terça-feira, 31 de dezembro de 2019

A purga

Sapo:



Em Angola prossegue a purga. Em breve se verá a prisão deste figurão. E depois logo se verá.

Foi preciso mudar o poder político em Angola para se chegar a este ponto. Antes, em Portugal, andou a caça aos gambozinos que fez estragos na reputação do MºPº, desnecesários.

Como então escrevi, Angola já não é nossa:

Como já por aqui se escreveu, actualmente o facto precedente não tem que constituir um crime em sentido técnico (um ilícito - típico culposo e punível), mas um simples ilícito - típico, prescindindo, pois, do carácter culposo e punível.
A actividade de branqueamento é uma criminalidade derivada, de 2.º grau ou induzida de outras actividades, pois só há necessidade de “branquear” dinheiro se ele provier de actividades primitivamente ilícitas.
O branqueamento de capitais constitui uma criminalidade derivada ou de segundo grau, no sentido de que tem como pressuposto a prévia concretização de um ilícito.

Não obstante, como também foi escrito, uma coisa parece certa: é preciso sempre imputar ao autor a prática de factos que constituam um crime, independentemente do lugar em que ocorreram. Mas é preciso pelo menos fixar factos relativos a tal crime e portanto, tempo, lugar e modo, sob pena de se inventarem infracções plausíveis mas incertas e inelegíveis para configurar o facto. Nenhum tribunal será capaz de condenar alguém por isso e a lei obriga a que o MºPº só acusa quando há probabilidade de condenação. De contrário, poderá até existir prevaricação.

O MºPº em Portugal pode averiguar estas circunstâncias de tempo, lugar e modo, relativamente aos crimes-base, primários, ocorridos com toda a probabilidade noutro Estado, mormente Angola?

Como? Através de cartas rogatórias às autoridades angolanas para estas investigarem os factos que nem se conhecem ao certo e são genéricos e apontam apenas para a corrupção em sentido lato e abrangente?
E o que sabemos da cooperação com essas entidades angolanas permite supor que cooperam efectivamente, ou será precisamente o contrário?

Assim, será exequível juridicamente tal investigação, sem se inventarem factos ou circunstâncias e principalmente terá alguma validade em termos de julgamento em Portugal?

Se não tem, porque se investiga o que se sabe à partida não ter solução prática e a lei impede que tenha?

Sendo assim, como é, o que vai fazer-se àqueles inquéritos todos que foram abertos por suspeitas de comportamento criminoso da "princesa" do MPLA e agora do seu pai? Reabri-los todos?

Parece que não haverá outra hipótese se a lógica que os mandou instaurar prevalecer...e o MºPº vai outra vez mergulhar no ridículo.

A principal responsável por isto? Tenho pena de o dizer: Joana Marques Vidal. 

Cluny e o discurso críptico sobre a Justiça

Leia-se isto escrito no i, pelo magistrado do MºPº António Cluny, agora no Eurojust:

Aproxima-se um novo ano e as diatribes mediáticas em torno da Justiça e do seu crítico funcionamento parecem, de novo, ir aumentando de tom.

Passado o tempo sempre fugaz das surpresas por algumas iniciativas audazes e o dos elogios à coragem de alguns magistrados por actos, afinal, indeclináveis, regressa-se, irremediavelmente, ao marasmo da espera pela conclusão dos processos e ao desespero pela ausência de notícias bombásticas capazes de encher os escaparates de títulos chocantes.

Há, todavia, reconheça-se, um problema real de funcionamento da Justiça no seio das nossas democracias que importa analisar, tanto do ponto de vista da sua raiz mais funda, como no das suas consequências práticas e mais comezinhas.

De um lado, a questão mais relevante da contraposição de um tempo já extemporâneo, mas ainda assim inerente à legitimidade argumentativa da Justiça, ante a lógica sempre mais plebiscitária e rápida da actual decisão política.

A comparação inevitável destas duas legitimidades, interferida, pela lógica voraz dos media e das redes sociais actuais, tende, naturalmente, a desconsiderar o já de si entorpecido processo de decisão da Justiça, confrontando-a, drasticamente, também, com a percepção pública do seu anacrónico funcionamento.

De outro lado, a perplexidade de tal anacronismo revela-se, já, também, no interior da própria Justiça, que, enredada, por vezes, numa busca urgente de soluções imediatas, cai, frequentemente, em propostas de pura sobrevivência aparelhística, contribuindo, assim, para obviar à descoberta de respostas aptas a, pelo menos, obstarem ao crescente bloqueio da percepção pública da sua racionalidade específica.

A única resposta que, sistemática e profusamente, tem sido encontrada e sugerida é, nesse sentido, a da necessidade do aumento de quadros das magistraturas.

AÍ se situa a explicação constante para os já assumidos tempos inaceitáveis dos processos, ou para a falta de especialização capaz de os acelerar.

Sucede que tal resposta – mesmo que de momento inevitável - se tem revelado, dada a desmesura das necessidades, nunca totalmente alcançável e, por isso, continuadamente frustrante.

Não tendo sido procuradas e encontradas outras respostas que assegurem, externa, mas também internamente, algum acréscimo visível de eficiência e qualidade – portanto de legitimidade -, o que se aprofunda é um estado depressivo, que vai erodindo o poder social da decisão judicial e o papel que à Justiça deve caber numa sociedade democrática e num Estado de Direito.

Talvez que seja, pois, chegada a hora de alterar tal estratégia e de incumbir cada uma das magistraturas de fazer uma reflexão conscienciosa sobre o que tem conseguido fazer, o que, nas circunstâncias actuais, pode e, de facto, deve fazer e - não menos importante - como o deve fazer.

Tal reflexão, mesmo quando interna, tem, todavia, de ultrapassar o puro plano técnico e, interpelando, a sociedade deve, por isso, funcionar, não como um processo de justificação própria mas, sobretudo, como uma luz capaz de iluminar um pouco mais o poder político nas escolhas complexas que este tem inevitavelmente de fazer.

Sem uma revisão crítica, descomplexada e nunca aparelhística das tarefas verdadeiramente essenciais que cada magistratura deve, em rigor, assegurar, corre-se o risco de cair num processo infrutífero da sua  massificação continuada que - à semelhança do que acontece já hoje com a advocacia - longe de assegurar aos cidadãos uma resposta qualificada aos seus problemas, antes contribuirá para crescente deslegitimação da Justiça.

Só assim, descartando tarefas hoje já dispensáveis, as funções constitucionais das magistraturas, que – essas sim - devem ser salvaguardadas, podem contribuir, verdadeiramente, para o reforço da Justiça e o progresso social.

A quem se destina este escrito? Aos leitores do i, claro. Mas quem é que entende este paleio sobre   "o tempo sempre fugaz das surpresas por algumas iniciativas audazes e o dos elogios à coragem de alguns magistrados por actos, afinal, indeclináveis,"

Quem entende esta alusão críptica, elaborada a preceito para não chatear ninguém, ou seja para não ferir susceptibilidades?  

Quem é responsável por iniciativas audazes e que iniciativas são essas? Alguém descodifica com precisão? E os elogios à coragem de alguns magistrados vieram de onde e dirigiram-se a quem? Alguém sabe ou percebe? 

E por ali fora até chegar à conclusão inefável de que é necessário rever as "tarefas verdadeiramente essenciais que cada magistratura ", sem as enunciar por pouco que seja, sem as sugerir sequer. 

E a "massificação da magistratura" o que será, afinal? 

Este escrito é sumamente irritante, tal como quase todos os que Cluny escreve. Porquê? Não sabe escrever melhor, mais claro e concreto?

Arre!

A Imprensa Nacional é um pântano e a demais está no charco

Editorial de Eduardo Dâmaso na Sábado de hoje:


Dâmaso mostra-se indignado pelo perdão de dívidas de que beneficiou o grupo Global Media recentemente. Alguns bancos amigos perdoaram 85 por cento do que o grupo administrado por Proença de Carvalho devia.
Enfim, sempre será melhor que ter que perdoar o mesmo ou mais no âmbito de um processo de insolvência, com a incerteza inerente de poder ver os créditos de trabalhadores e do fisco ou segurança social passarem à frente deles...

Por outro lado, Dâmaso poderia fazer um favor a si próprio e à comunidade: investigar jornalisticamente as actividades filantrópicas desses e doutros e  no caso de Proença de Carvalho contar às crianças e lembrar ao povo quem é tal personagem da nossa vida política dos últimos 40 anos.
Muito do que pode contar já foi contado por aqui...e com as palavras certas no Google ainda descobre mais. É urgente e com a omissão informativa o causídico-Sombra da sociedade portuguesa continua a vicejar nesta estrumeira.
Mas...Eduardo Dâmaso não o vai fazer. Não pode. Não consegue porque seria suicídio e tal compreende-se. É a vida, como diria o outro.

Assim, vai procurando na revista Sábado mostrar o que pode e algumas vezes é muito.

Por exemplo este artigo de quatro páginas mostra bem o que é o panorama cultura português ligado ao Estado socialista: um pântano! Uma vergonha, das maiores. Corrupção, nepotismo e tráfico de influências com patrocínio legal do PS. Sempre o mesmo...


Curiosamente a revista de hoje tem esta capa:


Nenhum dos esquemas acima apontados consta como forma de ganhar dinheiro em 2020. Mas devia, lá isso devia porque muitas centenas ou milhares de pessoas ligadas ao PS vão ganhar muito dinheiro desse modo.

Suponho que já será possível entender tal esquema como um modo de vida. E ninguém se incomoda...

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

Santos Silva, ministro: o retrato de um palerma


No outro dia:

Numa conferência para graduados portugueses no estrangeiro, o governante considerou que o problema principal das empresas portuguesas está “na sua descapitalização”, seguindo-se logo a “fraquíssima qualidade da gestão” dessas companhias.

Hoje:

A minha intenção nunca foi denegrir as empresas portuguesas", diz Santos Silva, em jeito de pedido de desculpa aos empresários portugueses.

Primeiro insulta; depois diz que não queria insultar...é este o retrato do malhadinhas desta desgraça nacional. Uma das figuras mais importantes deste PS que nunca se apercebeu quem era o verdadeiro José Sócrates e só tarde e a más horas deu por alguma coisa...

Imortal: afinal...era apenas ficção

Observador, hoje:


Este personagem e factos relacionados foram a inspiração para o livro de José Rodrigues dos Santos, Imortal:


Recomendo o livro pelo acervo de informação destinada a neófitos acerca da inteligência artificial e das eventuais consequências a breve trecho.

Neste caso, como mostra a notícia de hoje do Observador, o cientista maldito foi condenado numa pena menor...ao contrário do que se alude naquele livro em que o cientista desaparece da circulação física, para sempre, transmutando-se em avatar de um  apocalipse anunciado.

A nossa tragédia que perdura há 40 anos

Artigo do economista António Costa no Observador de hoje:
(...)

A produtividade em Portugal é baixa, e a evolução na última década foi marginal (vale a pena consultar o Boletim Económico do Banco de Portugal com uma análise à produtividade aparente do trabalho) e há várias razões que explicam esta realidade. A formação de trabalhadores, a sua qualificação, as competências dos gestores e empresários, sim, a falta de dimensão das empresas e especialmente a falta de capital, talvez o maior de todos os problemas. Mas também as políticas públicas, que durante décadas criaram os incentivos ao financiamento de setores não transacionáveis. E especialmente as políticas públicas que se viram nos últimos quatro anos, já fora da intervenção externa e com condições económicas e monetárias excecionais.

Na crise, se houve alguma coisa a correr bem foi a capacidade de risco dos empresários, muitos deles a internacionalizarem as suas empresas sem verdadeiramente terem as condições para o fazer, mas a demonstrarem uma capacidade de risco excecional (leia-se extraordinária). E isso mede-se no crescente aumento do peso das exportações no PIB, já a tocar nos 45%. É aliás esse o discurso oficial deste Governo quando corta fitas em inaugurações empresariais e quando abre e encerra conferências empresariais. Santos Silva “esqueceu-se”, convenientemente, que o tecido industrial está a mudar, para melhor, a uma velocidade sem paralelo, especialmente com a velocidade a que deveria estar a mudar a qualidade da classe política. E de alguns ministros.
(...)

Há 40 anos que Portugal vive uma tragédia económica estrutural, gizada pelos mesmos de sempre: os louçãs e quejandos. 

Em 25 de Maio de 1979 o jornal da esquerda democrática, O Jornal, dedicou um número especial acerca do estado da economia portuguesa de então. 

Alguns recortes reveladores: primeiro o do decano dos economistas socialistas, um académico que ensinou os louçãs e quejandos e foi ministro de bancarrotas do PS
O retrato da nossa miséria que continua quase na mesma, comparativamente. 


E os remédios dos "entendidos", sempre os mesmos.



E, claro, não poderia faltar o habitual bode expiatório, sempre o mesmo, aliás. Espanta como é que estas ideias continuam a manter actualidade e a convencer quem vota. É simplesmente espantoso, tendo em conta o que se passou como os países do antigo Bloco de Leste que já  nos ultrapassaram economicamente, segundo se diz. 




Francisco Louçã e a fronda contra os princípios constitucionais do Estado de Direito

Expresso:

Francisco Louçã esteve entre os conselheiros de Estado que, de forma unânime, decidiram que António Costa prestará esclarecimentos por escrito ao tribunal, no caso Tancos. O juiz Carlos Alexandre pretendia que o primeiro-ministro o fizesse presencialmente mas, considera Louçã, “não há nenhuma justificação para esse pedido”. Trata-se de mais um episódio em que o chamado ‘superjuiz’ se esquece dos seus deveres de reserva e discrição e resvala para a política e o justicialismo, sugere Francisco Louçã.

No programa semanal que tem na SIC-Notícias (no vídeo entre os minutos 11.55 e 18:34), o ativista do Bloco de Esquerda e atual conselheiro de Estado foi questionado sobre se, ao decidir que António Costa apenas responderia por escrito ao tribunal, o Conselho de Estado não fez um favor ao primeiro-ministro. Louçã contextualizou que António Costa foi convocado na condição de testemunha, apenas, e lembrou que, estando em causa titulares de órgãos de soberania, a tradição tem sido sempre essa e, por isso, o pedido de Carlos Alexandre não tem “nenhuma justificação”.

Depois, partiu ao ataque. Desde logo para sublinhar o método seguido pelo juiz. “Ele tornou público que pedia a presença do primeiro-ministro muitos dias antes, creio que mesmo duas semanas antes de enviar o pedido ao Conselho de Estado. Ou seja, quis fazer um ato público sobre essa questão”(…) o que é uma coisa bastante estranha na relação entre um órgão de soberania, um tribunal, com outro órgão de soberania”. Além disso, terá invocado que precisava do primeiro ministro presencialmente porque havia documentos que tinham de ser justificados, o que também é “estranho”, porque “se quer a opinião do primeiro-ministro sobre um documento coloca isso nas perguntas”. “Tudo isso é um pouco forçado” (…) e mais não é do que “um jogo para criar um incidente politico que merece alguma ponderação, porque os tribunais não costumam fazer isto”, diz Louçã.

O conselheiro de Estado descreve ainda o perfil de Carlos Alexandre, um juiz que gosta de dar entrevistas, que recusou ser candidato a um partido politico, como não podia deixar de ser, mas só depois de ter mantido o tema em “consulta pública” durante alguns dias, e que nas redes sociais tem uma legião de apoiantes de extrema direita, das quais não se demarca: “É num site do Facebook de apoio ao juiz Carlos Alexandre que estão algumas dezenas de milhares de seguidores do Chega e outros grupos de extrema direita. Eu creio que isso nunca foi suficiente para ele manifestar alguma distancia em relação a esse tipo de matérias”, aponta Louçã. Isto fora dos tribunais.

Na vida judicial Louçã também encontra algumas originalidades no percurso de Carlos Alexandre, e “talvez a mais significativa delas tenha sido entrar em choque com outro juiz para tentar assegurar para si próprio a função de juiz de instrução para validar as decisões que ele próprio já tinha tomado. E fez disso um conflito interno na magistratura, que é coisa nunca vista”, recordando o seu embate com Ivo Rosa, com quem partilha a contragosto o Tribunal de Instrução Criminal.

Francisco Louçã considera que “a atuação de um tribunal deve ser discreta e legalista e não é publica nem política” e faz uma analogia com Sérgio Moro, “que afirma aquela ideia antidemocrática de que é preciso acabar com a politica e impor uma espécie de justicialismo”, também ele politico.

Em jeito de declaração de voto pública, o conselheiro de Estado remata dizendo que “o que o António Costa faz é absolutamente razoável. É a jurisprudência portuguesa, é a tradição” e que o que não tem nenhum sentido é tentar criar “alguma forma de tensão entre órgãos de soberania que têm poderes próprios e funções próprias bem delimitadas pela Constituição da República Portuguesa. E espero que o juiz Carlos Alexandre não se esqueça de que há uma Constituição democrática em Portugal”.

Este artigo do Expresso exprime o sentimento da comunidade política de esquerda, mais propriamente de um certo PS, relacionado com o poder judicial sempre que os casos envolvem políticos dessa área.

Louçã atreve-se a questionar publicamente um titular de outro órgão de soberania, no caso um tribunal, despudoradamente e tem a distinta lata de recomendar que um juiz não se esqueça da "Constituição democrática".

Louçã é conselheiro de Estado, junto do presidente da República, um dos órgãos do poder político e portanto um órgão de soberania per se.  
A função de conselheiro de Estado deveria recomendar o maior recato em tudo o que envolve o relacionamente com outros órgãos de soberania. 
A noção de separação de poderes em democracia é tão básica que até é assim explicada a infantes que estudam e deverá ser lembrada a este Louçã formado em economia, com predominância marxista e impante de arrogância ignorante:

Já deves ter-te questionado sobre a razão de ser de existirem diferentes poderes públicos. O que faz o Governo? E a Assembleia da República? As missões são diferentes porque vivemos em democracia e essa separação facilita a fiscalização e evita abusos.

O que isto significa é que o órgão que faz as leis não pode ser o mesmo que as executa, nem o mesmo que repõe a justiça.

Por exemplo, o Governo não pode dizer a um juiz como é que ele deve decidir num determinado caso. Por isso é que existem três poderes distintos: o legislativo, que pertence à Assembleia da República; o executivo, que pertence ao Governo; e o judicial, que pertence aos tribunais. Cada um tem limites que não pode ultrapassar.


Portanto, este Louçã deveria perceber antes do mais o que é e significam estes princípios constitucionais, até porque é conselheiro de Estado e deveria manter o recato próprio ao estatuto. A não o manter que saiba ao menos o que diz e não propale baboseiras como se mostra no trecho citado.

Um juiz de direito como é o caso do juiz do TCIC decidiu de acordo com a lei. Portanto, jurisdicionalmente. 
Se um juiz entende que um representante de um órgão de soberania deve ser inquirido de determinada forma tem o poder de o fazer se respeitar a lei. 

Um conselheiro de Estado não deveria questionar e achincalhar publicamente um juiz de direito por tal opção. 

Uma vez que o fez e de modo grave, pondo em causa o poder judicial in totum, deveriam ser as estruturas máximas de tal poder judicial, maxime o próprio presidente da República a puxar as orelhas a este palerma que é conselheiro de Estado e correr com ele de tal órgão.
Se o não fizer, como de facto não irá fazer, outros o lembrem. Por exemplo a ASJP...já que do CSM não se deve esperar tal coisa. 

É o mínimo que se impõe: denunciar este "comunista da burguesia" como um elemento antidemocrático, segundo os seus próprios valores.





A arte menir agora com valor acrescentado


CM de hoje:



Cerca de uma dúzia de vigas de ferro, dispostas em formação vagamente cromeleque, custaram a erário público um pouco mais de 300 mil euros, certamente com o iva incluído, agora ainda mais acrescentado. É um exemplo de arte menir.

Uns bárbaros da área onde foram implantados os menires resolveram acrescentar valor à arte e vai daí denunciaram publicamente o custo da obra, considerando-o uma "vergonha".

O artista parece ser um verdadeiro artista, daqueles que carecem de mecenas...por isso o valor acrescentado é um bónus.

A Câmara que pagou é de Matosinhos. Não sabia e fui espreitar: PS típico...

Vergonha? Que é isso?! Come-se?

Mais interessante que esta arte do menir é a arte do lixo, aqui exemplificada, no mesmo CM de hoje,  por personagem deste lixo político:


domingo, 29 de dezembro de 2019

Leia-se como o PS e a esquerda destruíram a riqueza nacional

Em 8 de Julho de 1989 o Expresso, então dirigido por José António Saraiva, tendo como director-adjunto Joaquim Vieira e "Gabinete editorial" Alexandre Pomar, Clara Ferreira Alves e Santos Pereira, todos esquerdistas e social-democratas, publicou um artigo extenso acerca dos grupos económicos em Portugal, na época.

O artigo era assinado por Virgílio Azevedo, um então licenciado em economia e tinha outros autores como João Cândido Silva, Manuel Goucha Soares e outros indicados nos artigos. Tudo gente que deveria saber melhor acerca do que escrevia, mas foi sempre assim, nos media nacionais. A informação que temos é muitas vezes falseada pelos enviesamentos ideológicos e deturpadores de uma realidade que os ultrapassa sempre.
Andamos sempre mal informados nestas matérias e isso conta no momento do voto. Por isso o socialismo tem mantido a predominância eleitoral ao longo das décadas.

O artigo começa com a frase "catorze anos depois das nacionalizações, os grupos económicos estão de volta". Nada mais falso porque já não eram os grupos económicos de 14 anos antes mas outros, mesmo integrando pessoas que foram espoliadas dos seus teres e haveres empresariais.

Escreve-se logo a seguir que "o renascimento dos grandes grupos, hoje mais numerosos do que antes de 25 de Abril, ganhou outro fôlego com a reanimação da economia portuguesa iniciada a partir de 1985 [entrada de Portugal na Comunidade Europeia].

Nada mais enganador. Mais grupos não significava melhores grupos e muito menos melhor empresariado, no sentido apontado pelos santos silvas ignorantes e arrogantes.

Leia-se o artigo:


Este artigo seria melhor compreendido se fosse acompanhado da leitura deste livrinho de 1979, de uma autora que também escreveu sobre os grupos económicos anteriores ao 25 de Abril de 1974:


sábado, 28 de dezembro de 2019

O inacreditável discurso socialista sobre as empresas

Observador:


Este sociólogo encartado na politiqueirice que já afirmou ter um gosto especial em "malhar na direita" é o quê, como definição? Uma anedota?! Um pascácio? Abrenúncio!

Faz lembrar o discurso socialista de sempre: os empresários portugueses são fracos. Como se eles enquanto socialistas percebessem da poda. O socialismo que nacionalizou empresas, tornando-as públicas para depois as desmanchar, liquidando-as, devido à gestão socialista que espécie de gestores públicos gerou? Melhor que os privados? Enfim.

Este indivíduo estudou sociologia não foi? Tretas para lhe permitir ganhar a vida numa qualquer escola feito madrassa, isso sim. E de caminho a política de "malhar na direita" e agora nos empresários.

Que créditos tem para dizer estas enormidades? Que saber, que conhecimentos e que autoridade tem este tipo?

Faz-me lembrar outro que é do mesmo clube de malhadores a preceito e que em Março de 1983 dizia a mesmíssima coisa, como se também percebesse do assunto:


Já em 1974 pensava de maneira igual ou ainda pior:


Como é que esta gente sobrevive no espaço mediático a dizer tamanhas baboseiras ao longo de décadas?

Como é que se lhes permite eleitoralmente manifestarem tais ideias sem ninguém se rir das mesmas e deixá-los a falar sozinhos?

Primeiro não descansaram enquanto não acabaram com os verdadeiros empresários que tivemos há um pouco mais de 40 anos...


Depois geriram os despojos do assalto aos milionários que entendiam serem os donos de Portugal e portanto eram para escorraçar quanto antes, como de facto aconteceu, com o manifesto aplauso daquele bluff encravado no destino político nacional como senador de um país pindérico.




Depois arranjaram um alfobre de empresários por encomenda e gestores de aviário socialista e deu nisto: a miséria atávica que nos tem relegado para o pelotão cada vez mais atrasado. Há vinte e cinco anos que andamos nesta miséria, com estes socialistas de papo cheio.



Agora, os mesmos que fizeram esta borrada toda que é um autêntico crime de lesa-pátria queixam-se dos gestores que temos...

É preciso ter lata!

Violência doméstica: 35 vítimas mortais

Notícia do CM de hoje, sumida na última página, sem chamada na primeira:


Já vai na 35ª vítima mortal, este ano. A anterior foi no início do mês. Segundo a notícia, houve uma grande violência no apartamento em que vivia o casal estando presentes dois filhos, de dois e cinco anos.

Será que o Observatório póstumo desta violência vai compreender o que se passou entre este casal, jovem, de 30 anos e o que motivou um acto desta natureza?
Não vai. A única coisa que irá compreender é se as autoridades estavam a par dos problemas entre ambos, se havia queixas e se tal originou os procedimentos adequados...
O resto é-lhes espúrio. Nem sequer leram e muito menos compreenderam a entrevista desta especialista prática...

Por outro lado o CM abandonou o sensacionalismo nestes casos. Longe vai este desvario estúpido...

A contabilidade, essa, vai nos 34 porque a última vítima não morreu...


ADITAMENTO: assim, o título já está correcto:

Uma mulher foi morta no sábado à noite, em Cascais, pelo companheiro, disse à Lusa fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP. O homem que matou a companheira no sábado à noite em Cascais foi detido pela PSP em Alcabideche.

O homem que matou a companheira no sábado à noite em Cascais foi detido pela PSP em Alcabideche, disse hoje à agência Lusa fonte daquela polícia.

A detenção ocorreu pelas 02:00, acrescentou a mesma fonte, referindo que a vítima tinha 38 anos e foi agredida com uma arma branca.

A mulher foi morta no sábado à noite pelo companheiro, que se pôs “em fuga”, disse à Lusa na altura fonte do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

O sentido de justiça...


Daqui:


Daqui:


Almanaques: uma prenda com 50 anos

Há 50 anos mais ou menos neste dia comprei uma das melhores prendas da minha vida, com os 100 escudos que o meu padrinho me dera pelo Natal.

Foi esta que ainda hoje guardo com estimação:




Num dia destes de há 50 anos passei numa pequena livraria/quiosque na cidade do sítio onde vivia e deparei com esta obra no escaparate. 99$00! Uma pequena fortuna por um livro, para a época. Mas eu tinha os 100 escudos e nem hesitei porque a capa me atraiu logo.

Esse almanaque tornou-se durante o ano de 1970 uma obra de referência porque tinha quase tudo sobre o que me interessava saber de cultura geral.
Até trazia um encarte publicitário e a cores com os livros que as Seleções editavam na altura. O destaque ia para a história da II guerra mundial, em três volumes mas a preço proibitivo. Nunca os cheguei a comprar mas já os tenho visto em alfarrabistas a preço irrisório. Nem assim...hoje mais depressa compraria o "livro da estrada", com a cartografia, mapas da época.


A obra tornou-se de consulta obrigatória como "elemento de estudo" , substituindo por vezes a gramática, os exercícios de matemática, etc etc.
Era muito mais interessante estudar matérias como estas:


Para além do mais e dar conta das suas 1024 páginas com letra pequena, havia um índice remissivo com 17 páginas. Percorrer aqueles nomes todos era um exercício fascinante...ainda é.


Já tinha de algum modo descoberto o encanto dos almanaques. O primeiro tinha sido o de Sto. António, da editorial franciscana de Braga. Menos recheado e de pendor religioso, era uma bênção poder receber tal livrinho aó por volta do mês de Novembro de cada ano.


Foi então que descobri o encanto dos almanaques. Logo a seguir vi o da Bertrand, com esta capa e que tinha um recheio mais versado em charadas e pequenos contos. Não sabia na altura mas era uma publicação com décadas de tradição. A edição de 1970 tinha a coordenação de Judith de Quental e na parte astronómica o dr. António Perestrelo Botelheiro cujos apelidos me fazem algum zing.



Logo a seguir e como ainda havia à venda o almanaque de 1968, publicado dois anos antes, edição do Século e também muito bem recheado de informação de cultura geral, que aliás me pareceu um portento informativo e custava 50$00.

aqui escrevi sobre o mesmo.


No meio do livro e para marcar, este cromo da época ( nº 50 da colecção de 125, Ases do ciclismo, da Distribuidora de Publicações, Lda)  figurando um ciclista que era então um dos meus heróis. Espero que seja identificável...


Comé qué?