domingo, setembro 26, 2021

RTP, a estação dos fretes políticos

 Artigo de Eduardo Cintra Torres no CM de hoje, sobre a RTP: uma miséria que vive à custa de impostos e não respeita as opções de todos os que os pagam. Apenas os do poder do momento. Uma imoralidade e um escândalo que dura há décadas. Uma obscenidade permanente para sustentar os calaceiros e incompetentes que a gerem e orientam politicamente.



sábado, setembro 25, 2021

Anos setenta, a imprensa musical

 A imprensa musical em Portugal começou praticamente no início dos anos setenta. Nos anos sessenta praticamente não havia jornal ou revista dedicado em exclusividade à música popular de alguma qualidade, nacional ou estrangeira. 

No rádio, o programa Em Órbita  era uma referência nesse tempo remoto da segunda metade dos sessenta e no panorama da música popular, mas havia falta de imprensa dedicada. 

Havia revistas de espectáculos e televisão, como a Nova Antena, a Plateia, a Rádio & Televisão e poucas mais. 

Em 1968, surgiu a revista Cine-Disco, depois transformada em Mundo Moderno e que veio colmatar a falta de informação sobre assuntos destinados a um público jovem, mas a primeira publicação a impor-se nessa área específica, foi o Mundo da Canção, surgido em finais de 1969 e que durou até aos anos oitenta, em publicação mais ou menos regular.

A Mundo Moderno era um pequeno mundo, na época e prenunciava mudanças nos costumes:

Logo início de 1971, nascia o jornal quinzenal, sem variações de cor, Disco, música e moda. O modelo, graficamente e por assuntos, era o inglês Disc, and music echo

Havia nessa altura, no dealbar dos setenta, uma apetência pela novidade "lá de fora", de onde sopravam os ventos. Em 4 de Dezembro de 1970 a Flama publicou um anúncio que me impressionou pelo "modernismo" do design e também pelos temas:

Referia-se a este disco então  publicado e lá estavam dois esquerdistas, um comunista e outro socialista bem notórios...



Substancialmente eram estas as publicações nacionais, nos anos setenta, sobre música popular: 



E estas eram algumas de espectáculos:

E do estrangeiro tínhamos pelo menos estas, regularmente, nos quiosques:


Portanto, os escribas nacionais tinham muito por onde ler, copiar e transcrever, nas recensões críticas e artigos que escreviam para os jornais e revistas da especialidade, o que aliás faziam sem grande prurido. 

Por exemplo, no Disco de 1 de Outubro de 1971, um artigo sobre Jethro Tull era assim traduzido da Rolling Stone, sem sequer indicar a fonte, para além do autor, identificado: 




O original vinha daqui, da edição de 22 de Julho desse ano, o que denota que a revista foi lida na altura e o artigo devidamente traduzido ( eventualmente à socapa da mesma):







Assim, a imprensa nacional alimentava-se muito de "estrangeiro". Curiosamente, numa edição da revista de R&T de 5 de Dezembro de 1971 aparecia um artigo notável de uma "crítica" cuja qualidade ultrapassava a de todos os que escreviam na Mundo da Canção ou no Disco, música & moda. 
Não sei o que é feito desta Teresa Botelho ( afinal parece ser esta...o que é ainda mais curioso)  mas tiro-lhe o meu chapéu à distância de 50 anos. E tem outros artigos noutros números igualmente dignos de nota alta. 

Escreve sobre Bob Dylan e música popular norte-americana, designadamente da costa oeste,  num estilo que aprecio e que está aliás adaptado em termos politicamente correctos, aos tempos que correm,  referindo um single publicado na época, sobre George Jackson e um assunto que se assemelha ao Floyd dos dias de hoje. Foi com esse single que despertei para a música de Bob Dylan, nessa altura de 1971.

Obviamente, Teresa Botelho lia muito bem na época a...Rolling Stone, mas nem por isso deixava de escrever em modo original e interessante. Muito mais que os daquelas publicações mencionadas. 



sexta-feira, setembro 24, 2021

Os negacionistas são fassistas, não são?!

 Parece ser consensual, pelo menos segundo a Wikipedia, que a palavra "negacionista" é neologismo referente a um fenómeno bem preciso: o da negação de factos históricos, geralmente assumidos e relacionados com o extermínio em massa de judeus, pelos nazis. 

A palavra, neologismo recente dos últimos vinte anos, não migrou para outros domínios até agora. Por fenómeno curioso e com efeito mediático também já generalizado, passou agora a designar os que contestam a validade das medidas sanitárias e as vacinas relativas aos novos vírus a combater. De um campo estritamente político-social e com reverberação precisa nesse domínio, invadiu outro terreno socialmente mais extenso e que se tornou politicamente relevante, ultrapassando a fronteira científica e sanitária. 

Parece óbvio o mecanismo de assimilação do conceito a outros temas que contendem com a contestação de aparentes verdades mediatica e socialmente estabelecidas e a sinestesia operada com a noção de contestação do Holocausto. Negacionista passou a ser um termo mais abrangente e conotado igualmente com minorias contestatárias de verdades maioritariamente estabelecidas. 

Os fenómenos de contestação de verdades tidas como evidentes ou incontestáveis pela maioria podem ser observados de vários pontos de vista e os que se juntam para organizar defesas contrárias às perspectivas maioritárias são fatalmente catalogados de "negacionistas", mesmo sendo apenas cépticos. 

O fenómeno de radicalização e cerco ao "negacionista" assume deste modo o mesmo contorno que ocorreu com a palavra "fascista", em Portugal e por isso a semelhança do fenómeno, a meu ver.

 A sociedade portuguesa, antes de 25 de Abril de 1974 era um tanto ou quanto monocromática por opção do poder político, declaradamente avesso a uma democracia parlamentar como a que surgiria depois. 

Pegando num exemplo concreto, o do lugar de representação do poder legislativo a Assembleia Nacional de 1972 tinha este aspecto: 


Dali a quatro anos, o ambiente alterou-se radicalmente e mudou-se o nome para Assembleia da República: 



Passados 40 anos alguns dos que lá estiveram foram comemorar o feito:


Quem se atrever a mencionar actualmente a Assembleia como "nacional" recebe provavelmente o epíteto de fascista ou fassista, como diz o comunista Domingos Abrantes. Fascista porque se remete a um passado que combatia ideologicamente tal democracia alargada ao comunismo e com representação na Assembleia. 

No tempo da Assembleia Nacional quem defendesse a ideia comunista era relegado para o olvido democrático e impedido de se manifestar publicamente. Era ipso facto um negacionista da realidade vigente que entendia o comunismo como diabólico e atentatório do modo de vida ocidental e cristão, de carácter subversivo e potencialmente destruidor da liberdade tal como a entendiam aqueles. 

Passados quatro anos inverteu-se completamente o termo e negacionista da nova realidade social passou a ser o fascista que impediu o comunista de se representar na mesma Assembleia. 

Há porém, uma contradição nesta aparente simetria: o comunista e o democrata ao modo ocidental deveria aceitar no seu seio aqueles que o contestam, porque é essa a essência da referida noção democrática. 

Porém, não o fazem e tornam-se radicalmente mais intolerantes do que os aludidos fascistas relativamente ao tempo em que eram maioria na mesmíssima Assembleia de representação popular. 

Como é que tal ocorre? 

No tempo da Assembleia Nacional os comunistas tinham liberdade de expressão às escondidas e publicitavam a sua ideologia através de meios clandestinos por lhes ser vedada a liberdade de expressão pública e em representação eleitoral. Mas faziam-no, publicando textos em jornais, revistas e livros, nos quais escreviam em entrelinhas acerca do seu desiderato: transformar a sociedade radicalmente, eliminando a "burguesia", ou seja, os fascistas a quem assimilavam todos os que combatiam o comunismo.

O discurso oficial contra tal negacionismo era claro mas de tal modo empolado que por força da censura era também desvalorizado e bastaram algumas, poucas, semanas após o 25 de Abril de 1974 para se transformar tal negacionismo no discurso oficial e exclusivo, ainda mais do que fora aquele anterior. 

O radicalismo comunista ( do PCP e extrema-esquerda) a que se associaram outras forças influenciadas pelo marxismo, como o PS e o PPD/PSD, tornou-se avassalador e determinante para se conseguir aprovar uma Constituição que tornou tal discurso o oposto ao que existira antes, com a famigerada expressão de que Portugal era um país em via de se transformar em sociedade sem classes. 

Quem não vê este fenómeno como um dos mais extraordinários da segunda metade do séc. XX português, tenderá a falhar a perspectiva deste novo negacionismo agora instalado em Portugal, abrangendo já outros domínios político-sociais. 

O que se passou em Portugal durante o PREC de 1974-75 é ilustrativo da mutação político-social operada. 

Assim quem se atrevesse a questionar ou contestar a legitimidade, mesmo democrática de partidos marxistas-leninistas ou maoistas, como o PCP, o MRPP ou toda a extrema-esquerda, era catalogado de fascista e ostracizado, perseguido, "saneado" e mesmo preso, como aconteceu em 28 de Setembro de 1974. 

Se o regime que tal comunismo pretendia instaurar em Portugal fosse avante, teríamos como classe inteira de negacionistas, todos os que não aceitassem de bom grado e bico calado o novo sistema. Não é profecia, apenas a lembrança do que ocorreu nos países de Leste após a Segunda Guerra Mundial que caíram sob o jugo do comunismo, como aconteceu por exemplo na Alemanha de Leste. 

Não me parece despropositado fazer o paralelo com os negacionistas actuais, igualmente desprezados pelo mainstram mediático e ostracizados, tal como aconteceu com uma figura como Trump ou Bolsonaro ou mesmo Victo Orbán. 

Sendo figuras que não encaixam na ideologia dominante, esquerdista e reflexo de tal esquerdismo enquistado durante décadas na mentalidade dominante, principamente mediática, são catalogados frequentemente como "negacionistas" tout court. 

Não se trata apenas de denunciar erros ou catalogar disparates ou dislates dos ditos "negacionistas" o que é coisa diversa de perseguir, processando, mesmo criminalmente ou censurando, votando a um ostracismo activista quem pensa de modo diverso. É portanto o grau de "reacção" e violência contra tal dissidência que permite o paralelo aqui exposto e nada mais. Esse fenómeno de reacção agressiva a quem pode estar errado e afinal atenta mesmo e apenas contra um senso comum é que se afigura perigoso porque revela a natureza do radicalismo subjacente e paralelo a outros já verificados anteriormente, em Portugal. É uma ultra-reacção contra quem permanecerá sempre minoritário e por isso inócuo e revela apenas a insegurança de quem a protagoniza ou o carácter radical de quem a defende.

Portanto, nada que seja substancialmente diferente do que ocorreu em Portugal durante o PREC e continuou anos a fio, até hoje. 

A perseguição à Igreja Católica nesse tempo teve o mesmíssimo reflexo, porque a Igreja negava ao comunismo o direito de cidadania ditatorial, tal como era óbvio ser pretensão de tal ideologia. E por esse motivo a Igreja Católica assumia o papel de negacionista de tal realidade, sendo apontada como tal, ou seja reaccionária e fascista, como o arcebispo de Braga, D. Francisco Dias da Silva, ultrajado publicamente, como se mostrou.

O aparecimento do Chega como partido é um dos fenómenos que permite equacionar melhor a distorção operada durante estas décadas em função daqueles factos e acontecimentos. 

O CHEGA é entendido pelos mesmíssimos representantes do marxismo-leninismo e por todos os novos inquilinos do palácio de S. Bento como o representante máximo do negacionismo da democracia tal como a entendem, restrita e afinal capada como era o regime anterior. 

A democracia para as forças políticas que se acantonam à esquerda do PS e incluem franjas importantes de um PSD actual, é digna apenas de quem não tolera o que designam como fascismo, no qual incluem o tal CHEGA. 
Tal como o regime anterior não tolerava o comunismo...

Se isto é democracia tal como deve ser entendida é discussão que fica para outra ocasião, se calhar. 

O papel dos media, como as revistas citadas, na denúncia dos "negacionistas" das vacinas e outras temáticas actuais ( clima...feminismo...racismo...etc. etc.) é reflexo da educação ideológica dos seus directores de então e de agora, formados essencialmente no marxismo-leninismo de pacotilha, com base nas ideias feitas de luta de classes singela e simplisticamente assumidas.  

Os cursos de comunicação social actuais com os frutos visíveis nos profissionais do jornalismo nacional, parecem-me eivados de tais preconceitos ideológicos, susceptíveis de conduzirem directamente aos fenómenos de intolerância activista, relativamente a movimentos como os aludidos, em  nome de um politicamente correcto que se afigura pernicioso da autêntica profissão de jornalista, observador de realidades e capaz de isenção no respectivo relato. 

Para encontrar alguém com características assim, no panorama jornalístico nacional será ainda mais difícil do que no tempo de Diógenes que se servia de candeia num dia de sol para tentar encontrar um...homem verdadeiro. 

É este o paralelo que encontro entre as noções de negacionista e os comportamentos do passado e do presente. 

No fundo o que pretendo dizer é simples: os negacionistas merecem atenção e quando não concordamos com os mesmos, o melhor é combatermos as ideias e deixar as pessoas em paz. E se foram mesmo insensatos nem sequer devem merecer atenção. Como costuma dizer uma sabedoria antiga ( da minha mãe e que já vinha da minha avó) : a um maluco, dá-se o caminho todo...

E se alguém tem dúvidas na identificação destes novíssimos torquemadas, aqui fica o retrato de uma, directora da revista Visão ( propriedade de uma empresa fantástica, a Trust in news do ainda mais fantástico Luís Delgado que herdou o negócio da revista de alguém na sombra da Lapa) em escrito desta semana :



quinta-feira, setembro 23, 2021

Um Abraço ao poder local em Arroios...

 Sábado de hoje: 





Uma autarca conhecida vai às compras ao mercado. Diz a Sábado que foi às compras pessoais em carro da autarquia e não pagou. As compras foram efectuadas em mercado gerido pela autarquia e pelos vistos, segundo a Sábado é sempre um ver se te avias, no local. 

Um dos comerciantes até foi explícito: "não lhe cobro a fruta. Não me sinto à vontade". 

Pois não é preciso mais para que o MºPº organize desde já um inquérito criminal, por vários ilícitos penais se encontrarem  indiciados e por esse país fora há inúmeros autarcas a braços com denúncias por muito menos que isto. 
Isto, além do mais é simplesmente incrível e denota o à vontade em que este tipo de situações acontece.  
Ah! A autarca tem um advogado conhecido: Ricardo Sá Fernandes. Julgo que costuma falar em corrupção...como um flagelo, mas ainda o vamos ver a defender o indefensável, na tv, o que aliás não seria a primeira vez. Enfim, é o país que temos, como dizia já não sei quem...

ihr Kampf

 A luta da extrema-esquerda portuguesa, encapotada nos media do mainstream ( porque os seus directores escolhidos a dedo pelo "sistema"  nunca esqueceram nada e pouco aprenderam) é esta, bem espelhada nas capas da Sábado e da Visão de hoje.

Os fassistas de hoje, em Portugal são estes aqui identificados e alvo de atenção do SIS e da vigilância democrática que não tolera a dissidência de pensamento, por muito disparatada que possa ser.  Estes media, ao darem importância a estes fenómenos revelam-se como são: intolerantes e de raiz extremista, neste caso de esquerda. 

Ao darem-lhes mediaticamente a importância que os mesmos não têm e nunca terão, estão a fazer o jogo favorito da extrema-esquerda, o da diabolização de fantasmas de um passado que não tem eco. 

Estas minorias, ao contrário das que são protegidas pela extrema-esquerda, não têm direito a expressão e são perseguidas pelo sistema mediático invadido e enxameado de extremistas de esquerda, mesmo e principalmente os disfarçados de democratas. 

Nas notícias de hoje, há uma excepção a notar, pelo bom senso revelado e aliás habitual: João Soares, filho de Mário Soares, coloca os pontos nos ii ao dizer que o Chega e André Ventura afinal não são fascistas.  Imagine-se!  O que irá dizer um palerma como um tal Filipe Soares da bolha que rebenta na tv! 





Para se perceber a diferença de tratamento, basta ver e ler isto: Um verdadeiro terrorista, nem sequer arrependido, tratado como aliás deve ser, inócuo e integrado. 


Este, ao menos, tem pedigree e não é do tempo do famigerado PREC. É de 1985, pá! Na véspera de entrarmos para a CEE, pá! Nesse tempo, os directores daquelas publicações, se calhar ainda juravam pelo marxismo-leninismo-maoismo-trotskismo e pela "luta popular" e outras balelas do género que aliás permitiram que chegassem onde chegaram.






Uma das primeiras manifestações visíveis deste fenómeno do ataque da esquerda extremista a ideias que lhe são contrárias, sobrepondo uma intolerância atávica e denegadora do sentido da democracia ocorreu em 1974-75 durante o processo revolucionário que estava então em curso acelerado.

Vale a pena recordar e contextualizar os fenómenos procurando descobrir-lhes uma mesma raiz. 

Logo a seguir a 25 de Abril de 1974 foi preciso definir os "negacionistas" que não aceitavam as receitas sociais comunistas. Uma palavra foi suficiente porque ainda não tinha sido inventada para efeitos comuns a palavra negacionismo ( usada mais tarde para designar os que negavam a existência do Holocausto nazi contra os judeus): fascista! Para mostrar bem que era essa a palavra mágica, uma edição de O Jornal, em 5 de Setembro de 1975 trazia impressa tal palavra ou expressão 27 vezes numa única edição

O Jornal era dirigido e redigido por "moderados" (imagine-se o que seriam os radicais...), ligados ideologicamente à esquerda do MFA e ao comunismo difuso dos amanhãs a cantar. Foram os pais ideológicos dos actuais directores daquelas publicações e outras do Portugal actual e os que definiram os termos de linguagem que hoje se usa em Portugal, para designar fascistas e a beleza de os poder matar metaforicamente, coisa que  em mais lado nenhum da Europa se vê assim tão difundido mediaticamente, segundo creio. 

O "fascismo" carecia então de melhor enquadramento teórico e não faltaram os filósofos de ocasião para tal. Em 13.1.1975, no jornal dos socialistas ( o maçónico inveterado e socialista Raul Rego era o director até ser corrido pelos comunistas no Verão que se seguiu) era assim definido de um modo pan, ou seja global e abrangente:


No Verão de 1974 perante a ascensão meteórica da extrema-esquerda e do partido comunista de então ( e de agora) que aliás só se distinguiam nas tácticas, cedo aconteceu isto que se mostra a seguir.

Os "negacionistas" de então que combatiam a modernidade do extremismo esquerdista que prometia amanhãs a cantar e bacalhau a pataco eram essencialmente a "reacção", ou seja o "fassismo" enquistado principalmente em sectores conservadores da sociedade portuguesa, alguns deles que tiveram expressão durante o Estado Novo de Salazar e mesmo no novel Estado Social, de Marcello Caetano. Era tudo fascista e os seus jornais negacionistas e para abater, segundo outro jornal, o Sempre Fixe de um Ruella Ramos que era também director do Diário de Lisboa

Em 21 de Setembro de 1974 a fogueira desta inquisição preparava as achas:




Dali a oito dias, com a lenha já devidamente amontoada, deitaram-lhe fogo: 


Os fascistas eram às dúzias e denunciados claramente como tal, num auto-de-fé típico, tal como hoje. Os cabecilhas ficaram quase todos identificados em 30 de Setembro de 1974 e muitos foram presos: 


Quanto à Igreja católica, um dos redutos da "reacção", particularmente alguns bispos que se opunham claramente ao avanço da fronda comunista, também era "negacionista" avant la lettre" e por isso tinha o tratamento adequado e mediático: 

Começou cedo e logo em finais de 1974 já se mostrava o que viria a seguir, como mostra o inefável Expresso: 


E o Sempre-Fixe de 7.12.1974:


E já depois do 25 de Novembro de 1975, como mostra esta edição de O Jornal de 26.3.1976: 


Nesse mesmo ano a extrema-esquerda que se filia actualmente no BE, tinha um jornal, o Gazeta e em 8 de Maio aparecia este manifesto contra um negacionista do esquerdismo comunista: 



E não se julgue que eram apenas os pasquins da extrema-esquerda a mostrar esta forma de actuar democrático. O Expresso de 1 de Fevereiro de 1975 também ajudava a tal festa, deitando foguetes, como antes tinha apanhado as canas de outros:


Foi neste caldo de cultura que cresceram ou se criaram aqueles directores das publicações de hoje, pelo que não é de estranhar que tenhamos em Portugal os media que temos. 
E quanto a Balsemão, um burguês antigo e moderno, actualmente segundo alguns sinais, falido ( vai vender a sua casa materna, na Lapa, segundo escreve o Tal&Qual desta semana...) que passou sempre entre os pingos dessa chuva sem se molhar? Não há segredo algum e está aqui uma explicação, de 12 de Abril de 1975:


O jornalismo caseiro é quase todo ele herdeiro destes personagens que eram então os donos da informação em Portugal. Todos de esquerda. E quando aparecia um que saía dos trilhos politicamente correctos, um "negacionista", como Nuno Rocha, era simplesmente ostracizado pela "classe" mesmo que pretendesse solidarizar-se nas suas lutas...
O jornal de 16.5.1975:


E a edição de 12.9.1975:


E o que fizeram então ( Agosto de 1975) os combatentes do negacionismo de então a um dos negacionistas-mor, o arcebispo de Braga? Isto: baixe lá as calças, D. Francisco! 



domingo, setembro 19, 2021

Gente nova e velha

 A revista Nova Gente perfez agora 45 anos e comemorou com este número especial:


A nota do director da publicação dá conta que a revista Nova Gente chegou ao público leitor em 22 de Setembro de 1976, com uma capa em que figurava Vera Lagoa, então responsável pelo semanário o Diabo, um jornal considerado nessa altura reaccionário e fassista. Aliás, ainda hoje será assim... 


Tal como refere o director, "nem era nascido quando tudo começou". Mas "começou" como e com quem? O nome mágico é...Jacques da Conceição Rodrigues, nome que apenas aparece nesta ficha de redacção no sítio que diz "propriedade do título e editor"...e que foi tipógrafo de profissão, tendo em Angola começado a editar revistas.


O dito Jacques da Conceição Rodrigues é responsável por várias empresas. Na realidade, um emaranhado delas, como escrevia a Sábado na edição de 12 de Agosto passado e que lhe permitiram safar-se de dívidas em modo mais eficaz que um Joe Berardo, o que não é dizer pouco.











Não sendo o perfil lá muito abonatório, fica-se a saber que o proprietário e editor é pessoa muito discreta e com retrato condizente, como se figura na foto. Merecia uma história melhor e mais completa sobre as suas aventuras editoriais, certamente muito interessantes até porque é responsável pelo fenómeno editorial que foi a revista Maria, sucessora da Crónica Feminina de antanho e que lhe passou a perna num instantinho editorial. 

Por outro lado, já foi responsável por publicações de índole cultural, como se mostrava aqui, através da publicação em finais de 1978 de uma revista de História por conta de uma editorial Globo. 

Seja como for, a Nova Gente é herdeira de uma outra Gente, mais antiga e que foi a publicação original, cuja transição para a Nova Gente não está explicada e merecia sê-lo. O logotipo da Nova Gente é um pastiche da antiga Gente, com o acrescento apenas da palavra "nova" em carimbo sobre o antigo título que era este e cujo primeiro número saiu em finais de 1973. A imagem é "tirada" da net de um sítio de venda online ( olx ou assim). 



O número 3, com imagem tirada daqui, traz Amália na capa.


E o número de 8 de Outubro de 1974 já em regime diverso do anterior: 
º 

A ficha redactorial: 


E no miolo da revista uma reportagem sobre os bastidores do "telejornal" da RTP, com um texto aprimorado sobre os novos tempos...






Menos de um ano depois, em 10 de Junho de 1975 o director já era outro e a capa trazia a figura do momento, do Jornal Novo e dali a meses da Opção...




Gente velha é outra coisa...



RTP, a estação dos fretes políticos