segunda-feira, 11 de maio de 2020

TAP: monstruosidades de pôr as pernas a tremer...

Do mesmo CM que nos dá o relato pormenorizado e a "pente fino" destes fait-divers há um artigo sobre um assunto que interessa a todos, pelo dinheiro que é público e aparentemente muito mal gerido por este governo:


Outra monstruosidade de pôr as pernas a tremer aos alemães é esta que tem sido denunciada mas devido ás tecnicalidades passa sempre pelos pingos da chuva: as contrapartidas negociadas com as brisas e concessionárias de auto-estradas. Duram e duram e duram...

No Observador e conclui assim:

"Onde se descortinará a diferença entre o uso de autoestradas pelos automobilistas e o uso do espectro radioeléctrico pelos clientes dos serviços de comunicações de redes móveis? É que o espectro radioeléctrico é um bem intrinsecamente do domínio público… Como o espaço aéreo, como a orla marítima. E a AT pode cobrar créditos dos restaurantes de praia? Das companhias de aviação?

Ou o Parlamento também pode transformar o tarifário das redes dos operadores do serviço de telemóvel em ‘taxas’, na acepção técnico-jurídica de tributos, e o atraso no seu pagamento em incumprimento dos contratos com os operadores em contra-ordenações tributárias assistidas de todo o aparelho de cobrança da AT e assim passar a cobrar os créditos da Vodafone, MEO, NOS…?

E mais questões se suscitam, que cabe às autoridade conhecer oficiosamente. O uso dos dados pessoais dos contribuintes pela AT para cobrar portagens é lícito? E este modelo, inclusive a entrega de 15% do produto das coimas à BRISA, não constituem formas de atribuição de auxílios de Estado proibidos e cuja aparente ilegalidade implique o dever de devolução retroactiva?

Em conclusão, recuperando na Constituição…


o Artigo 1.º, Portugal é uma República; é uma Res Publica, do latim, coisa pública; pertence ao Povo; Portugal não é uma oligarquia. O Tribunal Constitucional deve corrigir o tiro e os tribunais administrativos e fiscais também.
o Artigo 2.º, a República Portuguesa é um Estado de direito democrático, baseado na soberania popular; Portugal é uma democracia, em que o poder político pertence ao povo (demo), e não é uma aristocracia.
o Artigo 3.º, sobre a soberania e a legalidade: a soberania, una e indivisível, reside no povo, que a exerce segundo as formas previstas na Constituição. O Estado subordina-se à Constituição e funda-se na legalidade democrática. A validade das leis e dos demais actos do Estado, das regiões autónomas, do poder local e de quaisquer outras entidades públicas depende da sua conformidade com a Constituição.

Faça-se respeitar a Constituição procedendo-se à separação das funções de autoridade da Autoridade Tributária e Aduaneira, eliminando-se a confusão financeira e processual civil e público-tributária entre o tributo verdadeiro e as receitas da actividade económica privada desenvolvida com recurso à exploração de bens públicos para a remuneração de accionistas privados e enriquecimento de pensionistas estrangeiros, quando os nossos estão na miséria!

Farei chegar estas ideias aos Grupos Parlamentares para que façam o que têm a fazer."


A propósito destas faenas coloco aqui uma anedota que me fez rir a bom rir e que li na caixa de comentários do blog Blasfémias:

”Numa deslocação ao interior, a meio da viagem o Primeiro-ministro faz uma paragem numa pequena vila transmontana. Na praça central da localidade, entra num estabelecimento e pede um café e uma água.
Surpreendidos com a presença inesperada do chefe do governo, os populares aproximam-se para o cumprimentar e conversar. A certa altura, um dos habitantes diz:
– Senhor Primeiro-ministro, lidamos diariamente com dois problemas que causam bastante transtorno. Será que nos pode ajudar?
– Diga-me lá qual é o primeiro problema?
– Não temos médico.
António Costa, pedindo uns instantes, pega no telemóvel e afasta-se. Regressa pouco depois, dizendo:
– Pronto! Já combinei com a Ministra da Saúde e a partir de segunda-feira terão um médico. Qual é o segundo problema?
– Não temos cobertura de rede para telemóveis.“

Perfeita. Ridendo castigar mores.

CM, o jornal das monstruosidades necessárias

CM de hoje:




O CM já tem mais um monstro para mostrar durante muito tempo, alimentando a curiosidade voyeurística dos leitores.  Depois do caso Rosa Grilo que foi chão por onde já passaram todos os cães já descobriram nova latada para vindimar a preceito.

Tal como o da Grilo este também promete suspense até que o "monstro" definhe de desinteresse por falta de  novidades. Mas há-de estrebuchar até ao último suspiro de capas sensacionais.

Ontem na CMTV lá apareceu o avençado da estação, Rui Pereira, professor de direito penal a dar o seu contributo de fato e gravata confinado em casa: ali há gato escondido porque o "monstro", pela certa e se for assim como contam,  teve ajudas da companheira que afinal é mulher. Haverá por isso uma "monstra" a descobrir "o quanto antes", embora esta se apenas ajudou na omissão de delação nenhum crime cometeu. Mas é muito difícil julgar que não participou na actividade do "monstro" a título de co-autoria ou mesmo cumplicidade. O parecer do professor de direito penal ficou dado. Compete agora às autoridades judiciárias dar o seu...
Para já não se sabe a causa da morte, até se realizar autópsia, como se escreve em jornalismo pente fino. Mas foi pela certa estrangulamento, como ontem já se sabia pelo parecer policial dado de borla, como afirmação gratuita e impressa.

Depois o jornal e a tv à noite alimentarão ad nauseam o suspense acerca do teor das declarações que o "monstro" prestar às quais evidentemente terão acesso, se for o caso, em violação de segredo de justiça, como já conseguiram para noticiar o teor das declarações informais do pai à polícia. É o trabalho de sapa das "fontes".
Não é por acaso que os comentadores são ex-polícias do gabarito que se pode ver: um deles incendiário e perigoso; o outro, sindicalista, mais contido e porventura envergonhado do papel que anda a fazer.

Portanto é preciso agradecer à P.J. o que o solícito Rui Pereira já fez ontem e o jornal faz hoje: afinal se não fosse a PJ como é que poderia haver capas como esta e reportagens em directo e sempre que necessário?
Mais logo veremos imagens da chegada do "monstro" ao local de interrogatório a cujo teor terão acesso rápido e durante horas acompanhadas de comentários de especialistas em monstruosidades.

Embora os agradecimentos ( não) sejam por isso, na verdade quem descobriu o crime foi o "irmão" da vítima que esclareceu as suspeitas óbvias.

Enfim, amanhã há mais e prometo ouvir novamente o professor Rui Pereira, de direito penal, consultor permanente do jornal de monstruosidades para colher o seu alto palpite ( remunerado), de fato e gravata confinados, mais pullover que ainda está frio,  sobre o assunto.

Tudo isto é triste e tudo isto é o fado desta imprensa de escândalos e sensacionalismos sobre monstruosidades inventadas a preceito, se preciso for.

Quanto à Polícia Judiciária enquanto tiver setinhas a subir na consideração impressa do jornal vai tudo bem.  Afinal a imagem é que conta O resto é coisa de cães a ladrar à caravana.

domingo, 10 de maio de 2020

O jornalismo do Público e do Correio da Manhã

Durante a presente crise pandémica tenho comprado quase todos os dias dois jornais: o Público e o Correio da Manhã que fazem parte de duas empresas distintas, a da SONAE e a da COFINA. Uma vende enchidos  e vinho, peixe e carne, massas e arroz, para além de mais mercearia. A outra vende notícias enlatadas das agências e outras recolhidas a pente fino pelos repórteres da casa.

Os negócio da SONAE vão de vento em popa nas mercearias,  o que lhe permite subsidiar sem sobressaltos das contas de fim do ano aquele jornal que dá um prejuízo atávico da ordem de vários milhões de euros, quase desde a fundação há trinta anos atrás. É um pizzo regular que a SONAE aceitou pagar a uma mafia ideológica que invadiu a sociedade portuguesa há mais de 40 anos.

A SONAE é a mecenas do Público que por isso se esmera em propaganda político-ideológica em prol da esquerda bloquista, sem preocupações financeiras de maior, demonstrando a validade do chiste  do marxismo apócrifo acerca da corda que os capitalistas oferecem a quem os quer enforcar.

Os órgãos de informação da COFINA, o Correio da Manhã e a CMTV estão confinados ao exercício diário de trabalhar para ganhar o pão de cada dia. Não têm mecenas que vendam mercearias avulsas e possam esmifrar o dízimo ao consumidor comum nas couves, chouriços ou papel higiénico.

Com a leitura destes dois jornais durante este período concluí o seguinte: são inúteis como órgãos de informação essencial. Tudo o que é preciso saber pode saber-se noutros lados, na internet particularmente ou em canais televisivos. Se acabarem não se nota falta alguma de informação essencial e suspeito mesmo que seria benéfico para a sociedade a privação de tais luminárias evitando-se ipso facto o veneno tóxico que assim se respira diariamente.

O resto que os jornais trazem, em artigos de opinião avulsa, no caso do Público é absolutamente desnecessário e em muitos casos desprezível, na minha opinião porque traduzem apenas a afirmação repetida da linha político-ideológica do jornal que se espelha igualmente na escolha dos títulos e na própria redacção das notícias: luta de classes em embrulho habitual.
Portanto há uma verdade que para mim se tornou inquestionável: o Público poderia acabar já que não se sentiria a sua falta. A mediocridade instalada nas páginas do jornal nestes escassos meses é aflitiva e todos os dias lamento o dinheiro que gastei.
Além disso muito pouca gente o compra em papel o que aliás denota o sentido de justiça mais apto: não se compra o que não presta.

Quanto ao Correio da Manhã é um estenderete diário de mau gosto de manipulação informativa, de falsificação de verdade essencial em prol de verdades aparentes em nome de um valor, apenas: o sensacionalismo que pode trazer lucro. Rectifico: as notícias sobre fait-divers de todo o país são uma compilação útil, enquanto registo de acontecimentos porque me parece exaustiva. Não há desgraça, acidente ou facto singular e exótico que não apareça relatado em notícias curtas. Mas para isso o jornal não existiria, parece-me.

A última descoberta do Correio da Manhã, replicada à noite na CMTV é um dos casos mais notórios para mostrar o método de trabalho de tal informação: um desaparecimento de uma criança rodeado de mistério policial. Maná informativo e sensacionalista, como poucos. Interesse real e geral? Quase nulo porque é assunto da família desgraçada, apenas. Mais ninguém tem nada a ver com o assunto e noticiá-lo em permanente alvoroço é um puro exercício de sensacionalismo necrófago da desgraça alheia.

Ontem na CMTV fiquei espantado em ver que a jornalista do costume, pau para toda esta obra,  andava a monte a acompanhar as equipas de buscas que andam  a procurar a menina de Peniche que desapareceu. De noite, a filmar no escuro e em caminhada corta-mato, este jornalismo patético  apresenta-se como modelo do jornalismo de investigação e alimento de voyeurs de desgraçass alheias e tragédias mediáticas.
Depois escrevem e proclamam que estes assuntos "emocionam o país" e portanto a pescadinha já está com o rabo na boca, justificando-se a si mesmos neste sensacionalismo fabricado pela máquina jornalística funcionando a "pente fino" para captar compradores do jornal e espectadores da tv.

A seguir ficam muito indignados quando Rui Rio declarou que esta actividade não se deve diferenciar daquela mantida pelas sonaes ou mesmo pelos fabricantes de papel higiénico. De facto...Rui Rio é bem capaz de ter razão neste caso.

Por outro lado, a fim de mostrar a seriedade e respeitabilidade nesta profissão que busca o sensacionalismo que venda papel e arregimente espectadores de tv, escrevem editoriais aflitos para mendigar o subsídio que as sonaes podem pagar em nome da eficiência capitalista das cordas que fabricam para o fim incerto.

Os recortes para demonstrar esta opinião:



A foto da mãe da menina, em lágrimas; as "pistas falsas" a adensar o mistério; a família desesperada, são os ingredientes que à noite na tv respectiva são explorados ad nauseam para informação do país que evidentemente anda emocionado com isto e o jornal e tv apenas mostram como é, em nada contribuindo para tal sensação primária. Relatam a emoção que testemunharam...

A notícia vazia de conteúdo é preenchida com as imagens de conformidade e títulos enganadores, para fazer salivar voyeurs que já alvitram o pior:


Para rematar este jornalismo de abutres, os animais necrófagos que estão sempre à espreita das naturezas mortas, o editorial respeitável a reafirmar a profunda seriedade deste tipo de jornalismo que merece respeito e não o desprezo dos rui rios e...venha de lá o graveto que se faz tarde.

"uma fábrica de  notícias não é como uma fábrica de sapatos", escreve o editor máximo do jornal. Pois não. Será antes como uma fábrica de sensações primárias destinadas a vender papel. Ou uma fábrica de ideias político-ideológicas para o mesmo efeito, mais subtil apenas. Sensações e sapatos têm em comum começarem e acabarem pela mesma letra. No meio está metido o essencial: dinheiro. E nada mais. Num caso, o tipicamente esquerdista que " aparece sempre" e é dos outros, geralmente os tansos; no outro caso o proveniente do engenho e arte em captá-lo a quem o tem para esportular.  A utilidade pode ser apenas um bónus. Os bons sentimentos sobre a seriedade de propósitos é  o artifício desta burla.


 No meio desta espelunca aparece a virgem suta destas coisas, Ana Gomes. Assim:


Parece que aquele Ferreira dos barcos do Douro cujo empreendimento vendeu há uns tempos por uma módica quantia de alguns milhões se torna altamente suspeitoso para a virgem suta que não hesita em insinuar a sujidade do dito, mesmo que já branqueado.
Este mesmo Ferreira apaixonou-se agora por um projecto de ambição mediática: quer comprar a Media Capital que tem a TVI e lhe agradará se o preço for conforme e permitir encaixar aqueles milhões que empochou há pouco. Não precisa deles...

Ora este Ferreira é um arrivista que parece mal neste tipo de negócios em que avultam personagens como um tal Paulo Fernandes, o dono da tal COFINA.
O Ferreira não quer ficar atrás e parece-lhe que este negócio o vai mostrar ainda melhor, a fazer figuras ao lado de um Pedro Abrunhosa, para citar um exemplo triste ( "ó Pedro! Estás a ver o que eu vejo com esses óculos?!").
Melhor teria sido a COFINA ter ficado com o negócio mas não calhou porque os tempos mudaram e o sensacionalismo está pela hora da morte dos bichos ao ar livre.

 Não será assim?

ADITAMENTO às 14:45:

Todas as tv´s mostram o que sucedeu no caso da menina desaparecida: foi morta em casa do pai e da companheira deste. É o facto. Os palpites tipo "pente fino", sempre a postos, claro, vão mais além e já fazem o julgamento todo, incluindo os elementos de facto e a culpa, discriminada mesmo pelos dois presumíveis intervenientes.

Uma loucura tornada normal. A TVI tem lá um palerma qualquer, jornalista de telejornal a fazer a mesmíssima figura. Desliguei. Não suporto este jornalismo de esgoto aberto.

sábado, 9 de maio de 2020

Chamar ténia à Tânia é crime?

CM de hoje:


A notícia parte de um equívoco: o de que o MºPº terá acusado um advogado pela prática de crimes de difamação a uma jornalista, a nossa conhecida Tânia "pente-fino" Laranjo. "Pente fino" é alcunha minha derivada do modo arrevesado e irritante como escreve. A expressão é antiga e cretina, nada mais. Como "arrasar". Não conhecem outras expressões a abusam destas como se fossem o nec plus ultra do português sem mestre.
A jornalista, porém, é mais que isso: a par de notícias e reportagens com valor relativo tem muitas onde tal valor se esvai no sensacionalismo, manipulação e desinformação. Além de asneiras notórias e abuso de liberdade de imprensa que passa quase sempre impune. Enfim, jornalismo caseiro.

Ora o crime de difamação, por causa dos tais "insultos" no Twitter,  tem natureza particular, ou seja só pode ser acusado por um particular que se  constitua assistente no processo ( requerer ao JIC, pagar taxa de justiça e constituir advogado). A dita jornalista teve que se submeter a tais regras, evidentemente, o que causa perplexidade.
Depois disso, o MºPº pode ou não acompanhar tal acusação. Será esse o caso? Ainda assim, não é o MºPº que acusa, mas a assistente e o MºPº acompanha.
Enfim, mais jornalismo do costume.

Porém há outra questão: então uma jornalista habituada a mexer na intimidade de algumas pessoas, naquilo que muitas vezes é a miséria humana mais escabrosa, na podridão de costumes e actividades, na cloaca das misérias humanas, a manipular informação que ofende e prejudica por vezes muitas pessoas, deliberada ou negligentemente, em nome de um duvidosíssimo interesse público informativo, ofende-se por um advogado lhe chamar "ténia"?  É que parece ser a única injúria, ou "insulto" de que se dá nota na notícia...e a Tânia nunca poderia ser uma "ténia", sendo o trocadilho de mau gosto mas inoque.  A Tânia é apenas uma má jornalista, por vezes que são de mais, infelizmente.

Enfim.

É preciso mostrar o que era o regime comunista...e o "grande sonho" do PCP

Observador:




Está enganado o Jerónimo, afinador da máquina ortodoxa do PCP. O que é mesmo necessário é mostrar o que foi o comunismo, na antiga URSS e aqui, no PCP durante o salazarismo e depois.

É preciso mostrar o que era o totalitarismo soviético que queriam impor por aqui, em 1974-75 e que aliás nunca desistiram de tentar, apesar de toda a catrefa de sapos e outros batráquios que andam a engolir há décadas, numa dieta diária que já lhes deu a carapaça necessária a um organismo geneticamente modificado.

É preciso dizer que o PCP é um partido comunista que se tivesse o poder prenderia, torturaria, censuraria, mataria e limitaria a liberdade geral em prol da sua ideia fossilizada de luta de classes.

Isso é que é preciso dizer e cada vez mais.

O problema é que há cada vez menos gente a fazê-lo. Hoje no Público, Francisco Assis do PS evoca a memória do PS de Mário Soares para se opor  a esta permanente desinformação acerca da verdadeira natureza totalitária do PCP.


Mau grado esta posição política, minoritária no PS, o papel de Mário Soares foi mais de natureza táctica do que de princípio, como mostra o que fez logo a seguir ao 25 de Novembro de 1975.

Nessa altura deu a mão política ao PCP quando o mesmo poderia ter sido denunciado como era na verdade: um verdadeiro instrumento de opressão dissimulada e enfeudado a interesses de um estado estrangeiro. Um partido traidor, em vez de patriótico. Um partido que o povo português deveria ter punido, com a irrelevância, como fizeram os demais países europeus.

Tal é mostrado nestes números de O Jornal de 5 e 12 de Dezembro de 1975.





Isso é muito claro nestes artigos, em que se mostra que o PCP volta sempre à bandeira do antifascismo primitivo quando vê o futuro em risco. Tal como agora, apesar de este Costa voltar a dar a mão, mais uma vez tacticamente ao partido estalinista que sempre foi.




O PCP ainda não saiu do PREC: hibernou apenas. E letargicamente lá sai da condição de vez em quando.

João Nabais, um advogado cuidadoso...

Em entrevista alargada ao jornal i, o advogado João Nabais estende-se em considerações sobre a sua pessoa e experiência profissional, nos tribunais.
Sobre a pessoa pouco interessa. Sobre os tribunais diz algo com interesse, sendo muito cuidadoso. Apesar disso, o jornal andou às voltas com o que deveria escrever no título e encontrou isto. Sem dúvida que é a afirmação mais polémica e interessante que merece reflexão que aliás o advogado não desenvolve. E deveria...


Quanto ao mais: acha que o DCIAP e o TCIC também deveriam acabar porque são um cancro. Volta a não explicar os seus motivos para tal opinião, pelo que não é possível sindicar a mesma. Não vale dizer que "é da natureza saudável de uma justiça a funcionar que nós não saibamos à partida a que juiz é que vai calhar um determinado processo".

Tal afirmação parte de um sofisma que inquina a justificação do advogado que me parece hipócrita. Não me parece que seja essa a razão para entender que o DCIAP é um cancro e o TCIC também. O advogado não gosta do modo de funcionamento de tais departamentos de justiça mas isso é outra coisa que deveria explicar melhor e não apenas por aquele motivo singelo e algo abstruso.
Por uma, duas ou mais razões. Uma primeira é que os processos abertos no DCIAP são-no em consequência de lei expressa. "O DCIAP ia buscar certos processos" é errado dizer porque o DCIAP tem os processos que a lei lhe atribui.
Não é o "calhou-me a mim" que estará mal, no caso do TCIC por outra singela razão: na maior parte das comarcas do país os juízes de instrução são todos singulares, não se juntam aos pares. Portanto, todos os processos em que se abre instrução, fase aliás nunca obrigatória, sempre facultativa e que depende quase sempre de requerimentos de arguidos descontentes com acusações, nos casos mais graves, calham, geralmente a um único juiz. Logo, o argumento é débil ou mesmo de valor nulo.

Por outro lado, o advogado sabe muito bem que tal fase, sendo preliminar da fase de audiência de julgamento, têm requisitos formais e processuais que há muito ultrapassaram a intenção do legislador ( Figueiredo Dias, por antonomásia).
Este pretendia apenas que tal fase fosse uma válvula de escape para evitar erros graves ou anomalias processuais que inquinassem logo o eventual julgamento. Tal como um sanador em processos cíveis, quase. E assim é que estaria bem. Figueiredo Dias já disse na altura que nunca pensou que a fase de instrução fosse o que veio a ser.
Na fase de instrução intervém um juiz, entidade independente do MºPº, para aquilatar a justeza e a legalidade da submissão do feito a juizo de julgamento. Não pode e não deve ser um julgamento, mas com o tempo quase passou a sê-lo e por isso o advogado João Nabais fala na entrevista como se fosse.
Por isso o que fizeram os advogados como João Nabais quando perceberam o potencial dessa fase preliminar ao julgamento? Complicaram, alargaram os motivos de intervenção do juiz de instrução e obrigam este a pronunciar-se sobre temas que deveriam estar subtraídos a tal fase, tal como Figueiredo Dias entendia.
Os advogados como João Nabais aproveitaram a fase de instrução como pretexto para sindicar uma acusação num plano em que a mesma ainda não deveria ser sindicada porque tal deveria suceder no julgamento e por isso colocam sempre tudo em causa quando não deveriam. Transformaram a instrução num cripto-julgamento. Daí uma das razões de fundo pada aquela parte da peça de Shakespeare, muito antiga e que alguns conhecem: "first of all..."

Há no TCIC um juiz que leva tal concepção como se fosse norma e que é errada como já muitas vezes, muitas vezes mesmo, lhe disseram os colegas dos tribunais superiores.
Disseram-lhe por escrito, sem consequências disciplinares apesar da atitude relapsa e arrogante, a roçar a estupidez, o que aliás um colega já lho disse também por escrito ( Ricardo Cardoso, na Relação de Lisboa).  Esse juiz é Ivo Rosa que sistematicamente se julga como julgador e não mero juiz de instrução com aquele perfil.

É isso que João Nabais omite, por razões que a meu ver serão hipócritas e de conveniência.
O juiz Carlos Alexandre tem a postura processual correcta: não vai sindicar o que o MºPº entende como fundamento de acusação, sempre que não subsistem erros que contendam com os "direitos, liberdades e garantias".
A matéria da suficiência de indícios susceptíveis de permitirem a realização de um julgamento não deve ser sindicada pelo juiz de instrução, para além daqueles limites porque este magistrado não é o titular da acção penal acusatória que carece de complemento que apenas no julgamento se poderá realizar, ou seja o contraditório pleno. É no julgamento que todas as provas se devem produzir, segundo determinação expressa da lei.  Não é na instrução. Logo...

Por isso a distinção entre os dois juizes do TCIC cheira mal, no modo cuidadoso e receoso em que o advogado João Nabais a coloca. Este sabe muito bem qual a posição correcta e qual o juiz que merece a distinção pela isenção, objectividade e imparcialidade. E principalmente independência. E não é Ivo Rosa.
A circunstância de o DCIAP trabalhar com o TCIC é isso mesmo: uma circunstância inevitável, como acontece na maior parte das comarcas do país. Não há volta a dar-lhe e nem a extinção de tais instâncias resolverá qualquer problema desse teor. Os magistrados que trabalharão em processos complexos e que exigem alguma especialização não são muitos, não são todos e tal é inevitável como o advogado João Nabais sabe muito bem. Como sabe que a especialização e a possibilidade de se trabalhar em complexidades maiores que a simples bagatela penal, mesmo homicídios simples, só se alcança se houver departamentos específicos com bons magistrados formados para tal.


Ligada a esta questão está outra que a mim me parece a mais importante e que dá o título da primeira página: "alguns magistrados, na dúvida, acusam". 
Por mim nem seria tão cuidadoso e diria mesmo que a maioria dos magistrados assim procede. E mal. Muito mal. Já por aqui tenho tentado dizer a minha opinião que vale o que vale: muito pouco. Não importo porque ainda ninguém me convenceu do contrário.

Os magistrados do Ministério Público na generalidade em particular no Norte, têm propensão para acusar e têm indicações hierárquicas disso mesmo: que é preferível acusar, na dúvida. No julgamento se verá...

Fazem-no por várias razões mas que se podem sintetizar em duas: a primeira é de uma incrível concepção hierárquica que vem de um antigamente esquisito, onde o antigo presidente do STJ, Henriques Gaspar estagiou mais tempo profissionalmente, a zona de Coimbra.
Há várias pessoas influentes na hierarquia actual do MºPº que entendem que o sucesso desta magistratura se mede pelas acusações que fazem e pelas condenações que alcançam. Actuam como se fossem partes nos processos criminais. Não são verdadeiros magistrados porque se amputaram da parte mais essencial de tal natureza, ou seja da objectividade, da isenção e imparcialidade. Tomam a peito a defesa da causa da justiça conforma e entendem: a do MºPº como sendo acusar e obter condenações. Tudo o mais são derrotas e num confronto deste género a justiça é apenas refém.
Isto nem é caricatura porque pode ser demonstrado, com factos, acontecimentos, pessoas e nomes.

A segunda é mais prosaica e tem a ver com a facilidade de procedimentos. É muito mais fácil acusar um qualquer desgraçado de um qualquer crime desde que estejam reunidos indícios suficientes de ter sido praticado. É um trabalho burocratizado, cada vez mais e perigosamente assimilado à actividade regular do MºPº.  Não vejo ninguém a questionar o modelo, antes pelo contrário.

A noção de suficiência tem recorte legal e processual: determina-se no caso de ser mais provável a condenação do que a absolvição.
Assim dito parece ficar tudo resolvido, aparecendo logo o sofisma da praxe: se apenas se investiga à charge, ou seja para acusar, pode efectivamente reunir-se tal suficiência. Só que o problema é mais complexo uma vez que a lei, a Constituição e a noção de justiça mais chã obrigam a outra coisa que as entidades judiciárias muitas vezes não fazem, ficando na fronteira da prática de crimes de prevaricação: é necessário que o MºPº e as entidades policiais investiguem também à décharge, ou seja, em prol da defesa, sempre que se deparam com as tais dúvidas.
E isso só mesmo um magistrado completo, competente e com um sentido de justiça imante e relacionado a uma independência real o pode fazer. E magistrados destes há poucos, na minha experiência.
Logo, João Nabais tem razão nisso. E só peca por defeito ao dizê-lo. E esquece outro cancro, esse sim de difícil remédio: a maioria das investigações é realizada pelas polícias, com carta branca do MºPº que tendo obrigação de as controlar, na prática escreve umas coisas no processo a dizer que o faz, mas não faz.
Esse é que é o verdadeiro mal da investigação criminal portuguesa, a meu ver. E sei do que falo, muito mais, suponho,  do que o advogado João Nabais.


sexta-feira, 8 de maio de 2020

Só nos saem duques...

JE:


Para quem se entusiasma com este tipo de coisas, o indivíduo que acima figura, ministro, fica muito mal no retrato que os alemães tiraram na hora da verdade.
Mas há mais e pior: a tal Elisa, Ferreira. E um tal Pedro Silva Pereira, ajudante de Sócrates e aficionado da sua afluência monetária e estilo de vida.
Só nos saem duques, como dantes se dizia.

E agora, Sábado, leia-se o modo como o Público noticia este assunto que se afigura grave:

Nem uma palavra sobre desfiguração do mito nos moldes crus em que o jornal alemão o coloca. Antes, pelo contrário, o silêncio que o mantém ao escrever ( Rita Siza, Bruxelas) que o jornal dá conta de "um eventual descontentamento entre os países do Norte com o desempenho do ministro no lugar". 

O jornalismo do Público é este que se pode ler...


O Notícias Viriato incomoda a classe político-jornalística do sistema

Segundo se lê aqui, ( porque noutro lado nem se leria nada de nada) o animador do sítio Notícias Viriato viu recusadas pela Comissão da Carteira Profissional do Jornalista a sua inscrição como "jornalista profissional".

A acreditar na informação supra, o motivo da recusa terá sido por tal sítio não ter "actividade jornalística". Um motivo hipócrita e jesuítico, se assim for.

Segundo o sítio da Carteira, jornalista será aquele " que exerce, como ocupação principal, permanente e remunerada, com capacidade editorial, funções de pesquisa, recolha, selecção e tratamento de factos, notícias ou opiniões, através de texto, imagem ou som, destinados a divulgação, com fins informativos, pela imprensa, por agência noticiosa, pela rádio, pela televisão ou por qualquer outro meio electrónico de difusão.

Não constitui actividade jornalística o exercício das funções supra referidas quando desempenhadas ao serviço da publicações que visem predominantemente promover actividades, produtos, serviços ou entidades de natureza comercial ou industrial." 


As condições para aceder à categoria de jornalista estão definidas aqui. Desconheço se o visado- António Abreu- possui os requisitos.

Fazendo fé apenas naquele motivo é algo estranho tendo em atenção o conteúdo do sítio Notícias Viriato.



Se isto não é conteúdo jornalístico nem sei o que seja o Público. Talvez um órgão oficioso do BE.

Seja como for, os membros do tribunal plenário que julga os requisitos e confere o estatuto profissional são estes:



Qual será o motivo real e plausível para a recusa em conferir estatuto profissional de jornalista a quem efectivamente pratica jornalismo?
Só vejo um e que nem no tempo de Salazar se aplicava: discriminação político-ideológica.
Tarda nada o sítio do Viriato será classificado no Index Prohibitorum do actual sistema conciliar do sistema político-partidário vigente.

E ninguém vai piar...

O Jacinto Godinho é filho do outro Godinho que cantava A Liberdade está a passar por aqui...? É?

Maré alta...então.



Lula, o convidado da RTP2

Aqui há uns dias a redacção da RTP2, um jornalista qualquer que por lá anda a fazer triste figura, resolveu convidar Lula da Silva, o corrupto condenado, para dar o seu palpite sobre o "covid". E deu...mostrando a sua imensa sabedoria de assuntos relacionados com jogos de bicho.

Foi assim, numa mostra inenarrável de ausência de pudor. O assunto não era Lula, mas Bolsonaro e o jornalismo da RTP prima pela isenção e imparcialidade, como se vê todos os dias no unanimismo informativo que nos assola o espaço mediático.



Ontem ficou a saber-se isto: Lula, o convidado daquele jornalista é mesmo um corrupto condenado.


O anti-racismo racista da goy gadol esquerdista

O argumentário da esquerda sobre André Ventura é este publicado no Público de hoje, escrito por uma luminária incandescente que soletra os géneros em espécie:


Para soprar e apagar este luzicu bastaria que se lembrasse que André Ventura é católico. Nunca um católico pode ser racista porque tal é uma contradição  nos termos.
Mas um esquerdista luzicu pode e é muitas vezes isso- racista. Dá-lhe outro nome e o passe de mágica cria a ilusão.

Por isso nem vale a pena rebater argumentos de luzicus.

Outra que ontem se manifestou ruidosamente, no Observador que lhe abriu portas que fecha a outros, numa opção de "classe", foi uma tal Marta Mucznik, da "comunidade judaica" e  que escreveu um texto que merece e autoriza a correcção que segue.

Antes disso é bom lembrar que a "comunidade judaica" segue os preceitos religiosos do Antigo Testamento em que ainda não havia o Mandamento Novo ( Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei, é esse que a comunidade judaica não conhece e despreza, ao contrário da católica que o segue como princípio básico e fundamental).
Para além do mais a "comunidade judaica" defende religiosamente o conceito de "povo eleito", a manifestação mais sublime de racismo porque discrimina todos os outros povos que são goyim, estranhos à comunidade eleita.  Racismo maior que este? Haverá? Só o do extermínio...
De resto o povo gói queixa-se e lamenta-se num muro virtual do tamanho do mundo, há séculos, de perseguições atrozes. Foi na Inquisição, na Rússia dos czares, na Rússia estalinista e na Alemanha nazi, onde se aprimorou a técnica de extermínio em massa do povo gói.
Tendo sido tão perseguidos aprenderam a virtude da tolerância que aplicam metodica e sistematicamente aos vizinhos, meio-irmãos, com quem proverbialmente se dão como Deus e os anjos, tirando pequenos episódios em que aplicam à letra a teoria do olho por olho que aprenderam no livro sagrado.

Portanto,  o texto da Marta de grande indignação contra o católico Ventura, ficaria muito melhor se fosse escrito assim, num exercício voluntarista em tonalidade mutatis mutandis:

"Um dos efeitos colaterais do cenário de emergência global e nacional foi que nos levou a distinguir o essencial do acessório e, com isso, retirar palco ao oportunismo político. Marta Mucznik  [ em vez de André Ventura]  parece ter sido uma das principais vítimas desse efeito pois viu a guerra identitária, de que tanto precisa, passar para último plano das preocupações nacionais.

Não é, portanto, surpreendente que à falta de melhores ideias, e assim que surgiu a oportunidade, se tenha lembrado de propor aos leitores [ em vez de  partidos da direita ] que apresentem conjuntamente “um verdadeiro plano de confinamento específico para a comunidade cigana”. E que oportunidade foi essa? Um protesto de habitantes da praia de Leirosa, na Figueira da Foz, contra atos de vandalismo alegadamente cometidos por indivíduos de uma família cigana.

Trocado por miúdos, problema: actos de vandalismo, na Figueira da Foz. Solução proposta: plano nacional de confinamento da comunidade cigana. Por essa ordem de ideias, para cada ato de delito ou de vandalismo cometido seja por quem for,  por exemplo a comunidade palestiniana [ aditamento substitutivo] , vamos propor um plano de confinamento? Quem se seguirá na lista de Marta Mucznik?

Para que não restem dúvidas: Houve pessoas da comunidade palestiniada [ em vez de etnia cigana ]que foram infetadas pelo Covid-19? Sim. E também não foram muitos os que regressaram de viagens de ski à Suiça, França e Itália infetados pela doença? Sim. Vamos decretar planos específicos de confinamento, vulgo de exclusão, para esses também? Com base em que critérios? No seu estatuto económico-social? Marta Mucznik considera realmente que de entre todos os infetados de Covid-19 em Israel [ em vez de Portugal] , são os palestinianos [ em vez de os ciganos]  o maior perigo à saúde pública? Será que devemos passar a contabilizar no worldometer a categoria étnico-racial ‘Quantos palestinianos [ em vez de ciganos]  por cada milhão de população estão infetados’?

Houve ou há pessoas da comunidade palestiniana ( em vez de etnia cigana] que praticam atos de vandalismo e de incumprimento da lei? Sim, tal como existem tantos outros cidadãos que o fazem diariamente, das camadas mais altas da sociedade às mais baixas. Simplesmente não são identificáveis por nenhuma categorização étnico-racial. Todos os cidadãos, independentemente da cor da pele ou da sua origem étnico-racial, têm direitos e deveres e ninguém está acima da lei. O mesmo se passa com a obrigatoriedade de respeitar as medidas impostas pelo Estado de Emergência e pelo Estado de Calamidade. Mas se se verificam delitos ou atos de incumprimento da lei, a responsabilidade em manter a harmonia social recai, em primeira mão, sobre a capacidade de intervenção do Estado, das autoridades locais e das entidades responsáveis, judiciais e policiais. Ora, segundo informações transmitidas pela comunicação social “a população protestava contra a inação das autoridades perante atos de vandalismo”. Em nenhum momento, a população se mostra preocupada com o modelo de confinamento da população palestiniana [ em vez de cigana].

Perante a complacência e inércia das autoridades responsáveis em punir delitos desta natureza e pela reposição de ordem pública, a sugestão de Marta Mucznik não passa por exigir que o Estado desempenhe o seu papel mas sim em propor a violação dos princípios mais básicos do Estado de Direito e a estigmatização de uma comunidade.

Como já foi amplamente debatido, muitos Estados usaram o pretexto da pandemia para reforçar poderes, suprimir ou restringir direitos e liberdades dos seus cidadãos.

Da esquerda à direita, foram muitas as vozes que manifestaram preocupação com o aproveitamento político da pandemia e também com o populismo nacionalista que, como nos diz a História, e a atualidade, instrumentaliza os medos alheios e procura sempre novos bodes expiatórios para justificar a sua sobrevivência. Hoje são os palestinianos [ em vez de ciganos], amanhã serão os migrantes, e depois logo se verá consoante a espuma dos dias.

Se Mucznik vive na ilusão de conseguir o apoio dos partidos da direita para esta proposta, a mensagem dos seus responsáveis políticos deveria ser clara e inequívoca: tolerância zero para com propostas racistas e discriminatórias. A comunidade palestiniana [ em vez de cigana], bem como o conjunto da sociedade, merecem a rejeição e o repúdio das forças da direita face a esta ignóbil proposta, dando um claro sinal que não permitirá qualquer aproveitamento político para promover agendas racistas. Agora é o momento.

Então não é mesmo o momento? Ora leia-se lá isto que a Marta Mucznik pelos vistos não lê...

According to WHO, cases from East Jerusalem are managed by the East Jerusalem Hospitals Network (EJHN) and hospitals in Israel and 10 testing centres were opened by Israeli health authorities in Shuafat, Shuafat refugee camp, Silwan, Sur Baher, Jabal Mukaber, Beit Safafa, and Jerusalem.[123] EJHN includes six hospitals: Makassed Islamic Charitable Society Hospital, Augusta Victoria Hospital, Palestine Red Crescent Society Hospital, St John of Jerusalem Eye Hospital Group, Jerusalem Princess Basma Centre, and Saint Joseph Hospital.[142] In September 2018 the U.S. cut $25 million in funding, representing 40% of costs for these hospitals.[143]

Israeli officials have expressed concern that the virus might spread in Arab neighborhoods of East Jerusalem that are part of municipal Jerusalem but on the far side of the West Bank barrier. Kafr Aqab, which has 60–70,000 residents, and Shuafat Refugee Camp with around 80,000 have not been receiving a sufficient level of services.[144]


Para além desta evidência, ou seja a existência de uma comunidade palestiniada confinada desde há muitos anos em "campos de refugiados",  o realismo político também conduziu a isto

Israel e a Autoridade Palestina criaram uma sala de operações conjunta para combater a pandemia, segundo o porta-voz do governo Ibrahim Milhem. Um funcionário do Ministério da Defesa de Israel confirmou, posteriormente, a criação de uma sala de operações, mas não forneceu maiores detalhes.[20] O coordenador humanitário das Organização das Nações Unidas (ONU) Jamie McGoldrick anunciou, durante uma videoconferência, o apoio financeiro de US$ 1 milhão a fim de fornecer apoio técnico e sanitário à Palestina.[21]


Quanto a discriminações,  o olho por olho dá nisto que é muito pior do que o Ventura quer para a comunidade cigana: 

GENEVA (24 April 2020) – A group of UN human rights experts* urged Israel not to discriminate against thousands of Palestinian prisoners facing high-risk exposure to COVID-19 and to release the most vulnerable – particularly women, children, older persons and those with pre-existing medical conditions.

“There are currently more than 4,520 Palestinian prisoners, including 183 children, 43 women and 700 detainees with pre-existing medical conditions in Israeli jails. They remain dangerously vulnerable in the context of the current pandemic and the relative increase in the number of transmission rates in Israel,” said the experts.


E mais lenha para a fogueira da estupidez que a Marta ateou para queimar o Ventura e o garboso Observador cada vez mais tendencioso lhe deu destaque:

The Special Rapporteur has previously noted that Israel is in “profound breach” of its international obligations with regards the right to health of Palestinians living under occupation. Significant movement restrictions on patients and health workers already compromise Palestinians’ access to healthcare services. In the context of COVID-19, where patients’ conditions deteriorate rapidly as symptoms become more severe, any delays getting to hospital can be fatal.

O que o fascista nazi racista Ventura defende não anda muito longe disto, ou anda?

Portanto a Marta deveria ter mais tento na escrita quando fala de comunidades. Comunidades há muitas,  sua Marta!

quinta-feira, 7 de maio de 2020

Vem aí mais uma excepção...

Sapo:


A ética dos pobres



A revista Sábado de hoje traz uns artigos que só não "fizeram" a capa porque o assunto  não venderá tanto como as férias incertas que se aproximam.

Referem-se tais artigos a fenómenos que vicejam na sociedade portuguesa há muitos, demasiados anos e não há meio de desaparecerem, antes pelo contrário aumentarão daqui para a frente.

O assunto é a corrupção de costumes que leva os pobres a perderem o sentido ético do dever ser em função de valores mais deletérios e relativizados.

Um dos temas é sobre a circunstância de um irmão do presidente da República, advogado de profissão, beneficiar de alguns contratos que o Estado celebrou por ajuste directo em tempo lugar e modo que não deveria ser aquele em que se realizaram.

A legalidade dos actos parece não estar em causa mas nem por isso suscita apreensão o facto de se tratar do irmão do presidente da República e este de algum modo ter intervindo activamente na matéria básica dos mesmos.
O  primeiro caso é mesmo exemplar: em 2 de Novembro de 2018 o presidente da República disse na Madeira que um novo hospital local deveria acelerar a sua concretização e passados alguns dias, o governo regional adjudicou directamente ao advogado irmão do presidente a consultadoria jurídica de tal obra de vulto, no âmbito da contratação pública.

Não deveria ter sucedido, mas é legal.

O presidente da República pronunciou-se por escrito sobre o assunto que a revista lhe apresentou e disse que era pessoa independente do irmão e que não interferia pessoal ou politicamente em qualquer decisão que o afectasse.
Não é o ponto, mas o presidente da República devia saber que as pessoas sabem que Pedro Rebelo de Sousa é irmão do presidente da República e que algo que este possa fazer também o pode afectar, indirectamente.
Se o irmão do presidente da República aproveitar oportunidades que o Estado confere, no âmbito de contratação pública, nas circunstâncias concretas em que aquele o foi e noutros que estão descritos na Sábado, deve saber que tal afecta necessariamente o presidente da República.
Portanto deveria ele mesmo abster-se de participar em tais contratos, por uma razão muito simples e que todos entendem: quem quiser obter as boas graças do presidente da República ou até evitar a hostilidade do mesmo se souber que um irmão, com quem se dá bem, esteve interessado em determinado contrato e foi preterido por qualquer motivo,  tenderá a favorecer mesmo sem intenção tal interesse. E isso é eticamente nocivo a qualquer honra que se preze, neste âmbito de alta política e altos governantes e altos interesses.

Isto que parece óbvio parece também que é substimado senão desprezado por ambos, o presidente e o irmão advogado.

Porque razão?  Não vejo nenhuma a não ser uma, prosaica: o irmão do presidente da República, advogado de profissão precisa mesmo deste tipo de ajudas do Estado e por isso aceita correr estes riscos reputacionais.

Se assim for é duplamente triste: mostra que somos um país pobre em vários níveis. E nem preciso explicar quais.

Tudo isto é triste e tudo isto é fado. Pior ainda é o caso dos "negócios milionários" encetados na senda da crise do bicho que atravessamos.

Aparentemente nem existirão ilegalidades flagrantes, apenas o síndrome exposto da mesma questão: somos pobres e estes indivíduos que se aproveitam destas circunstâncias não têm outras oportunidades de negócios tão rendosos como este. Logo...a ética nunca deu de comer, a não ser a quem faz profissão de escrever sobre esse e outros assuntos, como uns cronistas que andam por aí, a viver desse prestígio efémero da notoriedade avulsa.

O caso de Sousa Tavares, um dos tais, também versado na revista e que publica uma missiva  para se defender de acusações que julga torpes, é diverso mas vai dar ao mesmo.

Legal e eticamente pode assistir-lhe toda a razão. Porém, é um facto que comprou uma casa a uma entidade que se tornou dona e que antes pertencia ao seu compadre. Contra factos...os argumentos são etéreos e hipócritas, por vezes.
Se fosse noutro caso, com outras pessoas, por exemplo do BPN, ainda veríamos o mesmo cronista do Expresso que vive precisamente de prestígio efémero de uma notoriedade avulsa, a vociferar por escrito contra a falta de ética das conveniências e mesmo das aparências.
Enfim.

Esta ética exposta é a dos Paz Ferreira, dos Júdices, dos Sérvulos, dos Morais Leitão e outros Galvão Telles e ainda um ou outro Cluny, infelizmente.

Não há meio de lhes mostrar que não é a ética ensinada a Nicómaco há milénios. Como poderiam aprender algo tão antigo que se aprende num berço que pouco ou nada tem de arrivista?

Todos os mencionados dizem muito mal de Salazar. Percebo cada vez melhor qual a razão da hostilidade.

Isto não é populismo racista nenhum...

CM de hoje: o futebolista Quaresma, um pequeno génio da bola quer ir além da chinela e inventa uma politiquice que se lhe afigura correcta.

André Ventura diz o que toda a gente de senso comum pensa: os ciganos têm que se dar ao respeito, como comunidade com características próprias. Tal respeito passa pelo cumprimento da lei vigente no tempo em que estamos, mesmo que o poder político deva respeitar os seus costumes, seculares e que nunca contenderam seriamente com a sociedade em que se inserem, embora de modo algo marginal.

Casar aos 13 anos deve ser admitido entre ciganos? Sim, porque sempre foi assim e a evolução nessas coisas é muito lenta. Então deveria ser a lei a adaptar-se a tal...porque por agora tal é crime e grave.

Viver em comunidade e comportar-se de modo a colocar em risco a saúde da mesma comunidade, tal como pode estar a suceder na actual crise sanitária? Não e tal tem que ser compreendido pelos Quaresmas todos  em vez de andarem com demagogias baratas dos sos do racismo de bolso.
Pergunte-se aos Quaresmas se concordam com a circunstância costumeira de se aceitar que uma menina de 13 anos possa casas...e veremos a resposta.

André Ventura nisto tem razão.


Vale a pena ouvir o que o primeiro-ministro disse no Parlamento a propósito do assunto, a André Ventura e que o Observador destaca de um modo que dá a entender que mesmo este órgão informativo anda a deslizar no populismo demagógico de um certo poder. O unanimismo está a chegar ao Observador...


"não há nenhum problema com a comunidade cigana e são portugueses como os outros. Há séculos".

Aparentemente este discurso politicamente correcto esconde a realidade: de facto, pela primeira vez o próprio primeiro-ministro fala na "comunidade cigana",  para distinguir o que depois diz não querer distinguir. Depois, ao não reconhecer o problema, faz apenas como as avestruzes. Toda a gente vê o que estas pessoas em nome do politicamente correcto se recusam a ver...

Ora a polémica instalada talvez seja útil ver como se desenvolveu, a partir de um "texto de Ricardo Quaresma" no Facebook. Aparentemente anti-racista mas profundamente anti Chega e muito suspeito quanto à verdadeira autoria porque demasiado rebuscado em conceitos e terminações. Terá sido mesmo o Ricardo Quaresma a escrever isto?


Por outro lado já há uma petição e abaixo-assinado a correr, com assinaturas  (re)conhecidas.

SOS!

O sentido das pessoas e coisas antigas

A Sábado de hoje traz uma entrevista a José Rentes de Carvalho, um antigo, com 90 anos e ainda activo na vida, com a mulher, na Holanda onde residem.

Merece bem o destaque e o louvor antonomásico às pessoas mais velhas que a canalha das eugenias radicais ( os vários blocos de uma esquerda cada vez mais perigosa e de radicais livres) quer eliminar "o quanto antes"...

Para além disso mostra bem que o governo que temos é uma miséria intelectual e que o sentido da economia não é bem o que nos querem dar a entender aqueles que agora governam.
O sentido antigo das coisas, o que Salazar e Marcello Caetano tinham é que estava certo e não é o destes figurões que pretendem viver sempre à custa de outros, com o Estado à ilharga ideológica.


quarta-feira, 6 de maio de 2020

Kraftwerk: das ist das ende




Em finais de 1974, no rádio, era possível ouvir uns sons estranhos vindos d´algures, no caso uma imitação de sonoridades fabricadas electronicamente para macaquear o ambiente de circulação nas autoestradas alemãs. 

Autobhan era o título da música em toada electrónica repetitiva e de melodia fabulosa que captava o ouvinte na onda de fantasia de uma viagem no asfalto a ouvir klaxons improváveis e a imaginar ultrapassagens em alta velocidade. Um êxito comercial de um grupo de "rock alemão" intitulado Kraftwerk, uma pequena "fábrica" que viria a montar  mais uns tantos artefactos do género.  
Em finais de 1975 outra vez um som ainda mais estranho vindo de algures, neste caso do próprio radio. Radio-Aktivität imitava desta vez o som de batidas secas de contadores geiger cada vez mais aceleradas que encadeiam em transmissores de bips repetitivos e que desembocam numa melodia outra vez fabulosa. Outro sucesso discográfico. 

Em 1977 saiu o disco que prefiro do grupo e que ouço mais vezes, como uma peça de música clássica: Trans-Europa Express, particularmente a versão alemã e cantada em alemão e o modo como dizem "airôpa".

Depois, no ano seguinte o disco de consagração mediática: Die Mensch-Maschine e o single Das Model, mais ainda Die roboter e Neonlicht. Fantástico.  

Por fim, em 1981, Computerwelt. Sem história e apenas para coleccionar. Aqueles quatro chegam para uma discografia de grande luxo e das que prefiro ouvir. Chegam para a glória de Florian Schneider, agora desaparecido, por doença.  
A música lembra as melodias dos Beach Boys ou mesmo dos Beatles e outras paragens artísticas, misturadas no moinho eléctrico dos primeiros sintetizadores. 

Sobre o grupo e história a revista Mojo de Novembro de 2009 mostra o que é preciso. Na internet também há muito e que serve para o jornalismo caseiro chafurdar sem dizer onde sujou as mãos do copianço...e não há modo de ganharem vergonha. Plágios e mais plágios, sem escrúpulos.







A discografia original de prensagem alemã, recolhida com método e tempo. O Trans-Europa Express veio expressamente de Berlim e foi caro: 60 euros numa loja de discos usados...que aliás não tinha mais nada do grupo. Discos raros, portanto.




Mata-Bicho 74: a influência dos sistemas de contactos


O CM de ontem deu conta de que vários contratos celebrados com o Estado, por causa da crise do bicho, foram de "boca", sem papel escrito ou assinatura virtual. A lei de excepção permitia tal anomalia. 
O Ministério da esquerdóide Temido que trina a Internacional e o mais que houver, apressou-se a pôr a água na fervura e diz que vai pôr tudo a léu, salvo seja...

O CM de hoje, pela tecla da jornalista "pente-fino" ( quem mais?) volta a insistir na mesma e mostra que um dos suspeitos se atamancou nos argumentos e confirma as suspeitas de tráfico de infuências, crime público.



Quem  no jornalismo nacional escolheu  mostrar a versão governamental do ministério da Temido dos trinos?  O jornalismo de "referência" do Público. Assim:







Primeira página, corações ao alto! Os afectos estão aí e o Público cultiva os seus, em detrimento do jornalismo. A propaganda tomou conta do jornal que assim deixa de ser um órgão de informação para se transformar noutra coisa: um pasquim com interesses específicos, maioritariamente ideológicos. Opções. 

Na mesma primeira página o jornal destaca outra notícia de tomo ideológico: a efeméride de um julgamento do comunista Álvaro Cunhal, há 70 anos, depois de ter sido preso pela terceira vez. O julgamento realizado é motivo para o fossilizado PCP celebrar entusiasticamente a posição de resistência contra o fassismo demonstrada pelo herói: transformou os acusadores em acusados, de fassismo naturalmente.



Qual o crime pelo qual Cunhal era acusado? Um crime contra o Estado. Há alguma dúvida que em 1949 Álvaro Cunhal pretendia subverter o Estado de Direito que então existia? Nem uma sequer. Portanto, foi julgado segundo a legalidade vigente. E condenado, como tinha que ser. 

Se fosse na União Soviética, numa posição paralela e oposta, o que diria Álvaro Cunhal e o PCP a um eventual acusado de crime contra o Estado? Simples: pena de morte, sem dúvida alguma, se alguma vez chegasse a julgamento, o que é duvidoso, para não dizer certo. Em 1949 estava no poder Estaline e quem quiser, mesmo o jornalismo do Público, um tal Luciano Alvarez que deve considerar-se muito culto, pode consultar a NET que não lhe faltarão artigos insuspeitos a demonstrar os factos. 

Portanto, este jornalismo do Público é outra coisa que jornalismo: é propaganda político-ideológica. 

Para que serve um jornal destes? Para nada, a não ser preencher um espaço público com lixo ideológico, ainda por cima. À SONAE, porém, serve de alibi. De qualquer coisa inconfessável. 
Ao leitor comum é um prejuízo diário se o comprar. Ando a ponderar deixar de ter tal prejuízo.