sexta-feira, agosto 12, 2022

Sérgio Figueiredo, "cavalo de cortesias"

 CM de hoje, com um retrato de Sérgio Figueiredo feito por quem conhece o meio...


A denúncia de um acto de corrupção, claro e inequívoco, do "mercadejar" favores, por João Bilhim, no Público de hoje, 13.8.2022. A questão já não é apenas ética ou política, como pretende o manhoso primeiro-ministro que temos.

O mais preocupante nisto tudo é a displicência com que é encarado o assunto, como se fosse qualquer coisa de normalíssimo no exercício do poder executivo:




Porque é que os demais partidos se abstêm de pronunciar claramente sobre este assunto? Óbvio: não acham isto um acto de corrupção. E terão exemplos à farta das mesmíssimas poucas-vergonhas. 

quinta-feira, agosto 11, 2022

Visão: a invenção de memórias para papalvo ler

 A revista Visão reincide numa pecha antiga que é a de reinventar memórias de factos e acontecimentos para condicionar um discurso e uma Visão política da História. 

E desta vez nem hesita na falsificação de acontecimentos que desloca no tempo para lhe servir de pano de fundo do mote da capa. Este:


A ideia básica explica-a a revista: "os impactos de 1972 na política nacional e internacional, mas também no cinema, na música, literatura e modo de vida- com muitos paralelos surpreendentes com o mundo de hoje".  E com a chamada de capa, dando o mote jornalístico do sensacionalismo mais parolo: "o ano que semeou revoluções". Semeou revoluções? Quais?!! E de que sementeira estamos a falar?!

Confesso que o único paralelo que topo e nem é surpreendente, será o da inflação. O resto é mito, construído em falsidades diacrónicas como passo a expor.

Começa logo no início, nestas duas páginas em que se narra o acontecimento de Wiriamu, aliás ocorrido em Dezembro de 1972 e por isso no fim do ano em causa:





Estes acontecimentos ocorridos em finais de 1972 só no ano seguinte deram brado internacional. A imagem da capa da Der Spiegel, ao contrário do sugerido pela Visão é de Agosto de 1973, como se pode ver
Este acontecimento - o aproveitamento político-mediático, posterior, em 1973, do facto de 1972- é que foi a semente. E de de quê, afinal?  
Apenas isto que já foi relatado aqui e que se resume no seguinte: foi um caso, um fait-divers da guerra em África, grave, é certo, mas que apenas foi denunciado em 1973 por uns missionários e foi explorado em Londres pelo partido Trabalhista, com grande participação desse grande patriota, Mário Soares, que aproveitou a visita de Estado de Marcello Caetano a Londres para denegrir a Pátria portuguesa em prol do seu socialismo nascente. Foi apenas isto e nada mais, como aliás se contou aqui.
É preciso dizer que não foi esse caso que conduziu a qualquer revolução e muito menos à do 25 de Abril de 1974, não sendo semente de coisa nenhuma a não ser a do vilipêndio internacional de Portugal, em nome do socialismo.
Tal caso e vilipêndio internacional de Portugal orquestrado por Mário Soares e os Trabalhistas britânicos, foi assim tratado pelo povo em Portugal, após a chegada de Marcello Caetano, vindo de Londres onde tinha sido enxovalhado pelos seus compatriotas do socialismo ainda não democrático.
Esta é uma imagem da revista Observador de 13 de Julho de 1973 ( e não de 1972...) 


É preciso por isso dizer que não foi o caso ocorrido em Wiriamu, em Dezembro de 1972 que espoletou alguma semente de coisa alguma que se pudesse ver no futuro. Foi antes o activismo político de Mário Soares e os trabalhistas ingleses que em 1973 tudo fizeram para aproveitar politicamente o caso e denegrir Portugal e o regime político vigente. Se alguma semente houve, foi essa, a do vilipêndio antipatriótico e com interesse político pessoal, como mostrava também a mesma revista nessa altura, na semana seguinte, 20 de Julho de 1973:


Muito mais importante como "semente" de algo, foi o que o jornal Expresso de então, de 14 de Julho de 1973, no mesmo número em que noticiava o caso Wiriamu,  noticiava também a propósito dos movimentos de oposição ao regime e portanto sobre o socialismo daquele Mário Soares: a cisão na "oposição" ou seja, a divisão que se tornou evidente entre o chamado "socialismo democrático" e o socialismo de esquerda ligado ao partido comunista e afins. 
Afinal, a união de esquerda era uma utopia que apenas no tempo deste Costa se alcançou com a Geringonça. 
Esta é que foi a verdadeira sementeira das nossas desgraças futuras..., mas a isto a Visão nem cheira nem quer cheirar, porque não convém desfazer os mitos vigentes ou as ideias feitas de quem escreve sobre mitos e lendas sem critério ou rigor de objectividade. 

 
Por outro lado nesse mesmo número do Expresso há uma reportagem sobre outra semente muito mais importante, social, cultural e economicamente do que as inventadas pela Visão neste número. Esta que espelha uma evolução social e de costumes que nos moldou a vida quotidiana. E não começou em 1972, mas em anos anteriores e por isso também se reflectiu nesse ano em que foram inauguradas novos supermercados numa tendência crescente e que se solidificou nas décadas seguintes e por isso fica aqui:


 Claro que a revista tinha que dar o destaque típico aos movimentos de extrema-esquerda que aliás nem se formaram nesse ano ( o MRPP foi em 1970) e portanto essa semente nefasta de um totalitarismo completamente oposto à democracia apresenta-se aqui na Visão como um acontecimento relevante para o devir democrático, num paradoxo que revela a fonte deste tipo de reportagens : o revivalismo serôdio dos nostálgicos do comunismo extremista. Por isso se gastam duas páginas a contar o episódio ocorrido com o estudante Ribeiro Santos, mitificado mais uma vez e ocorrido em Outubro de 1972. 
O acontecimento em si é apresentado como semente de revolta estudantil acelerada que conduziu...a quê, afinal? Ao recrudescer da "luta estudantil contra o regime" como diz José Lamego? E já agora em nome de quê? Da democracia representativa e parlamentar, como fatalmente viríamos a conseguir, mesmo com Marcello Caetano no poder, se não tivesse ocorrido o 25 de Abril de 1974? Não, de todo. Teríamos a semente de uma revolução de extrema-esquerda como aliás quiseram ter essas mesmas pessoas agora endeusadas numa mitificação espúria e que se estatelaram social e politicamente em 25 de Novembro de 1975 mas não desistiram porque formaram as FP25 e os PRP-Br de todos os matizes. Será essa a semente de que se escreve aqui? Só pode ser porque não vejo outra e se o for é muito fraca semente e já é tempo de a largar e de a esquecer como nociva que é e sempre foi. No entanto a ternura que acaparam por essa semente é preocupante. E perdura.



Já não sei quantas vezes li a história do Ribeiro Santos e o depoimento do José Lamego sobre estes assuntos. Sei que já cansa porque o episódio não teve importância nenhuma para além de ter influenciado uns tantos estudantes ( e afastado muitos mais) para a tal luta política extremista em que o próprio José Lamego se empenhou para deixar dali a uns tempos, recolhendo-se ao remanso de um partido socialista que o ajudou profissionalmente. Como a muitos outros, aliás. Se a semente foi essa, também compreendo muito bem, mas não venham com histórias da carochinha como aliás teremos já em Outubro, tal como anunciado pela revista: uma outra extremista da época, Diana Andringa, inenarrável, vai dar corpo ao manifesto de mais um panfleto a narrar o caso singular, na tv e já está prometida a transmissão de mais esta mistificação mediática. Vai haver foguetório mediático lá para Outubro, até na Torre do Tombo, controlada por estes heróis por conta própria da extrema-esquerda festiva. 

As páginas seguintes da revista dedicam-se ao assunto de sempre e que se resume no seguinte: " A marcha da História condenava o colonialismo em todas as vertentes". Não é preciso dizer mais porque é o costume da narrativa de esquerda dominante ( a História, para esta gente apenas tem um olho...) e que vem acompanhado da foto de Nixon e do seu encontro com Mao. A foto, rara nos meios mediáticos impressos, vale a pena rever porque revela o penico de Mao que continha as ideias que então um Pacheco Pereira e outros cheiravam intensamente ( alguns até hoje...):



Quanto à foto de Nick Ut ( cujo nome original seria Nguyen Kong Ut) é icónica de facto e foi tirada em Junho de 1972. Foi semente de algo? Bem...do fotojornalismo de guerra? Nem por sombras. Vi esta foto a primeira talvez em Agosto de 1973 nesta revista brasileira que mostrava nesse número as "melhores fotos do século". As fotos eram da Associated Press, incluindo esta:



Porém, sobre a guerra do Vietnam há mais fotos e estas que se mostram a seguir, da mesma revista ainda são mais sensacionais, como então se dizia ( e são mais antigas do que 1972, por isso não foi lançada tal semente nesse ano e muito menos com aquela foto, como a revista insinua em mais uma falsificação diacrónica):



 
O escritor Tom Wolfe dizia numa entrevista à Rolling Stone em 5.11.1987 ( a mesma em que explica claramente o que é o conceito de "novo jornalismo")  que a verdade era esta: " ninety-five percent of the young people in the United States in the Sixties didn´t give a dam about Vietnam. If you could make a survey you´d find that the number of those who cared was very small. They were having a good time. They didn´t have enough leftover energy to be down in the mouth". 
Idêntico raciocínio poderia ser aplicado ao que sucedia em Portugal, em 1972 a propósito destes fait-divers apresentados pela Visão como seminais. 
E diz mais Tom Wolfe sobre este assunto: " I insist that the way the young people changed life in this country was the big news in the Sixties. It overshadows, in importance, Vietnam, the riots, the racial collisions, the space program. And they did it because they had money" .
Em Portugal a juventude de então não tinha dinheiro, como a americana, mas o raciocínio parece-me igualmente válido: tirando meia dúzia de alucinados na extrema-esquerda do género Maria José Morgado e similares Pachecos ou Arnaldos, a juventude em geral estava-se nas tintas para esta gente e estas ideias estranhas da extrema-esquerda maoista ou comunista. Essa é que é a realidade seminal, ó gente da Visão, sem ela!

Sobre o cinema e a música, a revista também abra parangonas para escrever que 1972 foi um ano de sementes...enfim, vamos lá a ver se assim foi. 



No cinema aparecem dois filmes icónicos: O Padrinho e O Último Tango em Paris, como modelos de semente cultural. E um filme pornográfico, Deep Throat, cuja celebridade duvidosa aconteceu por causa do nome do delator do FBI no caso Watergate, contra Nixon. Chegará como semente de alguma coisa? Duvido. 
Quanto ao Padrinho o filme estreou nos EUA em Junho de 1972 e por cá no dia 24 de Outubro desse ano. Foi anunciado no jornal A Capital de 22.10.1972:

De acordo com a revista o filme foi uma das sementes de algo indefinido e "ganhou um óscar" nesse ano. Pois pode ter ganho mas o relevo que em Portugal deram ao filme, o primeiro da saga, foi muito pequeno e definhado. Para semente de algo faltam artigos sobre o assunto que não existem na imprensa especializada da época. Nada. 

Nos EUA o filme teve certamente algum impacto devido à idiossincrasia local. Numa página da revista Newsweek de 3 de Maio de 1971, ainda na altura da rodagem do filme, em Nova York, deu brado uma das cenas mais conhecidas do filme, o atentado ao Padrinho. As pessoas bateram palmas à performance de Marlon Brando, que viram das sacadas dos prédios e uma delas até fotografou, como se mostra: 


Em Portugal, porém, em 1972 nada disto era relevante ou seminal fosse do que fosse. No início do ano seguinte o filme já nem sequer estava em cartaz, percorrendo a "província", ao contrário do Um Violino no Telhado que se aguentou durante semanas a fio em exibição. Na mesma altura o Fúria da Razão de Clint Eastwood era um sucesso de bilheteira, tal como O Trinitá, Cowboy insolente, verdadeiro êxito com meses e meses de cartaz. O Padrinho no meio disto tudo? Pois, tinha uma banda sonora cujo tema entrou no ouvido, mas o êxito e a semente só pegou de estaca com os dois outros filmes da saga e o mito que se lhes seguiu, muitos anos depois e muitas críticas da intelectualidade crítica depois disso. O primeiro, pelo menos em Portugal não foi semente de nada e por isso a Visão falsifica a História, mais uma vez. 
Quanto ao Último Tango em Paris, sendo verdade que foi proibida a sua exibição até ao Verão de 1974, também se pode ler o seguinte a esse respeito, publicado na revista Vida Mundial de 10 de Maio de 1974, com referência à censura do filme. Reclamava-se então a sua exibição:


Fizeram a vontade aos reclamantes e o filme foi sucesso de bilheteira por causa do fenómeno do "fruto proibido" ( o filme em si, é uma estopada...) e até os espanhóis na altura vinham a Portugal ver a novidade em cinema, aliás mistificada. 
Enfim, em Outubro de 1974 aqueles que reclamaram contra a censura criticavam assim o mesmo filme: uma porcaria pequeno-burguesa sem interesse nenhum. A propósito deste tipo de sementes revolucionárias, os que exigiam que o filme não fosse censurado eram os mesmos que então defendiam para Portugal um regime idêntico ao dos países de Leste, comunistas, onde o filme também não foi exibido, segundo julgo. Portanto, a hipocrisia desta gente que no fim de contas são os patronos ideológicos da Visão, não tem fim e espalharam tal sementeira durante décadas. Essa é que foi a verdadeira semente: a da mentira e falsificação histórica e contextual que perdura até hoje e basta ver como descrevem o tempo do Estado Novo. 


Quanto aos casos das "Três Marias" e da "Capela do Rato", sempre muito glosados nestas andanças da esquerda mediática, de há décadas a esta parte, é preciso dizer algo também por causa das sementes que esses casos representam. 
As "Três Marias" eram esquerdistas, pelo menos uma delas abertamente comunistas e escreveram em conjunto um livro que desafio quem quer que seja a dizer que o leu integralmente e tirou proveito da leitura. Como semente não está nada mal, par as "desempoeiradas mulheres" que defendiam o totalitarismo político e social em Portugal, por imitação do modelo comunista. O Livro foi editado por uma maluca, Natália Correia, libertária e aventureira, provocadora por essência. A repercussão que o livro teve lá fora, aconteceu nos círculos literários e políticos que se opunham ao regime que tínhamos pelo que fizeram do livro uma simples arma de arremesso político e nada mais. 
Como semente havia muitas mais deste género, todas a germinar na esquerda e extrema-esquerda, muito lá de casa dos redactores antigos e actuais da Visão e por isso ficamos conversados acerca da importância intrínseca do objecto cultural em causa. 

E o caso da "capela do Rato", como semente de algo? Pois vejamos como o regime da época o encarou. Vem publicado no jornal socialista, maçónico e jacobino que já era tolerado pela Censura da época, o República dirigido por Raul Rego que dispensa apresentações. 
No número de fim de ano de 1973 fazia assim o relato dos acontecimentos ocorridos um ano antes e assim comentados pela "nota oficiosa do Ministério do Interior" de então, acompanhada da "nota do Patriarcado" de então, sobre tal assunto:


Portanto o assunto era "a guerra colonial" e os mentores da manifestação política num local religioso os manipuladores do costume, ou seja a oposição política que pretendia para Portugal um regime ainda mais totalitário do que aquele de que acusavam o então vigente. Não está mal, como semente...que até contaminava personalidades como Teotónio Pereira, arquitecto e "católico progressista" que depois fez parte do MES e até apoiou o grande democrata Otelo, num movimento extraordinário de extrema-esquerda que pretendia quadrar um círculo de giz perfeito, juntado a ditatura totalitária com a democracia mais chã, a directa. 
Outro dos presos foi Pereira de Moura, figura relevante logo após o 25 de Abril, economista que defendeu as nacionalizações e chegou a ministro de Vasco Gonçalves, outro eminente democrata. Sementes de primeira apanha...para esta Visão da História. 
Não deixa de ser relevante e seminal que esta gente da Visão continue a apontar as Brigadas Revolucionárias como gente de valor democrático inquestionável que ajudaram com "préstimos organizativos" nessa acção na capela. Certamente manuseando os petardos ( tal como fizeram depois com bombas a sério que mataram gente real) que anunciavam ao povo a revolução que aí viria...e cuja semente é apresentada pela Visão deste modo tão singelo e claro.

Sobre o Watergate já escrevi aqui. Tudo se passou em 1973-74, depois dos factos ocorridos em 1972 e as sementes foram lançadas depois disso. Não são sementes de 1972 e por isso há outra falsificação diacrónica.
Relativamente à música popular, não lembra a qualquer careca tomar o ano de 1972 e particularmente David Bowie como ícones da sementeira revolucionária e apontando-o como o grande "influencer".
A razão é simples de expôr mas vou documentar a mesma com recortes das revistas e publicações originais, sem copiar as referências como faz o articulista PDA sem referir as fontes.
David Bowie é importante na evolução da pop mas a sua relevância começara muito antes e já estava acompanhado de outros porventura mais relevantes: os T. Rex e os Roxy Music e ainda outros que em 1972 e muito tempo antes também publicaram obras seminais ( de semente) nesse género de música que se convencionou chamar "Glam-Rock"!
 Não era uma dimensão revolucionária mas apenas uma evolução na continuidade e o ano de 1972 já era de continuidade começada logo no início de 1970. 





Portanto um artigo completamente falhado, com graves erros diacrónicos e uma perfeita falsificação histórica, para vender uma ideia falsa sobre o que éramos em 1972. Mais um a juntar a muitos outros. Será que esta gente viveu esse tempo ou escrevem de cor?!

Quem quiser saber melhor como foi 1972 tem que ler outras coisas, para além destes cromos de sempre que reproduzem um discurso "fake" e perigoso porque já perdura há décadas e tem sempre a mesma tonalidade. A democracia não é isto. 

Melhor seria começarem por ler esta revista, nas hemerotecas:



O que a Visão deveria ver claramente, se consultasse estes documentos escritos e que testemunham a época e o ano de 1972 era mais isto, verdadeiramente seminal e que respeita aos meios de comunicação que nesse ano estavam em marcha e foram parados com as bancarrotas que se seguiram ao golpe de 25 de Abril de 1974 que trouxe a democracia em que é o PS e a esquerda que mandam...







Por muito que nos queiram fazer acreditar que Portugal começou em 1974 e que a democracia foi o começo de tal era radiosa, a verdade é que a democracia socialista só piorou o que tínhamos antes e só estragou o que viria a ser o país. A canalha, nos dois sentidos da expressão que emergiu na era democrática, com pico de everest na era José Sócrates, foi a responsável por isso e os media que a apoiaram e continuam a apoiar, os cúmplices objectivos de tal desgraça nacional. Em nome da democracia! E da sua vidinha que se estende a uns tantos milhares. Nem muitos. Se calhar tantos como era o número de esquerdistas em Portugal em Abril de 1974, uma minoria que se impôs a uma maioria. Democraticamente, claro. Se a oligarquia em Portugal tem um nome, é esse, precisamente. 

ADITAMENTO:
Para além disto que não é pouco, fui informado por quem de direito que esta foto de manobras militares que figura na pág, 32 da revista Visão é uma perfeita invenção diacrónica sobre algo que poderia estar relacionado com o ano de 1972. 
Segundo me informam, a foto em causa, publicada para ilustrar episódio da "guerra colonial" e particularmente o caso Wiriamu, diz respeito à saída para instrução em campo de um curso de formação do GISG da BA3 Tancos, e é datada de Dezembro de 1985. E o autor da foto chama-se Luís Santos, para que conste.


Esta gente da Visão, sem ela, não se deu conta que haveria pessoas a ver e a fazer o trabalho de "fact-checking" que não souberam fazer?
Se fosse nos EUA ou no UK, este tipo de lapsos, erros e invenções teria consequências. Aliás para qualquer publicação que se quer séria e rigorosa, teria sempre consequências. Aqui, para quem é, bacalhau basta, como sempre. 

quarta-feira, agosto 10, 2022

Portugal é o que parece...

 Esta entrevista ao Sol do último fim de semana, do académico Nuno Palma ( professor de Economia em Manchester e investigador no ICS) dá que pensar pela inconoclastia relativamente a certos poderes públicos em Portugal, com destaque para os que constituem a elite educativa das universidades e os políticos que orientam o país. 

O resumo da entrevista fica numa frase: "Portugal é o terceiro mundo da Europa". E mais: "Portugal é um país sem futuro". Quer dizer, sem futuro que se possa esperar promissor. 

A explicação é apresentada assim e evidentemente não será partilhada pelas actuais elites no poder, em Portugal há vários anos. Décadas, porventura. 










A quem se refere este indivíduo quando aponta estes problemas graves na democracia que temos? A representantes de órgãos de poder, de soberania e evidentemente a quem os escolhe, o povo que vota. 

O povo que vota, em modo positivo, colocando boletim nas urnas ou o que vota pela omissão, não comparecendo, é o nosso, da ordem de alguns milhões de pessoas que se informam como podem acerca das opções políticas que tomam, por acção ou omissão. 
É um povo que vota em democracia, num sistema representativo que copiamos dos demais países europeus e que nos conduziu a este resultado cultural, social e económico.
As elites que temos, a começar na presidência da República, órgão unicelular da soberania, actualmente tem como representante escolhido Marcelo Rebelo de Sousa, educado num regime diverso em que a democracia era mais limitada por uma ordem de princípios e valores que actualmente os representantes democratas chamam fascistas. 
A alternativa a esse "fascismo" resultou na escolha de uma série de pessoas que tornaram Portugal no país que é o actual e cujo retrato é delineado na entrevista. 

Essas pessoas, uma elite de alguns milhares, pode mostrar-se em poucas imagens recolhidas de sítios oficiais e não só, com as fotos cujos créditos autorais aparecem ou podem ser obtidos nos respectivos sítios. 

Em primeiro lugar a presidência da República, com os seus representantes passados e que foram escolhidos pelo povo que temos:

Actualmente está lá um indivíduo cujo currículo pessoal o prefigurava para um cargo semelhante. Foi educado no antigo regime não democrático, foi amigo muito próximo de altos dirigentes de tal regime, o próprio pai foi ministro de tal regime; foi professor universitário de uma área abrangente como o direito constitucional e foi colaborador importante em vários media que formam a opinião pública nacional, desde 1973.  
O seu perfil institucional actual coloca-o como importante actor no panorama que é apresentado na entrevista. O seu papel institucional apresenta-se assim e assado:
Por exemplo, com representantes da elite universitária e judicial ( na foto Jorge Miranda, o constitucionalista-mor do regime, a par de Gomes Canotilho e ao seu lado o juiz Armando Leandro, que liderou o CEJ e que verdadeiramente é de uma elite que não quero incluir aqui, neste rol de medíocres)  que moldou as instituições que temos, com destaque para a própria Constituição ( a tal que até 1989 proibia a reprivatização das empresas nacionalizadas em 1975) .


Outro exemplo, com representantes do actual poder judicial, dos vários tribunais superiores ( Tribunal de Contas e Constitucional, com as primeiras figuras da esquerda para a direita)  e do topo do MºPº ( a última figura, em modo de avantajada pomba branca),  corporizado na magistratura do STJ aquando da tomada de posse do seu actual presidente, com a presença de outros poderes do Estado:



O poder judicial representa-se ainda nesta foto nas instalações da presidência da República actual, com três juízes de topo só para mostrar a diversidade desta elite, embora consolidada na mesma idiossincrasia: 


 E nesta, de Janeiro de 2020:


A par do poder judicial, o terceiro poder de soberania do Estado, andam o poder Legistativo, da Assembleia da República, onde assentam os deputados escolhidos pelo método democrático de representação em eleições gerais, activa e omissivas.


O Governo, Poder Executivo é actualmente este, de mascarados em que alguns deles escondem agendas que só tarde demais se topam. Este é o verdadeiro poder do Estado porque é o Executivo, que parte, reparte e fica com a melhor parte. A seriedade e competência desta gente deveria ser a toda a prova. Como se comprova no caso José Sócrates o que sucede é precisamente a negação  de tudo isso e só por acaso aparece alguém para quem o interesse geral e do povo é prioritário:


Para além destes mascarados há os que governaram de cara descoberta e do modo que se sabe. Foram recompensados, porque obtiveram depois o voto da maioria absoluta de quem votou...


Portanto é a estes rostos e a esta gente que devemos as leis que temos tido ultimamente, as decisões executiva e de governo que temos tido nos últimos anos e por isso a responsabilidade directa e a culpa de estarmos como estamos é desta gente que aí figura, acima, sorridentes, sem se saber porquê, para além da circunstância 

Para além destas elites, o povo em geral que também se pode representar noutras vertentes. Por exemplo na pessoa dos queijeiros de Celorico da Beira, recebidos com pompa e circunstância pelo filho de Baltazar Rebelo de Sousa:


Ou pelos ilustres autarcas do país, verdadeiro retrato da nação que temos, reunidos em homenagem:


Quanto ao resto, fica esta última foto, onde se podem ver ilustres representantes da elite que temos: dois juristas ( Henriques Gaspar que foi do MºPº, e presidente do STJ; Costa Andrade, professor de direito penal, em Coimbra, da escola responsável pelo direito penal que temos em Portugal, deputado à Constituinte e presidente do tribunal Constitucional; os demais, para além dos conhecidos, nem contam, mas são da tal elite):


Poderia continuar a mostrar retratos das elites que temos. Porém, o exercício é tão deprimente que estes bastam. 
Vai mais uma para tal efeito:


Julgo que não temos salvação como país a caminho de uma prosperidade que poderíamos e deveríamos ter. E a responsabilidade é do povo; a culpa é desta elite cujos rostos e nomes aqui ficam, mas há outros imensos outros que porventura contribuíram mais e melhor para esta desgraça nacional que nos assola. 
E o pior é que nem sequer se dão conta disso.