quarta-feira, 14 de novembro de 2018

O domínio da Esquerda dura há décadas

Em 1979, cinco anos depois de 25 de Abril, havia crise económica em Portugal, grave, duradoura e que vinha da primeira bancarrota em democracia. Seguir-se-iam outras.
Em 1976,  uma Constituição aprovada por uma maioria de esquerda, incluindo os social-democratas do PSD, garantia que éramos um país a caminho do socialismo e da sociedade sem classes, uma ideia comunista, pura e simples.
Era algo surrealista na Europa ocidental mas foi aprovado com o apoio de partidos que hoje são a "direita", como é o caso do PSD.

Durante todo o ano de 1979 o semanário O Jornal, para mim o exemplo mais representativo da sociedade portuguesa mediática da época ( como a revista Observador tinha sido da época de Marcello Caetano) publicou notícias e artigos de opinião que mostram como era o panorama nacional nesse tempo: o predomínio da esquerda era absoluto, mesmo depois das eleições realizadas em Dezembro, ganhas pelo PSD, CDS e PPM, reunidos na AD e que a esquerda garantia, durante a campanha eleitoral ser o primeiro passo para uma grave crise social.

Quem garantia tal coisa? O então comunista, pró-estalinista encapotado, Vital Moreira, um fanático de sempre e que dez anos depois abandonou o partido para enfileirar no partido mais próximo de uma  direita e da qual aparava o jogo. É impressionante o paleio deste intelectual do comunismo, reciclado no socialismo à sueca que até aos dias de hoje consegue ser mais jacobino que os jacobinos e mais mazarino que qualquer manobrador de pacotilha ideológica.
Um indivíduo destes, no socialismo real tinha sido eliminado à nascença da primeira dissidência.


Um dos intelectuais de esquerda então respeitados na academia das Letras era o pai de Eduardo Prado Coelho, Jacinto. Também escrevia no jornal  e melhor que o filho. Pelo menos era mais claro e directo.

Em 9.11.1979 aconselhava os leitores a votarem na Esquerda porque senão viria o caso reaccionário a seguir...e fazia-o em modo de carta aberta a um amigo padre, susceptível de se encantar com a canção do bandido esquerdista muito amigo dos pobrezinhos. É sempre a mesma cantilena, à esquerda e esta linguagem é que ganha eleições.


Porém, dessa vez  perderam-nas. As eleições correram muito mal para a esquerda. Sá Carneiro e a AD ganharam e afinal tudo continuou na mesma... a começar pela linguagem que se refinou mas não alterou.

Este professor catedrático de Direito Fiscal que veio a ser ministro da Finanças de Guterres é um bom exemplo do que nos corrói culturalmente de há décadas a esta parte. Está tudo aqui neste pequeno escrito de 11.5.1979. Em 2005 voltou a fazer asneiras grossas e irremediáveis, este professor. Professor!



Por ocasião das comemorações dos cinco anos de Revolução de Abril o Jornal mostrava de que lado estava: à esquerda.


No Verão de 1979 as "forças políticas"  preparavam-se para as eleições. A esquerda e a extrema-esquerda.




O Jornal também fazia a sua perninha nesta campanha. As fake news de então eram claras: mistificação em toda a linha informativa.


Nem assim. No final, a seguir às eleições o intelectual da esquerda, por antonomásia , chorava baba e ranho...


Não foi o caos ou a derrota da esquerda por várias razões. Uma delas pode ser exemplificada com isto que aparece na mesma edição de 16.11.1979:


Em 22 de Junho o Jornal tinha mostrado o que era um maluco à solta. Otelo Saraiva de Carvalho disse na entrevista que o então primeiro-ministro Vasco Gonçalves, no Verão Quente de 1975 lhe tinha "oferecido" o lugar.  A democracia da esquerda, como conceito é isso...


Quanto mais leio estas coisas, todas de 1979, mais me convenço que Portugal foi mergulhado num banho mediático durante muito tempo e que funcionou e funciona como uma lavagem cerebral alargada. Pela linguagem, pela atitude e pela generalização de uma opinião pública vincada à esquerda, quase sem contraditório que a conteste.

Vou continuar a tentar encontrar explicações para isto, para esta tragédia nacional.

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