quarta-feira, setembro 28, 2022

D. Afonso Henriques, fundador da nossa nacionalidade

 O Movimento Independência de Portugal, que congrega pessoas como Gonçalo Sequeira Braga e o Tenente-Coronel Brandão Ferreira, organiza uma manifestação tripartida no próximo dia 5 de Outubro. 

Com este programa que me foi enviado por organizadores com pedido de publicação que faço com gosto, porque é assunto extra-partidário e que vai contra a corrente conformista do politicamente correcto socialista. 

Em Guimarães, terra do fundador da nossa nacionalidade:


Em Coimbra, onde está sepultado:

Em Lisboa, terra que conquistou aos mouros e simbolizou a gesta:


Não sendo monárquico reconheço os meus antepassados que me legaram o sítio onde vivo, tal como a cultura e a tradição. E por isso devem ser lembrados aos que ainda sabem disso e ensinados aos que para cá vêm, por bem.

Por outro lado 5 de Outubro é uma data republicana, por isso inadequada ao propósito, a meu ver relacionado com a identidade monárquica, até dos organizadores. Melhor seria como dantes era, o 1º de Dezembro. Enfim, seja o que for, vale a pena lembrar antepassados ilustres e reconhecer a nossa História. 

Na edição de Outubro da revista francesa GEO Histoire o número é dedicado a Portugal, "um pequeno país com destino mundial", mas a história que lá aparece começa com os descobrimentos, passando pelas guerras napoleónicas e pelo fim da monarquia, assim explicado em duas páginas...e que se inicia com a história do famigerado "mapa cor de rosa" e o papel assombroso dos nossos aliados ingleses de quem ainda há dias assistimos a transmissões em directo de cerimónias fúnebres e coroação do seu novo rei. Então, D. Carlos de Portugal cedeu aos ingleses. Por fraqueza e falta de poder. Os franceses, certamente lidos em fontes autorizadas indicam que foi isso que fez cair a monarquia em Portugal ( abaixo os Bragança e vivas à República, escrevem eles). As ligações estreitas entre as dinastias inglesa e portuguesa lançam o opróbrio sobre esta, escrevem mais. 

Isto trouxe a revolta popular, a ditadura de João Franco, o assassínio do rei ( e do filho) e por fim a república. 

Certamente não é isto que o Movimento Independência de Portugal quer celebrar porque nada há a celebrar nisto...






Melhor fora por isso recordar estes lugares que nos mostram onde está sepultado o primeiro rei de Portugal e que muito poucos portugueses conhecem:





Ah! Esqueci mencionar que estas fotos foram tiradas por mim, em Maio deste ano, num iPhone. Paguei a entrada para tirar as fotos e mais nada. 

terça-feira, setembro 27, 2022

Os Russos

 Nos anos setenta, aí por 1977, foi publicado em Portugal um livro de um jornalista americano do NYT, correspondente em Moscovo e que então ganhou o Pulitzer, com o escrito. 

aqui mencionei a obra...que me marcou e influenciou a forma de olhar para a Rússia e os russos. No postal referido referi que José Milhazes contava agora episódios muito semelhantes ao que então lera em tal livro e que Milhazes não lera a tempo de arrepiar caminho e dar atenção ao que os familiares da Póvoa lhe diziam sobre o comunismo. Enfim, os crentes só começam a duvidar quando levam na própria cabeça e sofrem com isso. Antes, os outros é que estão enganados... 

 


Agora foi publicado outro livro sobre russos, de uma certa categoria: os que tomaram o poder político e económico na Rússia após a queda do Muro e o colapso da União Soviética.

Tal como aquele, foi escrito por uma jornalista, neste caso do Financial Times, que vive em Londres e era correspondente em Moscovo e repórter do jornal Moscow Times e da Business Week, na Rússia. 

Tal como no caso do jornalista Hedrick Smith é fácil desvalorizar e denunciar o trabalho como propaganda, vinda do "Ocidente" numa altura de guerra e aviltando a mensageira de algo que não agrada. Foi o que fizeram os comunistas e outros que em 1977 não deram importância alguma ao que vinha denunciado naquele livro e que afinal espelhava a realidade da Rússia de então e que acabou por desfazer a União Soviética, cerca de uma dúzia de anos depois. 

Não obstante, contra factos pouco adiantam os argumentos e os factos apresentados logo no início são estes que ficam aqui para amostra. Ou são verdadeiros ou são falsos porque não são apenas opinião.








E as fotos para mais tarde recordar...do desgraçado Pugachev ( e outros da entourage). O relato que o mesmo faz do que aconteceu consigo pode ser julgado como parcial, tendencioso, falso até em alguma parte. Uma coisa porém, revela: factos relativos à organização de poder da entourage de Putin e da Rússia actual. Julga-se que não serão fotos como as do tempo de Estaline em que se apagavam figuras caídas em desgraça...




Não há no "Ocidente" ( Europa e EUA)  nenhum governo ou regime que se assemelhe a isto e que denote esta mancha de corrupção política se assim se quiser entender ou então este modo de organizar o poder, entregando a oligarcas o exercício do mesmo e deixando o povo aguentar sem se queixar porque não pode. Não há comparação entre isto e o que se passa nos EUA e no Reino Unido com o poder económico disseminado em empresas privadas. Nada de nada. 

Isto é o retrato da Rússia tal como contado pelo desgraçado Pugachev em discurso directo depois de cair em desgraça e se ver acossado pelos antigos amigos do KGB que estão no poder.







A única forma de ignorar isto e retirar as devidas conclusões é dizer- e demonstrar de algum modo- que é tudo falso, é tudo propaganda e que tudo isto se destina a falsear a imagem de um Putin que não é nada disto...

Alguém será capaz de tal feito?

domingo, setembro 25, 2022

Salazar foi Portugal

 O embaixador Bernardo Futscher Pereira publicou agora um livro acerca da actividade diplomática portuguesa  nos anos de Salazar, no tempo das guerras do Ultramar.

O Público tem hoje esta entrevista, melhor que a de ontem no Sol, ao mesmo e na qual se dizem coisas extraordinárias para desfazer certos mitos de esquerda. Por exemplo: "O regime era o que era. Era Portugal. As pessoas tinham dificuldade até em imaginar que fosse diferente" (...) "o regime era visto como legítimo. Isso em parte explica porque durou tanto. Mesmo assim conseguiu mobilizar o país para uma guerra colonial que durou 13 anos! E-eu conto isso no final do livro- na véspera do 25 de Abril Marcelo Caetano ainda recebe uma ovação no Estádio Nacional" .  

Estas frases são a demonstração de algo que toda a gente entende menos certa intelectualidade de uma esquerda atávica, com epicentro na anormalidade Fernando Rosas que publicou em tempos um opúsculo que intitulou "Salazar- a arte de durar", uma ignomínia junta a tantas outras do mesmo autor.

Finalmente, alguém que parece ter entendido algo essencial que escapa a uma certa esquerda cuja miopia tem inquinado o relato histórico das últimas décadas.





sábado, setembro 24, 2022

Vinil e cd nos discos de sempre

Durante os anos noventa o mercado dos discos comportou o vinil e o cd que aparecera e ameaçara tornar-se hegemónico, relegando o vinil para o rol das preciosidades históricas. Nem todos se deixaram enlevar pelo canto destas sereias digitais que convenceram mesmo um Frank Zappa da vantagem ilusória em regravar toda a obra no novo formato, ainda nos anos oitenta, passando a publicar em cd o que antes tinha sido lançado em vinil, nas etiquetas originais da Verve, Bizarre ou Discreet . 

Tal como a de muitos outros artistas, as obras de Zappa tinham já aparecido em cd, no final da década anterior, numa boa parte na etiqueta Rykodisc, o que continuou nos anos noventa, mesmo após a morte do compositor. Tornou-se uma confusão a distinção entre as versões analógicas e digitais, como aqui se dá conta.

O cd tornou-se ubíquo e predominante. À medida que surgiam as reedições em cd dos velhos discos, em catadupa, muitos deles com acrescentos de temas inéditos e quase sempre com a indicação de melhorias sonoras derivadas do "digital remastered", muitos consumidores começaram a coleccionar os discos de novo, ouvindo em digital o que já conheciam do analógico lp e procurando o nirvana sonoro, agora em modo digital e prometido pelas aparelhagens sofisticadas das marcas conceituadas, como a Sony e a Philips originais e as marcas concorrentes, japonesas ou esotéricas.

O marketing dos discos, com apresentações sofisticadas em caixas com colecções discográficas de grupos famosos ou edições especiais de discos que tinham sido grandes sucessos no tempo do vinil, tornaram o cd o rei incontestado da música popular. E não só porque as reedições da música clássica e das gravações famosas de antanho, tornaram o cd ainda mais prático e fundamental para o conhecimento de tais obras, fossem óperas ou sinfonias dos músicos antigos ou dos maestros que as interpretaram. 

O aparecimento de revistas dedicadas ao cd foi outro passo importante na divulgação, mais do que tinha sucedido antes com os lp´s em vinil. 
Esta edição da CD Review de Janeiro de 1989 é o exemplo do que veio a seguir a esses anos: uma evolução da espécie!



Com os cd´s tornou-se mais fácil ouvir música, de todo o género e feitio e com a disponibilidade de quase todos os discos, em reedições de discografias completas, antigas e de todo o tempo. E tudo mais barato, ainda por cima.

Nesta altura, nos anos noventa houve muita gente que deixou de ouvir os lp´s ou se desfez das suas coleções, trocando-as pelos cd´s da moda. 

Há especialistas que ainda apostam na qualidade técnica do cd para reproduzir sons e preferem tal media ao vinil, como José Victor Henriques, no seu HIFIClube, talvez o maior especialista nacional destes assuntos e que continua a jurar pela excelência do som digital, principalmente na versão em sacd, assegurando que nem gira-discos lp tem...

E também eu, no período funesto em que o cd reinou incontestavelmente  über alles, me deixei levar- ó precipitação! ó ilusão fascinante de uma maravilha quimérica!- e deixei conquistar pela beleza discreta das caixinhas de discos plastificados e brilhantes que prometiam o som perfeito, para sempre!

As caixinhas, para além dos discos traziam belíssimos livretos ilustrados com fotos nunca vistas, nem sequer nas revistas da especialidade. Era tudo uma novidade nas coisas antigas. Começou com a caixinha dos The Byrds, um repositório de inéditos e gravações antigas que era uma preciosidade para quem não tinha ainda ouvido os originais.


Músicas dos anos sessenta regravados e "remasterizados", para lhes polir o som já envelhecido que passou a brilhar digitalmente. Era essa a inovação e a técnica de venda: a promessa de melhoria pela "remasterização"!


Como exemplo das técnicas de marketing de certas editoras para vender estes produtos de modo irresistível para o consumidor interessado, a empresa MFSL em Julho de 1991, tal como aparecia na revista americana CD Review, dava à estampa  um anúncio espectacular, com o cd em evidência, mas com as mesmas referências de promessa de qualidade superior aos demais e com a referência às fitas analógicas, matrizes analógicas e só digitalização na última fase...


Pouco tempo depois, em 1993, a empresa inventou outro processo de melhorar as reedições em cd: recobrir o plástico do disco com uma camada dourada em vez do alumínio corrente. E deu-lhe o nome de Ultradisc II, referido no seu catálogo desse ano, já com várias páginas e que vinha por vezes como encarte nas revistas da especialidade: 

Em relação a estas tentações devo confessar o meu pecado: em várias ocasiões caí. Começou logo com o cd especial dos Pink Floyd, o tal Dark Side of the Moon, cuja promessa na contracapa era esta:


Depois recaí com os discos de Cat Stevens, os do início dos anos setenta, famosos na sua época e esquecidos tantos anos depois. 

Os discos dos Steely Dan, apesar de já os ter em vinil, em reedições de segunda ordem espanhola, também fizeram parte desses pecados originais. Tal como os Queen, Moody Blues, Supertramp, Elton John, enfim até me envergonho de acreditar na qualidade superior desses discos banhados numa mistela dourada que afiançava aumento de qualidade em relação à banalidade do alumínio, só por isso.

Mais grave ainda: deixei-me convencer que a colecção de discos em cd de Frank Zappa, da Rykodisc era o supra-sumo da reprodução sonora da sua obra original. Estes aqui mostrados, em 1992. E comprei-os quase todos...para me desiludir anos depois, voltando ao velho e seguro vinil de antanho, da Verve, da Bizarre, da Discreet e da Barking Pumpkin. Esses é que sim, sei-o agora...


Numa coisa teve grande vantagem o aparecimento do cd: permitiu ouvir o que nunca ouvira antes, por terem desaparecido os discos de vinil originais e ainda não haver mercado de usados na internet, nos anos noventa. 

Foi assim que pude ouvir muitos discos que até então só escutara no rádio ou ouvira de ler, nas revistas da especialidade.

As lojas foram aparecendo em centros comerciais, como no Centro Comercial Brasília, no Porto ou Carrefour de V.N.Gaia, logo no início dos anos noventa, com uma ampla oferta de cd´s de importação, mesmo americanos ( apareceram lá os cd´s com embalagem "longa" que era exclusiva das edições americanas) e autênticas novidades nas reedições de discos antigos. 

Decade, de Neil Young,  um disco de 1977 que em vinil era triplo e que só tinha visto em foto na Rock & Folk, a preto e branco, foi um dos que me encantaram ver pela primeira vez, porque era um disco mítico, para mim, na época. Tinha saído nos EUA,em 1988,  na primeira reedição em cd, e era dos que se apresentavam em "long box" com dois cd´s que comprei nessa altura. Mais tarde arranjei o triplo lp, original depois de ter comprado uma reedição. Escusado será dizer que esta versão em vinil é superior na qualidade sonora ao cd mas quando comprei a "long box" julguei que era o supra-sumo.

Mais tarde o desenvolvimento tecnológico e até a excelência na reprodução sonora do novo media, porém, viria a ser questionada pontualmente por aqueles para quem o vinil continuava a ser o meio preferido de audição. 

O aperfeiçoamento nas aparelhagens de reprodução e até mesmo o aparecimento de novos media, mais sofisticados que o cd mas funcionando na mesma base digital, como o dvd-audio e o sacd, surgidos no início dos anos 2000, ou mesmo o blu-ray pure audio, surgido uma década depois, não foi suficiente para convencer os aficionados do vinil que a era do mesmo tinha terminado, mesmo que o próprio cd tenha evoluído tecnologicamente para um aperfeiçoamento pontual, em edições especiais, geralmente japonesas e com acrónimos como SHM-cd, depois adaptado ao próprio sacd. 

Não obstante, a oportunidade de reedições de certos discos em formatos digitais vem acompanhada de argumentos de venda por vezes imbatíveis, nas edições "remastered" por especialistas de tais técnicas que prometem som aperfeiçoado e modificado para "melhor", ou diferente na maioria dos casos e com apresentação do produto em caixinhas com artefactos ou junção de livretos com fotos ou temas inéditos e até concertos nunca vistos. 

Raramente tais reedições cumprem tais promessas de som aperfeiçoado, de modo a fazer esquecer as gravações originais em vinil, mesmo nas reedições em sacd ou bluray.  

A reedição há quase vinte anos de uma boa parte dos principais discos de Bob Dylan em versão sacd, compatível com a audição em cd,  não fez esquecer as edições originais em vinil que se comparam muito bem com tais reedições aprimoradas na sonoridade digital.

A comparação do disco Harvest, de Neil Young, em versão DVD-Audio, publicada também há vinte anos, não afasta a qualidade intrínseca da versão em vinil original do LP Reprise MS 2032, com master da autoria de Lee Hulko na Sterling de 1972 e tal é aparente desde os primeiros compassos tocados a baixo e bateria, no tema Out on the weekend.

 


Por essas e outras, arrepiei caminho, felizmente e a tempo de repor a justiça sonora no seu devido lugar: no vinil, de época, de preferência original e quanto mais de origem melhor. E quanto mais dos primeiros a serem prensados ainda melhor.

A solução foi a de encontrar e recoleccionar o que faltava para ouvir em condições adequadas o que sempre gostei de ouvir, de há décadas a esta parte, em vinil. E foi fácil, porque há alguns anos, a ausência de entraves burocráticos e alfandegários dos países da produção original desses artefactos- Inglaterra e Estados Unidos- permitiu realizar tal sonho já satisfeito. Hoje seria mais difícil e certamente muitíssimo mais dispendioso. 

Por uma razão prosaica: nos últimos anos apareceram muitas mais pessoas a pensar assim e os preços dos discos usados subiram em flecha, nalguns casos pontuais, de discos um pouco mais raros ou procurados. 

Encontrar hoje em dia no mercado dos usados, na internet dos discogs ou ebay, o disco Dark Side of the Moon, dos Pink Floyd, publicado originalmente no Reino Unido, em 1973, pode valer centenas de euros ao interessado numa primeira edição em bom estado.  

 Por causa deste fenómeno, eventualmente, algumas editoras começaram a apostar nas reedições de luxo, em vinil,  de discos antigos e famosos no seu tempo. 

É neste contexto que apareceram de há uns anos a esta parte editoras apostadas em fazer reviver o vinil em todo o seu encanto analógico e com exclusão do digital, tido como espúrio e sem a magia do som original. 

E foi por causa disso que neste Verão estourou um pequeno escândalo nos EUA por causa de uma destas editoras...aqui já mencionada: a Mobile Fidelity. 

A história fica para a próxima.


quinta-feira, setembro 22, 2022

Costa plantado perante um caso...

 CM de hoje:


Tal&Qual de ontem:



A informação destes jornais é escassa, para além do facto em si, de A.Costa ter adquirido um "andar" ( como se diz em Lisboa)  e ter declarado em Maio de 2021, no TC o negócio, a par de um outro, anterior, realizado em 2018 e resolvido em 2021 através de uma venda. 

A questão que ambos os jornais apresentam é simples de responder, mas o manhoso de sempre, refugiou-se na declaração do T.C. 

Aparentemente, o preço de aquisição é uma "pechincha" como escreve o Tal&Qual e por isso suscita curiosidade por vir de alguém que tem de estar acima de qualquer suspeita e não fazer as figuras do seu antigo primeiro-ministro, preso por corrupção e a aguardar julgamento, em liberdade e enquanto protesta inocência, atacando o MºPº por uma cabala gigantesca em que aliás ninguém acredita, no mesmo número do Tal & Qual que lhe dá guarida para escrever ignomínias, ofensas e dislates inenarráveis. O cúmulo é queixar-se de atrasos na justiça quando os seus advogados são os primeiros responsáveis por tal...

Assim, a questão a que A. Costa tem que dar resposta é simples: comprou o "andar" em "planta" ou agora, no ano passado? E outras decorrem desta: se foi em planta qual o preço combinado em contrato-promessa ( escrito ou verbalizado...)? E quem intermediou estes negócios? E ainda se comprou em "planta" como se compreende que tenha comprado outro "andar", numa cave, em 2018, num negócio tido como estranho por causa da localização?

O que esconde o manhoso Costa, neste caso? Terá alguma coisa a esconder? A resposta só o mesmo a poderá dar e já tarda.

quarta-feira, setembro 21, 2022

Walter Scott? Romano Torres, s.f.f

 Esta pequena crónica no CM de hoje, de Francisco Viegas traz-me à memória os livros de Walter Scott, como Ivanhoe e Rob Roy que li sofregamente quando era muito jovem e a biblioteca itinerante da Gulbenkian mos emprestava por um mês. 


Ivanhoe de Walter Scott era a aventura dos cavaleiros medievais, contada em modo de romance.

Francisco Viegas diz que os livros de Walter Scott, tirando o Ivanhoe, estão esgotados por cá. 

Tempos houve em que esta literatura tinha lugar cativo nas bibliotecas e eram leitura de jovens em busca de aventuras escritas em vez de mostradas em écrans.

Porém, se havia livros de Walter Scott isso era obra de um editor fantástico que preenchia então os escaparates de muitas livrarias com as suas capas bi-cromáticas em cores quentes e sólidas, com fundo em creme carregado, como estas, com imagens tiradas da net e dos sítios de venda de livros usados.



Assim, sendo devida a homenagem a Walter Scott também o será a lembrança da livraria Romano Torres que durante a maior parte do século XX deu a conhecer aos leitores portugueses estas obras da literatura de aventuras históricas e sempre interessantes.

Os relatos sobre a Romano Torres também merecem o destaque devido, como aqui lhe é dado.


Por causa da história de Ivanhoe que menciona Ricardo, o Coração de Leão, há alguns anos atrás fiz uma caminhada, sempre a subir,  numa pequena localidade austríaca para ir ver um sítio em ruínas cuja lenda reza ter sido lugar de prisão para o dito. Em Dürnstein, no castelo cujas ruínas se vêem no topo da colina e em baixo o Danúbio. Azul...



terça-feira, setembro 20, 2022

Os discos de vinil e a música rock

 Quando comecei a ouvir música rock com alguma atenção, no início dos anos setenta, os discos de vinil eram supérfluos para o efeito, porque havia o rádio, mas eram essenciais para complementarem a imagem que aparecia nas publicações dedicadas que os davam a conhecer e publicitavam os artistas. 

A música dos Beatles e de outros artistas, nesse início e para mim, era uma música de singles, de músicas dispersas que passavam no rádio e se ouviam em altifalantes no ambiente da época e se viam em fotos de jornal ou revista. 

A juventude da geração precedente que cresceu com o aparecimento e desenvolvimento do rock, na segunda metade dos sessenta, se vivesse em ambientes urbanos de certa dimensão, conhecia mais um pouco, porque havia discotecas que mostravam os artefactos e alguns compravam-nos. 

Em 1970 já tinha sido publicada uma série de obras de grandes artistas da música rock que ainda hoje perduram como clássicos de sempre. Beatles, Rolling Stones, Led Zeppelin, Simon & Garfunkel, Bob Dylan, Creedence Clearwater Revival, Jimi Hendrix, CSN&Y, toda a troupe de Woodstock era já matéria sabida para muitos que se aprestavam a escutar outras coisas que apareciam a um ritmo semanal. 

Os discos de vinil que davam substância física a estes fenómenos tornavam-se objectos de desejo para muitos jovens, ainda sem dinheiro para os comprar e que se limitavam a ouvir aqui e ali e no rádio e em muitos casos nem sequer viam os discos, por alguns serem raros e nem todas as discotecas os terem. 

Foi por isso que houve muitíssimos discos desse tempo anterior aos setentas e mesmo depois disso que nunca vira, até muitos anos depois. 

Tal fenómeno tende a suscitar a mitificação de determinadas obras que eram referências obrigatórias de audição e outras que assim se tornaram com a mitificação mediática posterior. 

Por causa disso algumas primeiras edições de certos discos, esgotadas, foram depois reeditadas sucessivamente, com maior ou menor sucesso. 

Por outro lado, as edições de discos, originárias de países, neste caso anglo-americanos, em fábricas espalhadas por todo o mundo, carecia de fontes como eram então as fitas gravadas, originais ou já em cópias sucessivas, para se produzirem em quantidades e num processo industrial específico.

Houve por isso discos que se produziram aos milhares de milhar e outros com menos tiragens, mas não menos importantes e míticos por isso mesmo.

Por exemplo, o disco Tommy, dos The Who, saído originalmente em Inglaterra em 1969, com grande sucesso popular e crítico, teve várias reedições em variados formatos, ao longo dos anos mas até determinada altura poucos ligavam a isso. A minha cópia é de 1973 e actualmente considerada de qualidade, semelhante à original. As discussões acerca do assunto são interessantes.

Não obstante, com o filme de 1975, de Ken Russel, o disco ganhou novo impacto, tanto na versão de banda sonora como na original, nessa altura há muito esgotada e que por isso só muito mais tarde ouvi e ainda mais tarde consegui arranjar o lp de prensagem  britânica. 

Aliás, tal disco, segundo este sítio de confiança, nunca chegou a ser editado em Portugal, localmente. Desse modo todos os exemplares que eventualmente se mostravam nos escaparates das discotecas da época eram de importação e portanto, em números reduzidos. Já o disco de 1975 foi editado nessa altura, em Portugal o que significa que a maioria dos ouvintes conhecia Tommy da versão em banda sonora do filme de 1975. Como eu na época. 

O disco dos Beatles, Let it be, lançado originalmente no Reino Unido, em Maio de 1970, numa bela caixinha de papelão, nunca foi produzido em Portugal nesse formato pelo que os que por cá apareceram eram de importação. Aliás tal como o disco simples que só foi produzido por cá em 1982. 

O disco Sticky Fingers de 1971,dos Rolling Stones, com a capa do fecho éclair só em 1979 se produziu em Portugal, logo o que apareceu vinha de importações. 

Idem para o disco dos Jethro Tull Stand Up, de 1969, nunca por cá viu o dia em edição nacional pelo que só quem comprou as importações pôde ver as figurinhas recortadas dos músicos a surgir de repente  no meio da capa que se abria. 

Esse disco tal como outros, singular pelas suas características gráficas, só era conhecido da maioria dos interessados, de vista e em imagem publicada. 

O disco dos Crosby Stills Nash & Young, Déja Vu, de 1970, um portento gráfico, só apareceu por cá em 1977 e sem a magnificência da capa original, americana. 

Um disco de 1972, dos Wailers de Bob Marley, Catch a Fire e que tem uma capa em formado de isqueiro Zippo, nunca por cá foi visto senão em eventual importação.  

O mesmo sucede com outras pequenas obras primas de acabamento gráfico como o John Barleycorn dos Traffic de 1970, com a capa britânica em papel kraft ou a americana em serapilheira. Aliás, os discos dos Traffic dos anos setenta, quase todos com arranjos gráficos originais e interessantes não chegaram cá em produção nacional. 

O disco Brain Salad Surgery, dos ELP, de 1973, com a capa ilustrada por H.R.Giger, recortada em modo especial e que cheguei a ver nos escaparates, seria original inglês pois nunca foi editada por cá.

Durante muitos anos, em Portugal era esse o panorama: os discos originais, muitos deles eram de importação e quando vendidos desapareciam dos escaparates, durante anos a fio, ficando apenas na memória de quem os tinha visto alguma vez expostos.  Ficavam as imagens das publicações especializadas, muitas vezes a preto e branco.

E se no aspecto gráfico era assim no que se referia ao som as particularidades são ainda mais expressivas e importantes. 

As diferentes prensagens dos discos originavam diferentes qualidades sonoras, sendo as originais consideradas as melhores em modo de som. 

Ora quem não chegou a ouvir as versões originais de alguns discos importantes da discografia rock, só ulteriormente e nalguns casos muitos anos depois conseguiu ouvir tais discos e numa boa parte dos casos já num formato diferente, em cd e similares.

Para além disso, a indústria discográfica que se expandiu de modo exponencial durante os anos setenta, no final da década apresentava alguns problemas de qualidade no produto acabado do vinil, tal como se escrevia na revista Rolling Stone em 7 de Setembro de 1978, num suplemento dedicado ao Hi-Fi e no qual se explica clara e resumidamente o processo de produção de um disco de vinil e as suas dificuldades inerentes:



Tudo começava numa fita magnética de duas pistas, gravada a partir de uma misturadora de várias pistas ( 18 ou mesmo 24), num estúdio de gravação.  Com auxílio de um "torno" ( "lathe") para gravação física num disco lacado obtém-se uma matriz a partir dessa fita magnética. Depois, tal disco lacado é enviado para uma prensagem, limpo e recoberto de uma camada de prata que o torna condutor de electricidade e depois recoberto com uma camada sólida de composto de níquel. Tal camada de níquel é removida da tal matriz resultando numa cópia negativa do disco gravado inicialmente, chamada matriz metálica. Esta leva outra camada de níquel que é retirada e origina a cópia em positivo ou a "mãe metálica" que é examinada e avaliada quanto à qualidade de som. Leva uma última camada de níquel e a cópia final servirá para estampar o molde em vinil que chegará aos ouvintes. Há dois estampadores para cada lado de um disco que se inserem numa prensa com água para arrefecer o processo. Todo o processo de moldagem, automatizado, ocorre em menos de meio minuto e cada conjunto de estampadores dará para cerca de mil discos. Em meados dos anos setenta, a pressa em produzir milhões de discos ( o Frampton Comes Alive de Peter Frampto vendeu meia dúzia de milhões de exemplares no ano de 1976- e por isso, show me the way...) fez que tal cadência pudesse atingir as 3000 unidades, com manifestas perdas de qualidade sonora no vinil.

Tal como se refere no artigo, as editoras procuravam ter cuidado mas havia falhas, desde logo na selecção do vinil, nalguns casos reutilizado como plástico para moldagem de novos discos e no controlo de qualidade final dos discos.

No final dos anos setenta haveria cerca de cem fábricas para estes processos de fabrico de discos, nos EUA, embora a maioria se concentrasse em meia dúzia ou menos, com destaque para um produtor independente, a Monarch Record Manufacturing Company, cuja importância se verá. 

No artigo da Rolling Stone é citado várias vezes o responsável por uma dessas empresas, a The Mastering Labs ( TML que aparece nos discos, gravado na parte junto ao rótulo) e chamado Doug Sax, cuja produção é extensa, incluindo um dos discos acima citados ( Sticky Fingers dos Stones, cuja matriz para a produção da edição original britânica foi realizada em Los Angeles, a partir das fitas enviadas de Inglaterra).

Doug Sax aparece aqui numa foto antiga retirada do artigo da wikipedia, acompanhado com quatro máquinas de "torno" para produzir matrizes.

Por causa destes procedimentos na produção de discos, nessa mesma altura de finais dos anos setenta apareceu uma empresa de produção de discos, garantindo maior qualidade nessa tarefa. A Mobile Fidelity Sound Labs surgiu em 1977 e procurou colmatar falhas na produção de discos de vinil, assegurando a qualidade do produto.

Tal como se explica no artigo da Wiki o método de produção de reedições de discos já publicados anteriormente funcionava deste modo:

In 1977, Mobile Fidelity began to produce a line of records known as "Original Master Recording" vinyl LPs.
 These albums were previously released by other companies, licensed by Mobile Fidelity, and remastered using half-speed mastering from the original analog master tapes, without compression, and with minimal equalization.
 The recordings were pressed in Japan using a plastic compound, invented by JVC, and marketed as "Supervinyl" by Mobile Fidelity.

A "minimal equalization" pressupunha que a reedição não era forçosamente idêntica à original, embora as modificações pudessem resultar num produto sonoro mais audível para certos gostos. 
As "equalizações" podiam assim realçar certas frequências em detrimento de outras e geralmente os "baixos" mais puxados eram o must, tal como os agudos um pouco mais evidenciados. No meio sobravam todas as frequências médias que corriam o risco de se afogar um pouco nessa manipulação.
Durante anos assim foi e pelo menos até meados dos anos oitenta a MFSL produziu e vendeu, em reedição muitos clássicos da pop/rock, a preços mais puxados do que as edições normais, em alguns casos inexistentes. 
Em finais de 1982 a empresa publicou uma caixa com os discos dos Beatles, depois de em anos anteriores ter publicado três discos do grupo, em reedição e a partir de cópias das fitas originais, tal como aqui se conta
A caixa resultante, que esgotou as cerca de 25 mil cópias produzidas nesse ano, tornou-se lendária até este Verão em que estourou o escândalo, na sequência de outro, a propósito de aldrabices digitais: afinal as reedições nem seriam realizadas a partir das fitas originais, gravadas no Reino Unido mas cópias destas e em alguns casos, nos discos singulares, as cópias realizadas nos EUA a partir daquelas, para prensar os discos editados nos EUA, de qualidade inferior aos originais ingleses.
A história destas coisas conta-se agora em sítios como este, com as personagens originais.
Quanto às caixas de 1982, apesar disto ainda se vendem a preços superiores a 2 ou 3 mil euros, na Alemanha, por exemplo. 

Quando a empresa MFSL se formou e começou a comercializar os discos reeditados, a filosofia do marketing era esta, como se pode ler nesta edição da Rolling Stone de 26 de Junho de 1980, a primeira em que vi um artigo, neste caso publicitário sobre a empresa e os seus produtos: ouvir os Beatles como nunca antes tinham sido ouvidos...a não ser para quem lá esteve! Pois sim. Segundo se diz agora,  as últimas reedições da obra dos Beatles, realizadas na casa mãe, cilidram estas reedições da MFSL.
Os discos mostrados na publicidade são todos de 1980.


A ênfase era colocada na qualidade intrínseca do produto gravado, a partir de técnicas utilizadas em modo pioneiro e singular, como a gravação das matrizes em metade da velocidade, efeito só possível através de novas máquinas de reprodução das bandas magnéticas, originais ou cópias. 
Em 2 de Outubro de 1980 novo anúncio, desta vez a propósito de Abbey Road, um disco que foi lançado nesse ano e cuja fita original da EMI não foi utilizada mas sim a cópia da Capitol americana. Os restantes discos também eram de 1980 embora americanos e por isso susceptíveis de terem sido gravados a partir das fitas originais, como aqui se  explica para exemplificar a melhoria na reedição do disco, neste caso de um dos Steely Dan.


Numa página inteira publicada na Record de Junho de 1983 a empresa dava conta da sua vantagem competitiva no negócio da venda de discos em vinil. As reedições sucediam-se e abrangiam as obras esgotadas há anos e agora relembradas de novo para gáudio dos amadores de tais discos antigos, com a promessa de poderem ser ouvidos como antes nunca o tinham sido. O marketing fez o resto e antes da chegada do cd estas reedições eram um maná para quem queria ouvir o que nunca tinha ouvido antes. Por cá, não me recordo de ver algum destes discos à venda ou até de os ver publicitados:
 

Os anos oitenta foram marcantes na evolução do consumo e da tecnologia relativamente aos suportes musicais. 
O LP de vinil em meados dos anos oitenta tornou-se um artigo de consumo corrente e com descontos generalizados das editoras que então lançaram campanhas que apunha no plástico exterior da capa dos discos, rótulos de "nice price", "super savers", "best buy", "platinum savers" e outros. Tudo explicado aqui, em pormenor e cuidado, no forum de Hoffmann, um técnico dos discos.
Com a entrada de Portugal e Espanha no reino europeu do mercado comum generalizado foi um fartote de importações, vindas geralmente da Alemanha em formato "nice price" da WEA.
O que não havia por cá, em Espanha arranjava-se. 
Foi assim que reuni uma boa parte dos discos, alguns deles em prensagem original mas rotulados do modo indicado e uma boa maioria em reeimpressões posteriores à sua data de saída original.
Para mim que nunca tinha visto alguns desses discos na versão original, saída nos anos sessenta foi uma bênção e pude começar a reunir uma espécie de discoteca ideal com os discos de música que sempre apreciara e nunca tinha tido a oportunidade em ouvir desse modo.
A experiência começara logo em 1982 com a reedição, em Portugal da discografia mais importante dos Beatles, pela Valentim de Carvalho e por ocasião  da efeméride dos "20 anos dos Beatles", conforme este anúncio no Sete de 5 de Outubro de 1982


Foi então que ouvi alguns discos pela primeira vez, mesmo dos mais celebrados, como o duplo branco. Não os tinha ouvido na altura, os discos tinham desaparecido dos escaparates e não havia reedições disponíveis dos mesmos.

E como fazer para ouvir os clássicos que já tinham deixado de aparecer nos escaparates se as reedições por cá eram escassas e sem relevância? Havia uma alternativa para quem quisesse mesmo ouvir. Esta:




A importação de discos, por correspondência, a vendedores ingleses, como a COB ou a GEMA que por uma quantia determinada e nas condições indicadas exportavam a mercadoria que ainda passava nas alfândegas sem burocracias de maior. Foi assim que muitos portugueses arranjaram os discos que por cá não havia. E o catálogo, em 1982 era já extenso e incluía discografias completas de certos artistas, sendo alguns discos sobras de primeiras edições ou reedições que no Reino Unido eram frequentes. 
O primeiro sinal de que algo começara a mudar neste sentido vi-o na Rolling Stone de final do ano de 1980, por causa destes dois anúncios:

 


A música rock começava a contar a sua história já com quase três décadas e daqui para a frente foi sempre assim.

Gradualmente começaram a surgir campanhas de promoção de discos do "fundo de catálogo" e até finais dos oitenta foi a grande cornucópia.
Em Portugal não havia destas promoções porque quase tudo vinha da Alemanha da WEA e da "nice price". Tais campanhas permitiram então ouvir o que nunca tinha sido antes e a organizar colecções de discos mais em conta, mas com menor qualidade sonora, na maior parte dos casos. 
Ainda vinha longe o fenómeno das vendas à distância através de ebays e discogs que também revolucionaram o modo como as colecções de discos se organizaram em todo o lado por quem sentia tal necessidade. 
Em Espanha a oferta de discos de fundo de catálogo  era um regalo:







Em Itália, como mostra este anúncio na revista Alta Fedeltà de Novembro de 1990, a transição para outro fenómeno ainda maior estava em marcha, com o aparecimento de outro media que se tornaria revolucionário nas últimas décadas e alterou o modo como as pessoas passaram a ouvir e apreciar as músicas, incluindo as de outros tempos...


Então, em meados dos oitenta aconteceu o fenómeno que alterou a comercialização da música popular e não só: o aparecimento do cd, uma autêntica revolução que a indústria explorou desde o início como uma maravilha nunca ouvida.
Tal fenómeno já tinha sido anunciado,  como neste artigo da Rolling Stone de 19 de Maio de 1977. A era digital estava a começar:


 O aparecimento do cd foi por isso uma questão de tempo, como mostra a revista Musician de Fevereiro de 1982:

E na revista Record, uma variação da Rolling Stone que durou pouco tempo, em Agosto de 1983:


Também a MFSL encarreirou nesta fileira, até hoje e ao escândalo que motivou este escrito. 

Fica para a segunda parte mas refira-se que no final dos anos noventa esta empresa não estava sózinha no negócio das reedições de discos antigos, aprimorados na produção e apresentação publicitária. 

Em 1994 apareceu a editora Classic Records, num tempo já entregue ao domínio do cd e dedicada à prensagem de discos antigos com critérios de qualidade porventura superiores à da MFSL. 

Tais discos vendem-se agora como autênticos clássicos das reedições, em alguns casos considerados mesmo como superiores aos originais em função do cuidado posto na prensagem dos discos. O catálogo foi entretanto adquirido por outra editora especializada na produção de discos em vinil de alta qualidade, a Acoustic Sounds, de Chad Kassem que é actualmente provavelmente a líder na produção de tais preciosidades.