domingo, 7 de outubro de 2018

Da Plateia para o Mundo Moderno

Nos anos sessenta a televisão em Portugal revelava-se um meio muito importante de divulgação da cultura, mormente popular. Apareceram então as revistas dedicadas a esse meio, com destaque para a programação.
Em 1963 a própria RTP lançou a revista TV, dirigida por Eduardo Freitas da Costa e cujo nº 19 de 5 de Setembro de 1963 era assim:


Tinha estes apontamentos de reportagem:


E trazia esta programação semanal de tv:~


Para além disso trazia esta banda desenhada de altíssima qualidade ( veja-se o desenho dos animais) sobre as aventuras de um João d´África e cujo autor não sei quem seja. Fora de série. [ Afinal trata-se de um autor inglês, Frank Bellamy,  que desenhou a personagem Fraser of Africa, cujas aventuras foram publicadas em 1960-61, em Inglaterra na revista Eagle. O nome do autor, aliás, aparece na terceira casa desenhada]
O ilustrador Frank Bellamy, com foto tirada daqui ( é para isto que a Internet serve...e aqui até se mostra que foi ilustrador da série em papel dos Thunderbirds que passavam na tv desse tempo em animação por marionetas):




Em 1965 o tom geral da revista tinha mudado, apesar de se manter o mesmo director.

O nº 93 de 4.2.1965:


Em Outubro de 1968 surgiu a Nova Antena, cujo nº 20, de Março 1969 mostrava-se assim:



No final de 1968, em Portugal e depois da renovação do regime, com Marcello Caetano, a informação sobre cultura popular- rádio, tv, cinema, discos, teatro, etc-era relativamente escassa e a preto e branco predominante.

Essencialmente, para além da R&T aqui mostrada no postal anterior, havia também a revista Plateia, uma revistinha meia A4, propriedade de Mário de Aguiar e dirigida por Baptista Rosa.

 Em 15 de Outubro de 1968 publicou este número:



O director da publicação era mostrado assim, numa viagem a Moçambique:


Uma das secções era dedicada à crítica de rádio, com alusões aos programas e aos assuntos que os mesmos passavam.


Outra secção era preenchida com "pedidos de correspondência", uma espécie de facebook avant la lettre e que por vezes tinha quatro páginas desses "pedidos" de amizade.



Em 4.6.1968 a revista tinha publicado isto:

Os ecos de Maio de 68 em Cannes, no festival de cinema.


Um artigo sobre um pianista que morreu prematuramente e de quem este ano se volta a falar:


Uma recensão crítica, não assinada, em 6.8.1968, acerca da figura de Jimmy Hendrix, então ainda vivo.


E os desenhos de João Benamor, que poderiam ter sido publicados na Mad americana desse tempo, porque o estilo gráfico  ( Mort Ducker)  e de conteúdo são muito parecidos.


Algo estava a mudar e em 15 de Outubro a Plateia anunciava assim uma publicação:


O desenho da esquerda é de Carlos Alberto e o anúncio referia-se a esta publicação que começou a sair quinzenalmente em Dezembro desse ano:


Cine-Disco era uma nova revista das publicações Agência Portuguesa de Revistas de Manuel Joaquim Dias e era dirigida por Artur Duarte. Quem a "apresentava" era o mesmo Mário de Aguiar que estava na Plateia...

Esta revista durou alguns anos, poucos e apresentava-se assim: o "mundo moderno".



Não havia cor, ainda, mas apenas uma variação de tonalidades.

O nº 5 de 1 de Fevereiro de 1969 mostrava esta capa dedicada aos Beatles que tinham publicado no final de 1968 o álbum Branco:


Durante anos esta revista tornou-se algo mítica, para mim, uma vez que representa de algum modo a evolução social em Portugal, nestas andanças de costumes, espectáculos e artes.
Durante muito tempo procurei os primeiros números que não tinha porque na realidade só comecei a ver a revista já no ano de 1971...


Nessa altura em vez de Cine-Disco já se chamava Mundo Moderno, desde o nº 17 de 1 de Agosto de 1969.



Nesse ano de 1969 apareceu na tv um programa que se chamou Zip-Zip e se notabilizou em pouco tempo,  pela excelente imitação de programas americanos no género.

O Zip-Zip passava na RTP às Segundas-feiras à noite, tal com mostra esta programação de tv na R&T de 18.10.1969:


Tal como explicava o "pai" do programa, Baptista Rosa, ou seja o director da Plateia, em 31 de Janeiro de 1970, na revista R&T, o programa era "dele" tal como tinha sido o anterior "Horizonte" e viria a ser um outro.  Et la boucle est bouclée.


Em 1970 começava uma nova década. E um sinal era dado no número de 19.10.1969 a propósito de um filme que mostrava algo a respeito do mundo de sempre. Em Portugal era um Mundo Moderno, em forma de alteração de costumes.

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