domingo, 8 de dezembro de 2019

Jornalismo de investigação...em Portugal?

CM de hoje.
Primeiro o artigo de Eduardo Cintra Torres que relata uma ignomínia dos sem-vergonha do costume que se dizem jornalistas mas na verdade são apenas rafeiros do poder instalado e que lhes garantiu posto e renda:


Não são certamente deste tipo de jornalistas de que se fala a seguir, mas sim a sua antítese e que envergonham toda uma classe. Não vai ser o poder que os escorraçará do posto que ocupam, mas apenas a qualidade do escândalo que provocaram. Se for ampliado pelos media estão irremediavelmente perdidos. Se forem acaparados pelos restantes jornalistas da mesma espécie, ficarão a salvo. Aliás, é com isso que contam. Veremos como será, mas as perspectivas não são favoráveis à decência.

Estes jornalistas que seguem são a nata do jornalismo de investigação que temos. Cada um deles escreveu artigos e alguns deles livros sobre os poderes corruptos da nossa sociedade política e não só.
Fizeram-no quase sempre com respaldo em trabalhos alheios, mesmo no caso de José António Cerejo ( um das suas investigações, no Público de José Manuel Fernandes,  versou sobre o percurso académico anedótico de José Sócrates, coisa que fora exposta dois anos antes por um blogger, António Caldeira, perseguido judicialmente por isso mesmo).
António José Vilela tem as suas fontes judiciárias e explora o filão das violações de segredo de justiça, por vezes. Raramente aparece algo que seja original ou inédito. Ainda assim é dos poucos que se atreve a publicar o que outros omitem, sobre determinados poderes e podridão política de quem manda e tem poder para tal.

Sandra Felgueiras é ao contrário: explora por sua conta e risco determinados factos e por vezes espalha-se numa densidade precária e uma insegurança factual e sólida, mas arrisca. Tem valor por isso mesmo, mas lembro-me sempre da mãe...apesar do dr. Oliveira.

Felícia Cabrita é um pouco precipitada e demasiado convencida de coisas que podem não ser verdadeiras. É perigosa por isso mesmo porque não tem dúvidas e raramente se engana, como o outro. É o principal defeito, uma obstinação em aparências.

Eduardo Dâmaso não é propriamente um repórter de investigação mas tem um acervo de contactos e conhecimentos que lhe permitem conhecer a realidade para além das aparências e apoia o jornalismo que daí nasce, mormente no grupo do Correio da Manhã.
É imprescindível, neste contexto em que tal grupo aparece como sendo o único, em Portugal, capaz de mostrar tal realidade que foge das aparências que o grupo de Proença de Carvalho  da RTP ou mesmo dos cretinos do Expresso querem apresentar.

Fatalmente o jornalismo desses grupelhos de interessados pelo poder e rendas correspondentes, portanto de  fantasia para entreter, está em crise e querem à viva força que o Estado os sustente, contando com os fretes que estão prontos a assumir, sempre. O poder desse Estado apenas está à espera de um pretexto favorável para lhes fazer a vontade, porque também é do seu interesse.

A RTP e esta tal Flor Pedroso é apenas a última manifestação desse cancro democrático.



33 vítimas de violência doméstica...outra vez?!

CM de hoje:


A conta soma e segue, apesar de terem sido já contadas 33. Não percebo esta contabilidade, de rigor jornalístico de pente grosso, mas é facto que ultrapassa já a do ano passado. E o ano ainda não acabou...

O Observatório apócrifo mai-la APAV vão ter muito que estudar para entender este fenómeno. A notícia nada diz sobre ameaças denunciadas às autoridades, que sirvam para justificar aumento de medidas de repressão, com ainda mais medidas de protecção a vítimas potenciais, mas com total desprezo para com estes homicidas ocasionais.

Não entendem e a meu ver nunca entenderão...

sábado, 7 de dezembro de 2019

A prova indirecta que trama mentirosos

Sol de hoje, artigo de José António Saraiva, sobre o que deve ser o senso comum no caso de José Sócrates:



Vejamos alguns tópicos sobre o valor da prova indirecta em processo penal em que o juiz Ivo Rosa não pode alegar deconhecimento ou obliterar entendimento:

Na nomenclatura do Código de Processo Penal (art. 127º), a entidade competente aprecia a prova segundo as regras da experiência e a livre convicção, salvo quando a lei dispuser diferentemente. A livre apreciação é, então, o princípio máximo, base e transversal de prova, que rege no processo desde o início deste. Ele “vale para todo o decurso do processo penal e para todos os órgãos da justiça penal”.
(...)
Nas lições escritas em 1975, Figueiredo Dias, realça a “deslocação do fulcro de compreensão do próprio direito das normas gerais e abstractas para as circunstâncias concretas do caso”. Ensina que livre apreciação significa ausência de critérios legais préfixados e, simultaneamente, “liberdade de acordo com um dever – o dever de perseguir a chamada verdade material – de tal sorte que a apreciação há-de ser, em concreto, recondutível a critérios objectivos e susceptíveis de motivação e controlo”.5 Não poderá tratar-se de uma convicção puramente subjectiva ou emocional. Curando-se sempre de uma convicção pessoal, ela é necessariamente objectivável e motivável. Esclarece ainda Figueiredo Dias que a verdade que se procura é uma verdade prático-jurídica, resultado de um convencimento do juiz sobre a verdade dos factos para além de toda a dúvida razoável. 
(...)
 O Tribunal Constitucional tem afirmado o princípio da verdade material como valor constitucional, e uma justiça material baseada na verdade dos factos como valor indisponível.12 Mas a verdade material que se pretende alcançar no processo, através das provas livremente apreciadas, é uma verdade pratico-jurídica.
No acórdão do STJ de 06-10-2010, relatado por Henriques Gaspar, afirma-se que “a verdade processual, na reconstituição possível, não é nem pode ser uma verdade ontológica. A verdade possível do passado, na base da avaliação e do julgamento sobre factos, de acordo com procedimentos, princípios e regras estabelecidos. Estando em causa comportamentos humanos da mais diversa natureza, que podem ser motivados por múltiplas razões e comandados pelas mais diversas intenções, não pode haver medição ou certificação segundo regras e princípios cientificamente estabelecidos.
Por isso, na análise e interpretação – interpretação para retirar conclusões – dos comportamentos humanos há feixes de apreciação que se formaram e sedimentaram ao longo dos tempos: são as regras da experiência da vida e das coisas que permitem e dão sentido constitutivo à regra que é verdadeiramente normativa e tipológica como meio de prova – as presunções naturais.”
Também no acórdão do TRL de 13-02-2013, relatado por Carlos Almeida, se desenvolve: “Nas questões humanas não pode haver certezas…
Também não se pode pensar que é possível, sem mais, descobrir “a verdade” .(…) A reconstrução que o tribunal deve fazer para procurar determinar a verdade de uma narrativa de factos passados irrepetíveis assenta essencialmente na utilização de raciocínios indutivos que, pela sua própria natureza, apenas propiciam conclusões prováveis. Mais ou menos prováveis, mas nunca conclusões necessárias como são as que resultam da utilização de raciocínios dedutivos, cujo campo de aplicação no domínio da prova é marginal.
O cerne da prova penal assenta em juízos de probabilidade e a obtenção da verdade é, em rigor, um objectivo inalcançável, não tendo por isso o juiz fundamento racional para afirmar a certeza das suas convicções sobre os factos. A decisão de considerar provado um facto depende do grau de confirmação que esses juízos de probabilidade propiciem.
Esta exigência de confirmação impõe a definição de um “standard” de prova de natureza objectiva, que seja controlável por terceiros e que respeite as valorações da sociedade quanto ao risco de erro judicial, ou seja, que satisfaça o princípio in dubio pro reo.

(...)

A prova indirecta determina especiais exigências de fundamentação. Nas várias classificações das provas, a distinção mais importante segundo Taruffo, é a que distingue entre provas directas e indirectas.
Seguindo de perto este autor, a distinção assenta na conexão entre o facto objecto do processo “e o facto que constitui o objecto material e imediato do meio de prova”. “Quando os dois enunciados têm que ver com o mesmo facto, as provas são directas”, pois incidem directamente sobre um facto principal. “O enunciado acerca deste facto é o objecto imediato da prova”. “Quando os meios de prova versam sobre um enunciado acerca de um facto diferente, acerca do qual se pode extrair razoavelmente uma inferência acerca de um facto relevante, então as provas são indirectas ou circunstanciais”. 
 Trata-se de uma distinção funcional que depende da conexão entre as provas e os factos. Indirectas podem ser quaisquer provas, obtidas por qualquer meio.

(...)

Também Santos Cabral, em estudo sobre a prova indiciária e a sua valoração,24 conclui: “As regras da experiência ou regras de vida como ensinamentos empíricos que o simples facto de viver nos concede em relação ao comportamento humano e que se obtém mediante uma generalização de diversos casos concretos tendem a repetir-se ou a reproduzir-se logo que sucedem os mesmos factos que serviram de suporte para efectuar a generalização.
Estas considerações facilitam a lógica de raciocínio judicial porquanto se baseia na provável semelhança das condutas humanas realizadas em circunstâncias semelhantes, a menos que outra coisa resulte no caso concreto que se analisa, ou porque se demonstre a existência de algo que aponte em sentido contrário ou porque a experiência ou perspicácia indicam uma conclusão contrária” .

Tudo isto se aplica ao conteúdo do artigo do Sol, da autoria de um paladino do senso mais chão. Por vezes a roçar a ingenuidade mas desta vez com evidências lógicas que resistem a provas directas...

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

A nossa pobreza é de esquerda que aliás se orgulha do feito...

CM de hoje em que indica as entidades mais ricas do país.  A mais rica é uma família, a do falecido Américo Amorim. A fortuna advém da "Corticeira Amorim" e da "Galp" que nem sequer lhe pertence porque é activo disperso por outros.
A seguir aparece a família do Pingo Doce. Depois, com menos de metade da fortuna, um tal Vítor Ribeiro e família, da área de construção civil.

São estes os ricos que temos e que evidentemente não tem dinheiro para mandar cantar um cego nas grande empresas que foram nacionais e agora são estrangeiras. Quem não entender isto parece-me que não entenderá o país.


Somos pobres e quem nos empobreceu não precisa de apresentações detalhadas porque são sobejamente conhecidos: o PS e a Esquerda em geral, incluindo um certo PSD ( o de Rui Rio...) que decapitaram a indústria nacional há um pouco mais de 40 anos e nunca admitiram a recuperação "capitalista" que nos permitiria a criação de riqueza mais sólida e o aumento destes milionários em vez dos de capoeira que temos.
Foi neste meio que vicejou um BES/GES e fatalmente lhe sofreu os efeitos, desfazendo-se em corrupção e  jogadas de bastidores pouco dignas com angolanos e outros arrivistas de circunstância.
A história da derrocada não tem muitos anos...porque o grupo nem sempre foi aquilo em que se tornou. Em 1989, no início da reconstrução não era assim, embora os germes lá estivessem:


Depois, tudo passou por aqui, por esta casa bem conhecida do actual presidente da República Sábado 20.5.2005):


O recorte destas figuras mostra bem o que fomos e continuamos a ser: pobretanas, desonrados e miseráveis, moralmente. De quem a culpa disto? Dos mesmos que enunciei acima e de quem neles votou, o povo que lhes deu maiorias eleitorais para fazerem isto que está à vista e destruiu a esperança que um país legitimamente deve ter.

Só falta aqui um que aliás já nem aparece no elenco dos actuais ricos: Belmiro de Azevedo e família, com destaque para a finória que dirige o investimento no Público, jornal de suporte desta cangalhada ideológica.
Esse ficou fora da jogada que os quatro à direita, na foto, prepararam. Com ajuda de poderes instalados e propícios.



Tudo isto começou em 1975, com um ataque feroz "aos milionários". Com um governo de esquerda, de pendor comunista e que não mudou o regime porque não conseguiu. Em 25 de Novembro de 1975 foi impedido, mas tentou.
Eram estes os líderes, segundo o livro  "O ataque aos milionários", de  Pedro Jorge Castro:



Esta imagem, do mesmo livro mostra os demais protagonistas. Os de cima, à esquerda são dois socialistas de gema democrática, antifassista que se aliaram naturalmente àqueles. O primeiro, já falecido era o "decano" dos economistas do PS, um dos pais das bancarrotas a que tivemos direito por obra e graça daqueles. O outro logo a seguir é um advogado de sucesso na actualidade, daqueles que asseguraram o futuro e mandam nas leis e interpretações adjacentes, como os sérvulos e demais gente da advocacia de certos negócios em que o Estado está quase sempre presente.

Abaixo, Champalimaud, então a "sétima fortuna da Europa" e que tendo sido espoliado, reconstruiu a fortuna, veio para cá e deixou uma fundação que é o que a de um certo Mário Soares nunca poderia ser...mas que não deixa de ser o paradigma do socialismo: viver com o dinheiro alheio, enquanto dura.


O "ataque" em prol do empobrecimento geral do país, motivado pela Esquerda e com a ideia de enroquecimento que lhe é característica consistiu nisto, com fonte insuspeita ( os trostskistas que escreveram o livro, com destaque para fra Louçã, o filho do comandante acagaçado num barco de guerra, ao largo do Terreiro do Paço, em 1974...):



A verdadeira origem da nossa miséria actual está aqui explicada e espelhada. Haja quem desminta.

O que deu este "ataque aos milionários"? Simples, deu nisto, noticiado dez anos depois:

O grandes gestores nacionalizados, nossos, deram com os burros na água e provocaram duas bancarrotas, com reflexo mais tarde na terceira. Foram bancarrotas porque obrigaram o país a recorrer e empréstimos externos muito gravosos que empobreceram todos os portugueses e conduziram a que os actuais ricos sejam aqueles acima identificados. Não há outras razões para tal, por muito que se esforcem os autores daquelas façanhas por desmentirem os factos ou aldrabarem as razões.



Ao falhanço rotundo na modernização económica chamaram-lhe "elefantes brancos"...dez anos depois do 25 de Abril de 1974, como se nada tivessem a ver com o assunto:


Um dos fautores ideológicos desta tragédia colectiva é um indivíduo, do PS que passa por sábio e é, a par de um tal Vítor Constâncio,  uma das maiores misérias intelectuais que há no país, por uma razão: faz tudo por bem e só provoca males maiores:


E porque é que o PSD é co-responsável desta miséria nacional? Por isto, sucintamente, aqui num artigo do Expresso de 1989:



Poderia ter sido de outro modo? Claro que podia! Até havia quem o dissesse, sempre, sem tergivesações. O problema é que a pessoa não era de esquerda, não estava enfeudada aos interesses entretanto instalados e foi sempre ignorado. Este aviso, no Semanário então também dirigido pelo actual presidente da República, é de 1.3.1986, antes das eleições presidenciais que deram a vitória ao
 (a)fundador Mário Soares:


O que ficou de tal "ataque" de repercussões históricas? Já foi escrito, pelo jornal do regime instalado, logo em 1989, altura em que ainda haveria algum remédio possível:




Mas não foi possível, porque os interesses instalados dos tais gestores nomeados pela Esquerda conluiada, conduziu a um impasse que durou décadas e destruiu quase tudo à nascença e por mediocridade garantida à Esquerda:


Um antigo marcelista,  vinte anos depois do 25 de Abril e reconvertido às delícias dessa gestão,   explicava no Público, dirigido então por outrém que não a cambada que lá está agora, o que acontecera:



E quem foram os herdeiros desta miséria forjada pela Esquerda que temos? Naturalmente, indivíduos de esquerda...pudera!  É comparar...olhando o grupo de pindéricos que surgiu por causa disto tudo:




Para além disso que não é pouco e significa a tragédia shakespereana do nosso país que "deu novos mundos ao mundo", ainda houve mais esta, de significado ainda mais retumbante e duradouro. Aliás e possivelmente a maior tragédia de todas e que ainda perdura e continua, com esta Esquerda miserável:


Tudo isto tem sido apresentado neste blog ao longo dos anos, no sentido da compreensão destes fenómenos.

Aliás, para compreender uma boa parte disto bastaria ler estes livrinhos relativamente recentes:



Finalmente é minha convicção que a direita portuguesa, se existe, não irá a lado algum politicamente relevante enquanto não desfizer os mitos da sociedade portuguesa, inventados por essa Esquerda, nomeadamente os que dizem respeito a estes assuntos.

Enquanto não se denunciar claramente e com argumentos relevantes e aceites pela maioria de quem vota, esta tragédia nacional que aconteceu e quem foram os seus autores, a direita ficará sempre pela miséria de votação que tem.

ADITAMENTO em 7.12.2019:

O Sol de hoje traz um artigo sobre o que sucedeu com algumas empresas do grupo GES/BES, nomeadamente as seguradoras. Na altura da "resolução" apareceu a liderar o processo um tal Vítor Bento que então aparecia muitas vezes na tv a perorar sobre economia e assuntos paralelos. Tornou-se uma star, cuja careca ficou bem à vista depois disto:


Isto faz lembrar o que aconteceu com aqueles "elefantes brancos" de há trinta anos e que engordaram nos dez anos anteriores até se tornarem insuportáveis na espelunca em que Portugal se tornou, por mor dos "gestores" que tivemos. Um deles que lembra este era um tal Sousa Gomes, muito versado em política e que acabou a acaparar o padrinho destas bancarrotas todas, Mário Soares.

Enfim, uma desgraça, uma tragédia que se repete quando se deveria ter aprendido melhor.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

De catamaran para burro...

Observador: 



Just a boy...giving it all away


Observador:

O ministro do Ambiente e da Ação Climática, João Matos Fernandes, nomeou para o seu gabinete um técnico especialista com apenas dois meses de experiência profissional. Trata-se de Gonçalo Martins dos Santos, que, na nota curricular já publicada em Diário da República, apresenta como experiência o facto de ter sido “analista fiscal da Deloitte & Associados, SROC, S. A.” — mas apenas de “setembro a outubro de 2019”. Ou seja: apenas nos dois meses que antecederam imediatamente a nomeação.

Fonte oficial do Ministério do Ambiente, após ser contactada pelo Observador, justificou a escolha, dizendo que que as “áreas de especialidade aferem-se não só pela experiência profissional como também na área de formação, no caso em fiscalidade“. De facto, além de licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, Gonçalo Martins dos Santos, como destaca a mesma nota curricular, frequenta o mestrado em Direito Fiscal. Mas esse grau — que, segundo o ministério, compensa a ausência de experiência — ainda não está terminado (o aluno encontra-se a preparar a tese).

Gonçalo Martins dos Santos — que remeteu esclarecimentos para a resposta do ministério — tem mais algumas formações complementares. Tem uma pós-graduação em Corporate Governance no Centro de Investigação de Direito Privado da FDUL (que durou 5 meses), mais direcionado para a matéria fiscal, e apresenta no currículo um “curso breve em Digital Taxation, pela Universidade Católica Portuguesa”, um curso que tem a duração de cerca de 14 horas.

O novo técnico especialista não colocou no currículo a experiência associativa, mas presidiu a uma das mais importantes associações de estudantes do universo académico de Lisboa. No ano letivo 2017/2018, foi presidente da Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, organização que, no passado, foi presidida por figuras como Jorge Sampaio, Durão Barroso e Pedro Santana Lopes
.

Confesso que ao ler esta notícia com semelhante currículo me acorreu à memória uma canção de Roger Daltrey, de 1973. 
Foi um single da época, de sucesso, cuja letra apenas refere a natureza perdulária da juventude. Claro que é o oposto deste caso singular, mas a música perdura: "just a  boy". Um rapazola...deste chuchialismo de estado.
E no entanto talvez não seja assim tão despropositada, a letra. Afinal, o rapaz,  desistiu da "luta"...e entregou-se ao estado deste Estado.



O rapaz tem sítio da rede de ligações e conta já com várias centenas de contactos. É já um "sistema".





terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Insultos à inteligência comum...

Daqui, sobre a audição parlamentar da gente da RTP sobre a  supressão temporária de um programa muito desagradável para o governo socialista, em época eleitoral...



Toda a gente entende que esta senhora Flor Pedroso, familiar de socialistas e colocada a presidentear um departamento na RTP,  por quem manda na estação e a tutela, está a dizer a verdade: não foi preciso pressioná-la para coisa nenhuma. Ela sabia perfeitamente o que devia fazer. E fez...

Daqui sobre outras pressões...


Esta senhora foi designada para presidenta da Fundação Luso-Americana, em 2010,  por quem? Pelo então primeiro-ministro José Sócrates...

Também nunca precisou que a pressionassem. Ou daí...talvez, mas enfim.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

A prova indirecta no processo Marquês

No CM de hoje há três factos que integram a prova indirecta, insofismável quanto ao significado real e valor inerente sobre o que está em causa no processo Marquês, ou seja a corrupção do antigo primeiro-ministro. Tais factos resultam do depoimento de um co-arguido, precisamente aquele que aparece como "testa de ferro" e intermediário no esquema de corrupção, Carlos Santos Silva, também envolvido no mesmo.

O primeiro facto é o de ter afirmado nada saber sobre a existência de um documento em que se declara que no caso da sua morte, a parte mais substancial da fortuna de que é titular, 80%, passaria para a titularidade de um primo de José Sócrates, que aliás tinha sido outro intermediário naqueles esquemas, antes de se tornar público o seu envolvimento no caso Freeport, José Paulo Pinto de Sousa.



O segundo facto tem a ver com a circunstância de pagar os descontos para a Segurança Social do então motorista (!) de José Sócrates. Disse que não sabia nada disso.


O terceiro facto está relacionado com a circunstância de o antigo primeiro-ministro deter na sua posso, desde sempre, um quadro, uma pintura a que foi atribuído o valor de  várias dezenas de milhar de euros e que fora adquirido pelo mesmo Carlos Santos Silva. Justificação: o quadro era seu mas era muito do "agrado" do arguido José Sócrates e por isso foi para casa deste. Quando é que foi parar a casa do mesmo? Não sabe porque não se lembra.

Estes três factos a que se junta uma miríade de outros constituem a chamada prova indirecta. São factos cuja realidade não permite outra interpretação, segundo as regras da experiência comum, que as normais, aceitáveis para toda a gente, incluindo um juiz de instrução.
Afirmar o contrário e desligar tais factos de tal interpretação é simplesmente estulto e representa autêntica denegação de justiça.

Na mesma edição do jornal um editorial relata a discriminação dos jornalistas do CM e grupo editorial ( centenas de profissionais) e afastamento dos mesmos de um debate organizado pelo Sindicato dos Jornalistas a propósito de "desafios que enfrentam os media".


Apesar das grandes reservas que me colocam os artigos assinados pela jornalista do "pente fino" e outros a propósito de factos que são manipulados para acondicionar o sensacionalismo informativo,  desvirtuando a realidade, devo dizer que o CM é o jornal que compro, regularmente para ler o que se passa no país, quanto a fait-divers e pouco mais.
Quem quiser fazer um retrato do Portugal actual tem neste jornal um espelho que lhe devolverá alguma fidelidade nessa imagem real e em tempo real, diário.

O jornal não integra interpretações dessa realidade, através de comentários adequados, omite algumas, censura outras e condiciona alguma informação, como no caso dos episódios de violência doméstica que decidiu relegar para páginas interiores eventualmente com bons propósitos. Tem ainda alguns "colunistas" que não prestam para nada porque dizem banalidades ou escrevem irrelevâncias, mormente em assuntos de justiça, como é o caso de Rui Pereira, a maior parte das vezes e um tal Pedro Mourão, juiz de direito e representante de um sistema de justiça, a nível de tribunais superiores, que não deveríamos ter.

Enfim, não se pode ter tudo mas o balanço não pode deixar de ser positivo.

Quem discrimina tais jornalistas está objectivamente a prestar uma homenagem do género que o vício presta a uma certa virtude...e o pior é que o fazem por motivos estritamente ideológicos. De esquerda, claro está. Comunista, por supuesto e socialista por vocação.

Depois lamentam estar na falência...

ADITAMENTO em 3.12.2019

Continua a mostra de prova indirecta no CM de hoje:


E continua a diatribe do seu director com o Sindicato dos Jornalistas:

O teor do editorial refere-se a uma resposta da presidente do SJ ao editorial de ontem. Não vi tal resposta em lado algum, no sítio do Sindicato.
Porém, vi o cartaz que anunciava a Conferência que ainda decorre, hoje, sobre a problemática do financiamento dos media.

Palestrantes de ontem e de hoje:



Pela amostra de ontem se pode ver o grã refinamento do pessoal que lá foi dizer algo sobre o financiamento dos media.

Afonso Camões está apresentado há muito, muito tempo. É "o Coiso"...que José Sócrates indirectamente mandou para o JN e por lá ficou porque o Proença, da Coisa, manteve-o.

Ricardo Costa, da SIC também tem apresentação de luxo. É o cretino de serviço no Expresso e edições adjacentes.

Sérgio Figueiredo, nem se fala...mas, será mesmo isto um jornalista?  É que não parece nada.

Manuel Carvalho...mais palavras para quê?!

O resto dos palestrantes da "mesa redonda" são representantes do jornalismo conformista que nunca por nunca atentarão contra aqueles. Não lhes compete desmascarar a mordaça que os tenta condicionar, chamando-lhes fascistas, de extrema-direita e outros mimos, com o alto patrocínio do Sindicato deles.

Prova? Hoje aparece um "ex-eurodeputado" ( !) para falar. É o do Livre, o Tavares da Joacine. Who else? Já foi crismado por um leitor de livros como o fundador de um "partido de esquerda não marxista"...o que é uma bela piada tipo Groucho Marx.

domingo, 1 de dezembro de 2019

Creedence Clearwater Revival, maiores que os Beatles...em 1969

O postal que segue baseia-se noutro que aqui escrevi há uma dúzia de anos e versa sobre um grupo americano essencialmente do final dos anos sessenta do século que passou, os Creedence Clearwater Revival.

Nos EUA, há 50 anos,  este grupo era porventura o mais famoso e até vendia mais discos que os Beatles.
O ano de 1969 foi dos mais importantes na música popular o que já é reconhecido há muito, como mostra esta edição da Guitar World de Junho de 1999.


Nesse ano o grupo publicou três discos grandes, lp´s, cujos singles foram sucessos nas tabelas de venda de todo o mundo.

Os discos eram estes, na edição original da Fantasy Records americana. A edição original destes lp´s não estava disponível em Portugal na época, a não ser para quem viajasse para os EUA e lá os comprasse. Era esse, aliás, um dos modos de alguns terem acesso a estas obras originais que suplantam as edições locais e de outros lados, incluindo as edições inglesas.
Nos anos oitenta consegui arranjar edições espanholas destes discos, cujas prensagens deixam muito a desejar relativamente a estas, muito superiores no equilíbrio dos sons e clareza de reprodução dinâmica, para não falar nas próprias capas, cujo cartão é de outra consistência, mesmo na impressão cromática:



Actualmente, porém, será possível adquirir todos os discos do grupo em lp´s com uma qualidade idêntica ou eventualmente superior aos próprios originais ( já testei tal diferença com o disco Pendulum). E aparecem numa caixa...com um preço adequado à qualidade oferecida. Mas para tal será preciso procurar algures que não no sítio original que indica a indisponibilidade do produto...





Born on the Bayou, contendo o single por excelência, do grupo, Proud Mary, saído em Janeiro de 1969, assim recenseado pela revista Guitar World em número especial de Junho 1999:




Green River, em Agosto de 1969 e que continha as músicas do single  Bad moon rising e Lodi. Os Creedence estiveram em Woodstock.





E Willy and the poor boys, em Outubro de 1969



A revista Uncut de Fevereiro de 2011 resumia claramente: maiores que os Beatles...



Em Portugal também eram figuras de sucesso. Este é um single de 1969 editado por cá:



Nessa altura o Jornal de Notícias, mesmo com lapsos de escrita trazia essa mesma foto, que recortei.




A revista Mundo da Canção, lançada em final de 1969 deu-lhe atenção em  Setembro de 1970, no nº 10:




A revista americana Rolling Stone deu-lhe a capa em 21.2.1970:



Porém, em 5.4.1969 já tinha traçado um perfil do grupo, num escrito de Ben-Fong Torres:



   O primeiro Lp do grupo saira em Junho de 1968, intitulado simplesmente CCR. Continha a canção Susie Q, de Dale Hawkins e que começa de modo suave, com uma pequena frase de guitarra , com meia dúzia de notas que se repetem ao longo da canção e marcam um ritmo hipnótico, que porém nada tem a ver com as composições psicadélicas em voga nessa altura. Contém um pequeno efeito, no meio da canção em que entra a voz de John Fogerty, como se fosse transmitida por telefone. Em entrevista à Rolling Stone nº 649 de 4 Fev. 1993, J.F. dizia que lamentava ter inserido essa parte na canção, mas que foi a primeira canção de sucesso do grupo.
Os CCR foram o primeiro grupo de que gostei, na música popular. Mais que os Beatles, na época. 

Em 1969, a canção Proud Mary do LP Bayou Country, tornou-se um refrão de todos os dias: “rollin, rollin, rollin on the river...”
 Foi só essa, mas era o bastante para nunca mais despegar. A canção tinha uma característica que se repetiria noutras do grupo: a rítmica férrea, o tempo médio, com variações seguidas e em cascata que pareciam evidentes, e que eram sublinhadas pela bateria de Doug Clifford e pelo baixo de Stu Cook. A canção começa logo com uma dessas batidas em cascata e a meio, logo a seguir ao refrão, muda o tom e tem outra variação que sublinha a beleza da música simples, de sol e do, que um grupo composto por duas guitarras , uma ritmo e outra lead, a que se junta a guitarra baixo e a bateria, pode atingir.
O grupo era liderado pelo fundador John Fogerty, nascido em 1945 que além de compor quase todas as canções, produzir e arranjar as músicas, tocava guitarra solo e cantava como poucos na música rock. A voz, só por si, era um documento da vocalização rock.
A música dos CCR, em si, é um expoente do rock n roll, e nas palavras de Greil Marcus, nas notas do disco Chroniclebest of publicado em 1976, há pelo menos quatro canções nesse disco que literalmente o definem como uma forma musical e uma versão do espírito americano: “Proud Mary”; “Green River”, “Fortunate son” e “Up around the Band”. Cá por mim,, talvez se acrescentassem mais algumas: “Bad moon rising” de Green River; “Down on the corner” de Willy and the poor boys”; “Looking out my Back Door”, “Who´ll stop the rain” e “Long as I can see the light”, de Cosmo´s Factory; “Have you ever seen the rain”, um grande êxito e ao mesmo tempo uma canção que atravessou os anos como um clássico da música pop e que faz parte do disco Pendulum de Dezembro de 1970 que também continha Hey Tonight e Hideaway.

Have you ever seen the rain é uma daquelas canções que marcaram indelevelmente o gosto pela música pop. O tema é anódino: fala de chuva a cair num dia de sol, e metaforicamente de alguma coisa que pode correr mal quando tudo parece estar bem. Toca-se no tal ritmo médio e a variação sublinhada pela secção rítmica, de batida certa, sendo quase acústica e com um fio de órgão que acompanha a voz única de John Fogerty. É definitivamente uma canção de rara felicidade musical e está certamente entre as dez mais de toda a música pop, para mim.

Segundo John Fogerty, na entrevista já citada, um disco de rock n roll, feito como deve ser, deveria conter o seguinte: 1º, um bom título; 2º, um bom som ;3º ter pelo menos uma grande canção, que seja válida por si e possa ser cantada independentemente do disco; por último, um grande disco de rock n roll deve conter uma parte de guitarra original e apelativa e dá como exemplos, o início de Bad moon rising, Up around the bend e Born on the bayou, que contém acordes que encaixam nessa definição. É um som simples de tocar e soa bem numa pequena aparelhagem.
 Não é preciso uma grande sistema de alta fidelidade para apreciar toda a beleza da coisa. É essa a filosofia da música dos CCR, tal como definida pelo próprio génio do grupo que depois de um extenso interregno desde 72, altura em que o grupo se desfez até 1987, nunca mais tocou em público as canções antigas e que em 1973 publicou Blue Ridge Rangers; em 1975 o primeiro a solo, com o próprio nome em título e em 1985 Centerfield, a solo, seguido por último de The eye of the zombie.
A propósito da música dos CCR, as influências mais notórias radicam no rock n roll dos anos 50-60 e na música de Elvis Presley, Carl Perkins, Johnny Cash ou Jerry Lee Lewis. Por isso, o disco Green River, além do baixo eléctrico de Stu Cook, apresenta ainda em simultâneo um baixo acústico; a voz tem um ligeiro eco e a guitarra eléctrica e rítmica de Tom Fogerty, é ainda dobrada por uma guitarra acústica , tudo gravado em 16 pistas, uma inovação tecnológica para a época.
Em 1972, o grupo desfez-se por desinteligências entre os membros, particularmente devido ao facto de ser o grupo de um homem só e que impôs aos restantes membros a sua receita para o sucesso. Nessa altura, o score ia em oito singles e oito albuns de ouro, consecutivos .

E em Portugal, como é que o grupo era visto?


Na revista Mundo da Canção de Dezembro de 1970, o crítico Tito Lívio, escrevia “ CCR no limiar possível da comercialidade” , parafraseando a Rolling Stone que então já dedicara um número ao grupo (Fevereiro de 1970) e definia a música  como sendo um “rock simples, num retorno às fontes primitivas da pop, música colorida, sem problemas, jogando com o factor importante de uma voz poderosa extraordinariamente realçada. A construção das suas músicas obedece sempre ao mesmo princípio de efeitos antecipadamente garantidos: uma introdução de guitarra heavy, um trabalho vocal vigoroso, um improviso de guitarra e de novo uma parte vocal a finalizar.”

Era assim, a crítica musical nessa época. A acompanhar o texto, a fotografia a preto e branco dos membros do grupo sentados na relva, onde se destacavam as calças de ganga e as botas de cowboy, e que conferia uma imagem de marca que influenciava o gosto de quem começava a reparar nessas coisas. A foto podia ser esta:

Imagem: livreto que acompanha o disco Chronicles-the 20 greatest hits, de 1995 ( disco original de 1976).

Em 2002 a revista Guitar World Acoustic deu-lhe uma capa, de antologia: