sábado, outubro 26, 2013

Jerónimo e a reserva de índios ( m-l)

O PCP continua o mesmo de sempre. Em 40 anos nada mudou de substancial  e nada esqueceu de relevante.

A entrevista de Jerónimo de Sousa ao Jornal de Negócios deste fim de semana é uma prova disso mesmo. Jerónimo, o chefe da reserva de índios comunista que ainda existe no nosso país ( ao contrário dos demais europeus em que os comunistas estão relegados para as relíquias históricas fossilizadas) começa logo por tranquilizar o jornalista, aliás demasiado "suave", dizendo que "não vos passo o atestado de que não estão preocupados com o nosso país, claro." Não passa atestado particular mas passa a vida política a passar atestados públicos em que ataca a iniciativa privada como modo essencial de produção de bens e serviços, com a mesma linguagem de sempre que fossilizou nos "monopólios", no "fassismo", nas "conquistas de Abril", etc etc.

Jerónimo lembra o que foi o PCP, surgido logo na Primeira República. "Um partido com experiência própria", citando Cunhal. E que experiência! Um ano e meio de poder político de influência determinante que conduziu directamente Portugal, de uma situação economicamente estável, em 24 de Abril de 1974, a uma bancarrota,  dali a dois anos. Já nem dinheiro tínhamos para comer, como titulava então O Jornal...e Medina Carreira se deve lembrar muito bem porque era ministro das Finanças.

Não obstante, Jerónimo quer agora mesmo repetir a receita. Defende a "renacionalização, por processo negociado ou outro"...e está-se mesmo a ver qual é o "outro". E quando lhe dizem que o Estado gere mal, o que se torna uma evidência verificada em todos os países que passsaram pela experiência comunista, Jerónimo não desarma: gere porque os gestores são mal intencionados e acabam por defender os interesses dos grupos privados. Em Portugal, depois das nacionalizações de 1975 também foi assim?

Quanto ao comunismo português, é original. Sempre foi, defende Jerónimo. Tão original como todos os outros....e é este o argumento chave de sempre, para os comunistas. Os erros do comunismo na antiga União Soviética não se repetiriam aqui, porque os comunistas portugueses são diferentes. mais sábios, mais chicos-espertos e mais capazes. Os outros estragaram tudo mas os portugueses desenrascados tipo Jerónimo estão cá para salvar o país da miséria e do empobrecimento. Tal e qual como fizeram em 1975, com os resultados brilhantes da primeira bancarrota em mais de cem anos. Seguida por outra, dali a dez anos e agora a nova versão, com a Constituição que ainda nos manda a caminho do socialismo e que Jerónimo quer salvar a todo o custo.
É por isso que Jerónimo continua a ser um marxista-leninista, porque " essa ideologia dos ensinamentos de Marx e de Lenine continua a ter grande actualidade, mas não numa visão fechada. Lenine ensinava que a prática sem teoria é como um cego, mas a teoria sem a prática é como um cadáver".
O cadaver de Lenine, aliás, continua exposto na Praça Vermelha, em Moscovo, embora se fale na sua inumação definitiva como fóssil que já é.
Por cá, os índios continuam na reserva,  preservando os seus rituais, os seus costumes e os seus cânticos para mandar vir chuva.
Actualmente é sobre o "empobrecimento", a troika e os monopólios que não temos. As "grandes empresas monopolistas" que o PCP decapitou em 1975 nunca mais se recompuseram do mesmo modo; os capitalistas de então continuam a ser vilipendiados e só se salvam os "pequenos e médios empresários", precisamente aqueles que pior pagam, que menos direitos concedem aos trabalhadores e que dão pior imagem do capitalismo. O PCP adora-os, porque tal lhe serve de caução para anganar o povo. Como sempre,. seguindo a teoria de Lenine, dos passinhos atrás para dar vários em frente...assim surja a oportunidade. Os coveiros do país em 1975, continuam a puxá-lo para a mesma cova onde fossilizaram. E o povo faz de conta que são democratas...


sexta-feira, outubro 25, 2013

Portugal em 1971, segundo o Observador ( continuação).

O Observador de 7 Janeiro de 1972 publicou uma série de páginas sobre a economia portuguesa da época. As que se seguem são da autoria de António de Sousa Franco, professor de Finanças Públicas, mais tarde ministro de António Guterres, de quem aliás disse publicamente ( no Gambrinus) muito mal  ( "o pior governo desde os tempos de D. Maria"- se tivesse vivido, o que diria dos governos de Sócrates?).

Sobre as nossas perspectivas a longo prazo, mormente a entrada na "Europa" da CEE, já nessa altura se pensava nisso. Não foi o Mário Soares quem descobriu o caminho terrestre para Bruxelas...



O atentado ao Estado de Direito que ficou adormecido.

O semanário Sol de hoje explica, numa página assinada pelo seu director, o que foi realmente o atentado ao Estado de Direito que ocorreu em Portugal, durante os governos de José Sócrates. Os factos expostos não são desmentíveis com argumentos falaciosos porque são demonstráveis.
A concentração de poder que José Sócrates tentou duranta alguns anos, enquanto governante, é um facto e é por isso mesmo que alguns dos seus próceres da época continuam a devotar-lhe apreço e admiração. Outros, não sendo próceres, aproveitaram esse ambiente, em democracia, para lograr alcançar o que a democracia não deveria permitir, por ser ilegítimo e ilegal. Nisto consiste o atentado ao Estado de Direito democrático.

Primeiro os factos, mesmo com opiniões,  tais como apresentados por José António Saraiva.

O crime de atentado ao estado de Direito, foi oportunamente analisado num artigo do Correio da Manhã, por uma professora catedrática de direito penal, Fernanda Palma, assim, como já ficou escrito por aqui:


"A incriminação do atentado contra o Estado de Direito visa impedir tentativas de destruir, alterar ou subverter o Estado de Direito Democrático. Estão em causa condutas que põem em causa, por exemplo, a separação e a interdependência de poderes ou a representatividade democrática.

As condutas que consubstanciam o crime podem ser atentatórias, nomeadamente, dos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos. Mas o crime não consiste em violar os direitos de determinadas pessoas, concretamente consideradas, mas antes em pôr em causa a vigência ou a validade geral desses direitos.

O atentado contra o Estado de Direito tem de ser exteriorizado através de factos adequados a pôr em causa o interesse protegido. Não basta um plano conspirativo que não se concretize em actividade. E tem de haver dolo, ilustrado por razões e circunstâncias que revelem a vontade de afectar o Estado de Direito.
(...)
Como norma adormecida, a incriminação do atentado contra o Estado de Direito só pode ser "acordada" por factos muito graves que o justifiquem. Accionar normas deste tipo é, para o bem e para o mal, mudar o curso da história. Essa é uma responsabilidade primária dos magistrados que se reflecte em toda a comunidade.’

Com base em factos agora conhecidos e cognoscíveis na época, José Sócrates nunca foi investigado criminalmente pela prática desse crime que dois magistrados, os de Aveiro e do processo Face Oculta, e eventualmente o magistrado principal de Coimbra ( o PGD da época) entenderam que se verificava indiciariamente. A obrigação legal, peremptória, para um magistrado, nessas circunstâncias, é abrir um inquérito para se verificar se os indícios se materializam em provas suficientes para efectuar um julgamento. Quem o não fizer, sem fundamento válido e razoável,  arrisca-se a cometer outro crime: o de denegação de justiça.
 Esse inquérito, no caso de José Sócrates, não se verificou. E porquê? Simplesmente, porque contrariando a opinião jurídica, fundamentada, daqueloutros magistrados, sabedores do que se passava nesse processo e alarmados com o curso dos acontecimentos, rápido e subversivo, o então PGR Pinto Monteiro não deu seguimento imediato à certidão que aqueles lhe apresentaram. Guardou-a num procedimento administrativo registado na PGR, para analisar melhor, do seu ponto de vista jurídico-criminal ( ele que sempre foi juiz do "cível") se tais indícios se verificavam e impunham a participação criminal que teria sempre que ser apresentada num tribunal superior ( STJ ou Relação).
Como entre os indícios avultavam escutas telefónicas cujo aparecimento foi fortuito ( ninguém estava à espera disso e quando apareceram e foram ouvidas, detectou-se a prática do tal crime...) as mesmas careciam de ser validadas num determinado prazo, de 48 hornas, por um juiz de instrução que no caso concreto entendeu-se ser o pSTJ Noronha Nascimento.
Apesar dessa circunstância processual, cujo desrespeito implica uma nulidade processual ipso facto ( nulidade absoluta),  tais escutas não foram apresentadas nesse prazo, nem sequer o expediente recebido para autuação como inquérito o foi. Foram remetidas "às pinguinhas" ( como disse então o pSTJ) vários papéis ( "um molho de papéis", disse o pSTJ), directamente para o pSTJ sem passar pelo crivo da autuação processual como inquérito, mas apenas como "extensão processual" ( expressão inventada aparentemente pelo actual pSTJ, Henriques Gaspar) digna de ser apreciada, não como inserida num inquérito autónomo, mas apenas como "extensão" daqueloutro processo Face Oculta. A nulidade sendo evidente, o pSTJ não se pronunciou sequer sobre a mesma e analisou ( disse primeiro que ouviu parte das escutas e depois rectificou para dizer que ouviu todas as partes mais importantes...) o conteúdo das escutas, decretando a sua irrelevância pura e simples, para o efeito. O juiz de instrução, num determinado dia e por causa deste assunto, percorreu todos os canais televisivos ( incrível e inédito) para explicar o que tinha feito, mas sem poder mostrar o conteúdo do que analisou. Garantiu apenas que mandou destruir tudo porque tudo era irrelevante, deixando a comprovação da explicação para...ninguém,  uma vez que não permitiu que ninguém pudesse comprovar tal, nem mesmo um tribunal de recurso por entender que era a autoridade máxima e única na matéria.
O professor Costa Andrade, de Coimbra, porventura o maior especialista nesta matéria, escreveu dois artigos no Público para dizer uma coisa muito simples: as escutas eram válidas e não deveriam ter sido destruídas. E quem o fez, andou mal.

Perante estes factos suscitaram-se sérias suspeitas, naturalmente, acerca da intervenção processual desses dois magistrados, um deles PGR e o outro pSTJ. A seguir ao presidente da República, precisamente os mais altos magistrados da Nação.

Porque é que ambos agiram como agiram? As explicações técnicas que ambos deram são, perante o que outros técnicos superiores do Direito disseram, insuficientes. Muito insuficientes mesmo. Quando tal acontece, torna-se essencial e primordial perceber se houve outras razões, para além das técnicas para justificar tal actuação. Por exemplo, um interesse relevante e inadiável do Estado, uma "raison d´état" que conduzisse a manter adormecida a norma fatal. No entanto, tal ainda não foi dito nem aventado por ninguém.
Muito se especulou sobre o assunto e os factos são isso mesmo: factos. Nenhum deles pode alhear-se de notícias como esta que aparecem hoje nos jornai, mormente o Correio da Manhã: um dos arguidos do processo, Paulo Penedos, advogado, proclama alto e com bom som, a sua "indignação" por verificar que ambos são amigos do visado naquele expediente e certidão do processo Face Oculta. E que nessa circunstância deveriam ter-se abstido de se pronunciar sobre o mesmo assunto. Não o fizeram e agora as suspeitas sobre a isenção são equacionadas publicamente, desta forma que provoca mais dano na imagem da Justiça que muitas decisões mediaticamente noticiadas.
Como resolver esta questão? Com processos cíveis aos mensageiros? E as reconvenções?
Por outro lado, o relevo e interesse público destes assuntos remete sempre para a ideia de Justiça: dar a cada um aquilo que lhe pertence. Se àqueles dois pertence a inocência de actuação ou a lisura de procedimentos, certamente que tal virá ao de cima, como se costuma dizer. Mas para tal é necessário analisar os procedimentos e não partir imediatamente de uma presunção de inocência para uma certeza jurídica de comportamente impoluto. A presunção de inocência é, neste como noutros casos, uma presunção juris tantum.  Até prova em contrário são inocentes das suspeitas que se lhes levantam agora e é assim que deve ser. Eppure...há que indagar e por isso mesmo não partir para condenações apressadas que como as cadelas, parem seres que são cegos.


quinta-feira, outubro 24, 2013

Julgamentos por fazer, há muitos...

 Económico:

O ex-ministro das Finanças recordou hoje que o antigo primeiro-ministro empurrou Portugal para uma situação difícil e que deveria ser julgado por isso.

Em entrevista à 'Antena1', Eduardo Catroga defendeu que o antigo chefe do governo "devia estar definitivamente enterrado e até devia estar a ser julgado pelos erros de gestão".
"Estamos perante uma tentativa de lavagem política de José Sócrates que levou o País à falência", reforçou o responsável escolhido pelo PSD para negociar o programa de resgate financeiro da troika no início do Governo de Pedro Passos Coelho.
Catroga comentou também uma notícia avançada hoje pela imprensa, segundo a qual Sócrates teria convidado Passos Coelho para vice-primeiro-ministro no seu segundo Governo, dizendo que "um bloco central com José Sócrates nunca seria viável" porque ele "não tem vocação para coligações".

Julgado pelos "erros de gestão"?  Isso seria viável num país em que a Esquerda fosse aprendendo com os "erros de gestão" . Por aqui, não só não reconhecem qualquer "erro de gestão", como continuam a acreditar que a receita deles era a melhor.
Portugal enfrentou três bancarrotas por causa de quem e de que erros? Não perguntem à Esquerda: a culpa é da "direita" e agora, do "neoliberalismo". Aliás, para o pateta que anda a acolitar o dito, sem tento na língua que podia e devia ter a culpa é deste governo. O mesmo pensa a imensa luminária que dá pelo nome de Estrela, no firmamento socialista. É ver pelo recorte abaixo...
Em 2003-2004, altura do processo Casa Pia em que o PS esteve quase para se desfazer em pó de perlimpimpim por causa de uns putos, o mesmo pateta esteve calado que nem um rato. Só muitos meses depois disse qualquer coisa, melhor balbuciou algo sobre a investigação. Ainda assim, nunca ninguém lhe perguntou nada sobre o assunto, mormente o seu pretenso amigo Carlucci.
Ainda vão a tempo...
Sobre o Lula brasileiro, conviria lembrar o "mensalão". Ainda não acabou. Agora é a Odebrecht, como haverá por aí mais coisas. Lula é fixe, como o outro era. Os socialistas, aliás, são sempre todos fixes e por isso os media nacionais, todos fixes também, deixam-nos em paz e sossego. Actualmente há apenas o Correio da Manhã para lhes estragar a "festa", mas lá virá o tempo doutra investida, para aplainar dificuldades. Já esteve mais longe e o Estado de Direito, como se sabe desde Pinto Monteiro e Noronha Nascimento, aguenta bem estas coisas.

Magistrados a politicar por um partido: quem não quer ser lobo...

O Correio da Manhã de hoje destaca a presença dos magistrados do STJ ( jubilados) Pinto Monteiro e Noronha Nascimento e do magistrado do MP em serviço no SIRP, Júlio Pereira, no "comício de filosofia política" ( como o Diário de Notícias de hoje o classifica) em que foi apresentado um livro que é um "mémoire" de Théorie politique e  estudo final para um eventual  master em Science Politique. O ideal para alguém rematrizar habilitações académicas duvidosas.
"Desculpem a vaidade: fui o melhor aluno de Théorie Politique", diz o novel autor de uma tese que é um "mémoire" sobre um assunto demasiado esconso para  alguém ler por gosto. Resta saber como é que a "tese" foi elaborada, quem a escreveu em francês original ( o próprio já confessou muitas dificuldades na língua de Rabelais) e quem a traduziu a seguir...tudo pormenores que aos presentes no evento, órfãos de um poder que os amparou durante uma boa dezena de anos, interessam menos que zero.A "tese", essa, nunca passará do folheio de circunstância, na ocasião. Ainda assim não se terão rido, nem sequer interiormente,  com expressões do género: " gosto demasiado de acção para a subordinar ao pensamento"...

Quanto ao curso, está tudo explicado, aqui, na Sciences Po e só é pena que ninguém se tenha lembrado de convidar uma certa Astrid von Busekist,  responsável pelo departamento de Théorie Politique, daquela escola superior de Paris. Todos ganhariam, certamente, em ouvir a sua abalizada opinião, para ver se corroboraria a do presente Mário Soares que considera a obra "excepcional" ( deve tê-la lido ainda no prelo...porque terá sido a Fundação a que dá o nome e cujos fundos somos todos a pagar, quem a custeou).
Sempre gostaria de saber, porém, como foi possível ao "rematrizado", entrar no curso, com as habilitações que ostenta e com as dúvidas que carrega, agora em tribunal administrativo. E já agora com que dose de vergonha, se alguma existiu.

Vamos à reportagem social do jornal Correio da Manhã, para entender o que é o que significa verdadeiramente o "sitema de contactos" que temos em vigor no país que somos, actualmente.

E o Diário de Notícias noticia assim, mostrando iniludivelmente o lado importante da reunião: politicar


Sobre a presença daqueles magistrados nem é preciso lembrar o velho dito de Salazar: em política o que parece, é. E no caso, já nem são apenas parecenças. Para quem ainda tinha algumas dúvidas sobre certas atitudes, o "engenheiro de Coimbra" ( um achado de Mário Soares) esclareceu-as completamente: "tudo amigos. Quem conta convosco sempre encontra mais do que conta".

É esse o problema,  infelizmente.

quarta-feira, outubro 23, 2013

Para que conste...

 Económico:

Quase todos os ex-ministros de José Sócrates e notáveis do partido marcaram hoje presença no lançamento do livro do ex-primeiro-ministro.
José Sócrates acabou de chegar à sala do Museu da Electricidade onde vai decorrer o lançamento do livro "A Confiança no mundo - Sobre a tortura em democracia". Mas quase todos os seus ex-ministros já chegaram.
Pedro Silva Pereira, que foi (e é) o seu braço-direito, foi o primeiro a chegar. Entretanto, chegou Mário Lino, Alberto Costa, Jorge Lacão, Vera Jardim ou Maria de Lurdes Rodrigues.

Também o ex-PGR esta no Museu da Electricidadde, bem como o ex-presidente do STJ Noronha do Nascimento.

O mais espantoso nisto tudo é a condescendência de todas essas pessoas para com este indivíduo, José Sócrates. Estas pessoas acreditam mesmo naquilo que o mesmo conta? A sério? Acreditam que a fortuna lhe veio por via materna e que a seriedade na governação foi o seu apanágio mais relevante?  O Noronha? O Pinto Monteiro?!! Acreditam nas historietas do indivíduo?!!

Sinceramente. Haja alguém que lhe pergunte isto. Só isto que não aconteceu assim há muito tempo: 

Como é que conseguiu, quando já exercia as funções de primeiro-ministro, entrar no bijan de Los Angeles e deixar lá o nome na montra? 


Portugal, 1972: o país que poucos conhecem

A revista Observador, em 1972 mostrava a realidade do nosso país como os Rosas&Pereira da actualidade não gostam que lhes diga como era. Para estes, Portugal era um país miserável, pobre, triste, bisonho e fassista, acima de tudo.

A realidade, essa, era diferente, como a revista mostra e poucos conhecem.

Por exemplo, como funcionava o serviço dos correiros dos CTT?  Em 22 de Setembro de 1972 a revista mostrava assim a empresa (que passou a ser empresa pública em 1970 e agora vai ser privatizada...) :

E as modas como andavam? Na mesma revista dá-se conta de um "inquérito" sobre o mundo das lojas de moda de Lisboa. É ler o que diziam os proprietários ( Loja das Meias, Eva e Janina, por exmplo):

 E o "país real" no Porto, como era, na Indústria metalomecânica? Algo que a maioria das pessoas nem sonha que havia...mas o Observador de 3 de Setembro de 1971 mostrava. Os antifassistas de algibeira, nessa altura andavam a pôr panfletos revolucionários por debaixo das portas e depois borravam-se todos com medo em ser presos. No fundo, queriam acabar com isto que a revista mostra.



Era esta a "miséria" do fassismo...

terça-feira, outubro 22, 2013

A vida fabulosa de José Sócrates: the trailer

O percurso de José Sócrates, como personagem político, merece melhor estudo e atenção a detalhes que a memória curta de muitos não deixa entrever.
Por isso, deve lembrar-se  a intervenção de Santana Lopes, ontem na CMTV, onde mostrou várias vezes a capa de uma revista- Focus, ja extinta- que trazia em 15 de Setembro de 2004 a história da vida política e pessoal de José Sócrates, na altura em que se encontrava em campanha para a liderança do PS. Santana Lopes disse várias vezes que a revista tinha publicado tal reportagem por influência dos inimigos políticos de Sócrates, dentro do próprio partido. Aqui fica.

Primeiro, o cartaz da polémica, citado por Sócrates na entrevista e comentado ontem por Santana Lopes.


E agora o "estudo" da Focus...


Já então aparecia Armando Vara como grande amigo de José Sócrates e o futuro revelaria que essa amizade tornou Vara uma pessoa de posses. Um caixa modesto de banco num balcão transmontano, transformou-se por obra e graça da política, num banqueiro da Caixa. Assim, como contava a Focus de 2009:





 Porém, Vara tinha ligado o seu destino, anteriormente, a uma personagem camiliana ( Visão de 19.4.2007 dixit): António José Morais, que fora director de um Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do Ministerio da Justiça. Vara era então Secretário de Estado  e disse à revista que conheceu aquele professor...no Altis, numa reunião do PS. E lembrou-se dele quando precisou de alguém para o GEPI. Muitos acreditaram nesta candura.

O Público de 18 de Abril de 2007 tentava explicar melhor estas coisas.

Estes factos tornaram-se relevantes e vieram à tona por causa do facto de António José Morais ter sido professor de José Sócrates, na UnI. Quando o interpelaram, disse assim:



O assunto da HLC e a acusação que foi imputada a António José Morais e mulher ( de quem se separou e que na altura, em 2007, andava aterrorizada...)de corrupção e branqueamento de capitais  deu em águas de bacalhau. Foram absolvidos.
Porém, a denúncia inicial, anónima, citava outros nomes ( era outro Freeport...)e que mostram que se tal fosse provado la boucle serait bouclée. Não deu.Seria interessante saber porque não deu e como se fez a investigação.

Tudo isso ocorreu ao fim de 16 anos de investigação e apesar de ter sido provado que Morais, engenheiro contratado para assessorar a decisão técnica do concurso, recebeu naquela altura 44 mil euros numa conta offshore oriundos de uma empresa britânica do grupo liderado por Horácio Carvalho, o tribunal considerou que isso não é suficiente para demonstrar que houve corrupção. 

No julgamento, a mulher de Morais falou numa offshore....que não conhecia.  A conta estava no banco Lloyds, na ilha britânica de Guernesey e segundo relatos do julgamento, parece que se deu como provado que era alimentada com dinheiros provenientes de outras obras do engenheiro Morais. na Polónia e Inglaterra.

E assim acaba a história. Acaba mesmo?

Ah! E até já esquecia: e onde está o tal Luís Patrão,  chefe de gabinete por natureza? Ora, ora...lá se vai safando. Umas vezes em baixo; outras em cima. Como os interruptores de gabinete. Um blog resumia assim a brilhante carreira, em 2010:


Luís Patrão, 55 anos, preside ao Turismo de Portugal desde Maio de 2006. Saiu directamente de São Bento, onde era chefe de gabinete de José Sócrates. depois de já ter desempenhado o mesmo cargo com António Guterres (de 1995 a 1999). Durante os governos de Guterres, foi ainda deputado e secretário de Estado da Administração Interna, mas saiu envolvido em polémica, juntamente com Armando Vara, por causa da criação da Fundação para a Prevenção e Segurança. Natural da Covilhã. Luís Patrão e, com o irmão, Jorge, amigo de Sócrates desde a juventude. A sua carreira foi praticamente só política. Profissionalmente, foi chefe de divisão e director de serviços do Instituto do Consumidor (1986-1989 e 2001-2004).
Até 2009, Patrão acumulou o salário do Turismo com o de membro do Conselho Geral e de Supervisão da TAP, onde, segundo dados de 2008, recebeu 7 mil euros mensais. Este salário tinha uma componente fixa, de 4 mil euros, a que acrescia uma parcela complementar de 3 mil euros por ser membro da comissão de sustentabilidade e governo societário. Em 2008, a comissão realizou 10 reuniões. Só a revelação pública desta acumulação de funções nos jornais o levou a abdicar em 2009 do ordenado na TAP, mantendo o do Turismo de Portugal
.

segunda-feira, outubro 21, 2013

O Rato escondido com rabo de fora

Sol:

A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou a investigação às denúncias de escutas ilegais na sede do PS, denunciadas pelo gabinete de António José Seguro durante a pré-campanha eleitoral para as autárquicas.

Numa nota à comunicação social, a PGR informa que o "Ministério Público concluiu pela inexistência de elementos probatórios que alicercem as suspeitas participadas". A investigação às suspeitas de escutas telefónicas e dos meios informáticos da sede do partido, no Largo do Rato, foi pedida à PGR em Julho pela secretária-geral socialista.

O PS falava então em “dúvidas fundadas” de que está sob escuta, mas depois de três dias de buscas aos sistemas e equipamentos respectivos e de uma inspecção de segurança nas instalações, os investigadores do Departamento de Investigação e Acção Penal "não detectou quaisquer indícios de actividade de vigilância electrónica clandestina".


Em tempos houve um primeiro-ministro que se mostrou muito ofendido por ter havido alguém que pensou alto que aquele poderia andar a escutar o presidente da República. Uma ignomínia. Coisa impensável e impraticável.  Desta vez, um Rato pensou o mesmo: aqui há gato. Escondido e com rabo de fora.

Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso