terça-feira, fevereiro 06, 2018

O STJ e o lugar dos ideais

Diz o CM de hoje que a juíza suspeita Fátima Galante está no STJ, com vaga à espera do que der e vier no processo em que é visada com o ex-marido Rui Rangel.

Diga-se desde já que a escolha para integrar o STJ não é feita de automatismos curriculares, mas é precedida de um escrutínio feito pelos pares em análise documental e entrevista. Muitos ficam de fora. Fátima Galante entrou e é legítimo supor que tem alguém no STJ que a apoia. Seria curioso saber quem...

Há cerca de 20 anos, Galante ( e também o então marido Rui Rangel, mas este mais na sombra e que escapou então das suspeitas concretas) foi protagonista de um caso de corrupção.
Um solicitador denunciou na altura que a juíza teria pedido dinheiro a dois advogados de uma empresa para decidir favoravelmente um processo e o teria feito através do solicitador.

O MºPº de então, composto por alguns génios, mais a PJ, igualmente coroada de genialidade estragaram a investigação criminal de modo canhestro e o STJ, no final de contas deu como não indiciado o crime  imputado à juiza, por carência de provas suficientes.

O 24 H de 17 de Outubro de 1998 escrevia assim:

Laborinho Lúcio, então representando do PGR ( e do MºPº) no STJ defendeu por escrito a indiciação da juíza e o mesmo tinha feito o acusador do MºPº Dias Borges, então PGD de Lisboa.

Dizia então na peça processual o então desembargador Carmona da Mota, actual Conselheiro ( desde 2000, mas já falecido, segundo informação recebida em comentário) que " os automóveis ocuparam o lugar dos ideiais". A citação era de um intelectual francês, André Glucksman. Se fosse hoje, não se atrevia a citar deste modo, não fossem os patrulheiros do politicamente correcto cairem-lhe em cima como cairam ao pobre juiz Neto, do Porto.

Os juizes do STJ, no entanto, fizeram boca fina aos indícios e prova indirecta e desmobilizaram a acusação. Tal deu mote para um artigo despudorado do irmão do juiz Rangel, no DN de 10.10.1998.



Esta história bem oportuna não se conta nos jornais da actualidade. Não têm memória...mas terão arquivos, particularmente o DN. O que é que custava ao jornal destacar um/a estagiário/a qualquer para a sala do arquivo e procurar as notícias que então saíram sobre estes factos e assim informar os leitores?

Custava apenas uma coisa: ter ideias e competência para dirigir um jornal.

Questuber! Mais um escândalo!