quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

A triste segunda figura institucional do Estado que temos...

Observador:

O momento aconteceu esta tarde, no Parlamento, a propósito de uma intervenção do PSD sobre a remoção do amianto nos edifícios públicos. André Ventura tomou a palavra para dizer que era “vergonhoso” haver “dinheiro para tudo”, incluindo para “subvenções vitalícias”, mas não haver dinheiro para a remoção do amianto. “Uma vergonha”, disse. Mas a meio da intervenção, o deputado do Chega foi interrompido por Eduardo Ferro Rodrigues que lhe fez uma autêntica reprimenda pelo uso excessivo da palavra “vergonha” em contexto parlamentar: “Isso ofende-o a si também”.

O presidente da Assembleia da República é a segunda figura institucional deste Estado que temos...e obviamente nunca o deveria ter sido, após o que se passou no caso Casa Pia. Mas é. Enfim, depois há estas figuras que vai fazendo de vez em quando. O PS é isto. 

Em tempos que já lá vão o que se passava na AR tinha outro encanto mais castiço. Em Março de 1980 era assim: 


Esta triste segunda figura do Estado que temos se estivesse lá nesse tempo teria metido o rabinho entre as pernas e ficaria caladinho porque nem sequer se atreveria a dizer fosse o que fosse.  

Em tempos escrevi aqui isto

Em 21.3.1980 o semanário O Jornal publicou esta transcrição que se pode ler com um clique na imagem, de um debate parlamentar sobre a "reforma agrária" que envolveu discussão na Assembleia entre Raul Rego, Sousa Tavares ( já falecidos) e António Campos. O vernáculo usado em directo e bom som vale a pena ler, porque o assunto que discutiam dizia respeito a favores e cunhas na concessão de crédito agrícola.
"filho da puta" , "animal", "escarro moral" e outros mimos eram moeda de troca nas discussões acaloradas.
Sousa Tavares, indignado por Raul Rego lhe ter dido "vá para a puta que o pariu!" e a prosseguir na senda dos impropérios, inaugurando a saga dos escarros morais. O presidente da A.R. a tentar serenar, dizendo que nada ouviu e Sousa Tavares a chamar bêbado e mentiroso a António Campos logo em seguida, para "defender a honra".
Tempos heróicos na A.R. em que ainda não havia discussões sobre os casamentos gay. Havia de ser bonito, se fosse nessa altura...

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