Observador:
Tesouro pagou juros superiores a 3% para emitir dívida a 10 anos, um pouco mais do que no último leilão com prazo longo. Isto no mesmo dia em que a Alemanha paga juros negativos no mesmo prazo.
No jornal O Diabo desta semana já vinha um esboço...
quarta-feira, julho 13, 2016
terça-feira, julho 12, 2016
A Educação segundo o modelo de Esquerda...e o elitismo dos médicos.
O Militante deste bimestre ( Julho Agosto 2016) traz na capa a questão da escola pública, versão PCP. Luta de classes, luta de classes, sempre.
Ora como é que o PCP equaciona o problema da educação em 2016? Assim:
A diferença entre o modo como o PCP equacionava o problema em 1975? Basta ler e comparar...porque realmente não há nenhuma diferença substancial. Em 40 anos o PCP manteve-se firme e hirto na ideia fóssil da luta de classes na Educação e o actual ministro da Educação, um inenarrável de Paredes de Coura, deu-lhe o caminho todo.
Expresso de 31.10.1975:
Tudo começou com o "unificado" e a preparação dos professores...como mostrava O Jornal de 26.9.1975.
Curiosamente nesta caminhada, desde cedo houve um sector que foi protegido especialmente, sem oposição do PCP ou do PS: o da Medicina. Até hoje. Porque será?!
O Jornal 16. 7.1976 e 23.7.1976. Passaram 40 anos...e o então Miller Guerra defendia com unhas e dentes o seu feudo que não foi desfeito por um tal Arnaut, do SNS...e do PS profundo e maçónico.
E elite médica continuou ao longo das décadas, sem paralelo noutras profissões. Porquê?!
Ora como é que o PCP equaciona o problema da educação em 2016? Assim:
A diferença entre o modo como o PCP equacionava o problema em 1975? Basta ler e comparar...porque realmente não há nenhuma diferença substancial. Em 40 anos o PCP manteve-se firme e hirto na ideia fóssil da luta de classes na Educação e o actual ministro da Educação, um inenarrável de Paredes de Coura, deu-lhe o caminho todo.
Expresso de 31.10.1975:
Tudo começou com o "unificado" e a preparação dos professores...como mostrava O Jornal de 26.9.1975.
Curiosamente nesta caminhada, desde cedo houve um sector que foi protegido especialmente, sem oposição do PCP ou do PS: o da Medicina. Até hoje. Porque será?!
O Jornal 16. 7.1976 e 23.7.1976. Passaram 40 anos...e o então Miller Guerra defendia com unhas e dentes o seu feudo que não foi desfeito por um tal Arnaut, do SNS...e do PS profundo e maçónico.
E elite médica continuou ao longo das décadas, sem paralelo noutras profissões. Porquê?!
segunda-feira, julho 11, 2016
A parolice de sempre...
Observador:
O Barclays Capital tem dúvidas sobre se Portugal será capaz de evitar um novo resgate, porque o país “está novamente sob escrutínio apertado dos mercados” e as condições económicas “estão a virar para pior“. O crescimento da economia, diz o banco britânico, não excederá os 0,7% este ano e os 0,3% em 2017. Estes são alguns dos factores que preocupam o Barclays Capital, juntando-se uma “crise bancária sistémica” e a “falta de um plano convincente” para equilibrar as contas públicas.
E como é que o ministro das Finanças encara este cenário? Assim:
O Barclays Capital tem dúvidas sobre se Portugal será capaz de evitar um novo resgate, porque o país “está novamente sob escrutínio apertado dos mercados” e as condições económicas “estão a virar para pior“. O crescimento da economia, diz o banco britânico, não excederá os 0,7% este ano e os 0,3% em 2017. Estes são alguns dos factores que preocupam o Barclays Capital, juntando-se uma “crise bancária sistémica” e a “falta de um plano convincente” para equilibrar as contas públicas.
E como é que o ministro das Finanças encara este cenário? Assim:
sábado, julho 09, 2016
O Tempo acabado de Nuno Rocha
Pela leitura do semanário Sol de hoje dei conta da morte do jornalista Nuno Rocha, na passada terça-feira, aos 83 anos.
A notícia passou despercebida e não dei conta até hoje, o que é significativo pelo que representa em termos de omissão jornalística.
Nuno Rocha é um dos primeiros jornalistas resistentes ao comunismo esquerdista que se instalou em Portugal logo após o 25 de Abril. Um exemplo muito raro e assinalar, porque todos eram de esquerda, nessa altura e não admitiam convívio fácil com quem pensasse ao contrário.
Nuno Rocha, em 29 Maio de 1975 fundou o semanário Tempo, logo após ter sido fundado O Jornal, por jornalistas de esquerda e que saiu nos primeiros dias do mês, para glorificar o regime e o então MFA.
O Tempo era um jornal contra-revolucionário e por tal motivo perseguido politicamente, como se demonstra por esta notícia no O Jornal de 12 de Setembro de 1975, em pleno PREC. Se este processo tivesse saído vencedor em 25 de Novembro de 1975, Nuno Rocha seria certamente uma das pessoas presas, por motivos políticos, tal como o fora já em 13 de Abril de 1975, pelo COPCON de Otelo Saraiva de Carvalho.
A notícia que segue é a demonstração da poltranice do jornalismo nacional que temos, ainda temos. E a prova está na omissão noticiosa dos jornalistas que há, formados numa escola que não sabe ensinar porque dirigida por herdeiros do PREC e esquerdistas de sempre, alguns deles envergonhados.
Em 1985 o semanário comemorou dez anos. Assim:
A notícia passou despercebida e não dei conta até hoje, o que é significativo pelo que representa em termos de omissão jornalística.
Nuno Rocha é um dos primeiros jornalistas resistentes ao comunismo esquerdista que se instalou em Portugal logo após o 25 de Abril. Um exemplo muito raro e assinalar, porque todos eram de esquerda, nessa altura e não admitiam convívio fácil com quem pensasse ao contrário.
Nuno Rocha, em 29 Maio de 1975 fundou o semanário Tempo, logo após ter sido fundado O Jornal, por jornalistas de esquerda e que saiu nos primeiros dias do mês, para glorificar o regime e o então MFA.
O Tempo era um jornal contra-revolucionário e por tal motivo perseguido politicamente, como se demonstra por esta notícia no O Jornal de 12 de Setembro de 1975, em pleno PREC. Se este processo tivesse saído vencedor em 25 de Novembro de 1975, Nuno Rocha seria certamente uma das pessoas presas, por motivos políticos, tal como o fora já em 13 de Abril de 1975, pelo COPCON de Otelo Saraiva de Carvalho.
A notícia que segue é a demonstração da poltranice do jornalismo nacional que temos, ainda temos. E a prova está na omissão noticiosa dos jornalistas que há, formados numa escola que não sabe ensinar porque dirigida por herdeiros do PREC e esquerdistas de sempre, alguns deles envergonhados.
Em 1985 o semanário comemorou dez anos. Assim:
A bicicleta parada
Durão Barroso aceitou um lugar de topo na administração de um banco mundializado, o Goldman Sachs, um dos bancos do sistema capitalista em que vivemos.
Este sistema capitalista do FMI, da "troika", dos "mercados", das bolsas mundializadas e em rede, seguindo as cotações de bens que se produzem e transaccionam é o que temos em Portugal e na Europa. Não é outro porque não há outro. Ou haverá?
Segundo as reacções à nomeação de Barroso parece que sim. Uns apontam-lhe o marxismo primitivo, sob a alçada de um MRPP de Fernando Rosas, coisa que Durão Barroso se libertou há longos anos, ao contrário do Rosas que ainda lá continua, com o fardo da luta de classes em cima.
Outros, mais claros na indignação mostram aquilo que verdadeiramente são e que os demais não querem notar: revolucionários de esquerda marxista que nunca abandonaram as ideias que sintetizam tacticamente numa imagem: o processo revolucionário não pode parar. Tal como uma bicicleta, se parar, cai.
Ora leia-se o que dizem certos bloquistas sobre tal nomeação: a ideia básica é a de que Barroso vai servir o capitalismo, como serviu enquanto esteve à frente da União Europeia, como agente "do gansterismo financeiro global". Palavras, para quê? É este um dos movimentos da "geringonça" que irá fatalmente desconjuntar-se um dia destes, por contradição insanável e para bem de todos nós, Um segundo 25 de Novembro, precisa-se urgentemente.
Este anseio de prec vem de longe, de muito longe e muito andou para aqui chegar...
Em 31 de Outubro de 1975 um escasso mês antes da bicicleta ser abruptamente parada pelas autoridades do país, no Expresso, um dos militares de Abril, exprimia-se assim, idiossincraticamente:
Esta ideologia de classe antagónica ao sistema capitalista que temos não abandonou a bicicleta, entregando-a aos vencedores. Recuperou-a, guardou-a na garagem à espera de melhores dias que não apareceram, nem mesmo com bombas revolucionárias das FP25.
Até agora, por obra e graça dos compagnons de route que sempre o foram e vivem na corda bamba das contradições. Estão no sistema capitalista mas não querem fumá-lo, apenas defumá-lo.
Pelo contrário, os sempiternos trotskistas que aguentam tudo, até cuspirem na própria sopa que comem, não desistem...ora leia-se um dos padrecas da geringonça em entrevista de 2009. A intenção, clara, desde sempre é a de ultrapassar o PS, o verdadeiro obstáculo ao poder popular que defende. E diz, no fim: "Tem de haver, para um projecto de governo à esquerda, a ambição de criar uma nova força que não é o PS". E sobre o momento de tal transmutação alquímica que carece sempre de votos a mais que o tal PS: "não teremos ainda nestas eleições [os tais votos] mas há-de chegar o dia, e bem perto, em que havemos de os ter".
Mais claro que isto não há.
O comunismo, tal como a ferrugem, nunca dorme. E mesmo a opinião de antigos comunistas que abandonaram há muito a luta de classes é insuficiente para afastar de vez, da arena democrática, estes revolucionários esquerdistas que querem mergulhar o país noutra idade das trevas, as autênticas.
António Barreto ao Público de 23.10.2015, antes da geringonça se alcandorar ao voo alto em que se encontra, com as asas já perto de um sol que as irá derreter.
O nosso desastre está perto mas o da geringonça virá a par.
O problema está diagnosticado. A causa é sistematicamente mistificada. Como aqui se explica, no artigo de André Azevedo Alves, sobre "é o défice, estúpido!":
A verdade é que, no actual contexto português (resultado dos efeitos acumulados dos défices passados), o défice deixou de ser matéria exclusivamente nacional, como bem explicou Rui Ramos:
“O défice, ao contrário do que insinua a actual maioria parlamentar, não é uma simples birra estatística ou ideológica. Para uma das economias mais endividadas e estagnadas da Europa, que só o BCE separa da bancarrota, o défice é um problema de financiamento externo.”
Como até o Quantitative Easing do BCE deverá ter os seus limites, será muito difícil arranjar quem pague a reversão de medidas do governo anterior e o laxismo orçamental. Seria importante perceber de uma vez por todas – e independentemente das cores partidárias – que o que realmente constitui uma traição a Portugal é não aprender nada com os erros cometidos, empurrando alegremente o país para um desastre anunciado e um novo pedido de assistência externa.
Este sistema capitalista do FMI, da "troika", dos "mercados", das bolsas mundializadas e em rede, seguindo as cotações de bens que se produzem e transaccionam é o que temos em Portugal e na Europa. Não é outro porque não há outro. Ou haverá?
Segundo as reacções à nomeação de Barroso parece que sim. Uns apontam-lhe o marxismo primitivo, sob a alçada de um MRPP de Fernando Rosas, coisa que Durão Barroso se libertou há longos anos, ao contrário do Rosas que ainda lá continua, com o fardo da luta de classes em cima.
Outros, mais claros na indignação mostram aquilo que verdadeiramente são e que os demais não querem notar: revolucionários de esquerda marxista que nunca abandonaram as ideias que sintetizam tacticamente numa imagem: o processo revolucionário não pode parar. Tal como uma bicicleta, se parar, cai.
Ora leia-se o que dizem certos bloquistas sobre tal nomeação: a ideia básica é a de que Barroso vai servir o capitalismo, como serviu enquanto esteve à frente da União Europeia, como agente "do gansterismo financeiro global". Palavras, para quê? É este um dos movimentos da "geringonça" que irá fatalmente desconjuntar-se um dia destes, por contradição insanável e para bem de todos nós, Um segundo 25 de Novembro, precisa-se urgentemente.
Este anseio de prec vem de longe, de muito longe e muito andou para aqui chegar...
Em 31 de Outubro de 1975 um escasso mês antes da bicicleta ser abruptamente parada pelas autoridades do país, no Expresso, um dos militares de Abril, exprimia-se assim, idiossincraticamente:
Esta ideologia de classe antagónica ao sistema capitalista que temos não abandonou a bicicleta, entregando-a aos vencedores. Recuperou-a, guardou-a na garagem à espera de melhores dias que não apareceram, nem mesmo com bombas revolucionárias das FP25.
Até agora, por obra e graça dos compagnons de route que sempre o foram e vivem na corda bamba das contradições. Estão no sistema capitalista mas não querem fumá-lo, apenas defumá-lo.
Pelo contrário, os sempiternos trotskistas que aguentam tudo, até cuspirem na própria sopa que comem, não desistem...ora leia-se um dos padrecas da geringonça em entrevista de 2009. A intenção, clara, desde sempre é a de ultrapassar o PS, o verdadeiro obstáculo ao poder popular que defende. E diz, no fim: "Tem de haver, para um projecto de governo à esquerda, a ambição de criar uma nova força que não é o PS". E sobre o momento de tal transmutação alquímica que carece sempre de votos a mais que o tal PS: "não teremos ainda nestas eleições [os tais votos] mas há-de chegar o dia, e bem perto, em que havemos de os ter".
Mais claro que isto não há.
O comunismo, tal como a ferrugem, nunca dorme. E mesmo a opinião de antigos comunistas que abandonaram há muito a luta de classes é insuficiente para afastar de vez, da arena democrática, estes revolucionários esquerdistas que querem mergulhar o país noutra idade das trevas, as autênticas.
António Barreto ao Público de 23.10.2015, antes da geringonça se alcandorar ao voo alto em que se encontra, com as asas já perto de um sol que as irá derreter.
O problema está diagnosticado. A causa é sistematicamente mistificada. Como aqui se explica, no artigo de André Azevedo Alves, sobre "é o défice, estúpido!":
A verdade é que, no actual contexto português (resultado dos efeitos acumulados dos défices passados), o défice deixou de ser matéria exclusivamente nacional, como bem explicou Rui Ramos:
“O défice, ao contrário do que insinua a actual maioria parlamentar, não é uma simples birra estatística ou ideológica. Para uma das economias mais endividadas e estagnadas da Europa, que só o BCE separa da bancarrota, o défice é um problema de financiamento externo.”
Como até o Quantitative Easing do BCE deverá ter os seus limites, será muito difícil arranjar quem pague a reversão de medidas do governo anterior e o laxismo orçamental. Seria importante perceber de uma vez por todas – e independentemente das cores partidárias – que o que realmente constitui uma traição a Portugal é não aprender nada com os erros cometidos, empurrando alegremente o país para um desastre anunciado e um novo pedido de assistência externa.
quinta-feira, julho 07, 2016
A Previdência há 48 anos
Esta revista de 7 de Julho de 1972 mostra os números da Previdência, da Segurança Social, de 1968 e 1969, logo após o fim do Salazarismo e o começo dos Governos de Marcello Caetano.
Os números mostram o que eram então "os dinheiros" da Segurança Social. Hoje nem sabemos bem...porque o analfabetismo matemático permite as maiores asneiras das várias cátedras que assentam em S. Bento.
Sobre o que era o Banco Franco-Portugais esta notícia ajuda a perceber melhor...o papel dos emigrantes de então. E talvez porque razão o Crédit Lyonnais foi o banco que deu a mão aos Espírito Santo quando regressaram, nos anos noventa, a Portugal.
Os números mostram o que eram então "os dinheiros" da Segurança Social. Hoje nem sabemos bem...porque o analfabetismo matemático permite as maiores asneiras das várias cátedras que assentam em S. Bento.
Sobre o que era o Banco Franco-Portugais esta notícia ajuda a perceber melhor...o papel dos emigrantes de então. E talvez porque razão o Crédit Lyonnais foi o banco que deu a mão aos Espírito Santo quando regressaram, nos anos noventa, a Portugal.
Analfabetismo matemático
Sapo RR:
José Pacheco Pereira entende que Portugal está encurralado. Por força do domínio de Bruxelas (da chamada "Europa") face à governação dos estados e, no caso português, também pela fragilidade da solução governativa e do modo com a poderosa "Europa" a encara.
O conhecido comentador, antigo deputado e dirigente do PSD, diz que se a herança de Sócrates foi a bancarrota, a de Passos Coelho é a dos problemas escondidos debaixo do tapete.
(...)
Enquanto que a herança do governo de Sócrates foi a banca rota, que, objectivamente, existiu, a herança do governo de Passos Coelho, para além de não ter resolvido nenhum problema estrutural do país, vai ser, a prazo, ver como o processo de privatizações levanta muitos problemas e é também a situação calamitosa em que se encontra o sistema financeiro. Caiu tudo em cima deste Governo. Antes, foi escondido. Foi deliberadamente escondido para efeitos eleitorais.
José Pacheco Pereira entende que Portugal está encurralado. Por força do domínio de Bruxelas (da chamada "Europa") face à governação dos estados e, no caso português, também pela fragilidade da solução governativa e do modo com a poderosa "Europa" a encara.
O conhecido comentador, antigo deputado e dirigente do PSD, diz que se a herança de Sócrates foi a bancarrota, a de Passos Coelho é a dos problemas escondidos debaixo do tapete.
(...)
Enquanto que a herança do governo de Sócrates foi a banca rota, que, objectivamente, existiu, a herança do governo de Passos Coelho, para além de não ter resolvido nenhum problema estrutural do país, vai ser, a prazo, ver como o processo de privatizações levanta muitos problemas e é também a situação calamitosa em que se encontra o sistema financeiro. Caiu tudo em cima deste Governo. Antes, foi escondido. Foi deliberadamente escondido para efeitos eleitorais.
O horror às regiscontas e o analfabetismo matemático
Estamos melhor ou pior do que há um ano atrás? Provavelmente, pior...
Porque é que isto acontece ciclicamente e com o PS como protagonista de sempre? Provavelmente por causa de um fenómeno que em 1988, num livro então publicado pela Europa-América se chamou Inumerismo, ou " o analfabetismo matemático e as suas consequências".
As três primeiras páginas explicavam o livro:
Em resumo, o horror às regiscontas provém daqueles que sempre tiveram dificuldade em fazer contas. É um reflexo de defesa patético e perigoso que espelha um complexo de inferioridade, ultrapassado pela sobrevalorização de uma certa "cultura" livresca e dispensável na maior parte dos casos.
E...no tempo de Salazar/Caetano estávamos melhor, relativamente? Tendo e pensar que sim, perante as perspectivas que então tínhamos, mesmo sem Ultramar e apenas com as nossas empresas que na época eram prósperas e geridas com "alta qualidade".
O país de então era muito mais pobre do que hoje, mas a riqueza de hoje é supérflua em muitos casos e tipicamente de "novo-rico" o que provoca a inquietação da instabilidade e insegurança do status quo. Muita da prosperidade actual parece oca e sem base de sustentação, como o excesso de auto-estradas, por exemplo.
Antes de 25 de Abril de 1974 a construção de auto-estradas era um projecto ambicioso que se iria fatalmente desenvolver, mesmo sem o assistencialismo da CEE ou de fundos estruturais europeus.
Assim o relata o Observador ( the real thing) de29.5.1971, em pleno marcelismo:
De notar o modo coerente, lógico e compreensível para o senso comum, como se planeavam estas coisas de se pensava executar.
Na época Observador, 9 de Novembro de 1973) Portugal tinha mais engenheiros do que a Espanha...
E a evolução mostrava-se em anúncios, assim, a carros populares, neste caso franceses e italianos:
Ou os carros japoneses, num anúncio de globalização avant la lettre ( Século Ilustrado 9.5.1973).
E também a um fenómeno de costumes importados: o uso do chiclete ( Século Ilustrado, 26.12.1970)...
Começava a dar-se atenção à formação profissional nas empresas de um modo que hoje duvido que aconteça com a mesma coerência e qualidade, como mostram estas imagens do Observador de 5.11.1971.
No entanto, o discurso do Humanismo versus tecnocracia colocava-se num registo parecido ao actual...como mostra este artigo de 9.11.1973
Quanto à tal cultura livresca, também não ficou para trás, com um fenómeno inesperado, advindo do lançamento em 1970 de uma série de 100 livros, a um ritmo semanal...e cuja história já foi contada aqui:
Em 1970, em colaboração com a RTP, a Editorial Verbo lança a Biblioteca Básica Verbo – Livros RTP , uma colecção de livros de bolso. A ideia surge de uma experiência idêntica que se havia realizado, com grande sucesso, em Espanha, com a televisão espanhola e uma editora madrilena.
O então Presidente da Direcção da RTP, depois de uma viagem a Espanha, vem muito entusiasmado com a ideia e é dirigido um convite à Verbo para ser a editora portuguesa a participar neste projecto.
Tratava-se de uma acção completamente inovadora no mercado português, da qual jamais, na altura, se teve noção da dimensão que o empreendimento iria tomar e na qual todos os detalhes foram cuidadosamente trabalhados. Foram estudados incansavelmente cada um dos 100 títulos a incluir; a periodicidade, acabando por se optar pela semanal; o papel a utilizar nos livros; a cartolina das capas; o tipo de letra; o formato do livro; o grafismo das capas (da autoria de Sebastião Rodrigues, o pai do design gráfico português) e a distribuição.
Também na distribuição este projecto se revelou extremamente inovador. Montou-se uma rede de distribuição inédita, com 3500 pontos de venda (note-se que então o número de livrarias registadas não ultrapassava o 600), para o abastecimento dos quais a Editorial Verbo teve que reforçar a sua frota de transporte com oito novos furgões.
Curiosamente, passados tantos anos, foram repescar a mesma ideia...pelo que já agora poderiam fazer o mesmo à colecção foi lançada logo em 1971 pela Europa-América e que durou muitos mais anos.
Porque é que isto acontece ciclicamente e com o PS como protagonista de sempre? Provavelmente por causa de um fenómeno que em 1988, num livro então publicado pela Europa-América se chamou Inumerismo, ou " o analfabetismo matemático e as suas consequências".
As três primeiras páginas explicavam o livro:
Em resumo, o horror às regiscontas provém daqueles que sempre tiveram dificuldade em fazer contas. É um reflexo de defesa patético e perigoso que espelha um complexo de inferioridade, ultrapassado pela sobrevalorização de uma certa "cultura" livresca e dispensável na maior parte dos casos.
E...no tempo de Salazar/Caetano estávamos melhor, relativamente? Tendo e pensar que sim, perante as perspectivas que então tínhamos, mesmo sem Ultramar e apenas com as nossas empresas que na época eram prósperas e geridas com "alta qualidade".
O país de então era muito mais pobre do que hoje, mas a riqueza de hoje é supérflua em muitos casos e tipicamente de "novo-rico" o que provoca a inquietação da instabilidade e insegurança do status quo. Muita da prosperidade actual parece oca e sem base de sustentação, como o excesso de auto-estradas, por exemplo.
Antes de 25 de Abril de 1974 a construção de auto-estradas era um projecto ambicioso que se iria fatalmente desenvolver, mesmo sem o assistencialismo da CEE ou de fundos estruturais europeus.
Assim o relata o Observador ( the real thing) de29.5.1971, em pleno marcelismo:
De notar o modo coerente, lógico e compreensível para o senso comum, como se planeavam estas coisas de se pensava executar.
Na época Observador, 9 de Novembro de 1973) Portugal tinha mais engenheiros do que a Espanha...
E a evolução mostrava-se em anúncios, assim, a carros populares, neste caso franceses e italianos:
Ou os carros japoneses, num anúncio de globalização avant la lettre ( Século Ilustrado 9.5.1973).
E também a um fenómeno de costumes importados: o uso do chiclete ( Século Ilustrado, 26.12.1970)...
Começava a dar-se atenção à formação profissional nas empresas de um modo que hoje duvido que aconteça com a mesma coerência e qualidade, como mostram estas imagens do Observador de 5.11.1971.
No entanto, o discurso do Humanismo versus tecnocracia colocava-se num registo parecido ao actual...como mostra este artigo de 9.11.1973
Quanto à tal cultura livresca, também não ficou para trás, com um fenómeno inesperado, advindo do lançamento em 1970 de uma série de 100 livros, a um ritmo semanal...e cuja história já foi contada aqui:
Em 1970, em colaboração com a RTP, a Editorial Verbo lança a Biblioteca Básica Verbo – Livros RTP , uma colecção de livros de bolso. A ideia surge de uma experiência idêntica que se havia realizado, com grande sucesso, em Espanha, com a televisão espanhola e uma editora madrilena.
O então Presidente da Direcção da RTP, depois de uma viagem a Espanha, vem muito entusiasmado com a ideia e é dirigido um convite à Verbo para ser a editora portuguesa a participar neste projecto.
Tratava-se de uma acção completamente inovadora no mercado português, da qual jamais, na altura, se teve noção da dimensão que o empreendimento iria tomar e na qual todos os detalhes foram cuidadosamente trabalhados. Foram estudados incansavelmente cada um dos 100 títulos a incluir; a periodicidade, acabando por se optar pela semanal; o papel a utilizar nos livros; a cartolina das capas; o tipo de letra; o formato do livro; o grafismo das capas (da autoria de Sebastião Rodrigues, o pai do design gráfico português) e a distribuição.
Também na distribuição este projecto se revelou extremamente inovador. Montou-se uma rede de distribuição inédita, com 3500 pontos de venda (note-se que então o número de livrarias registadas não ultrapassava o 600), para o abastecimento dos quais a Editorial Verbo teve que reforçar a sua frota de transporte com oito novos furgões.
terça-feira, julho 05, 2016
Os réditos de António Costa
O Correio da Manhã de ontem publicou estas duas páginas sobre os rendimentos conhecidos de António Costa, em 2014. Como comentador da SIC recebeu mais do que como autarca...e espera-se agora que fique esclarecido que impostos pagou sobre as duas importâncias.
É que o assunto carece de explicações que suscitam dúvidas, por aqui já afloradas...
É que o assunto carece de explicações que suscitam dúvidas, por aqui já afloradas...
O presidente da República não é uma estrela pop: é o supremo magistrado da Nação.
Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República e professor de Direito, com larga experiência política e jornalística, mais a pessoal de ter conhecido todos os intervenientes políticos de há 50 anos a esta parte, anda a fazer figuras polémicas, no mínimo.
Ontem, em Trás-os-Montes, por ocasião de uma homenagem a um escritor português já falecido, Adolfo Rocha, de pseudónimo Miguel Torga, lá foi proclamar que "as pessoas precisam mesmo de comunicar, de desabafar, de sentir que se está próximo, nem que mais não seja para entregar uma carta que eu depois leio à noite". Esta declarações foi proferida depois de uma circunstante lhe ter chamado primeiro-ministro e o PR ter achado que era "como se fosse"...
O presidente Marcelo diz isto como quem bebe o copo de circunstância sem perceber, porventura, que a ignorância da populaça também não permitirá perceber qual a sua função no Estado e o significado político que pode ter um encontro de um presidente da República com um arguido que esteve preso durante um ano, preventivamente, por suspeitas de crimes gravíssimos contra o Estado. A circunstância de esse indivíduo ter sido primeiro-ministro ainda agrava mais a situação concreta e o encontro do supremo magistrado da Nação com esse arguido, em tom de "porreiro, pá!" é deletério para as instituições, sendo inadmissível que um PR se dê a esse papel em modo ligeiro como sucedeu, atento o significado objectivo e a imagem subjectiva que tal projecta no povo ignorante.
O antigo primeiro-ministro que lá esteve a convite de um autarca, apaniguado ou não, correlegionário ou não, isso pouco importa, a não ser para se poder ver melhor a pouca-vergonha, procura tal exposição porque não tem qualquer vergonha que o demova e não vive no mundo dos princípios materiais do Estado de Direito. Percebeu que a sua salvação poderá ser apenas a da colagem explícita aos políticos que o poderão proteger de longos anos de prisão. E como não é burro, aceita tudo o que lhe aparece para se mostrar como é e esconder o que sempre foi, numa aparente contradição que lhe assenta como uma luva.
O presidente da República ao aparar-lhe este jogo só se desprestigiou, julgando que é muito inteligente não dar importância a estes assuntos e tergiversando sobre a "gratidão" putativa que é devida aos políticos que servem o país e a quem as populações devem ficar gratas...como se tal fosse assim e o exercício do poder político fosse uma benesse de quem governa para com os governados.
Estamos bem arranjados com estas personagens de ópera bufa...
Ontem, em Trás-os-Montes, por ocasião de uma homenagem a um escritor português já falecido, Adolfo Rocha, de pseudónimo Miguel Torga, lá foi proclamar que "as pessoas precisam mesmo de comunicar, de desabafar, de sentir que se está próximo, nem que mais não seja para entregar uma carta que eu depois leio à noite". Esta declarações foi proferida depois de uma circunstante lhe ter chamado primeiro-ministro e o PR ter achado que era "como se fosse"...
O presidente Marcelo diz isto como quem bebe o copo de circunstância sem perceber, porventura, que a ignorância da populaça também não permitirá perceber qual a sua função no Estado e o significado político que pode ter um encontro de um presidente da República com um arguido que esteve preso durante um ano, preventivamente, por suspeitas de crimes gravíssimos contra o Estado. A circunstância de esse indivíduo ter sido primeiro-ministro ainda agrava mais a situação concreta e o encontro do supremo magistrado da Nação com esse arguido, em tom de "porreiro, pá!" é deletério para as instituições, sendo inadmissível que um PR se dê a esse papel em modo ligeiro como sucedeu, atento o significado objectivo e a imagem subjectiva que tal projecta no povo ignorante.
O antigo primeiro-ministro que lá esteve a convite de um autarca, apaniguado ou não, correlegionário ou não, isso pouco importa, a não ser para se poder ver melhor a pouca-vergonha, procura tal exposição porque não tem qualquer vergonha que o demova e não vive no mundo dos princípios materiais do Estado de Direito. Percebeu que a sua salvação poderá ser apenas a da colagem explícita aos políticos que o poderão proteger de longos anos de prisão. E como não é burro, aceita tudo o que lhe aparece para se mostrar como é e esconder o que sempre foi, numa aparente contradição que lhe assenta como uma luva.
O presidente da República ao aparar-lhe este jogo só se desprestigiou, julgando que é muito inteligente não dar importância a estes assuntos e tergiversando sobre a "gratidão" putativa que é devida aos políticos que servem o país e a quem as populações devem ficar gratas...como se tal fosse assim e o exercício do poder político fosse uma benesse de quem governa para com os governados.
Estamos bem arranjados com estas personagens de ópera bufa...
segunda-feira, julho 04, 2016
Os homens da regisconta que pagam as contas do país...
Este texto que segue foi agora publicado na revista Exame de Julho do ano corrente e está assinado por Henrique Raposo.
É o perfeito antídoto para os que perseguem os homens da regisconta em nome de uma suposta superioridade intelectual da cultura anti capitalista pelo capricho esquerdista de o serem, apenas.
No Norte estão as pequenas grandes indústrias que nos salvam da bancarrota definitiva. É a esses que se deveria prestar maior atenção em vez de se andar a catar neo-liberalismos imaginários e homens de regisconta de fantasia para fustigar quem quer produzir riqueza em vez de proclamar apenas as grandiosas pretensões de diminuir a pobreza que redundam sempre em aumentá-la.
É o perfeito antídoto para os que perseguem os homens da regisconta em nome de uma suposta superioridade intelectual da cultura anti capitalista pelo capricho esquerdista de o serem, apenas.
No Norte estão as pequenas grandes indústrias que nos salvam da bancarrota definitiva. É a esses que se deveria prestar maior atenção em vez de se andar a catar neo-liberalismos imaginários e homens de regisconta de fantasia para fustigar quem quer produzir riqueza em vez de proclamar apenas as grandiosas pretensões de diminuir a pobreza que redundam sempre em aumentá-la.
O mito do "homem da regisconta"
Para entender a estupidez da análise de Pacheco Pereira a propósito do PSD actual ser agora algo que nunca foi, ou seja, ter abraçado um credo "neo-liberal" e sufragado ideias avessas à social-democracia talvez seja útil recordar um postal aqui escrito em 25.11.2012.
A "tecnocracia" do "homem da Regisconta" sempre foi uma marca de água de um partido que procurou resolver os graves problemas económicos do país e governar segundo critérios de gestão com vista ao sucesso que todos almejam, apesar da palavra ser maldita. Nessa altura a ideia tinha outro conceito: o "homem novo" que o jornal Independente de MEC e Paulo Portas não se cansou de fustigar com um objectivo que depois se tornou claro: procurar apenas ser um califa no lugar de outro califa, sem mais. Aumentar um partido que cabia num táxi para ocupar lugares de camioneta ou de combóio.
A ideia do "homem novo" cavaquista, muito glosada e desprezada pela bempensância nacional ( a começar por VPV) era ideia associada para varrer a ideia socialista do assistencialismo estadista que tivemos e temos, para nossa desgraça maior. Sá Carneiro que os pachecos pereiras agora recuperam para o pensamento original social-democrata não queria outra coisa e isso é tão explícito que só não entende quem não percebe o essencial e se liga ao acessório.
O cavaquismo não conseguiu fazer dessa ideia coisa que se visse e o assistencialismo ainda aumentou mais, com o surgimento de quistos que deram em BPN´s, Proenças de Carvalho e afins. Se isto era a social-democracia que agora se defende é coisa que não se compreende, mas Pacheco Pereira achará que sim e que era melhor que as ideias que passam no programa actual do PSD.
A tentativa de libertar o país do jugo ideológico em que se encontrava ( e encontra) desde 1974 não surtiu em Pacheco Pereira ou noutros líderes de opinião mediatizada grande eco, apesar de alguns discursos que poderiam enganar quem os lesse ou ouvisse. No caso de Pacheco Pereira torna-se até incrível comparar o que então dizia com o que agora escreve.
Pacheco Pereira foi líder parlamentar do PSD quando as ideias do "homem novo" eram correntes e mais arrojadas tecnocraticamente do que as do "homem da Regisconta", mas nessa altura quem fazia a figura do Pacheco Pereira de hoje eram apenas os comunistas...o que aliás não admira porque é a demonstração da "boucle bouclée. O passado reencontra-se neste presente porque sempre foi assim.
Querer vituperar a pobreza do ideário actual do PSD esquecendo aquela tentativa de implantar a mesmíssima ideia através de outro mito é patético e imbecil.
Será esta, porventura, a nossa maior questão nacional: saber distinguir o que verdadeiramente precisamos e separar o Estado de uma economia que se quer mais pujante, progressista no sentido certo, eficiente e competitiva nos "mercados". Numa palavra: riqueza. Para contrariar outra palavra: pobreza. São palavras que a Esquerda entende, embora só destaque a segunda para efeitos de propaganda. A primeira palavra, riqueza, é-lhe muito cara mas apenas em modo pessoal e particular, para os seus mais próximos. A outra, pobreza, é para uso geral e eleitoral, para captar a atenção dos mais pobres que lhes assegurem a tal riqueza que pretendem alcançar. Basta ver os exemplos concretos dos socialistas que arranjaram vidinhas de ricos enquanto associados à governação quando eram pobretanas de subúrbio, na oposição.
É este o raciocínio básico e simples do que se tem passado em Portugal nas últimas décadas: enganos, demagogias, realidades paralelas e fantasias correntes. A tentativa do cavaquismo ( que começou assim) dos anos noventa em alterar tal estado de coisas, frustrou-se talvez por causa disto e de outros fenómenos:
Em 23 de Janeiro de 1995 o jornal Público dirigido então por Vicente Jorge Silva ( que hoje debita inanidades na tv) publicou uma extensa reportagem sobre a década prodigiosa do cavaquismo, isso "no dia em que Cavaco se define", ou seja quebrava o "tabu", ou seja desvendar o que iria fazer da sua vida. Poderia ter dito: acabou, falhei, nunca mais volto à política. Porém, como se sabe, a "História não acaba assim"...
Nos anos em que alcançou duas maiorias absolutas ( 87 e 91) Cavaco foi o "chefe" e poderia ter feito o que muito bem entendia macro-economicamente. Estávamos na CEE, em breve na UE e dali não sairíamos porque recebíamos milhões e milhões de "fundos estruturais".
Mas...seriam os problemas de Portugal essencialmente económicos? E tinha Cavaco as pessoas mais adequadas para pensar esses problemas, mesmo económicos? E os outros problemas, de cultura, educação e desenvolvimento real, como é que o Estado e os três governos de Cavaco resolveram a equação, com as pessoas que tinha a governar em maioria absoluta e o país rendido, numa expectativa que se frustrou, como agora se deve reconhecer e em 1995 era já notória. Tão notória que apareceu outro salvador, da área do socialismo democrático, de seu nome Guterres que concitou outra maioria absoluta com promessas e bolos políticos e durante meia dúzia de anos enganou novamente os portugueses ( de tal modo que um dos seus ministros emblemáticos, Sousa Franco, pronunciou publicamente num restaurante que o governo de então "era o pior desde D. Maria"). Isso será outra História, a seguir,
Por enquanto fiquemos nesta, de Cavaco.
Em 22 de Abril de 1989, a Revista do Expresso publicou este artigo de página, da autoria de um insuspeito António José Saraiva, um intelectual como já não temos ( Eduardo Lourenço leva hoje no Público uma rabecada em grande, de VPV), sobre uma figura que já então suscitava curiosidade aos portugueses em geral: Salazar. É ler o que Saraiva escreve: "Salazar foi, sem dúvida, um dos homens mais notáveis da história de Portugal e possuía uma qualidade que os homens notáveis sempre possuem- uma recta intenção." Os comunistas não gostaram desta prosa de um antigo camarada...que afinal não chamava fassista ao ditador.
Os
governos de Cavaco suscitaram muita curiosidade e expectativa pelas
promessas de "pogresso" ( era mesmo assim que Cavaco falava na altura,
por isso...) e ideias de "homem novo" e outras expectativas que
colocaram muito alta a fasquia do futuro melhor para todos.
Em Abril de 1992 apareceu a revista Fortuna, dirigida por Álvaro de Mendonça. O tema de capa era já Belmiro de Azevedo.
No interior fazia-se um apanhado jornalístico sobre os ministros de Cavaco, com apreciações do ponto de vista de um "sector de ponta" em vias de aparição e que nunca mais nos largaria- o dos economistas especialistas em gestão. Olhavam assim para os ministros de Cavaco:
Como se vê, o mais desgraçado de todos era...Braga de Macedo, visto como académico, desligado das realidades económicas e "não daria um grande gestor", segundo os gurus da revista.
Outra revista surgida uns meses antes, a Valor, no primeiro número de 8.11.1991 fazia uma apreciação da politica económica do governo de Cavaco dirigida por aquele Braga de Macedo e também uma certa Manuela Ferreira Leite, agora muito crítica do suposto neo-liberalismo deste actual governo social-democrata.
Na senda da descoberta do caminho certo para a nossa economia aditivada com as ajudas estruturais da CEE, havia como sempre os do "contra". Como é costume aquele que teve sempre razão deu azo a uma crónica de VPV no Público de 7 de Julho de 1990, em forma de "Carta ao patrão dos patrões", na altura o já notório Pedro Ferraz da Costa que merecia ser ouvido muito mais do que é- e seguido. Não foi por falta de aviso que os governos de Cavaco falharam. For por soberba, pura e simples. E devorismo de uns tantos cuja história virá a seguir.
Apesar da auto-suficiência e dos conselhos amigos de quem tinha experiência e saber acumulados, num dos governos de Cavaco, um ministro teve a ideia peregrina de convocar meia dúzia dos tais economistas especializados em gestão, formados em ideias anglo-saxónicas ( percursores dos cursos da Católica, onde aliás se formou Vítor Gaspar) e com grande pompa e gasto a condizer, convidou um dos então gurus da tal gestão tipo Drucker. Michael Porter was his name e só falava inglês, conhecendo coisas como "clusters", cuja tradução para português nem sequer foi tentada porque o parolismo da época transplantou-se para o presente e apesar de algumas firmas de advogados apostarem muito na língua portuguesa, continuam a falar para inglês ver. O fenómeno parolístico começou nessa altura. Será que os alemães também se exprimem nesse inglês técnico de gestão corrente?
Então a revista Fortuna de Dezembro de 1993 publicou uma separata sobre o famigerado "relatório Porter" e uma entrevista com o seu mentor Mira Amaral, que apresentava o dito cujo não sem esclarecer que "o que eu não tenho é o impacto mediático que tem o professor Porter. As ideias já eu tinha." Parolice maior será difícil encontrar: perante a incapacidade em mostrar e convencer os portugueses das "ideias que tinha", o cavaquismo convida um americano para estudar, conjuntamente com uma equipa ( os nomes vêm na revista e são uma dúzia de jovens formados nas tais escolas de "gestão") e elabora um relatório. Destino do relatório? Lixo. Nunca foi aplicado devidamente. Portugal e as ideias que o cavaquismo tinha foram assim mesmo: uma frustração em grande.
Quanto ao tal Mira Amaral que agora aparece bem posicionado na vida, na mesma altura declarava a uma revista de automobilismo que a sua maior ambição em carros era ter um Mercedes classe C. Outro que também aparecia a mostrar o seu desejo automobilístico era um tal Fernando Gomes, um dos tais economistas formados nas antigas escolas industriais e que foi presidente da câmara do Porto. Agora administra uma empresa pública com salário a condizer com o estatuto que então ambicionava: ter um BMW série 5. Está tudo dito...
Não admira nada por isso que a prognose póstuma efectuada pelo Público em 23 de Janeiro de 1995 fosse uma grande, enorme frustração e desencanto. Apenas sobre a Economia ficam duas páginas que mostram que afinal o cavaquismo foi mesmo a génese da nossa destraça colectiva. Alguém duvida? Alguém contesta?
O nosso fado teria mesmo que ser este, com este Cavaco e estas personagens de opereta como dantes se dizia? Não tínhamos melhor? Se calhar não porque a seguir ainda veio pior...
Em 1995, o PS apresentava-nos 100 nomes 100 para nos governar. Deus meu, como foi possível acreditar outra vez nessa desgraça? A História segue dentre de dias.
A "tecnocracia" do "homem da Regisconta" sempre foi uma marca de água de um partido que procurou resolver os graves problemas económicos do país e governar segundo critérios de gestão com vista ao sucesso que todos almejam, apesar da palavra ser maldita. Nessa altura a ideia tinha outro conceito: o "homem novo" que o jornal Independente de MEC e Paulo Portas não se cansou de fustigar com um objectivo que depois se tornou claro: procurar apenas ser um califa no lugar de outro califa, sem mais. Aumentar um partido que cabia num táxi para ocupar lugares de camioneta ou de combóio.
A ideia do "homem novo" cavaquista, muito glosada e desprezada pela bempensância nacional ( a começar por VPV) era ideia associada para varrer a ideia socialista do assistencialismo estadista que tivemos e temos, para nossa desgraça maior. Sá Carneiro que os pachecos pereiras agora recuperam para o pensamento original social-democrata não queria outra coisa e isso é tão explícito que só não entende quem não percebe o essencial e se liga ao acessório.
O cavaquismo não conseguiu fazer dessa ideia coisa que se visse e o assistencialismo ainda aumentou mais, com o surgimento de quistos que deram em BPN´s, Proenças de Carvalho e afins. Se isto era a social-democracia que agora se defende é coisa que não se compreende, mas Pacheco Pereira achará que sim e que era melhor que as ideias que passam no programa actual do PSD.
A tentativa de libertar o país do jugo ideológico em que se encontrava ( e encontra) desde 1974 não surtiu em Pacheco Pereira ou noutros líderes de opinião mediatizada grande eco, apesar de alguns discursos que poderiam enganar quem os lesse ou ouvisse. No caso de Pacheco Pereira torna-se até incrível comparar o que então dizia com o que agora escreve.
Pacheco Pereira foi líder parlamentar do PSD quando as ideias do "homem novo" eram correntes e mais arrojadas tecnocraticamente do que as do "homem da Regisconta", mas nessa altura quem fazia a figura do Pacheco Pereira de hoje eram apenas os comunistas...o que aliás não admira porque é a demonstração da "boucle bouclée. O passado reencontra-se neste presente porque sempre foi assim.
Querer vituperar a pobreza do ideário actual do PSD esquecendo aquela tentativa de implantar a mesmíssima ideia através de outro mito é patético e imbecil.
Será esta, porventura, a nossa maior questão nacional: saber distinguir o que verdadeiramente precisamos e separar o Estado de uma economia que se quer mais pujante, progressista no sentido certo, eficiente e competitiva nos "mercados". Numa palavra: riqueza. Para contrariar outra palavra: pobreza. São palavras que a Esquerda entende, embora só destaque a segunda para efeitos de propaganda. A primeira palavra, riqueza, é-lhe muito cara mas apenas em modo pessoal e particular, para os seus mais próximos. A outra, pobreza, é para uso geral e eleitoral, para captar a atenção dos mais pobres que lhes assegurem a tal riqueza que pretendem alcançar. Basta ver os exemplos concretos dos socialistas que arranjaram vidinhas de ricos enquanto associados à governação quando eram pobretanas de subúrbio, na oposição.
É este o raciocínio básico e simples do que se tem passado em Portugal nas últimas décadas: enganos, demagogias, realidades paralelas e fantasias correntes. A tentativa do cavaquismo ( que começou assim) dos anos noventa em alterar tal estado de coisas, frustrou-se talvez por causa disto e de outros fenómenos:
Em 23 de Janeiro de 1995 o jornal Público dirigido então por Vicente Jorge Silva ( que hoje debita inanidades na tv) publicou uma extensa reportagem sobre a década prodigiosa do cavaquismo, isso "no dia em que Cavaco se define", ou seja quebrava o "tabu", ou seja desvendar o que iria fazer da sua vida. Poderia ter dito: acabou, falhei, nunca mais volto à política. Porém, como se sabe, a "História não acaba assim"...
Nos anos em que alcançou duas maiorias absolutas ( 87 e 91) Cavaco foi o "chefe" e poderia ter feito o que muito bem entendia macro-economicamente. Estávamos na CEE, em breve na UE e dali não sairíamos porque recebíamos milhões e milhões de "fundos estruturais".
Mas...seriam os problemas de Portugal essencialmente económicos? E tinha Cavaco as pessoas mais adequadas para pensar esses problemas, mesmo económicos? E os outros problemas, de cultura, educação e desenvolvimento real, como é que o Estado e os três governos de Cavaco resolveram a equação, com as pessoas que tinha a governar em maioria absoluta e o país rendido, numa expectativa que se frustrou, como agora se deve reconhecer e em 1995 era já notória. Tão notória que apareceu outro salvador, da área do socialismo democrático, de seu nome Guterres que concitou outra maioria absoluta com promessas e bolos políticos e durante meia dúzia de anos enganou novamente os portugueses ( de tal modo que um dos seus ministros emblemáticos, Sousa Franco, pronunciou publicamente num restaurante que o governo de então "era o pior desde D. Maria"). Isso será outra História, a seguir,
Por enquanto fiquemos nesta, de Cavaco.
Em 22 de Abril de 1989, a Revista do Expresso publicou este artigo de página, da autoria de um insuspeito António José Saraiva, um intelectual como já não temos ( Eduardo Lourenço leva hoje no Público uma rabecada em grande, de VPV), sobre uma figura que já então suscitava curiosidade aos portugueses em geral: Salazar. É ler o que Saraiva escreve: "Salazar foi, sem dúvida, um dos homens mais notáveis da história de Portugal e possuía uma qualidade que os homens notáveis sempre possuem- uma recta intenção." Os comunistas não gostaram desta prosa de um antigo camarada...que afinal não chamava fassista ao ditador.
Em Abril de 1992 apareceu a revista Fortuna, dirigida por Álvaro de Mendonça. O tema de capa era já Belmiro de Azevedo.
No interior fazia-se um apanhado jornalístico sobre os ministros de Cavaco, com apreciações do ponto de vista de um "sector de ponta" em vias de aparição e que nunca mais nos largaria- o dos economistas especialistas em gestão. Olhavam assim para os ministros de Cavaco:
Como se vê, o mais desgraçado de todos era...Braga de Macedo, visto como académico, desligado das realidades económicas e "não daria um grande gestor", segundo os gurus da revista.
Outra revista surgida uns meses antes, a Valor, no primeiro número de 8.11.1991 fazia uma apreciação da politica económica do governo de Cavaco dirigida por aquele Braga de Macedo e também uma certa Manuela Ferreira Leite, agora muito crítica do suposto neo-liberalismo deste actual governo social-democrata.
Na senda da descoberta do caminho certo para a nossa economia aditivada com as ajudas estruturais da CEE, havia como sempre os do "contra". Como é costume aquele que teve sempre razão deu azo a uma crónica de VPV no Público de 7 de Julho de 1990, em forma de "Carta ao patrão dos patrões", na altura o já notório Pedro Ferraz da Costa que merecia ser ouvido muito mais do que é- e seguido. Não foi por falta de aviso que os governos de Cavaco falharam. For por soberba, pura e simples. E devorismo de uns tantos cuja história virá a seguir.
Apesar da auto-suficiência e dos conselhos amigos de quem tinha experiência e saber acumulados, num dos governos de Cavaco, um ministro teve a ideia peregrina de convocar meia dúzia dos tais economistas especializados em gestão, formados em ideias anglo-saxónicas ( percursores dos cursos da Católica, onde aliás se formou Vítor Gaspar) e com grande pompa e gasto a condizer, convidou um dos então gurus da tal gestão tipo Drucker. Michael Porter was his name e só falava inglês, conhecendo coisas como "clusters", cuja tradução para português nem sequer foi tentada porque o parolismo da época transplantou-se para o presente e apesar de algumas firmas de advogados apostarem muito na língua portuguesa, continuam a falar para inglês ver. O fenómeno parolístico começou nessa altura. Será que os alemães também se exprimem nesse inglês técnico de gestão corrente?
Então a revista Fortuna de Dezembro de 1993 publicou uma separata sobre o famigerado "relatório Porter" e uma entrevista com o seu mentor Mira Amaral, que apresentava o dito cujo não sem esclarecer que "o que eu não tenho é o impacto mediático que tem o professor Porter. As ideias já eu tinha." Parolice maior será difícil encontrar: perante a incapacidade em mostrar e convencer os portugueses das "ideias que tinha", o cavaquismo convida um americano para estudar, conjuntamente com uma equipa ( os nomes vêm na revista e são uma dúzia de jovens formados nas tais escolas de "gestão") e elabora um relatório. Destino do relatório? Lixo. Nunca foi aplicado devidamente. Portugal e as ideias que o cavaquismo tinha foram assim mesmo: uma frustração em grande.
Quanto ao tal Mira Amaral que agora aparece bem posicionado na vida, na mesma altura declarava a uma revista de automobilismo que a sua maior ambição em carros era ter um Mercedes classe C. Outro que também aparecia a mostrar o seu desejo automobilístico era um tal Fernando Gomes, um dos tais economistas formados nas antigas escolas industriais e que foi presidente da câmara do Porto. Agora administra uma empresa pública com salário a condizer com o estatuto que então ambicionava: ter um BMW série 5. Está tudo dito...
Não admira nada por isso que a prognose póstuma efectuada pelo Público em 23 de Janeiro de 1995 fosse uma grande, enorme frustração e desencanto. Apenas sobre a Economia ficam duas páginas que mostram que afinal o cavaquismo foi mesmo a génese da nossa destraça colectiva. Alguém duvida? Alguém contesta?
O nosso fado teria mesmo que ser este, com este Cavaco e estas personagens de opereta como dantes se dizia? Não tínhamos melhor? Se calhar não porque a seguir ainda veio pior...
Em 1995, o PS apresentava-nos 100 nomes 100 para nos governar. Deus meu, como foi possível acreditar outra vez nessa desgraça? A História segue dentre de dias.
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