quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Azarado Lopes, ministro por enquanto

Observador:


O investigador da Polícia Judiciária (PJ) Militar, major Vasco Brazão, garantiu ao juiz de instrução do caso do assalto a Tancos ter dado conhecimento ao gabinete do ministro Azeredo Lopes da encenação montada na Chamusca mais de um mês após a recuperação do arsenal, avança o Expresso. O ministro da Defesa desmente e o primeiro-ministro mantém a confiança em Azeredo Lopes.

As declarações de que o ministro tinha sido informado da encenação foram feitas durante o interrogatório de oito horas, esta terça-feira, dia 2, no Campus de Justiça, confirmou o Observador junto de fonte do processo. Na ocasião, o major assegurou ao juiz que tanto ele como o diretor da PJ Militar, o coronel Luís Vieira, terão dado conhecimento ao ministro da Defesa da encenação montada na Chamusca em conjunto com a GNR de Loulé em torno da recuperação das armas furtadas nos Paióis Nacionais de Tancos. Face à negação do ministro, o próprio Vasco Brazão admitiu esta quinta-feira pedir o levantamento do segredo de justiça se em causa estiver “a sua honra”, o que implica que poderá divulgar o conteúdo dos seus depoimentos em tribunal e outros dados que tem apresentado em sua defesa.


De pouco lhe valerá o providencial desaparecimento do "portátil" se em depoimento credível os implicados mantiverem o que já disseram: o ministro vai ser constituído arguido.  E quanto a medidas de coacção...não sei , não...

Resta saber o que é  que o Costa sabia e se ficou à margem desta comédia triste. E o PR. E o Rui Rio, que se pronunciou alegre e estupidamente em violação de segredos. De justiça, eventualmente.

Como é que dizia o maluco do Arnaldo? "Isto é tudo um putedo!", foi isso, acho.

E já agora: não constituirá a intervenção do JIC Ivo Rosa, no caso do furto do material, em que terá denegado a aplicação de medidas cautelares, um caso típico de obstrução à justiça? Em Portugal não está tipificado tal crime, mas há outros semelhantes e um dia destes o MºPº deverá mesmo fazer o que se impõe: denunciar criminalmente o referido JIC. Assim tal e qual.

Entretanto um dos advogados de defesa, o impagável Ricardo Sá Fernandes que acredita sempre piamente nas causas que defende, vem dizer isto:

Já esta tarde, Ricardo Sá Fernandes, advogado de defesa de Vasco Brazão, não comentou o depoimento do major perante o juiz de instrução do processo. “Não me cabe a mim nem confirmar nem desmentir" as declarações noticiadas, disse o advogado à saída do tribunal no Campus de Justiça, quando questionado pelos jornalistas.


Obviamente que tudo isto é uma violação flagrante de segredo de justiça, mas este advogado nada tem a ver com tal coisa. E até repudia, sem repudiar...

Entretanto temos um sonso que pretende fazer de toda a gente uma camada de parvos:
 
“Cumpre-me informar, em abono da minha honra e da verdade dos factos, que efetivamente recebi o Sr. coronel Luís Vieira [diretor da Polícia Judiciária Militar] e o Sr. Major Brazão [porta-voz da Política Judiciária Militar], no meu gabinete, em novembro de 2017”, refere o tenente-general António Martins Pereira, numa declaração escrita, enviada por e-mail à Agência Lusa.
O ex-chefe de gabinete do ministro Azeredo Lopes acrescenta que, “nessa ocasião ou em qualquer outra”, não lhe “foi possível descortinar qualquer facto que indiciasse qualquer irregularidade ou indicação de encobrimento de eventuais culpados do furto de Tancos”.
O general adianta também que comunicou esta quinta-feira, através do seu advogado, ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), que está “disponível para ser ouvido, no âmbito deste processo”, sobre aquilo de que tem conhecimento.

Sem comentários:

Desta vez é "crime violento"...