sexta-feira, dezembro 27, 2019

Os génios da gestão bancária...

Observador, sobre o caso da mulher de um administrador de bancos, um tal Licínio que foi para a GCA gerir e ganhar isto que ali se escreve:

Não há informação exata sobre quando começou o pagamento do subsídio à mulher de Licínio Pina e o Grupo Crédito Agrícola também não clarificou. As notícias falam em 2016, ainda que o gestor tenha sido eleito presidente do grupo pela primeira vez em 2013. Certo é que ao longo dos três primeiros anos em funções (2013, 2014 e 2015) o salário anual fixo do gestor manteve-se estável: cerca de 350 mil euros brutos. O ano de 2016 coincide com o início do seu segundo mandato e é a partir daí – segundo os relatórios e contas – que a remuneração fixa de Licínio Pina começa a variar de ano para ano.

Em 2016, Licínio Pina ganhou uma remuneração fixa bruta anual de 399 mil euros, mais 100 mil euros de prémio de desempenho. No ano seguinte, a remuneração fixa saltou para 448 mil euros (com um bónus de desempenho de 96 mil euros). No ano passado outro aumento: 465 mil euros brutos fixos e um prémio de 96 mil euros.

Também não são conhecidos os contornos jurídicos da solução encontrada para o pagamento a Maria Ascensão Pina. Era um contrato de trabalho sem termo? A termo? Ou uma mera prestação de serviços? O banco pagava contribuições à Segurança Social? Sabe-se que o gestor passou a receber uma remuneração anual relevante desde que assumiu o cargo. Nos últimos dois anos foram quase mais de milhão de euros bruto anuais, incluindo prémios.

Não obstante este ordenado milionário, mesmo com o desconto devido de IRS o que andará à volta de 50%, este génio da gestão bancária entendeu que a mulher que era professora e ganharia à volta de 2000 euros por mês, como nem sequer a generalidade dos professores ganham, como deixou o emprego eventualmente de modo temporário ( licença sem vencimento?) devia ser compensada. E lá apresentou as condições que pelos vistos foram aceites pelo banco e pela "supervisão" do BdP, uma instituição caricata pelo que se tem visto noutros casos.

Qual foi o erro do tal Licínio? Justificar de modo politicamente incorrecto. Disse que precisava da mulher como apoio moral e factor de equilíbrio emocional. Uma palermice, dada como justificação, porque até pode ser verdadeira mas não pode ser dito desse modo. 
Se tivesse dito que exigia a compensação porque de facto a mulher perdia tal rendimento nada lhe aconteceria...assim suscitou a inveja e indignação postiça de denunciantes anónimos que lhe fizeram a cama. E está feita...

Citado pelo jornal Expresso, o conselho de administração executivo da Caixa Central dava no entanto outras justificações. Negando tratar-se um trabalho fictício atribuído à esposa do seu presidente, referia que a contratação como sua assessora tinha sido uma das únicas condições impostas por Licínio Pina, que então comandava a caixa de Seia, para aceitar a liderança do grupo. A esposa, até então professora numa escola local, terá perdido esse emprego quando veio para Lisboa, e passou a desempenhar as funções de assessora, dando apoio de secretariado do marido, ganhando um salário que apesar de ser pago pela instituição saia do pacote remuneratório atribuído ao presidente, o marido, e sem encargos adicionais para a CCCAM. Deixaria estas funções quando Licínio Pina abandonasse o cargo, sem direito a quaisquer compensações.

Estas condições fizeram parte do pacote de compensações negociado com a comissão de remunerações do grupo e foram aprovadas pelo conselho geral e de supervisão, então totalmente composto por membros da administração das caixas que constituem o grupo CCCAM. Contactada novamente pelo Observador, fonte oficial do Grupo Crédito Agrícola acabou por confirmar apenas a informação anteriormente prestada ao Expresso. Maria Ascensão Pina exerceu funções como assessora do presidente, de quem é mulher, tendo cessado com a eleição para o novo mandato do conselho de administração. Nenhuma das outras questões teve resposta.


O que choca neste caso é o ordenado do gestor que é evidentemente um génio. E parece que nem será muito para os padrões do sector. Com os descontos se calhar nem ganha por mês os vinte mil euros que o inenarrável ex-presidiário 44 dizia precisar para viver como se fosse da classe média...

Num país de pindéricos é assim. A ironia é que foi exactamente este tipo de génios que o puseram assim. Há-os por aí às dúzias mas não muitas. Talvez uma grosa chegue para os enumerar a todos.  Doze dúzias...

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