segunda-feira, dezembro 06, 2021

Tintin em Portugal: foi Adolfo Simões Müller!

 O Diário de Notícias de hoje traz uma entrevista com Benoît Mouchart, responsável da bd, na editora Casterman. Em dado momento fala num editor português do Tintin, com quem Hergé se correspondeu e de quem recebeu víveres, no tempo da II guerra, durante a ocupação alemã ( da Bélgica...porque Hergé vivia por lá...). 

Sendo uma entrevista não teria por aí muito interesse dizer ao indivíduo que o tal editor tinha sido Adolfo Simões Müller, mas ao leitor nacional da entrevista já faria todo o sentido e tal informação foi omitida. 

A entrevista aparece a propósito do lançamento do álbum Tintin no país dos Sovietes, obra primitiva de Hergée que tem um interesse muito relativo, (mesmo agora a cores), sendo o maior o facto de retratar aspectos do estalinismo antes de Soljenitsine o fazer.

Assim, aqui vai:   



A história do tal editor apareceu no Jornal de Letras de 16.3.1987, contada pelo próprio:





Há uns anos, em 2012, a Casterman, em colaboração com a empresa que gere o património de Hergé lançou em album a aventura em causa e a edição actual é outra, agora ilustrada a cores. 


Nesse album de 2012, entre outras curiosidades ilustradas antes e depois da história propriamente dita, há a do aparecimento de Hergé e do Tintin. Foi um padre católico que então dirigia o jornal Le Vingtiéme Siècle, em cujo suplemento infantil surgiu o Tintin e a aventura em causa. 
Como se pode ler, correu mal a vida ao padre, por causa das suas posições políticas, demasiado conservadoras. O comunismo não perdoou. Afinal, Soljenitsine, nessa altura provavelmente já tinha sido preso...


Esta história o DN não conta. Faz como aqueles que Michel Onfray cataloga no seu livro sobre os "autos-de-fé": censura. 
Aliás quem quiser saber como é que o Tintin surgiu em Portugal e quando, basta clicar aqui e ver estas imagens de O Papagaio.
O nº 51, de 2.4.1936 publicava pela primeira vez e a cores, em Portugal, a imagem de Tintin ( ou Tim-Tim, como Simões Müller traduziu). Por uma vez fomos precursores nestas coisas:


E no nº 53 de 16.4.1936 aparecia a primeira história, de Tim-Tim na América do Norte:


E também se poderá ver a passagem de O Papagaio para O Diabrete, sob a mesma batuta de Adolfo Simões Müller, em Março de 1949: 


Ou seja, a internet destronou os media tradicionais no modo de contar e ilustrar estas histórias...como aqui se comprova. Porém, nem assim, com todas estas ajudas, os media tradicionais  informam melhor...

domingo, dezembro 05, 2021

A censura de esquerda aos livros incómodos

 Já aqui mencionei o livro de Soljenitsine, L´Archipel du Goulag, publicado em França pela Seuil no início do ano de 1974  e em Portugal, pela Bertrand, com o título Arquipélago de Gulag, em final de 1975 ( o vol I porque o segundo só em 1977 e com episódios rocambolescos de censura pelos "trabalhadores" da gráfica) . O livro foi reeditado por cá em 2017. 

A obra de Soljenitsine é um requisitório contra o comunismo soviético da primeira metade do século XX e o autor foi preso em Janeiro de 1945 por ter escrito uma carta a um amigo em que tecia críticas ao sistema militar soviético e a Estaline. Por causa disso Soljenitsine foi preso, sem qualquer acusação e condenado a oito anos de prisão e quatro de exílio. É assim que se explica a génese do livro, na badana da edição portuguesa de 1974. 

Na altura lembro-me de ver o livro na edição francesa nos escaparares das livrarias, a preço probitivo. Eram  estas, em dois volumes:




E em 1975 este: 


Tal como já referido no postal não me recordo de grande ruído mediático à volta do livro e do tema. Em 1975 o comunismo e o esquerdismo generalizado nos media impediu ipso facto a discussão acerca da grande ilusão e dos horrores da repressão soviética, sinal inequívoco do totalitarismo. 

Por cá o tema e por causa disso foi completamente censurado pela esquerda e julgo que só o Expresso lhe fez alguma referência, breve e inconsequente, se tanto. O Jornal que então já se publicava ( desde Maio) e sob a batuta de Joaquim Letria, não arranjou espaço para o assunto. 

Ainda assim a imprensa internacional da época não fizeram de conta que nada acontecera, como por cá sucedeu. 

A Time deu a capa, logo em  Fevereiro de 1974, no primeiro número que comprei dessa revista e por causa disso:



A L´Express, em França, com o título sugestivo sobre o "desafio de Soljenitsine" :



O tema era de importância enorme e havia por isso um elefante na sala mediática que o comunismo caseiro e os seus habituais companheiros de viagem ou de caminho queriam à viva força evitar dar a conhecer aos cidadãos para não os tornar pessoas esclarecidas sobre o comunismo. Ainda hoje é assim e os métodos são idênticos: desmentir factos ou desvalorizar quando o não podem fazer. 

 O que então era óbvio explica-se agora muito melhor num livro de Michel Onfray, publicado recentemente pela Guerra e Paz, com o título Autodafés- L´art de détruire des livres, de 2021. A tradução portuguesa, ( de André Morgado) parece-me francamente má, porém como é livro não literário, passa. 

As páginas sobre o livro de Soljenitsine e o modo como foi censurado em França por toda a esquerda esclarece de algum modo o processo inquisitorial que se inicia sempre que alguém põe em dúvida determinados dogmas esquerdistas ou ideias que não se devem discutir na óptica do interesse esquerdista. 

Vale a pena ler, porque é um requisitório dos métodos de censura do PCP , BE e outros esquerdismos que omitem, distorcem e mentem acerca de factos que os podem prejudicar politicamente. 

Em 1974, em França colocava-se a questão de o socialista Miterrand concorrer eleitoralmente com Giscard d´ Estaing à presidência, inaugurando na Europa uma geringonça avant la lettre que afinal só em 1981 se concretizou e apenas durante alguns meses. Os quatro ministros comunistas convidados por Miterrand para o governo foram afastados dali a pouco e acabou então a aventura da esquerda socialista aliada aos comunistas. 

Porém, enquanto a ilusão se manteve, o livro de Soljenitsne foi desvalorizado e relativizado.  Tanto que Michel Onfray, em toda a lógica, considera que o relato de Soljenitsine poderia justificar um processo ao comunismo semelhante ao que foi realizado em Nuremberga, ao nazismo. 

Mesmo com tais factos e essa lógica vemos ainda hoje em Portugal palermas apalhaçados e aburguesados na tv a propagandear o ideário comunista,  desavergonhada e impunemente. Se alguém fizesse o mesmo ao nazismo seria processado e eventualmente preso e gozado por isso nos tais programas apalermados. Essa realidade de dois pesos e duas medidas é insuportável no Portugal democrático mas é o que temos, porque a censura continua e a omissão de denúncia dos crimes do comunismo é permanente. Uma das razões para tal é a meu ver simples de entender: quase todos os jornalistas "séniores" que mandam nos media foram ou tiveram ligações ao esquerdismo, comunista ou de extrema-esquerda. Daí o esquecimento...

Assim:













Por falar nisto lembrei-me de Pacheco Pereira, o "historiador" do PCP. Em 1974 e 1975 conhecia isto, pela certa. Então qual seria a sua posição sobre o assunto? Pois é demasiado fácil adivinhar: a mesma que teve certamente em relação ao livro de Simon Leys, sobre o maoismo e a sua extraordinária revolução cultural, também alvo da atenção do livrinho de Michel Onfray...



sábado, dezembro 04, 2021

José Afonso e o disco de 1970, Traz outro amigo também

 Foi agora lançado no mercado, um disco em LP ( e também em cd e formato "digital" para as plataformas de distribuição "streaming", Traz Outro Amigo Também, originalmente publicado pela etiqueta Orfeu em 1970. 

Relativamente a estas novas edições de onze albuns de José Afonso já escrevi aqui, para dizer que as versões digitais publicadas em cd me parecem excelentes mas pecam por uma quase completa ausência de informação acerca do modo como foram produzidas. Os discos nada têm que informe sequer quem foi o técnico das novas gravações, pois aparentemente é disso que se tratará.

O lp Traz Outro Amigo Também de José Afonso é um clássico da música popular portuguesa, todos os géneros confundidos e merece atenção mediática que também não vi em lado algum, para além de uma menção numa tv, em entrevista breve a um dos filhos do artista, Pedro Afonso, eventual mentor do novo projecto de reedições. Este afiançou que as  novas edições são melhores que as anteriores e um dos participantes ( salvo o erro, o guitarrista Rui Pato) teria garantido que ouviu nas novas versões instrumentos musicais de que não se tinha apercebido antes.

Ora, como é que se tiram teimas nesta matéria? Vendo e ouvindo os discos, comparando os originais com as novas versões e foi isso que fiz e dou conta para registo. 

O disco original, primeira edição de 1970 e feito na Inglaterra, na capa exterior  e rótulo do disco,  tem este aspecto:

 
A contracapa tem ao fundo, em letras muito pequenas,  a referência à "Litocolor-Porto", portanto realizada em Portugal. 



Este rótulo original tem uma inscrição na parte "morta" do vinil,  aliás visível em aumento da imagem, que identifica o produto como sendo STAT 005 A-1, ou seja um disco Orfeu, de Arnaldo Trindade. 

O LP foi reeditado em meados dos anos setenta ainda com selo, rótulo, da Orfeu. Não tenho este disco para comparar, mas em 2012 a reedição em cd , em formato "digipak" pela Orfeu, já nas mãos de outro dono, publicou informações preciosas acerca desta edição, misturando as informações de 1973, no papel da Rádio Triunfo que o terá produzido,  com as de 2012 em que se nota ter sido então ( em 2012) rematrizado  ( obtido novo master digital) por António Pinheiro da Silva em Março de 2012.

 

Em 1987 este disco foi reeditado pela editora Riso e Ritmo Discos ainda em formato lp e na mesma altura em que a etiqueta Movieplay editou também o respectivo cd, um formato então relativamente recente ( os discos dos Beatles foram então "rematrizados" para publicação em cd). Não tenho tais versões e por isso não as comparo. Pode ser que o lp seja já tirado de uma cópia digital que serviu para fazer o cd, mas não há informação.

Em 1996 o disco foi novamente republicado pela Movieplay, em formato cd e numa caixinha de cartão muito cuidada acompanhada de um livrinho, com apontamentos e informações diversas, mesmo sobre as gravações dos discos de José Afonso e o grafismo das capas, mas nada sobre o processo de digitalização e "masterização" dos cd´s nem de quem executou tal trabalho. 

A ausência de publicação em lp pode ter-se ficado a dever ao "ar do tempo" em que o vinil foi abandonado durante os anos noventa e muito depois disso, em prol da miragem sonora do cd apresentado como o nec plus ultra sonoro e que fez muita gente começar a ouvir tudo em cd, desprezando o som do vinil, não comprando discos neste formato e deixando a indústria publicar tudo em cd, exclusivamente. Tal tendência perdurou até há uns anos atrás e actualmente assiste-se a uma retoma do vinil como meio de reprodução sonora com qualidade diferente e melhor que o cd, sempre que os discos sejam fabricados a partir de "masters" analógicos, originais e não cópias já digitais, embora a diferença se esbata em aparelhagens de pequena e média qualidade. Deste modo o assunto aqui em causa torna-se algo esotérico porque só compreensível por uma minoria de aficionados do som de alta qualidade.

Este género de informações é completamente omitido nas novas edições agora publicadas, temendo-se por isso que a publicação do LP, a cargo de uma editora identificada na contracapa do disco como "Mais Cinco, registered trade mark of Saraiva Canejo Leitão, Lda", seja feita a partir de uma cópia digital e não dos masters originais, analógicos e aliás dados como desaparecidos na falência da Movieplay Portugal e até hoje a questão permanece por esclarecer. 

Também no sítio oficial do artista não se encontra qualquer informação deste género. E os jornais ou publicações especializadas, mesmo na Internet, não dão resposta a estas questões. Fosse noutro país e já havia gente que dizia de sua justiça no youtube, por exemplo. Aqui...nada. Em Portugal foi sempre assim, ao longo das décadas que já levo a reparar nestas coisas. 

Aqui, no Youtube, é possível ouvir o disco Traz Outro Amigo Também, integralmente em formato digital e formato 1080p e portanto resolução digital semelhante ao cd. A colocação da gravação é recente e os comentários estão "desactivados", sendo aparentemente uma gravação retirada das novas edições porque a capa do disco que é mostrada é a das novas edições ( não tem a referência à etiqueta Orfeu e a cor é mais desmaiada). O som é semelhante, aliás, ao som do novo vinil, curiosamente. Quem tiver um dac apropriado ( por exemplo um da iFi)  até poderá gravar na mesma resolução...

Entre o disco original, em vinil, de 1970 e o de agora, as diferenças são notórias. Em primeiro lugar a cor actual é mais desmaiada, em vez do vermelho vivo original. As inscrições no disco carecem de informação, particularmente no rótulo, que no original existem. 

Este é o disco agora publicado, com a contracapa assim. Na capa que é dupla ( gatefold, com dizem os americanos) e no interior, não há qualquer referência à Orfeu, ao contrário da original:


O rótulo tem a inscrição YMS 2638 A na parte "morta". O disco de vinil, porém, é de gramagem superior ( 180gr?) ao original, tal como acontece nos discos de vinil, actualmente.


E quanto ao som? Pois ouvi várias vezes o disco original, no primeiro e segundo temas ( Traz outro amigo também e Maria Faia) e a conclusão fatal é segura, aos meus ouvidos: a versão original é mais "arejada", com maior ambiente, como se fosse gravado num espaço mais amplo e com reverberação mais aprimorada no final das estrofes que dão a impressão de uma maior envolvência sonora. As palavras cantadas ficam a a pairar mais uma fracção de segundo no final e o som geral a meu ver é melhor e mais gratificante de ouvir. O som do novo lp parece mais abafado e menos resolvido.Ligeiramente, é certo, mas audível.  Os americanos que fazem este tipo de análises no forum Hoffman, por exemplo, já teriam dito que era fraca edição. Curiosamente e como referi acima, o som que se pode ouvir na gravação colocada no youtube é muito parecido com o som do novo lp. Como já referi anteriormente, o som dos cd´s de 1996 e 2012 é mais próximo da sonoridade do lp original, tendo apenas a particularidade de ser mais "puxado" mais projectado para o ouvinte, como é característica das gravações digitais. 

Assim e em conclusão: quem quiser ouvir este disco com a melhor qualidade sonora deve arranjar o lp original, de 1970, o que só é possível em lojas de discos usadas ( e há meia dúzia delas no Porto e em Lisboa) se ainda houver exemplares disponíveis. A alternativa pode muito bem ser a gravação digital de 2012, em cd. 

A nova gravação, em vinil, desilude, por isso mesmo, com a agravante de não se saber como foi efectuada, particularmente com recurso aos "masters" originais. Julgo que não pelas razões expostas e por isso sobre uma conclusão: poderá ter sido obtida a partir de gravação digital, já existente e arquivada algures ou  com novas gravações a partir do próprio vinil, em disco. 


sexta-feira, dezembro 03, 2021

O ministro passageiro

 Observador, hoje:



Este indivíduo parecia-me inqualificável como pessoa desde o episódio do microfone, na AR.  A partir de agora é inqualificável como governante, apesar de o ser há muito tempo: desde os incêndios e das golas e mais inacreditáveis episódios que o definem como um inimputável político. 

ADITAMENTO:

Este homem com letra maiúscula precisou de uma acusação do MºPº para se demitir...

quarta-feira, dezembro 01, 2021

A oferta jornalística em Portugal

 A revista Sábado tem hoje um editorial do seu director,  Eduardo Dâmaso, pessoa que respeito e que se lamenta do estado do nosso jornalismo nas vendas que apresenta e portanto nos resultados económicos que o sustenta. 


Eduardo Dâmaso apresenta os exemplos do jornalismo no New York Times, The Times e Le Monde como casos de sucesso nos tempos que correm e contrastam com outros, como é a situação dos media impressos, em Portugal. E menciona os esforços da revista Sábado para fugir à condenação da falência, económica e jornalística, afirmando que a revista é líder no sector. Também não admira, pois como concorrente tem apenas a Visão, eivada politicamente de um esquerdismo acéfalo e politicamente correcto que afasta potenciais clientes de outras áreas. A Visão é actualmente um rebento jornalístico nascido da incapacidade económica da Impresa de Balsemão o continuar a suportar e tem como dono com testa de ferro, desde 2018, um certo Delgado, subitamente enriquecido em confiança nas notícias ( TrustinNews). Vai acabar mal. 

A empresa dona da Sábado é a Cofina que detém o Correio da Manhã que ainda hoje anuncia que é "líder no mercado nacional" e o maior nas vendas em "banca", termo brasileiro apropriado há décadas pelo jornalismo nacional. 

A Cofina e os seus jornalistas descobriram uma fórmula, também vinda do Brasil, sobre um modo de fazer jornalismo com sucesso popular, traduzido em vendas: o sensacionalismo nas notícias. A publicitação, para além do desejável e até admissível, das tragédias humanas e dramas caseiros, sempre em primeira página com letras gordas a vermelho vivo de sangue, suor e lágrimas. A receita revelou-se tão prazenteira que outros media televisivos já a copiam desavergonhadamente, mormente a televisão do Mário Ferreira, TVI. A Sic segue já dentro de momentos. 

A Sábado procura todas as semanas encontrar os temas de capa mais apelativos para levar os passantes a comprar e a ler. Esta semana é o Tony Carreira, coitado que tem...nada para dizer mas é entrevistado para captar o interesse de quem o gosta de ver e ouvir. Muitos milhares de pessoas, claro. Na semana passada foi o empresário Nabeiro que escapou ao PREC por um triz e por ser um pobre da terra tornado rico pela capacidade empreendedora. De vez em quando lá surge o Salazar para dar o picante antifassista da praxe e assim julga a Sábado manter-se à tona desta irrelevância noticiosa.  

A Sábado transformou-se assim numa revista de variedades com conteúdo informativo híbrido, frequentemente nulo, destacando-se por vezes na informação de conteúdo judiciário com a participação dos jornalistas António José Vilela e o director Eduardo Dâmaso.  E mesmo neste campo não se afasta do tom sensacionalista e quase sempre resultado de pesquisa em fontes judiciárias originais ou derivadas. Para se perceber a diferença entre este estilo e o que deveria ser, basta ler o último número da revista francesa Valeurs Actuelles sobre o caso Fillon e reparar que há todo um mundo de diferença entre o que é a reflexão séria e articulada sobre assuntos desse género e o estilo da Sábado. Tal diferença é resultado da formação intelectual de quem trata o assunto, obviamente. E a prova até aparece num artigo desta semana acerca de um caso anódino, relacionado com um processo crime de ofensas à integridade física, vindo de 2013, e que envolve "agentes desportivos" do Porto e do Benfica. Num camarote do estádio do Estoral terá havido uma agressão física, leve e reveladora de ânimos exaltados entre rivais. A notícia releva por um dos protagonistas ser um tal Adelino Caldeira, do Porto e que tentou escapar à condenação ( em multa...) através do costume: negar o facto e esperar que as testemunhas o ajudassem. Enfim, nada de especial, mas que é notícia para insinuar que no Porto há pessoas influentes que tentam minar o curso da justiça, influenciando e condicionando testemunhas. O artigo é de António José Vilela e é um dos exemplos deste jornalismo. No caso, do género Tal&Qual, de meia bola e força. 

O Tal&Qual, aliás é jornal que compro actualmente por diversos motivos: tem notícias com interesse de sensação e sem o condimento trash da Cofina, (muito, aliás demasiado tributário do jornalismo perverso de uma Tânia Laranjo) e traz diversas informações sobre vários meandros da vida nacional que não aparecem em nenhum outro lado. É um jornal que merece ter sucesso, sendo despretensioso e leve. O Tal & Qual é o jornal que o Correio da Manhã imitou, para pior. 

O Público, como jornal, é um caso à parte: tornou-se um projecto falhado desde praticamente o início, com prejuízos permanentes e sustentado pelo activismo estranho da SONAE, dirigida pelos filhos de um Belmiro que anunciou várias vezes que os prejuízos sistemáticos eram insustentáveis. Os filhos herdeiros do império da distribuição alimentar,  fazem de conta que os lucros do Continente cobrem tudo porque os prejuízos do jornal são gota de água suportável pelo resto. O jornal é o ponta de lança do wokismo nacional, do politicamente correcto à esquerda e tal não incomoda e até convém aos tais filhos de um Belmiro que deve dar voltas na tumba.

Por outro lado, temos um empresário avulso noutras áreas, Marco Galinha, como proprietário da empresa Global Media, que engloba o Jornal de Notícias, a TSF e o Diário de Notícias, com resultados catastróficos em Setembro deste ano: 


Para além desses há outro parvenu que agora reina no mercado televisivo enquanto durarem os dólares e é taxativo sobre o assunto: 


Portanto quem manda na Media Capital é o Ferreira; quem manda na GlobalMedia é o Galinha e quem manda na Trustin News é alguém que domina a TrustinNews, ou seja quem lá pôs o dinheiro, os milhões. Quem é? O Delgado?! Balha-nos o deus dos pobrezinhos... 

A Trustin News tem este "staff" aqui mostrado no sítio da empresa e com depoimentos de fé e esperança em "querer fazer mais e querer fazer melhor". Sim...e para quem? Para a sociedade portuguesa que ajudaram a "construir" deste os anos setenta, porque são os herdeiros do esquerdismo de O Jornal e associados? Pois terão o resultado do que fizeram e deitar-se-ão na cama que prepararam.

O decano é um velho advogado da Póvoa que ainda ajudou a antiga empresa Projornal a recolher a penates de uma falência inevitável antes do novo século: José Carlos Vasconcelos. 


Perante este panorama, o que fazer? Dou a minha opinião, singela e despretensiosa num blog que também o procura ser, mas para isso tenho que escrever um postal separado, para contar como cheguei até aqui, ao ponto de ter pouca fé e quase nenhuma esperança nos media nacionais. Caridade, procuro ter, porque sei que há centenas ou milhares de pessoas no negócio dos media e que a maioria são apenas empregados, jornalistas que vêem com apreensão um futuro que não é radioso. 

sábado, novembro 27, 2021

A última do historiador Pacheco Pereira

 A última catilinária contra a "direita" de Pacheco Pereira, o antigo alinhado no Parlamento com a maioria de Cavaco Silva, no tempo das vacas gordas dos fundos da CEE aqui apresentados como um fundo de maneio social democrata de desenvolvimento estatista. Foi a política "neofontista", como se tivesse sido apenas uma opção para as obras públicas que hoje "seriam consideradas estatistas, socializantes, esbanjadoras" para a tal direita fantasmática que o persegue imaginariamente. 

Na coluna da direita aparece a mais ignóbil catilinária contra o governo do Passos, considerado como uma traição ao ideal social-democrata que não se conhece bem qual seja, mas é tudo menos austeridade imposta por terceiros, neste caso pela "troika". A história para este historiador foi manipulada e falsificada porque havia o famigerado PEC IV; havia as medidas alternativas à austeridade e havia portante outro modo de resolver a bancarrota a que os governos do PS conduziram o país, mais uma a somar a outras duas, anteriores nos anos setenta e oitenta. Tudo medidas propostas pela esquerda do PS, como salvíficas de tal bancarrota e que evitariam a intervenção de terceiros, no caso a "troika" que em representação dos que nos emprestaram o dinheiro impuseram as suas linhas de governação, sob pena de nos deixarem cair na bancarrota mais inevitável.

A crise bancária desse tempo, o BES, o BCP, o BANIF, o BPP e o BPN foi tudo obra da "crise bancária" aparecida do nada e agora escondida nessa génese pela vontade manipuladora de quem procura branquear a história que teria sido facilmente resolvida com o tal PECIV . E assim nunca teríamos entrado no período negro da bancarrota ou da necessidade de intervenção da troika.  

É essa a opinião de Pacheco Pereira que ainda assinala a tentativa de mudança do texto constitucional -imputada ao odiado Passos- como obra da "extrema-direita" associada ao indivíduo que a propôs, Paulo Teixeira Pinto. O mesmo que contribuiu para a crise bancária com o seu papel no caso BCP. O texto a mudar era por exemplo o que continua a assegurar ser Portugal um país a caminho do socialismo.   

Este indivíduo, depois de exprimir estas ideias deve considerar-se historiador? E deve merecer algum respeito intelectual, ao adoptar as mesmíssimas opiniões de um José Sócrates?! 


Quanto às ideias de extrema-direita que inspirariam a mudança constitucional proposta por aquele Teixeira Pinto, aqui fica um documento de 1980 sobre a Constituição que Sá Carneiro- apresentado como o modelo de social-democracia que Pacheco Pereira pretende apresentar como matriz do PSD- queria nessa altura, juntamente com o CDS de Freitas do Amaral que acabou politicamente situado no socialismo à la PS. Tal como Pacheco Pereira. 


Quem é que nessa altura fazia o papel do Pacheco Pereira de agora? Precisamente quem se associava à esquerda do PS, como era o caso dos mentores de O Jornal. 

E quem mais, já agora? Pois, os mentores de uma tal ASDI, tendo à cabeça o advogado Sérvulo Correia, especialista em direito administrativo e que acabou numa sociedade de advogados contratada por governos para legislar em nome do país democrático. E legislou: o código das contratações públicas, verdadeiro alfobre de génios a sacar dinheiro ao Estado e que conduziram o país à tal bancarrota de 2011...



Tal como Pacheco Pereira agora, este Sérvulo finório da academia do Direito, rebelava-se contra o perigo da AD e pretendia frustrar o avanço da direita, que nessa altura ainda não era conhecida como neoliberalista e portanto se apresentava como guerreiro na luta contra "o golpe em marcha contra o regime democrático". 

Uma coisa parece certa: se Sá Carneiro não tivesse morrido em 1980 a revisão constitucional de "extrema-direita" já teria sido feita e provavelmente nunca teríamos um Sérvulo Correia alcandorado a legislador democrático. 

E não é preciso aparecer como historiador de pacotilha para poder alvitrar esta prognose póstuma. 

sexta-feira, novembro 26, 2021

A feira das vaidades da CNN-Portugal

Já passaram alguns dias após o "evento" de inauguração das transmissões televisivas da CNN-Portugal, uma nova estação de tv ancorada na TVI e na CNN americana. Já vi algumas emissões e não desgostei. Parece a SIC quando começou com a diferença de as caras que aparecem serem usadas e de outra época. Tal como a CNN original começou com talking heads conhecidos e experimentados, o patrão Mário Ferreira apostou nas velhas glórias de uma tv já envelhecida. Gostos não se discutem, apenas verbas. 

Procurei durante a semana  notícias e ilustrações da festa realizada e para já vi duas menções mediáticas. A Cofina e os seus órgãos de comunicação fizeram silêncio total sobre o evento, censurando objectivamente o assunto. Os demais acompanharam a tendência e ocultaram mediaticamente o que os colegas estão a fazer. Triste. 

O Tal&Qual desta semana traz uma crónica de Carlos Cruz, sem dúvida um dos indivíduos com mais passado televisivo e mediático, no presente: 


A revista Lux, muito divulgada em barbeiros e cabeleireiros, da empresa Masemba (?) , com accionistas identificados com nomes tão sugestivos como Erigo VII ( fundo de capital de risco...) ou Tito Z. de Mendonça e com menção à Visapress, publicou estas páginas de antologia do evento de vaidades singulares. A maior delas? A que ostenta vestido com botões, de veraneio cerimonial ( estava um tempo caloroso) e botox a condizer. 

A artista de variedades avulsas, uma tal Rita Pereira que desdenhou e se escondeu para não aparecer nas imagens junto de André Ventura, com quem não se queria "misturar", ajunta-se aqui na imagem ao prestigiado almirante ainda em vice, muito mais misturável e sem a farda de função, mas com um fatinho de três botões. O presidente da República portuguesa apadrinhou isto. Enfim.