quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Mito Lewinsky

 Observador:

Vinte anos depois do “escândalo Lewinsky” e do impeachment a Bill Clinton, Monica Lewinsky está de volta. E regressou para se associar ao movimento #MeToo, criado pelas mulheres vítimas de assédio e abuso sexual. “Já não estou sozinha”, afirma, agora com 44 anos.
Num artigo publicado na Vanity Fair, a antiga funcionária da Casa Branca que manteve um relacionamento com o então Presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, relata um acontecimento recente. Lewinsky conta que encontrou Kevin Starr, o procurador que investigou a fundo o caso que tirou Bill Clinton da Casa Branca, na última véspera de Natal. Ao que parece, os dois nunca se tinham encontrado pessoalmente e Lewinsky aproveita a história para explicar que, noutra altura, teria virado costas e evitado o encontro com o homem que “dissecou a vida de uma jovem e desconhecida mulher”. Mas desta vez, quase 20 anos depois, enfrentou Kevin Starr e disse-lhe que teria gostado de que ele “tivesse feito escolhas diferentes”.
A antiga funcionária da Casa Branca revela no artigo que foi diagnosticada com stress pós-traumático e continua, até hoje, a ser acompanhada por “terapeutas médicos e espirituais”. Aborda levemente a questão do consentimento de uma relação sexual mas garante que o grave da sua relação com Bill Clinton é “ter chegado a um ponto em que existia consentimento das duas partes”.
 

Esta senhora que agora assim fala já falou de outro modo. Em 1990 até publicou um livro e deu uma entrevista que a revista Visão de 11.3.1990 publicou.



Depois disto tudo a mesma Lewinsky vem agora vitimizar-se outra vez e aproveitar a onda do #metoo.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Corrupção Geral, S.A.

O partido mais influente em Portugal não tem registo constitucional porque é criminoso, ilegal e afinal uma sociedade anónima:  Corrupção Geral, SA. Apesar de proibido é o mais popular e com maior número de militantes: todos os que dele precisam.

Uma sondagem entre esses militantes desconhecidos mostra a realidade portuguesa:

 Eurobarómetro da Comissão Europeia revela que empresários portugueses consideram que a corrupção está generalizada no país e os contratos públicos são feitos à medida de algumas empresas.
Só quem tem ligações políticas consegue ter sucesso nos negócios. Esta é a convicção de 70% dos empresários portugueses, segundo um relatório da União Europeia sobre “As atitudes das empresas perante a corrupção” e que coloca Portugal na liderança europeia a este nível. O estudo do final de 2017, citado pela TSF, revela que a corrupção é outro dos problemas que preocupa os empresários nacionais.
Segundo o Eurobarómetro da Comissão Europeia, 58% das empresas nacionais apontam a corrupção como um problema na condução dos negócios, o que representa um aumento de nove pontos percentuais face ao estudo realizado há dois anos. Mais expressivo são os 86% de empresários que consideram que o fenómeno da corrupção está generalizado no país e que acaba por travar o desempenho da economia e das empresas mais do que as dificuldades de aceso ao crédito, as limitações das leis laborais, a falta de infraestruturas ou a burocracia, cita a rádio.

Como é que se formou este partido da Sombra em modo de sociedade anónima? Do modo mais informal e sem registos conhecidos. Agregaram-se-lhe os militantes da causa que não é ideológica mas apenas interesseira: encher os bolsos de dinheiro alheio, preferencialmente público.  Muito dinheiro que veio do exterior,  da União Europeia e dos impostos recolhidos ao povo em geral e empresas em particular. Ao longo dos anos são milhões e milhões que entram no circuito dos negócios e alimentam essas castas.

Qual a sede? Diversificada, com delegações por todos os centros partidários de relevo.
Quem são os seus dirigentes mais notórios? Os que decidem ao longo dos anos, em particular os que têm poder de escolha sobre opções político-administrativas, a nível central, regional e local.

Qual o método mais usual de propaganda? Concursos públicos, ajustes directos e concessões. Actividade legislativa avulsa, concentrada em alguns escritórios de advocacia de negócios, cujos mentores nem sabem bem o que é isso de corrupção.

Como  ganham poder? Alargando a base de apoio, agora estendida às pequenas autarquias através dos "ajustes directos" para conhecidos, amigos e coniventes.

Qual a oposição a esse partido de poder? Quase nenhuma, limitada a umas tantas vozes isoladas e por vezes desacreditadas como alarmistas e irrealistas. Afinal "Portugal não é um país de corruptos" apesar daqueles que conhecem o tal partido afirmarem que sim e é geral...
Quem tem o dever de lhe fazer oposição, não a faz como deve. Nunca se viu uma busca judiciária a um partido político nos sítios onde verdadeiramente decidem e reúnem: na casa dos seus dirigentes. No dia em que tal acontecer, cai o Carmo, a Trindade e a Torre dos Clérigos, nos media nacionais. 

No passado dia 24 de Fevereiro uma "professora" não sei de quê, porque a entrevistadora não diz, disse isto ao Público:


domingo, 25 de fevereiro de 2018

O jornalismo hipócrita, sempre, sempre a par do que vende

O director geral editorial do Correio da Manhã, Octávio Ribeiro é um jornalista  polémico que agora está na berlinda e é atacado por um grupo de cágados que pretendem domesticar o jornalismo caseiro, colocando-o sempre ao serviço dos seus interesses.

Octávio Ribeiro explica hoje em pequeno editorial a sua concepção de jornalismo: sempre, sempre ao lado do povo e contra o poder. Huummm...desconfio destas proclamações porque são sempre hipócritas.
O jornalismo que Octávio Ribeiro pratica é mais simples de entender: sempre, sempre ao lado daquilo que pode dar lucro e portanto vende exemplares. Normalmente é ao lado do povo, ou seja do contra-poder e junta-se assim o útil ao agradável. Mas nem sempre é assim e algumas veze não é nada assim.
Esta acefalia ideológica e mera obsessão pelo lucro conduz a uma certa desumanização e desleixo informativo, próximo do fenómeno feiquenius porque não deixa de respeitar o politicamento correcto e ao mesmo tempo reduz a sociedade a fenómenos isolados e a fait-divers, sem contexto explicativo quando noticiado por quem o não conhece e são muitas essas ocasiões.

As notícias sobre justiça, para me cingir este assunto, resumindo factos e relatando acontecimentos deveriam sempre reflectir um contexto e enquadramento que as torne compreensíveis para todos mormente pelos destinatários, ou seja o tal povo, ou cidadãos ou os que "sofrem a História", eufemismo que o editorialista prefere.  Tal só é possível se o jornalista o entender e para isso é preciso saber e não apenas relatar o que lhe parece, como acontece na maior parte dos casos. E este "parece" pode não ser a realidade que deveria ser apresentada, daí o aparecimento da fakenews, inevitavelmente.
Portanto, não se trata de algo contra a alegoria da caverna, o jornalismo do CM,  mas exactamente isso que fica em marcha muitas vezes e é dado à estampa: a notícia falsa, parcialmente falsa ou completamente distorcida da realidade. Uma sombra da verdade, por isso mesmo.
E em nome de quê? De quem sofre a História? Não. Em nome das vendas, apenas e tão só. Fraco desígnio.


Na revista do CM aparece outro articulista a escrever sobre a excelência do jornalismo de investigação e lá vem o sempiterno caso do Watergate. Parece que em Portugal não temos exemplos, mas temos: António Balbino Caldeira e alguns amigos descobriram sozinhos que José Sócrates tinha concluído uma licenciatura a um Domingo, tornando-a suspeita ipso facto. Quem pegou na altura no assunto?
Octávio Ribeiro não. E já era jornalista há muitos anos. Foi José António Cerejo que lá conseguiu convencer o então director do Público, José Manuel Fernandes da importância do assunto, dois anos depois de se saber.  Se fosse hoje, com o Dinis, Dinis alguém assim quis, era notícia capada à nascença. Seria o CM a publicar o assunto? Duvido...



Portanto, deixem lá o caso Watergate, aprendido nas actuais madrassas do jornalismo e dêem atenção ao que é nacional e é bom. Melhor ainda: pratiquem. Lá no sítio do mesmo autor, Do Portugal Profundo há meses largos que tem outra notícia do género e a quem ninguém do jornalismo nacional pegou até hoje: o apartamento de António Costa na Avenida da Liberdade e o que se lhe seguiu.

Porque é que o jornalismo nacional não pega neste assunto? Precisamente pelo mesmo motivo por que não pegou no outro: em quem está a mandar não interessa para já incomodar. Pode prejudicar-nos e é uma chatice...

Portanto, jornalismo deste, sempre sempre ao lado de quem sofre a História, não é?

Deixem-se de hipocrisias e tenham pudor!

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Sai mais um doutor contra o fassismo

As duas revistas de História que temos- Visão História e História Jornal de Notícias- publicaram os seus números de Fevereiro.

A do JN traz uma entrevista a Jaime Nogueira Pinto que reafirma a inexistência de uma direita ideologicamente assumida em Portugal e recenseia  pelas teclas do seu director, Pedro Olavo Simões, um livrito de um "investigador" da Universidade do Minho, Vítor de Sousa. O livrito será uma dissertação de doutoramento e pretende provar que o termo "Portugalidade" só surgiu em Portugal depois dos anos 50 do séc. XX e que o mesmo atrapalha a "Lusofonia".  Lendo o recenseador  parece que o termo "Portugalidade" é algo que espanta muito o autor, motivando-o à "investigação" contra o fassismo, por ter aparecido apenas nessa época e nunca antes navegado...


Lendo a Visão História parece que a resposta a tal descoberta do "investigador" da U.Minho é fácil de entender e será motivo de alguma perplexidade entender como é que este livrito foi premiado como a melhor tese em Ciências Sociais na América Latina e em Portugal, em 2016. Será que o professor Boaventura esteve no júri?


Há uns meses surgiu um livro- Contra o Vento, de Valentim Alexandre- que também explicava claramente o fenómeno: só  nos anos 50 é que apareceu oposição a sério, internacional, à nossa posição no mundo, com as nossas possessões no Ultramar. E só nos anos 50 se mudou a designação de "colónias" no léxico corrente para designar o que então se passou a considerar como "províncias ultramarinas" integrantes de Portugal inteiro, uno e indivisível. Portanto, onde a novidade do livrito? Na mistificação?


sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

O Ministério Público vai perder a autonomia? Tudo indica que sim...

E este comentador já o percebeu. Negócios deste fim de semana ( que traz um encarte com algumas sociedades de advogados do país. Lacerda Machado, o amigo de A. Costa, "consultor" do BAS, sociedade de kirkby e trigos pereira, não aparece citado. Ninguém fala do que anda a fazer, por onde anda a consultar, etc etc. É assim que eles querem...e é assim que as coisas acontecem)

O Ministério Público vai sofrer uma forte investida da dupla Costa&Rio, lda. E não demora muito. Quando começar a doer, em certos processos, o pessoal da magistratura designado para lidar com eles, vai ser escolhido a dedo. Por quem? Por quem mandar na altura.

O Estatuto do MºPº que está em vias de ser aprovado, já o prevê, através das substituições pessoais de magistrados em certos processos e apesar de o Sindicato estrebuchar intra muros, pouco lhe vai adiantar porque ainda não repararam que é a autonomia do MºPº que está em causa ( ou repararam mas ainda não o disseram bem alto). Sempre esteve, aliás. No tempo de Pinto Monteiro, resolveu-se o problema à bruta e à tesourada. Agora é mais subtil: mudam-se os personagens dos lugares-chave, atiram-se uns rebuçados e umas promoções a preceito e está feito. O resto "está na lei".

Vai uma aposta? Camilo Lourenço já o percebeu. O SMMP parece que ainda não. Mas ainda vai a tempo. Vai uma greve? Esta vale a pena. A única que vale a pena, aliás.


Hoje, Sábado, no Sol aparece a confirmação de toda esta trama:


Por via do habitual sistema de contactos já temos notícia sobre os putativos substitutos da actual PGR: os dignos representantes do PS nas instituições que contam na Justiça.
Deus  nos livre de estes nomes serem escolhidos!

Os magistrados em geral têm amigos. Naturalmente, os mais chegados são os de infância ou os que a vida proporcionou nas afinidades electivas.

Um magistrado que além de amigos tenha agenda de contactos com o "sistema" deixou de ser magistrado e passou a ser um potencial  pau mandado, o contrário portanto do que se exige à função que ocupa. Abastardou a função, ipso facto. Se for pau mandado de um partido ou facção político-partidária torna-se o anti-magistrado em potência.

O que passa com certo tipo de magistrados ambiciosos de poder, seja ele qual for, é simples de entender: alguns aliam qualidades intelectuais a desvalores caracteriais: hipocrisia, jesuitismo, oportunismo e por aí fora uma vez que o conjunto se completa.

Um magistrado sem agenda de contactos notabiliza-se pelo que faz na sua praxis forense. Alguns, muito poucos,  são notados por isso e alcançam lugares de relevo por mérito justo. A maioria, porém, alcandora-se aos lugares por via do sistema de contactos.Basta observar nomeações e perceber o percurso pessoal de quem é nomeado e para onde.

Numa magistratura cuja característica essencial é a autonomia relativamente a outros poderes, os exemplos de magistrados com sistema de contactos agendados é o pior que pode haver. Escolher tais magistrados para cargos de chefia mostra bem a face do poder que escolhe: oligárquico.

Os dois exemplos apontados no escrito são o exemplo do que não se deve escolher para dirigir estruturas de formação de magistrados e principalmente de chefia máxima de uma magistratura. Não pelos aspectos caracteriais que desconheço ao pormenor, e que garantem eventualmente serem as melhores pessoas do mundo, mas apenas pelo sistema de contactos que turva a transparência democrática.

A essência de um magistrado prima por uma característica, entre outras: ausência de permeabilidade a tráfico de influências. Íntima, estrutural. Como é possível assegurar tais características em alguém que é escolhido por afinidades políticas, eventualmente partidárias?

Alguém tem dúvidas que isto é um perigo democrático que deve ser evitado?

A polícia da política correcta

A CIG, uma organização espúria numa sociedade livre, e portanto um reflexo de sistema totalitário, terá "processado" André Ventura pelo simples facto de este, no Facebook se indignar por a RTP ter omitido a designação da etnia cigana de algumas pessoas que terão provocado desacatos no Hospital de Beja, aqui atrasado.

É o que diz o CM de hoje na última página:



Acima desse fait-divers está outro que escapou no scanner. Outro escândalo, aliás. Um "economista" PS, de esquerda, claro que encheu os bolsos num cargo irrelevante que lhe foi oferecido por Sócrates só para não chatear. Como Cravinho, aliás.

Incêndios, para que vos quero: o jacobinismo em acção

O Governo ficou alarmado com os incêndios do Verão Passado,  mas não tanto que impedisse o primeiro-ministro de ir para as Baleares quando uma região do país ardia em matava gente aos molhos, sem actuação da Protecção Civil que dele depende. Deixou ficar por cá uma palerma, professora ( quem sabe faz; quem não sabe...) a dirigir o combate e foi o que se viu.

Agora, com a casa toda em ruínas depois de roubadas as árvores que faziam falta, quer acabar com a fonte das ignições perigosas e mandou a toque de caixa toda a gente do país fazer o trabalho que lhe competiria em primeiro lugar: tudo a roçar mato, já! E a cortar árvores, idem. Nos meios rurais quem deixar de limpar à volta das casas e estradas, come pela medida grande das coimas pesadas que foi o modo de o Governo encontrar solução cívica para a limpeza necessária. E a fiscalização virá a seguir, implacável como é o sistema jacobino nestas matérias. Resultado? Quem tem terrenos com matos e árvores e vive em aglomerados habitacionais, rurais, anda apavorado com o que tem que fazer num tempo record, para evitar as estatísticas do Verão que vem a seguir. 50 metros à volta das casas e 100 metros ao redor das aldeias, tem que estar tudo limpo.

A medida peca por tardia, anos e anos de atraso. Porém, como urge, é para já e em poucos meses, o que não se fez em décadas. Como o Governo, com Costa nas Baleares foi fustigado mas não penalizado pelas mortes em catadupa, mais de uma centena, julgam-se legitimados para actuar desse modo, impondo às populações o que os serviços florestais e camarários ( cantoneiros) não conseguem realizar em tempo útil, ocupados que estão em lidar com canteiros de flores e arbustos urbanos.

As coimas vão de 140 a 5000 euros, a pessoas singulares, a esmagadora maioria e evidentemente são para aplicar.

Portanto, como dizem alguns técnicos, o caso agora é de polícia e não de política. É assim que o jacobinismo actua. Para melhor resolver o assunto que fez o Governo? Ciente que a publicidade cívica nos media, não resulta ( ninguém liga aos media, nesses aspectos) ocorreu-lhes uma ideia jacobina que já tinham posto em prática no caso dos fugitivos das SCUTS: pôr a máquina fiscal a servir de polícia e para começar a Autoridade Tributária já avisa os contribuintes que pagam impostos do mesmo modo que o faz quando têm que pagar tributos: através de mensagem de correio electrónico impessoal, formatada e implacável. O fascismo, o verdadeiro, não faria melhor. O nosso fassismo nunca fez tal coisa, o que mostra bem a face do regime que temos.

O Público de hoje dá conta da situação:





O claro escuro de Negrão

Fernando Negrão, deputado do PSD foi humilhado esta tarde no Parlamento, uma vez que não conseguiu mais que 39% dos votos da sua bancada para se tornar líder parlamentar. Tinha dito que se contentava com mais de 50% ( ou alguém disse que disse...).

Seja como for, Negrão é um claro-escuro da política. Nos nos noventa era juiz de direito e chegou a juiz de círculo, ou seja daqueles que trabalham  no dia a dia na "sala de audiências" e não apenas em casa a despachar processos...

Por força de um sistema de contactos que anda sempre a par do tráfico de influências pelo menos eticamente duvidoso, Negrão acabou a director da Polícia Judiciária, em 1995 onde esteve até 1999, sendo demitido em directo, pelo ministro Vera Jardim, do PS,  por causa de ter violado o segredo de justiça. Safou-se da condenação por razões estritamente processuais ( a prova de dois ouvintes de um telefonema em alta-voz foi entendida como nula...).

Negrão depois disso entrou na política activa e partidária por conta do PSD e foi ministro de Santana Lopes e até de Passos Coelho num derradeiro esforço em 2015.

Em que se notabilizou Negrão, naquela actividade primária de polícia? Em guerrear o MºPº e pretender suplantar essa magistratura num cargo de administração, depois de ter sido juiz.

Em 1992, Negrão ainda estava como juiz e o MºPº alcançou a alforria constitucional da autonomia, como o Público dava notícia em 28 Fevereiro de 1992 ( na foto estão magistrados do Porto, na sua maioria):


Em 1993 a PJ era dirigida por alguém cuja identidade desafio a procurar no Google no sítio do historial da PJ ou noutro qualquer. Tanto faz,  mas era Mário Mendes, amigo e conterrâneo de José Marques Vidal e que aliás o terá indicado para o lugar.  José Marques Vidal, pai da actual PGR esteve no cargo desde 1985 até 1991, nomeado por Cavaco Silva e teve os primeiros casos de corrupção com verbas do Fundo Social Europeu, além de outros, claro. Tanto Marques Vidal como Mário Mendes eram juízes, aquele do STA.

Na PGR estava Cunha Rodrigues, um dos mentores do sistema judiciário que temos, a par de Almeida Santos.
Mário Mendes por motivos travessos arranjou um conflito com a PGR, então dirigida por Cunha Rodrigues. A PJ era um corpo de funcionários do Estado. A PGR e o Ministério Público era um corpo de magistrados e talvez tenha sido esse o problema...

O Público de 6.5.1993 explicava claramente até onde o problema tinha chegado: luta de galos. Mário Mendes ( e Marques Vidal) perdeu.
Ironicamente, vinte anos depois, serão dois filhos de Marques Vidal ( João e Joana) a repôr o papel do MºPº no seu devido lugar de honra. O primeiro com o Face Oculta e a segunda com o que se passou depois, mas ainda não acabou. Há coisas a fazer  que terão que ser feitas para que se cumpra tal papel.

Fernando Negrão entrou na PJ com este ambiente e era juiz. Em 1998 já tinha começado verdadeiramente o pântano da corrupção em Portugal, mas Fernando Negrão não era a pessoa certa para a combater.

Diário de Notícias, 17.10.1998: os "partidos"? PS e PSD. Vera Jardim e Negrão. Não, não eram corruptos. Eram pior que isso: nem queriam perceber o fenómeno. Era demasiado complexo porque passava pelos "partidos" e eles vinham agora dos "partidos".


Jornal 24H, de 27.10.1998: parece claro, o problema. Negrão estava no epicentro.


 Público, 15.10.1998:


 

 No Independente de 5.12.1998, Cunha Rodrigues explicava o problema que era grave:



Este Indy era então dirigido por um grupo que não apreciava Cunha Rodrigues. Entre os repórteres estava um futuro "delinquente" ( um indivíduo obviamente pouco talhado para o jornalismo sério e que acabou onde deveria ter começado: na propaganda e guerra do futebol, fora das quatro linhas que é nutrido demais para dar chutos na bola) que se divertia a escrever assim, em 11.12.1998, como precursor de feiqenius e anda agora entalado por causa de uns certos emails. O indivíduo já nessa altura tinha queda para inventar ligações, cabalas e conspirações:


Negrão continuava a provocar o MºPº. Público, 23.3.1999:






 E como acabou isto? Com a demissão de Negrão, acompanhado de um processo e um jantar de desagravo...com muitas caras conhecidas e que nos anos seguintes continuaram na ribalta. Problemas no SIS? Esteve lá o Antero, juiz do abraço a Negrão e que foi director no tempo de Sócrates. E estiveram alguns elementos da PJ., em primeiro plano para que se soubesse o que gastava a casa.

Indy 26.3.1999:


 Público 26.3.1999:




 Quem quiser saber os pormenores do processo a Negrão pode ler aqui. Além do mais só tem recortes do DN...

O resultado destes primeiros avanços contra a "corrupção", muito tímidos mas neste caso resolutos, pode ler-se nesta página do Expresso de 7.2.2004: depois de recursos e mais recursos, aclarações sobre aclarações a "vítima" Abílio Curto, antigo presidente da câmara da Guarda lá foi dentro cumprir o serviço cívico da pena de prisão porque segundo o mesmo "o dinheiro foi todo para o PS". Vital Moreira, na altura um defensor acérrimo do partido, discordou ferozmente...


Entretanto para ver como estas coisas se completam e carecem de perspectiva ampla, reproduzo aqui um antigo postal ( de 14.10.2013)


Depois de ter sido condenado no caso do fax de Macau, Rui Mateus, desaparecido do combate, dado como tolo, escreveu um livro intitulado Contos Proibidos. Quem quiser ler, pode fazê-lo porque está disponível em Rede.

Em 1990, Rui Mateus prestou declarações no processo e terá contado a sua versão dos factos que implicava bem mais alto politicamente que o pobre do governador do território ultramarino. Almeida Santos e Mário Soares foram nomes pronunciados.
A publicação do livro poderia ter obrigado à reabertura do processo, nos termos da lei processual, para reinvestigação do que ficara esquecido.
O investigador Rodrigues Maximiano já faleceu e não se pode defender de acusações. Mas na altura em que as mesmas foram feitas, não respondeu convenientemente à réplica que Rui Mateus lhe deu, com três anos de intervalo, depois de ter comentado o livro Contos Proibidos, dizendo que nada de novo trazia ao assunto.

Estes dois textos- ambos do Independente, de 9.8.1996 ( a entrevista a Maximiano) e de 14.7.1999 ( a carta de Rui Mateus)- revelam o problema principal da nossa investigação criminal, sempre que encontra pela frente o poder político de topo: cede. Tem medo. Não avança.
É um problema grave e que a generalidade das pessoas adivinha, perscruta, mas nada faz para a mudança. E é preciso uma mudança, de facto. A independência do poder judicial e a autonomia do MP, não se afirmam: praticam-se. Souto Moura praticou-a, sem a afirmar muitas vezes.



Estes factos que ocorreram sensivelmente na mesma altura que aqueles, espelham bem a corrupção de um regime do PS.
Cunha Rodrigues, disto,  não se pode dizer que esteja inocente, infelizmente. Por uma razão: poderia ter imposto outro procedimento a Rodrigues Maximiano, marido de Cândida de Almeida, ambos muito chegados ao PS.

Com a distância do tempo pode compreender-se a atitude omissiva de Cunha Rodrigues. O fruto da "igualdade de todos perante a lei" ainda não tinha amadurecido e se Cunha Rodrigues tivesse sido forte com esses fortes teria ficado fraco num instantinho e a sua carreira teria terminado ali, eventualmente no STJ, sem mais história.
Uma coisa, porém, ficaria registada a seu favor, na História: ser o primeiro a dar o mote que os tempos tinham mudado e o poder político, todo o poder político, incluindo o de topo,  poderia ser fiscalizado pelo poder judicial, como agora parece acontecer de um modo mais claro.
Não o fez e foi fraco, no meu entender. Souto Moura, nesse aspecto, foi mais afoito e não parecia. E porquê? Por causa do mesmo síndroma que afecta Joana Marques Vidal: são magistrados de tarimba e sempre entenderam que deveria ser assim que a lei deveria funcionar. Apenas isto e que é muito. Uma enormidade, pelos vistos. E que por vezes redunda em fracassos evitáveis se fossem um pouco mais que magistrados e aliassem essa característica a um realismo mais seguro e mais firme, sem desistirem do princípio básico que cultivam.  Os exemplos mais recentes destes fracassos são os casos que envolvem angolanos e outros menores protagonizados por instâncias intermédias do MºPº que lhe tomaram o gosto...


Entretanto e evidentemente por causa disto, em 2005 chegou um tal José Sócrates. Um génio da aldrabice,  alcandorado a engenheiro formado ao Domingo e tido como um político muito competente em várias matérias que até conseguiu cativar professores universitários da estirpe de um Freitas do Amaral ou políticos como Basílio Horta, um dos manos que conseguiu amealhar com um trabalho árduo, ao longo dessa vida, mais de seis milhões de euros a render em conta a prazo ( não declarada...)

Como dizia em tempos um especialista destas matérias- José António Barreiros, advogado, agora de alguns destes protagonistas: o PS, no tempo de Sócrates fez o que quis da Justiça.

Está na hora de lhe retribuir. Com juros. E não esquecer, nunca esquecer que António Costa sabe disto tudo e de muito mais, porque foi ministro nesse tempo e também no de Sócrates. Se puder capa o Ministério Público e retira-lhe a autonomia constitucionalmente conquistada no longínquo ano de 1992 e que foi como comecei o postal...

A. Costa anda a fazer tudo para isso e a escolha de Rui Rio para o PSD é mais um sinal de que se prepara tal estratégia que evidentemente é convergente entre os dois partidos.

Por causa do que acima fica explicado e de muito mais que entretanto sucedeu e está bem documentado neste blog: em 2003 começou o caso Casa Pia.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

A Mosca na estrumeira marxista

Se há jornal nacional que foi sempre um cóio da esquerda portuguesa, seja a comunista, a cripto-comunista e a dos compagnons de route do comunismo,  esse jornal foi o Diário de Lisboa que apareceu nos alvores republicanos dos anos vinte e se findou já nos anos noventa do século XX após a queda do Muro que sempre se esforçaram por manter de pé, aplaudindo sempre quem o construiu.

No início dos anos setenta desse século,  o jornal era dirigido por A. Ruella Ramos que se manteve até muito depois do 25 de Abril de 1974 acompanhando o PREC com outro esteio impresso do comunismo da verdade que queriam impor por cá, como Direito e que se titulava Sempre Fixe.

Ainda nos anos sessenta o jornal tinha um suplemento literário que concorria com o suplemento das Quintas-Feiras do Diário Popular, apesar de um ou outro colaborador ser comum, caso de João Gaspar Simões.
Mas não o de Alexandre O´Neill que colaborava regularmente no Suplemento e publicou em 28 de Novembro de 1968 ( no Suplemento nº 539)  este texto num estilo que já não se usa escrever em Portugal:



Esse suplemento literário publicado no jornal teve a companhia, a partir de 1969, primeiro ao Domingo ( até 1972) e depois ao Sábado ( já em 1973)  de um outro a que deram o nome de A Mosca e muito celebrado porque reunia textos farsolas de intelectuais que aborreciam o regime e pretendiam através dos mesmos incomodá-lo, subvertê-lo à maneira "intelectual",  sendo frequentemente alvo da Censura e Exame Prévio. A seguir se mostra porquê e o grau de provocação que se atingia, queixando-se depois de serem censurados...fazendo o mal e a caramunha.
Os farsantes que escreviam os textos farsolas não assinavam com o nome e usavam pseudos para melhor disfarçarem a identidade intelectual, como era o caso do escritor contestatário do regime, José Cardoso Pires, expatriado em Londres durante algum tempo e também Luís  Sttau Monteiro, filho de Armindo Monteiro,  um antigo embaixador em Londres, no tempo da II Guerra Mundial.
Sttau, feito engraçadinho, foi na segunda metade dos setenta membro de júris de concursos televisivos e  assinava textos propositadamente imbecis a que a esquerda achava muita graça sob o pseudo de Guidinha. Este pseudo, durante o PREC mudou de armas e bagagens para o então aparecido O Jornal ( que começou a publicar-se em Maio de 1975) e aí passou a verter as redacções apalermadas de sempre. Confesso que raramente li uma de fio a pavio, tal o fastio imediato que provocavam pela suposta graça redactorial e que inventou a escrita de jornal sem pontuação.

A Mosca apesar de tudo tinha uma qualidade de escrita superior ao que hoje sucede nos Públicos, cujos suplementos são intragáveis, constituindo no final dos anos sessenta um espécie de feudo da esquerda intelectual que já se manifestava nas canções de intervenção dos José Afonsos, José Mários Brancos, José Jorge Letria e outros Samuéis e Faustos que nos setenta proclamavam a excelência do comunismo como uma via de futuro risonho para Portugal, a cantar nos amanhãs.

Em Agosto de 1969, precisamente num desses suplementos, o intelectual João Paulo Guerra, socialista compagnon de route do todos os comunismos, apodou de "nacional cançonetismo" o estilo musical que teimava em ater-se à tradição da canção ligeira portuguesa e não alinhava no refrão do venham mais cinco que o que faz falta é dar poder à malta...

 Esta imagem foi tirada da internet, de um sítio que já perdi o rasto.

 Era esse refrão que o mesmo defendia ser o caminho adequado ao país de então, o poder popular contra a burguesia dos ricos, monopolistas, latifundiários e afins. Tudo sempre em favor dos pobrezinhos, como ainda hoje acontece e que acabam de tornar sempre mais pobres enquanto eles levam a vidinha da esquerda caviar. Hoje são geringonços quando dantes eram revolucionários de pacotilha.

Essencialmente era esta gente intelectual que alimentava A Mosca, ou seja, o insecto que varejava sempre na estrumeira do marxismo, tal como ainda hoje acontece porque nada esqueceram e nada aprenderam.
Em Agosto de 1969 já tinha havido invasão da Checoslováquia pela URSS, já tinha havido denúncia dos crimes comunistas, mas por cá, nada disso importava. Acima de tudo estava a "luta contra a burguesia", pelos pobrezinhos, sempre.

Para se ver melhor como eram esses suplementos de A Mosca aqui fica um, integral nas suas 12 páginas do dia 8.12.1973.





Em 27 de Abril de 1974, um Sábado, A Mosca publicou-se mas não reflectiu muito a mudança operada dois dias antes. Apesar disso, ainda se arranjou tempo de publicar a redacção da tal Guidinha da melena com um texto provocatório ao regime anterior, depois de vários cortes dos anteriores textos farsolas.



Nesse dia as notícias reflectiam o que iria acontecer dali a pouco tempo: a caça às bruxas da pide e o regresso do antifassista Soares do bem bom de Paris. As notícias sobre os mortos no Ultramar não diferiam em nada daquelas que eram dadas nos anos anteriores...


Por outro lado esta notícia que viria a ser publicada no Sempre Fixe dessa semana mostra um fait-divers que hoje não sei que significado teria: