domingo, 17 de fevereiro de 2019

O aldrabão de sempre está de volta...

O Expresso de ontem publicou manchete em que dava conta da intenção  do "Prestigiado Instituto de Estudos Políticos de Paris ( Sciences Po) da Universidade de Sorbonne poder vir a anular o diploma de mestre de José Sócrates. "

Foi assim e a notícia não era equívoca, como por vezes acontece:


O que é que faz o indivíduo, depois de sair o jornal? O costume, através do seu advogado do costume, o impagável João Araújo:

“Nesta manhã de sábado cumpro o que se vem tornando uma habitual tarefa – desmentir a manchete do Expresso”, é desta forma que começa o comunicado que José Sócrates, através do seu advogado João Araújo, fez questão de enviar às redações às 19h deste sábado. Em causa está a manchete do semanário português onde se pode ler que a Universidade Sorbonne admite vir a anular o mestrado ao ex-Primeiro-Ministro.

Sócrates explica que o seu mestrado em Ciência Política foi tirado no Institut d’Etudes Politiques de Paris, mais conhecido como Science Po, e não na Universidade Sorbonne, daí afirmar: “[É] difícil tirarem-me o que nunca tive. O meu mestrado foi obtido em Sciences Po
.”

Não "tirou" a coisa na Sorbonne, mas na Sciences Po... e fica tudo dito. 

O advogado Araújo, apesar de saber francês tem dedos de prestidigitador e não de pianista e por isso não quis saber de mais nada que o seu cliente lhe disse. Não foi ao sítio daquelas universidades de Paris confirmar a alegação e meteu o pé na mesma poça da aldrabice em que aquele mergulha com frequência:

Sciences Po est membre fondateur de l'Université Sorbonne Paris Cité, qui rassemble :
4 universités pluridisciplinaires : l'Université Sorbonne Nouvelle - Paris 3, l'Université Paris Descartes, l'Université Paris Diderot et l'Université Paris 13.
5 grands établissements d’enseignement supérieur et de recherche : l’École des hautes études en santé publique (EHESP), l’Institut national des langues et des civilisations orientales (INALCO), l’Institut de physique du globe de Paris (IPGP), la Fondation Maison des sciences de l'homme (FSMH) et Sciences Po.
5 organismes de recherche : le Centre national de la recherche scientifique (CNRS), l’Institut national d’études démographiques (INED), l’Institut national de recherche en informatique et automatique (INRIA), l’Institut national de la santé et de la recherche médicale (INSERM) et l’Institut de recherche pour le développement (IRD).

sábado, 16 de fevereiro de 2019

O despudor de Rui Pereira, professor de direito penal

CM de hoje:


Espanto-me como é possível que Rui Pereira escreva sobre este fait-divers, um caso de homicídio de contornos rascas e que uma vez noticiado deveria passar a assunto de tribunais.

Ontem, na CMTV passou tempo infindo a perorar sobre o caso, associado à jornalista "Pente-Fino" que conseguiu arranjar cópia do interrogatório da arguida suspeita e dar a conhecer o mesmo de viva-voz, numa violação flagrante de segredo de justiça, alegremente comentado pelo referido Rui Pereira.

"porque apaixona tanto a opinião pública" este caso? É preciso lata...apaixona a CMTV, diga antes assim. A CMTV é que explora o caso, aproveitando a vertente voyeurística do espectador ocasional. E explora de um modo que acho inadmissível, dando horas e horas de prime-time a um assunto que já devia estar completamente no domínio do judiciário. Afinal, a quem interessa este caso, tirando a família directa? Á opinião pública? Que opinião pública? Aquela que a CMTV diz que é a opinião pública e que será aquela a quem oferece este espectáculo obsceno?

Como é possível descer tão baixo? O dinheiro justifica tudo? Enfim, estou a perder uma consideração que tinha por alguém que pôs cobro a anos de ignorância nas televisões, sobre estes assuntos e agora os explora impudoradamente.

Dinheiro? Vale tudo?

A agit-prop de Pacheco Pereira

Sobre Pacheco Pereira e os seus komentários escritos ou ditos já tenho escrito e em boas doses, pelo que não vou repetir, subscrevendo novamente tudo o que já está escrito: Pacheco Pereira não merece grande respeito intelectual porque é essencialmente um agitador de propaganda contra  algo que o mesmo afinal não consegue definir. Será um "liberalismo" que não se percebe bem o que seja; será um tipo de governante, como Passos Coelho ou Miguel Relvas ou outros que julga representar tal corrente ideológica e não estudaram a filosofia marxista ou será outra coisa qualquer que associa ao "populismo" ou "justicialismo", conceitos que nunca define devidamente.

Enquanto Pacheco Pereira escrever sobre politiqueirice nacional, ganhando bem a vida à conta disso, a questão é com quem lhe paga e quem gosta de ler as inanidades.

Quando Pacheco Pereira entra pela difamação institucional, com insinuações e afirmações pejadas de falsidades sobre um regime  político que combateu clandestinamente, em nome de um sistema ideológico comunista ou maoista, então dá azo a análise e verificação da realidade.
O  sempre actual combate de agitação e propaganda de Pacheco Pereira prolonga o da juventude, em que defendia o maoismo como solução política e ideológica aperfeiçoada e com o mesmo sentido enquistado na falsidade. Fake news é isto e em grande!


A ideia básica aparece no fim em modo de perguntas socráticas, estúpidas porque eivadas de preconceitos ideológicos e dissociação de realidades conhecidas.

"Nunca ninguém se interroga por que razão nunca houve nada de parecido com a Operação Marquês ao longo dos extensos 48 anos de ditadura?", pergunta em modo parvo ( de parvulus, pequeno), Pacheco Pereira.

Em primeiro lugar, Pacheco Pereira nunca viu um boi à frente dos temas sobre que escreveu na altura em que os factos da tal operação marquês ocorreram. Via era as violações de segredo de justiça e as escutas malditas e outros incómodos que agora apresenta como provas que sustentam a operação em que afinal já acredita.
Pacheco Pereira continua a não ver o boy que aparece todas as semanas na Quadratura do Círculo, velha e nova versão.  Jorge Coelho é um dos melhores exemplos da corrupção do regime que temos. A corrupção perfeita que o conduziu de amanuense na Carris a ministro e dono da expressão "quem se mete com o PS, leva!"  tendo resultado disso a titularidade de várias empresas, queijeiro de profissão ambulante e embaixador de grandes firmas nacionais que medraram a olhos vistos no tempo dos factos da Operação Marquês. Jorge Coelho é um milionário da democracia que temos e Pacheco Pereira prefere ao regime que tínhamos.
Pacheco Pereira não reflecte nisso um segundo sequer nos seus escritos, o que denota a estultícia que o acomete.

Por outro lado, para fazer jus a tal estado de espírito pergunta retoricamente: " Não havia corruptos na União Nacional? Nenhum general, embaixador, deputado à Assembleia Nacional, ministro ou secretário de Estado, comandante de Legião ou graduado da Mocidade Portuguesa, nenhum governador colonial, bispo, "meteu a mão na massa"?  

A resposta que dá é equívoca: "não havia corrupção porque não havia justiça para os poderosos do regime e a pouca que havia era para os escalões intermédios para baixo".

E depois, havia a Censura que escondia tudo: pedofilia, ( um assunto muito versado naqueles tempos...)as violações ( também casos diários, como agora); os roubos ( com uma frequência de relógio de ponto para jornal a fechar a paginação diária) ou as violências ( como as que relata o CM e a TVI, para além dos programas da Cristina Ferreira, sei lá!) e os suicídios ( coisa bruta que agora é notícia por ser de interesse público, como toda a gente Pacheco incluído, considera, e dantes não era). Enfim, passando ao que interessa porque esta parte exposta já dá para ver até onde chega  a inteligência real de Pacheco:

Antes de 25 de Abril de 1974, as figuras gordas do regime eram corruptos, como agora se vêem algumas e se suspeita que o sejam?

Sobre isso, Pacheco não tem dúvidas: eram. Provas de tal afirmação, nicles. Resta por isso a propaganda e agitação de que se serve sempre, desde sempre.

Assim, o que vale este escrito de Pacheco Pereira? O que o cómico gordo nos anos oitenta da tv, Jô Soares,  dizia, espetando no écran  as mãos com o indicador e polegar ligados: zero!

Não se incomoda o escriba porque a tença lhe cai regularmente, ida da Sonae e outras paragens balsâmiacas e cofínicas, para escrever estas inanidades de propaganda pura. É um assalariado destas fake news de que se serve para fustigar as do Trump e outros e enganar papalvos.

Importa contudo mostrar alguma coisa que exponha a inconsistência e a burla que Pacheco Pereira engendra com estas manobras deliberadas.

Quem eram os milionários que havia em Portugal antes de 25 de Abril de 1974? Como chegaram aos milhões? A história dessas famílias e empresas está contada e até mesmo pelos kamarados do kamarada Pacheco, os Rosas, Louçãs e Fazendas.

A leitura destes livritos deveria chegar para que Pacheco Pereira não escrevesse as inanidades que escreveu, mas enfim...



Nenhum se atreve a apresentar um caso como o da Operação Marquês, afinal de corrupção de alto coturno e que Pacheco Pereira distingue daquela dos escalões intermédios para baixo. 

Sobre esta, dos tais escalões intermédios para baixo, a imputação é de pura propaganda. Pacheco Pereira não tem um único exemplo a apontar, mas elenca putativos casos nas perguntas que deixa no ar da agitação difamatória.

Haveria corrupção nesses escalões? Como negar ou afirmar? Só por presunção, a qual é válida para se ajuizar do que era o sentimento da época. Era fácil corromper gente das Forças Armadas, por exemplo, para evitar a mobilização para a guerra no Ultramar ? Era possível ,parece que sim. Mas apenas por força de alguns casos que se ouviam. Era generalizada tal corrupção, como hoje acontece em certos sectores? Nem pensar. E era combatida? Talvez, de acordo com os padrões da época: conter e reduzir ao mínimo qualquer escândalo.
E corrupção em obras públicas? Que obras públicas podem servir de exemplo se no caso da Ponte Salazar a empreitada cumpriu os prazos e orçamentos, sem derrapagens?
Haveria orçamentos "a mais" em obras públicas? Talvez, mas pequenas obras a cargo de autarquias ou ministérios, mas não do modo como hoje acontece. A fiscalização poderia ser corrupta? Talvez mas não na escala que hoje acontece.

Quanto à grande corrupção do género da operação marquês que envolve todo o regime democrático, desde as instâncias de regulação bancária até aos centros de decsisão governamentais, passando pelos media politicamente corruptos associados a certas empresas ( Controlinveste, de Joaquim Oliveira, por exemplo que hoje é notícia por ter entrado em insolvência, com a queda do BES e a da PT) haverá alguma comparação com o que existia dantes?

Algum jornal do antigamente se assemelhava ao Diário de Notícias ou à TSF, para inserir um privado, da era Sócrates? O DN de então era um órgão de regime? Talvez, mas não por causa do fenómeno de corrupção, como era manifestamente o caso do DN de agora.

E os responsáveis pelo regime anterior? Há uma prova do "algodão que não engana", excepto a propaganda imoral de Pacheco Pereira: apontem um único governante que tenha enriquecido com o regime ou um empresário que se tenha valido de esquemas de corrupção para singrar e prosperar.

Henrique Tenreiro o todo poderoso empresário da indústria do bacalhau deveria servir-lhes de exemplo, mas evitam falar nele porque se enterram na evidência da difamação.

Algum advogado conseguia o que conseguiram os Sérvulos, Vieiras de Almeida, Júdice e quejandos?  O Estado de então subsidiava os escritórios de advocacia como agora se faz, aos milhões e milhões?

Sobre Marcello Caetano e os seus ministros ninguém melhor que o actual presidente da República pode falar: o pai, Baltazar, foi ministro do Governo de Marcello Caetano. Ficou rico à conta disso, depois?

O capitalismo do tempo de Marcello Caetano já foi aqui exposto e analisado.  Sobre Marcello Caetano a sua vida fala por si e a sua morte no Brasil, também.

E os outros ministros? Haverá algum caso como o do extraordinário Mário Lino que se escapou destes esquemas de corrupção do tempo de Sócrates e é rico que nem um nababo?
Pacheco Pereira não sabe disto? Saber, sabe, mas a propaganda é mais forte que a agitação interior da maluqueira ideológica.

Enfim, haverá algum governante do tempo do antigo regime que tenha tido tanto sucesso quanto este?  Como é que em Janeiro de 1974 era um político remediadíssimo e em 40 anos amealhou uma fortuna destas? Foi tudo do Colégio Moderno?!

A imagem é do SOl de 3.7.2015:




E estes todos deste govero, como é que chegaram lá? Haverá algum exemplo, só um que seja e Pacheco Pereira consiga indicar, de casos como estes que aqui fora expostos não há muito tempo?



E será preciso recordar o que Salazar deixou de seu à data da sua morte? O ditador, o fascista, o manda em tudo, deixou uma conta na CGD com algumas dezenas de contos. E património é o que se conhece.
E os próceres do regime foi igual. Não há casos de enriquecimento ilícito do modo que agora se conhece nem sequer do lícito que se aceita como bom, no caso de Mário Soares.

Enfim, Pacheco Pereira deveria ter vergonha do que escreve. Mas não tem. É um celerado deste tipo de escrita. Um autor de fake news, consolidado.

Evidentemente que a leitura dos artigos de Pacheco Pereira deve ser residual. Aposto que os lerão algumas dezenas ou centenas de pessoas, mas não é isso que importa, uma vez que o Público é lido cada vez por menos pessoas. Porém, há uma mensagem implícita que se replica e tende a fazer escola se não for denunciada como mais um exemplo de fake news...
A opinião de Pacheco Pereira já não tem peso específico se é que alguma vez teve. No entanto, tem peso contextual, tal mensagem que é difundida pela tv e pelos media que captam estas coisas e este ar do tempo que passa nestas notícias falsas.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Conversas em família: 50 anos

Fez no passado dia 8 de Janeiro 50 anos que Marcello Caetano apareceu na RTP, à noite na primeira "conversa em família". 

O Século Ilustrado de 11.1.1969 dava conta:


Cerca de um mês depois voltava à RTP, na segunda "conversa em família", como escrevia o Século Ilustrado de 15.2.1969:


Na mesma edição da revista dava-se conta do fim do Saturday Evening Post, a revista americana por excelência e que durante décadas teve a capa desenhada e pintada por Norman Rockwell. Motivo? Desinteresse dos leitores...por causa da tv e de outras distracções. Sinais dos tempos...de há 50 anos.




quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

O Conjugicídio e a piolheira ambiente

Houve um tempo, não há muito tempo, em que a intelligentsia dominante não mascarava os nomes de pessoas que eram partes nos processos-crime porque ainda não havia lei de "protecção de dados". Também a linguagem era outra porque a politicamente correcta, introduzida a mascoto no léxico por militantes de causas várias, com predominância da feminista, não tinha assento de lei não escrita.

Nesse tempo, os tribunais e as leis eram adequadas a uma realidade que paulatinamente, ano após ano se foram modificando por influência de vanguardas radicais com predominância esquerdista que tomou conta de todo o espaço mediático em Portugal e tem agora assentos vários no Parlamento. A filha, fufa segundo dizem,  de um velho salazarista ortodoxo e conservador, é uma das líderes de tal revolução silenciosa e a agressividade que mostra na pele escanzelada dá conta do afã que coloca na revolução deste prec subterrâneo.

O medo que alguns lhe têm é proporcional à loucura que exala no que diz, mas ninguém se atreve a enxundiá-la do modo que merece.

Para se notar como esta mudança ocorreu em menos de vinte anos, fica aqui uma sentença do STJ de há um pouco mais de vinte e cinco.

É notório que a mudança ocorreu após os anos 2000, depois da "paixão pela educação" que levou ao poder mediático nulidades e mediocridades formadas nas madrassas entretanto instauradas, com particular destaque para o ISCTE, um instituto vindo do antigamente, de ciências do trabalho e empresa, transformado em aríete deste prec que começou por aí, por influência de cursos estrangeiros e doutoramentos "lá fora".



É ler as considerações que os juízes Conselheiros de 1992 faziam sobre um caso de uma mulher que assassinou o marido com sete machadadas na cabeça e particularmente a citação profusa de teorias sociológicas e psiquiátricas sem curso livre no curso de Direito mas adoptadas pelo relator. O agora muito desacreditado Freud; o psico americano Holmes que ninguém conhece ou releva, etc etc.
Só falta a Bíblia...mas sobram os considerandos pessoais e idiossincráticos do julgador.

É de lamentar que no caso Neto de Moura não tenha aparecido um único magistrado a defender publicamente o dito cujo. Nem um! E todos se afadigam a criticá-lo por ter citado a Bíblia, seguindo atrás do panurgo mediático. Ninguém se interroga sobre o que moveu inicialmente a campanha para denegrir tribunais e juízes. Todos abaixam a cabeça ou se acobardam com medo daquelas fufas feministas.

É sintomático porque alguns dos que trabalharam com o Conselheiro Bernardo Sá Nogueira, ainda estão no STJ.

Um deles, entre os poucos que irão apreciar o recurso de Neto Moura é o antigo magistrado do MºPº Pinto Hespanhol, um magistrado da velha guarda, actualmente Conselheiro do STJ.

O que dirá sobre este acórdão de Sá Nogueira não tão antigo quanto isso? Sim e melhor...o que diria?

Pergunte-se à do pente-fino que ela sabe...ou faça-se um pequeno inquérito na piolheira do Público.

Para melhor compreensão, o CSM decidiu a pena de advertência ao desembargador por causa de uma "violação de dever de correcção". Não foi o dever de não citar a Bíblica, mas este que o presidente Piçarra esclareceu:

4 - As expressões proferidas pelo Juiz Desembargador arguido, nos acórdãos que relatou, em especial no processo nº. […]/2014.[…], ao referirse à ofendida, enquanto "mulher adúltera", como "dissimulada", "falsa", hipócrita" e "desleal" são ofensivas, desrespeitosas e atentatórias dos princípios constitucionais e supraconstitucionais da dignidade e da igualdade humanas; 5 - A valoração da prova é absolutamente insindicável por este Conselho, porque integra o tronco central do princípio da independência. Todavia, as referidas expressões exorbitam a valoração da veracidade do depoimento da ofendida sobrelevando das mesmas o seu carater ofensivo, que se constitui em infração disciplinar por violação do dever de correção.”

Por seu turno, o vice-presidente Belo Morgado, o intelectual da inteligência artificial aplicada aos tribunais ( em tempos inventou uma "teoria do granizo" também com tal efeito...) disse e tirou assim o chapéu:

A fundamentação de decisões judiciais com recurso a elementos que não constituem fontes de direito, enunciados enquanto argumento histórico, social ou cultural, secundários e coadjuvantes do regime jurídico vigente, não envolve, só por si, qualquer desvalor da decisão, podendo até, em certos casos, contribuir para o enriquecimento da mesma. Todavia, as decisões judiciais constituem espaço de expressão vinculada ao quadro de valores jurídico-constitucionais, o qual naturalmente se sobrepõe ao quadro particular de valores perfilhado por cada pessoa concreta. Deste modo, a fundamentação das sentenças não pode resvalar para o campo não jurídico, de discussão moral, ideológica, religiosa ou panfletária, em especial quando esteja em causa a defesa de teses manifestamente contrastantes com valores essenciais da Ordem jurídicoconstitucional (mormente, de tipo racista, xenófobo, sexista, homofóbico, etc.). Aliás, estas dimensões transjurídicas da decisão judicial não integram, em bom rigor, a “fundamentação” da sentença, propriamente dita, pelo que se situam fora da esfera de proteção do princípio da independência, proteção que essencialmente se reporta à “ratio decidendi” e não ao “obiter dictum” (a “ratio decidendi” são os fundamentos jurídicos que sustentam a decisão, a opção hermenêutica adotada na sentença, sem a qual a decisão não teria sido proferida como foi; trata-se da tese jurídica acolhida pelo órgão julgador no caso concreto; constitui a essência da tese jurídica necessária e suficiente para decidir o caso concreto. O “obiter dictum” refere-se àquela parte da decisão considerada dispensável, que o julgador disse por força da retórica e que não implica vinculação em casos subsequentes; são os argumentos expendidos para completar o raciocínio, mas que não desempenham papel fundamental na formação do julgado; são argumentos acessórios que acompanham o principal (“ratio decidendi” - razão de decidir). A supressão do excerto considerado “obiter dictum” não prejudica a força da decisão e da respetiva fundamentação).

Resta dizer que estes considerandos são de uma tal hipocrisia que até dói. Bastar-lhes-ia ir aos dicionários e ver o que significa a palavra e o acto de adultério e adúltero/a e se os  significados "dissimulada", "falsa", hipócrita" e "desleal" se lhes aplicam ou não com propriedade.

Aplicando estas dissertações do antigo director-geral de função pública, aos considerandos de Bernardo Fisher Sá Nogueira, estou mesmo a ver o que lhe diria o dito cujo: vá aprender direito judiciário!

A jornalista pente-fino do Correio da Manhã

Todos os dias de manhã, cedo, olho para três jornais no quiosque: Público em primeiro lugar; Correio da Manhã e i. É praticamente o que resta como informação diária generalista, impressa. Folheio o Público nas duas páginas de opinião, sempre no mesmo sentido unanimista e por vezes escandalosamente enviesado e é nessa altura que compro para ler e tentar perceber como foi possível descermos tão baixo, tão depressa. Por vezes dou aqui conta de tais escritos.
O i é cada vez mais um jornal inútil. Até na opinião que transporta. Vende nada porque vale nada.

O Correio da Manhã não se ocupa muito com a opinião em forma de página inteira e prefere pequenos apontamentos que entrega a figuras residentes. Uma delas é consulta obirgatória: Francisco José Viegas. Tem-me levado a comprar o jornal, escreve sobre literatices em modo pessoal, como gosto, mostrando que leu e que percebeu e dando a conhecer.  O Público, sobre isso, passa páginas inteiras de um suplemento com escritas de cor, copiadas de outros, anónimos e eventualmente plagiados. Muitas vezes com escritos incompreensíveis é dos piores suplementos que jamais vi em jornais.

Voltando ao CM. Os temas de capa são sempre a puxar o título sensacional. Imagino  o responsável pelo "fecho" do jornal com as várias notícias possíveis a pensar na que vai destacar na capa, com as letras de garrafa, no espanholismo importado.

Geralmente varia consoante o prato forte do dia anterior Se houver tragédias públicas com mortos é a cornucópia habitual de imagens chocantes com textos esticados ao máximo da descrição subjectiva a puxar ao despudor.

O melhor exemplo desta iconografia de jornal é este, recente e que  tem tudo para vender papel: a foto do monstro, a descrição do acto do monstro, a foto da vítima, uma menina de tenra idade e que concita o horror de qualquer pessoa. É esse o objectivo do jornal: provocar no leitor o desejo mórbido de saber mais e comprar o jornal para tal.



Se não for dia de mortos ainda fumegantes ou sangue fresco derramado em crimes,  requenta-se um desses casos já mais antigo mas com provas dadas na matéria do sensacionalismo.

Ontem, como sempre aliás, houve casos do dia que preencheriam os requisitos. Por exemplo, este:  um indivíduo passa vinte anos na cadeia por ter assassinado uma mulher e depois de seis meses em liberdade, pum! Faca de cozinha em punho e aí vai disto: primeiro uma farmácia e algumas centenas de metros adiante um cofre de um banco. Total da empreitada: 160 euros e uns trocos mais uns artefactos, incluindo um carrinho de mão para levar o cofre. Foi apanhado logo a seguir.

O caso mereceria melhor atenção para se perceber como é que um ex-recluso condenado a 20 anos que cumpriu,  não se ressocializou o suficiente, mas isso não deve interessar muito a Rui Pereira que sabe perorar sobre o assunto em modo teórico e contribuiu para o código que aplicou a pena ao dito. A notícia diz que o assaltante,  "homicida" de há vinte anos e agora para todo o sempre no CM, andava a aprender para se tornar operacional de "call center", daqueles que telefonam ao calhas para tentar apanhar clientes para as operadoras de telefone ou assim.

Também o editor do jornal, responsável pela capa deve ter matutado que era assunto sem interesse de maior e por isso, para a capa de hoje, aparece o caso da "viúva Rosa" mais conhecida no meio do CM como "Rosa Grilo". O assunto já deu várias capas ao CM; várias horas de conversa de chacha na CMTV só batida pelas conversas do futebol e ainda vai dar mais. É a vaca leiteira, actual do CM(TV). Com o que ganham e esperam ganhar deviam pagar a defesa da arguida...afinal o leit-motiv de toda a sensação.

Assim, para além dos fait-divers integralmente narrados nas páginas interiores ( e que constituem diariamente um bom arquivo estatístico digno de permitir análises sociológicas, antropológicas e apenas lógicas  a várias entidades)  aparece esta notícia:


A sensação reside no verbo "gastar" e na expressão "gastar" 10 mil euros em 40 dias. E que a PJ "passa contas a pente fino", para saber tal coisa.
 Esta do "pente fino" é expressão idiomática que paga direitos de autoria à jornalista que assina a notícia, Tânia Laranjo, naturalmente. "Pente Fino" é assim o modo como passa a ser conhecida por aqui: a jornalista pente fino. Fica-lhe bem.

Para passar a "pente-fino" estas notícias de sensação artificial como é que se faz quando o processo que é exclusiva fonte das mesmas se encontra em segredo de justiça? Viola-se o segredo, pois claro.

Como? É perguntar aos peritos na matéria, mormente o académico Rui Pereira que sabe dessas coisas. Como é possível um processo que está em investigação exclusiva na Polícia Judiciária ser fonte privilegiada de informações que deveriam estar ainda em sigilo e afinal são notícia de capa do Correio da Manhã?

Uma investigação a "pente-fino" daria a resposta lamentável e que todos podem conhecer pela leitura da notícia: as informações pelos vistos vêm todas da PJ...e na notícia de hoje também do processo de "regulação de poder paternal", cuja designação formal foi alterada há uns anos e se chama agora regime de responsabilidades parentais...

Seria importante saber, numa investigação a "pente-fino" se as informações do jornalismo do CM se baseia na prática de crimes. Já agora, Rui Pereira pode muito bem dizer qualquer coisa sobre esta hipótese sensacional. Logo à noite, quase todos os dias, na CMTV...



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Steve Bannon, o mal dito

O americano Steve Bannon deu uma entrevista à revista francesa L´Express desta semana. Provavelmente nunca será citado por cá, uma vez que o seu famigerado "populismo" não coincide com o populismo que por cá pulula, todo de esquerda e de causas várias.

Ainda assim vale a pena ler o que quer Steve Bannon para a França e não só: evitar que a Europa desapareça tal como era e seja engolida pela China ou pelos populismos de esquerda.

Bannon aprecia o trabalho e ideias de Bolsonaro, Victor Orban e Marine Le Pen, Matteo Salvini. O que defende Bannon, essencialmente? A civilização ocidental, voilà! Contra aqueles que a querem perder de várias formas. Uma delas, deixando-se invadir por hordas de bárbaros e filisteus, sem regras e apenas para isso: ocupar espaço e lançar ideias de destruição.

Vale a pena pensar nas razões e motivações e procurar saber se em Portugal teria lugar este pensamento. No estado actual, definitivamente não. Os raps que por aí pululam não deixam. Mas como se costuma dizer, o que tem de ser tem muita força...


A Nova Comunicação Social do irrisório

O curso de Comunicação Social na Universidade Nova está aqui enunciado. Trata-se de um Curso de Ciências, não de Letras e o equívoco começa logo aí.

Os docentes ordinários e extraordinários também estão elencados:

Docentes de carreira:

António Fernando Cascais
António Granado
Ana Margarida Barreto
Carla Baptista
Cláudia Madeira
Cristina Ponte
Francisco Rui Cádima
Graça Rocha Simões
Jacinto Godinho
João Pissarra Esteves
José A. Bragança de Miranda
Luís Oliveira Martins
Marcin Lewinski
Margarida Medeiros
Maria Augusta Babo
Maria Irene Aparício
Maria Lucília Marcos
Maria Teresa Cruz
Marisa Torres da Silva
Paulo Nuno Vicente

Docentes convidados e colaboradores:
Alberto Arons de Carvalho
Giovanni Damele
Isabel Afonso de Sousa
João Guerra
José Manuel Costa
José Santana Pereira
Pedro Coelho
Sérgio Mah

O Plano de Estudos da Licenciatura que se apresenta é formidável! Leia-se:
Disciplinas obrigatórias:
Comunicação e Ciências Sociais
Direito e Deontologia da Comunicação
Discurso dos Media
Economia
Filmologia
Filosofia da Comunicação
História dos Media
Mediação dos Saberes
Métodos Quantitativos
Mutação dos Media
Retórica e Argumentação
Semiótica
Sistémica e Modelos da Informação
Sociologia da Comunicação
Teoria da Comunicação
Teoria da Imagem e da Representação
Teoria da Notícia
Teoria Política
Teorias do Drama e do Espetáculo
Textualidades

Tudo isto dá uma competência fantástica aos licenciados nessa Formidável expedição pelos lados ocultos de todas as luas. Assim:

O Curso de Licenciatura em Ciências da Comunicação visa a formação de licenciados com competências profissionais e académicas – tanto tecnológicas como críticas e criativas – no âmbito das linguagens e dos dispositivos da comunicação e das indústrias culturais, enquadradas numa perspetiva ampla e interdisciplinar.

Os licenciados em Ciências da Comunicação ficam habilitados com os conceitos, as ferramentas e as metodologias necessárias ao exercício profissional nas diferentes áreas da comunicação, designadamente em:
1. Jornalismo e comunicação social
a) Jornalismo impresso;
b) Jornalismo radiofónico;
c) Jornalismo televisivo;
d) Jornalismo multimédia e ciberjornalismo.
2. Comunicação estratégica e política
a) Marketing;
b) Publicidade;
c) Relações públicas;
d) Consultoria e assessoria de comunicação.
3. Cinema, televisão e media interativos
a) Produção e realização;
b) Programação cinematográfica e audiovisual;
c) Guionismo;
d) Conceção e produção de projetos multimédia.
4. Comunicação, cultura e artes
a) Crítica cultural;
b) Gestão e assessoria cultural;
c) Programação cultural;
d) Conceção e produção de projetos multimédia.

E quanto tempo demora a aquisição destas excelsas competências em todos esses domínios do saber esotérico das Humanidades e Ciências adjacentes?
Oh! Rápido:
Todos os cursos têm a duração de 3 anos letivos (6 semestres), que juntos somam um total de 180 créditos.

É com estes apetrechos técnicos adquiridos em tempo recorde que temos agora toda essa gente, desde o RAPioqueiro à nova génia Joana a escrever sobre tudo e todos nos programas de tv, rádio e jornais.

Estão a ver a qualidade do produto? É a imagem reflectida dos mestres que os ensinaram. Os nomes estão todos aí...com as carecas que nem cuidam de esconder.

Que miséria a que chegamos em 40 anos de democracia...

Já me esquecia: aqui há uns tempos houve um intelectual que numa entrevista disse que estes cursos eram todos de fancaria. Não disse fancaria. Disse pior que isso.

Deixou à curiosidade alheia o esforço em procurar saber quem foi, já que foi citado neste blog.

E são estes magníficos alunos destes cursos de fancaria que depois escrevem os magníficos textos cheios de calinadas e asneiras que ninguém corrige, sobre todos os assuntos possíveis e imaginários. Quando não sabem bem sobre o que escrever acerca de determinadas matérias que lhes escapam completamente, como é o caso notório do palerma RAP, inventam e asneiram.

Enfim.

Isto é o da Joana...uma boca cheia de dentes.

A propósito do programa da Gente que não sabe estar, de ontem, na TVI do alucinado Sérgio Figueiredo ( há ali qualquer coisa estranha...) fui procurar o paradeiro da nova génia da lâmpada do humor latino.
A Sábado do outro dia mostrava a cara, com uma boca cheia de dentes, da que escreve os textos de alguns programas de tv e rádio:


Tem metro e meio mas já se agigantou nas Produções Fictícias, no humor de ocasião. Vale a pena ler o resto do artigo:


Os cães de guarda dos programas televisivos não têm podengos suficientes para a caça ao ouvinte ou espectador e agora arranjam estes gat@s de porcelana moldados nas madrassas da escola de Comunicação Social.
Esta é da Nova, o novíssimo centro de difusão destas aberrações que se julgam luminárias da cultura e do conhecimento e não passam de borra-botas da indigência intelectual e ideológica residente e dominante em todos os media nacionais.

Naturalmente os programas que engendram e os textos que sarrabiscam nos écrans reflectem essa luz baça da mediocridade infecta.

Ouçam-na num programa tirado à sorte, do Rádio Renascença, outrora um reduto do cristianismo e catolicismo e hoje entregue alegremente aos fautores do irrisório, da ausência de valores cristãos e prenhes de  hostilidade a tudo o que não participe da campanha politicamente correcta das causas fracturantes e opinião uniformizada e única do ateismo, do relativismo cultural e do feminismo mais primitivo e militante.

Compreenderão melhor a valia desta canalha que se julga a última maravilha deste planeta dos homens travestidos de macacos de imitação.

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Um tema clássico da comédia: RAPioquices no circo da tvi

Este naipe de gente dedica-se a escrever e apresentar textos humorísticos num programa que começou há pouco tempo na TVI do alucinado Sérgio de Figueiredo.


Esta gente que aí está ajuda, "colabora", ganha a sua vidinha a escrever textos supostamente humorísticos que são apresentados na TVI semanalmente pelo RAPioqueiro-mor  que junta o melhor do estipêndio que a TVI lhes dá em troca do serviço. É um pequeno milionário do humor caseiro, passando a vida a desfazer da alheia. Um dia alguém lhe pagará em dobro tanta benemerência, estou certo.
Chamam-se assim estes palhacitos da modernidade: Cláudio Almeida, Manuel Cardoso, Cátia Domingues, Guilherme Fonseca e Joana Marques mais os três que empocham o melhor do circo que montaram. Parece que a estrela da companhia circense é uma tal Joana, que assume que aquilo é dela.

Hoje, um dos temas de rábula foi a decisão do CSM sobre o caso do juiz Neto de Moura. Não poderia faltar e estava à espera do menu. Não me desiludiu a rapioquice ignóbil que vi e ouvi, sem qualquer ponta de graça com todos. Sendo um dos temas da semana, a equipa de palhacitos alinhou assim as primeiras frases:

"O juiz Neto de Moura,- todos nos lembramos- foi o que diminuiu a pena de dois homens que espancaram uma mulher  da qual eram respectivamente o marido e o amante e espancaram-na com uma moca com pregos que nós aliás temos aqui- trouxemos a moca com pregos porque dos três elementos que cometeram o crime acaba por ser o mais decente e apresentável" e p´tanto Neto de 
Moura, recordamos para diminuir a pena dos criminosos invocou a Bíblia. "

Asneiras jurídicas da equipa de palhacitos? Quem se importa?  O que lhes interessa é o panache da ignomínia, da ofensa encenada numa indignação abacocada, sem se incomodarem minimamente em perceber a realidade do facto. O facto? Que facto?  O facto,  para esta trupe de imbecis assenta apenas no facto falso e agora tornado verdadeiro pela mediatização adulterada: o juiz diminuiu a pena de dois energúmenos com menos valor que uma moca de pregos. É esse o facto em causa...

Depois disso tudo lhes foi permitido: apodar o juiz de imbecil, mais burro que uma criança da primária que nem chegou à tabuada dos nove; menos inteligente que uma galinha que escolhe o código penal em vez da bíblia para depenicar a preferência certa e mais tapado que um calhau com olhos desenhados a preceito.
Foi assim: Neto de Moura foi apresentado à audiência do programa como menos esperto que um "puto sacana", mais estúpido que uma galinha e mais tapado que um calhau com olhos.

Quanto à decisão do CSM, o RAPioqueiro  mostrou como deveria ser: enrolou um papel supostamente com a decisão da advertência e sugeriu que o rolito deveria ser enfiado pelo rabo acima do desembargador até este ficar farto ou passar a gostar...

Está entendido este tipo de humor? É o da Joana...

António Barreto, seguidor de Panurgo...

A. Barreto tem sido um articulista irregular há dezenas de anos, nos jornais. Lembro-mo da década em que o Expresso lhe dava um quadradinho na primeira página para ele escrever o que lhe apetecia sobre os fenómenos políticos e sociais.
Adquiriu um estatuto de sábio, pela idade e barbas grandes, também por algumas ideias e provavelmente muito por nesta terra haver demasiados mirolhos. É um pequeno rei desse domínio tendo já defendido publicamente e em várias ocasiões que a investigação criminal deveria prescindir de modo absoluto de escutas telefónicas.  Logo a seguir é capaz de elaborar discurso sobre a corrupção e o seu combate eficaz...

Hoje tem este artigo inacreditável para quem ainda deveria conservar o módico de credibilidade que a idade e a sensatez costumam conferir.


O artigo sobre a Justiça, Justiça, e refere-se a um juiz ( Neto de Moura, mas não o nomeia) assim:

"Foi agora que se viu com nitidez uma sentença famigerada de um juiz com real insuficiência moral, cuja expressão pública obrigou o  Conselho Superior a uma triste exibição de uma parte dos seus membros".

Esta apreciação está ao mesmo nível das outras que por aqui já citei, desde a do RAPioqueiro ignorante que tem a mania que sabe tudo, através de leituras e da formação que o curso de Comunicação Social lhe confere, até à feminista Lucas Coelho que confundi erradamente como filha do Eduardo PC de antanho e lhe associei os vícios intelectuais.

Meter numa mesma frase a ideia que a sentença famigerada mostra com "nitidez" algo que afinal  o cronista não consegue perceber e definir o juiz como moralmente insuficiente é, para além de uma inusitada e escusada estultícia ofensiva, ad homimen, um erro em duplicado.

Conhece porventura o juiz em causa? Eu não conheço e nunca me atreveria a dizê-lo moralmente insuficiente, muito menos pelo que escreveu. António Barreto precipitou-se e ofendeu gratuitamente um juiz de direito, contribuindo para lançar achas para uma fogueira que pelos vistos o aquece. Lamentável.

E a sentença mostra com "nitidez" o quê, afinal? António Barreto leu o acórdão todo ( que pode ser lido aqui) , percebeu o conteúdo todo, o significado da decisão in totum? Não, claro que não porque admitir tal coisa é relegá-lo para o papel de ignorante e estúpido, por não saber ler, o que aliás é sentido de quase todos os comentários mediáticos.

Vou colocar aqui, ipsis verbis o que o juiz relator em causa disse sobre o assunto fundamental que era a suspensão ou não da pena de prisão. O tribunal, singular ( instância local, um juiz, o que significa que o crime nunca seria punível com pena de prisão superior a cinco anos, segundo as regras processuais penais. Ora para tais penas é admissível a suspensão das penas e necessário dizer porque  tal ocorre).  O ministério público recorreu da sentença e da suspensão da pena. Mas na Relação o Ministério Público divergiu da posição do MºPº da primeira instância, como se diz no acórdão:

Subiram os autos ao tribunal de recurso e, já nesta instância, na intervenção prevista no art.° 416.0 , n.° 1, do Cód. Proc. Penal, o Ex.mo Procurador-Geral Adjunto emitiu douto parecer (fls. 1468 e segs.) em que, divergindo da posição do Ministério Público na i.a instância, se pronuncia pela improcedência do recurso quanto à impugnação da decisão sobre matéria de facto, mas admitindo o agravamento das penas de prisão aplicadas aos arguidos, devendo, no entanto, manter-se a suspensão da respectiva execução.

 E depois temos o segmento da vexata quaestio:

"O recorrente considera que as penas não reflectem a gravidade dos factos e o grau de culpa dos arguidos e exigências de prevenção, quer geral, quer especial reclamam a cominação de penas bem mais severas (para mais do dobro!). É inquestionável que a função de prevenção geral, que deve acentuar perante a comunidade o respeito e a confiança na validade das normas, tem de ser eminentemente assegurada. No entanto, como já se deu a entender, não partilhamos da opinião da digna magistrada recorrente sobre a gravidade dos factos nem sobre a culpa dos arguidos, especialmente do arguido X. Este caso está longe de ter a gravidade com que, geralmente, se apresentam os casos de maus tratos no quadro da violência doméstica. Por outro lado, a conduta do arguido ocorreu num contexto de adultério praticado pela assistente. Ora, o adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem.

Se o desembargado tivesse ficado por aqui nada se passaria. Há inúmeras decisões sobre estes assuntos em que se suspendem penas de prisão apenas com tais considerandos, sem mais. Neto de Moura não precisava de dizer o que disse a seguir, para manter a suspensão de pena decretada no tribunal de primeira instância, mas, infelizmente, disse, abrindo porta ao jornalismo incendiário e de causas feministas que tem forno e brasas acesas no Público e Cofina, com pelourinho posto

O segmento que atiram à "suficiência moral" do referido juiz é este e só este:

"Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia, podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida com a morte. Ainda não foi há muito tempo que a lei penal (Código Penal de 1886, artigo 372.0 ) punia com uma pena pouco mais que simbólica o homem que, achando sua mulher em adultério, nesse acto a matasse. Com estas referências pretende-se, apenas, acentuar que o adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher. Foi a deslealdade e a imoralidade sexual da assistente que fez o arguido X cair em profunda depressão e foi nesse estado depressivo e toldado pela revolta que praticou o acto de agressão, como bem se considerou na sentença recorrida. "

Sabe António Barreto quantos juízes decidiram o que ficou decidido? Aliás, sabe António Barreto o que foi realmente decidido, qual a matéria de facto e de direito em causa, num julgamento e não no fenómeno que o extravasou? Não deve saber, mas poderia saber se soubesse ler e se informasse devidamente.

Aparentemente, o que A. Barreto julga conhecer será mais isto que é o julgamento sumário do tal juiz e a sentença de preceito, na hora que lhe foi aplicada, já sem recurso possível:

No acordão, foram invocados a Bíblia, o Código Penal de 1886 e até civilizações que punem o adultério com pena de morte, para justificar a violência cometida contra a mulher em causa por parte do marido e do amante, que foram condenados a pena suspensa na primeira instância. "O adultério da mulher é uma conduta que a sociedade sempre condenou e condena fortemente (e são as mulheres honestas as primeiras a estigmatizar as adúlteras) e por isso vê com alguma compreensão a violência exercida pelo homem traído, vexado e humilhado pela mulher", lê-se na decisão do tribunal superior assinada pelos dois embargadores.
Este acórdão levou a que fossem conhecidas outras decisões assinadas por Neto de Moura. Em 2010, o juiz também não considerou graves as bofetadas e pontapés que uma criança de quatro anos sofreu às mãos do pai. Segundo o Correio da Manhã, em 2010, quando estava no Tribunal da Relação de Lisboa, Neto de Moura considerou excessiva a pena de quatro anos e seis meses aplicada a um homem que tinha agredido a mulher e a filha de quatro anos. O juiz considerou que o facto de a criança ser pontapeada e esbofeteada em casa e na rua enquadrava-se no limite do que é considerado aceitável do poder de correcção dos pais sobre os filhos.


Saberá A, Barreto que são os juízes que julgaram o juiz Neto Moura desse modo sumário e apenas com base nos excertos do acórdão que relatou? No caso acima exposto, da revista Sábado, do tribunal do grupo Cofina, a juíza é uma tal Catea Andrea Costa. Gostava de saber o currículo profissional desta juiza mediática...

Viu A. Barreto, pelo menos este video disponível na NET, ( basta ver o video e as perguntas da jornalista para perceber a profunda ignorância desta gente sobre estes assuntos. Até fala em "liberdade condicional" e replica com perguntas sobre a tal citação da Bíblia, sem perceber o contexto. Incrível, como esta juíza mediática tem carta branca para dizer e escrever tantas asneiras, sem que haja um qualquer csm da profissão que a puna por isso) com declarações do advogado do juiz julgado pelos media? As declarações do advogado, breves, são suficientes para se entender o que estava em jogo. Evidentemente a jornalista não entendeu patavina...mas continuou a julgar Neto de Moura.

E saberá A. Barreto quem são os juízes dos tribunais que julgaram o caso concreto que serviu para julgar o juiz?

Eu digo: foram pelo menos três juizes a analisarem tal matéria e a decidirem. Um(a) na primeira instância e dois na segunda, com o juiz Neto de Moura a relatar e a escrever o que foi escrito e permite agora António Barreto apelidá-lo de "juiz com real insuficiência moral"...

Lamentável  e triste. Como pode alguém escrever sobre Justiça, Tribunais, sentenças e juízes sem perceber o significado concreto e real das decisões, do modo como se tomam e principalmente dos factos realmente em causa, nesse contexto muito concreto?

Fácil: faz como os juízes dos jornais, agora também maioritariamente juízas que ao contrário das dos tribunais, são ignorantes, incompetentes e seguidoras de causas avulsas que sabem ter acolhimento em quem lhes dá trabalho.

E como estamos a assistir a um recrudescer destes fenómenos inquisitoriais nas redacções contra certas decisões dos tribunais, seria interessante saber quem as fomenta quem decide fazer reportagens sobre o assunto; quem lhes fornece os casos concretos e quem os inspira...tudo isso porque estamos perante uma Causa política e ideológica que se esconde sob a capa de jornalismo...e pretende alterar o modo como vivemos em sociedade. Não para melhor como querem fazer crer, mas segundo o que acreditam ser o melhor, com predomínio de ideias peregrinas sobre o machismo, a moral de costumes, etc etc.

Pode não ser  uma conspiração mas que las hay las hay.

O juiz Mourão volta à vindicta privada no CM

O juiz Pedro Mourão que assim se apresenta, nessa qualidade profissional, na coluna que escreve de vez em quando no CM, volta hoje a publicação para mandar recado particular. Tem sido assim, nos últimos escritos.

A última vez que lhe permitiram usar o jornal para tal efeito de vindicta privada foi em 29 de Dezembro do ano passado. Pode ler-se aqui como  então se atirava por escrito ao actual presidente da ASJP e o modo elevado como o fazia: sem o nomear e pela chocarrice mais chã ( compará-lo aos Kims da Coreia).

Hoje volta ao ataque inominado para revindicta privada contra alvos incertos mas precisos.


É isto de um juiz?

sábado, 9 de fevereiro de 2019

Como é difícil governar...a CGD!

Jornal Económico:

Paulo Macedo admitiu que CGD vai trabalhar com três sociedades de advogados por causa de incompatibilidades que estes têm aqui e ali. Revelou duas que já contratou: Vieira de Almeida e Linklaters. Mas terá de haver uma terceira sociedade.

Caixa Geral de Depósitos (CGD) vai precisar de contratar pelo menos três sociedades de advogados para avaliar processos de responsabilidade civil sobre ex-gestores, devido à existência de conflitos de interesse. A revelação foi feita na quinta-feira por Paulo Macedo no Parlamento.


Não há mais ninguém em Portugal, na área jurídica para tratar destes assuntos tão, tão complexos que mais ninguém os entende a não ser a Vieira de Almeida. a Linklaters e quejandos. 

Isto é corrupção,  mas da boa.  Da pura, daquela que é indetectável a olho nu e por isso fica à vista de todos, porque é perfeitamente legal. Só gostaria de saber o orçamento da empreitada. Deve dar para pagar um mês de ordenado a todos os "escravos" que lá andam a mourejar pelos 2 mil euros por mês...

Portanto duas já estão escolhidas e falta uma terceira. Acho que é fácil de adivinhar qual vai ser...

Para a CGD são trocos. Para quem lá tem o seu dinheiro e paga as taxas e comissões é um perfeito abuso de gestão. Uma anomalia que o tal Macedo se fosse patrão privado nunca cometeria. 

BCP: era desta explicação que estava à espera...

Filipe Pinhal, no Sol de hoje, explica o que sucedeu no BCP. Sabe do que fala:


Os cucos e os papagaios da fauna opinativa mediática

Ontem nas tv´s houve um happening acerca dos casos de "violência doméstica". Na sequência da histeria mediática impressa, particularmente no Público e Correio da Manhã ( sempre Tânia Laranjo, a incendiária destes costumes que trabalha para a sensação 'permamente, com "monstros" e histórias sincopadas no dizer e escrever) praticamente toda a gente nos media botou faladura sobre o assunto. Há que preencher espaço e tempo...

O tom geral em todos os canais foi de malhar nas instituições como as polícias, o mp, juízes e tribunais,  responsáveis avulsos e mais alguns, por causa das mortes em catadupa nos casos de violência entre casais e familiares.

Programas inclusivos como O Último apaga a luz, na RTP, que reúne Raquel Varela, comunista idiossincrática; uma tal Inês Pedrosa, que me parece burra todos os dias, e atrevida sempre; um certo Rodrigo Moita de Deus, pobre envergonhado de uma direita ausente e Joaquim Vieira, o jornalista de recortes e entrevistas que chamou corrupto a Mário Soares, em quatro artiguinhos de revista ( e que acabou por causa disso) mas que não vê um boi à frente nestes casos singulares; programas exclusivos como o cada vez mais soturno programa da TVI, Governo Sombra que reúne o RAPioqueiro ignorante destas matérias mas sabedor de todas as demais, juntamente com os outros sabe-tudo que peroram com uma facilidade estonteante, dando notas de humor e alta sabedoria informada. Ontem foi tempo de  casos tão diversos como a crise na Venezuela e a crise da violência doméstica, tudo no mesmo registo de sentença sumária; e outros programas ocasionais, em todos os canais, comungaram do mesmo desiderato: não pode morrer tanta mulher à mão de parceiros e a culpa é de tudo e de todos, particularmente de tribunais e polícias, perfeitos bodes expiatórios que além do mais nem podem defender-se nos mesmos comprimentos de onda e assim é mais seguro e as patacoadas passam impunes.

Todos, sem excepção, se lembraram a propósito da "violência doméstica" que  "já matou 9 mulheres só no primeiro mês do ano"   do desembargador Neto Moura, outro perfeito bode expiatório para tais sumidades formadas em comunicação social e cursos adjacentes, se espraiarem na arte de bem malhar toda a instituição, com tiradas verbais contundentes.
Não será de admirar porque o próprio Conselho Superior da Magistratura tudo fez para que tal fosse possível. Entre sete Conselheiros a propor o devido arquivamento apareceram dois que fizeram a diferença para a devida punição: o presidente do dito e ainda o habitual vice-presidente.
Confesso que estranhei o medo próximo da cobardia,  do presidente, tido como homem sem medo. Mas depois fui ver o currículo e  dei com uma tristeza: é pessoa de paixões clubísticas que retiram bestunto a quem o deveria ter...

Na parte da manhã, numa intervenção avençada ( estas pessoas têm acesso privilegiado aos media pagos por todos)  e lida na Antena Um, apareceu inopinadamente uma tal Alexandra Lucas Coelho "jornalista e escritora" de quem nunca lerei um livro, mas que orienta culturalmente a mente de alguns pobres de espírito. Desferia impropérios pegajosos de agressividade ao CSM que se limitara a aplicar a pena de advertência para o delito tão grave praticado por aquele desembargador que tivera o topete de citar a Bíblia para manter  a suspensão de pena a um  convicto energúmeno.  O devido teria sido a prisão firme por longos anos, porque é assim a justiça dos seus códigos particulares. E citava passagens descontextualizadas do acórdão para mostrar a razão para as vergastadas inquisitórias. Hábitos herdados do pai, o falecido Eduardo PC, um oportunista letrado dos costumes intelectuais importados de França [ alguém teve a gentileza de me dizer que esta Lucas não é filha do Prado, porque há outra no Público que tem tal apelido e a confusão pode gerar-se, como se gerou. As minhas desculpas à genuína, embore suspeite que estas ideias marinam na mesma água choca de um feminismo militante que quer à viva força importar para cá ideias peregrinas vindas sabe-se lá de onde].

Tudo isto me levou a uma reflexão que nem é de agora: como compreender que todos esses media, tv, rádio e imprensa, sejam unânimes na opinião dessa gente que contratam a peso de euros de avença regular?

Nota-se que não há, neste como noutros casos similares, uma tentativa, por ténue que seja, de encontrar um vislumbre de opinião democrática traduzida em apresentação de opinião diversa, por muito pouco divergente que seja. Nada. A única opinião transmissível é a que se encontra já formatada nessa tendência politicamente correcta.
Parece-me anómalo que se tolere a intolerância que tal significa.
Estes casos recentes de violência trágica entre casais, com mortes a mais, foram já precedidos de opinião veiculada por alguns media, com particular destaque para o Público que iniciou a autêntica cruzada contra certas decisões judiciais, logrando manipular uma parte importante da opinião pública no sentido pretendido a uma causa, feminista, partindo do contexto particular de tais casos.

A manipulação é tanto mais perfeita quanto a opinião recolhida dos "peritos" na matéria, psicólogos, psiquiatras, certos juristas e activistas sociais é sempre no sentido do unanimismo opinativo. A impressão que transmitem e que não há mais opinião para além dessa que se transmite e sufragadora da  Causa.

No caso particular do juiz Neto Moura, foi ouvido o mesmo como deve ser? Não, apenas foi interrogado circunstancialmente por telefone e sem contraditório verdadeiro. Acaso os juízes do CSM que votaram a favor do arquivamento do processo disciplinar que no meu entender nunca deveria ter sido instaurado, explicaram fosse o que fosse a tais media? Nada de nada. Silêncio completo.

Resta por isso a opinião unânime desses borra-botas do jornalismo de causas e também a dos avençados dos programas de opinião, pagos para dizer larachas, no caso do rapioqueiri e colegas de programa ( triste, triste a opinião de um indivíduo que costuma ser um pouco mais sensato, como Pedro Mexia) e pagos para dizer coisas avulsas no caso do programa em que o último apaga a luz.

Mas há algo de novo nisto:

É bem provável que a opinião expressa e vendida desse modo seja fake, não seja a verdadeira opinião que guardam para si. Explico-me: eles no fundo não sabem bem o que dizer, mas não estão ali para se armarem em cucos cujo ninho não lhes pertence, como é habitual. Ora na iminência de perderem o ninho que os acolhe e lhes dá alento e alimento, exprimem a opinião pré-fabricada e que sabem não incomodar os donos da intelligentsia.

No fundo é essa tristeza que os habita: em vez de cucos  preferem  ser  papagaios. Sempre são mais vistosos.
Em resumo; esta gente que opina deste modo não é para ser levada a sério. Não sabem o que dizem porque dizem o que julgam ser mais favorável a quem os emprega ou lhes dá poiso. Não vejo outra explicação para tanto unanimismo acéfalo.

A par disso aparece outro avençado que pode acumular um vencimento de funcionário público superior com estipêndio regular da Cofina: Rui Pereira, cujo contributo já por várias vezes encomiei por ser pessoa sabedora e por isso mais responsável.

Escreve assim no CM de hoje:


Repare-se, para quem não sabe:

Rui Pereira foi responsável há cerca de dez anos pela alteração da legislação penal que agravou penas mínimas para o crime de violência doméstica e defendia há vinte a natureza pública de tal crime, o que só aconteceu em 2000.

Ainda assim não conseguiu resolver a questão da incongruência que representa tal natureza pública do crime com o direito de familiares directos dos arguidos se recusarem legitimamente a depor ,o que conduz a absolvições por ausência de prova admissível ou mesmo arquivamento de inquéritos.

Nisso, não fala Rui Pereira. Como não fala na dificuldade que qualquer perito , por muito experiente que seja, ( e coitados dos agentes da GNR e PSP, dos núcleos NIAVE que lidam directamente com tal criminalidade) em detectar apenas indiciariamente, comportamentos de perigo para potenciais vítimas. Geralmente só com o depoimento de vítimas que se apresentam como tal ( e pode nem sê-lo do modo como contam) se recolhem tais impressões e que são assinaladas por "cruzinhas" em formulários.

As questões verdadeiramente complexas que esta criminalidade envolve, a que não são alheias as particulares circunstâncias de todos os casos, tornam imperativa uma análise que permita concluir, com aproximação que seja ,se aquelas medidas patrocinadas por Rui Pereira terão sido mais positivas que negativas.

Para mim, já o escrevi, são mais perniciosas que outra coisa. Mas veremos...