sexta-feira, agosto 24, 2018

O regime corporativo está para durar...

 Ao ler este deprimente artigo de Nuno Garoupa no Público do passado dia 19 de Agosto, fico sem vontade de escrever sobre o assunto. Se a análise estiver correcta, preferia o regime de Marcello Caetano a este. Sem Censura e guerra no Ultramar, e portanto com liberdade política mas sem a lavagem cerebral e colectiva levada a cabo pela Esquerda nos últimos 40 anos, era bem melhor que este...

1. Nos dois últimos artigos defendi que Portugal se encontra “suspenso no tempo”, feliz expressão de Miguel Real. Economicamente, o país estagnou por volta de 2000 e entrou num processo de empobrecimento relativo lento que o levará a ser uma das economias mais pobres da Europa no final da próxima década (40 anos terão sido insuficientes para resolver os entraves estruturais ao crescimento económico). Politicamente, a Assembleia da República representa hoje menos 850 mil eleitores do que em 1995. Os três partidos do regime (PS, PSD e CDS) perderam 1,3 milhões de votos (cerca de 25% dos eleitores de 1995). Ao mesmo tempo, a vida política portuguesa, nos órgãos de soberania, nos partidos, na comunicação social, faz-se como se existisse sempre um milagre económico ao virar da esquina (o otimismo faz bem a Portugal) e como se não houvesse total alheamento eleitoral de uma parte muito significativa dos portugueses (nomeadamente dos mais jovens).

2. O progressivo empobrecimento relativo e o alheamento eleitoral não constituem só por si qualquer ameaça ao regime vigente. Ninguém tem uma bola de cristal, mas toda a futurologia que se faz no espaço público tem por base a imutabilidade do regime. Os próximos 30 anos são iguais aos últimos 30 anos. Os protagonistas atuais são os protagonistas do futuro. Quando se discute se o PS vai com o “pedronunismo” ou com Medina significa que é o mesmo PS lá para 2030; se Rio sobrevive, Santana sai ou Passos volta pressupõe o mesmo PSD a médio prazo; se Melo ou Mesquita Nunes herdam o lugar de Cristas tem por certo que o CDS será sempre o CDS; os candidatos a Belém em 2026 são Costa, Passos, Portas ou Marques Mendes e por aí fora. Ninguém pensa que podemos ter um regime mais presidencialista ou mais parlamentar em 2030, que podemos ter mais ou diferentes partidos, que podemos ter protagonistas distintos, que podemos ter candidatos presidenciais fora da partidocracia vigente. Esta imutabilidade propagandeada cada dia na comunicação social, nas redes sociais, na opinião publicada reforça inevitavelmente a sensação de “suspenso no tempo”.

3. A razão da sobrevivência é a natureza do regime – uma democracia corporativa, por oposição a uma democracia liberal. A sociedade portuguesa está organizada por corporações (quem não pertence a uma corporação é um autêntico pária). As corporações concorrem entre si pela alocação dos recursos do Estado (sempre em nome do interesse nacional, claro). Os partidos são um dos veículos – em muitos casos, o principal deles – pelos quais as corporações ganham ou perdem posições relativas na distribuição dos recursos do Estado. Simplesmente, não há sociedade civil alternativa ao mundo das corporações (consequentemente, ao mundo dos partidos). Possivelmente, nunca houve. Logo, o regime tem por base as únicas forças vivas do mundo português – as corporações. A estagnação económica e o alheamento eleitoral são perfeitamente sustentáveis durante muito, muito tempo, enquanto as corporações assim entenderem.

4. A ditadura corporativa caiu quando uma corporação importante (a militar) deixou de confiar na oligarquia do regime. A democracia corporativa só poderá sentir-se ameaçada quando um conjunto relevante de corporações deixar de confiar na oligarquia do regime, coisa que penso estar muito longe de acontecer. Se e quando isso acontecer, é possível que haja uma tentação de transformar o atual regime numa democracia iliberal, com concentração de poder numa figura sebastianista e um complexo processo de culpabilização da atual oligarquia do regime.

5. Num interesse ensaio publicado em 2012, Miguel Soares de Albergaria (“Condições do Atraso do Povo Português nos Últimos Dois Séculos”) já explicava porque a democracia portuguesa tendeu a evoluir num sentido oligárquico todas estas décadas, eventualmente culminando no futuro num regime com maior concentração de poder no “homem carismático” ou no “líder providencial”. A questão relaciona-se com características antropológicas (a enorme aversão ao risco, à incerteza, à ambiguidade do futuro), estruturas culturais (relacionadas com a própria temporalidade), um sistema rígido de crenças e comportamentos (intolerância para com o pensamento crítico e a heterodoxia, como diz o autor) que culminam num sistema político que tem de oferecer uma enorme sensação de segurança às corporações (acrescento meu). Muito lentamente, penso que este é o caminho que estamos a fazer. Até ser incerto demais para várias corporações.

quinta-feira, agosto 23, 2018

O tudólogo da komentadoria caseira


É um regresso a uma casa que conhece bem. Oito anos e meio depois de ter rumado a Carnaxide, Miguel Sousa Tavares volta a ter um espaço de comentário na TVI. Ao Observador, o comentador confirmou a informação avançada esta quinta-feira pelo Correio da Manhã, mas não esclarece quando se concretiza esse regresso à estação de Queluz de Baixo.

Este ao menos sabe de tudo e sobre tudo perora a troco de estipêndio superior ao do presidente da República...pela certa.  

Portugal no seu melhor!

A música de 1978

Há 40 anos a música popular que se ouvia em Portugal particularmente no rádio e discos publicados era diversificada e o espectro sonoro estendia-se de Marco Paulo, Sérgio e Madi ou António Calvário até...Roy Harper, muito por influência de quem passava discos no rádio.

A oferta discográfica mais popular  do ano de 1978 pode ser vista aqui. Entre os discos estrangeiros avulta o dos Bee Gees, com a banda sonora de Saturday Night Fever a que se juntou a de Grease, numa simbiose musical que define esse ano em termos musicais, populares.
Entre os singles destaca-se o som estridente de Kate Bush e Wuthering Heights a par da batida ritmada dos Boney M, com Rivers of Babylon ou Rasputin e outras musiquetas do disco Nightflight to Venus.

Alguns dos discos mais representativos da primeira metade do ano, para o meu gosto,  estão aqui:


Por ordem, da esquerda para a direita e de cima para baixo:

Joe Walsh- But seriously, folks.
The Tubes- What do you want from live.
Kevin Ayers de The Rainbow Takeaway
Elvis Costello- This Year´s Model.
Hot Tuna- Double Dose.
Gerry Rafferty- City to City.
Kraftwerk, de Die Mensch Maschine
Bob Marley- Kaya.
Boney M- Nightflight to Venus.
Bob Dylan- Street Legal.
Bruce Springsteen- Darkness in the Edge of Town.
Wings- London Town.
Saturday Night Fever, Bee Gees e outros.
Grease.
Santana- Moonflower. 

Esta música que gostava e ainda gosto não passava toda no rádio e alguns discos apenas eram transmitidos em programas específicos no rádio, a horas mortas ( Espaço 3P, por exemplo que incluía Banda Sonora, Boa Noite em FM, etc).

Nesta altura do ano ainda não tinham saído Comes a Time. de Neil Young; o primeiro dos Dire Straits; Before and after Science de Brian Eno, Studio Tan de Frank Zappa. Esses eram discos que ouvi e ficaram com o tempo, do ano de 1978. Ainda hoje prefiro ouvir isto a qualquer disco dos anos oitenta ou seguintes e por isso destaco estes discos.

No entanto, no dia a dia a música que passava no rádio era outra, mais apelativa às massas que determinavam os tops dos mais vendidos.

Em Abril de 1978 a revista Música&Som publicou dois artigos de João David Nunes e Jaime Fernandes, sobre a música que faltava ainda conhecer, em Portugal. A música country americana faltava de todo e Jaime Fernandes tornou-se mais ou menos por essa altura, um dos seus maiores divulgadores, no programa 2 pontos do Rádio Comercial e depois em Country, Música da América.



Em Agosto de 1978 havia uma grande probabilidade de ouvir publicamente em discotecas ou lugares privados dois ou três discos que marcaram esse tempo:

Dois deles são estes: bandas sonoras de dois filmes.


O que tem os Bee Gees foi um sucesso estrondoso devido aos vários singles tirados: Night Fever, Stayin Alive ou a melodiosa How deep is your love, um clássico do género.
Grease é incontornável com a You´re the one that i want cantada por Olivia Newton John e John Travolta.
A par desses é imprescindível recordar o disco dos Boney M, um cavalo de batalha de discotecas, de sempre, com os clássicos Rasputin e principalmente Rivers of Babylon, a seguir aos ecos de Yes sir, i can Boogie dos Baccara do ano anterior.

No rádio quando passava Kate Bush era para ouvir Wuthering Heights, em agudos de voz impossível, mas o LP tem outros temas de grande mérito como The man with a child in his eyes.

Em Portugal, nesse mês de férias e emigrantes era obrigatório ouvir a voz de Paulo Alexandre a cantar a melodia alemã ( Udo Jurgens) de Verde Vinho.  Os portugueses José Cid, com Tia Anita ou Marco Paulo, com Canção Proibida estavam então muito bem cotados no rádio da manhã.

Em brasileiro e português cantado, a telenovela O Casarão, estreada no início do ano, fixou no genérico canções como Nuvem Passageira de Hermes Aquino e Menina do Mato, de Marcio Lott para além de Gal Costa, Fascinação e mesmo Rita Lee, com Coisas da Vida.

E que músicas recordo mais, passados 40 anos?

Simples:

As dos Wings, With a Little Luck e London Town; a dos Tubes, I saw her standing there; Santana, She´s not there; Gerry Rafferty, City to City e Whatever´s written in your heart; dos Bee Gees, precisamente How deep is your love e More than a woman. 

Tenho-as gravadas em colectânea, com outras. Porém, os discos que ainda aprecio ouvir integralmente são o dos Kraftwerk , Kevin Ayers, Hot Tuna e Joe Walsh. O melhor de todos? Kevin Ayers...
 Num apontamento de final desse ano as preferências eram estas, assim ordenadas:


Não muito diferente de hoje. Kevin Ayers não aparece porque o álbum desse ano- Raibow Takeaway- só o ouvi integralmente muito mais tarde. Mas tinha ouvido os dois primeiros- Joy of a Toy e Shooting at the moon- alguns anos antes e considerava-os dos melhores discos de música popular que conhecia. Ainda hoje é assim.

Street Legal de Bob Dylan está muito sobrevalorizado porque na época andava a descobrir a obra anterior do artista. Ainda nem conhecia integralmente Blonde on Blonde, apenas algumas partes, como Just like a Woman. Nesses meses, de Março e Abril , a revista Música&Som publicou uma entrevista de Dylan na Rolling Stone, feita por Jonathan Cott e como a revista original deixou subitamente de aparecer por cá, em finais de Julho de 1977 ( só voltou a aparecer em Maio de 78 quando a entrevista era de Janeiro) fiquei com água na boca e lia tudo o que a Dylan dizia respeito. E era pouco.

A Rock&Folk de Julho desse ano pareceu atender às minhas preces e publicou uma reportagem de um concerto de Dylan em Santa Monica, em 24 de Abril desse ano. Trazia um desenho de Solé na capa que reproduzia a foto da capa da Rolling Stone.
Dylan, aos poucos que o ia descobrindo em discos antigos desaparecia no meu interesse nos discos que então publicava. Ainda esperei ouvir qualquer coisa de interessante no seguinte, Slow Train coming mas era tarde para apanhar o combóio.  Dylan ficou sempre para trás, bem lá atrás, até 1975 e Blood on the tracks.


Em 1978 a música rock, aliás, também para mim começava a fugir para o passado recente e distante.  Uma das que então descobria, aos poucos e desde Like a Old fashioned waltz, era Sandy Denny.

Suponho que foi por aqui, neste número de Julho de 1978 que soube da sua morte, infausta, em consequência de traumatismo craniano seguido a uma queda numas escadas. Tive mesmo pena do que se perdeu musicalmente.
Desde então os seus discos a solo e com os Fairport Convention são dos que colecciono.


Foi também por esta altura que o disco de Roy Harper 1970-1975, saído em Maio desse ano,  foi divulgado no rádio por Jaime Fernandes, segundo julgo. Este é que era da música que preferia na época.




Esquerda para totós

Vasco Pulido Valente anda muito requisitado para entrevistas e desta vez foi a História, do Jornal de Notícias, dirigida por Pedro Olavo Simões,  que também o entrevistou em 16 páginas, incluindo fotos.

Em duas páginas define de um modo bem simples o que me parece ser o grande equívoco ideológico do nosso tempo:


Mais à frente, VPV define-se como sendo de direita. Contra o salazarismo, acrescento e que não diz nada de bem dessa tal direita jacobina qb.

A VPV, cujos pais eram comunistas militantes e a avoenga de oposição republicana e laica a Salazar, ainda vai acontecer o que sucedeu a António José Saraiva que vindo da esquerda comunista acabou a elogiar Salazar...


segunda-feira, agosto 20, 2018

O Bloco de Esquerda é neo-comunista!

A propósito deste apontamento de Luís Rosa no Observador, em que escreve o seguinte:

 "Diz a propaganda que o Bloco luta contra as desigualdades naturais da economia de mercado, defendendo os trabalhadores e os pobres contra as multinacionais e os poderosos. Na realidade, esta é uma pura e simples técnica de marketing para esconder aquilo que o BE sempre foi para a maioria dos membros das suas duas tendências principais (“Socialismo” e “Esquerda Alternativa”): marxista. De facto, neo-comunistas é a melhor designação que pode ser dada ao BE.

Isto é, lutam, como sempre lutaram, contra o sistema capitalista — são mesmo anti-capitalistas. Os neo-comunistas desprezam a livre iniciativa privada e a concorrência entre as empresas e os cidadãos, abominam o direito de propriedade e a liberdade económica em geral formada pelas regras de mercado, ignoram o desenvolvimento social e económico, e respetiva distribuição de riqueza, que o sistema capitalista proporcionou a Portugal e ao Mundo nos últimos 50 anos e querem terminar com duas das melhores experiências da Europa do pós-guerra: a NATO e a União Europeia.

A hipocrisia política deriva do facto de muitos destes bloquistas não passarem de filhos e netos de bons burgueses — a classe social que os marxistas tanto desprezam. Ao contrário do Partido Comunista Português, que tem uma história de inclusão de verdadeiros operários e camponeses, o Bloco é um partido essencialmente urbano (Lisboa e Porto) constituído pelos diferentes escalões das profissões liberais (economistas, médicos, juristas, professores, etc.) que estão bem instaladas na vida. Beneficiam, como Ricardo Robles beneficiou, das (inúmeras) virtualidades económicas do capitalismo mas querem destrui-lo — provavelmente, preservando a respetiva riqueza individual, como os dirigentes do Bloco de Leste faziam."
Repesco aqui um postal antigo, de 26.10.2012, sobre as ideias expressas de Francisco Louçã. 



Diz que Francisco Louçã, o esquerdista radicalizado há anos, vai abandonar os bancos do Parlamento, onde esteve nos últimos anos. Hoje disse publicamente que houve intervenções que fez que não serão esquecidas tanto pelos amigos como pelos adversários. Talvez, mas duvido.
O que Louçã nunca disse no Parlamento para todos ouvirem foi este discurso que em tempos ( mas não há tanto tempo assim...) proclamou em entrevista de manifesto e que autoriza  se possa ponderar se não será mais um farsante:

Diz assim Louçã, sobre a essência ideológica do BE, depois da pergunta "Em que é que o BE acredita?":

"Numa esquerda socialista. (...) Para nós o socialismo é a rejeição de um modelo assente na desigualdade social e na exploração, e é ao mesmo tempo uma rejeição do que foi o modelo da União Soviética ou é o modelo da China. Não podemos aceitar que um projecto socialista seja menos democrático que a "democracia burguesa" ou rejeite o sistema pluripartidário. Não pode haver socialismo com um partido político único, não pode haver socialismo com uma polícia política, não pode haver socialismo com censura. O que se passa na China, desse ponto de vista, é assustador para a esquerda. (...) Agora, a "esquerda socialista" refere-se mais à história da confrontação, ou de alternativa ao capitalismo existente. Por isso o socialismo é, para nós, uma contra-afirmação de um projecto distinto. Mas, nesse sentido, só pode ser uma estrutura democrática."


O que dizia Louçã em 2005 a este propósito? Isto:

"O BE é um movimento socialista ( diferenciado da noção social-democrata, entenda-se-nota minha) e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa. O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da  experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E  isso é inaceitável. Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados ( atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização-nota minha) em igualdade de oportunidade pelas pessoas. Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado ( é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP). (...) É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."

O Bloco de Esquerda, em Portugal, só engana quem quer ser mesmo enganado.

Portugal, vá-vá conhecê-lo!

Para conhecer o que foi Portugal, e portanto o que é, nas últimas décadas, parece interessante lidar com alguns factos, acontecimentos, memórias, imagens e pessoas. Não muitas porque o povo em Portugal, a "pôba" como se dizia dantes ( José Hermano Saraiva) , conta pouco.
Essa "pôba" não é tão estúpida e iletrada como se poderia pensar e traz um saber acumulado de séculos de convivência sob a mesma bandeira, religião e costumes, por muito que variem com os tempos.

Porém, para conhecer as diversas flutuações sobre o modo como aparece quem manda no país, ou seja quem tem poder e influência, torna-se ainda mais interessante ver e relacionar factos e acontecimentos que se vão sucedendo sucessivamente sem cessar.

Ontem morreu em circunstâncias inopinadas, em férias no estrangeiro de Ibiza, um português, Pedro Queiroz Pereira, descendente de família que há décadas tem poder e influência no país. Não me interessa aqui enunciar como tal poder se construiu e aconteceu, mas para o entender será necessário ler uma biografia recente do mesmo, bem como alguns volumes, poucos que me parece poderem ser estes:



As notícias e obituários do Público e Correio da Manhã começam assim:


O "Ataque aos milionários" sumaria o que era a família Queiroz Pereira, antes e depois de 25 de Abril de 1974, altura em que foram corridos do país por força das nacionalizações da estrutura produtiva privada. defendida por comunistas e socialistas, com aplauso implícito de sociais-democratas, como Sá Carneiro, inclusivé.



Em resumo: Pedro Queiroz Pereira fazia parte de uma família que antes de 25 de Abril de 1974, sob o regime de Salazar e Caetano, tinha dinheiro, investia em unidades produtivas em modo capitalista e contribuía de forma acentuada, como o faziam outras quatro dezenas de famílias, neste pequeno Portugal que então não se envergonhava dos capitalistas que tinha e os apoiava, até politicamente.
As razões para tal estão explicadas em diversos livros, por aqui citados de vez em quanto e que têm a ver essencialmente, com o modo como o regime entendia a economia de um país e a forma mais adequada de produzir riqueza.

A par disso havia no mesmíssimo Portugal um grupo restrito de indivíduos que se ligou aos ideias de uma esquerda comunista e depois socialista que defendiam outra coisa: a nacionalização dos principais meios de produção e assimilavam os referidos capitalistas a um fascismo que identificavam com Salazar e Caetano.

Esse grupo restrito de indivíduos, poucas dezenas ou centenas até, entendiam que o regime era nocivo porque não lhes dava liberdade para exprimirem tais ideias peregrinas que vinham directamente dos sistemas políticos do Leste europeu, dos países comunistas e depois do norte da Europa, de países que tinham enriquecido com o capitalismo e podiam dar-se ao luxo de serem social-democratas, ou seja, mais atentos a questões sociais e a maior equiparação entre ricos e pobres.

Essa utopia, toda baseada em saber livresco e pouco mais, redundou num fracasso gigantesco, em Portugal. Tal equívoco ou "embuste" como lhe chamou um dos seus promotores mais notórios ( Mário Soares, quando o comunismo ruiu com a queda do Muro de Berlim) alimentou esperanças e continua a alimentar ilusões na agora geringonça e o que mais adiante se verá.

Para entender quem eram esses utópicos que falharam todos os seus objectivos menos o de conceder liberdade a tais ideias peregrinas, abafando outras que se lhe opõem radicalmente, como são as ideias de extrema-direita a quem censuram actualmente e sempre que podem, mostro aqui algumas imagens. A primeira do i de hoje, num artigo nostálgico de um desses utópicos:



Num livro já antigo ( 2012) e a propósito de uma fota, mostra-se o retrato da aristocracia da Esquerda portguguesa, a que se julga superior e é mais nefasta que a erva daninha.


Estes desgraçados ideológicos, alguns já falecidos e agora sem eira nem beira, fizeram parte da elite que dominou a cultura, a informação e a intelligentsia do país nas últimas décadas e foram os responsáveis directos da ruína económica que se sucedeu a 25 de Abril de 1974 e ao actual status quo.

Para o provar ando há anos a escrever neste blog. É um dos meus leit-motiv, aliás. 

Entre Pedro Queiroz Pereira e qualquer um destes ( mesmo um tal Mário Lino que agora vende pernil para a Venezuela de Chavez e Maduro) a escolha para mandar na economia, parece óbvia. Mas a "pôba" não tem entendido assim, tal e qual. 
 E essa é outra das razões porque ainda escrevo aqui: para perceber porquê e como é que isto sucedeu nas últimas 4 décadas.

sábado, agosto 18, 2018

Catarina Martins, a empresária envergonhada

Estes factos relativos à actividade empresarial de tipo capitalista e burguês, ou seja o contrário da ideologia do Bloco de Esquerda, aparecem no blog Blasfémias, da autoria de Telmo Azevedo Fernandes.

Merecem atenção porque revelam a hipocrisia de Catarina Martins. E isso devia ser primeira página no Correio da Manhã. Ou até no Público de Manuel Carvalho.

CM tem uma quota de 5% na empresa “Cassiopeia, desenvolvimento de projectos culturais Lda”. (fonte: parlamento.pt e mj.pt)
A sócia maioritária da Cassiopeia é a coordenadora distrital do Bloco no Porto (fonte: portodistrito.bloco.org e mj.pt)
CM é (actualmente) Presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação cultural sem fins lucrativos “Visões Úteis”, fundada pelo marido de CM e da qual este é colaborador regular. (fonte: parlamento.pt e visoesuteis.pt)
A Visões Úteis, desde 2012, beneficiou de mais de 80 mil euros de contratos públicos, sobretudo da CMPorto e do TNSJ, por ajuste directo. (fonte: base.gov)
Um outro dos sócios de CM na Cassiopeia é também um dos directores artísticos na Visões Úteis. (fonte: mj.pt e visoesuteis.pt)
A Visões Úteis é financiada pelo Ministério da Cultura e DGArtes (fonte: visoesuteis.pt)
CM foi até 2009 Presidente da Mesa da AG da PLATEIA – Associação de Profissionais das Artes Cénicas. (fonte: parlamento.pt)
Na sequência do despacho 5883/2018, a PLATEIA integra o Grupo de Trabalho para o aperfeiçoamento do Novo Modelo de Apoio às Artes, formado pelo Ministro da Cultura. (fonte: plateia-apac.blogspot.com)

Outras curiosidades ainda:
Em 2009, o cunhado (?) de CM (Tiago Carreira) constitui a empresa INK PLACE, LDA da qual é sócio em 50% juntamente com a STILOS INVESTMENT COMPANY LIMITED, sócio corporativo registado em Gibraltar. (fonte: mj.pt)
No acto de constituição da Ink Place, a Stilos (Gibraltar) foi representada pelo procurador Valdemar Dias da Silva Pedro. (fonte: mj.pt)
Em 2015 Valdemar defendeu a tese de Mestrado em Psicologia “A espiritualidade nos voluntários” (fonte: scholar.google.pt/citations?user=59jA_LIAAAAJ&hl=pt-PT)
Em 2015 a Ink Place tem um aumento de capital e alterações ao contrato de sociedade passando o sogro de CM a ter uma quota a título pessoal na empresa e cujo objecto passa a ser mais alargado: “Comércio e distribuição de equipamento informático e consumíveis. Reparação e manutenção de equipamento informático. Formação profissional. Administração de condomínios. Construção civil. Comércio de produtos alimentares. Fabricação de doces, compotas e marmeladas.” (fonte: mj.pt)

 

quinta-feira, agosto 16, 2018

Wired, a revista americana dos anos noventa

Aqui ficam várias imagens da revista americana Wired de Maio de 1995. A publicidade a artigos de informática e computadores era especialmente interessantes nesse tempo devido à novidade do que viria a ser  o padrão dos anos a seguir. 

Na capa aparecia Brian Eno, um músico e compositor que veio dos anos dos Roxy Music, no início da década de setenta, passou por uma carreira a solo e prolongou-se como produtor de vários grupos e artistas.  Um dia destes merece um postal, particularmente por causa dos seus quatro primeiros discos a solo, de 1972 a 1977.



quarta-feira, agosto 15, 2018

ReVisão histórica habitual: a degenerescência

A revista Visão revisita o nosso passado histórico de há 50 anos a esta parte, com incidência nos anos que sobraram até ao 25 de Abril de 1974. Salazar, salazarismo, etc. etc. quando quem mandava já nem era Salazar mas o seu sucessor, Marcello Caetano.
Vão buscar a referência histórica e pessoal, de Marcelo Rebelo de Sousa, para credibilizar uma versão da História que é apenas uma Visão. E ainda por cima a habitual, corriqueira, da esquerda não comunista. 

Ora leia quem quiser:



Para se entender melhor esta degenerescência ficam aqui duas páginas do jornal O Diabo do passado dia 7 de Agosto, sobre  outros degenerados mais notórios: Francisco Louçã, Fernando Rosas e Ricardo Robles. Todos do Bloco de Esquerda.


terça-feira, agosto 14, 2018

Vilar de Mouros, 1971

Em Vilar de Mouros vai decorrer mais um festival de música pimba, perdão, rock-pop-hipop-techno qualquer coisa assim. O maestro Vitorino de Almeida disse no outro dia na tv que a música pimba e este novo género musical são a mesma coisa, essencialmente. Coisa de poucos acordes e duas ou três harmonias, pouco para quem está habituado a dezenas delas em sequência sinfónica.

Os festivais em Vilar de Mouros, com as características populares que agora conhecemos começaram há 50 anos, em 1968

Porém, o festival que marcou Vilar de Mouros foi sem dúvida o que aconteceu em 1971 e a que por aqui já foi dado relevo.

Nesse ano, na primeira semana de Agosto ocorreu a prestação pop/rock que motivou a ida de milhares de pessoas, na maioria jovens e cujo retrato foi dado em poucos lados, porque na época não havia os meios de hoje.

Há poucas fotos a cores e poucos filmes do acontecimento. E daí a importância dos que se conhecem.
Por exemplo este, tirado daqui, onde além do mais se relata ( no sítio) o que a polícia política de então ( a DGS) obtinha como informação dos seus colaboradores. Um das informações é sobre um dos elementos dos Manfred Mann ( que se ouvem a tocar, no video, Mighty Queen) um tal Hugg que seria comunista. Coitado do Mike Hugg...

O relato é exemplar do que viu o dito cujo que pouco viu e só viu o lado porco do evento. Cada um vê o que lhe apetece, poderia dizer.se. A visualização deste pequeno filme em formato antigo transformado em digital assume assim uma importância documental notável.:




Para além disso havia as revistas semanais da altura  ( Flama e Século Ilustrado) que publicaram reportagens alargadas sobre evento musical e não só. Algumas publicações de música popular também deram o destaque próprio ( Mundo da Canção e Disco música e moda)
A Século Ilustrado pouca importância deu ao aspecto musical, focando o assunto na análise sociológica de pacotilha como era próprio dos repórteres da revista, já de esquerda. Neste caso sem assinatura.

No dia 14 de Agosto de 1971, faz hoje anos saiu este número que serviu para ver e ler o que não tinha visto porque não fui lá nesse ano.


Em 2003 foi publicado nas edições Afrontamento, um livro de Fernando Zamith sobre o evento, com o título Vilar de Mouros, 35 anos de festivais. É daí que se retira a informação sobre o começo do Festival nos moldes actuais, em 1968. Foi nesse anos que ai apareceu a Banda da GNR e uns fadistas de Coimbra, incluindo um certo José Afonso, também o Quinteto Académico e ainda a "orquestra" de Shegundo Galarza

Dele se tiram estas páginas com as fotos coloridas e que mostram o panorama da juventude daquele tempo, em Portugal. Quem o viveu lembra-se. Os demais ouvem e lêem por vezes balelas sobre o assunto. Afinal era o tempo do fascismo...e o retrato sociológico fica feito e refeito. Tem sido assim ao longo de décadas de desinformação e manipulação histórica.


Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso