sexta-feira, dezembro 27, 2019

Almanaques: uma prenda com 50 anos

Há 50 anos mais ou menos neste dia comprei uma das melhores prendas da minha vida, com os 100 escudos que o meu padrinho me dera pelo Natal.

Foi esta que ainda hoje guardo com estimação:




Num dia destes de há 50 anos passei numa pequena livraria/quiosque na cidade do sítio onde vivia e deparei com esta obra no escaparate. 99$00! Uma pequena fortuna por um livro, para a época. Mas eu tinha os 100 escudos e nem hesitei porque a capa me atraiu logo.

Esse almanaque tornou-se durante o ano de 1970 uma obra de referência porque tinha quase tudo sobre o que me interessava saber de cultura geral.
Até trazia um encarte publicitário e a cores com os livros que as Seleções editavam na altura. O destaque ia para a história da II guerra mundial, em três volumes mas a preço proibitivo. Nunca os cheguei a comprar mas já os tenho visto em alfarrabistas a preço irrisório. Nem assim...hoje mais depressa compraria o "livro da estrada", com a cartografia, mapas da época.


A obra tornou-se de consulta obrigatória como "elemento de estudo" , substituindo por vezes a gramática, os exercícios de matemática, etc etc.
Era muito mais interessante estudar matérias como estas:


Para além do mais e dar conta das suas 1024 páginas com letra pequena, havia um índice remissivo com 17 páginas. Percorrer aqueles nomes todos era um exercício fascinante...ainda é.


Já tinha de algum modo descoberto o encanto dos almanaques. O primeiro tinha sido o de Sto. António, da editorial franciscana de Braga. Menos recheado e de pendor religioso, era uma bênção poder receber tal livrinho aó por volta do mês de Novembro de cada ano.


Foi então que descobri o encanto dos almanaques. Logo a seguir vi o da Bertrand, com esta capa e que tinha um recheio mais versado em charadas e pequenos contos. Não sabia na altura mas era uma publicação com décadas de tradição. A edição de 1970 tinha a coordenação de Judith de Quental e na parte astronómica o dr. António Perestrelo Botelheiro cujos apelidos me fazem algum zing.



Logo a seguir e como ainda havia à venda o almanaque de 1968, publicado dois anos antes, edição do Século e também muito bem recheado de informação de cultura geral, que aliás me pareceu um portento informativo e custava 50$00.

aqui escrevi sobre o mesmo.


No meio do livro e para marcar, este cromo da época ( nº 50 da colecção de 125, Ases do ciclismo, da Distribuidora de Publicações, Lda)  figurando um ciclista que era então um dos meus heróis. Espero que seja identificável...


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