quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Os angolanos estão entre nós

O Público de hoje dá quatro páginas ao assunto Isabel dos Santos, de Angola. Duas para referir dúvidas acerca do comportamento do banco Eurobic, gerido pelo ex-ministro das Finanças de José Sócrates, Teixeira dos Santos.
O caso tem importância porque foi do Eurobic que partiu o dinheiro- 58 milhões de dólares, em 16.11.2017-  para uma offshore que será controlada por aquela Isabel dos Santos.
Qual o problema? O Eurobic deveria reportar às "autoridades" portuguesas eventuais "suspeitas".

Suspeitas de quê, já agora? Não sabemos e o jornal não informa devidamente. Segundo "uma fonte do DCIAP" parece que poderão ser suspeitas de crimes de burla ou de abuso de confiança!

Balha-nos santa Ingrácia! "Burla"? "Abuso de confiança"?, numa transferência bancária, de um banco cuja titular de 42% do capital é a própria Isabel dos Santos? Ainda por cima documentada com justificações formalmente válidas? Enfim, nada mais se pode dizer de uma notícia destas porque fica tudo por aqui.

As outras duas páginas é uma espécie de artigo de opinião sobre o que se passou em Angola no tempo de José Eduardo Dos Santos. É uma explicação já conhecida no sentido de o estado angolano e o regime ser, desde sempre, um Estado absolutamente corrompido pelas elites angolanas, sem distinção, incluindo a actual que está no poder.

O articulisa Aguiar-Conraria explica melhor: tal como na União Soviética, a queda de um líder em desgraça arrastava o seu opróbrio público,  até que o sucessor também caísse no mesmo, em Angola é isso que acontece.


Evidentemente quem está agora na berlinda é a tal Isabel dos Santos.

O Correio da Manhã já cavalga a onda do tipo rosa grilo: a sensação já aparece na capa e nas páginas interiores.



Qual foi este "golpe milionário" que o CM passa a "pente fino" da piolheira na redacção? Foi este, assim explicado: tribunal cível de Luanda decretou arresto, logo o dinheiro era do Estado. Simples, fácil e com milhões à mistura, para este CM.

Segundo esta lógica também a EFACEC está na jogada e por isso não se contém o jornalismo do CM. Foi "Angola" que comprou tudo e Angola era da Isabel dos Santos e do pai. É esta a lógica deste "pente-fino".
Daqui até se entender que "Angola" é que financiou o universo das empresas da Dos Santos que sacaram e roubaram o estado angolano vai o passo de um anão que é o jornalismo do CM.

A partir daqui é só pôr mais notícias destas na capa porque a tal Dos Santos tem muitas empresas e muitas participações em empresas portuguesas. Porque não a SONAE, a dona do Público?
Porque não colocar uma primeira página a contar que a SONAE é cúmplice da roubalheira angolana e o Público um produto do crime?
Bora lá! Força, Octávio! Mais "pente-fino" nessas cabeças oleosas...


De resto no Público aparece uma pequena referência naquele artigo sobre a corrupção angolana que merece referência:


 "De acordo com Àlvaro Sobrinho, o ex-presidente, Dino e Kopelipa `roubaram três mil milhões de euros aos portugueses", no caso da garantia soberana de cinco mil milhões que o estado angolano tinha concedido ao BESA e depois revogou.

Esta é notícia que deveria fazer soar os alarmes no DCIAP!  Inquérito, já! Afinal somos nós as vítimas...de um crime público em que as mesmas existem e já foi denunciado há muito.

O crime foi praticado em Angola? Que importa! Isso impediu a instauração de todos os inquéritos por branqueamento de capitais, mesmo sabendo de antemão que seriam para arquivar?

O ridículo...aqui não vai matar mas engordar.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Damião de Góis é o autor de Adeste Fideles?

O autor Fernando Campos, no romance A Sala de Perguntas, publicado pelo Círculo de Leitores em 2000, diz que sim.

Damião de Góis é a personagem central do romance que à semelhança da Casa do Pó é um livro de viagens.

Naquela Casa do Pó a viagem era à Terra Santa. Desta vez, é pela Europa da Renascença da primeira metade do século XVI. Damião de Góis que viveu entre 1502 e 1574, foi pagem de D. Manuel I e mais tarde escrivão da Feitoria da Flandres.
Viajou pela Inglaterra ( e segundo o romance conheceu Henrique VIII e não só mas também Tomás Morus); Polónia ( e conheceu Sigismundo, rei do sítio); Alemanha ( e conheceu, falando com Dürer e Grapheus, para além de trocar argumentos com o próprio Martinho Lutero em Witemberga e Melancton e até Erasmo de Roterdão que estava em Friburgo e lhe passou pouco cartão, embrenhado que estava nas complexidades dos elogios à Loucura).
Esteve perante o imperador Carlos V em Bruxelas e  conviveu com D. Manuel I e depois com D. João III.  Nesse tempo também se tornou amigo de Gil Vicente, durante a estadia na Feitoria, Estudou em Lovaina e o que adiante se verá porque só vou a meio do livro.

Aqui está a prova de que Adeste Fideles é da autoria de um português...ahahaha!


Damião de Góis é um Humanista. Fernando Campos também...

Os donos do regime

No livro Os Facilitadores, de Gustavo Sampaio aparecem enunciados alguns nomes da advocacia portuguesa, toda com escritórios em Lisboa.

À data de 2014, altura da prisão de José Sócrates estes eram os mais importantes e quem se der ao trabalho de escrutinar o que fizeram, em prol de quem e por conta de quem, pode muito bem concluir que a esmagadora maioria dos contratos que envolvem entidades públicas ou privadas, em Portugal e não só tiveram também estes protagonistas.
Mais: alguns deles são autênticos legisladores que se substituem ao poder legislativo.
Outros que não aparecem nesta listagem, ficando escondidos à sombra de alguns "ajustes directos" de monta, vivem assim mesmo, no escurinho do bem bom.

Em Portugal não há nada que mexa, com importância de milhões, em que estes indivíduos não metam o bedelho. 

São eles, verdadeiramente os donos disto tudo. Mais que o outro...e desde há décadas. São todos antifassistas convictos até por uma razão singela: no tempo do fassismo não tinham estas vantagens económicas, não eram assim facilitadores e o regime de então não lhes permitia as veleidades que a democracia lhes outorga, por várias razões.
Uma delas é que muitos deles também foram e são deputados e estão sempre ligados aos partidos de poder, o PS, PSD e CDS.

Por esta gente passaram os grandes fundos europeus, as leis e regulamentos que os aprovaram e distribuíram, os pareceres que os acapararam.
Por eles passaram os grandes negócios do Estado com as privatizações, as gestões das empresas públicas e as bancarrotas subsequentes.

Muitos deles foram membros destacados de governos em série, dos três partidos. Muitos deles entraram nos governos, saíram, voltaram a entrar e participaram na repartição do bolo dos orçamentos lautos em parecerística avulsa. Décadas a fio.

É assim que em Portugal existe mais uma oligarquia do que propriamente uma democracia. Basta ver quem comenta nas tv´s, quem é designado para dirigir os media e quem orienta as notícias que são publicadas. E também quem são os almocreves destes senhores...nesses mesmos medias. Quem nomeou quem, como, quando, onde e porquê. Notícias, afinal!


Angola e Portugal com a justiça de permeio

CM de hoje, com um retrato do empório de Isabel dos Santos, incluindo participações de empresas em Portugal, privadas e algumas que já foram públicas:


Por causa destas e doutras, este já fez de conta que saiu, supostamente envergonhado...


Esperam-se reacções de outros "facilitadores" bem conhecidos: Proença de Carvalho, José Miguel Júdice, da PLMJ, alguns da Morais Leitão e  Galvão Teles e Associados, da MLGTS, com muita gente do CDS, etc etc.

Claro, agora abundam as explicações para o que aconteceu. Uma delas, do lado externo,  é esta, no Observador, da autoria de Rui Ramos: 

Em Angola, a nova elite foi defendida, durante décadas, por um exército de ocupação cubano, contra a revolta da maioria da população. O aspecto do poder do MPLA como um poder colonial não podia ser mais claro. Por vezes, culpava-se disto tudo a Guerra Fria ou a África do Sul. Mas o fim do apartheid e da União Soviética não mudou o carácter autocrático do regime angolano. Ajudou apenas a esclarecer os objectivos dos novos donos de Angola: em vez da construção de sociedades marxistas-leninistas, o enriquecimento pessoal, com a colocação das fortunas a resguardo no Ocidente. Há quem, para explicar estas tragédias, argumente que as populações das antigas colónias não estavam ainda em condições de formar nações. Já era esse o argumento dos defensores europeus da colonização. Mas de uma coisa podemos estar certos: estas cleptocracias não estão certamente a preparar ninguém para a maioridade cívica. É esta a história por detrás dos Luanda Leaks: a de uma descolonização por fazer.

P.S.: Para perceber o que se passa em Angola, recomendo o excelente livro de Ricardo Soares de Oliveira, Magnífica e Miserável: Angola depois da Guerra Civil (2015).


Outra, já do lado interno é esta, do director do Público que é hipócrita e insidiosa ( A Sonae é a patroa deste jornalista, e tem comparticipação da ladroagem angolana. Logo...):


É tudo consequência da pobreza que temos e somos. Fomos obrigados a alienar a nossa independência, a pactuar com a corrupção que era bem conhecida, de regimes cleptocratas ou simplesmente autocratas sofisticados, como a China, para prover e remediar as nossas necessidades de acabar com a "austeridade". Que é toda do famigerado Passos, esse neo-liberal da nossa desgraça.

"Prova-se uma vez mais que um país pobre jamais pode ser exigente". Prova? Não prova coisíssima nenhuma, por alguns motivos que deveriam envergonhar esta doutrina "canalha" porque bebida desde o berço educativo no marxismo e quejandas ideologias.

Basta ler isto extraído de livros muito antigos e que o director do Público eventualmente execra porque são obras onde se expõe o pensamento de Salazar, precisamente sobre tais assuntos, da independência nacional de um país pobre que soube ser exigente e cuja honra e dignidade foi preservada durante tais décadas, não dobrando a cerviz a angolanos, chineses ou alemães.

Ao contrário destes indivíduos, alimentados desde o berço educativo em ideias internacionalistas, comunistas e que acham que para sair da pobreza é preciso "fazer a revolução", mesmo intelectual, retirando à burguesia os meios de exploração do povo trabalhador e assalariado, Salazar tinha outro conceito e por isso é um fassista acabado, conceito que inventaram como o máximo dos opróbrios.

O primeiro recorte é do livro O Estado Novo, princípios e realizações, publicado pelo SPN ( Secretariado da Propaganda Nacional) de finais dos anos trinta e relata com toda a clareza como é que um povo se dignifica na independência.


Depois, mais recortes de um livro de recolha de ideias de Salazar sobre o país e o mundo. O Salazarismo é de J.P. D´Assac, da Companhia Nacional Editora, de 1952.

Daqui saem duas ideias que esta gente não compreende: "Só os povos que não sabem governar-se é que estão à espera de saber como é que os outros se governam e na gestão dos negócios internos pautam pela alheia a conduta própria."
Senso comum puro, que raramente assiste a esta "canalha".

E mais: "quanto mais ordenada e sólida e nacional for a sua economia, mais fáceis serão os convénios de interesse internacional, mais prontamente tomados e obedecidos os compromissos e normas que importem a uma comunidade de nações."


Obviamente foi por isso e mais que resistimos durante décadas aos cantos de sereia do internacionalismo, incluindo o proletário que evidentemente não  suporta tal noção mas diz-se despudoradamente "patriótico" !

Como resumo em poucas frases, uns recortes do livro La pensée de Salazar, edição do mesmo SPN da mesma época daqueloutro e traduzido para francês, para fazer valer à então comuna de Paris, dos Léon Blum e quejandos.

O ensinamente é muito simples e intemporal, excepto para esta "canalha":  "os povos pobres, pequenos, podem, tal como os indivíduos, pelo trabalho e as suas virtudes, ter o direito de se manterem de pé com a cabeça erguida e até coberta diante daqueles que são ricos e grandes".

Toma lá que é de graça, esta pérola de sabedoria:



Esta sabedoria era também partilhada por outro fassista, Marcello Caetano que escreveu um livro de Memórias de Salazar, em 1977.

Algumas páginas exemplares sobre o assunto:



Depois disto talvez não seja desajustado ao director do Público ir lamber sabão...ou meter a cara num saco. Ou ainda meter a viola no mesmo saco.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Proença de Carvalho, Angola e a caixa de pandora do DCIAP...

Observador:





Quatro páginas do livro Os Facilitadores, de Gustava Sampaio, A Esfera dos Livros, 2014:


A nova magistratura tem aí uns 40 anos...

em tempos publiquei uns recortes para mostrar como surgiram os actuais juizes e magistrados do MºPº no quadro constitucional do regime que se seguiu a 25.4.74.

Na altura referi que um magistrado que fora comunista - Guilherme da Fonseca- achava tal estatuto  muito natural enquanto vilipendiava os seus colegas que não o tinham sido e apoiavam o antigo regime. Eram "fassistas", claro e por isso abaixo de cães, na estrutura mental e política de tais pensadores.
Achava porventura mais democrática uma justiça nestes moldes...

E não há muito tempo, em 2013,  gabava-se do feito na revista do juízes, Julgar, para apodar e classificar o antigo regime quanto à selecção de magistrados:


No final dos anos setenta tornou-se premente a escolha de um novo modelo de magistratura e como é costume copiaram-se modelos estrangeiros. O francês, serviu-nos quanto à escola de formação.

O antigo juiz do Tribunal de Contas, Alfredo de Sousa, pai daquela ministra da Administração Interna que saiu chamuscada dos incêndios de Pedrógão ( porque foi para lá de ténis...) escrevia assim no O Jornal de 25.5.1979, mostrando bem a preferência pelo  tal modelo francês de formação:


No mesmo ano, em 9.11.1979 dava-se conta do "arranque" da nova escola de magistratura, em Portugal.
A entrevista é ao então ministro da Justiça, Pedro Macedo, na foto com o seu "staff".  O da esquerda de óculos e braço direito levantado é um juiz que veio a ser professor de direito civil no CEJ, logo depois, tido como muito sabedor.  O de pera é...alguém que o diga.


Apesar desta "arrancada", os cursos de formação não foram logo um sucesso imediato e saldaram-se por formações à la minute, para acorrer a necessidades prementes de magistrados a colocar nas comarcas.

Em 25.1.1983, a Capital dava assim um retrato mais completo do panorama. Trazia uma entrevista ao então director do CEJ, Laborinho Lúcio, o do "redondo vocábulo".
Apesar da focalização em diversas tretas pseudo-culturais,  tudo pela rama da moda, a verdade é que o CEJ era então uma escola que se tornou importante para a maioria dos magistrados que lá foram formados, principalmente por causa do relevo que era conferido aos aspectos técnicos das matérias do direito, em poucos meses e das bases em que deveria assentar o exercício da magistratura.
Uma boa parte desse mérito deve-se precisamente ao redondo vocábulo de Laborinho Lúcio que merece só por isso a homenagem pública que falta.
A ele e mais uns quantos, alguns já desaparecidos, como é o caso do magistrado do MºPº Vítor Ribeiro, aqui citado e que era professor de direito do Trabalho, com grandes conhecimentos teóricos e práticos dessas matérias.
Para além disso também era comunista, dos antigos. E por isso organizou o passeio às minas de Aljustrel, para os futuros magistrados saberem o que custava ser mineiro...enfim:


De 1983 a esta parte muito tempo passou e o CEJ continua a formar magistrados. Agora também nas tretas elaboradas do politicamente correcto, aprimorando aquelas iniciais provindas da Análise Social e não só.

A nova magistratura é agora formada maioritariamente por mulheres. São quem mais estuda e se aplica e por isso passam nos testes...
Depois, nos tribunais, o caso é outro, mas não vem agora ao caso. Uma coisa é certa: tomara que muitas profissões tivessem critérios de selecção, recrutamento e formação como os magistrados. Por certo estaríamos melhor, como sociedade.

domingo, 19 de janeiro de 2020

O regime corrupto de Angola é passível de investigação criminal pelo DCIAP português?

Sapo, declarações do "activista" angolano Sedrick de Carvalho:

A viver em Portugal desde 2017, após o desfecho do processo conhecido como 15+2, no âmbito do qual esteve preso em Luanda, o ativista e jornalista disse à Lusa que, sendo “produto dos maiores esquemas de corrupção do país a partir do seu pai”, o anterior Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, a empresária “sente-se com legitimidade de reclamar porque ela está a ver que outros que também são beneficiários desse esquema gigantesco continuam incólumes ao lado do Presidente da República”, como é o caso do ex-vice-presidente Manuel Vicente.

“O que ela está a tentar transmitir é que não merece ser julgada porque outros também beneficiaram do saque, do roubo, que é, na verdade, um discurso que tem razão de fazer, porque quem a está a julgar, a apertar, a colocar contra a parede, são também corruptos e deste ponto de vista não há legitimidade para corruptos julgarem corruptos. Agora se estivéssemos perante instituições sérias no país, claro que Isabel dos Santos tem que ser julgada e até condenada”, afirmou.

Para Sedrick de Carvalho, há em Angola “um grande truque de ilusionismo político” e a luta contra a corrupção é uma “pedra de arremesso” num processo de mudanças de poder internas no MPLA, não existindo, de facto, uma mudança no país, mas “uma continuidade, uma mesmice de comportamentos”.


A luta contra a corrupção é, no seu entender, “um bom pano de fundo” que “atrai as massas”, mas que não tem correspondência real, a começar pelo facto de os principais protagonistas serem os mesmos.

Sublinhando que o discurso de luta contra a corrupção que João Lourenço faz “não é muito diferente do que o José Eduardo dos Santos fazia”, o ativista afirmou que nada foi feito para “começar do zero”, enquadrando o atual Presidente na “classe rica” fomentada pelo seu antecessor.

Se não, “como se vai compreender que João Lourenço era acionista, ou é acionista, de bancos sem ter conseguido essas ações pela via da corrupção, num sistema em que José Eduardo dos Santos liderava e todas as vias de acesso ao capital angolano eram pela via da corrupção. Não há nenhum processo transparente de acesso”, declarou.

Para o ativista, a assunção de se ter usufruído da corrupção para “fazer uma catarse nacional” não interessa ao regime.

“Não pode começar do zero, porque ele precisa de iludir as pessoas com o discurso da corrupção. Daí é que ataca, por exemplo, a Isabel dos Santos, que é um dos principais rostos da corrupção em Angola, porque representa sobretudo a família Dos Santos, mas não ataca o Manuel Vicente, antes pelo contrário, ataca Portugal a defender o Manuel Vicente, exatamente pelo mesmo motivo, pela corrupção”, afirmou.

Apontou ainda a ausência de “alarido” perante a notícia de processos em Portugal contra Isabel dos Santos, quando João Lourenço “moveu mundo para defender Manuel Vicente” no caso do processo de corrupção que correu em Portugal e que culminou com a condenação do Procurador Orlando Figueira.

“São essas dualidades que pouca gente compreende, mas cada vez mais pessoas estão a compreender que não é para levar a sério a luta contra a corrupção. É tudo uma manobra muito grande de ilusionismo político levada a cabo por João Lourenço”, acrescentou.

“Não é mera convicção minha que o país não está a mudar. Há pessoas muito respeitadas, no país e fora, que chegaram a acreditar que havia uma mudança no país, mas que eles dizem atualmente que não, é tudo retórica”.

“Há um grande truque de ilusionismo político no país, mas no essencial é a mesma coisa”, disse, salientando que o que existe é uma luta pelo poder “muito forte” dentro do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola, que governa o país desde a independência, em 1975).

“A forma como o país tem sido governado não é uma visão do Presidente, é uma visão do partido”, afirmou, sublinhando a sua convicção de que “é muito mais fácil o partido tirar João Lourenço do que João Lourenço mudar o partido”.

O processo movido a Isabel dos Santos “é político, mas é político como sempre foi no tempo do pai dela”, pois o MPLA “não consegue conceber, não compreende, a lógica de divisão do poder num Estado de direito democrático”, salientou.

“Toda e qualquer ação que é levada a cabo com os tribunais é levada a cabo com o apadrinhamento, o incentivo, do poder político e basta ver que o despacho do arresto de bens e contas de Isabel dos Santos tem o serviço de inteligência e segurança do estado envolvido nele. Isto é inevitável em Angola”, salientou.

Para Sedrick de Carvalho, a ideia de “perseguida política” e de “defensora da democracia” que Isabel dos Santos “tenta passar”, e de que está a ser “combatida” por ter tentado acabar com a corrupção na Sonangol, “é tudo uma mentira, uma falácia”.

Sobre a situação social em Angola, o ativista alerta que “é cada vez mais caótica” e sublinha que se mantém a “repressão política”.

“De 2017 para cá houve pelo menos cinco casos de repressão política. Neste momento em que estamos a falar, há presos políticos no país”, acrescentou.

Perante isto que é uma denúncia de um regime, tão válida quanto as participações dos bancos para efeitos de investigação do crime de branqueamento de capitais, como deve agir o MºPº português, mormente o DCIAP?

Atirar a tudo o que mexe e fazer uma sindicância gigantesca ao regime angolano in totum? Distinguir entre as denúncias politicamente correctas e veiculadas pelos bancos em prol do poder que está e desprezar as outras? 
Investigar tudo em nome do princípio da legalidade e da igualdade dos cidadãos perante a lei? 

Ou simplesmente cair no ridículo?

A escolha nem é difícil...

A lágrima de preta e o burro do cigano

A notícia do CM de hoje com a fronha e nomes ( com apelidos...) dos suspeitos do homicídio do jovem cabo verdeano, em Bragança:


No mesmo CM de hoje uma crónica interessante, com uma velha anedota que todos conhecem:



E esta notícia no mesmo CM de hoje, na última página ainda é mais deliciosa pelo que revela de hipocrisia e palermice ideológica inerente ao seu director Octávio Ribeiro.
Só falta o título mas a referência explícita a raça, está lá: indianos...e sabe-se agora que poderão ter sido cerca de 40 estrangeiros, em grupos rivais,  por causa do processo de eleição de um líder religioso do Bangladesh.

Para o CM são "indianos"...



Um título de jornal de 1985, do Comércio do Porto de 14.7.1985 na secção dos casos do dia:


Qual a interpretação semiótica a fazer disto?

Na notícia do CM omissão completa à questão da autoria da agressão envolver ciganos. Mesmo sabendo que tal pode explicar de algum  modo o acontecimento, sem redundância racista, omite-se o facto por medo de fugir a um politicamente correcto que não existia em 1985.

Nessa altura de há 35 anos as notícias diziam o que o povo leitor, comum, sentia ser a verdade factual mas até poderia nem ser. As "ciganas" do caso eram vendedoras ambulantes, tal como muitos outros de tal etnia. Nas feiras e romarias isso era claro e notório. Ainda é, hoje em dia? É muito simples de verificar: basta ir às feiras...

Por outro lado não havia qualquer medo de escrever a palavra maldita nos títulos de jornal porque tal não implicava automaticamente a expulsão da área democrática para um limbo de extrema-direita...como hoje acontece.
Na notícia concreta ainda por cima escreve-se que havia dúvidas sobre a autoria do roubo porque poderia muito bem ter sido a "empregada" a verdadeira autora...

No caso dos "indianos" ainda é mais revelador: afinal há distinções étnicas a fazer quando a realidade as impõe...

Como é que se chegou a tal situação de facto, em duas ou três décadas, na qual uma palavra é riscada do léxico admissível para se imprimir ou publicar?
O fenómeno tem explicação mas não se espere que sejam os "sociólogos" do ISCTE, doutorados com teses sobre o pulguedo ideológico que irão esclarecer seja o que for, apesar de serem os "peritos" sempre consultados por jornalistas para estas matérias.
Roger Scruton, que falta fazes!

Curiosamente,  o mesmo jornal que omite a palvra maldita deixa que se publique a anedota do burro do cigano, cuja lógica deveria respeitar o mesmo princípio de obliteração. Afinal é uma sinalização discriminatória com uma anedota envolvendo raça...

Tudo isto ressuma a loucura colectiva instilada pela ideologia esquerdóide que nos consome, no meu modesto entender.

Há trinta anos, se tanto, ainda não se fazia sentir tal veneno colectivo e pensando nas razões só encontro uma, tão válida como a dos sociólogos dos isctes encartados no estudo da sexualidade das pulgas e pulgões.

A ideia marxista básica tem sido sempre a mesma: a luta de classes, dos oprimidos contra os opressores, mesmo fantasmáticos. A dicotomia hegeliana resolve-se numa síntese que esperam um dia ver numa qualquer manhã a cantar.

Portanto, os pretos e ciganos são povo oprimido, minoria, a proteger dos burgueses detentores dos meios e instrumentos de produção. A luta de classes transforma-se e revela-se nesta luta de raças que deixam de ser raças explicitamente consideradas para passarem a ser racismo branco, explicitamente denunciado, nunca ao contrário...

Quem é que denunciou racismo no caso do jovem cabo verdeano? Foi o inenarrável SOS Racismo do anti-racista Mamadou, que só vê racismo nos brancos.

Logo que se aventou a hipótese de nem sequer ter existido motivação racista e afinal ter sido uma rixa entre jovens, alguns ciganos à mistura, mudou-se o discurso e omitiu-se a verdade.

Todos os media alinharam nesta construção, nesta loucura colectiva. E ai de quem sair deste politicamente correcto! Será de extrema-direita e fascista, pois claro. Sem remissão.

A loucura é completa mas nem se dão conta.

Então para se ver como é que o racismo não deixa de ser uma estupidez só ultrapassada pelo anti-racismo militante dos mamadus todos dos media, aqui vai uma letra de um poema nem sequer muito antigo e publicado num disco de 1972, da autoria de um colectivo de músicos antifassistas da época.

O disco é Fala do Homem Nascido, musicando poemas de António Gedeão, um professor do  ensino secundário, sem doutoramento em pulguedo, mas  humanista que também foi autor da Pedra Filosofal.

O poema é evidentemente "lágrima de preta", sem qualquer rebuço no uso da palavra que todos entendem e se distingue de "branco". E não de "claro"...




"nem sinais de negro nem vestígios de ódio. Água quase tudo e cloreto de sódio", a lágrima da preta. Tal como a de uma qualquer branca.

E nem é preciso dizer que para quem acredita "todos somos filhos de Deus".
Isso,parece-me a mim, é o outro grande problema, a acrescer àquele da "luta de classes": a ausência de Deus nos media nacionais.

Também é vergonha falar em Deus...e isso merecia outro postal.

ADITAMENTO:

O Polígrafo escreve aqui que não se tratou de "um grupo de rapazes ciganos". Cita a Polícia Judiciária:

"A Polícia Judiciária esclarece que, ao contrário do que circula nalguns meios, os suspeitos não pertencem a uma minoria étnica. 'Não é um grupo de ciganos contra um grupo de cabo-verdianos', enfatiza. 'São pessoas normais, vulgares'. Têm entre 22 e 34 anos. São trabalhadores indiferenciados. Alguns estão desempregados. São amigos ou, pelo menos, conhecidos uns dos outros. Foram tomar um copo ou dançar naquele bar naquela sexta-feira à noite. Terão agido, em grupo, por motivo torpe ou fútil", acrescenta-se no mesmo artigo.

Veremos se foi mesmo assim ou não e quem anda a ludibriar as pessoas. Porque isto não é um fact-checking correcto e parece-me uma aldrabice, um jogo de palavras típico de aldrabões. 

Porém, se for tudo falso, ou seja se nada tiver a ver com ciganos, e portanto tendo tal etnia sido vilipendiada injustamente, só por se falar nela, com esta história, ponho aqui o desmentido e faço mea culpa...em ter acreditado em versões de factos sem confirmar. 


sábado, 18 de janeiro de 2020

O que é isto? Péssimo jornalismo do Público

Público de hoje, artigo de Mariana de Oliveira.



A jornalista Mariana de Oliveira, já muito experiente no jornal Público e que costuma escrever com um mínimo de objectividade, sem mais, hoje tem este artigo lamentável, muito lamentável.

Explico porque assim acho.

A narrativa sobre a comunicação dos factos que ocorreram no caso Giovani, um cabo-verdiano assassinado em Bragança num contexto de violência quase juvenil, desde o início padece de carências jornalísticas graves, a maior das quais é a omissão de factos relevantes para a compreensão cabal do que se terá passado.

Estou convencido que o caso não assumiria o relevo mediático que assumiu não fora a intervenção extemporânea dos militantes da causa anti-racista, com destaque para uma tal SOS Racismo que despudoradamente cavalga uma onda esquerdista de culpabilização dos brancos pela "opressão" dos pretos. Tal e qual e pouco mais que isto.

O destaque que é dado ao SOS Racismo pelos media nacionais inclui o Público, arauto desse esquerdismo que tende a absorver todo o pano mediático disponível.

Portanto, um primeiro facto noticiado em subtexto mas nunca denunciado como aquilo que foi: uma  manipulação mediática para alcançar um efeito político. Clássico e que o Público acaparou, porque é assim que funciona aquela cabeça editorial ( veja-se o editorial de hoje sobre o facto de um ministro de Bolsonaro parafrasear um discurso nazi...).

Os dois primeiros parágrafos do artigo acima exposto, aliás todo eivado de opinião, muito discutível e que deveria ser proibida a uma jornalista que não deve ser comentadora, são dedicados a tais factos, sem outro contexto. O SOS Racismo aparece como uma organização de legitimidade indiscutível como se fora o oráculo de uma verdade assumida. Trágico.

Depois os parágrafos seguintes dedicam-se a escrever sobre o que sucedeu nas "redes sociais" e blogues. Cita-se o "blogue de um professor do ensino superior" sem se mencionar que é o blog Do Portugal Profundo, ( ainda por cima o mesmo blog onde o Público em que escrevia o jornalista Cerejo foi buscar, passados dois anos, o caso da licenciatura de José Sócrates) como se fosse vergonha mencionar tal facto.
Nem sequer é blog anónimo que esses nem têm direito de cidadania mediática. Só o Público e este jornalismo de não sei onde é que tem...para passar estas narrativas enviesadas e no fim de contas "fake" e populistas.

Nos parágrafos conta-se que o tal blog inflamou redes sociais ou vice-versa e entra em liça outro sítio não nomeado e que é "assumidamente nacionalista". Só faltou escrever que é fascista...ou cousa que o valha. Ai, ai, ai! O que vai por aquelas cabecinhas deste jornalismo tão lamentável...

Porém, aparece a menção explícita a um tal MediaLab do ISCTE-IUL, esse sim merecedor do estatuto reservado às entidades oficiais com autoridade na matéria. O ISCTE! Vejam bem! Doutorados na escola do professor Buonaventura de Coimbra, de uma esquerda de malucos, mas com toda a respeitabilidade do ensino como deve ser. O que é ainda falta para entenderem isto? Lerem a Marianne, por exemplo e que nem é de direita?

Enfim, o ISCTE analisou a actividade do "activista" não identificado, porventura fascista e aparecem as estatísticas reveladoras da procura de notícias no tal sítio "auto-intitulado site de notícias" sem direito a mais. Lamentável, lamentável. Triste mesmo.

O que diz a extensão da madrassa do ISCTE? Que " este caso exemplifica o modo como se formam as opiniões políticas no contexto das modernas redes sociais e da facilidade de acesso à produção-e propaganda de conteúdos informativos que elas permitem".  Descobriram a pólvora e é perigosa! Pode queimar este tipo de jornalismo atávico e arreigado a conceitos de censura, agora soba égide do politicamente correcto. E isso não pode ser porque acabam com a profissão do modo como a entendem as madrassas que formam jornalistas, como as escolas de Comunicação Social.

Lá aparece o sociólogo que tem o poder natural da autoridade na matéria, porque tirou um doutoramento sobre caganitas de pássaros ou semelhante e fala com voz de saber: "há quem tente aproveitar-se de casos como o de Givani para passar as suas ideias, ainda que, por vezes, de forma camuflada". "Tentam materializar os medos que existem".

E lá aparece o ogre do momento: André Ventura que no fim de contas é aqui que o artigo pretende chegar. Vituperar uma imaginária "extrema-direita" actualmente corporizada no André Ventura do Chega. Não lhes chega tudo o resto e é preciso falsificar notícias e manipular informação...

Medos? Medos são os deste jornalismo que ocultam, omitem factos, manipulam notícias escolhendo o tempo e o modo de as veicular.

"Apesar de a PJ reiterar que não houve motivação racista dos agressores" lá aparece a menção ao "engano" inicial daquela SOS Racismo, verdadeiro instrumento do incêndio social que ateou, para proveito político.  Esta ideia, inteiramente verdadeira é completamente omitida no artigo de opinião travestido de notícia em modo de narrativa factual.

Por fim aparece a menção a um programa de tv, com a participação de comentadores avençados, como Carlos Anjos, antigo inspector da PJ, que afinal relatou a simplicidade do caso: "um grupo de jovens ciganos" teria sido a origem da autoria das agressões fatais ao jovem cabo-verdiano.

Há 50 anos seria essa a notícia, local e sem espavento algum: um grupo de jovens ciganos, em Bragança, envolveu-se em rixa com outros jovens e daí resultou a morte de um jovem cabo-verdiano.

Este parece ser o facto fundamental. Que o Público sempre omitiu. E que agora se permite especular sobre outros assuntos mais tenebrosos, criando um ambiente propício ao populismo verdadeiro: o que manipula a sociedade colocando grupos sociais contra outros.

Quem começou isto? O marxismo, a luta de classes.

O Público deste Carvalho e agora Mariana Oliveira são apenas mais um instrumento e episódio desta luta. Que continua...

Que tristeza e que decepção! Só me fica uma pergunta: esta jornalista acredita mesmo nisto que escreve? Ou isto é apenas de cor? Aposto mais nesta última hipótese. E compreendo.

Entretanto leia-se o conteúdo da notícia que aparece ao lado daquela transcrição. A jornalista Ana Cristina Pereira lá se retorce toda para evitar falar em ciganos ( "cinco jovens adultos, sem antecedentes criminais, nem características étnicas distintas") , como se isso fosse defeso, proibido e pecado mortal. Que tristeza de jornalismo e que ignorância também.


Escreve, citando algo da PJ que "não é por acaso  que a PJ fala em homicídio qualificado e não em ofensa à integridade física agravada pelo resultado".

Não é por acaso? Então será porquê? Sabe a jornalista quando ocorre a qualificação dos homicídios e quais as circunstâncias? A resposta está à distância de uns cliques no Google:

No artigo 132º do C.Penal há duas situações que se podem indiciar:
(...)
f) Ser determinado por ódio racial, religioso, político ou gerado pela cor, origem étnica ou nacional, pelo sexo, pela orientação sexual ou pela identidade de género da vítima;
 (...)
h) Praticar o facto juntamente com, pelo menos, mais duas pessoas ou utilizar meio particularmente perigoso ou que se traduza na prática de crime de perigo comum;
(...)

Em qual delas se insere a inferência indiciária da PJ? A jornalista perguntou? Será uma daquelas situações em que não se pergunta por não se saber?

A menção ao facto de " os jovens terem considerado a morte da vítima e se conformarem com ela" tem a ver com outra coisa: o dolo, mesmo eventual.  Nada mais.

De resto, no julgamento será esse o facto que se irá discutir e não será nada de surpreender que possa resultar apenas uma rixa, uma agressão e ausência do tal dolo de ofensa mortal...

Daqui a uns meses falamos, se Deus quiser.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Um caso de género não racista em Bragança...

Observador:

O homicídio terá acontecido na sequência de uma altercação de um contexto de discoteca e do consumo de bebidas alcoólicas, disse ao Observador fonte da PJ, que adiantou que “há questões de género associadas”. Isto porque umas das versões apresentada apontava para um desentendimento com a namorada de um dos envolvidos. 

(...)

Também o presidente do Instituto Politécnico de Bragança afastou motivações racistas na morte do estudante cabo-verdiano Luís Giovani e considerou que o caso foi inicialmente desvalorizado pelas autoridades.

“Não foi isso que aconteceu. Isso não existe de forma nenhuma“, afirmou Orlando Rodrigues, esta sexta-feira em entrevista à Lusa, na cidade da Praia, sobre a tese de possibilidade de as agressões que se revelaram fatais terem tido uma motivação racista.

Garante que o que aconteceu “foi claramente” motivado por “jovens desintegrados socialmente”. “Provavelmente alguns deles [agressores] habituados a pequenos furtos, numa noite de mais copos e numa situação de rixa veio a ter esta consequências”, disse.


Descarto por completo essa possibilidade [crime de ódio]”, insistiu Orlando Rodrigues.

“Obviamente há pessoas boas e más em todos os sítios. Mas em Bragança temos a certeza absoluta que não há qualquer tipo de movimento sustentado em base ideológica racista ou de ódio racial. Isso não existe“, acrescentou o dirigente do IPB, instituição que conta com 9.000 alunos, dos quais 1.200 são cabo-verdianos.


A informação institucional, ou seja, da PJ ( com o próprio director Luís Neves à frente do microfone e a assumir todas as despesas da explicação) e o director da escola, Politécnico de Bragança foi isto:

Há uma componente de "género" porque afinal parece indiciar-se que a altercação se deveu a  um desentendimento com a namorada de um dos envolvidos. Isso segundo uma versão...mas já chega para dizer que há "género" envolvido. Enfim.

Depois não há racismo algum. Nenhum. Zero. Nicles. 

Ainda não se sabe bem quem agrediu mas logo ou amanhã já se saberá. Para agora são uns desgraçados quaisquer que estão "habituados a pequenos furtos, numa noite de mais copos e numa situação de rixa veio a ter esta consequências".

Capito? É esta a informação que temos. Feita de medos, de receios de enfrentar uma verdade comum e consensual, mas não publicamente admitida por ser tabu.

É uma informação falsa, portanto. Não se deve confiar nesta informação e isso é o pior que se pode dizer de alguém que faz disso profissão.

Não são incompetentes. Apenas têm medo de ser competentes. Um medo já atávico de serem atacados por dizerem a verdade...

Não sentirão vergonha?

Já agora corrijam a notícia nesta parte: Na conferência de imprensa, Luís Neves descreve este cinco suspeitos como “o núcleo duro que perpetuou as agressões”...porque fica mal, não fica?!

Ainda por cima escrita por quatro jornalistas e ainda a "Agência Lusa".

Arre!

ADITAMENTO. Leia-se agora isto que é absolutamente surreal:

Morte de Luís Giovani. Ex-inspetor e líder de comissão das vítimas atribuiu crime a "ciganos". PJ desmente.
Carlos Anjos, presidente da Comissão de Proteção de Vítimas de Crimes, ex-PJ, afirmou num programa de TV que "aparentemente foi um grupo de ciganos" responsável pela morte de Luis Giovani. PJ desmente: "Não há um grupo de ciganos. Ponto."

O pobre do Carlos Anjos já não sabe onde se há-de meter. Percebendo a gaffe, já se desdiz:

Carlos Anjos, que foi investigador da PJ e ainda faz parte dos seus quadros, estando em comissão de serviço no atual cargo, para o qual foi nomeado em março de 2011 pelo então ministro Alberto Martins, fez a afirmação sobre a identidade étnica dos agressores de Giovani ao ser questionado na CMTV pela astróloga e apresentadora Maya, que lhe perguntou:  "Carlos, diz-se nas redes sociais, circula nas redes sociais que o grupo de 15 jovens que entraram na rixa era um grupo de ciganos. Isto é verdade?" A resposta foi: "Aparentemente sim. Mas não é por ser um grupo de ciganos os agressores ou por os agredidos serem cabo-verdianos que o Estado e a polícia olham para o caso de forma diferente."
Ao DN, Carlos Anjos esclarece: "Fizeram-me uma pergunta e eu disse "de acordo com as informações que tenho, são ciganos, tudo leva a crer que sim.""

Questionado nesta quinta-feira, antes ainda do anúncio pela PJ da detenção dos cinco suspeitos, sobre o que será o "tudo" que o leva a crer tal, e ex-investigador, que é comentador residente do Correio da Manhã, invoca "o que corre nos media e dentro da própria PSP e PJ. Fontes ligadas ao processo disseram o que eu disse." Mas tempera, afinal, a confiança nessas fontes: "Se eu tivesse a certeza absoluta dizia. Eu não fiz uma afirmação, deixei no ar. Sobre as minhas declarações ninguém pode dizer que eu disse que são ciganos. Fizeram-me uma pergunta e eu disse "de acordo com as informações que tenho, são ciganos". Não inventei, não especulei."

Enfim, que mal tem dizer que foi um grupo ou se não foi um grupo que foram alguns ciganos? Tal significa algo de especial se for verdade? 


Esta gente com pruridos racistas à outrance quer mudar a realidade? Alguém com dois dedos de testa vai atribuir à comunidade cigana a responsabilidade pela morte do infeliz cabo-verdiano? 

Porque é que as coisas não podem ser ditas como são, sem complexos, como dantes acontecia, sem problema algum e sem medo algum de se ser apodado de racista? 

Carlos Anjos ainda vai ser corrido do cargo que tem por causa desta coisa. E se tal acontecer devemos concluir que a sociedade portuguesa está doente. A PJ, essa, já está contaminada...

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

O juiz Carlos Alexandre, alvo a abater por António Costa e apaniguados

O primeiro-ministro António Costa, antigo ministro da Justiça de Guterres, número dois do PS  no governo de José Sócrates e desmemoriado das malfeitorias deste, segundo consta quer abater o juiz Carlos Alexandre, extinguindo o TCIC tal como se conhece e eliminando esse estorvo e incómodo permanente para os poderes executivos que vão estando por força dos processos criminais que aparecem.

Para tal o governo precisa de preparar medidas legislativas ou regulamentares para neutralizar o juiz Carlos Alexandre enquanto juiz do TCIC.

Como a manobra redundará em escândalo, por motivos óbvios, os "estudos" já se fizeram no tempo em que o actual ajudante do governo, Mário Belo Morgado era vive-presidente do CSM.
Como é sabido, este magistrado, alcandorado with a bullet aos supremos, tal como a actual ministra da Justiça, e que perdeu vergonhosamente a eleição da renovação no cargo,  já se pronunciou em tempo sobre tal eventualidade.
Numa entrevista ao Observador, em Outubro de 2018,  foi claríssimo na intenção eventualmente encomendada e comparticipada:


Estando agora no governo ( et pour cause...) este antigo juiz, suspenso provisoriamente de tais funções, irá talvez assumir, se a falta de vergonha lhe continuar a assistir,  a responsabilidade de estudar o modo mais inteligente de eliminar tal estorvo ao exercício do poder executivo em roda mais livre do que já é.

Evidentemente que tal medida será pura e simplesmente um modo de capar a democracia e restringir o alcance do poder judicial no controlo legítimo e constitucional em princípios básicos como o da igualdade de todos perante a lei, sem falar sequer no princípio basilar da separação de poderes.

Uma medida cirúrgica, visando um juiz de direito é um acto legislativo ilegal. As leis são gerais e abastractas e por isso será inadmissível tal procedimento.

Porém, com este governo cujo primeiro ministro já se deu ao luxo de criticar a investigação criminal no caso BES/GES, a normalidade democrática está definitivamente entorpecida.

Os comentadores não comentam, os jornalistas não noticiam e este Costa passeia a arrogância governativa através destes indivíduos que se prestam aos trabalhos que se afiguram de grande sujidade democrática.

Qual a razão premente para tal medida extraordinária visando um juiz individual? Esta, se outra não fosse:



O juiz, baseado na lei processual e nos princípios basilares da igualdade de todos perante a lei e a separação de poderes, entenderá, eventualmente que será importante ouvir presencialmente o actual primeiro-ministro em resultado de actos praticados no exercício de funções.

É um poder básico e fundamental que assiste a todo o poder judicial: sindicar, nos termos da lei e da Constituição que se lhe sobrepõe, a actividade relacionada, no caso com a prática de crimes públicos.

O caso é o de Tancos e a sua complexidade provocada desnecessariamente por quem tinha a responsabilidade de o evitar, aconselha agora a que se ouça quem pode esclarecer o fundamental: quem sabia do encobrimento de uma investigação paralela e tornada ilegal, cometendo ipso facto um crime.

Para grandes males, grandes remédios e não é certamente omitindo, impedindo ou esquecendo suspeitas que se fará justiça, como aliás a maioria dos cidadãos já percebeu.

Os alarmes soaram na mente do Costa e entourage e um dos compagnons desta route de desgraça, Francisco Louçã já veio defender o indefensável, atacando ad hominem o juiz em causa.

O sinal está dado: é perigoso, para a integridade profissional seja de quem for, meter-se com este Costa.

E será isso que se irá ver nos próximos tempos. A profecia nem é self-fulfilling. É apenas a exposição pública de uma realidade anunciada.

Uma crónica de uma morte anunciada, a do TCIC.

Por isto, como pretexto imediato e gota de água que fez transbordar a paciência dessas excelências, os "homens de mão" da propaganda pró-governamental não perdem tempo em associar o juiz Carlos Alexandre a uma temível extrema-direita, a um Chega, imagine-se! e tal merece o seguinte comentário de Eduardo Dâmaso na Sábado de hoje:


Os angolanos estão entre nós