sábado, maio 23, 2026

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso

 É assim na edição de ontem:



Sobre este indivíduo que é desembargador na Relação de Lisboa, já disse tudo o que tinha para dizer. Por isso não vou repetir-me.

E sobre este assunto da "perseguição" do MºPº ao indivíduo, coitado, também já escrevi. E fiquei sempre espantado com estes assuntos  noticiados:

Não é esta a primeira vez que o Expresso dá acolhimento especial a esta personagem judiciária. Já o tinha feito antes, em 2012 onde passou a ideia que depois fez caminho de que o TCIC devia ter dois juízes. E não é que lhe deram razão, os poderes de facto e de direito? Que coincidência, hem?!

Como é espantoso que a classificação de serviço tenha sido esta:


Para além da óbvia insinuação de que a participação anónima terá eventualmente origem em Carlos Alexandre, o que não deixa de ser torpe pelo modo enviesado como se faz, aceitando tal eventualidade, sem a questionar, há uma outra frase nesta entrevista ao Expresso de ontem que merece destaque. Ivo Rosa diz que a principal função de um juiz de instrução é a de controlar os actos que interferem com direitos fundamentais, como o direito à liberdade, à privacidade e à intimidade. A figura de um juiz é... apenas a de garante. 

Como é que se compagina este entendimento académico das funções de juiz de instrução com as derrotas sucessivas repetidas em dezenas e dezenas de decisões nos casos que este juiz sobraçou, mormente no processo Marquês? Ninguém entende, claro está. E a mim sempre me pareceu que quem deveria entender nunca o fez verdadeiramente, ou seja o CSM. O que é que o juiz em causa garantiu nesses casos? Os direitos de quem? Das vítimas, ou seja de todos nós?

O MºPº enquanto entidade defensora da legalidade democrática entendeu investigar alguma causa aparente para os dislates, erros, asneiras grossas e relapsas, denunciadas ipso facto nas decisões revogatórias dos tribunais superiores relativamente a este desembargador, para além de denúncias factuais de actividades processuais e procedimentos menos rotineiros e suspeitos. Por uma razão que me parece bem prosaica: parece incrível que isto tenha sucedido e ainda mais incrível quando vemos agora que a estratégia de defesa de um arguido no processo Marquês, precisamente José Sócrates, tem sido a de ostensivamente procurar meios dilatórios para evitar o julgamento. E o mesmo sucedeu com alguns arguidos ao mesmo associados noutros processos. Nenhum juiz que eu conheça foi alvo jamais de um tal acervo de revogações de decisões e ficou com "muito bom" no currículo, incólume para conseguir a promoção. Este, ficou. Porquê?! Acho perfeitamente legítimo interrogarmo-nos sobre isso, porque não é nada normal. 

Este indivíduo percebeu que podia decidir como lhe apetecia, mediante um módico de sustentação e fundamentação jurídica, sabendo que o Direito dá para quase tudo, e...fê-lo. Sem qualquer prurido e assente apenas na auto-suficiência da sua independência, mesmo depois de desfeiteado vezes e vezes sem conta a propósito das suas decisões. Nem se envergonha das mesmas e continua a defendê-las como se fossem a mais perfeita imagem da legitimidade e competência judiciais. "Quem quiser que recorra", chega a dizer...e o sistema acaba por lhe dar razão ao promovê-lo.

Se alguém provocou danos à justiça portuguesa com as suas decisões inacreditáveis, tal como sublinhado várias vezes nos acórdãos revogatórios das mesmas, esse alguém é este indivíduo acima retratado. Foram anos de atrasos e decisões revertidas sem apelo e com prejuízos irreparáveis para a imagem da Justiça. No fim, é premiado com a promoção.  

Vir agora, como o faz este indivíduo, mostrar uma caramunha pelo mal que fez,  justificando-o com a independência judicial é obra. Sustentar tais decisões apenas com base na suposta defesa de figura de garante quando lhe foi denegada tal função em praticamente todas as decisões que proferiu e foram alvo de recurso- dezenas delas!- é coisa que não lembra ao mais ingénuo ou mais complacente. 

No entanto, talvez lembre a um Manuel Magalhães e Silva ou outro da mesma linha, do género Proença de Carvalho. 

Mas isso são contas de outro rosário que não vale a pena desfiar na medida em que também já foi desfiado aqui. 

De resto, foi  Eduardo Dâmaso do Correio da Manhã, como se lê no recorte acima mostrado, em tempos e incrédulo com isto tudo quem alvitrou que o problema era o ego desmesurado do indivíduo. O que a ser verdade não resistiria a um teste psicotécnico bem feito...

O MºPº, perplexo com tudo isto tentou perceber se havia mais alguma coisa que isso e não encontrou. Pois é capaz de nem haver e esse ainda é um problema maior: haver na magistratura alguém assim tão independente que nem sequer do bom senso depende. E por isso deveria ter sido corrido da magistratura, sem mais. 


domingo, maio 17, 2026

O carácter de Zé Pinto pode ser assassinado?

 

Observador:

Quem se der ao trabalho de ler o livro de João Miguel Tavares sobre José Sócrates Pinto de Sousa,, editado no final do ano transacto e aqui recenseado pode alvitrar uma resposta à pergunta formulada no título do postal. 

Eu já o li de fio a pavio e asseguro que é um escrito agradecível pela escrita e estilo mai-lo conjunto de factos e histórias  das muitas facécias da vida pública do retratado. Acredito que o magistrado Beirão seja honesto como o era o antigo PGR Pinto Monteiro. Mas quase apostava que nem passou os olhos pelo livrinho em causa porque se assim fosse não teria coragem de dizer o que disse publicamente do autor da acção contra o Estado, defendido por aquele e que o visado agradeceu logo. 

Pareceu-me uma pequena frase lamentável, destoada, desnecessária e equívoca. Um carácter, no contexto, é algo que lida com a formação moral, designadamente a integridade e a honestidade. E se um carácter se diz assassinado tal significa que é o conjunto dessas características que é esvaziado ficando apenas a imagem do oposto., ou seja o retrato de alguém sem integridade ou honestidade. 

Será esse o caso do Zé Pinto retratado no livro de JMT?  Basta ler para entender. Basta conhecer os factos para perceber. Ou ler o que neste blog se escreveu ao longo dos anos para ver o que pode ser um  "carácter" destes e se é possível um assassínio do mesmo...

De resto, no CM de hoje, Eduardo Dâmaso publicou esta nota que resume bem o assunto:


Portanto, em resumo: a retórica do "ninguém tem dúvida" é desde logo, oca, a meu ver. Eu não tenho a mínima dúvida que um carácter como o do Zé Pinto não pode ser assassinado. Está morto há muito tempo e por suicídio. 

 

quinta-feira, abril 02, 2026

O jornal Público da Sonae e a explicação da Constituição

 A edição de hoje tem esta capa:


Escreve-se "in Constituição da República Portuguesa, 2 de Abril de 1976.

Muito bem. O preâmbulo é esse, inicial, de 1976, tal como se reproduz das páginas da 3ª edição da Atlântida Editora de Coimbra, dessa altura:


 Porém, em 1989, depois da primeira revisão de 1982, ainda era assim, conforme CRP, Coimbra Editora, 1989:



Qual a diferença se afinal não há nenhuma no preâmbulo da dita cuja? Está aqui, logo no artigo 1º que o Público sonega...

Em 1976:


E em 1989:


Tal como as notas referem a alteração e a supressão da expressão "sociedade sem classes" só ocorreu em...1989. Quando já estávamos em plena CEE e se impunham novas regras na economia, mormente na propriedade privada de bancos, seguros e empresas "monopolistas" que os comunistas queriam á viva força evitar. 

Tal como se contava aqui, em dois artigos.

O primeiro em 4 de Julho de 2013:

A Constituição de 1976, aprovada em 2 de Abril de 1976, foi precedida de estudos e projectos, na sequência da Lei 2/74 e da eleição de 25 de Abril de 1975 que escolheu os representantes dos partidos para a Assembleia Constituinte. Vem tudo aqui. 

Em 2 de Abril de 1976 o O Jornal explicava como tal aconteceu e mostrava o preâmbulo. O artigo 1º, esse, garantia em modo programático que éramos uma República empenhada na transformação do país numa sociedade sem classes.

A propósito desta Constituição, elaborada por mentes brilhantes como Jorge Miranda ou Vital Moreira e Gomes Canotilho, a luz que a iluminava era a da esquerda comunista. Se assim não fosse, Álvaro Cunhal não teria escrito isto:

E no primeiro aniversário da Constituição todos deitaram foguetes. Até Jorge Miranda achava que a Assembleia Constituinte " soube dar-lhe o seu verdadeiro sentido em contraposição aos sentidos totalitários, anarcopopulistas ou anarcomilitaristas que então pareciam triunfar". Não haja dúvida! "Sociedade sem classes", como programa a constitucional nada tem de totalitário, como já então se sabia de ginjeira. Este Jorge Miranda sempre foi assim...e pode ler-se no O Jornal de 1 de Abril de 1977.  Vital Moreira, sempre igual a si próprio, já apontava os desvios inconstitucionais...


Amanhã: a primeira revisão constitucional."

E o segundo em 27 de Setembro de 2013:

"Em finais de 1978, depois dos sucessivos governos de esquerda, com destaque para os de Mário Soares, terem arruinado o país, levando-o ao limiar da bancarrota, salva in extremis com a intervenção do estrangeiro, mormente do FMI, os portugueses estavam fartos dessa esquerda.
O então presidente da República, Ramalho Eanes, promoveu então publicamente uma "serena reflexão sobre a revisão constitucional" que se impunha.
O PSD de Sá Carneiro, logo em Janeiro de 1979 mostrou publicamente o seu projecto de revisão constitucional, intitulado "Uma Constituição para os anos 80",  como o O Jornal escrevia em 2 de Abril de 1980.
Em Dezembro de 1979 a Aliança Democrática tinha ganho as eleições intercalares com mais de 45% dos votos expressos e em Outubro de 1980 realizar-se-iam novas eleições, essas sim com efeito constitucional porque iriam permitir a revisão que se operou em 1982.
O projecto de Constituição de Sá Carneiro teria sido elaborado por Marcelo Rebelo de Sousa e Margarida Salema. Faculdade de Direito de Lisboa, portanto.

E o que diziam então os partidos de esquerda? Que não era preciso qualquer revisão, tudo estava muito bem como estava. O PS de Almeida Santos vituperava a Constituição fascista...

Em Setembro de 1980 voltava a falar-se na Constituição e o Jornal de 23 9 80 apontava um artigo de Santanta Lopes sobre a revisão constitucional ao mesmo tempo que o indicava como sendo o "autor do   projecto de revisão constitucional do PSD, por indicação de Sá Carneiro". Duvido que fosse, mas enfim.


O mesmo número de O Jornal apresentava um resumo dos principais problemas constitucionais a resolver:


Havia um problema com esta revisão: a mentalidade de esquerda, dominante em Portugal e muito bem explicada por um dos seus próceres de então, um bluff político e intelectual, João Cravinho.


E que fazia então o nosso Machete, recuado na Faculdade de Direito desde o tempo em que Sá Carneiro apareceu a impor uma ideia nova no partido, que levou ao desmembramento e criação da ASDI ( Sousa Franco, Sérvulo Correia, etc) ? Começava a despontar...e Sá Carneiro morreu em Dezembro de 1980. Machete depois foi ministro. Aliás, já o tinha sido no VI governo provisório. Depois até presidiu a comissões de revisão constitucional em 1989 e 1992. Agora continua ministro. E foi mais coisas. Muitas coisas. Demasiadas coisas. Portugal tem o dever de enunciar e nomear quem o conduziu a mais esta bancarrota. Machete perfila-se como nome proeminente a indicar.


Como é sabido a revisão constitucional de 1982 foi apenas um remendo democrático.Tudo o que era essencial ficou como dantes, apenas tendo mudado o quartel-general. Em 1989, na segunda revisão, o PS lá deu o agréement para se mudar algo essencial, mas ficou quase todo o penduricalho de esquerda que o PS reservou como garantia.
Até hoje. Uma boa maioria diz que não é preciso mexer na Constituição porque patatipatata. Pois não. A culpa é dos juizes do Constitucional..."

Finalmente, pergunta-se: quem foi o verdadeiro garante do imobilismo constitucional durante estas décadas? Eu respondo. O PS! Só e apenas. E continuam na mesma...

segunda-feira, março 09, 2026

As imagens dos outros à disposição na internet

 O Correio da Manhã em boa hora tomou mais uma iniciativa editorial de publicar imagens de outrora, acompanhando as publicações que decorrem desde 7 de Março a 19 de Abril de um "livro de recordações a pensar nos portugueses de todas as idades".

Anunciada assim:


Pois bem, comprei a edição do jornal do passado dia 7 e que vinha com o tal livro que é este:


Com esta ficha editorial:


Folheando, reparo que a foto sobre o Zip Zip que aparece num número da revista Flama nem sequer identificado ( é o número de 6 de Junho de 1969)  é ..."minha". Quer dizer,  a revista da qual foi extraída a foto é minha e fui eu quem realizei o scanning em boa resolução. Publiquei-a aqui, neste blog, em 2019. 

Ora aqui está o original deste blog:


O livrinho tem esta foto...e nem sequer disfarçaram o recorte fotográfico. 


...que é obviamente a mesma. A seguir ainda tem outra sobre o festival de Vilar de Mouros e o raríssimo folhete de anúncio ao mesmo. 

Publiquei-o aqui neste blog, em 2011 e a foto original é esta:


O livrinho tem esta foto...que tem uma mancha escura no fundo, tal como na original e o rebordo superior está obliterado tal como o original. 


...pelo que obviamente é a mesma. 

Nada disto tem grande importância porque as imagens estão disponíveis na internet e por isso livres para quem quiser aproveitar. No entanto, todas têm uma fonte, uma proveniência e não vejo nos créditos da "ficha técnica" a menção ao lugar de onde provieram essas e...outras. Gostaria de ver. 

Para além de deontologicamente dar mau aspecto a quem produz estas coisas, os leitores ficam sem saber de onde vêm estas imagens e apesar de a internet ser uma coisa etérea, elas não caem do céu...

Enfim, jornalismo português. 


segunda-feira, fevereiro 09, 2026

Um socialista, com certeza...

 Observador:



Segundo o Observador, muito solícito, é um fato muito barato...

um valor que representa quase a metade de preços praticados por marcas de luxo conhecidas no ramo, como Zegna ou Brunelo Cucinelli. “Na Canali, sempre nos esforçamos para preçar os nossos produtos corretamente, e muitos dos nossos clientes retalhistas acreditam que este é o nosso momento, a oportunidade de aproveitar ao máximo a situação atual. Para muitas outras marcas de luxo, introduzir novos preços ou novos produtos com preços mais baixos poderia ser um problema, mas, felizmente, esse não é o caso da Canali”, assinala o CEO da marca.

Contudo, Canali pondera. “Acredito que existe uma espécie de ‘vergonha do luxo’ que surgiu por diferentes razões em diferentes países”, afirma o CEO da marca. “Muitos consumidores, independentemente da sua riqueza, sentem que não faz sentido comprar artigos com preços exorbitantes; acreditam que certos preços se tornaram absurdos e não conseguem associar o valor recebido ao preço.”





Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso