primeiro, e depois até em publicações universitárias e na própria Constituição de 1976.

Um punhado de uns, poucos, milhares de pessoas conseguiram impor a milhões de portugueses  uma linguagem que não era a sua. Notável, sob qualquer ponto de vista! E tal se deve a Cunhal e ao PCP, incluindo também as franjas comunistas de extrema-esquerda e o partido socialista que foi atrás, como sempre e bom compagnon de route. A linguagem do PS dos primeiros tempos ( só se constituiu como partido em 1973) era marxista, idêntica por isso à do PCP, com nuances.

Por isso mesmo a primeira tarefa seja de quem for que se preocupe com a Verdade histórica é a reposição da linguagem original que tínhamos à data de 25 de Abril de 1974, agora com a recomposição democrática da linguagem comunista que existia então clandestinamente. Mas nunca para se inverterem os termos e passarmos a adoptar, como aconteceu, a linguagem bastarda que existia apenas clandestinamente.

Tal é muito simples de fazer e basta que os jornalistas o façam, com a consciência de o fazerem por tal motivo, como aconteceu a partir de 25 de Abril de 1974. Portanto, trata-se de desfazer o que foi feito, de repôr o que existia e de reverter a perversidade cometida ao povo português, pelos comunistas e socialistas. O povo português nunca foi apenas constituído por esquerdistas do comunismo e socialismo e por isso mesmo é preciso repôr, democraticamente a representação real e sociológica que sempre existiu.
O contrário é continuar a falsificar a História como se faz na Constituição de 1976 que nenhuma revisão posterior alterou nesse sentido.

Por exemplo, uma das primeiras tarefas práticas para se repôr a Verdade histórica, para além da oficializada pelos representantes marxistas Fernando Rosas, Flunser Pimentel, Pacheco Pereira e tutti quanti será a de publicar o que está esquecido e censurado na prática:

A Constituição de 1933 que não se encontra em lado nenhum desde há 40 anos a esta parte.
Os discursos de Salazar que não se encontram em lado nenhum, com excepção de uma editora obscura de Coimbra que os vende em livro semi-clandestino, pela internet e desde há muito pouco tempo.
A possibilidade de o discurso mediático se alargar a outras pessoas que não  entendam o tempo de Salazar e Caetano como sendo o do "fascismo", o que está muito longe de acontecer, porque mesmo aqueles que não são esquerdistas-comunistas adoptaram os conceitos destes e falam a sua língua de trapo. O Estado Novo é por isso um tempo de obscurantismo, de repressão e até, como há poucos dias se escrevia de modo nojento no Público ( Ana Cristina Pereira, como sempre...) um Estado em que os malditos ( mendigos, vadios e cadastrados) eram perseguidos, como autênticos leprosos...

Para mostrar o que deve ser feito fica aqui uma pequena parte de uma obra que deveria ser reeditada e discutida nas Faculdades de Direito ( aposto que o professor Marcelo, agora presidente da República desta democracia nunca a citou ou recomendou, aos seus alunos de Direito Constitucional ou Ciência Política...).

Os comentários de Marcello Caetano ao carácter marxista da Constituição de 1976 são claros, nas páginas que seguem:



No jornal i de hoje mostra-se um pequeno contributo para a tarefa que é premente. O jornal consagra várias páginas ao assunto do tempo que passou desde o 25 de Abril de 1974 (o Diário de Notícias, em comemoração da efeméride publica, tão só e apenas, um cartoon de Carrilho):



O Estado Novo não foi como o pintam os antifassistas e Portugal não tem que se envergonhar de tal período. Tem é de o estudar sob outra perspectiva diversa da que tem sido a oficial, a dos últimos 40 anos.

Os comunistas e esquerdistas em geral não têm o monopólio da cultura em Portugal, ou pelo menos não deveriam ter, por uma razão: estão habituados a falsificar a História, desde os tempos de Lenine, apagando as figuras caídas em desgraça das fotos oficiais.

Aliás, a desinformação, a mentira sistemática derivada da falsificação histórica, dá casos como este de absoluta ignorância mas com estatuto de escrita num sítio de internet. A autora parece jovem mas já tem mais de cem anos na mentalidade distorcida pela propaganda...

domingo, 23 de abril de 2017

O "fascismo" que pegou de estaca em Portugal

A palavra "fascismo" era virtualmente inexistente no léxico português corrente antes de 25 de Abril de 1974. Não era utilizada nos media e a população em geral não usava tal palavra.
A excepção era o PCP e seus compagnons de route, incluindo um PS ainda marxista que nunca abandonou tal linguagem. Nos escritos clandestinos circulados por alguns, muito poucos, milhares de destinatários, usavam tal palavra e outras, como "reaccionário", "imperialista", "guerra colonial", etc.

Porém, tal expressão, como as demais, pegaram  de estaca e nos dias que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 os jornais estava inundados com tais palavras novas para a população em geral.

Em 29 de Abril de 1974, escassos quatro dias após o golpe,  o jornal Diário de Lisboa que uma semana antes nem sequer conhecia tal palavra escrita publicava-a em repetidas notícias e alusões.
Na primeira página aparecia duas vezes, para a "normalização da vida portuguesa". 

Na 2ª, 3ª 5ª, 9ª e 11ª era repetida.



O crítico de tv, Mário Castrim, comunista encartado e que escrevia geralmente nas entrelinhas dava largas ao contentamento de poder escrever claramente em linguagem comunista, convocando comunistas para o convívio da "normalização da vida política".  Um happening!

 

O PCP tinha honras de página em comunicado:


A Juventude Comunista, da UEC,  idem:


Evidentemente que o assunto da guerra no Ultramar era questão prioritária e a voz era dada aos que uma semana antes eram apenas "terroristas"...



Os demais jornais não ficavam atrás na adopção dessa novilíngua que perdura até hoje. A Capital de 21 de Junho de 1974:



E o Expresso, na edição de 9 de Novembro de 1974 já tinha devidamente assimilado tal novilíngua comunista como se fosse a genuína, de sempre, do falar português.

Na segunda página lá estavam duas referências ao "fascismo"...


Na página de opinião já aparecia um certo Vicente Jorge Silva, depois primeiro director do Público, também a usar o jargão da novilíngua para designar como "fascista" o regime deposto...



Perante isto quem se atrevia a remar contra a maré e contestar a validade da designação ou a corrupção linguística corrente?

Ninguém...até hoje. Ninguém se interessa com isto porque acham que não tem importância alguma...tal como desvalorizam qualquer tentativa de contar a História do Estado Novo de modo diferente da que os antifassistas a contam.

sábado, 22 de abril de 2017

As eleições resolvem-se na essência desta análise

No Sol de hoje, o conselheiro editorial escreve assim:






Esta análise opinativa de um jornalista apanha o essencial da política portuguesa dos últimos anos. Se a maioria dos portugueses que vota compreendesse isto que aqui fica escrito, a demagogia não teria campo aberto e colheita farta.

Assim, o disco vira e toca o mesmo: a música dos pobrezinhos e dos trabalhadores. Os patrões e a austeridade e os cortes são os maus da fita e quem os defende perde sempre.

JMT no Público de hoje: uma pergunta corajosa mas insuficiente...



Crónica de JMT no Público de hoje, de facto corajosa qb e a merecer encómios, neste caso. Porém, a pergunta final é tímida: " que negócio, afinal, foi este?". A pergunta deveria ser outra que coloco no fim do postal.
Compreende-se e suspeita-se que JMT tem desde agora a cabeça a prémio. Está no Público e ganha dinheiro com isso? Também está no programa de palhaçada da TVI, com o palhacito sonso que é Ricardo Araújo Pereira que nunca se mete nestas alhadas. E quem manda na TVI é um grupo que aceitou ter um Sérgio Figueiredo a dirigir a informação.
Portanto JMT está quilhado! E vai ver se não está...é só esperar umas semanitas ou mesitos para não dar nas vistas.

Há meses, quando se soube da falência técnica da Global Media, apareceu de repente um grupo misterioso a ajudar, vindo dos lados do Oriente. Um fundo, ho!
Então, escrevi e ilustrei com foto em retrato de família política, um Camões, um Proença e um Presidente que pedia, sem se rir que os jornalistas do retrato fossem "implacáveis no escrutínio de todos". O agora presidente quando foi jornalista do Expresso e Semanário foi o exemplo dessa implacabilidade...na intriga. Quanto ao resto, moita carrasco que os Salgados tinham herdade na Comporta e férias noutros lados. Mas com a ajuda deste novo amigos dos pobrezinhos estou certo que disponibilizarão meios ocultos para resolver os problemas dos sem-abrigo, coisa que agora muito o preocupa, a este presidente de afectos e coisas que tal.
Para  chefiar os bravos jornalistas do DN nessa tarefa apareceu um Paulo Baldaia que considera o komentador JMT um jornalista justiceiro e fica tudo dito sobre tal personagem de redacção para ficção ver ou vice-versa:



DN:

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, esteve hoje na inauguração das novas instalações da Global Media, em Lisboa, e pediu aos jornalistas do grupo para serem "implacáveis no escrutínio de todos", a bem de Portugal. 


Os bravos jornalistas do DN, aqui a ouvir o presidente, mais o senhor Camões que está no Norte a velar pelas Notícias globais e aqui todo sorridente e ainda o magnífico presidente da coisa, o advogado Proença de Carvalho, encolhido como de costume, podem já começar o trabalho a "bem de Portugal": esclarecer quem são os verdadeiros titulares do fundo que os comprou...

A pergunta certa que JMT não fez, é esta: quem são os detentores do fundo que comprou parte importante das acções da GlobalMedia? E outra: o que tem Proença de Carvalho a ver com tais pessoas?

Paulo Baldaia pode começar a escrutinar...porque a resposta a tais perguntas dar-nos-á a medida da saúde da nossa democracia actual e passada.

É importante? Da maior importância, de facto e por isso ninguém vai dar importância alguma, nos media.