sábado, 31 de outubro de 2020

Um polícia de costumes a mandar na PSP, imagine-se!

 Artigo do director do Sol, hoje: 


Outro António Nunes, o famigerado director da ASAE. E vindo do mesmo alfobre político e por isso alçado a observador atento e obrigado a venerações várias, nomeadamente à Maçonaria que manda sempre nestas quintas. E sextas também.  

A Maçonaria não deveria saber o valor da liberdade? Afinal para que serve a retórica?


Esta mentalidade fascista ( huumm...não é assim que os democratas costumam falar destas coisas?) reproduz-se na imaginação de outros controleiros habituais, como aqui se escreve, no CM de hoje, por Eduardo Cintra Torres:



sexta-feira, 30 de outubro de 2020

A escolha do procurador europeu envolta em polémica

 Sabe-se agora, quer dizer pelo menos há oito dias que havia mais um candidato a procurador europeu, representando Portugal, na calha que o ministério da Justiça fez desencarrilar. 

O juiz desembargador José Manuel Cunha, presidente da comarca do Porto foi preterido ab initio por escolha eventualmente arbitrária da própria ministra da Justiça que orientou todo o processo de modo atrabiliário para dizer o menos. 

É o que se depreende da investigação da jornalista Felgueirinhas, no Sexta às 9, da semana passado.


 


quinta-feira, 29 de outubro de 2020

A magistratura e os vip´s da bola

 A revista Sábado deu-se ao cuidado de elencar uma lista de vários personagens da política, gestão,   celebridades mediáticas, governantes centrais, regionais e autárquicos e magistrados mais alguns polícias que foram ver a bola por conta do Benfica há alguns anos. 

Repare-se: os casos elencados remontam a um período temporal que abrange a última década e há alguns notáveis que fizeram figuras tristes de pedinchice ao clube encarnado para assistir a jogos nos camarotes de luxo reservado aos vip´s. 

Aqui fica parte do artigo, assinado por Carlos Rodrigues Lima que passou umas boas horas a consultar ficheiros informáticos. 

Um dos elencados notáveis é o desembargador Antero Luís que foi dirigente dos serviços secretos do Estado e ajudante de governantes. A figura é triste, lendo o que se passou...mas há mais, muitos mais, inclusivé um antigo vice-PGR, Agostinho Homem ( no tempo de Pinto Monteiro, o "beirão honesto" da magistratura portuguesa...huum, quer dizer, no tempo de Souto Moura, porque o o que se escreve no link é feiquenius...).



 No que à magistratura diz respeito a vergonha deveria ser muita, agora, mas ao tempo nem seria caso para tal, por razões prosaicas que o jornalismo exposto não abarca mas são fáceis de explicar. 

No tempo em que o tal Agostinho Homem começou na magistratura os juízes e "delegados" eram uma classe que usufruía de algumas prerrogativas e privilégios estatutários e então justificados com razões de tomo político e legal. 

O titular de tais cargos de representação de altas funções no Estado, mormente de soberania, mas não só porque qualquer polícia, militar ou autoridade pública tinha igual direito, identificava-se através de um cartão com foto, tarja verde-rubra e designação da respectiva função. 

O cartão dos magistrados há trinta anos e mais configurava um verso com estes dizeres, atestados com selo branco e assinatura do chefe máximo do serviço respectivo, em função de estatutos de finais dos anos setenta ( 1978 para o MºPº e um ano antes, para os juízes): 


Aliás, ainda hoje é assim, mais ou menos mas agora muito menos que antes. 

O "direito à entrada livre nas casas e recintos de espectáculos e outras diversões" abrangia naturalmente nessa altura os campos da bola. Não para os camarotes mas para as bancadas da geral. 

A circunstância de tal privilégio se conceder apenas "quando em funções" foi muito discutida havendo até quem concluísse que afinal os magistrados estão sempre em funções, mormente os do MºPº... o que tranquilizava muitas consciências confrontadas com a evidente aldrabice. 

Servia também de argumento último para os porteiros de casas de espectáculos engolirem em seco e abrirem as portas ao portador. 

Há umas décadas atrás, salvo o erro no "Tivoli" do Porto houve um espectáculo desses, musical e salvo o erro com Sérgio Godinho. Alguns magistrados locais lá foram, puxando do cartão e mediante a exibição exigiram entrada franca. 

O porteiro, um marreta qualquer, entendeu ir além do que um colega de um hospital do Algarve fez ao então primeiro-ministro Cavaco e decidiu logo ali barrar a entrada a tais perus emplumados pelo cartão com tarja verde-rubra. 

Gerou-se discussão, originou-se estudo acerca da vexata quaestio, pela PGR e determinou-se que era assim mesmo: estavam sempre em funções, os pobres detentores de tais cartões...e por isso tinham o direito de entrar sem pagar. 

Tal acontecimento singular ocorreu ainda numa época em que os magistrados se contavam em poucas centenas e muitos deles estendiam as prerrogativas a viagens de borla nos transportes públicos, aliás ainda nacionalizados em boa parte. 

Com o crescimento da classe, para a ordem dos milhares e o uso alargado das prerrogativas apareceram também cada vez mais porteiros marretas e revisores escrupulosos que pediam credenciais para além do cartão. E com o tempo os magistrados perceberam que tinha passado o tempo dos privilégios alargados e de aceitação tácita. 

De há muito tempo a esta parte que nenhum magistrado se atreve a puxar de cartão de identificação para ver de borla um espectáculo musical, de cinema ou outra natureza, com antes acontecia por vezes. E muito menos se atrevem a entrar num combóio sem o bilhete passado no guichet, mesmo que pago pelo erário público. 

Não obstante, houve um reduto que sobrou destes pequenos perks: o do futebol. 

E por isso o jornalista Carlos Lima fez a lista e escreveu o artigo. 

Não havia necessidade, como dizia o outro...


terça-feira, 27 de outubro de 2020

Os franceses perdem a cabeça com a liberdade de expressão. Por cá, nem é notícia.

 Notícia de hoje: 


Há uns dias atrás, no dia 16 deste mês,  uma sexta-feira de tarde, numa escola na região de Yvelinnes , perto de Versalhes, um professor francês de história e geografia foi decapitado por um jovem refugiado de 18 anos de proveniência chechena.  
Os detalhes,  motivo e contexto do acto estão explicados aqui, na revista Marianne e Le Point desta semana que passou. 



O crime de ódio suscitou a indignação dos franceses em geral e resultou em manifestações de rua, na capital francesa e nestas capas de três semanários franceses desta semana: 




 O acento tónico que as revistas colocam no assunto tem a ver com a liberdade de expressão e a garantia de que o ensino nas escolas também pode comportar a possibilidade de ofensas a credos religiosos, como o islamismo, sem que tal conduza a execuções terroristas. 

O articulista Jacques Julliard puxa dos seus pergaminhos de professor de história para dizer que o islamismo-esquerdista anda aliado ao islamismo-fascista, ambos radicais e motivo profundo da barbárie terrorista instalada. Cita Voltaire, naturalmente, para denunciar o fanatismo,  religioso neste caso. 


As datas fatais do radicalismo islâmico em França foram assinaladas no jornal 1 desta semana:


Como se mostra, os franceses criaram os corvos e estes, como é natural, já lhes picam na cabeça. Como já se percebeu o problema não é exactamente o da liberdade de expressão mas outro, muito mais grave. E os islâmicos já entenderam o recado. Veremos o que vai sair daqui.

No mesmo jorna aparece um artigo de Voltaire sobre o fanatismo religioso...e este artigo deveria fazer pensar alguém como o padre Portocarrero
Blasfemar é  uma ofensa aos crentes e até um pecado para quem é crente. Mas os pecados não devem ser punidos pela justiça dos homens...e as ofensas injuriosas também não devem ser punidas com pena de morte.


Em Portugal estes acontecimentos quase nem foram notícia e muito menos houve manifestações dos radicais cá do burgo. Et pour cause...

ADITAMENTO em 28.10.2020.


Faltava esta, de direita moderada, culta e que nem temos por cá, para mostrar como é: 





Como se pode ler a questão não se resume à liberdade de expressão mas assume contornos muito mais graves e sérios: trata-se de uma guerra a travar contra o islamismo radical, contra a ideia de separatismo religioso que esta religião quer impor em França aos franceses de todos os credos. E durante décadas a França contemporizou e criou tais corvos no seu seio...em nome de uma noção de liberdade saloia que teve efeitos perversos. 

Catarina Martins e a aritmética

 Ontem na tvi ( 20:50) a actriz alçada a política trotskista radical no BE, Catarina Martins, entrevistada pelo jornalista televisivo Sousa Tavares, afiançou com o ar grave e sério do costume, uma pérola de sabedoria matemática elementar que denota como fez a escola primária.   

“Portugal tem 19 000 médicos o que quer dizer 1.9 médicos por 100 000 habitantes “

Fazendo as contas, uma regra de três simples,  cadê os outros?  Apresentar  "1,9  médicos" em vez de 190 é coisa que não se explica por mero lapso...

Ninguém se incomodou com a falta de literacia matemática da frustrada actriz, muito menos o entrevistador., mas este nem admira nada.

O primeiro-ministro há uns dias também referiu os antibióticos como remédio eficaz contra viroses. 

É com esta gente que a política em Portugal se faz. Como esta que anda sempre pelas pantalhas com o ar de sabichona, sempre com o dedo espetado e o ar de quem domina a pantera depois de morta. 

Um pano encharcado e era pouco...

segunda-feira, 26 de outubro de 2020

As infâmias de Noronha Nascimento, antigo pSTJ

 Há uns dias escrevi aqui sobre um artigo de uma antiga directora do Público no qual esta desvalorizava os fenómenos de corrupção, através de um cepticismo suspeito. 

Na edição de hoje do CM, o director da Sábado responde-lhe assim, sem a mencionar, o que me parece deveras estulto e escusado e o recado estende-se a outros cépticos a propósito dos fenómenos de corrupção vera, no Portugal contemporâneo, já que o passado é um lugar muito mal frequentado por tal gente. 


A edição de hoje do mesmo CM é ainda instrutiva sobre o seguinte que reflecte o mesmíssimo fenómeno.


No fim da página há uma referência ao antigo presidente do STJ, o conhecido juiz Noronha Nascimento por causa de um escrito deste na revista política O Referencial ( uma revista da Associação 25 de Abril...). 

Quanto ao artigo torna-se interessante ler o que o antigo pSTJ  entende sobre os casos polémicos que protagonizou. 

Noronha Nascimento desvalorizou então as escutas ao ex-44, José Sócrates, outorgando-lhe uma vida política mais alargada desde 2009 até ao momento da bancarrota que surgiu quando se esgotou o cardápio de fantasias que nos custou couro e cabelo e uma intervenção da "troika" mais a "austeridade". 

Noronha continua ainda hoje a defender o indefensável, assim

Primeira infâmia: a associação de certas  investigações do MºPº em Portugal aos processos de Lula da Silva, nomeadamente no Lava-Jato e também a junção a este do famigerado Vaza-jato que mais não é do que o aproveitamento de escutas ilegais, inadmissíveis em processo penal português, como prova seja do que for ( como é o caso recente no caso Rui Pinto), para se provar que os investigadores do Lava-jato estavam conluiados numa trama política contra o tal presidente Lula. 

A infâmia é tanto maior quando se apresenta o mesmo como "inocente" ou em que toda a argumentação aponta para tal, olvidando que escutas desse teor se fossem realizadas e divulgadas no âmbito das actividades do próprio Noronha enquando pSTJ, ao tempo do Face Oculta deveriam revelar o bom e o bonito...

Passando sobre essa infâmia, surge a segunda, precisamente com a justificação serôdia e sem contraditório algum da desvalorização das escutas recolhidas em conversas de José Sócrates com Armando Vara, um condenado em pena de prisão efectiva no âmbito desse processo. 

No artigo, Noronha analisa agora a essência da escuta fatal que determinou a decisão de vários magistrados nesse processo ( procurador, juiz de instrução e superior hierárquico desse procurador) no sentido de se averiguar em sede de inquérito a conduta eventualmente criminosa do então primeiro-ministro e assim desvalorizada por este iluminado que se arroga um saber jurídico-criminal superior aos demais.

 Ele que sempre foi juiz do cível e que se gabava de tal, que segundo se diz pediu ajuda a um colega do STJ ( Henriques Gaspar, futuro pSTJ) para resolver o assunto, depois de ter deixado passar todos os prazos processuais para tal, ele mesmo, o Noronha, vem agora escrever assim algumas infâmias contra o MºPº e o poder judicial de que ainda faz parte ( é jubilado e o processo Face Oculta que ainda não acabou relativamente a alguns arguidos o que o deveria avisar de que está sob reserva e portanto estatutariamente deveria estar calado sobre estes assuntos):















Não satisfeito em defender assim esta dama duvidosa atira-se a outra infãmia, a do processo dos "vistos gold" e das suspeitas que surgiram sobre o comportamento de um indivíduo que sendo juiz de profissão, era desembargador na carreira que suspendera enquanto desempenhava igualmente funções para as quais fora designado pelo governo Sócrates, no SIS e como ajudante de governantes.  
Tal como se escrevia no Sol em 2018

Há dez anos o ambiente que se vivia entre a Justiça e a política era conturbado, sendo notícia a alegada instrumentalização dos serviços secretos - com várias ligações à maçonaria - por parte do governo, com o objetivo de manter os atores da justiça debaixo de olho.

Entre 2009 e 2011 era o juiz Antero Luís que dirigia a secreta interna - ou seja, o cargo que agora Vara diz agora que Carlos Alexandre queria ocupar. E a confiança do executivo liderado por José Sócrates em Antero Luís era tanta que em 2011 o mesmo foi nomeado para secretário-geral da Segurança Interna. Anos mais tarde Antero Luís viria a ser notícia por ter sido apanhado em escutas num dos processos referidos por Vara na TVI, os Vistos Gold - tendo, nessa sequência, feito queixa do juiz Carlos Alexandre e da procuradora que tinha o caso em mãos, segundo o DN noticiou, pela forma como o seu nome foi mencionado."

Este juiz Antero Luís que durante vários anos esteve ao serviço do governo de Sócrates e do PS e dirigiu o SIS é obviamente um amigo de Noronha. 
Não obstante o MºPº já em tempos achou que tal juiz não era o mais adequado para intervir em certos processos...e nessa peça processual se explica tudo o que o agora Noronha se esquece de mencionar, vergonhosamente. 

É preciso lembrar porque tal não é objectivamente despiciendo que foi nesta época que um filho de Noronha Nascimento foi admitido no SIS.




Onde reside a infâmia, neste caso? Vejamos segundo os relatos da época ( TVI 24 de 10.2.2015):

Se isto for assim, temos a notícia de que em 2015 já havia problemas graves e sérios a abranger juízes desembargadores no seio da Relação de Lisboa...e não só. E o inquérito organizado correu termos no STJ, portanto o arrazoado de Noronha sobre o assunto cheira a esturro e já fede. 
 


domingo, 25 de outubro de 2020

A complexidade corruptiva é simples de enunciar

 No CM de hoje há três peças que merecem atenção para se entender o que é a complexidade do fenómeno da corrupção de alto coturno em Portugal. 

A corrupção enquanto fenómeno criminal tende a ser observada na opinião pública e publicada de um ponto de vista simplista e claro, com ênfase no enriquecimento súbito ou inexplicado de certos actores políticos. 

A velha metáfora das cabras e cabritos é geralmente o motto para estas ideias assim expostas:


Para se entender qual a razão de este Governo em particular se recusar a elaborar propostas concretas e mais eficazes para o combate ao fenómeno que tem palco privilegiado entre a classe política aparece a ministra da Justiça, como exemplo. 

Esta magistrada de profissão, ciente há décadas da extensão e importância do fenómeno entre nós, conhecedora das histórias de bastidores, perfeitamente a par de esquemas usados em casos que tais ( a não ser que seja mentecapta, o que será temerário pensar) não quer pessoal e institucionalmente organizar instrumentos legais já propostos até por outras entidades, mormente outros magistrados e professores, defendendo-se com virtuais inconstitucionalidades impeditivas de tal legislação sobre o caso concreto do enriquecimento ilícito. 

Perante dificuldades conceptuais tão severas e pruridos legalistas tão à flor da pele, fica a impressão de que está comprometida com os suspeitos do costume, ou seja, esses mesmos dos interesses instalados que se horrorizam perante a perspectiva de terem de prestar contas em modo de prova. 

As suspeitas de tal compromisso inconfessável advêm do seu particular sistema de contactos, objectivamente ligado a  um PS e até a um PSD, prenhes de indivíduos desse jaez, como se evidencia ao longo das últimas décadas e constituem  o cardápio  de vários pratos que foram servidos à comunicação social, tendo alguns deles sido servidos em tribunais criminais, nem sempre com resultados satisfatórios. 

Uma pessoa assim, com tais pruridos, terá sempre dificuldade em entender a razão profunda destes fenómenos assim expostos também na edição de hoje do mesmo CM:



Qual a principal suspeita, aqui, segundo o relatório da PJ enviado para o jornal por "mão amiga", como sempre, em modo também criminal se violador de segredo de justiça?  Esta forma de corrupção jornalística não merce qualquer censura social e porém é mesmo isso, corrupção. A troca do favor? Boas notícias para a instituição, sempre a "subir" nas colunas de apreço subjectivo, espaço para crónicas no jornal ( pagas...) oportunidades na tv do grupo, etc. etc. Está à vista e é claramente isso, corrupção. Mas não é dessa que aqui se trata. 

Repito: qual a principal suspeita na notícia acima mostrada? 

Que vários intervenientes políticos e empresariais, mostrados acima e outros ainda na sombra, colaboraram activamente para se enriquecerem de vários modos. 

Segundo a notícia que transcreve conclusões de suspeitas da PJ, em sede de contratos elaborados segundo regras já de si muito discutíveis ( as PPP) conseguiram  acrescentar adendas ou apostilas a tais contratos. Pior: tiveram para tal a colaboração activa do actual presidente do Tribunal de Contas e de tal resultou um prejuízo para o Estado computado em milhares de milhões de euros que de outro modo não existiria. 

O crime, se isto for verdadeiro e factual é avassalador, e é o de corrupção e outros associados ( gestão danosa, participação económica em negócio, tráfico de influência). A vera corrupção, sem dúvida. A que nem precisa de lei alguma de enriquecimento ilícito para se configurar.  

Porém, qual o catch, o escolho, o impedimento real a tal assunção e conclusão? Em primeiro lugar a definição factual do que sucedeu. Será que a PJ e quem elaborou o relatório final reuniu provas indiciárias suficientes para tal? 

Segundo a notícia, as alterações aos contratos terão sido realizadas após um chumbo do tribunal de Contas que impedia tal contratualização acrescida de custos, no final de contas, para os utilizadores que somos todos os que pagamos tributos. 

E tais alterações tiveram a ajuda prestimosa do próprio e actual presidente do Tribunal de Contas, que assim terá facilitado a redacção de novos contratos que contornariam as dificuldades inultrapassáveis colocadas pelo mesmo tribunal de Contas. 

Será isso a essência dos crimes em causa? Será sempre necessário ir além das suspeitas de comportamento objectivamente lesivo para a comunidade e demonstrar que aqueles indivíduos se conluiaram para favorecer ilegítima e ilegalmente uma entidade privada com quem tinham relações semi-públicas ( as PPP rodoviárias). 

O que aparece transcrito no jornal, do relatório da PJ obtido daquela forma, não esclarece devidamente. 

Assim, fico muito céptico quanto a isso. 

Será que uma lei de enriquecimento ilícito ajudaria, neste caso, a dilucidar a questão? Nem por isso. Estes indivíduos elencados está todos muito bem colocados. Et pour causa e aqui é que reside o busílis. 

Se não tivessem feito o que fizeram, enquanto governantes, estariam assim tão bem governados? Pois a resposta a esta questão daria a resposta ao assunto, mas é de averiguação impossível no domínio dos factos.

Por isso mesmo é que Portugal é uma choldra: nem sequer se consegue distinguir o trigo do joio...e tudo por causa de um puta retórica chamada Ética. 

Senão leia-se esta terceira peça do mesmo CM de hoje. O indivíduo entrevistado é um dos maiores lutadores contra a corrupção, em Portugal, segundo a lenda da chafarica que o mesmo frequenta. 

Quando foi governante apercebeu-se de fenómenos corruptivos mais graves, evidentes e claros que os expostos. Fez alguma coisa? Fez: mandou um amigo, o general Garcia dos Santos averiguar e este apresentou-lhe o relatório claro do assunto: havia corrupção na JAE e de alto coturno. Muito dinheiro até chegava aos partidos. O que fez então este incorruptível de manga de alpaca? Aceitou o lugar no BEIRD que um tal Sócrates lhe aprontou e encheu os bolsos com dinheirinho muito bem ganho, tudo em salários legalíssimos. 

Enquanto lá esteve não mais se ouviu a sua voz autorizada contra a corrupção que agora se nota em casos como o do marquês e similares. Aliás, ouviu: para desmentir o que o seu ex-amigo Garcia dos Santos disse dele, que era um poltrão. 

Cravinho foi vítima do síndroma bem explicado num filme dos anos setenta. Um que tem uma frase de um personagem que dizia a outro ter feito a alguém "an offer he can´t refuse". 

A JAE continuou na mesma e quando se alterou foi para mostrar que era preciso mudar alguma coisa e as PPP rodoviárias são o resultado de tal efeito. 

E assim se faz Portugal. 

sábado, 24 de outubro de 2020

A ciência difusa do "historiador" Pacheco Pereira

 Hoje no Público, José Pacheco Pereira, o "historiador" ( supõe-se que será por causa de uma biografia em dois volumes de A. Cunhal que o epíteto se lhe auto-assenta...) escreve assim sobre a dicotomia esquerda-direita. 

Um: 


Certamente por causa das intensas elaborações históricas deste recolector de papel velho e mais bugigangas, as ideias tornam-se-lhe confusas e já não sabe identificar ao certo qual a sua mão direita ou a esquerda, em modo ideológico. Os pés já se metem pelas mãos e por isso convém recordar os princípios e valores de sempre. 

Há cerca de um pouco mais de meia dúzia de anos tinha feito as mesmas figuras e houve então quem o ensinasse a não trocar o passo. Foi outro historiador, este verdadeiro e não apenas dedicado a biografias hagiográficas.  

Dois:


Este mesmo já antes tinha escrito o que era preciso para se saber a quantas andamos quando falamos de direita e esquerda ou extrema-esquerda.

Esquerda-direita, em 2009: 



Porque é que este Pacheco Pereira não se dedica a escrever sobre o seu material de recolecção, em vez de besuntar semanalmente as páginas já enegrecidas de langor esquerdista do jornal onde verte as inanidades? 

Será que vai passar a tecer loas ao zé do bidé? Se ganhar, claro está...


O Governo não pode fazer isso?! Ai, pode, pode. Já fez!

 Sol, o constitucionalista Jorge Miranda um dos "pais" da Constituição socialista que nos orienta a caminho do dito, diz que o Governo não pode legislar sobre proibição de circulação de pessoas. 

Não pode?! Já o fez! E nada vai suceder porque um povo acéfalo e orientado pela "informação" televisiva, com destaque para directores de informação adestrados nas escolas de comunicação social do regime nada vai dizer ou fazer ou sequer votar contra quem viola a própria Constituição que apadrinharam.

E ainda falam do "fassismo"...para mostrarem uma superioridade moral que nem conseguem identificar.


Para obterem tal resultado basta tolherem as pessoas de medo. E este é atávico, como se sabe. De profundis...

Por onde andam os "lutadores" pela liberdade? Onde sempre estiveram: na choldra da hipocrisia. 


Os governantes no antigo regime

 Henrique Neto em entrevista a José Gomes Ferreira, apanhada por aí no facebook de João Tilly

A ideia básica é simples: no antigo regime de Salazar e Marcello Caetano os ministros dos governos tinham maior autonomia e liberdade de acção do que actualmente. Até para criticarem opções governativas de outros ministros e dos próprios presidentes do Conselho. 

Haja quem desminta...mas a razão para tal também me parece simples: a categoria pessoal, intelectual e profissional dos ministros que eram escolhidos para os cargos obedecia a outra ética. Tome-se por exemplo o caso de um ministro actual, um tal Pedro Nuno Santos. Que pinderiquece! Que miséria! Que desgraça nacional! O próprio primeiro-ministro, o manhoso que anda por aí, até arranjar um lugar melhor. 

Nem é preciso explicar muito mais, para além do que um desses ministros do antigamente e o seu irmão, aliás de oposição a tal regime, diziam em entrevistas que coloco aqui:

Focus de 2004:



Expresso de 15. 12.1990:




 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Inacreditável...este PSD e estes políticos todos.

Sapo:



 Tenho vergonha de ser português, como estes indivíduos parece que são. São os mesmos que dizem sempre mal de Salazar porque o acham fassista...quando era mais liberal que esta gente. 

Para mim, uma medida destas é o mesmo que obrigar as pessoas a andar de trela imaginária cingida a quem manda deste modo, em nome da "democracia". 

Que nojo de país!

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Jorge Torgal e o bicho que nunca o assustou

 Em 28 de Fevereiro deste ano, o médico Jorge Torgal, especialistas nestas matérias de saúde pública dizia assim ao JN:


Em Março dizia assim:


Em Julho assim: 


E agora diz assim, na edição de hoje do Público: 




Direito com todos.