domingo, 8 de dezembro de 2019

Jornalismo de investigação...em Portugal?

CM de hoje.
Primeiro o artigo de Eduardo Cintra Torres que relata uma ignomínia dos sem-vergonha do costume que se dizem jornalistas mas na verdade são apenas rafeiros do poder instalado e que lhes garantiu posto e renda:


Não são certamente deste tipo de jornalistas de que se fala a seguir, mas sim a sua antítese e que envergonham toda uma classe. Não vai ser o poder que os escorraçará do posto que ocupam, mas apenas a qualidade do escândalo que provocaram. Se for ampliado pelos media estão irremediavelmente perdidos. Se forem acaparados pelos restantes jornalistas da mesma espécie, ficarão a salvo. Aliás, é com isso que contam. Veremos como será, mas as perspectivas não são favoráveis à decência.

Estes jornalistas que seguem são a nata do jornalismo de investigação que temos. Cada um deles escreveu artigos e alguns deles livros sobre os poderes corruptos da nossa sociedade política e não só.
Fizeram-no quase sempre com respaldo em trabalhos alheios, mesmo no caso de José António Cerejo ( um das suas investigações, no Público de José Manuel Fernandes,  versou sobre o percurso académico anedótico de José Sócrates, coisa que fora exposta dois anos antes por um blogger, António Caldeira, perseguido judicialmente por isso mesmo).
António José Vilela tem as suas fontes judiciárias e explora o filão das violações de segredo de justiça, por vezes. Raramente aparece algo que seja original ou inédito. Ainda assim é dos poucos que se atreve a publicar o que outros omitem, sobre determinados poderes e podridão política de quem manda e tem poder para tal.

Sandra Felgueiras é ao contrário: explora por sua conta e risco determinados factos e por vezes espalha-se numa densidade precária e uma insegurança factual e sólida, mas arrisca. Tem valor por isso mesmo, mas lembro-me sempre da mãe...apesar do dr. Oliveira.

Felícia Cabrita é um pouco precipitada e demasiado convencida de coisas que podem não ser verdadeiras. É perigosa por isso mesmo porque não tem dúvidas e raramente se engana, como o outro. É o principal defeito, uma obstinação em aparências.

Eduardo Dâmaso não é propriamente um repórter de investigação mas tem um acervo de contactos e conhecimentos que lhe permitem conhecer a realidade para além das aparências e apoia o jornalismo que daí nasce, mormente no grupo do Correio da Manhã.
É imprescindível, neste contexto em que tal grupo aparece como sendo o único, em Portugal, capaz de mostrar tal realidade que foge das aparências que o grupo de Proença de Carvalho  da RTP ou mesmo dos cretinos do Expresso querem apresentar.

Fatalmente o jornalismo desses grupelhos de interessados pelo poder e rendas correspondentes, portanto de  fantasia para entreter, está em crise e querem à viva força que o Estado os sustente, contando com os fretes que estão prontos a assumir, sempre. O poder desse Estado apenas está à espera de um pretexto favorável para lhes fazer a vontade, porque também é do seu interesse.

A RTP e esta tal Flor Pedroso é apenas a última manifestação desse cancro democrático.



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