sábado, 4 de abril de 2020

O ar do tempo de há 48 anos...

Como era a nossa vida colectiva em 1972, ou seja, dois anos antes do 25 de  Abril de 1974? Há uma ideia generalizada veiculada pelos órgãos de informação existentes e dos "historiadores" encartados no regime para apresentar a sociedade desse tempo como atrasada, obscurantista e retrógrada em que a ausência de democracia era a causa directa e exclusiva de tudo isso.

A juventude educada no actual sistema de ensino se não procurar informação alternativa fica instruída pelos programas, leituras e noções básicas ensinadas, acerca do anterior regime como fascista e medonho.

Dificilmente aparece alguém que contraponha argumentos ou defenda minimamente que seja, tal regime sempre apresentado em tons e cores políticas como a origem do mal e associado à figura de Salazar, o símbolo máximo do regime, que aliás desapareceu da liderança política quase meia dúzia de anos antes do mesmo cair por força do golpe militar.

Que modo poderá haver para mostrar que tal ideologia milita sempre à esquerda, comunista e socialista e procura deslegitimar o antigo regime, apontando-lhe todos os defeitos que na verdade não poderiam existir por força da lógica mais simples?

Há um modo simples e que me agrada mostrar porque toda a gente pode ver, se tiver aptidão para isso: publicar o que se dava notícia nesse tempo e que revela, claramente e não apenas simbolicamente, como era efectivamente a sociedade de todos os dias, a normal e que até incluía pessoas com aquela ideologia de esquerda que de repente se revelou como tal, nos meses a seguir ao golpe de 25 de Abril.

Havia então um jornal que se assemelhava ao actual Correio da Manhã e que tinha o título de A Capital.

Na sua edição de 28 de Maio de 1972, 46 anos depois do aparecimento do Estado Novo, algumas das notícias relevantes do dia eram estas, para se aquilatar o que era a vida social da época.


O género de notícias no "dia-a-dia" revela que em Portugal havia nessa altura um modo de viver "habitual" que não se distinguia do que surgiu depois, em democracia, a não ser como exemplo do que era melhor do que veio a ser.

A Fundação Gulbenkian financiava cursos de "biologia moderna"; a TAP comemorava a chegada do segundo 747-B; cursos de "problemas de política e estratégia de empresas"; cursos de marketing destinados a profissionais de seguros; reuniões em Portugal de entidades europeias, no caso de Radiodifusão; concurso público para a direcção clínica de um hospital psiquiátrico, certamente muito longe da tipologia dos actuais concursos; cerimónia de juramento de bandeira de soldados-recrutas e um curso de organização e simplificação do trabalho administrativo; um congresso dos advogados; um lote de acções detidas pelo Estado na Companhia de Celulose que iriam ser vendidas em oferta pública; houve três centenas de totalistas no totobola e dois feridos em acidentes de viação.
Na página seguinte, dava-se conta da feira do livro e da falta de catálogos, mas havia uma série de anúncios a livrarias; o vinho do Porto continuava a ser um produto de exportação segura e os preços de certos géneros alimentícios que não paravam de subir. E o fait-divers policial, num relato que já não se faz nos dias de hoje.

A análise semiótica destes acontecimentos noticiados, com o contexto da época, permitiria mesmo cheirar o ar desse tempo.

Duvido que haja muita gente que o faça. Ou queira fazer.

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Mata-Bicho 21: entrevista a um dos matadores

Grande Entrevista: Pedro Simas - É uma corrida contra o tempo: o que é que a ciência já sabe do novo coronavírus? As respostas do investigador e cientista Pedro Simas na RTP3, ontem à noite.

quinta-feira, 2 de abril de 2020

Mata-Bicho 20: Paulo Baldaia, um jornalista...

Vale a pena ler a história associada a esta imagem tirada daqui e que mostra o que é um jornalista em Portugal. No caso, Paulo Baldaia, um comentador na SIC:




Mata-Bicho 19:o sistema que erra por defeito

Público de hoje, em que a responsável pela estatística da DGS explica o falhanço da estatística de que é responsável, com a candura da irresponsabilidade.

Foi assim: "nós utilizamos a informação do local de residência. Quando essa informação não existe, o sistema por defeito adopta o local de ocorrência e quando esta não existe o programa adopta por defeito o local de diagnóstico. Se o sistema automaticamente vai buscar o local de diagnóstico, vamos ter um maior número de casos numa área específica do país, que depois, no dia seguinte, com a informação do seu local de residência será colocado nesse local."
E como é que vão fazer agora que se descobriu a barraca monumental? "Vamos, neste momento,colocar disponível apenas a informação que está com o local de residência". 

É assim e esta senhora, com uma experiência académica considerável,  provida por concurso, continua a ser a "Chefe de Divisão de Epidemiologia e Estatística da Direcção-Geral de Saúde" porque o problema, como toda a gente vê, é do "sistema" que erra por defeito. E quem é que se atreve a demitir este sistema?

Há 47 anos neste dia, o jornal A Capital de 2.4.1973 dava uma panorâmica estatística dos casos de gripe em Portugal.



E como é que então se fazia? Havia um Centro Nacional de Gripe que estudava os casos e na altura de 1969 a 1971 havia estatísticas com números, embora com "falta de dados" que eram fornecidos pela Federação das Caixas de Previdência. É verdade, já havia um serviço nacional de saúde que funcionava nas "Casas do Povo" e instalações similares, com médicos diários, enfermeiras permanentes e enfermos constantes a serem atendidos, com os papéis da "caixa" para se ir às farmácias. Os médicos iam a casa das pessoas doentes e ainda faziam lembrar a figura do "joão semana" da literatura.

Com a democracia, em 1978 surgiu essa grande inovação inglesa chamada SNS cujo "pai", um médico socialista e maçónico, António Arnaut, de Coimbra, tinha  muito orgulho na obra. É um primor, ainda hoje.
Se assim não fosse e tivéssemos continuado no fassismo não teríamos tal "sistema de saúde", nem previdência, nem assistência social e seria a miséria e o caos, como é apanágio do fassismo.

 Ainda assim, naquela altura, sem computadores nem sistemas que erram por defeito, foi possível recolher elementos estatísticos sobre morbilidade e mortalidade em determinado período que os comunistas e socialistas chamam de fassismo e obscurantismo.

Em 1966 e 1968 morreram 3,65 pessoas por cem  mil habitantes; em 1969, 6,73; em 1970, 6,86 e em 1971, 8,93.
Confere?

quarta-feira, 1 de abril de 2020

Mata-Bicho 18: o SINAVE como funciona?

O SINAVE é um instrumento legal que funciona numa plataforma informática e foi assim apresentado, através de uma Portaria de 2013:

Portaria n.º 248/2013, de 5 de agosto
A Lei n.º 81/2009, de 21 de agosto, institui um sistema de vigilância em saúde pública, que identifica situações de risco, recolhe, atualiza, analisa e divulga os dados relativos a doenças transmissíveis e outros riscos em saúde pública, bem como prepara planos de contingência face a situações de emergência ou tão graves como de calamidade pública. A Lei cria uma rede de âmbito nacional, envolvendo os serviços operativos de saúde pública, os laboratórios, as autoridades de saúde e outras entidades dos sectores público, privado e social, cujos participantes contribuem para um sistema nacional de informação de vigilância epidemiológica, denominado SINAVE.
A criação desta rede implica a desmaterialização do processo da notificação obrigatória de doenças transmissíveis, que será completada, subsequentemente, com a notificação laboratorial, permitindo uma vigilância integrada, clínica e laboratorial.
A referida Lei prevê, ainda, que seja aprovado, sob proposta do Conselho Nacional de Saúde Pública (CNSP), o regulamento de notificação obrigatória de doenças transmissíveis e outros riscos em saúde pública. São, pois, agora, estabelecidos o prazo e o processo de notificação obrigatória de doenças transmissíveis e a metodologia de introdução de dados na aplicação informática de suporte ao SINAVE, bem como as regras para a proteção dos dados pessoais dos doentes e confidencialidade da informação de saúde.
É, igualmente, assegurada a tramitação a seguir em caso de indisponibilidade da aplicação informática de suporte ao SINAVE e estipula-se o princípio a observar na metodologia de definição do processo de vigilância contínua de saúde pública.


Depois, tal legislação em vigor mostra como se deve fazer:


REGULAMENTO DE NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA DE DOENÇAS TRANSMISSÍVEIS E OUTROS RISCOS EM SAÚDE PÚBLICA

Artigo 1.º
Objeto e âmbito

1 - O presente Regulamento de Notificação Obrigatória de Doenças Transmissíveis e Outros Riscos em Saúde Pública, de ora em diante Regulamento, define o prazo e processo de notificação e a metodologia de introdução de dados na aplicação informática de suporte ao sistema nacional de informação de vigilância epidemiológica (SINAVE), bem como os procedimentos de vigilância de casos de doença possíveis, prováveis ou confirmados, de averiguação e identificação de situações de incumprimento, e de proteção dos dados pessoais dos doentes e confidencialidade da informação de saúde.
2 - A notificação obrigatória de doenças transmissíveis e outros riscos em saúde pública é obrigatória para todos os profissionais de saúde do sector público, privado ou social.
(...)



Artigo 3.º
Acesso

1 - O acesso à aplicação informática de suporte ao SINAVE é feito através de uma plataforma disponível na Internet, através de uma ligação segura (https) e mediante a atribuição de perfis de acesso por parte da entidade responsável pelo tratamento da base de dados.
2 - Os perfis de acesso permitem a atuação, através da aplicação informática de suporte ao SINAVE, das entidades envolvidas no processo de notificação obrigatória de doenças transmissíveis, assegurando rapidez de acesso em condições de segurança e garantindo a confidencialidade dos dados pessoais.
3 - Sem prejuízo de outros perfis a definir pelo diretor-geral da Saúde, em função da natureza do risco em saúde pública, são criados os seguintes perfis de acesso:
a) Perfil de Médico, a atribuir a médicos, permite efetuar notificações de caso de doenças sujeitas a notificação obrigatória, consultar e retificar as notificações efetuadas;
b) Perfil de Autoridade de Saúde, a atribuir a médicos que desempenham funções de autoridade de saúde, permite, na respetiva área geográfica de intervenção, efetuar notificações de caso de doenças sujeitas a notificação obrigatória, consultar e retificar as notificações efetuadas, consultar as notificações de casos de doenças sujeitas a notificação obrigatória, bem como registar o respetivo inquérito epidemiológico e proceder à vigilância epidemiológica. A consulta da identificação dos doentes constante das notificações só é possível às autoridades de saúde de âmbito local;
c) Perfil de Administrador, a atribuir à entidade responsável pela administração e tratamento da base de dados da aplicação informática de suporte ao SINAVE, e trabalhadores designados, permite a gestão e acompanhamento das notificações e da aplicação informática, quer em termos de perfis de acesso, como de tabelas de referência e administração da base de dados;
d) Perfil de Laboratório, a atribuir a profissionais de laboratórios que validam o resultado laboratorial, permite efetuar notificação de resultados laboratoriais de doenças sujeitas a notificação obrigatória e consultar as notificações por si efetuadas;
e) Perfil de Laboratório Nacional de Referência, a atribuir aos profissionais designados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I. P., permite efetuar notificação de resultados laboratoriais de doenças sujeitas a notificação obrigatória e consultar as notificações efetuadas;
f) Perfil de Operacional de Vigilância e Controlo, a atribuir a trabalhadores da Direção-Geral da Saúde envolvidos no processo de vigilância e controlo das doenças sujeitas a notificação obrigatória, permite consultar e ou editar as notificações anonimizadas efetuadas a nível nacional, bem como a investigação epidemiológica respetiva, de acordo com as respetivas funções.
4 - Os perfis a que se refere o número anterior apenas permitem o acesso à informação estritamente necessária ao exercício das funções dos intervenientes, previstas na Lei n.º 81/2009, de 21 de agosto.
5 - O perfil de autoridade de saúde pode ser ajustado, no caso da delegação de competências a que se refere o n.º 3 do artigo 9.º do Decreto-Lei n.º 82/2009, de 2 de abril, de acordo com os requisitos de qualificação profissional necessários ao exercício das mesmas.
6 - Cada utilizador, envolvido no processo, acede à aplicação informática de suporte ao SINAVE, de acordo com o respetivo perfil de acesso, através de uma conta de utilizador à qual está associada uma palavra-passe individual, de alta segurança, pessoal e intransmissível.
7 - As contas de utilizador e palavras-passe individuais são geridas, através de um sistema de autenticação único, pelos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde, E. P. E.

(...)

Artigo 6.º
Identificação de casos

1 - Os casos de doenças sujeitas a notificação obrigatória e outros riscos para a saúde pública são identificados por médicos no exercício da sua profissão que efetuam a notificação clínica e completados com a notificação laboratorial, sempre que aplicável, sem prejuízo da notificação a efetuar por outros profissionais de saúde expressamente implicados para o efeito de acordo com despacho do diretor-geral da Saúde, e comunicados, através da aplicação informática de suporte ao SINAVE, às autoridades de saúde.
2 - Após a identificação e notificação das doenças sujeitas a notificação obrigatória, os casos são categorizados pelas autoridades de saúde como «possíveis», «prováveis» e «confirmados».
3 - São casos possíveis aqueles em que, geralmente, se preenchem os critérios clínicos descritos na definição do caso, sem que, no entanto, haja provas epidemiológicas ou laboratoriais da doença em causa.
4 - São casos prováveis aqueles em que, geralmente, se preenchem critérios clínicos e apresentam uma relação epidemiológica tal como descrito na definição correspondente.
5 - São casos confirmados aqueles que, podendo ou não cumprir os critérios clínicos tal como descrito na respetiva definição de caso, são confirmados laboratorialmente, inserindo-se numa das três subcategorias seguintes:
a) Caso confirmado laboratorialmente acompanhado de critérios clínicos: o caso preenche os critérios laboratoriais necessários à sua confirmação e os critérios clínicos incluídos na definição do caso;
b) Caso confirmado laboratorialmente com critérios clínicos desconhecidos: o caso preenche os critérios laboratoriais necessários à sua confirmação, mas não há informação disponível relativa aos critérios clínicos;
c) Caso confirmado laboratorialmente não acompanhado de critérios clínicos: o caso preenche os critérios laboratoriais necessários à sua confirmação, mas não obedece aos critérios clínicos incluídos na definição do caso ou é assintomático.

(...)

Agora só é preciso que alguém explique como é que isto funciona, na prática...e parece que funciona muito mal. Tão mal que já nem se usa nos serviços de urgência, internamento, etc...
Segundo a médica que falou ao Observador, a comunicação dos dados obrigatórios só ocorre quando há casos "positivos".
A "reportagem" dos casos, em concreto no hospital de S. João, no Porto, só acontece porque há médicos de outras especialidade que ajudam os colegas a elaborarem as comunicações.
Este "reporte" é redundante no caso em que os laboratórios também têm informação de "positivos" porque também têm essa informação.
Portanto só agora se descobriu a "redundância" e a disparidade virtual dos números e estatísticas.

Enfim. Que dizer mais? Que começa assim:

E depois há 30 páginas para ensinar aos médicos como se faz...

E mais formulários para o "médico notificador"...



Enfim, um mundo de disfunções...

Mata-Bicho 17: o comunismo é uma arma carregada de futuro...destruidor.

Daqui:




Mata-Bicho 16: "não falta nada". Nem sequer isto falta...

Observador:


Este fenómeno que me parece generalizado na função pública ( mesmo nas Finanças, com um sistema aprimorado para captar o dinheiro dos contribuintes) é uma desgraça permanente, duradoura e sem remédio à vista.

Funciona assim:

Alguém num ministério, numa direcção geral, num departamento do Estado seja autónomo ou não, decide e tem poder para influenciar que se "aloquem" recursos financeiros para programar algo que se julga necessário. Nunca se sabe quem é este "alguém" cujo anonimato nos prejudica a nossa vida colectiva como poucos o podem fazer. Não fica registo destes anónimos e a informação não passa dos círculos mais concêntricos desse pequeno-grande poder.

Surge então o problema de saber a quem atribuir a tarefa, como determinar a execução da mesma, como definir parâmetros ajustados e como resolver o problema.
Como há várias empresas especializadas nesse género de tarefas de criação de programas é preciso escolher uma delas. Como se faz? Ou um concurso público ou um "ajuste directo".
Seja como for, o projecto é entregue e aqueles parâmetros em caderno de encargos ou definição de objectivos e outros termos em jargão economiquês e de gestão entra em acção. É a chamada "governance"...

Quem é que diz como se deve fazer e o que fazer? Surge aqui o grande problema que emperra esta máquina desde o início: geralmente não se ouvem devidamente os utilizadores ou as pessoas que poderiam melhor dar o contributo para se afinar o programa. Ouvem-se uns tantos "peritos" se for o caso mas fica muito por resolver e confia-se demasiado nas virtualidades dos informáticos.
Para comprovar isto basta ver como funcionam estes programas nos diversos ministérios e departamentos do Estado.
Basta um pequeno exemplo ainda recente para mostrar como funciona o sistema, neste caso na área da Justiça: nos casos de violência doméstica a primeira verificação e registo informático dos casos origina uma recolha de dados num formulário feito não se sabe bem por quem, mas que já tem anos de uso, nas polícias. O formulário é um horror cujo autor gostaria bem de conhecer para lhe dizer que é um imbecil. Pois bem: só agora deram conta, ao fim destes anos todos de registo de dados que o formulário é inadequado, contém erros e modos de induzir em erro quem decide mas ainda nada se fez. Além disso é um formulário em papel que depois é digitalizado e fica "no sistema".
Casos como este haverá muitos e o do tal SINAVE parece ser um deles pelo que li: dezenas de itens para preencher, por profissionais de saúde que tem que perder horas a fazê-lo...para que depois a DGS dê informações erradas, ainda por cima. Informações que são essenciais que determinam políticas, estados de emergência, etc. Pois bem: está entregues ao improviso e ao desenrasca.

O Presidente da República tem um grupo de "peritos" da "elite" que o ajuda a resolver estas coisas deste modo que se pode ver...

Aparece então um programa comprado, pago, bem pago pelo Estado como é costume, testado apenas virtualmente e depois seja o que for.
Como a gestão destes "sistemas" pode ser algo complexa pode acontecer o que aconteceu: duplicação de recursos, dispersão de informação, inadequação de "inputs" ou seja de indicações escritas em formulários prè-concebidos e registo de dados que podem não cumprir aquilo para cujo desiderato foi concebido o programa ou o sistema.

Barraca que foi logo detectada pelos utilizadores do sistema que se queixaram logo de modo completamente inconsequente porque não há modo de eliminar tais disfunções e erros se não forem notórios e não emperrarem muito o sistema.

Na função pública devem existir vários casos destes. O Citius, nos tribunais é um deles. Funciona, desenrasca e portanto siga prá frente!
O resto, quando surgem problemas, logo se verá...

É isto o nosso país: uma miséria que não se fica pela pobreza atávica e que para mim tem um símbolo: o socialismo e a mania de tentar controlar tudo através do Estado, sem atender à flexibilidade que a iniciativa privada concede em se despir de burocracias, porque tem modos de auto-controlo que o Estado não tem e nunca terá.

Todos no Estado têm medo de algo que seja susceptível de lhes causar problemas ou provocar procedimentos que os afectem profissionalmente.

Esta barraca monumental com a duplicação de sistemas de registo se formos a ver bem tem este contorno acima exposto, quanto a mim.

É por isso um problema de inteligência da nossa gente que depois se tenta safar pelo desenrascanço mais célere e também pela mediocridade na escolha de pessoal dirigente que assenta muitas vezes em critérios de falhanço seguro: pela via partidária e da influência de amigos e nepotes vários.

Juntando tais ingredientes a desgraça bater-nos-à sempre à porta sob a forma de bancarrota.


Já tivemos três e caminhamos com o optimismo irritante deste Costa que é o símbolo desta merda toda. Arre!

terça-feira, 31 de março de 2020

Mata-Bicho 15: um Buescu feito cassandra

Observador:


Entretanto, os "especialistas" reunidos em conclave concluiram o seguinte para desfeita do Buescu:


Estas pessoas lembram-me um disco dos anos oitenta, com uma capa muito interessante  e um tema curioso: she blinded me with science. Cegou-me com a ciência...



O disco é este:




Mata-Bicho 14: o director do Público não é a DGS cá da terra...

No outro dia o director do Público, um indivíduo em quem cheguei a acreditar por me parecer razoável e minimamente inteligente, desiludiu-me de vez. Com a proposta de censura por causa de um autarca de Ovar, do PSD, ter desmentido e acusado a Direcção-Geral de Saúde de desinformação, o director do jornal encrespou-se contra o mesmo e defendeu publicamente a censura porque não se deveria pôr em causa esse poder do Estado ao "pôr em causa a seriedade das autoridades de saúde".

Descobriu agora que afinal é preciso mesmo pôr em causa, sempre que merecem. Este indivíduo depois de tantos anos de jornalismo ainda não percebeu o básico e essencial da profissão: informar. Que é diverso de tentar formar de acordo com uma visão do mundo e da sociedade, obrigando-se ao exercício diário de manipular o que coloca no jornal para conformar tal visão. Tal implica a adopção de noticiar sempre de  modo enviesado, através da escolha de títulos, de colaboradores e de artigos de opinião em barda que enlameiam as notícias com a visão idiossincrática de quem as escreve.
É isso que o director do Público tem feito, imitando o jornalismo de partido, grupo, facção ou ideologia. É o anti-jornalismo e a opção pela propaganda, muitas vezes ( no caso das  causas, fracturantes) em modo panfletário. Miserável!

 Na edição de hoje aparece com isto que o desmente e transforma em mais um palerma que anda por aí por ver andar os outros:


Na mesma edição um artigo de um especialista, um "cientista" que já andou nas inteligências artificiais e agora é da área de ficção científica. Obviamente tem carradas de razão naquilo que escreve e é um bom alerta:


Depois desta incursão na ficção científica voltemos à terra e ao mais recente caso de incompetência, diletantismo e incrível manifestação de ignorância em quem não se deveria admitir tal coisa,  num caso destes que causa manifesto alarme social. Nem contar sabem, com os sistemas informatizados...





Entretanto, notícias fascinantes do mundo da Ciência, no caso da Inteligência Artificial:



segunda-feira, 30 de março de 2020

Mata-Bicho 13: música para ler



Quem quiser ouvir música, hoje em dia, na Internet tem um acervo impressionante de vídeos cuja diversidade e quantidade é de tal ordem que facilmente se consegue ouvir quase tudo o que se deseja.
Até programas de rádio, antigos, em pocast ou em gravações colocadas por curiosos e amadores.
Há uns anos lembre-me de procurar algo que o falecido dj do rádio inglês, John Peel tivesse disponível para audição.
Em 1975, durante o PREC afanosamente procurava estações de rádio estrangeiras que pudesse sintonizar por cá e apanhei em ondas remotas o programa de John Peel, Top Gear de que já tinha visto a menção nos jornais musicais ingleses como Melody Maker e New Musical Express.
Num desses dias, precisamente em 19 do mês de Dezembro desse ano,  apanhei um programa em que foram passados os 15 melhores singles do ano, na música anglo-saxónica.
Prontamente apontei a progressão até ao top, a partir do nono lugar, que era no caso Peter Frampton e o que viria depois a figurar no álbum ao vivo, Show me the way, com o gimmick do tubo a modificiar robótica e electronicamente a voz do cantor, um efeito estranho na época.
O resultado foi este, actualizado e corrigido há una anos quanto a nomes cuja pronúncia na altura não apanhei.


É simplesmente impressionante poder ouvir novamente talemissão, resumida em alguns minutos de passagem de tais músicas, registada no You Tube e completa. Tem ainda o indicativo do programa, um tema dos Grinderswitch, pickin the blues.


Impressionava-me ainda  o modo como o dj desenvolvia a apresentação num tom aparentemente monocórdico e frugal, sóbrio, tal como por cá então se fazia num ou noutro programa, como o Página Um, na Rádio Renascença de 1974-75, por aqui já evocado em tempos.

Era assim que tomava conhecimento das novidades musicais de então, na era prè-internet e sem outro modo de informação para além desse e das publicações periódicas que apareciam por cá e comecei a coleccionar no início dos anos setenta.
Uma revista que comprei desde Setembro de 1974 era a francesa Rock & Folk que preenchia todos os meses a falta de informação que por cá existia e fazia-a de um modo exemplar e em permanente epifania. Todos os meses descobria coisas novas cuja qualidade musical se tornou assinalável, mesmo depois destas décadas.

Portanto, hoje em dia é fácil redescobrir tudo isso, no You Tube, desde que se tenha o conhecimento suficiente e interesse necessário para tal.

Um dos grupos e artistas que mantém todo o interesse, para mim, depois destas décadas é o grupo americano Hot Tuna e o seu mentor Jorma Kaukonen mais o parceiro musical do baixo, Jack Casady. Ambos fizeram parte do grupo de rock dos sixties, Jefferson Airplane mas o interesse pela música do duo cinge-se, neste caso ao que fizeram na década a seguir, com tal grupo e a solo.
Jorma Kaukonen, neto de finlandeses que vieram emigrados para os Estados Unidos publicou em 2018 uma biografia que intitulou Been so Long, reminiscência de uma das suas canções e tem um sítio na Internet onde se podem ver a actuar ainda nos dias de hoje e com uma qualidade que já não é vulgar ver em artistas do passado, como ele.



Como é que conheci este músico e a sua obra?

Em Setembro de 1976 a revista Rock&Folk tinha esta capa dedicada aos festivais musicais em França, particularmente em Orange.




Intrigou-me que do conjunto de artistas de renome que poderiam figurar na capa tivesse aparecido a foto dos Hot Tuna, grupo que só conhecia de nome, na altura e por ter lido algo na revista, antes.
Hoje em dia é fácil ouvir tudo, logo e imediatamente se se tiver uma ligação à internet.  Na altura podiam passar meses ou anos antes de surgir uma possibilidade de audição.
Para além disso a música mais interessante dos Hot Tunha já tinha sido publicada em discos antes de 1976, ao longo da década.
E…música dos Hot Tuna em Portugal, no rádio, meio de divulgação por excelência? Nem me recordo de ouvir nada, nesse ano e no seguinte.
Em 1978 a mesma revista Rock&Folk passou em recensão completa os discos dos Hot Tuna, com Jorma Kaukonen. 



Nove discos, lançados entre 1971 e 1978,  todos de qualidade para ouvir integralmente e de preferência na versão em vinil, original porque só assim se apreende toda a subtileza sonora do country-blues acústico e eléctrico que deles emana em composições que nunca deixaram de me fascinar em modo sonoro.

Em 1978, porém, o grupo lançou o derradeiro disco, ao vivo e chamado Double Dose. E ouvi-o no programa de António Sérgio, Rotação, salvo o erro.  
O som era de reverberação quente e grave como a voz e programa do apresentador. Lembro-me da apresentação do disco porque a gravei, numa cassete que andará por aí: “no início das suas actuações ao vivo Hot Tuna costumava aquecer o ambiente com algumas canções acústicas”, mais ou menos isto.  E lançava o som…cujo disco comprei apenas no início dos 2000, um lp descoberto algures numa loja de discos usados, no estrangeiro de Monastiraki.
Era uma prensagem original, americana, como as demais que ao longo dos anos fui adquirindo, dos discos dos Hot Tuna, aqui mostradas em progressão diacrónica.


 No início dos anos oitenta ouvi por acaso outro disco que não conhecia, de Jorma Kaukonen, chamado Quah! e do ano de 1974, realizado em parceria com outro artista, Tom Hobson.
Foi uma surpresa e durante muito tempo as canções não me saíam do ouvido, particularmente as  iniciais, Genesis e Song for the North Star. 
Esta última tem uma letra de poesia contagiante, pela evocação de sonoridades antigas que se repercutem nos meus ouvidos sempre que a ouço e faço-o muitas vezes por causa disso e vou cantarolando por isso mesmo. 


A versão aqui mostrada é a de Genesis que abre o disco, mas este pode ser ouvido integralmente no you tube.
 No entanto, este pequeno video reproduz uma das canções de 1974 cantadas e tocadas pelo artista há poucos anos, no seu recanto particular e caseiro, em  Ohio, chamado Fur Peace Ranch onde o artista vive com a família. 



Ah! E tem agora uma mensagem e recomendação sobre o que se passa com a guerra ao bicho...

Mata-Bicho 12: leia-se quem sabe melhor...

Observador, entrevista a um responsável pelo Imperial College ( são os que percebem de saúde pública a um nível diverso do de um Jorge Torgal...):



Haja alguma esperança na Ciência médica para ajudar a combater o bicho.

domingo, 29 de março de 2020

Mata-Bicho 11: a Censura está aí, indesmentível.

Na TVI do inenarrável Sérgio Figueiredo, acusado e pronunciado pelo MºPº e JIC de comportamentos muito graves em matéria de criminalidade económica, há censura. E da sua responsabilidade. Em prol da propaganda governamental e na linha editorial do Público e do Diário de Notícias.
Em tempo de guerra contra o bicho os inimigos da liberdade de informação já alinharam na desinformação e omissão informativa.
Nenhum destes media merece credibilidade indubitável que é um dos activos mais importantes de qualquer órgão de informação, pelo que a atitude certa perante estes comissários de certa política é o cepticismo.

CM de hoje:


 O Público mostra em duas páginas assinadas por Cristina Ferreira, uma espécie de Ana Leal um pouco desajeitada e incipiente, o panorama da advocacia " de negócios", dos maiores escritórios do país.
O artigo tem muito pouca informação, para além de notícias sobre o "mercado de transferências" nestes escritórios de várias centenas de profissionais. As conexões relevantes e sistemas de contactos são ignorados e as manobras de transferências são apresentadas como decorrendo de certos fenómenos conjunturais sem grande explicação genética.

Ainda assim temos um resumo do estado da arte nestas sociedades muito opacas e sem grande vontade de transparência, pois não costumam publicar contas para toda a gente ver a quantas andam.

Mandam-nas para a Ordem dos Advogados que as guardam a sete chaves e o Fisco fica a ver navios por esse lado do sigilo profissional.

Há contudo a indicação de algumas contas, já antigas e sabe-se que uma das sociedades mais alargadas, - a MLGTS, a de Morais Leitão- com cerca de 240 membros, entre sócios e advogados séniores, júniores e zés-ninguém mas as várias marias que vão com as outras, terá ganho qualquer coisa como 55 milhões de euros em 2018.
Ora como indicam ter encargos com vencimentos da ordem dos 50% das receitas, temos que será a metade de tal redimento a dividir pelos 240. Isso se fosse uniforme que evidentemente não é.

Se o bolo do salário for da ordem dos 22 milhões de euros teremos que contabilizar e subtrair como beneficiários das fatias maiores os quase 40 estagiários, os tais zé e marias ninguém que ganharão o pão com o suor do rosto do rendimento mínimo, se tanto. Nem contam e por isso restam cerca de 200 profissionais a que se deverá subtrair o número de sócios e gente de muito vulto na sociedade- Lobo Xavier, Galvão Teles Sénior, Rui Patrício, o inefável sparring partner sabe Deus de quem..., mais o Osório do futebol do tipo Ronaldo, mais os Anacoreta, Lowndes e outros que tais, como os Pinto Leite.
São 64 os privilegiados,  ao todo e por isso o bolo geral fica em pouco mais de 140 que recebem à tabela, porventura confortavelmente mas nada de muito substancial. Alta função pública? Talvez um pouquinho mais, mas só um pouquinho. Neste lote está o filho de António Cluny, mais o liberal Francisco Mendes da Silva e outros.

Fazendo contas:

Se cada um destes 140 ganhar anualmente 80 mil euros, com tudo incluído, mesmo os descontos devidos, dá uma conta calada anual de cerca de 12 milhões de euros mais coisa menos coisa, para esta "ralé" de luxo, em compita com os privilegiados dos gabinetes com indicação de "sócio" à porta.

Tirando ao bolo geral, ficam para distribuição aos felizardos da nata do sistema, sócios de capital, indústria e empenho nas tarefas necessárias da actividade de manter sistemas de contactos,  cerca de 10 milhões de euros, o que dá cerca de 160 mil euros, muito por alto. Mas neste caso contando com os "encargos" teremos que metade irá para o fisco e segurança social. Ora então sobram, sei lá, 80 mil euros para gastar na vida que todos levam. 7 mil euros por mês. Menos que o presidente da República?!  Comprar carros, viagens à neve e às ilhas e até a Itália no tempo em que se podia lá ir e sem ajudas de custo...

Fónix! Não pode ser! Será que o Fisco faz estas contas?! Se não faz, devia fazer...

Os encargos serão mesmo da ordem dos 50% das receitas? E tais encargos incluirão os devidos ao fisco e Segurança social dos membros efectivos da sociedade? Não sei. Se incluírem as contas estarão erradas e terão que subir.
Porque é que a jornalista pespineta não se abalançou às contas, mesmo por alto, entrevistando quem a poderia informar? Enfim...

Só o Lobo Xavier deve ganhar mais que isso na SONAE...mas aquele inefável Patrício não deve ser muito mais que isso...
O Figueiredo da TVI ganha muito mais que isso. Garantido. E não vai chegar para pagar a indemnização que lhe é pedida pelo frete criminoso de que está acusado e pronunciado. Se for condenado com trânsito em julgado, naturalmente e daqui a uns anos, quando a TVI já o tiver despachado pelos magníficos serviços prestados e com a justíssima causa da praxe.

Aqui fica o artigo:



Quanto ao escritório que foi do Júdice, agora na "arbitragem", a PLMJ, ...as contas não serão muito diferentes.

O ar do tempo de há 48 anos...