quinta-feira, julho 23, 2015

O cerne da questão actual da corrupção em Portugal

Este artigo da revista Sábado de hoje coloca em equação, particularmente na pequena crónica de Eduardo Dâmaso, a essência do que nos consome: por um lado, o problema gigante da corrupção latente e por outro as manobras de diversão dos diversos apaniguados deste sistema que mina a democracia e qualquer regime, aliás, porque redunda num exercício de latrocínio encapotado numa legitimidade política sem fundamento. A par disso e para ajudar a essa missa negra seguir-se-ão os pareceres dos causídicos catedráticos de Coimbra, triste e lamentavelmente. A acolitar os mesmos estão os advogados de sempre, com os argumentos de sempre e o dinheiro a tilintar nos bolsos que é isso que interessa e o resto são tretas.
A denúncia deste ilegitimidade criminosa encontra resistências em vários sectores, sendo por isso mais uma vez lamentável que um político como Rui Rio que sabe perfeitamente que assim é e provavelmente não pertence a esta canalha de corruptos encartados há dezenas de anos, diga o que anda a dizer sobre o sistema de justiça.
Em Portugal, o sistema de justiça tem um problema agora que é o de sempre: a maior parte dos media faz tudo o que é possível para o desacreditar. Os jornalistas que assim procedem são paus-mandados desse sistema corrupto e muitos deles provavelmente nem se dão conta disso. Diário de Notícias, Público, i, Expresso e televisões e rádios por inteiro ( RTP, SIC e TVI, RR e RCP e Antea Um) que são os media mais poderosos,  estão ao serviço da ocultação dessa realidade, mostrando uma outra, paralela e que é consentânea com os desígnios de quem manda nesses media. Basta ver quem são os verdadeiros donos desse negócio que se transforma em instrumento de resistência política de um sistema corrupto. E basta ver as reacções indignadas pelas violações do segredo de justiça que os mesmos aproveitam por serem os seus principais beneficiários, interna e secretamente.
Entre todos, o grupo do Correio da Manhã faz figura de astérix cercado de romanos...o que não deixa de ser notável porque é afinal o grupo com maior sucesso editorial. Os restantes vivem de subsídios de quem os sustenta para fazerem o que fazem, incluindo as tv´s do senhor Francisquinho e a dos paus-mandados que estão nas outras.
Liberdade de informação em Portugal, neste contexto? Vou arriscar: havia maior liberdade antes de 25 de Abril de 1974, para se noticiarem estas coisas que não aconteciam. Se acontecessem, não haveria censura como hoje existe. Não se daria o espavento de notíciáris em "rua segura" mas havia a notícia exacta, com os factos exactos e sem paleios de enganar papalvos.

O PS, o PSD e o CDS não têm interesse algum em mudar tal estado de coisas porque têm no seu seio os ovos das serpentes, com os nomes que são conhecidos e citados como suspeitos. Os directórios partidários contam com eles e não podem prescindir dos seus serviços que juntam o útil ao agradável: ganhar ( muitíssimo) dinheiro por fora e fazer política para o bem comum. Uma coisa tapa a outra e só quando surge o escândalo evidente as coisas se tornam notórias e se resolvem com afastamentos temporários ou recuos tácticos em empresas amigas.
Este nível de corrupção é o mais deletério porque o mais indetectável e pindérico. Um Relvas provavelmente não tem pecha criminal passível de prova admissível segundo os cânones de Coimbra e os pareceres dos seus professores, particularmente quanto a escutas, coisa horrível e com laivos de tortura antiga. Um Marco António idem aspas. Um Jorge Coelho se calhar também. E um Portas anda a fugir entre os pingos da chuva e a rezar para que tudo se componha, mudando-se algumas coisas para tudo ficar na mesma.
Quanto ao núcleo duro da corrupção em Portugal na última dúzia de anos,  e que surgindo desse meio perdeu o controlo pelo fascínio do dinheiro aos milhões, está aqui escarrapachada e para quem souber ler. Tem aí uma figura de peso...que é o principal pivot desta desgraça nacional. Um comissário e comissionista privado com muito que contar, se algum dia tiver oportunidade e vontade. Se lhe permitissem uma "delação premiada", ou seja um estatuto de arrependido que não existe enquanto tal ( os professores de Coimbra acham um horror...porque perderiam muito dinheiro com isso)  Portugal transformar-se-ia num instante noutra coisa. Mais limpa, parece-me.

Se alguma vez isto for equacionado em termos de justiça, o que duvido ( embora esteja optimista porque já se foi mais longe do que julguei possível algum dia...) Portugal poderá tornar-se um país mais decente. Assim, pouca diferença faz de Angola, a não ser na violência que ainda não é manifesta.


Rui Rio acha Sócrates culpado, mas...

Observador:

“Se me pergunta se o eng. Sócrates é culpado? Eu acho que é, mas dou comigo a pensar em casa muitas vezes se é justo eu pensar isso ou se eu próprio não estou a ser manipulado por violações do segredo de justiça que me querem levar para aí. Eu realmente acho que ele é culpado mas muitas vezes fico com problemas de consciência por achar que posso estar a ser manipulado”. As palavras são de Rui Rio, ex-deputado do PSD e ex-presidente da Câmara do Porto. Esta noite, em entrevista à RTP Informação, o social-democrata criticou o sistema judicial com palavras duras.

“O sistema judicial está mais empenhado em combater a corrupção, o que merece o nosso aplauso colectivo. Mas a forma como tem sido feita é altamente condenável. Não posso aceitar num Estado de direito e numa democracia que haja permanentes violações do segredo de justiça que são um crime à luz do direito penal e com isso conseguir julgamentos populares. É inadmissível e próprio de um regime totalitário. É contrário a uma democracia”, disse, acrescentando: “Não concebo como o sistema judicial quer ele próprio concorrer contra um jogo de futebol ou um reality show no sentido de aumentar as audiências televisivas e as tiragens dos jornais”.

Rio censura os “espectáculos mediáticos” de cada vez que há um interrogatório ou uma detenção e considera mesmo que a justiça “não se está a dar ao respeito” devido às fugas de informação.

“No caso de Sócrates, este nunca mais vai ser culpado ou inocente, vai ser parcialmente culpado ou parcialmente inocente. E a justiça colocou-se num patamar em que também vai ser julgada pelos portugueses”, prosseguiu Rio, estranhando que, ao fim de nove meses, ainda não tenha sido “uma acusação”. “Se vier a ser produzir uma semana antes das eleições obviamente que a justiça fica sob suspeita de estar a querer influenciar as eleições”, disse. Para o ex-autarca, não é compreensível que ao fim de 90 dias da detenção não houvesse “acusação formulada”
.

Rui Rio parece que se prepara para candidatar à presidência da República. O que diz sobre o sistema de justiça é lamentável a vários títulos, o que denota grande impreparação para o cargo de supremo magistrado da Nação.

Quando se preocupa com o segredo de justiça em casos como o apontado, do Marquês, o que é que impede Rio de ter a inteligência suficiente para ter a humildade necessária? Achará possível que num caso destes, como o de outros do mesmo género, o segredo de justiça externo, ou seja, o que protege os cidadãos dos julgamentos mediáticos, seria possível?
Ao contrário do que Rio afirma tal fenómeno não é próprio de regime totalitário algum, antes pelo contrário. É a democracia com liberdades muito garantidas que tal permite.
Por outro lado, não é o sistema de justiça que "concorre" por audiências. Se Rio fosse um pouco mais informado e preparado deveria entender que o sistema de justiça nada tem a ganhar com estas violações de segredo de justiça. As únicas entidades que ganham com tal coisa são os media que assim vendem o seu produto, jornal ou audiências televisivas, e ainda os que beneficiam directamente com o mal dos adversário políticos.
Pretender assacar ao poder judicial o que o mesmo não tem é exercício estulto e impróprio de quem pretende ser magistrado.

A circunstância de Rio dizer que considera Sócrates culpado não advém certamente destas violações inevitáveis do segredo de justiça mas apenas da análise que Rio faz dos factos que já são conhecidos e admitidos pelo próprio imputado: mais de duas dezenas de milhões de euros numa conta ao seu dispor e sem qualquer justificação aparente e lógica para além da amizade desinteressada.

Por outro lado, ainda mais lamentável se torna quando diz que " não é compreensível que ao fim de 90 dias da detenção não houvesse “acusação formulada”.

Esta afirmação revela uma ignorância dos métodos e meios de investigação, com os problemas processuais associados e a complexidade de recolha de elementos de prova que qualquer inteligência mediana aconselharia a um exercício de maior prudência.
Por último, a ideia de que uma acusação uma semana antes das eleições vai influenciar o seu resultado é perversa: em 2009 tal ideia foi seguida no Face Oculta. Com os resultados que se conhecem.
Hoje, tal processo deveria ter sido tornado público logo em finais de Junho de 2009 quando os arguidos foram informados por alguém de que estavam a ser escutados e investigados.
A lisura de procedimentos da investigação e a lealdade processual que assegurou um rígido segredo de justiça só adiantou que quem deveria ser julgado pelos crimes cometidos só o viesse a ser em circunstâncias  que lhes permitiram gozar com a Justiça. E houve quem não fosse investigado sequer, como é o caso do recluso 44...
Por causa disso, as eleições de finais de 2009 foram um "resultado extradordinário", como disse então o vencedor, actual recluso 44. Pudera! É isto a democracia como deve ser?

Sobre isso, Rui Rio nada diz. Preocupa-se mais com o segredo de justiça...

terça-feira, julho 21, 2015

Ainda não foi desta que o cântaro quebrou...

Observador:
“O recurso interposto pela defesa de José Sócrates foi julgado e considerado improcedente”, confirma o juiz Vaz das Neves, do Tribunal da Relação de Lisboa (TRL), ao Observador.

É o segundo recurso de pedido de libertação de José Sócrates que é negado pelo TRL, avança o jornal Sol. Os magistrados da Relação consideraram que não havia qualquer erro a apontar à decisão do juiz Carlos Alexandre, que tem vindo a confirmar a necessidade de manter o ex-primeiro ministro em prisão preventiva no âmbito da Operação Marquês.

O recurso, interposto pelos advogados de defesa João Araújo e Pedro Delille, pedia ainda outras nulidades, que a defesa do ex-governante considerava inconstitucionais, mas os juízes Guilherme Castanheira e Fernando Estrela, também as recusaram.

De acordo com o Sol, o acórdão refere que não foi dado “provimento” ao recurso, já que a prisão preventiva decretada pelo juiz de instrução, Carlos Alexandre, está bem fundamentada.

Contactado pelo Observador, o advogado de José Sócrates, João Araújo, afirmou ainda não ter conhecimento do acórdão e reservou para mais tarde quaisquer declarações sobre o assunto.

Em Junho, o ex-primeiro-ministro já tinha visto outro recurso ser negado no Tribunal da Relação, relacionado com a especial complexidade do processo.

José Sócrates está em prisão preventiva desde Novembro de 2014, no âmbito da investigação da Operação Marquês.


A defesa do recluso 44 apostou decididamente numa estratégica de desgaste no Tribunal superior a fim de encontrar um dia destes a combinação certa de decisores favoráveis. Até agora só houve um que se dispôs a remar contra a maré, arriscando uma decisão que é no mínimo insólita, sobre a complexidade do processo, que considerou logicamente simples por não lhe encontrar fundamentos indiciários dos crimes imputados. Para tal precisou de quase seis meses de estudo, muito aturado, certamente, perante os indícios que existiam em Dezembro de 2014.  O juiz José Alberto Reis não explicou bem a decisão mas deixou o projecto de acórdão que elaborou como voto de vencido e que publicamente ainda não se conhece.
As expectativas fundadas dos esperançosos ficaram baldadas porque duas juízas que compunham o colectivo do tribunal superior substituíram a  decisão almejada por uma frustração repetida, obrigando a visitas a Évora. 
Sobre este assunto não deixa de ter interesse a cronologia dos acontecimentos: no dia 8 de Junho, o recluso 44 recusou a "anilha", como é público e notório. 
O resultado daquele fantástico recurso de Dezembro de 2014 nessa altura ainda não era conhecido porque só o foi a 17 de Junho. Mas o acórdão projectado e rejeitado quando foi escrito? Antes dessa data, certamente. Muito antes. Seria curioso saber quando...designadamente se o foi antes de 8 de Junho.

Agora, muito mais rápidos que aquele,  há mais três juizes de um tribunal superior a considerar que há indícios fortes dos crimes imputados indiciariamente e que justificam a prisão preventiva decretada.

O que é que falta então no processo Marquês? Uma acusação que já tarda, pelos factos já conhecidos e que me parecem sobejos para tal. E eventualmente uma investigação paralela a outros crimes indiciados e que segundo notícias publicadas nos media se configuram como os mais graves da democracia nos últimos 40 anos. 
Os figurões destes assuntos são sempre os mesmos. Quem tiver olhos para ver que veja e quem tiver ouvidos que oiça e descubra o pivot, o mentor e homem de mão desta desgraça que nos sucedeu nos últimos anos. Particularmente desde há dez anos a esta parte. E não estou a falar do recluso 44...

sábado, julho 18, 2015

A Órbita da esquerda em 1967.

O artigo e entrevista que seguem tem a "mão" de Ruben Tristão de Carvalho, o comunista do PCP que durante os anos sessenta e início dos setenta escrevia sobre música popular e que possivelmente será um dos eruditos que há no país sobre esse assunto. Chegou a ser director do jornal Disco Música & Moda que saiu em finais de 1970 e publicou durante o ano de 1971.

O assunto é o programa "Em Órbita" que é uma lenda entre aqueles que ainda o escutaram nessa primeira fase ( começou em 1 de Abril de 1965) dedicado à música pop e depois, já nos anos setenta, exclusivamente dedicado à música erudita.
O indicativo deste programa nesta segunda fase é uma parte do Cântico Final , Schlussgesang ( "Herr, Du hast mein Fleh´n vernomen-Senhor, ouviste as minhas Súplicas?) da Missa Alemã de Schubert ( Cânticos para celebração do Santo Sacrifício da Missa) na versão do Bergedorfer Kammerchor, com direcção de Hellmut Wormsbächer, disco LP Telefunken, edição da Valentim de Carvalho de 1973 ( demorou anos e anos até descobrir esta versão original do indicativo...).

 A publicação é o Século Ilustrado de 14 de Janeiro de 1967 e como diz um dos jovens ( Diogo Saraiva de Sousa) " Não conhecemos nenhum programa, mesmo na rádio estrangeira, do mesmo tipo".
Ora, esta afirmação, no tempo do governo de Salazar, vale um programa que a Esquerda que temos não conseguiria fazer. Uma abécula do género Raquel Varela, provavelmente nem entende o que isto quer dizer...

Em 1967 Ruben de Carvalho já era comunista como se entrevê na entrevista com os membros da equipa desse programa de rádio na "frequência modelada" ( calinada do género cordial...) do então Rádio Clube Português, uma emissora privada.
O conteúdo da entrevista, das perguntas e resposta não poderia ser mais sugestivo do que animava estes jovens de 1967: as ideias "progressistas", eventualmente comunistas. A pergunta que deixo, ainda sem resposta é: como é que estes jovens não se aperceberam da natureza totalitária do comunismo que defendiam, assim nas entrelinhas que a Censura da época deixava passar?



Droga em Portugal: o começo do problema do tráfico





"Droga, loucura e morte" foi um slogan do início dos anos setenta, quando o problema do tráfico de droga se coemeçou a sentir por cá, em 1972, como relata esta extensa reportagem do Século Ilustrado de 4 de Março de 1972 da autoria de Paulo Figueira. Um artigo exemplar, aliás, de um jornalismo que já não se faz. Não é "cordial"...

Como se pode ler não foram os "retornados" que trouxeram a droga para Portugal...






sexta-feira, julho 17, 2015

Sousa Tavares, mais um chico-esperto?

Há cerca de quinze dias o jornal Sol ( Sílvia Caneco) baseado em documentos do Banco de Portugal,  publicou uma notícia com chamada na manchete sobre investidores no GES, particularizando duas formas de investimento: em " papel comercial" da Espírito Santo International ( ESI)  e em "unidades de participação" do fundo Espírito Santo Liquidez ( ESL).
O jornal relacionou claramente a ligação destas entidades ao Grupo Espírito Santo ( GES). Vários investidores que foram contactados ( Almerindo Marques, Vera Jardim, Maria João Avilez) falaram e mencionaram essa distinção, particularmente Almerindo Marques que separou a sua qualidade de cliente do BES de um eventual investimento no ESL.

Miguel Sousa Tavares leu a notícia, replicada no Correio da Manhã e desmentiu tudo. Tudo? Bem, desmentiu ter investido fosse o que fosse " nas ESI ou no GES(não percebi bem)". Sabendo perfeitamente que havia a outra sigla, omitiu a sua designação, o que faz lembrar os desmentidos de José Sócrates, eivados de chico-espertice a rodos. Porém, reafirmou na curta declaração de desmentido que " Nunca investi nem 2 milhões de euros, nem 2 euros sequer, em qualquer produto ou empresa do universo BES ou GES".

Esta última afirmação não é verdadeira, segundo o jornal Sol de hoje e sendo tal um facto torna-se muito difícil justificar aquele desmentido.




Conforme agora se explica, o "dr. Miguel Andresen Sousa Tavares" investiu efectivamente os 2 milhões de euros em unidades de participação do fundo ESL.
E como justifica a discrepância e o troca-tintismo? Simples: como tinha dado instruções genéricas à "gestora de conta" para "jamais comprarem produtos do próprio banco ou de empresas a ele associadas" ficou descansado e assim desmentiu o que desmentiu, mesmo depois de lhe terem sido mostrados os documentos comprovativos que o desmentiam e aconselhavam outra prudência.
 Poderia dar-se o caso de o indivíduo nunca mais ter visto pela frente qualquer designação documental ao seu investimento ( 2 milhões de euros, que evidentemente não são trocos para esquecer no fundo de uma conta qualquer) mas nem é isso que acontece: "Sei que havia vários produtos ou gestões de carteira no BES cuja designação começava por ES, mas, quando via no meu extracto de conta dinheiro meu aí colocado e perguntava o que era, responderam-se sempre que a designação não tinha nada a ver com empresas do grupo-eram assim designadas por se tratarem de carteiras de gestão montadas pelo banco e nada mais".

Esta explicação convence quem quer ficar convencido, mas há uma coisa que não convence: MST tinha dinheiro, e muito, empatado no BES/GES. E desmentiu tal facto...
E outra ainda: justifica-se com uma confiança cega  na explicação singela de quem lhe geria a conta e não se interrogou, depois da notícia publicada, sobre factos de que não podia nem devia desconhecer. 

Porque o fez? Aparentemente, segundo o jornal, esse investimento não está em risco ( esse investimento, não tendo sido trocado por papel comercial da ESI não o transforma em lesado do BES) mas solicita outro pedido de esclarecimento: tendo em conta o que sucedeu durante os anos de 2012 a 2014 ninguém lhe falou nisso e na possibilidade de poder vir a perder os dois milhões? Foi assunto que nunca falou com ninguém, deixando correr o marfim dos 2 milhões empatados?

É pergunta para a qual já se adivinha uma resposta mas confirmará o que penso do indivíduo...

De resto, a credibilidade deste indivíduo, uma espécie de enfant-terrible de uma certa esquerda syrizica, aproxima-se de um nadir, aliás bem merecido, desde sempre. É ler os comentários no sítio do Observador. Um dos mais sucintos diz assim: "Ou sabia e esta a mentir, ou não sabia e é um idiota chapado".  MST não é um idiota chapado, mas apenas quando tal lhe convém.
Por outro lado, o jornalismo do SOL ( Sílvia Caneco) deixa a desejar algumas coisas:

Em primeiro lugar, uma notícia destas careceria logo de melhores explicações. Ao escrever-se inicialmente que havia investimentos diversificados na lista que o BdP tinha e que "o jornal obteve" ( em eventual violação de sigilo bancário) deveria ter-se explicado o que agora se explica: que os investimentos no ESL eram efectivamente parte dos investimentos no grupo GES, particularmente depois de 2012 e com incidências tais que são um dos indícios das falcatruas que ocorreram no GES/BES ( maiores que as que ocorreram no BPN que agora está relegado para o olvido conveniente destes comentadores de pacotilha).
Depois disso procurar insistentemente junto dos visados a confirmação dos factos o que aparentemente não se fez com o cuidado e rigor exigidos.
Finalmente, deixar passar quinze dias a marinar nestes assuntos que envolvem a honra das pessoas, sem que se tivesse o cuidado de pronta e imediatamente apurar o que se passou. Ou seja, " toda a verdade" que agora aparece exposta.

Continuo por isso a dizer que isto não é jornalismo que se recomende.

Aditamento em 18.7.2015:

MST confirma hoje no CM que afinal teve mesmo os dois milhões no ESL. Justificação para o troca-tintismo de chico-esperto? Julgava que eram depósitos à ordem...

E é esta luminária que nem sequer assume a ignorância crassa a respeito dos dinheiros que confiou a um banco gerido por um compadre que anda por aí a dar palpites sobre tudo e um par de botas, a desfazer em quem lhe apetece, a dizer asneiras jurídicas que já nem têm conta e coisas assim.

Lamentável e triste. Só mostra o grau de decadência moral a que chegamos no jornalismo que o acolhe como comentador encartado em...nada. Outro Artur Baptista da Silva cujas credenciais são o passado de figura do meio e pouco mais.

quinta-feira, julho 16, 2015

O jornalismo cordial nasce desta incúria

Nas notícias do portal Sapo pelo menos há meia hora atrás, ( são 18:24) aparecia esta notícia:


Curioso acerca desta "cordialidade" sem qualquer sentido aparente fui procurar no sítio "linkado", do jornal "Económico". Aí estava: era mesmo "cordial" a palavra que o ministro teria usado...





 Procurei saber se havia mais lugares na internet das notícias nacionais a reproduzir a "cordialidade". que terá origem em qualquer ignorante da Lusa que deveria ter feito exame de português numa qualquer Independente.

A Visão também achou que era mesmo um assunto "cordial"...


O Negócios também foi atrás da onda da "cordialidade".



Eventualmente haverá mais, mas não busquei outros lugares.

Evidentemente que esta cordialidade é uma calinada que na escola primária onde se aprendia a escrever e a ler como devia ser, no tempo de Salazar, era punida com reguadas nas mãos.
E isso porque era no tempo do anafabetismo que estes doutores do jornalismo sabem identificar como tal, para distinguirem e desclassificarem o "fascismo".

Felizmente nem todos os jornalistas são analfabetos desta ordem...



Como é que aquelas pessoas, profissionais do jornalismo, se formaram e foram admitidas na profissão a darem calinadas daquele calibre?

Não sei. Julgo saber, no entanto, que é por causa destas e doutras que temos o jornalismo que temos e as lourenças que há por aí fora, a praticar o jornalismo da cordialidade para com uma certa corrente política de opinião.
Com professores tipo Serrano e Judites a esmo temos o que merecemos? Nem tanto, acho.



A verdadeira corrupção

CM de hoje:

O que Eduardo Dâmaso escreve aqui, no CM de hoje,  espelha o que poderá ter sido o grande golpe de corrupção política e económica que ocorreu nos anos 2006-2010. A mudança de mãos do BCP, a ascensão do BES e o descalabro subsequente poderão ter a sua origem nestes golpes orquestrados por uma vontade política com motivações ainda obscuras, uma vez que a Maçonaria deu o seu palpite, parece-me.

Para investigar este autêntico crime contra a economia nacional e no fim de contas contra o Estado de Direito não há gente nem vontade, como escreve E. Dâmaso.
A. Vara foi um pivot importante nesta actuação e o atentado ao Estado de Direito que se indicia claramente nestas actuações, foi obliterado como crime porque os dois principais protagonistas do poder judicial e judiciário, em 2009 não julgaram assim e mandaram apagar gravações em que supostamente se poderia partir para tal investigação criminal, arquivando liminarmente em processo administrativo os factos imanentes.
Houve mesmo uma professora catedrática de direito penal ( Fernanda Palma) que escreveu claramente no Correio da Manhã ( onde agora já não escreve, o que é pena)  que tal crime fundava-se  numa "norma adormecida", parecendo assim certo que os professores de direito penal não existem para despertar consciências anómicas porque eles próprios participam na sonolência geral.

O tempo que passou já apagou certas realidades que aliás muitos procuram abafar bem abafadinhas, não fosse o diabo tecê-las...

Portugal só pode recuperar um pouco da sua dignidade como país quando tomar consciência destes crimes e de quem realmente os praticou, quem foi cúmplice dos mesmos e quem os encobriu realmente, auxiliando os criminosos.


quarta-feira, julho 15, 2015

Os brasileiros, na Justiça ainda estão atrás de nós...

Expresso online:

O encontro devia ter sido secreto, mas acabou por ser noticiado por um blogue brasileiro, provocando uma onda de indignação e de explicações, que vão do golpe inaceitável a apenas uma ideia infeliz. Enquanto as justificações se sucedem, é já absolutamente certo que, enquanto o Brasil atravessa a maior crise judicial da sua história - num escândalo que envolve a estatal Petrobras e as maiores construtoras do país -, a presidente Dilma Roussef aproveitou uma escala técnica enquanto viajava para a Rússia para ter uma reunião que seria inaceitável em Brasília.

Foi no dia 7 de Julho que o avião presidencial fez escala no Porto, a meio de uma longa viagem para a Rússia. Ninguém na comitiva foi avisado de que a presidente tinha agenda nesse período. Mas tinha e era explosiva. Por uma estranha coincidência, quer o ministro da Justiça quer o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) estavam em Coimbra, numa conferência jurídica, e foram encontrar-se com Dilma ao Porto.

Num momento em que a relação entre os poderes políticos e judicial é questionada - e o presidente do STF é muito próximo de Lula da SiIva -, esse encontro seria sempre considerado um “golpe”. Foi por isso que a sua descoberta, ainda por mais sem constar da agenda e em território estrangeiro, provocou mais indignação junto da oposição e de comentadores políticos. O vídeo entre os conhecidos comentadores Diogo Mainardi e Mário Sabino é um dos mais populares.



Custa-me a entender esta notícia do Expresso de Ricardo Costa. Então por cá não se fez a mesmíssima coisa, com anúncio, foto de grupo e tudo? E até acabaram no Gambrinus, a comemorar o feito de se terem reunido, provavelmente pela primeira e única vez na história judiciária portuguesa, tais poderes do Estado que trataram de assuntos tão prementes que nem se chegou a saber quais foram exactamente?



Em 8 de Setembro de 2009, mesmo antes das eleições gerais que o PS ganhou e nas palavras de José Sócrates foram uma "vitória extraordinária" ( ó se foi!), Pinto Monteiro, mais o ministro da Justiça, mais o presidente do STJ mais o bastonário da Ordem dos Advogados reuniram-se numa daquelas que seriam o início de reuniões regulares para tratar de "assuntos da justiça". Não se sabe que assuntos foram esses, mas sabe-se que nunca mais reuniram para tratar tal coisa e que o presidente do STJ, a seguir,  não quis ir prandear ao Gambrinus, mesmo com tudo pago pelo bastonário.

Por cá, isto abalou alguma coisa? Alguém do Expresso interrogou alguma vez fosse quem fosse sobre o assunto e procurou saber do que se tratou? E por que razão tal reunião, mesmo antes das eleições e durante o caso Face Oculta que decorria sem ainda ninguém saber publicamente, mas que aqueles dois ( pSTJ e PGR) já conheciam perfeitamente por terem ouvido as escutas que depois mandaram destruir?
 
É por isso que não se entende esta preocupação dos brasileiros com a sua presidenta ter reunido com o ministro da Justiça e com o presidente do STJ de lá. Terá sido por o nosso presidente não ter participado na reunião que por cá se fez? Ou o então primeiro-ministro? Se calhar... porque a explicação é óbvia como o foi por cá, e muito inteligente: tratar assuntos de justiça ao mais alto nível...

Não foi assim?

segunda-feira, julho 13, 2015

Marinho e Pinto, o democrata de ocasião

Observador:

Os opositores de Marinho e Pinto, no PDR, bem querem impugnar as eleições. Mas as cartas são devolvidas e os telefones estão desligados. Sem contactar a direcção, não há como avançar com o processo. 

Marinho e Pinto continua a demonstrar com sobeja eloquência a sua noção particular de democracia. Veremos até onde irá...

domingo, julho 12, 2015

A Filosofia dá que pensar...

Já por aqui disse que não tenho estudos suficientes para falar de filosofia e por isso não me aventuro pelo desconhecido, sem mais.  Mas leio coisas por outros lados, no caso duas revistas francesas desta semana que me dão que pensar...para que serve a filosofia.

Numa delas, em formato de jornal desdobrável, Le Un, que já vai no 64º número e é uma pequena maravilha semanal, a edição de 8 de Julho trata a "filosofia política", contendo nas páginas centrais, desdobráveis em "broadsheet", uma entrevista com o actual ministro da Economia francês, Emmanuel Macron. Este, antes de ser ministro foi estudante de filosofia e aluno na ENA, a alta escola de administração francesa e que nós não temos em Portugal coisa que se lhe compare. Fala de Paul Ricoeur e como aprendeu com ele a empenhar-se na política por este lhe ensinar que " a exigência do quotidiano é de aceitar o gesto imperfeito".

Outro citado é Régis Debray, antigo companheiro de armas de Che Guevara e que acaba por dizer que " a melhor filosofia é não ter nenhuma"...


Como habitualmente o desenhador da revista-jornal faz um apanhado do assunto em alguns desenhos.


Na Sexta-Feira, ao folhear a edição desta semana da OBS notei num nome e numa entrevista: Jean Salem, professor de filosofia antiga na Sorbonne, nascido em 1952. Diz na entrevista este professor de filosofia antiga que tem livros escritos sobre Demócrito, Epicuro e outros que " continua um defensor convicto do ideal comunista". Até defende o estalinismo...porque senão ninguém o defenderia.


Depois disto é forçoso concluir que a filosofia não é garantia alguma contra o totalitarismo pois há quem tivesse estudado filosofia antiga para concluir afinal que o melhor pensamento ainda foi o de Estaline e próceres do comunismo, como Marx e Lenine.
Como também sabemos que houve pensadores importantes da filosofia que apoiaram o nazismo será caso para dizer que  a filosofia dá mesmo que pensar.
E se o pensamento filosófico não garante a felicidade neste mundo, por se atingir o nirvana do conhecimento, com aplicações para o bem geral da Humanidade, o estudo desse pensamento ainda menos. Talvez por isso o outro filósofo antigo tenha concluído que só sabia que nada sabia...o que já é saber alguma coisa, mas sem grande préstimo porque não confere grande vantagem sobre quem realmente nada sabe mas sem tal saber.
Ou será isto um sofisma e afinal vale a pena tentar saber?

O ritual do advogado de classe


 Magalhães e Silva, advogado de firma com nome posto,  tem o costume de se indignar sempre com procedimentos judiciários que subitamente descobre serem atentatórios de direitos fundamentais de alguém que lhe é próximo. E fala disso nas tv´s e escreve sobre isso nos jornais, como o faz no Correio da Manhã de hoje.
Magalhães e Silva é um advogado de classe, como já escrevi aqui e por isso incomoda-o muito a falta de classe com que o sistema judiciário lida com suspeitos de prática de crimes graves na área dita do "colarinho branco" ( expressão já em desuso porque os colarinhos agora são de todas as cores e com predominância rosa).

Vejamos o motivo da indignação deste advogado de classe: então não é que prenderam o Vara, um impoluto cidadão que foi detido sem mais nem porquê e principalmente sem dar cavaco aos advogados desta classe de cidadãos?
Não se faz uma coisa destas! E a PGR tem que dar explicações e cumprir - já e afanosamente- , sempre que se plantem casos destes, o disposto no artº 86º nº 13 do CPP  que este advogado de classe ajudou a redigir.- "13 - O segredo de justiça não impede a prestação de esclarecimentos públicos pela autoridade judiciária, quando forem necessários ao restabelecimento da verdade e não prejudicarem a investigação:
a) A pedido de pessoas publicamente postas em causa; ou
b) Para garantir a segurança de pessoas e bens ou a tranquilidade pública.
"

Isto assim é um desaforo inadmissível e lesivo da majestade desta classe. Prender-se um cidadão como José Sócrates ou um da estirpe de Ricardo Salgado é desaforo sem igual, principalmente sem se dar a conhecer publicamente aos advogados de classe os motivos da detenção.

Isto assim lembra as infamantes práticas americanas das correntes nos pés com bolas de ferro atadas para não fugirem. Não se faz porque tal coisa é retrocesso civilizacional e só povos selvagens e incultos como os americanos as toleram.
Para além disso, prenderem-se tais pessoas excelentíssimas sem haver qualquer receio de fuga é manigância com resquício de selvajaria, porra! Então um impoluto já condenado em pena de prisão de cinco anos e à espera do trânsito, eventualmente para a cadeia, alguma vez iria fugir se o chamassem à pedra? Só um néscio acreditaria em tal coisa. Um tipo honrado e que já deu provas sobejas de carácter impoluto, com apitos estridentes na ponte para derrubar um governo e ir para lá fazer fundações ilegais, merece uma humilhação destas?
Não, não merece e ainda bem que há advogados desta classe para os defender e proclamar os princípios de dignidade mínima de um Estado de Direito.

E a senhora PGR ponha-se já em linha para esclarecer estes indignados, contando  publicamente tudo o que há contra eles, porque isto não é o da Joana apesar do seu nome...ainda não chegamos à Madeira e isto não é a Itália que trata alguns presos, assim:



quarta-feira, julho 08, 2015

Afinal, Sousa Tavares empatou ou não dois milhões no GES?

Li hoje no Correio da Manhã um desmentido de Miguel Sousa Tavares sobre o seu investimento de 2 milhões de euros, no GES.
MST escreve ao jornal a explicar que nunca teve qualquer negócio de espécie alguma com tal entidade e por isso nunca teve lá os tais dois milhões. E diz que se lhe tivessem ligado teria logo explicado...

Huummm...espero pela Sexta-Feira para ler o Sol e o desmentido ou a explicação, porque a origem da informação é de lá...


ADITAMENTO em 10 de Julho 2015:

Afinal aqui está o desmentido tal como publicado pelo Sol na página 45 do jornal, sem um comentário ou pedido de desculpas. Na semana passada foi na mesma página mas tinha uma chamada de primeira página em manchete sobre os investidores do GES.  Desta vez...nada.
Não entendo este jornalismo. Sinto-me envergonhado por ter embarcado nesta notícia que afinal poderia ter sido evitada com um...telefonema que pelos vistos não se fez. Sílvia Caneco e Sandra Simões deveriam ter vergonha também. E pedir desculpas no jornal ao visado e a quem leu, acreditando na seriedade do jornalismo.

Aliás, sobre o jornalismo do Sol desta semana, na revista Tabu aparece um "perfil" de cinco páginas sobre o advogado Araújo.
Depois de algumas banalidades e  histórias anódinas todas apologéticas, dignas do suplemento Portugal Positivo que dantes aparecia no Público, surge este frase: " João Araújo não é só um advogado. Ele acredita mesmo na inocência de José Sócrates" .

Está tudo dito sobre o "perfil". Que o advogado Araújo acredite que não se provam os factos ainda vá lá. Agora, acreditar mesmo na inocência, só mesmo para quem também acredite no pai Natal. E João Araújo não parece ser desses...e estes fretes jornalísticos parecem-me inteiramente escusados. Da próxima vou folhear o jornal a ver se me apetece comprar...


A Revolução Permanente de há 40 anos a esta parte

Em Julho de 1975 o PREC acelerava como nunca e a esquerda comunista de todos os matizes ( leninistas, estalinistas, maoistas, trotskistas) procurava a "união".
Um dos movimentos mais importantes da época era o MES, já por aqui escalpelizado de algum modo, em tempos, sobre vários aspectos.

O MES congregou alguns dos actuais próceres socialistas que se reciclaram no PS depois de verem que não tinham futuro político na utopia comunista.

Não obstante, em Fevereiro de 1975, o M.E.S. era comunista, sem equívoco algum, como afirmava um certo Ribeiro Mendes ( é saber quem é e onde está...) e também era contra as eleições que se realizaram em Abril desse ano.



O MES que apareceu nos meses do PREC era qualquer coisa impressionante, pelo menos no jornal de propaganda, sempre editado em letras épicas, com imagens de dimensão maior que a realidade e proclamações grandiloquentes de palavras de ordem comunista.  É muito difícil de compreender as pessoas que acreditaram nisto e agora se afirmam democratas à maneira ocidental...


O MES procurou assim congregar outras forças comunistas à roda de uma fogueira em que se queimaria o hediondo capitalismo português, onde agora alguns deles estão empregados.

Como se pode ler, a "unidade" abrangia várias forças políticas, desde a Luar do progenitor das Mortáguas que ainda continuam a acreditar em gambozinos até á trotskista LCI embrião do futuro Bloco de Esquerda. Foi uma FUR que se lançou então sobre Portugal. 



















 De todas estas forças políticas que acreditavam piamente no objectivo comum de derrubar o capitalismo e aplicar um poder popular sem contemplações para com a social-democracia que agora parecem estimar em modo hipócrita, a que sobreviveu melhor foram os trostkistas. Porquê?

Por uma simples razão: o trotskismo é isto mesmo, ou seja, um modo de adiar confrontos sangrentos enquanto se anda em "Revolução Permanente".  Trotski não afeiçoava Lenine e execrava Estaline e por este foi morto. Mas defendia o mesmo que ambos: a revolução marxista que depusesse o sistema capitalista em prol de um mítico operariado explorado por aqueles facínoras fascistas do capitalismo mundial. Francisco Louçã ainda hoje o proclama e o mesmo fazem as mortáguas e catarinas avulsas, embora mais baixinho.
Não o fazem com a mesma linguagem de há 40 anos porque alguns deles nem eram nascidos, mas significam a mesma coisa e querem o mesmo propósito.
Esta noção da realidade e da sociedade não mudou um milímetro, desde há 40 anos.
O que mudou foi a linguagem e a táctica política.

De resto é ver onde páram estes próceres de um comunismo sem fronteiras e frustrados de um PREC que não chegou ao  fim. Esta tralha concorreu às eleições de Abril de 1975 e o resultado foi de...1% , não conseguindo sentar ninguém na AR constituinte.
Aliás das outras forças comunistas de esquerda radical só a UDP conseguiu a proeza de lá meter um deputado.
o recorte é do jornal do MES Poder Popular de 3.4.1975



Agora, com o Syriza e o Podemos e ainda outros trotskistas avulsos e amalgamados em comunismo de virafakas e outros tolos, despertam da letargia saudosista e esperam novamente os amanhãs a cantar.

O cantor George Moustaki nessa altura explicava o que era esta utopia: "sans la nommer" era La Révolution Permanente.









terça-feira, julho 07, 2015

Que património tem Mário Soares?

Na morte da mulher de Mário Soares, fica aqui uma carta que a mesma escreveu ao marido em Janeiro de 1974 e que o jornal Sol publicou esta semana que passou.
Nela se conta o que era o património do casal: remediado, como muitos o sabem e poucos o dizem.


Seria interessante saber quanto ganhou o casal Soares com a democracia e comparar com o que Salazar deixou quando morreu...

O espectro grego: já passamos por isso...

Em Junho de 1976, escassos dois anos depois de 25 de Abril de 1974 e com tudo o que era banco, seguros e indústria nacionalizados, nossos, estávamos assim:


Medina Carreira que costuma falar na TVI24 "Olhos nos Olhos" poderia explicar melhor o que aconteceu. Acho que não vai explicar porque seria doloroso dizer que se enganou e que o socialismo da época, em que acreditava, foi um grande logro.




















Em 1978 ainda andávamos a pedinchar lá fora para resolvermos a bancarrota instalada...

Parece que em quase quarenta anos pouco ou nada se aprendeu e quem sabe não quer explicar: a economia real faz-se com empresas que funcionam eficazmente e produzem riqueza para que se possa distribuir, mesmo através de impostos...
O caso das nacionalizações e da economia que era nossa, a tal "política patriótica" que os serôdios do PCP ainda hoje defendem, deu em bancarrotas sucessivas e parece que poucos aprenderam a lição.




segunda-feira, julho 06, 2015

40 anos de confusão em Portugal e um novo odor a prec

Há quarenta anos vivia-se em Portugal um clima social em que alguns achavam que "tudo era possível".
Em Julho de 1975 aproximava-se o "Verão Quente" de assalto ao poder político, depois de já se ter assaltado o económico com políticas inequivocamente avessas às que se praticavam na Europa ocidental.
As nacionalizações ocorridas desde Março de 1975 e ainda em curso permitiam às forças de esquerda, em Portugal, assegurar que poderíamos estar a caminho do socialismo.

Esta palavra tinha um significado diverso para a esquerda comunista ( PCP e extrema-esquerda) e para a esquerda socialista democrática ( PS e algum PPD), como então se passou a chamar.
Integrando o vasto leque das extremas esquerdistas estavam os comunistas trotskistas, disseminados em partidozecos que nas eleições de Abril desse ano obtiveram uma votação irrisória mas faziam mais barulho mediático que alguns partidos com representação mais sólida na Constituinte que se seguiu, até 1976, como o CDS.

Esse fenómeno de syrização avant la lettre da vida portuguesa atingiu uma boa parte da imprensa escrita e tinha muitos representantes nos rádios e na RTP de então.
O ambiente em Portugal, nos idos de 1975 era de aversão ao capitalismo português que era associado ao "fascismo" do regime anterior, sem mais aquelas. Com isso e outras aventuras garantiu-se uma bancarrota dois anos depois e os responsáveis continuam por aí, a enganar as pessoas outra vez, com uma linguagem diferente na formulação mas idêntica nos propósitos.

Em 28 de Setembro de 1974 tinham sido presos "numerosos fascistas" cujos crimes, de resto, nunca lhes foram imputados porque inexistentes.
Não obstante, mantiveram-se presos tais "fascistas" por longos meses que só terminaram, em alguns casos em Novembro de 1975, com a derrota dos adeptos do "e tudo era possível".

Nessa altura, o vento levou-lhes quase todas as veleidades de instauração de um regime pró-soviético em Portugal ou pelo menos um regime de natureza socialista como pretende agora o Syriza e outras forças semelhantes de uma esquerda que nunca desapareceu do mapa.
Essa Esquerda, incluindo a pró-soviética que vive de memórias, tem assento permanente nos quatro canais televisivos da actualidade comentadorista nacional.

 Em 4 de Novembro de 1974, no meio da confusão sobre o que iria ser o destino de Portugal, vinham cá jornalistas estrangeiros ver a realidade que era quase tão complexa como a da Grécia de hoje.

Quem se limitasse a seguir os acontecimentos pelos media tradicionais da época- imprensa, rádio e televisão única- tinha grandes dificuldades em destrinçar qualquer trigo de um joio avassalador e uniformizante, quase como hoje no que se refere à análise do problema grego.
A perspectiva esquerdista era dominante, predominante e avassaladora. Qualquer opinião ou análise fora desse esquema mental era logo apodada de fascista ou reaccionária e sem crédito algum a não ser para uma minoria clandestina que provavelmente seria inferior à dos comunistas da clandestinidade anterior...

Tal situação conduziu a uma quase legitimação do PREC que só terminou com a ameaça séria de uma guerra civil que se desvaneceu em Novembro de 1975, fruto do nosso proverbial bom senso nos momentos de aperto.

Assim para se compreender o que então se passava em Portugal era necessário ler notícias e opiniões estrangeiras porque o que se informava por cá estava completamente poluído pelo preconceito esquerdizante mais retinto.
Ainda assim, para se entender verdadeiramente a dimensão do problema, certos órgãos de informação estrangeiros. afectos a uma esquerda moderada, ou "socialista democrática" faziam o jogo do esquerdismo radical, como se comprova com este longo artigo do jornalista Jean Daniel, director do Le Nouvel Obsevateur ( ainda hoje o é) e conhecido de Mário Soares.
É ler o artigo de 4 de Novembro de 1974 para compreender como era difícil distinguir o trigo do joio nesse tempo:




Tal como hoje a ideia básica de Soares e ses amis era a "liberdade" como leit-motiv. O resto logo se veria. E viu dali a dois anos, com a bancarrota e dali a dez com a sua repetição. Os motivos, sensivelmente os mesmos: aposta falhada no socialismo de esquerda para gerir a economia estatizada, a que se acrescenta uma fé cega num keynesianismo de oportunidade.

Esta situação, acompanhada do matraquear ideológico da esquerda comunista, incluindo a trotskista, criou o caldo de cultura em que nos encontramos: um partido socialista preso a uma ideologia caduca e um esquerdismo que se disfarça  de democrático para se tornar alternativa, como é o caso do Syriza e por cá do BE  e forças adjacentes, incluindo os Libre e partidos mirabolantes dos marinhos amalucados.

E no entanto, o resultado é o que se vê na Grécia e se verá fatalmente por cá se foram trilhados os mesmos caminhos de há 40 anos.

A prova?

Entre Abril de 1974 e pelo menos Novembro de 1975, o comunismo pró-soviético soçobrou em Portugal, mas não desapareceu a esquerda comunista derivativa, aquilo que os ortodoxos chamam de doentes infantis do comunismo, ou seja, os esquerdistas radicais da extrema-esquerda e ainda os comunistas que enganam melhor os papalvos: os trotskistas e adeptos de outras mistelas ideológicas que se opuseram ao estalinismo mas não ao marxismo comunista.

O grande papa laico desta religião de catacumba ideológica é Francisco Louçã e num momento de distracção, há cerca de dez anos, assim proclamou numa entrevista:

Dizia  assim Louçã, sobre a essência ideológica do BE, depois da pergunta "Em que é que o BE acredita?":
"Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma rejeição do que foi o modelo da União Soviética ou é o modelo da China. Não podemos aceitar que um projecto socialista seja menos democrático que a "democracia burguesa" ou rejeite o sistema pluripartidário. Não pode haver socialismo com um partido político único, não pode haver socialismo com uma polícia política, não pode haver socialismo com censura. O que se passa na China, desse ponto de vista, é assustador para a esquerda. (...) Agora, a "esquerda socialista" refere-se mais à história da confrontação, ou de alternativa ao capitalismo existente. Por isso o socialismo é, para nós, uma contra-afirmação de um projecto distinto. Mas, nesse sentido, só pode ser uma estrutura democrática."


O que dizia Louçã em 2005 a este propósito? Isto:
"O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se -nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."

Quem quiser que os compre, mas há muitos que ainda os escutam e lhes dão importância. A Lourença da SIC-N e  outros agentes dessa esquerda syrízica lá vão fazendo o seu trabalhinho de formiguinhas diárias e o patrão Balsemão enche os bolsos, depois de ir a Bilderberg ouvir falar destas aventuras
Que porca miseria!

domingo, julho 05, 2015

A Grécia de hoje lembra-me o Portugal de há 40 anos...

 Repristinando este postal de 27.6.2013:

Durante o PREC que se seguiu à revolução de 25 de Abril de 1974 os comunistas e esquerda em geral tomaram conta do discurso oficial, ideológico, mediático e corrente. Toda a gente foi no engodo, com excepção dos que não se pronunciavam publicamente e que Spínola em 28 de Setembro de 1974 julgava que eram uma "maioria silenciosa"...e já não era, por factores que seria muito interessante e importante explicar.

Um dos factos mais estranhos, estúpidos e incompreensíveis segundo uma lógica racional e de senso comum, ocorreu em Agosto de 1974, como já aqui foi indicado: os capitalistas que ainda estavam no país, membros das tais 20 famílias que eram os "donos de Portugal" como o bloco de esquerda agora define, mas já ao tempo se denunciava, ofereceram-se para "ajudar" a economia e o país cujos destinos políticos estavam nas mãos de uns quantos militares, do MFA, rapidamente lavados cerebralmente e que se associaram ainda mais depressa ao PCP e PS e esquerda em geral, como a do MES.  Para exemplo basta dizer que Vasco Gonçalves, no espaço de semanas passou de admirador de países "como a Itália, Suécia" para outros de latitudes mais a Leste. Igualmente, Otelo. E outros que se entregaram de alma e coração à Revolução em curso, de transformação de Portugal numa sociedade sem classes ou socialista e contra a "reacção e o fascismo" incorporados em todos os que representavam o regime deposto.
A simplicidade desta opção justificou a rejeição daquela "oferta" que era genuína porque afinal os capitalistas portuguesas queriam investir para não perderem o que tinham e que afinal vieram mesmo a perder, por força e influência exclusiva dessa esquerda e do PCP em particular. O mesmo querem hoje em dia com as "outras políticas" que chamam de maneira obscena, "patrióticas" e as marias de são josé da rádio mais as anas lourenços das tvs aplaudem durante todas as emissões mediáticas, porque acordam a tomar pequenos-almoços de esquerda todos os dias.

Para além da proposta de investimento de 120 milhões de contos do MDE/S havia outros projectos em carteira na economia nacional que pura e simplesmente foram abandonados em prol das ideias "patrióticas" iguais às que o PCP e a esquerda comunista reclamam hoje em dia porque o ideário não mudou uma vírgula nos programas.

Um desses projectos, muito falado antes de 25 de Abril de 74 e já com compromissos assinados pelo anterior governo de Caetano era a construção de uma fábrica de grandes dimensões ( maior que a Autoeuropa?) para fabricar automóveis ( não apenas componentes) da Alfa Romeo. 60 000 veículos por ano seria a meta.
Pois bem. Em finais de 1974 o projecto era pura e simplesmente, além de estupidamente, abandonado. Porquê? Precisamente pelas mesmas razões que levaram ao abandono do projecto do MDE/S. De quem a culpa e responsabilidade por esta estupidez gigantesca? Do PCP e satélites, mais a esquerda em geral. Não foi do PREC. Foi mesmo do PCP.
A propósito: a Autoeuropa aderiu à greve geral? Não? É porque esteve imersa na "batalha da produção". Já lá iremos...

O Expresso conta na edição de 23 de Novembro de 1974, com um desenho que vale mil palavras.


A propósito desta estupidez, havia por aí alguns "inteligentes" ( dos que nunca sairam dos  redondéis do esguicho da importância e papelão institucional, para citar ONeill) que davam palpites influentes sobre o assunto da economia nacional que pouco tinha que perceber: dinheiro privado, público, investimento, regulação e tudo andaria muito bem, se não se tivesse intrometido a maldita ideia de esquerda em socializar, nacionalizar, espoliar o capitalismo e acabar com os "monopólios". Essa ideia maldita que pegou de estaca por cá, estragou a economia que tínhamos em prol de uma ideia que nunca tivéramos mas que os mesmos apostaram que vingaria por cá como nespereiras enxertadas em macieiras portadaloja.
João Cravinho é o nome do inteligente do que então se iria chamar MES que agregou outros inteligentíssimos ( alguns deles até chegaram longe; um deles à presidência da República deste pobre país, imagine-se!) .


A prova de que a inteligência aguda destes indivíduos era fulgurante e ao ritmo do PREC que então viviam, reside aqui nesta edição do Diário de Lisboa de 20 de Fevereiro de 1975. E não, a explicação não vem na tira de banda desenhada, mas nas palavras cruzadas, na coluna vertical 4...


E como é que os "donos de Portugal" se defendiam destas investidas comunistas para acabar com os "monopólios" ( é preciso atentar que ainda hoje o PCP fala em monopólios...) ?
Ora, o comandante Mota que nunca foi ministro sem pasta, como o outro, mas foi governador de Macau ( maçonaria oblige e Soares obedece) explicava muito bem o que se faria com a Sacor do grupo Espírito Santo, indiscutivelmente um dos donos da economia nacional e inquestionavelmente um dos grupos que faria do capitalismo português um bem comum e não o que depois se verificou com a geração "Rikky" após o regresso dos Brasis e Suiças e que ultimamente tem comprovado e irá certamente comprovar...
Se a Sacor que era deles, se tivesse mantido não haveria GALP nem corrupção de Estado de alto coturno, nem Mexias ou Zeinais ou o raio que os parta ou pata que os lamba. Haveria outra coisa, mas não esta entidade híbrida que corrói o país, actualmente. Provavelmente mais sã, apesar do fruto Espírito Santo andar envenenado.  Coisas do destino.



Portanto, em 8 de Fevereiro de 1975 o Expresso explicava muito bem o que se passava na economia nacional com o protagonismo da esquerda e do PCP em particular, o grande responsável pelas "políticas patrióticas" que então nos arruinaram. O PCP a atacar,  o PS a defender o seu reduto de poder e apenas isso e o PPD na sombra do PS, sem se mexer e à espera do que viria a seguir.


O PPD de então era uma vergonha de compromisso como o provam as incríveis declarações de um inenarrável Rui Machete, no mesmo número do Expresso. Como é que o país aguentou este tipo de gente que nos conduziu a este beco? 
Este tipo de opções políticas generalizadamente veiculadas nos media como o caminho para o socialismo a encetar,  criadas pela Esquerda em geral, o PCP em particular, a displicência e desinteresse do PS e o alheamento táctico do PPD, criaram uma situação económica de bancarrota, em menos de dois anos. Assim, como explica e avisa muito bem um economista de então, ao Expresso de 4 de Outubro de 1975. O jornal até escrevia que isto devia ser servir como  "um aviso ao povo português". Aviso? Pois sim. Dali a mês e meio estávamos no auge do PREC e com o 25 de Novembro em vez de se denunciar isto que o PCP fez ao país, uma das maiores tragédias de todos os tempos, ainda lhes deram a mão democrática, com um Melo Antunes a assegurar ao país que o PCP era democrático que era essencial à democracia e portanto com um discurso conciliador que conduziu Portugal à Constituição de 1976 e à "irreversibilidade das nacionalizações". Com o aplauso fremente dos Machetes que assim ficaram à vontade para preparar a vidinha nas empresas e organismos do Estado.
Para ver como a Economia nacional passou a funcionar, depois deste assalto do PCP, basta ler a "caixa" sobre o modo de funcionamento da "banca" nacionalizada e as cartas que se trocavam...

Perante este gigantesco descalabro que se anunciava e teria o efeito de réplica das décadas seguintes o que fazia o autor do crime? Tergiversava na asneira e na ideologice. A primeira medida a preceito foi subtrair um dia de salário que por ter sido para a "nação" não foi roubo algum, como agora são e se denuncia em cartazes de tipografia idêntica à de trinta e oito anos atrás... Depois como um dia não chegava para nada passou a incentivar os trabalhadores como os chineses faziam, mas sem poderem ( não chegaram até aí, mas...) usar métodos mais eficazes. Assim, com a ideia fantástica da luta, da "batalha da produção". Até o Manta pintou a manta com a batalha final.
Nessa altura, apesar de estarmos porventura pior que hoje, deixou de haver greves gerais ou lutas de trabalhadores por melhores condições de trabalho. Afinal, o trabalho já era o dono do capital...ou não era?

Esta gente que isto fez, sem qualquer rebuço de vergonha ou arrependimento, continua por aí, investida no mesmo papel já que nada esqueceram e nada aprenderam. Continuam a querer "outras políticas", porque seguem o esquema táctico dos passinhos. Primeiro um, depois outro. Desta vez ainda andam na fase das lutas por "outras políticas patrióticas". Se lhes fizerem outra vez a vontade, voltarão com a cantiga da luta pela "batalha da produção" e lá se vão as greves gerais e outras que tais.

O povo português está à espera de quê, para varrer esta gente para o caixote de lixo da História? Nâo chegam os exemplos que se vêem pelo mundo? Não chega o conhecimento do que aconteceu no Leste Europeu? Não chega o que se sabe de Cuba ou da Coreia do Norte?
Então porque razão os media dão toda a atenção a estes arménios avoilas e jerónimos? São masoquistas ou apenas estúpidos?