quinta-feira, outubro 24, 2013

Julgamentos por fazer, há muitos...

 Económico:

O ex-ministro das Finanças recordou hoje que o antigo primeiro-ministro empurrou Portugal para uma situação difícil e que deveria ser julgado por isso.

Em entrevista à 'Antena1', Eduardo Catroga defendeu que o antigo chefe do governo "devia estar definitivamente enterrado e até devia estar a ser julgado pelos erros de gestão".
"Estamos perante uma tentativa de lavagem política de José Sócrates que levou o País à falência", reforçou o responsável escolhido pelo PSD para negociar o programa de resgate financeiro da troika no início do Governo de Pedro Passos Coelho.
Catroga comentou também uma notícia avançada hoje pela imprensa, segundo a qual Sócrates teria convidado Passos Coelho para vice-primeiro-ministro no seu segundo Governo, dizendo que "um bloco central com José Sócrates nunca seria viável" porque ele "não tem vocação para coligações".

Julgado pelos "erros de gestão"?  Isso seria viável num país em que a Esquerda fosse aprendendo com os "erros de gestão" . Por aqui, não só não reconhecem qualquer "erro de gestão", como continuam a acreditar que a receita deles era a melhor.
Portugal enfrentou três bancarrotas por causa de quem e de que erros? Não perguntem à Esquerda: a culpa é da "direita" e agora, do "neoliberalismo". Aliás, para o pateta que anda a acolitar o dito, sem tento na língua que podia e devia ter a culpa é deste governo. O mesmo pensa a imensa luminária que dá pelo nome de Estrela, no firmamento socialista. É ver pelo recorte abaixo...
Em 2003-2004, altura do processo Casa Pia em que o PS esteve quase para se desfazer em pó de perlimpimpim por causa de uns putos, o mesmo pateta esteve calado que nem um rato. Só muitos meses depois disse qualquer coisa, melhor balbuciou algo sobre a investigação. Ainda assim, nunca ninguém lhe perguntou nada sobre o assunto, mormente o seu pretenso amigo Carlucci.
Ainda vão a tempo...
Sobre o Lula brasileiro, conviria lembrar o "mensalão". Ainda não acabou. Agora é a Odebrecht, como haverá por aí mais coisas. Lula é fixe, como o outro era. Os socialistas, aliás, são sempre todos fixes e por isso os media nacionais, todos fixes também, deixam-nos em paz e sossego. Actualmente há apenas o Correio da Manhã para lhes estragar a "festa", mas lá virá o tempo doutra investida, para aplainar dificuldades. Já esteve mais longe e o Estado de Direito, como se sabe desde Pinto Monteiro e Noronha Nascimento, aguenta bem estas coisas.

Magistrados a politicar por um partido: quem não quer ser lobo...

O Correio da Manhã de hoje destaca a presença dos magistrados do STJ ( jubilados) Pinto Monteiro e Noronha Nascimento e do magistrado do MP em serviço no SIRP, Júlio Pereira, no "comício de filosofia política" ( como o Diário de Notícias de hoje o classifica) em que foi apresentado um livro que é um "mémoire" de Théorie politique e  estudo final para um eventual  master em Science Politique. O ideal para alguém rematrizar habilitações académicas duvidosas.
"Desculpem a vaidade: fui o melhor aluno de Théorie Politique", diz o novel autor de uma tese que é um "mémoire" sobre um assunto demasiado esconso para  alguém ler por gosto. Resta saber como é que a "tese" foi elaborada, quem a escreveu em francês original ( o próprio já confessou muitas dificuldades na língua de Rabelais) e quem a traduziu a seguir...tudo pormenores que aos presentes no evento, órfãos de um poder que os amparou durante uma boa dezena de anos, interessam menos que zero.A "tese", essa, nunca passará do folheio de circunstância, na ocasião. Ainda assim não se terão rido, nem sequer interiormente,  com expressões do género: " gosto demasiado de acção para a subordinar ao pensamento"...

Quanto ao curso, está tudo explicado, aqui, na Sciences Po e só é pena que ninguém se tenha lembrado de convidar uma certa Astrid von Busekist,  responsável pelo departamento de Théorie Politique, daquela escola superior de Paris. Todos ganhariam, certamente, em ouvir a sua abalizada opinião, para ver se corroboraria a do presente Mário Soares que considera a obra "excepcional" ( deve tê-la lido ainda no prelo...porque terá sido a Fundação a que dá o nome e cujos fundos somos todos a pagar, quem a custeou).
Sempre gostaria de saber, porém, como foi possível ao "rematrizado", entrar no curso, com as habilitações que ostenta e com as dúvidas que carrega, agora em tribunal administrativo. E já agora com que dose de vergonha, se alguma existiu.

Vamos à reportagem social do jornal Correio da Manhã, para entender o que é o que significa verdadeiramente o "sitema de contactos" que temos em vigor no país que somos, actualmente.

E o Diário de Notícias noticia assim, mostrando iniludivelmente o lado importante da reunião: politicar


Sobre a presença daqueles magistrados nem é preciso lembrar o velho dito de Salazar: em política o que parece, é. E no caso, já nem são apenas parecenças. Para quem ainda tinha algumas dúvidas sobre certas atitudes, o "engenheiro de Coimbra" ( um achado de Mário Soares) esclareceu-as completamente: "tudo amigos. Quem conta convosco sempre encontra mais do que conta".

É esse o problema,  infelizmente.

quarta-feira, outubro 23, 2013

Para que conste...

 Económico:

Quase todos os ex-ministros de José Sócrates e notáveis do partido marcaram hoje presença no lançamento do livro do ex-primeiro-ministro.
José Sócrates acabou de chegar à sala do Museu da Electricidade onde vai decorrer o lançamento do livro "A Confiança no mundo - Sobre a tortura em democracia". Mas quase todos os seus ex-ministros já chegaram.
Pedro Silva Pereira, que foi (e é) o seu braço-direito, foi o primeiro a chegar. Entretanto, chegou Mário Lino, Alberto Costa, Jorge Lacão, Vera Jardim ou Maria de Lurdes Rodrigues.

Também o ex-PGR esta no Museu da Electricidadde, bem como o ex-presidente do STJ Noronha do Nascimento.

O mais espantoso nisto tudo é a condescendência de todas essas pessoas para com este indivíduo, José Sócrates. Estas pessoas acreditam mesmo naquilo que o mesmo conta? A sério? Acreditam que a fortuna lhe veio por via materna e que a seriedade na governação foi o seu apanágio mais relevante?  O Noronha? O Pinto Monteiro?!! Acreditam nas historietas do indivíduo?!!

Sinceramente. Haja alguém que lhe pergunte isto. Só isto que não aconteceu assim há muito tempo: 

Como é que conseguiu, quando já exercia as funções de primeiro-ministro, entrar no bijan de Los Angeles e deixar lá o nome na montra? 


Portugal, 1972: o país que poucos conhecem

A revista Observador, em 1972 mostrava a realidade do nosso país como os Rosas&Pereira da actualidade não gostam que lhes diga como era. Para estes, Portugal era um país miserável, pobre, triste, bisonho e fassista, acima de tudo.

A realidade, essa, era diferente, como a revista mostra e poucos conhecem.

Por exemplo, como funcionava o serviço dos correiros dos CTT?  Em 22 de Setembro de 1972 a revista mostrava assim a empresa (que passou a ser empresa pública em 1970 e agora vai ser privatizada...) :

E as modas como andavam? Na mesma revista dá-se conta de um "inquérito" sobre o mundo das lojas de moda de Lisboa. É ler o que diziam os proprietários ( Loja das Meias, Eva e Janina, por exmplo):

 E o "país real" no Porto, como era, na Indústria metalomecânica? Algo que a maioria das pessoas nem sonha que havia...mas o Observador de 3 de Setembro de 1971 mostrava. Os antifassistas de algibeira, nessa altura andavam a pôr panfletos revolucionários por debaixo das portas e depois borravam-se todos com medo em ser presos. No fundo, queriam acabar com isto que a revista mostra.



Era esta a "miséria" do fassismo...

terça-feira, outubro 22, 2013

A vida fabulosa de José Sócrates: the trailer

O percurso de José Sócrates, como personagem político, merece melhor estudo e atenção a detalhes que a memória curta de muitos não deixa entrever.
Por isso, deve lembrar-se  a intervenção de Santana Lopes, ontem na CMTV, onde mostrou várias vezes a capa de uma revista- Focus, ja extinta- que trazia em 15 de Setembro de 2004 a história da vida política e pessoal de José Sócrates, na altura em que se encontrava em campanha para a liderança do PS. Santana Lopes disse várias vezes que a revista tinha publicado tal reportagem por influência dos inimigos políticos de Sócrates, dentro do próprio partido. Aqui fica.

Primeiro, o cartaz da polémica, citado por Sócrates na entrevista e comentado ontem por Santana Lopes.


E agora o "estudo" da Focus...


Já então aparecia Armando Vara como grande amigo de José Sócrates e o futuro revelaria que essa amizade tornou Vara uma pessoa de posses. Um caixa modesto de banco num balcão transmontano, transformou-se por obra e graça da política, num banqueiro da Caixa. Assim, como contava a Focus de 2009:





 Porém, Vara tinha ligado o seu destino, anteriormente, a uma personagem camiliana ( Visão de 19.4.2007 dixit): António José Morais, que fora director de um Gabinete de Estudos e Planeamento de Instalações do Ministerio da Justiça. Vara era então Secretário de Estado  e disse à revista que conheceu aquele professor...no Altis, numa reunião do PS. E lembrou-se dele quando precisou de alguém para o GEPI. Muitos acreditaram nesta candura.

O Público de 18 de Abril de 2007 tentava explicar melhor estas coisas.

Estes factos tornaram-se relevantes e vieram à tona por causa do facto de António José Morais ter sido professor de José Sócrates, na UnI. Quando o interpelaram, disse assim:



O assunto da HLC e a acusação que foi imputada a António José Morais e mulher ( de quem se separou e que na altura, em 2007, andava aterrorizada...)de corrupção e branqueamento de capitais  deu em águas de bacalhau. Foram absolvidos.
Porém, a denúncia inicial, anónima, citava outros nomes ( era outro Freeport...)e que mostram que se tal fosse provado la boucle serait bouclée. Não deu.Seria interessante saber porque não deu e como se fez a investigação.

Tudo isso ocorreu ao fim de 16 anos de investigação e apesar de ter sido provado que Morais, engenheiro contratado para assessorar a decisão técnica do concurso, recebeu naquela altura 44 mil euros numa conta offshore oriundos de uma empresa britânica do grupo liderado por Horácio Carvalho, o tribunal considerou que isso não é suficiente para demonstrar que houve corrupção. 

No julgamento, a mulher de Morais falou numa offshore....que não conhecia.  A conta estava no banco Lloyds, na ilha britânica de Guernesey e segundo relatos do julgamento, parece que se deu como provado que era alimentada com dinheiros provenientes de outras obras do engenheiro Morais. na Polónia e Inglaterra.

E assim acaba a história. Acaba mesmo?

Ah! E até já esquecia: e onde está o tal Luís Patrão,  chefe de gabinete por natureza? Ora, ora...lá se vai safando. Umas vezes em baixo; outras em cima. Como os interruptores de gabinete. Um blog resumia assim a brilhante carreira, em 2010:


Luís Patrão, 55 anos, preside ao Turismo de Portugal desde Maio de 2006. Saiu directamente de São Bento, onde era chefe de gabinete de José Sócrates. depois de já ter desempenhado o mesmo cargo com António Guterres (de 1995 a 1999). Durante os governos de Guterres, foi ainda deputado e secretário de Estado da Administração Interna, mas saiu envolvido em polémica, juntamente com Armando Vara, por causa da criação da Fundação para a Prevenção e Segurança. Natural da Covilhã. Luís Patrão e, com o irmão, Jorge, amigo de Sócrates desde a juventude. A sua carreira foi praticamente só política. Profissionalmente, foi chefe de divisão e director de serviços do Instituto do Consumidor (1986-1989 e 2001-2004).
Até 2009, Patrão acumulou o salário do Turismo com o de membro do Conselho Geral e de Supervisão da TAP, onde, segundo dados de 2008, recebeu 7 mil euros mensais. Este salário tinha uma componente fixa, de 4 mil euros, a que acrescia uma parcela complementar de 3 mil euros por ser membro da comissão de sustentabilidade e governo societário. Em 2008, a comissão realizou 10 reuniões. Só a revelação pública desta acumulação de funções nos jornais o levou a abdicar em 2009 do ordenado na TAP, mantendo o do Turismo de Portugal
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segunda-feira, outubro 21, 2013

O Rato escondido com rabo de fora

Sol:

A Procuradoria-Geral da República (PGR) arquivou a investigação às denúncias de escutas ilegais na sede do PS, denunciadas pelo gabinete de António José Seguro durante a pré-campanha eleitoral para as autárquicas.

Numa nota à comunicação social, a PGR informa que o "Ministério Público concluiu pela inexistência de elementos probatórios que alicercem as suspeitas participadas". A investigação às suspeitas de escutas telefónicas e dos meios informáticos da sede do partido, no Largo do Rato, foi pedida à PGR em Julho pela secretária-geral socialista.

O PS falava então em “dúvidas fundadas” de que está sob escuta, mas depois de três dias de buscas aos sistemas e equipamentos respectivos e de uma inspecção de segurança nas instalações, os investigadores do Departamento de Investigação e Acção Penal "não detectou quaisquer indícios de actividade de vigilância electrónica clandestina".


Em tempos houve um primeiro-ministro que se mostrou muito ofendido por ter havido alguém que pensou alto que aquele poderia andar a escutar o presidente da República. Uma ignomínia. Coisa impensável e impraticável.  Desta vez, um Rato pensou o mesmo: aqui há gato. Escondido e com rabo de fora.

Ainda a "hilariante" entrevista de Sócrates

O Correio da Manhã, esse desmancha-prazeres do ex-líder do PS, anda a publicar comentários à entrevista fantástica que o mesmo deu à ainda mais fantástica jornalista Clara Ferreira Alves, no Expresso de Sábado.

Ontem foi assim:


Hoje é assim, com um comentário de Eduardo Dâmaso a considerar a entrevista "hilariante":

O que espanta na entrevista e nos ex-apaniguados ( Silva Pereira, Vieira da Silva, Correia de Campos, Mário Lino, Alberto Costa, Mariano Gago, Maria de Lurdes Rodrigues, António Mendonça, Rui Pereira (!!), Tiago Silveira),  do governo do  entrevistado que terão ido jantar no Sábado com o dito, é a condescendência para com as explicações do mesmo sobre a origem da fortuna e rendimentos. A singeleza das justificações não encontra, aparentemente,  a mínima resistência intelectual da parte dos mesmos que absorvem as palavras como se fossem a verdade suficiente para tranquilizar consciências adormecidas.
Ninguém, na ex-entourage do ex-primeiro-ministro, se incomoda com as explicações "hilariantes" e todos aceitam de bom grado a aura de honestidade militante que emprestam ao mesmo, quase gratuitamente. Porquê?

São agradecidos e ficaram menos pobres, por obra e graça do mesmo. É essa a explicação que encontro. E esperam porventura regressar ao bendito "pote".

Em tempo:

Santana Lopes respondeu hoje, na CMTV, no jornal da noite,  ao entrevistado que lhe chamou "bandalho". Santana acha que ninguém pode ofender sem o consentimento do próprio. Foi assim que respondeu. E apontou a intenção de Sócrates tomar outra vez o poder no PS, porque os sinais são mais que muitos.
Sobre os rendimentos de José Sócrates, Santana não tem nada a ver. É com outros e Santana não quer saber disso. Por outro lado lembra o facto de Sócrates andar sempre a repisar os temas do seu passado o que é estranho para quem pretende avançar para um futuro político. "José Sócrates demonstra um síndroma de falta de poder".
Sobre outras afirmações de Sócrates, Santana mostra uma revista de 2004-Focus que tenho por cá- em que já se falava nos problemas dos rendimentos de Sócrates. Este disputava então a liderança do PS.
E interpreta a entrevista como um exercício  algo estranho e psicologicamente revelador: Sócrates repisa sempre os mesmos temas de que é alvo. Desmente o caso do cartaz e revela que Miguel Relvas lhe assegurou hoje que o facto relatado por Sócrates é falso.
E reafirma que a campanha mais violenta que já atingiu Sócrates- a da Focus- foi lançada no interior do seu próprio partido.
"Repete falsidades como se fossem verdades", diz Santana. E sobre a licenciatura não falou...diz Santana. "Ele transplanta para os outros os casos que têm a ver com ele", diz Santana.

Enfim, Santana só falta dizer que Sócrates é...louco.  Curiosamente, ao mesmo tempo, Santana diz que Sócrates tem qualidades e não gosta de alinhar em campanhas pessoais.
Bem, depois de insinuar que Sócrates pode ser louco, dizer uma coisa destas é no mínimo curioso.

Sobre o Freeport, que Sócrates atribui a pessoas ligadas a Santana, este refere que o licenciamento ocorreu em Março de 2002."Tudo o que as autoridades investigaram foram factos reais da vida de José Sócrates que não tem rigorosamente nada a ver comigo", diz Santana.
E Santana desmente qualquer instrução que tivesse dado à PJ ou ao ministro da Justiça durante o seu governo.
" As pessoas julgam os outros por aquilo que elas eram capazes de fazer", diz Santana para se defender das acusações de Sócrates.

E Santana repete e mostra cópias da revista Focus de 2004 para reafirmar que o problema com José Sócrates surgiu dentro do PS...
E Santana aponta outra vez o síndroma de perseguição que tem atacado Sócrates: tudo são conspirações contra ele...tudo num estado patológico e por vezes desligado da realidade.
Pior retrato de Sócrates que este? Muito difícil de encontrar. Vingança servida. O cartaz da polémica, das legislativas de 2005:

Angola- a agit-prop em marcha acelerada

 Económico:

O jornal de Angola escreve que "é um rotundo erro desvalorizar a posição tomada pelo nosso Chefe de Estado. Com isso, estão a enganar as pessoas. Dizem cinicamente que já está tudo bem, enquanto ao mesmo tempo o Ministério Público faz mais manchetes nos jornais e são violados os entendimentos feitos com Angola".

Esta notícia veiculada em Portugal e vinda directamente do Jornal de Angola vai contra a corrente de apaziguamento diplomático enunciada tanto pelo PR português como pelo embaixador de Angola e até, segundo notícia de Sábado,  do próprio povo angolano que em marcha de apoio ao presidente transformou a manifestação " numa enorme saudação às dezenas de milhar de portugueses que vivem e trabalham no país".

Torna-se por isso claro que há gente em Angola apostada em prejudicar as relações entre dos dois países, inventando questiúnculas e criando factos políticos desenterrados de invenções e mentiras graves. Por exemplo a que decorre da afirmação de que "o Ministério Público faz mais manchetes nos jornais".

As referidas manchetes nos jornais, são, como não podiam deixar de ser, as do Expresso cada vez mais cretino ( na última edição aposta num estudo científico que assegura que "os cães também são pessoas"...) e as do Diário de Notícias, com um Marcelino cada vez mais desportivo e à espera de um golpe de misericórdia porque o seu jornal está falido.   Quem se apronta para lhe dar o golpe? Os angolanos, comprando a Controlinvest do "amigo Joaquim", falido igualmente na voragem da vaidade mediática.

Vejamos as ditas manchetes e notícias e verifiquemos a plausibilidade da tese peregrina sobre  as "manchetes do Ministério Público".

Primeiro a do Expresso:


A manchete é a quintessência do jornalismo inventivo para criar "suspense" que venda em quiosques e seja citado. Deixa no ar a ideia que a "Procuradoria" ( o DCIAP e nunca a PGR, e nisto está mais uma subtileza cretina em que o jornal ricardocosteano é perito) não arquivou processos por caturrice discricionária e vontade de perseguição aos pobres angolanos. No desenvolvimento da manchete, com 4 apáginas inteiras sobre o assunto, outra explicação surge: foi o próprio advogado de três suspeitos angolanos ( os de maior calibre institucional, ou seja, Manuel Vicente, vice angolano e apontado como sucessor do actual presidente; Hélder Vieira Dias e Leopoldino Nascimento) quem requereu algo que não é explicado pelo jornal. Este fala em arquivamento mas pode ser um requerimenro de aceleração do processo, eventualmente mal formulado. Assim, um pedido de arquivamento, "recusado" pelo MºPº não tem sentido a não ser numa manchete do Expresso para vender papel. Só um entendimento cretino do assunto autorizaria uma manchete destas. E é assim.
E agora, o essencial da recriminação da agit-prop angolana: pela notícia que abaixo se transpõe, quem é o maior suspeito da violação de segredo de justiça, no caso concreto? Cada um tire as conclusões que entender, mas por mim, nunca o MºPº pode entrar à cabeça dos suspeitos...
Há até uma referência muito curiosa que insinua algo que pode muito bem ser inventado: a PGR Joana Marques Vidal e o PGR João Maria de Sousa ( envolvido noutro caso anunciado publicamente pelo Expresso e com referência a um "processo administrativo" a correr no DCIAP, o que eventualmente nem estará correctamente enunciado, mas enfim...o Expresso neste caso coloca o ramo num lado para vender o vinho noutro e prejudica seriamente relações diplomáticas entre dois países ao dar espavento a notícias de agit-prop, o que mostra bem o estilo e categoria do actual Expresso) terão falado sobre o assunto. Se a conversa foi entre duas pessoas, em privado e aparece no jornal a notícia de que "falaram no caso", quem deu a informação ao Expresso? É preciso pensar muito?


E agora o supra-sumo do jornalismo desportivo do "amigo Marcelino" que começa a ver a vida a andar para trás, por estupidez, também:

Quem noticia a informação sobre as 26 figuras é o Diário de Notícias, obviamente porque obteve tal informação de alguém. Seria do Ministério Público como afirma agora a agit-prop? Vejamos:
A notícias ( assinada por Carlos Rodrigues Lima e que obviamente sabe muito bem quem violou o segredo de justiça e pode muito bem raciocinar agora sobre os contornos desta campanha em curso) não menciona fontes do Ministério Público, mas cita várias fontes angolanas, a começar pelo próprio denunciante, Adriano Parreira, antigo embaixador condenado em Angola por corrupção ou crime similar) e continuando na "fonte próxima da diplomacia angolana" que informa como e quando se desenrolaram actos processuais nesse inquérito. Há aqui uma denúncia clara de quem violou o segredo de justiça que a agit-prop atira para o MºPº.  Mais: a "fuga de informação" primordial, a fonte da primeira notícia do Expresso, a quem deverá ser atribuída? Basta ler...e comparar a informação sobre o encontro entre os PGR de Angola e Portugal, em que se diz que "não houve uma palavra sobre o assunto" e a notícia do Expresso que assegura que sim, que houve...

Portanto, sobre "fugas de informação", violações de segredo de justiça, manipulações jornalísticas, cretinices continuadas ( do Expresso principalmente) e pura agit-prop com objectivos inconfessáveis e o frete que certos jornais portugueses se prestam perante estas entidades, estamos bem conversados.

E depois, o mesmo Diário de Notícias, desportivamente escreve no mesmo dia- 16 de Outubro de 2013- um editorial que sendo patético se afigura igualmente cretino.


Não será tempo de jornais portugueses tidos como sérios, serem um pouco mais inteligentes, competentes e diligentes? Alinhar em campanhas desta natureza dignifica-os? Isto é jornalismo sério e responsável, como se costuma dizer?
Deixarem-se manipular assim, prejudicando seriamente um país e milhares de pessoas,  sem um queixume ou reflexão redactorial, sem uma análise mesmo superficial é jornalismo de qualidade? Isto seria possível num Guardian, para não ir mais longe ao outro lado do Atlântico?

domingo, outubro 20, 2013

Portugal em 1971, segundo o Observador

A revista Observador, semanário dirigido por Artur Anselmo e José Martins, em Janeiro de 1971 dedicou todo um número especial à análise da economia portuguesa da época.
 Se nos fiarmos naquilo que a Esquerda escreveu sobre esse tempo, particularmente João Martins Pereira e o Bloco de Esquerda no livro Os donos de Portugal, poucas semelhanças encontraremos.

No entanto, o que temos disponível é essa análise, marxista e esquerdizante do que era então a nossa economia.
Para equilibrar e contrastar um pouco, deixo aqui uma série de páginas, cerca de 30, que dão uma ideia do que éramos nessa altura e dali a 4 anos deixamos de ser.
Evidentemente que um estudo jornalístico não pode ter grandes pretensões científicas mas isto também não é nenhuma tese de mestrado, mesmo sobre uma improvável tortura para quem não gosta do tema.

Vai às pinguinhas, para já.



Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso