segunda-feira, fevereiro 06, 2023

domingo, fevereiro 05, 2023

A ilustração aerografada

Não me recordo do momento em que reparei pela primeira vez nas ilustrações retocadas com um pequeno instrumento de sopro de ar comprimido, chamado aerógrafo.  

Sei que tais ilustrações me fascinaram desde sempre pela beleza brilhante e luzidia nas imagens impressas que nenhum outro meio de pintar consegue atingir. 

Costumo comparar o aerógrafo enquanto instrumento de pintura e ilustração com a pedal-steel guitar na música popular, porque o efeito particular que empresta onde se aplica, é de brilho suplementar e uma cor arredondada, tal como na música sucede com tal instrumento. 

A ilustração também depende de modas e a do uso de aerógrafo, para mim, começou nos anos setenta, com as revistas que eram publicadas no estrangeiro e que se vendiam por cá e ainda nas capas dos discos que então apareciam. 

Foi exactamente nessa altura que ressurgiu a moda do aerógrafo como instrumento de ilustração usado em certas publicidades e capas de discos, quando antes tinha servido essencialmente para ilustrar objectos técnicos. 

Quanto ao aparecimento dessa técnica de pintura e ilustração não é preciso copiar nada da internet porque desde 1983-85 me interesso pelo assunto, procurando saber mais através de dois livros sobre ilustração, em espanhol que então comprei e que tinham saído já nos anos oitenta. Particularmente estes:




E que até tem a história do aparecimento do instrumento e técnica: no século XIX, Charles Brudick inventou-o em 1893. 



Assim, nos anos sessenta, com a Pop Art e depois nos setenta, nos EUA, foi popularizada a técnica através de alguns exemplo, como estes, tirados do livro:


Logo em 1970 houve manifestações gráficas deste estilo, como por exemplo nestes disco e poster dos Grateful Dead, da autoria de artistas da Mouse Studios:



O nome de Dave Williardson também se tornou relevante a partir dos anos setenta, com ilustrações do mesmo para os discos e posters. Por exemplo este, com particular destaque para o poster do filme American Graffiti, de 1973:


Teria sido mais ou menos por essa altura- 1973-74 que tais ilustrações particulares me chamaram a atenção. 

Em 1973 saiu este disco dos Emmerson Lake & Palmer, com esta capa em que tal instrumento foi usado pelo suíço H.R. Giger:


Se em 1973 havia manifestações deste tipo de arte particular, foi em 1975 que se revelou, para mim, através de várias ilustrações que fui descobrindo, na altura.

Esta do disco de Elton John, saído em 1975, com maior destaque para a técnica, da autoria de Allan Aldridge:


Com este poster no interior:


Este mesmo Allan Aldridge tinha ilustrado um livrinho com letras das canções dos Beatles e em 1976 comprei um livro sobre a música pop, com a capa que tinha uma dessas ilustrações:




Em 1974 algumas revistas americanas como a National Lampoon mostravam exemplos da técnica. Como este, censurado:


A mesma revista tinha publicado em Agosto de 1972 esta capa com uma ilustração do género:


E em 1973:

Em 1974:



O ano de 1975, porém,  foi o da revelação desta técnica de ilustração. 

Entre Julho e Outubro desse ano, os jornais de música ingleses publicaram estas imagens publicitárias de discos que então saíram e cujas características comuns eram as ilustrações a aerógrafo:









Estas ilustrações a preto e branco ganhavam outra vividez cromática, assim, algumas delas vistas muito mais tarde:







Nos anos oitenta, o fascínio por tal tipo de ilustração levou-me a comprar estes álbuns de ilustrações de capas de discos, o que aconteceu em 1985 e 1988:



. Por aqui descobri algumas capas de discos com ilustrações do género e que nunca tinha visto antes:






Em 1974 tinha saído este disco dos Rolling Stones, ilustrado pelo belga Peellaert e cujo livro Rock Dreams descobri depois, já mencionado aqui e onde o mesmo faz extenso uso da técnica:




A seguir foi a Rock & Folk que me mostrou mais imagens do género:



 1976:






That´s all, folks!

sábado, fevereiro 04, 2023

A nossa adesão à CEE contada às crianças e lembrada ao povo

 Portugal aderiu à CEE em 1986, com pompa e circunstância, assim:


Quem é que aparece a assinar o livro de ponto? Nem é preciso dizer. Mas é preciso contar como se chegou até ali, aos Jerónimos nesse dia 12 de Junho de 1985, período de bloco central no governo, porque estávamos no meio de mais uma bancarrota, promovida pelos figurões de sempre, para mim a Esquerda unida deste país. O tratado assinado começou a vigorar em Janeiro de 1986.

A seguir foi isto, até chegarmos a 2023, como país mais atrasado da própria União Europeia, entretanto alargada e incluindo alguns países que na época ainda eram comunistas e sem economia de mercado. 

Nós sempre tivemos economia de mercado, mas até hoje sempre marcada pelo ferrete do PREC que nacionalizou as principais indústrias privadas, bancos e seguros e arruinou em poucos anos o pecúlio que demorou décadas a conseguir, pelos seus antigos proprietários, espoliados, escorraçados e refugiados em países terceiros, onde alguns conseguira reerguer-se, como foi o caso dos Mellos e de Champallimaud. Quanto aos Espírito Santo, não tiveram a mesma sorte porque se apoiaram outra vez no Estado e conduziram a outra bancarrota, já nos anos dois mil.

 A revista Visão desta semana mostra os nossos ricos...da actualidade. O mais rico de todos ( a família Amorim)  terá uma fortuna calculada em 4 mil milhões de euros e dedica-se à indústria. É preciso dizer-se que escapou às nacionalizações de 1975, no Alentejo dos sobreiros, onde em 1970 já era preponderante. Deixou apenas um três mil hectares para os comunistas brincarem às reformas agrárias e safou-se de perder tudo. 


É assim, tal família, a mais rica de Portugal! Fantástico! 

Logo a seguir vêm a família Mello com menos mil milhões. Tinham a CUF que foi nacionalizada e malbaratada pelos kamaradas de sempre ( PS e PCP) e conseguiram apesar disso refazer parte do que herdaram de Alfredo da Silva e Manuel de Mello. Dedicam-se ao sector agro-alimentar e saúde. 

Depois aparecem os merceeiros e nem vale a pena dizer nomes. O maior nem dois mil milhões tem, mas chega-lhes para subsidiar um jornal como o Público, com prejuízos catastróficos desde sempre. 

Os dois últimos são da área dos moldes ( Simoldes) e da construção civil ( Visabeira) e tem um pouco mais de um milhar de milhão de euros de fortuna estimada. 

Como é que chegamos aqui, a esta miséria que nos coloca como país mais atrasado da Europa? Compare-se com Espanha, por exemplo, para sentirmos a diferença real que o socialismo esquerdista nos impôs como destino fatal. 

Em 8.7.1989 o Expresso mostrava quem tinham sido alguns dos nossos ricos até ao PREC e a quem o PCP tinha um ódio político de morte, liquidando-os economicamente em 1975:


Com a nossa primeira bancarrota em 1977 surgiu a necessidade de retomar a velha ideia, vinda do tempo de Marcello Caetano, de integrarmos a CEE, embora noutros moldes, mais humilhantes para nós que estávamos literalmente de mão estendida à caridade internacional dos empréstimos do FMI e similares.

A história da CEE merece contar-se resumidamente, através de outros que já o fizeram. Em primeiro lugar o que tínhamos, tal como contado no Semanário de 16 de Junho de 1984. O panorama é aflitivo, a miséria exposta e a incompetência e incapacidade de solucionar, evidentes da destruição que essa gente ( PS e PCP) provocou a Portugal com as suas ideias políticas: 

Em 4 de Janeiro de 1985 ainda se sonhava com isto:

Em 25 de Janeiro de 1985 o problema grave das empresas públicas arruinadas pela gestão esquerdista e fonte de prejuízos imensos para a economia,  era assim equacionado na revista grande Reportagem: 



 Em Fevereiro de 1985 havia este espectro...denunciado publicamente, em resultado das políticas esquerdista do PS e do PCP. Lá ao fundo aparece a TAP, um verdadeiro case study destes mitos esquerdistas:


A solução para os problemas parecia estar lá fora, na mítica Europa. E isso desde 1977...porém, já em 1971 havia ideias sobre isso, bastante diferentes, aliás. 

Convém no entanto esclarecer quem teve mais tempo de governação desde o PREC até 1984 e o mesmo Semanário de 28 de Abril de 1984 mostrava quem fora. A palma de ouro para Almeida Santos mas Mário Soares teve quase o mesmo tempo de governo e a mandar, ainda por cima:


Tal como hoje os media colaboraram activamente na farsa de convencer os portugueses que tudo e todo o mal passado era culpa do fassismo anterior. Agora é que iria ser...

 Fizemos um acordo, juntamente com a Espanha e a negociação foi renhida, segundo a revista Grande Reportagem de 4 de Abril de 1985, então com um jornalista tremendo como Miguel Sousa Tavares que agora escreve no Expresso coisas e loisas:






Em 3 de Maio de 1985 continuava a contar-se como foi a história da nossa adesão à CEE, por Sousa Tavares, precisamente e neste caso no sector das pescas:



Em 31 de Maio 1985 ainda se expunham dúvidas:


O Expresso de 8 de Junho de 1985 também contou a história:




Até que em Junho chegou o dia!


E depois disto? Pois, é assunto mais complexo, mas em Novembro de 1985 Cavaco Silva ganhou as eleições à Esquerda socialista, embora ainda sem maioria absoluta ( só em 1987 a conseguiu), criando este problema de que os portugueses se esqueceram entretanto:


Até 1995 o PS não governou. Mas empeceu a governação. Até 1989 com a revisão constitucional que permitiu a pela primeira vez desde o PREC a abertura do sistema económico e depois com um certo predomínio mediático que condicionou sempre a governação. Em 1995 o PS retomou as rédeas do poder, praticamente até hoje e a contabilizar mais uma bancarrota com o inenarrável José Sócrates. 



A arte dos títulos de notícias