sexta-feira, 9 de outubro de 2020

O Hidrogénio é uma arma carregada de futuro

 Ontem num canal de tv ( Sic, acho) apanhei o secretário Galamba, formado em Economia a discutir com o presidente de câmara ( Ovar) Salvador Malheiro sobre as virtualidades da energia obtida do hidrogénio. 

Confesso que a discussão foi pouco esclarecedora porque sou ignorante básico dos aspectos técnicos e segundo percebi o tal Galamba também será, mas não lhe falta pespinência para defender os projectos em curso, financiados pelos "frugais" em milhares de milhões de euros. 

O Malheiro é engenheiro do ramo e percebe da poda, pareceu-me. O que disse não me tranquilizou porque apontou factos e indicou números questionando o secretário Galamba que não se deu nunca por achado. 

Julgo que vai ser mais um forrobodó para torrar dinheiros públicos, segundo indicou o engenheiro Malheiro.

Hoje, esta revista francesa que apareceu nos quiosques mostra o que é um sistema de maquinaria para obter hidrogénio por fusão. Em França...

Será que por cá temos gente para isto? 



O que me impressionou mais no debate de ontem foi a completa ausência de explicação dos conceitos básicos relacionados com a matéria e que a maioria esmagadora dos espectadores não domina nem compreende sequer. 

Nenhum dos especialistas se deu ao trabalho de explicar passando a falar como se estivessem numa reunião de engenheiros químicos ou coisa parecida.

Os dois jornalistas que questionaram saberão do que se trata? Perceberão alguma coisa do que estiveram por ali a falar?

Enfim, um jornalismo deste género é uma miséria.  

Ora,  segundo um comentador escreve,  o que coloquei como imagem de um sistema francês nada tem a ver com o que nós ( ou seja, o tal Galamba, mandatado por outros mais manhosos) queremos por cá. Transcrevo: 
"A maquineta de França (ITER) é um protótipo de um reactor de fusão nuclear, cujo objectivo é obter electricidade a partir da fusão de deutério (um isótopo de hidrogénio). Por cá fala-se de produzir hidrogénio a partir de electrólise da água, usando energia renovável, o que teoricamente o torna num "combustível verde". Uma coisa nada tem a ver com a outra. Enquanto a fusão nuclear, investigada há muitas décadas, contém a promessa de "energia inesgotável", em termos práticos, a "nossa" aposta na produção de hidrogénio verde pretende produzir um combustível com aplicações industriais e em veículos de grandes dimensões (embora o mercado esteja rapidamente a ditar que as baterias vão resolver esse problema de forma muito mais económica e eficiente). Duas coisas muito diferentes, portanto. Ainda não vi plano de negócio algum que mostre a viabilidade da "nossa" aposta no hidrogénio, que me parece vai ser mais um elefante branco para satisfazer clientelas petrolíferas que estão agarradas ao modelo de negócio de ter a malta toda a "ir à bomba"."

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A delinquência no poder