sábado, julho 21, 2018

José António Saraiva e Nuno Pacheco...

Ontem no Público este artigo de Nuno Pacheco tinha um objectivo: atacar ad homimem o antigo director do Expresso José António Saraiva.

O exercício pareceu-me deprimente pelo lado mesquinho que comporta e deixa adivinhar uma razão pessoal que deveria afastar o escrito, à partida.


Hoje no Sol, a crónica de José António Saraiva não reflecte aquele ataque ignominioso, provavelmente devido ao curto intervalo de tempo das publicações, mas espero uma resposta a condizer, sob pena de pensar que quem não se sente...


Fixe a valer, o Zé Jorge!

Croniqueta de José Jorge Letria no CM de hoje: Soares continua fixe e vai para o Panteão, com aplauso geral destes tartufos.


Em 2013 este indivíduo que preside à SPA escreveu uma espécie de autobiografia em que explica o percurso político até finais dos anos setenta. Deu-lhe um título emblemático: "E tudo era possível".

Nesse tempo, o melhor era  o PCP, como explicava:

~

A ditadura incomodava-o, pá! Não tinha suportado a ditadura, pá e por isso, pá, queria outra ainda pior. Estúpido? Nem tanto, como se verá.

José Jorge era músico e amigo de músicos, incluindo José Afonso, o esquerdista que se aliara ao extremismo revolucionário do PRP e sucedâneos e por isso era ostracizado pelo PCP que não queria "aventureiros". O PCP sempre foi pela legalidade democrática das mais amplas liberdades e adjacências soviéticas.
José Jorge  durante um tempo também  foi assim ( enquanto durou o "e tudo era possível) e por isso não foi esquerdista, nunca. Arrepiava-se-lhe o instinto de oportunidade. Cunhal, sim, mas Moscovo não. E Pequim ou Tirana muito menos.

E já agora o PCP porquê? Ora, ora: "para instaurar em Portugal a justiça social que nunca antes existira".  Exactamente o mesmo motivo que levava uma Maria José Morgado ao MRPP...e possívelmente a mesma motivação psicológica que defino numa palavra: "inveja".  Dos ricos, dos poderosos e dos privilegiados.  Tudo em nome dos pobrezinhos, mesmo os de espírito. Ainda hoje será assim porque estas pessoas nunca mudam a ideia matricial que funciona como o herpes: de vez em quando lá surge à superfície cutânea.


Mas também existia outro motivo mais prosaico como explica adiante: o PCP era o que estava a "dar" e o Zé Jorge sabia muito bem disso...


Portanto o idealismo utópico sobre o PCP desvaneceu-se no tempo curto de meia dúzia de anos, se tanto.
Como explica o Zé Jorge, percebeu tal fenómeno através da experiência real do socialismo à soviética, com visitas ao local para ver e crer.
Havia um escritor americano, Hedrick Smith que em 1976 escreveu um livro muito bem feito ( até foi prémio Pulitzer) sobre Os Russos, onde conta dezenas de episódios semelhantes ao caso do Ferragamo. A Europa-América do maçónico ( clube actual do Zé Jorge) Lyon de Castro até o publicou logo no início de 1978.   Zé Jorge não o leu, tudo o indica,  porque era "reaccionário" e possivelmente fascista e financiado pela CIA. Em suma, o Zé Jorge, coitado, nessa altura ainda não sabia o que a casa dos Russos gastava, mas aprendeu depois, quando o tempo mudou e já "não era tudo possível"...



E então como é que tudo evoluiu do "e era tudo possível" para o mais desejável e corriqueiro do emprego público assegurado?  É simples: com a poesia. Ora aí está:






Como dizia um poeta espanhol conhecido do Zé Jorge " a poesia es un arma cargada de futuro". Olá se é!

O futuro é o Panteão para os sempre fixes!

sexta-feira, julho 20, 2018

O mundo antifascista de Maria José Morgado e a doidice que não passa

O Público de ontem publicou uma entrevista extensa com Maria José Morgado, a actual procuradora-geral distrital de Lisboa, durante muitos anos responsável pelo DIAP de Lisboa e antes magistrada do MºPº , responsável por julgamentos no tribunal da Boa-Hora e ainda ligada a episódios rocambolescos na PJ do tempo de Adelino Salvado, o juiz "de direita" que recebeu o pedido de demissão daquela através de um fax obnóxio mas denotando um estilo, revelador aliás, de uma natureza.

Nesta entrevista MJM fala de tudo um pouco e principalmente das saudades que sente do marido José Luís Saldanha Sanches com quem partilhou  a  vida e a ideologia.

É sobre esta e a notoriedade de MJM que vou comentar a seguir, porque me parece importante perceber a importância que ainda lhe dão e mostrar ao mesmo tempo que há uma obscenidade que lhe subjaz.



Qual é a ideologia-base de MJM? Uma, muito simples: o antifascismo, agora em mutação para a "honestidade".
"Os fascistas eram os maus, a ditadura, a opressão, a guerra colonial. Os outros eram os que queriam libertar o povo e fazer a revolução. Eu queria a revolução. Para mim não havia dúvidas, era um mundo a preto e branco. Seria mais difícil tomar posição se fosse agora. E corria os riscos que fossem necessários para ir para o lado da revolução. Era a minha luta, ia travá-la. Ainda bem que não fizemos a revolução, porque éramos completamente doidos e só faríamos disparates".

Simples de entender, portanto. Eram doidos, só faziam disparates. Mas estavam do lado dos que queriam a revolução contra os "fascistas", em nome de um ideal difuso mas concretizado logo a seguir.

Quem são os fascistas contra quem se rebelavam? Eram os que apoiavam o sistema de regime e governo de Marcello Caetano. Um fascista, portanto.  E todos os chavões do antifascismo ( colonialismo, exploração, desigualdade, ditadura, etc. ) acompanham ainda este discurso intemporal e matricial.
O léxico continua igual e nunca desapareceu e por isso emerge da entrevista, o que denota a ausência de mudança estrutural nessa forma de pensar.

Há alguma arrependimento de MJM, apesar daquela declaração sobre a doidice da época quando MJM já tinha 25 anos de idade e portanto, já tempo suficiente para ter o juízo todo? Não, não há porque o "o fascismo" de Marcello Caetano continua a ser fascismo, hoje em dia para MJM.

E sobre isto estamos conversados porque a doidice continua e não há meio de desaparecer. Uma pessoa que continua a chamar ao regime anterior ao 25 de Abril como "fascista" não merece mais comentários a não ser para lhe mostrar como era o regime que queriam, e por isso lutavam com denodo quixotesco pela ideologia, mesmo doida, em vez do tal fascismo que era o sistema em que a maioria do povo vivia, sem sobressaltos de maior ou queixas de importância grave.

Para isso nada melhor que mostrar aqui, preto no branco como era tal ideologia de "doidos" e como se apresentava publicamente e ainda apresenta, porque os doidos de então continuam vivos e ainda mais radicais, mas cobardes na sua coerência estupidificante. Estou a falar do surreal MRPP, partido de um advogado Garcia Pereira, também muito requisitado nas tv´s ,tal como MJM. Só não aparece o doido-mor,  Arnaldo Matos, sem remissão alguma porque esse continua a viver em 1974-75, mas com o apoio do Estado a um partido que deveria ser proibido segundo a sua própria lógica.

E começo por aqui. Porque razão estas pessoas que acreditaram piamente em teorias e ideias de doidos, continuam a perorar nos media? Porque se arrependeram e desse modo pretendem mostrar aos outros que não devem seguir essa doidice? Não.
Porque são pessoas inteligentes e cujo fulgor intelectual ofusca outros que nunca acreditaram nas doidices e apesar disso nunca são chamados a perorar? Também não evidentemente. Porque são uma espécie de animais em vias de extinção e por isso mesmo  dignos de protecção? Também não mas está mais próximo do que considero ser a verdadeira razão.

Esta gente continua nos media porque quem manda neles são pessoas que ou foram ideologicamente próximos, ou aprenderam com quem foi ou são simpatizantes de doidos, desde sempre.  Não vejo outra razão plausível para termos em prime time televisivo ou em primeiras páginas de jornal as ideias peregrinas de alguém que se afirma ter sido doido durante a juventude e idade adulta, quando poderiam ter sido outra coisa, na medida em que a informação disponível era abundante e clara.  Não quiseram saber de críticas, de factos ou de História sequer. Quiseram apenas seguir a "doidice" que os animava, suspeito que estruturalmente. Ainda por cima com ideias que não desapareceram de todo e se reafirmam quando surge oportunidade.

Em relação a essa doidice ideológica há muito mais a dizer.  E começa logo pela fase que inicia o destaque da entrevista: " parecia possível acabar com a pobreza e a desigualdade. Não é possível".

Pronto! Com 67 anos descobriu que afinal era tudo uma utopia. Pobreza de espírito? Ignorância? Idiossincrasia de doidos? Não sei, mas tudo se mistura numa frase destas.  E tem a sua importância e deveria afastar estas pessoas de cargos de responsabilidade. Este modo de pensar é estrutural e não meramente conjuntural. Perante circunstâncias propícias, tal como os psicopatas, voltariam ao "crime" e à "doidice".  Basta ver como definem o "inimigo" ou seja, o que combatiam antes e continuam a combater interiormente, no espírito que sempre tiveram, porque o espírito nunca muda. As ideias podem mudar mas o que as move nunca se altera, porque é o carácter e a personalidade.  Estas pessoas são perigosas porque sempre o foram e elas próprias devem saber bem disso.

Em 1974 Maria José Morgado e o marido José Luís Saldanha Sanches pertenciam ao MRPP, um movimento de origem estudantil, com pouco ou nada de base operária e camponnesa. Tanto um como outro eram filhos de pequeno-burgueses urbanos que do campo e das fábricas saberiam o que viam nos jornais, se tanto.  O pai de MJM era "um representante da opressão colonial" ( repare-se que isto é uma afirmação de agora, na entrevista) ou seja, um inimigo da classe que depois queriam integrar como detentora do poder popular.
E como se criou essa consciência de classe? " Nas roças de café, havia no fundo trabalho escravo, pessoas que vinham do sul de Angola e que eram exploradas. Eu percebia que havia uma população pobre que era oprimida e isso causava-me infelicidade".  Pronto, não adianta mais fazer o discurso da utopia porque a estrutura mental é essa e sempre foi essa. Não adianta nada. A utopia nasceu ali e enraizou e é essa a base do esquerdismo de sempre e de todas as latitudes.  A luta de classes é a matriz intelectual de MJM e de muitos outros e não há volta a dar a isso.
O MRPP e o esquerismo maoista, a "doidice", essa carece de melhor explicitação porque substituir o "fascismo" de Marcello Caetano por um regime do tipo maoista é mais que doidice. É estupidez e revela a inteligência e o carácter de quem lutou por isso com unhas e dentes de greves de fome. Estupidez, portanto, como a própria deveria reconhecer e assumir, com humildade, coisa que realmente não tem nem a poesia alguma vez lhe dará.

Vamos lá à doidice:

 A revista O Tempo e o Modo foi uma publicação animada por alguns que também lutavam contra o "fascismo", ainda em 1963, mas que  não foram muito mais longe do que a aspersão com água benta intelectual ao que consideravam o mal. Não gostavam de Salazar nem do salazarismo; os pais já não tinham gostado e queriam tirar o poder político a quem o tinha para serem eles a mandar. Em nome de uma ideologia indefinida e que em alguns casos resultou na doidice assumida. Foi isto essencialmente.

Em 1974 os doidos do MRPP tomaram conta desse asilo de intelectuais de café, na avenida de Roma, em Lisboa e outras paragens obscuras e fizeram isto que em Setembro desse ano era claro indício da doidice completa dos que aí escreviam ( Amadeu Lopes Sabino, Jorge de Almeida Fernandes, João Ferreira de Almeida, João Martins Pereira, Nuno Júdice e Luís Lobo, mais Luís Filipe Sabino, Armando de Abreu, Arnaldo Matos, Fernando Pernes, José António Meireles, Luís Miguel Cintra, João César Monteiro)

Em Setembro/Outubro de 1974 o delírio intelectual animava a revista tomada pelas hostes de doidos do MRPP.

Assim:


Quem é que em 1974 poderia desconhecer quem era realmente Estaline? Só um doido. Pois era o herói deles, claro está. E outros ainda, com esta idiossincrasia:






 Estes doidos, com estas ideias, em 1974 sabotaram a economia nacional, conduziram o país à primeira bancarrota e minaram ideologicamente a linguagem corrente, conseguindo efectivamente, até hoje, identificar o regime anterior, de Marcello Caetano, como o Fascismo. Maria José Morgado ainda hoje pensa assim.
Destruíram o tecido produtivo mais importante do país, escorraçaram aqueles que apelidavam de fascistas e exploradores do povo, nas pessoas dos milionários a quem nacionalizaram e confiscaram os bens.

Esta gente que arruinou o país durante décadas e que ainda hoje sofremos as consequências merece alguma consideração mediática de condescendência? Ainda por cima quando se declaram doidos? Quem é doido, afinal, nos dias de hoje é quem lhes dá voz activa e os escolhe para cargos de responsabilidade. No fundo, estruturalmente nunca se modificaram e foram eles que originaram a corrupção de que tanto fala agora MJM. A corrupção do tal "fascismo" não tem comparação com a que surgiu com o esquerdismo vigente, porque o caldo de cultura que a origina é a ausência de princípios morais que o tal "fascismo" tinha e este não tem. "A ética é a lei". Ou dito de outro modo e como muitos do autêntico povo diz: "precisávamos de dez Salazares!"

Estes doidos nem sequer queriam a companhia de outros doidos, como os do PCP que apelidavam de revisionistas, ou seja à sua direita e de quem eram inimigos figadais.



Não obstante publicaram no número seguinte um artigo delicioso da autoria de José Estaline que os caracterizava muito bem mas nem se deram conta do retrato:




Devido à hostilidade que o MRPP mantinha com o regime saído do 25 de Abril, em gestação e dominado pelo PCP e MFA conivente, Maria José Morgado e José Luís Saldanha Sanches foram presos, por motivos políticos ( ou seja, pelos motivos de índole idêntica  pelos quais apelidavam o anterior regime de fascista).

Em Novembro/Dezembro explicavam a luta da camarada Maria José Morgado, então "doida" e que se curou miraculosamente, talvez com a água benta das instituições que se lhe seguiram:


Não obstante os atestados de cura duvido muito que algumas destas razões culturais tenham sido efectivamente ultrapassadas por quem assim se curou miraculosamente:


Duvido por uma razão singela: as ideias que foram antigas e que aqui e acolá ainda brotam à superfície mediática, tal como os amores antigos não morrem facilmente. O objecto pode desaparecer mas fica a nostalgia e a memória de quanto foram boas...

E isso é fatal para a credibilidade seja de quem for. Há um remédio para isto: calem-se por amor de um Deus em quem não acreditam. Tenham ao menos pudor e respeito por quem não partilhou a doidice e lhe sentiu os efeitos perniciosos e continua a sentir.

Sintam-se responsáveis por isso e calem-se, de uma vez para sempre. Não incomodem quem lhes disse que estavam errados então e continuam a estar. Ou seja, não queiram dar lições de democracia ou coisa que o valha a ninguém. Não me chamem fascista ou reaccionário e lavem a boca com sabão sempre que falarem de Salazar do modo como o fazem.

Para entender melhor de onde isto veio e onde foi parar, melhor será ler este recorte tirado daqui ( mas que também terei nos meus arquivos):


O nome Fernando Rosas diz alguma coisa? Deveria dizer porque é outro dos doidos.


quarta-feira, julho 18, 2018

A Imoralidade dos políticos portugueses

Tito é...o PS o põe

Observador:

A Autoridade Nacional de Proteção Civil escolheu a empresa de Vítor Tito — o publicitário que ajudou António Costa na campanha das legislativas — para fazer a campanha nacional de sensibilização para limpeza das matas. Valor: 83.655 euros. O concurso em causa está envolto numa nebulosa que o organismo público se recusa a esclarecer.
Vamos por partes: a lei, no artigo 112.º, n.º 1 do Código dos Contratos Públicos, obriga a que sejam consultadas três entidades. A ANPC garantiu ao Observador que, no cumprimento da lei, foram ouvidas mais duas entidades num regime de consulta prévia e até revelou o nome das empresas convidadas além da BBZ de Tito: a Generator e a Media Gate. Ainda segundo a ANPC, das três entidades, “apenas a BBZ — Publicidade e Marketing, S.A. apresentou proposta dentro do prazo estabelecido para o efeito”.
No entanto, a diretora da Media Gate, Isabel Pinto, garantiu ao Observador que a empresa nunca foi contactada pela ANPC para fazer esta campanha. Questionada pelo Observador para esclarecer esta situação, a ANPC simplesmente não respondeu.
O caderno de encargos exigia que a entidade adjudicada concebesse uma “campanha publicitária, a nível nacional, para limpeza do mato até 15 de março, no âmbito da Prevenção de Incêndios Florestais e maquetização de todos os suportes (spot para televisão e rádio; anúncios para imprensa, multibanco, folhetos, cartazes, email e banner para websites)”. A ANPC optou por dar o prazo mínimo permitido por lei para as entidades apresentarem propostas: 72 horas.
Se a Media Gate diz que nem recebeu o convite, já a Generator, através do sócio Luís Rosendo, explica ao Observador que recebeu o convite no dia 2 de fevereiro de 2018, mas optou por não apresentar a proposta uma vez que a empresa não tinha “capacidade para dar uma resposta capaz na fase de execução da proposta, caso o trabalho nos viesse a ser adjudicado”. Vítor Tito, diretor-geral da BBZ, também recebeu o convite a 2 de fevereiro e garante que apresentou a sua proposta até 5 fevereiro. O contrato acabou por ser assinado a 9 de fevereiro, pelo então presidente da ANPC, Carlos Mourato Nunes.
Nem disfarçam.
Vamos lá a ver se o DIAP de Lisboa actua...

Mais notícias da Parvolândia

Sol-Sapo:


Vinte e três “viaturas familiares” topo de gama são entregues , para uso próprio, a um grupo de altos quadros da Parvalorem – empresa pública que gere os ativos tóxicos do BPN –, denuncia o Público. Para além dos carros, a empresa é também responsável pelo pagamento do combustível (até 300 euros por mês), do seguro, da manutenção, dos parques de estacionamento e das portagens, denuncia a auditoria da Inspeção Geral das Finanças (IGF).

No relatório, citado pelo Público, pode ler-se que “a atribuição de viaturas a dirigentes e alguns outros trabalhadores, resultantes do Acordo de Trabalho celebrado com o BPN antes da nacionalização, e que se consubstancia na utilização para uso próprio sem qualquer restrição de 23 viaturas de topo de gama”. Em causa estão “viaturas premium da marca Mercedes, BMW, Audi e VW”.

Para a IGF, a utilização destes veículos constitui “um complemento remuneratório” que está apenas reduzido a um grupo restrito de quadros de topo da empresa. No entanto a auditoria conclui que “uma significativa percentagem” dos trabalhadores recebe “remunerações elevadas, quer quando comparadas com o setor das Administrações Públicas quer com o privado”.
Alguns dos altos cargos chegam mesmo a receber por mês mais do que o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa ou do que o primeiro-ministro, António Costa.
Único comentário que se me oferece, um poemeto de Alexandre O´Neill:


 “País engravatado todo o ano / e a assoar-se na gravata por engano”; “O incrível país da minha tia, / trémulo de bondade e de aletria“; “País do eufemismo, à morte dia a dia / pergunta mesureiro: — Como vai a vida?“ .

terça-feira, julho 17, 2018

A imoralidade mora no Estado que temos: o caso BPN e o caso Face Oculta.

 No Público de hoje estes dois artigos revelam um Portugal pegajoso e carente de limpeza.

O primeiro revela uma imoralidade consentida pela lei. O antigo BPN foi absorvido nos interstícios do Estado que somos todos nós e os mentores da operação, no tempo do primeiro-ministro José Sócrates e do presidente da República Aníbal Cavaco Silva, através da Lei 62-A/2008 de 11 de Novembro consideraram, contra o parecer de outros ( Miguel Cadilhe, por exemplo) que era esse o caminho a seguir. Na justificação da nacionalização avulta a consideração acerca da "estabilidade do sistema financeiro"...e a gestão corrente dessa nacionalização ficou a cargo da CGD, então presidida pela excelência dos seus gestores que ganhavam mais de 300 mil euros por ano ( o que era pouco para uma luminária chamado Pinho, Manuel que hoje vai sentir o que é calçar dois números abaixo, nos tamancos). Na época o principal era um tal Faria de Oliveira, um engenheiro mecânico professor no ISEF e político de governos de Cavaco Silva. Uma sumidade que geriu empresas públicas e se tornou capaz de gerir a banca por causa disso.

Em 2010 os mesmíssimos protagonistas entenderam inventar uma maneira de gerir melhor a coisa porque a CGD do tal Faria de Oiveira, em breve substituído por outros de perfil idêntico, não dava conta do recado, mas ganhava para isso. Só para dar uma ideia da competência do tal Faria de Oliveira, basta ler isto.  E nada sucedeu ao indivíduo porque é uma sumidade incontestada no meio público que todos pagam com os seus impostos.
O meio inventado foi uma geringonça crismada Parvalorem, através de leis e regulamentos . Um golpe de génio que não deve ter sido ideia do tal Faria.

A ta Parvalorem destinava-se a fazer dos outros parvos, como se alcança imediatamente pelos objectivos escritos num pretoguês de tasca financeira.

A PARVALOREM, S.A. tem por missão garantir a resolução do legado de créditos e de outros ativos, tendo como objetivo a maximização do encaixe financeiro e consequentemente, a limitação de potenciais perdas, através de uma equipa profissional, coesa e comprometida com a obtenção e superação dos resultados esperados.

E até apresentou um quadro giro com palavras caras e parolas, bem reveladoras do estilo de "gestão":

"Resiliência", "enfoque", "implementação", "soluções", tudo saído do manual do gestor sem mestre.



A tal "Pequena equipa" era de uma sociedade anónima que isto de fazer leis através de escritórios de advogados tem o seu quê de sofisticação...e entre 2011 e 2014 o Tribunal de Contas fez-lhe um retrato:

O Tribunal de Contas, que salienta que estes números ainda são provisórios e que podem ser corrigidos aquando da publicação do parecer sobre a Conta Geral do Estado do ano passado, adianta que, no ano passado, o Estado arrecadou 222,2 milhões de euros com o BPN, dos quais 127,2 milhões dizem respeito à venda de ativos financeiros.

Do lado da despesa, o Estado gastou 707,2 milhões de euros, dos quais 650,6 com a Parvalorem e Parups (na grande maioria com os passivos financeiros destas sociedades veículo).


Em 2015 a genialidade da Parvalorem já tinha problemas graves...

E agora, isto: os seus gestores, da tal "pequena equipa" ganham como se fossem gerentes da SONAE ou do Amorim ou até do Jerónimo Martins. ~

São gestores públicos, o Estado é que lhes paga, fazem o trabalho que se tem visto e a vergonha é coisa que não se conhece por aqueles lados. Ética é receita que não dá de comer, lá dizia a da casa dos segredos. E pagar viagens, casas, carros, estudos a filhos e netos, etc etc dá muita despesa. Ó se dá!


Outra imoralidade do Estado que está justificadíssima pelas leis processuais. Há décadas que se sabe o que aliás é óbvio mas os advogados que fazem leis também conhecem de gingeira: quem pode adiar o cumprimento de uma pena de prisão só não o faz se for tolo de todo. E os Varas e sucateiros de todo o tipo e feitio não são tolos. São apenas corruptos sem trânsito em julgado.




Mais do mesmo no Observador: chicana processual.

As “razões processuais” invocadas pelo advogado Ricardo Sá Fernandes para explicar a não realização do interrogatório de Manuel Pinho no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), afinal, prendem-se com uma diligência do próprio ex-ministro da Economia: Manuel Pinho apresentou um incidente de recusa contra os procuradores Carlos Casimiro e Hugo Neto, titulares dos autos do caso EDP.
Pinho alega duas razões essenciais para fundamentar o incidente de recusa:


  • os procuradores notificaramo-no para prestar declarações como “arguido”, como o Observador já tinha noticiado, quando o ex-ministro da Economia não tem esse estatuto processual depois de o juiz Ivo Rosa ter declarado nula a constituição de arguido de 3 de julho;
  • Pinho alega ainda que o Ministério Público (MP) forçou a notificação para o interrogatório desta manhã quando já sabia que estava marcada uma audição no Parlamento desde há semanas e quando o seu advogado, Ricardo Sá Fernandes, tinha proposto o dia 18 ou 19 de julho. O ex-ministro invoca regras de urbanidade e de respeito entre órgão de soberania que deviam levar os procuradores a respeitar o Parlamento.
Ricardo Sá Fernandes é o advogado. Vamos assistir a mais manobras destas, sem dúvida. Bastou a habilidade do JIC Ivo Rosa para dar pretexto à pirueta do advogado. Foi arguido. Deixou de ser, por enquanto. O MºPº notificou-o para interrogatório como arguido o que é perfeita e completamente legal. Não obstante, deduziu logo o incidente que apenas tem um efeito: adiar a diligência. 

Lembro-me da farsa que foi o assunto das declarações para memória futura das vítimas no caso Casa Pia. Fizeram tudo, os advogados ( Ricardo Sá Fernandes era um deles) , para evitar tal coisa...

ADITAMENTO:

O mesmíssimo advogado foi à SIC-N às 22:45 falar sobre o caso concreto. Ética? Deontologia? Que é isso? Dá de comer?!
Ainda por cima fala abertamente sobre o seu entendimento peregrino acerca do assunto. Assim, acha que enquanto não for decidida a questão do recurso interposto pelo MºPº da decisão do JIC Ivo Rosa, o seu cliente não pode ser constituído arguido...
Imaginemos o seguinte: o MºPº não tinha recorrido da decisão do JIC. O que sucedia? O que sucedeu hoje: seria constituído arguido novamente. 
Como o advogado acha que a decisão do JIC é prejudicial acha também que se deve esperar pela decisão da Relação. Imaginemos que essa decisão dá razão ao cliente do advogado. Então como vai ser a seguir? O cliente nunca mais poderá ser constituído arguido por causa disso?

Enfim...manobras. chicana deste advogado useiro e vezeiro nestas andanças. Ainda por cima vem para a tv falar do caso concreto quando o seu estatuto lho proíbe.
O que vai fazer a Ordem dos Advogados quanto a esta infracção? Nada, aposto.

segunda-feira, julho 16, 2018

O verdadeiro fascismo nunca foi salazarista

Ontem, uma fotografia no Correio da Manhã, mostrava o general Coca-Cola, Humberto Delgado ( assim apelidado por ter virado a casaca salazarista depois de ter estado uma temporada nos EUA) , na altura da sua campanha eleitoral à presidência da República em 10 Maio de 1958, rodeado por alguns apoiantes.


Conforme a legenda da foto, os nomes corrrespondem a uma geringonça avant la lettre. Este general um pouco tonto e em quem o PCP não confiava tornou-se logo nos primeiros dias a seguir ao 25 de Abril um herói democrático devido à eventualidade de ter sido assassinado pela PIDE. A Censura acerca dos factos do seu assassínio espicaçaram a curiosidade jornalística logo nessa altura, como mostram estes dois recortes da Flama de 17.5.1974 e do Século Ilustrado de 18.5.1974:


O Expresso da mesma data também não podia faltar ao assunto do momento, como mostram estes recortes da edição de 18.5.1974:


Apesar destes artigos e da intensa contra-informação que então surgiu para transformar um antigo salazarista convertido às delícias da coca-cola em democrata convicto e até anti-fascista de sempre, a verdade continua por apurar, como se escreveu aqui, por ter sido dito por uma antigo ministro de Marcello Caetano, caído na maçonaria.

Quanto ao anti-fascismo de Humberto Delgado, o saco de gatos que aquela foto mostra, inclui Rolão Preto, o indivíduo que mais perto esteve do verdadeiro fascismo, entre nós, criando um movimento de camisas-azuis inspirado nos italianos de Mussolini e que apesar de temperado com a cruz de Cristo,  Salazar repudiou imediatamente como símbolo do regime.

Tal é contado pela historiadora arregimentada no actual sistema, Irene Flunser Pimentel, no livro "os inimigos de Salazar".


Tal como a mesma refere, Salazar afastou os fascistas do regime e outros reviralhistas e ficou apenas com um inimigo à vista: o comunismo. E que inimigo!

Vasco Pulido Valente, há uns anos no Público mostrava como era uma idiotice chamar fascista ao regime de Salazar:



"O fascismo de que ela ( S. José de Almeida, do Público)fala não passa de invenção estalinista".

Aliás, sobre a natureza do regime, um certo Francisco Sá Carneiro, em 6.11. 1970 e 20.11.1970 escreveu artigos no Diário Popular acerca do regime constitucional que então existia e a sua história.



Quem ler o primeiro artigo fica a perceber qual era a natureza real do regime de Salazar e quem ler o segundo fica a perceber que em 1937 havia em funcionamento uma comissão especial na Assembleia Nacional para estudar a revisão constitucional.
Uma das alterações propostas por um deputado, em forma de projecto, fora a alteração do artº 8º nº 11 da Constituição de 1933 no sentido de ser restabelecida a pena de morte e prisão perpétua relativamente a crimes contra a segurança do Estado.
Tal proposta não foi aprovada mas foi apresentada na sequência do atentado a Salazar praticado por forças anarquistas e cripto-comunistas em 4.7. 1937...
Se fosse na então União Soviética, pátria que os celerados adoravam como modelo, o que lhes teria acontecido com Estaline no poder?

Enfim...em 25 de Abril de 1970 Marcello Caetano definia mais uma vez, em "conversa em família", na tv, as linhas do regime, tal como mostrado no Século Ilustrado.
O que dizia sobre o Ultramar era claríssimo e apenas uma profecia com prognóstico assegurado que só os "progressistas" de 1974 não perceberam:



sábado, julho 14, 2018

Hell´s Angels: margem de certa maneira

O grupo de motards Hell´s Angels, com origem no pós-guerra nos Estados Unidos, tem uma espécie de filial no nosso país e foi agora alvo de atenção judiciária por factos que a seu tempo serão conhecidos.

O grupo ficou a ser tristemente conhecido vai fazer 50 anos, aquando de um concerto dos Rolling Stones em Altamont, na California, em finais de 1969, durante o qual morreu um jovem e ficaram feridos vários indivíduos, incluindo músicos, devido ao descontrolo e violência do gang que tinha sido convidado para uma espécie de segurança no concerto. Na internet há vários artigos sobre o assunto e até filmes.
A revista Rolling Stone, no número de 21 de Janeiro de 1970 relatou o que se passou, em 14 páginas. Ficam algumas:








Um dos primeiros indivíduos a detectar o comportamento belicoso do gang foi o jornalista Hunter Thomson, logo em 1964, tendo escrito um artigo no jornal The Nation, sobre o assunto e que depois foi desenvolvido em livro sobre os Hell´s Angels. A reportagem é do estilo novo jornalismo e na altura Thomson explicou em entrevistas, mesmo na tv, o que se passou e as vicissitudes da visita durante um ano à comunidade, tempo em que recolheu elementos para a escrita.

Numa entrevista publicada num livro recente- Hunter Thomson- The last interview and other conversations, de 2018- o autor, falecido em 2005, explicava  em 1967  o que eram os Hell´s Angels, dessa época...e a ideia básica era de que se tratava de um grupo ainda relativamente pequeno de indivíduos desajustados e marginais à sociedade organizada que optaram pela violência como meio de afirmação de uma identidade própria. Sendo indivíduos encurralados na sociedade, comportavam-se em conformidade. E profetizava então que dentro de dez anos, ou seja por alturas do nosso 25 de Abril de 1974 seriam dez vezes mais.
Em Portugal, até agora não houve nada de parecido. Se tivermos em conta a filosofia inerente aos desajustados da sociedade, o mais próximo que tivemos disto foram os activistas-terroristas da extrema-esquerda dos anos setenta. As FP´s e tutti quanti herdaram os genes do marxismo-leninismo  misturado com um certo anarquismo com propensão revolucionária. Não eram muito diferentes na mentalidade...mas como só se preocuparam em colocar bombas e assassinar pessoas avulsas, tiveram uma reacção do Estado e acabaram como FP25, com o desiderato de acabar com o Estado de Direito, transformando-o num Estado Popular, com eles a mandarem. Eram eles, nessa altura a "margem, de certa maneira".

Estes, agora, estou para ver em que acreditam...e para já há quem garanta que foi este tipo de pessoas que elegeu...Trump.  Ou seja, os novos famélicos da terra, os deixados por conta.




Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso