Os festeiros principais estavam eufóricos e com razão...o semblante não engana.
sábado, abril 25, 2020
O rei do populismo!
Observador:
O que irá inventar amanhã? Qualquer coisa serve...desde que lhe traga a dose diária de afecto. Droga dura, esta...
O que irá inventar amanhã? Qualquer coisa serve...desde que lhe traga a dose diária de afecto. Droga dura, esta...
A encravação...
Uma singela homenagem ao dia que passa e aos craveiros à solta: um olho no cravo do sistema e outro no tacho bendito.
Mata-Bicho 67: Pedro Ferraz da Costa, mais uma vez
Já o escrevi há muito tempo: Pedro Ferraz da Costa parece-me ser um dos poucos indivíduos lúcidos em Portugal no que se refere à economia e modelo de desenvolvimento nacional. E mostra outra vez tal coisa numa entrevista ao Sol de hoje.
Fala uma linguagem que toda a gente entende e reporta-nos a um tempo em que era assim. Não carece de economês para se exprimir e dizer o seguinte que parece básico e toda a gente compreende:
"Nos finais dos anos 70, tínhamos dois possíveis modelos pela frente. Um era o da Florida para as férias e turismo da terceira idade, outro era o da Califórnia, nomeadamente a zona de S. Francisco, com inovação, novos sectores, uma aproximação mais moderna ao futuro. Fomos para o lado da Florida, sempre achei que deveríamos ter ido para o lado da California".
Em modo simplista define assim o que nos aconteceu e assaca culpas graves a Guterres e a Cavaco.
Embora pareça assim mesmo, simplista, talvez valha a pena elaborar um pouco mais nos exemplos e no modo como escolhemos colectivamente o modo de vida que temos.
É essa uma das razões deste blog: tentar entender o que se passou e ao longo dos anos os postais que se arquivaram estão aí, à mostra.
A entrevista ao Sol:
Fala uma linguagem que toda a gente entende e reporta-nos a um tempo em que era assim. Não carece de economês para se exprimir e dizer o seguinte que parece básico e toda a gente compreende:
"Nos finais dos anos 70, tínhamos dois possíveis modelos pela frente. Um era o da Florida para as férias e turismo da terceira idade, outro era o da Califórnia, nomeadamente a zona de S. Francisco, com inovação, novos sectores, uma aproximação mais moderna ao futuro. Fomos para o lado da Florida, sempre achei que deveríamos ter ido para o lado da California".
Em modo simplista define assim o que nos aconteceu e assaca culpas graves a Guterres e a Cavaco.
Embora pareça assim mesmo, simplista, talvez valha a pena elaborar um pouco mais nos exemplos e no modo como escolhemos colectivamente o modo de vida que temos.
É essa uma das razões deste blog: tentar entender o que se passou e ao longo dos anos os postais que se arquivaram estão aí, à mostra.
A entrevista ao Sol:
Mata-Bicho 66: a origem do bichos segundo o professor Buonaventura, emérito do CES
Sapo24, artiguelho consagrado ao emérito cientista social, professor ilustrérrimo e oriundo da universidade de Barcouço em que este génio do torrão em modo benevolente e prè-esclarecido explica a neófitos a origem de todos os bichos maus: a sociedade capitalista neo-liberal.
O ilustrérrimo professor emérito, a quem falta um funil na tola, desconhece os morcegos e pangolins e só dá conta do capitalismo como origem de todos os males do mundo em forma de bicho corona. Se o seguirem promete mil venezuelas por todo o lado! Sem funil...
O ilustrérrimo professor emérito, a quem falta um funil na tola, desconhece os morcegos e pangolins e só dá conta do capitalismo como origem de todos os males do mundo em forma de bicho corona. Se o seguirem promete mil venezuelas por todo o lado! Sem funil...
Mata-Bicho 65: os heróis do Público são estes...
O Público de hoje rejubila com a data e comemora com esta epifania da ideologia fóssil recuperada:
Fernando Rosas conta a sua odisseia revolucionária de fundador do MRPP: duas prisões, três sessões de tortura, de "sono e estátua" , "oito dias e oito noites" e condenações judiciais perante a legalidade vigente em pena de prisão de...14 meses. Resistiu à privação do sono e não contou aos algozes, da PIDE/DGE que era um fundador do MRPP. Mas era.
E que queria o MRPP de então? Subverter a sociedade portuguesa, impôr um regime comunista, revolucionário e imitar o regime chinês.
Se tivesse tido sucesso, o que faria este palerma aos opositores, como ele então era ao regime vigente? Submetê-los-ia a "tortura do sono e estátua"? Julgá-los-ia e condenaria a 14 meses de prisão?
A resposta é ociosa o que demonstra cabal e definitivamente a palermice deste indivíduo sem vergonha.
Outro herói, o nosso estimado antifassista por antonomásia:
O discurso deste fóssil do comunismo estalinista é redundante, sempre. Até no "confinamento" inventa a luta de classes.
O que este fóssil queria para Portugal era um regime sem "classes". Tal como em Cuba ou Coreia do Norte. Será preciso dizer mais alguma coisa ou o Público acaba por explicar tudo sem o dizer?
Finalmente a epifania:
O Público é o novo Avante deste esquerdismo fóssil. É subsidiado integralmente pela SONAE que é o exemplo mais claro da contradição. Se não fosse tal subsídio acabava.
Está definido há muito mas nunca é demais lembrar.
No Sol aparece este que o Público já nem sequer menciona. Deixou de ser herói quando há uns anos disse uma coisa qualquer contra o regime e sistema que temos.
Nesta pequena entrevista mostra como era inteligente naquele tempo. É considerado o "estratega" do golpe militar e fica tudo dito, com isso.
O gajo queria o povo a mandar. Como? Nem ele sabe muito bem. Só a mandar. Sem partidos, sem organizações, democracia directa. Enfim.
Fernando Rosas conta a sua odisseia revolucionária de fundador do MRPP: duas prisões, três sessões de tortura, de "sono e estátua" , "oito dias e oito noites" e condenações judiciais perante a legalidade vigente em pena de prisão de...14 meses. Resistiu à privação do sono e não contou aos algozes, da PIDE/DGE que era um fundador do MRPP. Mas era.
E que queria o MRPP de então? Subverter a sociedade portuguesa, impôr um regime comunista, revolucionário e imitar o regime chinês.
Se tivesse tido sucesso, o que faria este palerma aos opositores, como ele então era ao regime vigente? Submetê-los-ia a "tortura do sono e estátua"? Julgá-los-ia e condenaria a 14 meses de prisão?
A resposta é ociosa o que demonstra cabal e definitivamente a palermice deste indivíduo sem vergonha.
Outro herói, o nosso estimado antifassista por antonomásia:
O discurso deste fóssil do comunismo estalinista é redundante, sempre. Até no "confinamento" inventa a luta de classes.
O que este fóssil queria para Portugal era um regime sem "classes". Tal como em Cuba ou Coreia do Norte. Será preciso dizer mais alguma coisa ou o Público acaba por explicar tudo sem o dizer?
Finalmente a epifania:
O Público é o novo Avante deste esquerdismo fóssil. É subsidiado integralmente pela SONAE que é o exemplo mais claro da contradição. Se não fosse tal subsídio acabava.
Está definido há muito mas nunca é demais lembrar.
No Sol aparece este que o Público já nem sequer menciona. Deixou de ser herói quando há uns anos disse uma coisa qualquer contra o regime e sistema que temos.
Nesta pequena entrevista mostra como era inteligente naquele tempo. É considerado o "estratega" do golpe militar e fica tudo dito, com isso.
O gajo queria o povo a mandar. Como? Nem ele sabe muito bem. Só a mandar. Sem partidos, sem organizações, democracia directa. Enfim.
sexta-feira, abril 24, 2020
Mata-Bicho 64: a descoberta macabra e o abuso de poder na PJ
Ontem foi notícia a apreensão, pela PJ do Porto, de um acervo de papéis relativo a documentos que pertenceram supostamente "à PIDE".
"Ficheiros secretos", titula hoje o Correio da Manhã no habitual rigor da jornalista "pente-fino".
Os papéis, segundo a notícia, seriam um "arquivo de ficheiros da PIDE" e foram colocados à venda na internet, pela detentora que pedia 2 mil euros pelo lote que se vê na imagem.
"A PJ do Porto foi de imediato para o terreno", assegura o rigor e precisão da "pente-fino", o que não é verdade mas veremos a seguir porquê.
A descrição do "material" é deliciosa: "cerca de 700 negativos de clichés fotográficos, aparentemente de fichas biográficas de indivíduos identificados por aquela polícia política, classificados pelo nome e respectiva alcunha".
Poderia ter sido o infausto Domingos Abrantes a dizê-lo com aqueles dentinhos raros que soletram "fassismo" em todas as reentrâncias.
Além disso, "ao abrigo da lei 4/91 de 17 de Janeiro, aquele acervo documental da PIDE pertence ao Estado". Veremos...
O Público de hoje também dá uma página ao assunto e ainda é mais fóssil que aquela. Nem sequer alusão à lei se refere e todo o artigo é uma ressumação de aleivosias ideologicamente marcadas. Inacreditável como estes recalcamentos ideológicos permanecem passadas que são décadas e décadas sobre os factos. Quase 50 anos depois, voltam os reflexos da "clandestinidade" destes herdeiros dos desejosos do comunismo de antanho, com Álvaro Cunhal no lugar de Salazar. Inacreditável.
Este artigo descreve o historial da descoberta macabra, aliás garbosamente anunciada pelo próprio director regional da PJ do Porto que deve andar muito enganado com estas coisas. Sinceramente não entendo estes procedimentos e estes costumes.
Segundo se conta e a jornalista "pente-fino" não soube ou não quis relatar, o "acervo" era constituído por "um caderno que é uma espécie de processo policial", seja lá isso o que for mas documento oficial é que não será, sendo por isso idêntico a correspondência pessoal, diarística ou do género e que já foi vasculhado por estas autoridades policiais, sem qualquer mandado de juiz, eventualmente. Alguém de direito dirá o que tem a dizer, mas por mim fica já a dúvida do eventual abuso.
Depois havia os tais 700 envelopes que já não se sabe se corresponderão aos "700 negativos de clichés fotográficos", como escreveu a jornalista do "pente-fino".
Este material, segundo a entidade policial que deu a informação com honra e destaque de conferência de imprensa, não se sabe bem porquê, seria "da fase final da ditadura, os mais antigos de meados dos anos sessenta e os mais recentes do início da década de 70", ou seja, quando a PIDE já era DGS. Mas continua a ser a PIDE, para todos os efeitos de rigor histórico. O discurso comunista é que vale e o que vem de trás toca-se para a frente.
Depois aparece a história concreta da descoberta macabra: a PJ não foi imediatamente para o terreno simplesmente porque foi alertada por uma entidade oficial, no caso o director da DGLAB, Silvestre Lacerda, um arquivista colocado no lugar em 2015 e que de leis deve perceber o que lhe dizem.
Este arquivista deu o alerta: aqui d´el rei que nos roubaram material que era nosso! E está na internet prestes a ser vendido por bom dinheiro!
O material estava publicamente à venda desde 15 de Abril, segundo escreve a "pente-fino" logo a abrir e assim começa o seu relato do feito. "Colocou o anúncio na internet no dia 15 de Abril". Confere: o "quem" está identificado, pela terceira pessoa do verbo colocar...
E a PJ, então sim, pressurosa, actuou porque é assim a PJ: a pedidos destes não se recusa nada. E o que fez? Busca e apreensão. Do material. Provavelmente com despacho judicial, mas fica a dúvida porque as notícias não referem. O despacho, se existir, não abrange a violação de correspondência? Veremos, se for possível.
Seja como for, vamos ao crime hediondo revelado nesta descoberta macabra:
Aparentemente será um simples crime de furto ou receptação. A PJ deve investigar crimes desta natureza? Não, claro que não. Mas não seria a mesma coisa, porque conferências de imprensa dos maginas pequeninos não davam nas vistas. Então...bora lá!
E será mesmo um crime de furto ou receptação? A jornalista do "pente-fino" avisada por alguém ( Rui Pereira?) tem dúvidas: ""não está apurada qualquer relação do dono do apartamento com a polícia política (!!!!, os pontos são meus...) e, a ter havido um crime de furto qualificado ( ahahaah!, meu também), o mesmo já prescreveu. Também pode estar em causa o crime de receptação, mas aí teria de se demonstrar que a mulher teria comprado os documentos para os revender, que para já não está determinado."
Sinceramente e escrevendo a sério: não sei o que passou pela cabeça certamente honrada de toda esta gente, particularmente o director da PJ, pessoa que estimo. Mas sei que isto me cheira a grande abuso e motivado pelo sentido de impunidade que estas coisas assumem sempre que se trata de assunto relacionado com a PIDE ou o fassismo.
É inacreditável como isto acontece e ninguém se interroga acerca destes procedimentos, destes dislates no poder oficial e nos abusos inerentes. O jornalismo caseiro muito menos, claro porque está condicionado pelos pavlovs que andam à solta e ninguém os açaima.
E porquê? Vejamos a tal lei que existe desde 1991 do tempo do governo de Cavaco Silva. É aquela que se cita para legitimar a apreensão de documentos até agora particulares e que mesmo sendo pertença eventual do Estado seria sempre do Estado fassista...tal como milhares e milhares de outros que foram apropriados, destruídos, desviados e esquecidos em bibliotecas e arquivos, alguns deles particulares. Consta até que milhares e milhares foram desviados in illo tempore pelo PCP para Moscovo ou algures e ainda lá estão, sem ninguém se mostrar interessado em investigar o furto, esse sim, mas já prescrito, inclusivé no interesse nas autoridades deste país. O PCP é um partido democrático, não era? Enfim.
A lei é curta e refere-se à extinção de um serviço que existia para "extinguir" a PIDE/DGS
Lei n.º 4/91 de 17 de Janeiro
Extinção do Serviço da Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP
A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 164.º, alínea d), e 169.º, n.º 3, da Constituição, o seguinte:
Artigo 1.º É extinto o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP.
Art. 2.º - 1 - Os arquivos das extintas PIDE/DGS e LP são integrados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, cabendo a esta entidade tomar as medidas necessárias à sua transferência, conservação, ordenação, inventariação e descrição.
2 - Todos os núcleos documentais que, pela sua natureza, integrem os arquivos referidos no número anterior e se encontrem dispersos ao cuidado de outras entidades devem ser remetidos ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo no prazo de 90 dias a contar da entrada em vigor da presente lei.
3 - As entidades detentoras das peças documentais referidas no número anterior são constituídas em seus fiéis depositários até à concretização da sua devolução.
Art. 3.º - 1 - A consulta pública dos arquivos das extintas PIDE/DGS e LP só poderá realizar-se a partir de 25 de Abril de 1994.
2 - O disposto no número anterior não prejudica as disposições constitucionais e gerais de direito respeitantes à protecção do direito ao bom nome e privacidade pessoal e familiar dos cidadãos.
3 - Antes de decorrido o prazo referido no n.º 1, poderá, por deliberação do Presidente e Vice-Presidentes da Assembleia da República, ser autorizada, após parecer do director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, a título excepcional, a consulta dos arquivos, mediante requerimento do interessado, em que demonstre interesse pessoal, directo e legítimo na consulta.
Art. 4.º - 1 - O pessoal militar e civil que se encontra em comissão de serviço, diligência ou destacamento regressa, com a entrada em vigor do presente diploma, aos seus lugares de origem.
2 - O pessoal contratado em regime de prestação eventual de serviço há mais de três anos é integrado no quadro de efectivos interdepartamentais da Direcção-Geral da Administração Pública, mesmo que preste serviço, em regime de requisição, noutros organismos da Administração Pública e não possa ser integrado nos respectivos quadros de pessoal no prazo de 90 dias.
3 - Os contratos celebrados com aposentados ou quaisquer outros contratos de pessoal caducarão nos termos nele previstos ou, no caso de lhes não ter sido fixado prazo, 60 dias após a publicação da presente lei.
4 - Ao pessoal aposentado referido no número anterior será, com base no tempo de serviço prestado no Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP, devidamente comprovado documentalmente, concedida, se requerida, a revisão para efeitos de actualização da respectiva pensão de aposentação.
Art. 5.º As verbas inscritas no orçamento da Assembleia da República destinadas ao Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP são transferidas para o orçamento da Direcção-Geral da Administração Pública.
Art. 6.º O património do Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP, incluindo direitos e posições contratuais, transitará para o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, incluindo os bens cedidos por outros organismos a título precário, cuja situação será a todo o tempo objecto de reexame pelas entidades interessadas e competentes.
Art. 7.º À investigação dos crimes previstos e punidos pela Lei n.º 8/75, de 25 de Julho, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 16/75, de 23 de Dezembro, e pela Lei n.º 18/75, de 26 de Dezembro, aplicam-se as normas reguladoras do processo penal.
Art. 8.º O presente diploma entra em vigor 30 dias após a data da sua publicação.
Aprovada em 20 de Dezembro de 1990.
O Presidente da Assembleia da República, Vítor Pereira Crespo. Promulgada em 31 de Dezembro de 1990.Publique-se.
O Presidente da República, MÁRIO SOARES.Referendada em 5 de Janeiro de 1991.O Primeiro-Ministro, Aníbal António Cavaco Silva.
Qual o segmento da lei que legitima esta apreensão de documentos particulares que estavam à venda na internet? Este:
ADITAMENTO em 25.4.2020:
Nos jornais de hoje- Expresso, Sol, Público e Correio da Manhã- nem uma notícia, nem uma linha sobre o assunto, para além disto que vem no SOL:
Está tudo controlado...
"Ficheiros secretos", titula hoje o Correio da Manhã no habitual rigor da jornalista "pente-fino".
Os papéis, segundo a notícia, seriam um "arquivo de ficheiros da PIDE" e foram colocados à venda na internet, pela detentora que pedia 2 mil euros pelo lote que se vê na imagem.
"A PJ do Porto foi de imediato para o terreno", assegura o rigor e precisão da "pente-fino", o que não é verdade mas veremos a seguir porquê.
A descrição do "material" é deliciosa: "cerca de 700 negativos de clichés fotográficos, aparentemente de fichas biográficas de indivíduos identificados por aquela polícia política, classificados pelo nome e respectiva alcunha".
Poderia ter sido o infausto Domingos Abrantes a dizê-lo com aqueles dentinhos raros que soletram "fassismo" em todas as reentrâncias.
Além disso, "ao abrigo da lei 4/91 de 17 de Janeiro, aquele acervo documental da PIDE pertence ao Estado". Veremos...
O Público de hoje também dá uma página ao assunto e ainda é mais fóssil que aquela. Nem sequer alusão à lei se refere e todo o artigo é uma ressumação de aleivosias ideologicamente marcadas. Inacreditável como estes recalcamentos ideológicos permanecem passadas que são décadas e décadas sobre os factos. Quase 50 anos depois, voltam os reflexos da "clandestinidade" destes herdeiros dos desejosos do comunismo de antanho, com Álvaro Cunhal no lugar de Salazar. Inacreditável.
Este artigo descreve o historial da descoberta macabra, aliás garbosamente anunciada pelo próprio director regional da PJ do Porto que deve andar muito enganado com estas coisas. Sinceramente não entendo estes procedimentos e estes costumes.
Segundo se conta e a jornalista "pente-fino" não soube ou não quis relatar, o "acervo" era constituído por "um caderno que é uma espécie de processo policial", seja lá isso o que for mas documento oficial é que não será, sendo por isso idêntico a correspondência pessoal, diarística ou do género e que já foi vasculhado por estas autoridades policiais, sem qualquer mandado de juiz, eventualmente. Alguém de direito dirá o que tem a dizer, mas por mim fica já a dúvida do eventual abuso.
Depois havia os tais 700 envelopes que já não se sabe se corresponderão aos "700 negativos de clichés fotográficos", como escreveu a jornalista do "pente-fino".
Este material, segundo a entidade policial que deu a informação com honra e destaque de conferência de imprensa, não se sabe bem porquê, seria "da fase final da ditadura, os mais antigos de meados dos anos sessenta e os mais recentes do início da década de 70", ou seja, quando a PIDE já era DGS. Mas continua a ser a PIDE, para todos os efeitos de rigor histórico. O discurso comunista é que vale e o que vem de trás toca-se para a frente.
Depois aparece a história concreta da descoberta macabra: a PJ não foi imediatamente para o terreno simplesmente porque foi alertada por uma entidade oficial, no caso o director da DGLAB, Silvestre Lacerda, um arquivista colocado no lugar em 2015 e que de leis deve perceber o que lhe dizem.
Este arquivista deu o alerta: aqui d´el rei que nos roubaram material que era nosso! E está na internet prestes a ser vendido por bom dinheiro!
O material estava publicamente à venda desde 15 de Abril, segundo escreve a "pente-fino" logo a abrir e assim começa o seu relato do feito. "Colocou o anúncio na internet no dia 15 de Abril". Confere: o "quem" está identificado, pela terceira pessoa do verbo colocar...
E a PJ, então sim, pressurosa, actuou porque é assim a PJ: a pedidos destes não se recusa nada. E o que fez? Busca e apreensão. Do material. Provavelmente com despacho judicial, mas fica a dúvida porque as notícias não referem. O despacho, se existir, não abrange a violação de correspondência? Veremos, se for possível.
Seja como for, vamos ao crime hediondo revelado nesta descoberta macabra:
Aparentemente será um simples crime de furto ou receptação. A PJ deve investigar crimes desta natureza? Não, claro que não. Mas não seria a mesma coisa, porque conferências de imprensa dos maginas pequeninos não davam nas vistas. Então...bora lá!
E será mesmo um crime de furto ou receptação? A jornalista do "pente-fino" avisada por alguém ( Rui Pereira?) tem dúvidas: ""não está apurada qualquer relação do dono do apartamento com a polícia política (!!!!, os pontos são meus...) e, a ter havido um crime de furto qualificado ( ahahaah!, meu também), o mesmo já prescreveu. Também pode estar em causa o crime de receptação, mas aí teria de se demonstrar que a mulher teria comprado os documentos para os revender, que para já não está determinado."
Sinceramente e escrevendo a sério: não sei o que passou pela cabeça certamente honrada de toda esta gente, particularmente o director da PJ, pessoa que estimo. Mas sei que isto me cheira a grande abuso e motivado pelo sentido de impunidade que estas coisas assumem sempre que se trata de assunto relacionado com a PIDE ou o fassismo.
É inacreditável como isto acontece e ninguém se interroga acerca destes procedimentos, destes dislates no poder oficial e nos abusos inerentes. O jornalismo caseiro muito menos, claro porque está condicionado pelos pavlovs que andam à solta e ninguém os açaima.
E porquê? Vejamos a tal lei que existe desde 1991 do tempo do governo de Cavaco Silva. É aquela que se cita para legitimar a apreensão de documentos até agora particulares e que mesmo sendo pertença eventual do Estado seria sempre do Estado fassista...tal como milhares e milhares de outros que foram apropriados, destruídos, desviados e esquecidos em bibliotecas e arquivos, alguns deles particulares. Consta até que milhares e milhares foram desviados in illo tempore pelo PCP para Moscovo ou algures e ainda lá estão, sem ninguém se mostrar interessado em investigar o furto, esse sim, mas já prescrito, inclusivé no interesse nas autoridades deste país. O PCP é um partido democrático, não era? Enfim.
A lei é curta e refere-se à extinção de um serviço que existia para "extinguir" a PIDE/DGS
Lei n.º 4/91 de 17 de Janeiro
Extinção do Serviço da Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP
A Assembleia da República decreta, nos termos dos artigos 164.º, alínea d), e 169.º, n.º 3, da Constituição, o seguinte:
Artigo 1.º É extinto o Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP.
Art. 2.º - 1 - Os arquivos das extintas PIDE/DGS e LP são integrados no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, cabendo a esta entidade tomar as medidas necessárias à sua transferência, conservação, ordenação, inventariação e descrição.
2 - Todos os núcleos documentais que, pela sua natureza, integrem os arquivos referidos no número anterior e se encontrem dispersos ao cuidado de outras entidades devem ser remetidos ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo no prazo de 90 dias a contar da entrada em vigor da presente lei.
3 - As entidades detentoras das peças documentais referidas no número anterior são constituídas em seus fiéis depositários até à concretização da sua devolução.
Art. 3.º - 1 - A consulta pública dos arquivos das extintas PIDE/DGS e LP só poderá realizar-se a partir de 25 de Abril de 1994.
2 - O disposto no número anterior não prejudica as disposições constitucionais e gerais de direito respeitantes à protecção do direito ao bom nome e privacidade pessoal e familiar dos cidadãos.
3 - Antes de decorrido o prazo referido no n.º 1, poderá, por deliberação do Presidente e Vice-Presidentes da Assembleia da República, ser autorizada, após parecer do director do Arquivo Nacional da Torre do Tombo, a título excepcional, a consulta dos arquivos, mediante requerimento do interessado, em que demonstre interesse pessoal, directo e legítimo na consulta.
Art. 4.º - 1 - O pessoal militar e civil que se encontra em comissão de serviço, diligência ou destacamento regressa, com a entrada em vigor do presente diploma, aos seus lugares de origem.
2 - O pessoal contratado em regime de prestação eventual de serviço há mais de três anos é integrado no quadro de efectivos interdepartamentais da Direcção-Geral da Administração Pública, mesmo que preste serviço, em regime de requisição, noutros organismos da Administração Pública e não possa ser integrado nos respectivos quadros de pessoal no prazo de 90 dias.
3 - Os contratos celebrados com aposentados ou quaisquer outros contratos de pessoal caducarão nos termos nele previstos ou, no caso de lhes não ter sido fixado prazo, 60 dias após a publicação da presente lei.
4 - Ao pessoal aposentado referido no número anterior será, com base no tempo de serviço prestado no Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP, devidamente comprovado documentalmente, concedida, se requerida, a revisão para efeitos de actualização da respectiva pensão de aposentação.
Art. 5.º As verbas inscritas no orçamento da Assembleia da República destinadas ao Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP são transferidas para o orçamento da Direcção-Geral da Administração Pública.
Art. 6.º O património do Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP, incluindo direitos e posições contratuais, transitará para o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, incluindo os bens cedidos por outros organismos a título precário, cuja situação será a todo o tempo objecto de reexame pelas entidades interessadas e competentes.
Art. 7.º À investigação dos crimes previstos e punidos pela Lei n.º 8/75, de 25 de Julho, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 16/75, de 23 de Dezembro, e pela Lei n.º 18/75, de 26 de Dezembro, aplicam-se as normas reguladoras do processo penal.
Art. 8.º O presente diploma entra em vigor 30 dias após a data da sua publicação.
Aprovada em 20 de Dezembro de 1990.
O Presidente da Assembleia da República, Vítor Pereira Crespo. Promulgada em 31 de Dezembro de 1990.Publique-se.
O Presidente da República, MÁRIO SOARES.Referendada em 5 de Janeiro de 1991.O Primeiro-Ministro, Aníbal António Cavaco Silva.
Qual o segmento da lei que legitima esta apreensão de documentos particulares que estavam à venda na internet? Este:
2 - Todos os núcleos documentais que, pela sua natureza, integrem os arquivos referidos no número anterior e se encontrem dispersos ao cuidado de outras entidades devem ser remetidos ao Arquivo Nacional da Torre do Tombo no prazo de 90 dias a contar da entrada em vigor da presente lei.
3 - As entidades detentoras das peças documentais referidas no número anterior são constituídas em seus fiéis depositários até à concretização da sua devolução.
3 - As entidades detentoras das peças documentais referidas no número anterior são constituídas em seus fiéis depositários até à concretização da sua devolução.
Repare-se: ao extinguir-se o tal serviço de extinção, passou tudo para a Torre do Tombo. Tudo o que "pela sua natureza integrem os arquivos referidos", ou seja os arquivos da PIDE/DGS.
Como é que se sabe que os documentos apreendidos e aliás fotografados integrariam os arquivos da PIDE/DGS? Pelo cheiro? Pelo aspecto envelhecido? Pela aparência do papel e natureza dos tais ficheiros?
Perícias podem ser feitas, claro. Mas...apreender estes documentos com base nestas premissas significa o quê, num Estado de Direito? Luta contra o fassismo, é isso? Se não é parece e isso será muito, muito mau e piora a emenda que o soneto já está podre.
Por outro lado, como escreve avisadamente aquela jornalista do "pente-fino" o que justifica a apreensão?
O disposto no artº 209º do Código Penal ( apropriação ilícita de coisa achada, o que escapou ao conselheiro da "pente-fino") não pode justificar uma acção destas, evidentemente.
O disposto no artº 209º do Código Penal ( apropriação ilícita de coisa achada, o que escapou ao conselheiro da "pente-fino") não pode justificar uma acção destas, evidentemente.
Quanto ao crime de furto é ridículo considerar sequer tal hipótese e muito menos o de receptação, como qualquer jurista básico percebe.
Não há previsão de crime eventual na Lei 4/91 de 17.1, ou seja, para além de se tornar duvidoso que qualquer pessoa tenha obrigação legal de entregar o que detém em seu poder, com tais características, não existe norma incriminadora para quem o não fizer. E como é sabido por qualquer jurista de meia-tigela, "nullum crimen sine lege".
Portanto, não há base legal suficiente e necessária para uma apreensão em sede de processo penal ( e noutra, deste modo, também não porque a única medida eventualmente admissível seria a providência de natureza cível, cautelar) , tal como refere o artigo 178º do CPP:
Artigo 178.º
Objeto e pressupostos da apreensão
1 - São apreendidos os instrumentos, produtos ou vantagens relacionados com a prática de um facto ilícito típico, e bem assim todos os objetos que tiverem sido deixados pelo agente no local do crime ou quaisquer outros suscetíveis de servir a prova.
2 - Os instrumentos, produtos ou vantagens e demais objetos apreendidos nos termos do número anterior são juntos ao processo, quando possível, e, quando não, confiados à guarda do funcionário de justiça adstrito ao processo ou de um depositário, de tudo se fazendo menção no auto.
3 - As apreensões são autorizadas, ordenadas ou validadas por despacho da autoridade judiciária.
4 - Os órgãos de polícia criminal podem efectuar apreensões no decurso de revistas ou de buscas ou quando haja urgência ou perigo na demora, nos termos previstos na alínea c) do n.º 2 do artigo 249.º
5 - Os órgãos de polícia criminal podem ainda efetuar apreensões quando haja fundado receio de desaparecimento, destruição, danificação, inutilização, ocultação ou transferência de instrumentos, produtos ou vantagens ou outros objetos provenientes da prática de um facto ilícito típico suscetíveis de serem declarados perdidos a favor do Estado.
6 - As apreensões efectuadas por órgão de polícia criminal são sujeitas a validação pela autoridade judiciária, no prazo máximo de setenta e duas horas.
Artigo 178.º
Objeto e pressupostos da apreensão
1 - São apreendidos os instrumentos, produtos ou vantagens relacionados com a prática de um facto ilícito típico, e bem assim todos os objetos que tiverem sido deixados pelo agente no local do crime ou quaisquer outros suscetíveis de servir a prova.
2 - Os instrumentos, produtos ou vantagens e demais objetos apreendidos nos termos do número anterior são juntos ao processo, quando possível, e, quando não, confiados à guarda do funcionário de justiça adstrito ao processo ou de um depositário, de tudo se fazendo menção no auto.
3 - As apreensões são autorizadas, ordenadas ou validadas por despacho da autoridade judiciária.
4 - Os órgãos de polícia criminal podem efectuar apreensões no decurso de revistas ou de buscas ou quando haja urgência ou perigo na demora, nos termos previstos na alínea c) do n.º 2 do artigo 249.º
5 - Os órgãos de polícia criminal podem ainda efetuar apreensões quando haja fundado receio de desaparecimento, destruição, danificação, inutilização, ocultação ou transferência de instrumentos, produtos ou vantagens ou outros objetos provenientes da prática de um facto ilícito típico suscetíveis de serem declarados perdidos a favor do Estado.
6 - As apreensões efectuadas por órgão de polícia criminal são sujeitas a validação pela autoridade judiciária, no prazo máximo de setenta e duas horas.
Porque é que a PJ do Porto embarcou nesta aventura? Por causa do fassismo e da PIDE, voilá!
E o que vai acontecer agora? A demissão do director da PJ já devia ter acontecido, a meu ver. Como pesar meu...
Entretanto para ser ver o que foi o verdadeiro crime que passou impune e do qual é responsável e principal suspeito o PCP ( toda a direcção do PCP da época, alguns dos quais ainda andam por aí) e ler isto no Observador de hoje e da autoria de um connoisseur dos meandros do antigamente, o estimado José Milhazes, ex-seminarista e arrependido de tudo, ou quase:
"A notícia de que a Polícia Judiciária localizou e apreendeu “um importante acervo” de documentação da PIDE/DGS veio levantar de novo a questão da envergadura do desvio de documentos dessa polícia política após o 25 de Abril de 1974.
Desta vez trata-se da colocação à venda na Internet de 700 negativos de clichés fotográficos aparentemente de fichas de indivíduos identificados pela antiga polícia, classificados por nome e alcunha.
Este caso é mais uma prova de que não foi impossível o desvio de arquivos da PIDE para a União Soviética com a participação dos serviços secretos soviéticos e do Partido Comunista Português, afirmação baseada em documentos e testemunhos.
As primeiras denúncias deste roubo foram feitas por dois importantes agentes secretos soviéticos que decidiram desmascarar algumas das mais importantes operações do Comité de Desefa do Estado (KGB) da URSS: Vassili Mitrokhin e Oleg Kaluguin.
Kaluguin, general que dirigiu a contra-esponiagem soviética no estrangeiro, escreveu: «Quase ao mesmo tempo, terminei o trabalho de criação de um livro de informação com o nome de Quem é Quem na CIA dos Estados Unidos. Ele foi feito por um grupo de especialistas e analistas. Fizeram um trabalho colossal para organizar milhares de funcionários e agentes da PIDE, polícia política da era do ditador Salazar. Em meados dos anos 70, quando em Portugal reinava o caos revolucionário, o Partido Comunista local, com a ajuda dos seus correligionários nos serviços de segurança, roubou parte dos arquivos da PIDE e entregou aos agentes do KGB em Lisboa um camião carregado de fichas da PIDE. Ao analisar as fichas dos agentes da CIA, descobri numa delas o apelido de uma dama que conseguiu, na Colômbia, envolver numa história de amor e, depois, de espionagem, o diplomata soviético Ogorodnik, mais tarde desmascarado em Moscovo como espião americano”.
A direcção do Partido Comunista Português tentou desvalorizar essas revelações, alegando que esses antigos agentes soviéticos não passavam de “traidores”.
No meu livro “Cunhal, Brejnev e 25 de Abril”, revelei, com base em documentos, que a citada “dama” era Pilar Suarez Barcala, mas ainda antes do livro ter chegado às livrarias, o PCP reagiu a propósito da sua publicação, dizendo que “não merecem comentário afirmações desqualificadas assentes em velhas e recorrentes falsificações”. Outra reacção não se esperava.
Publiquei também as memórias de um jornalista soviético, Guenrikh Borovik, que, com ajuda de “camaradas portugueses” passeou livremente na sede da PIDE/DGS em Lisboa.
O jornalista José Pedro Castanheira publicou igualmente o testemunho do tenente-coronel José Aparício, comandante da PSP de Lisboa, que testemunhou o desvio da documentação.
Foi também curiosa a reacção à publicação do livro da parte do coronel Sousa e Castro, que substituiu Rosa Coutinho em 1975 no serviços de apoio ao Conselho da Revolução e na Comissão de Extinção da ex-Pide/DGS e Legião Portuguesa. Ele escreveu no Facebook um longo comentário, onde, entre outras coisas, ironiza: “Mas a questão essencial, é que este heterogéneo grupo político civil que passou a fazer companhia aos militares [na Comissão de Extinção da PIDE/DGS] exerciam uma vigilância mútua de tal ordem que é absolutamente delirante pensar nas colunas de Berliets (camiões) que a coberto da noite carregaram toneladas de documentos e se puseram a caminho da União Soviética, numa operação Jamesbondiana sem paralelo cá no burgo !!!!!”.
Afinal, as coisas parecem não ter sido bem assim. Se juntarmos a revelação actual da Polícia Judiciária aos factos e argumentos acima referidos, pode-se concluir que os Arquivos da PIDE que se encontram na Torre do Tombo estão longe de estar completos e a afirmação de que parte dos documentos da polícia política foram desviados para Moscovo ganha ainda mais força."
Entretanto para ser ver o que foi o verdadeiro crime que passou impune e do qual é responsável e principal suspeito o PCP ( toda a direcção do PCP da época, alguns dos quais ainda andam por aí) e ler isto no Observador de hoje e da autoria de um connoisseur dos meandros do antigamente, o estimado José Milhazes, ex-seminarista e arrependido de tudo, ou quase:
"A notícia de que a Polícia Judiciária localizou e apreendeu “um importante acervo” de documentação da PIDE/DGS veio levantar de novo a questão da envergadura do desvio de documentos dessa polícia política após o 25 de Abril de 1974.
Desta vez trata-se da colocação à venda na Internet de 700 negativos de clichés fotográficos aparentemente de fichas de indivíduos identificados pela antiga polícia, classificados por nome e alcunha.
Este caso é mais uma prova de que não foi impossível o desvio de arquivos da PIDE para a União Soviética com a participação dos serviços secretos soviéticos e do Partido Comunista Português, afirmação baseada em documentos e testemunhos.
As primeiras denúncias deste roubo foram feitas por dois importantes agentes secretos soviéticos que decidiram desmascarar algumas das mais importantes operações do Comité de Desefa do Estado (KGB) da URSS: Vassili Mitrokhin e Oleg Kaluguin.
Kaluguin, general que dirigiu a contra-esponiagem soviética no estrangeiro, escreveu: «Quase ao mesmo tempo, terminei o trabalho de criação de um livro de informação com o nome de Quem é Quem na CIA dos Estados Unidos. Ele foi feito por um grupo de especialistas e analistas. Fizeram um trabalho colossal para organizar milhares de funcionários e agentes da PIDE, polícia política da era do ditador Salazar. Em meados dos anos 70, quando em Portugal reinava o caos revolucionário, o Partido Comunista local, com a ajuda dos seus correligionários nos serviços de segurança, roubou parte dos arquivos da PIDE e entregou aos agentes do KGB em Lisboa um camião carregado de fichas da PIDE. Ao analisar as fichas dos agentes da CIA, descobri numa delas o apelido de uma dama que conseguiu, na Colômbia, envolver numa história de amor e, depois, de espionagem, o diplomata soviético Ogorodnik, mais tarde desmascarado em Moscovo como espião americano”.
A direcção do Partido Comunista Português tentou desvalorizar essas revelações, alegando que esses antigos agentes soviéticos não passavam de “traidores”.
No meu livro “Cunhal, Brejnev e 25 de Abril”, revelei, com base em documentos, que a citada “dama” era Pilar Suarez Barcala, mas ainda antes do livro ter chegado às livrarias, o PCP reagiu a propósito da sua publicação, dizendo que “não merecem comentário afirmações desqualificadas assentes em velhas e recorrentes falsificações”. Outra reacção não se esperava.
Publiquei também as memórias de um jornalista soviético, Guenrikh Borovik, que, com ajuda de “camaradas portugueses” passeou livremente na sede da PIDE/DGS em Lisboa.
O jornalista José Pedro Castanheira publicou igualmente o testemunho do tenente-coronel José Aparício, comandante da PSP de Lisboa, que testemunhou o desvio da documentação.
Foi também curiosa a reacção à publicação do livro da parte do coronel Sousa e Castro, que substituiu Rosa Coutinho em 1975 no serviços de apoio ao Conselho da Revolução e na Comissão de Extinção da ex-Pide/DGS e Legião Portuguesa. Ele escreveu no Facebook um longo comentário, onde, entre outras coisas, ironiza: “Mas a questão essencial, é que este heterogéneo grupo político civil que passou a fazer companhia aos militares [na Comissão de Extinção da PIDE/DGS] exerciam uma vigilância mútua de tal ordem que é absolutamente delirante pensar nas colunas de Berliets (camiões) que a coberto da noite carregaram toneladas de documentos e se puseram a caminho da União Soviética, numa operação Jamesbondiana sem paralelo cá no burgo !!!!!”.
Afinal, as coisas parecem não ter sido bem assim. Se juntarmos a revelação actual da Polícia Judiciária aos factos e argumentos acima referidos, pode-se concluir que os Arquivos da PIDE que se encontram na Torre do Tombo estão longe de estar completos e a afirmação de que parte dos documentos da polícia política foram desviados para Moscovo ganha ainda mais força."
Em 1974 ( até 1982) havia um código Penal em vigor e na parte que interesse o crime em causa estava lá escarrapachado, sendo suspeito número um o PCP.
Apesar de o crime estar prescrito há muitos anos, a verdade é que pode ter existido e o produto de tal crime ainda existir.
O que espera o MºPº para actuar e reivindicar o que o Estado português tem direito, tendo sido proveniente de um roubo e de um crime muito grave e sem comparação nenhuma com a actuação desta "senhora de meia idade" que colocou na internet, para venda, documentos que podem nem sequer serem pertença do Estado?
ADITAMENTO em 25.4.2020:
Nos jornais de hoje- Expresso, Sol, Público e Correio da Manhã- nem uma notícia, nem uma linha sobre o assunto, para além disto que vem no SOL:
Está tudo controlado...
quinta-feira, abril 23, 2020
Mata-Bicho 63: a informação que não temos sobre a China e a OMS e outros assuntos
Na revista Marianne desta semana que passa: grandes suspeitas de conluio entre a China e a OMS para esconderem os efeitos do bicho mau, no início da pandemia.
Diz que a próxima batalha será por causa da tecnologia 5G...e por cá aposto que o amigo Lacerda e outros de Macau já escolheram: a China é que vai dar cartas.
A mesma revista em quatro páginas dá um retrato de corpo inteiro dos responsáveis franceses pelo "naufrágio" agregando gente de esquerda e direita. Assim, numa escrita clara e facilmente compreensível por todos.
Está em francês, é verdade e nem toda a gente lê francês, mas ainda assim há uma geração que foi ensinada a ler essa língua que aliás foi ( e continua a ser, como segunda língua e antes do inglês) a de mais de um milhão de portugueses que por lá passaram...
Compare-se este estilo com o deste "guia" no Público de hoje, destinado a esclarecer os leitores sobre o que iria ocorrer numa reunião de hoje, no Conselho Europeu. Inacreditável! Para quem é que esta gente escreve? Para os burocratas que entendem o linguarejar que não se destina a ser lido?
É isto, o tal "guia"!
Por outro lado...e se esta moda pegasse por cá? O ministro Cabrita, a Van Dunem e mesmo o Costa, manhoso, estariam já com as barbas de molho. Mas por cá, os brandos costumes imperam e as tv´s ajudam à festa.
Além disso, em França, o Trump não é visto do mesmo modo que nas redacções de tv´s de cá, da RTP à CMTV.
O que os europeus ainda não sabem se irão aprovar, lá já está: um número de doze zeros para um "plano tipo Roosevelt". E que segundo a revista irá conduzir ao fim do reinado de Trump. Mas...quanto a isto também continuo céptico. Veremos.
Por cá, é ler o guia do Público...
Diz que a próxima batalha será por causa da tecnologia 5G...e por cá aposto que o amigo Lacerda e outros de Macau já escolheram: a China é que vai dar cartas.
A mesma revista em quatro páginas dá um retrato de corpo inteiro dos responsáveis franceses pelo "naufrágio" agregando gente de esquerda e direita. Assim, numa escrita clara e facilmente compreensível por todos.
Está em francês, é verdade e nem toda a gente lê francês, mas ainda assim há uma geração que foi ensinada a ler essa língua que aliás foi ( e continua a ser, como segunda língua e antes do inglês) a de mais de um milhão de portugueses que por lá passaram...
Compare-se este estilo com o deste "guia" no Público de hoje, destinado a esclarecer os leitores sobre o que iria ocorrer numa reunião de hoje, no Conselho Europeu. Inacreditável! Para quem é que esta gente escreve? Para os burocratas que entendem o linguarejar que não se destina a ser lido?
É isto, o tal "guia"!
Por outro lado...e se esta moda pegasse por cá? O ministro Cabrita, a Van Dunem e mesmo o Costa, manhoso, estariam já com as barbas de molho. Mas por cá, os brandos costumes imperam e as tv´s ajudam à festa.
Além disso, em França, o Trump não é visto do mesmo modo que nas redacções de tv´s de cá, da RTP à CMTV.
O que os europeus ainda não sabem se irão aprovar, lá já está: um número de doze zeros para um "plano tipo Roosevelt". E que segundo a revista irá conduzir ao fim do reinado de Trump. Mas...quanto a isto também continuo céptico. Veremos.
Por cá, é ler o guia do Público...
Mata-Bicho 61: Fefé no reino da informação do faz-de-conta
CM de hoje, crónica de Francisco José Viegas a lembrar as atitudes frequentes e inqualificáveis da segunda figura do Estado, Ferro Rodrigues.
Público de hoje, pela pena virtual de São José de Almeida, a lembrar que os amigos são para as ocasiões e os fretes para se fazerem quando é preciso: uma entrevista ao mesmíssimo Ferro Rodrigues em que esta segunda figura do Estado se estende sobre política, incluindo partidária, governança do país e tutti quanti menos o essencial, ou seja, a polémica acerca da teimosia em celebrar o "25 de Abril" em condições privilegiadas que não se admitem a outras instituições ou cidadãos.
Assim se define a linha editorial de um jornal, subsidiado pela SONAE: propaganda em prol dos amigos sempre que necessário.
Este reino de informação de faz-de-conta tem os seus súbditos e senhores feudais. Alguns alcançaram privilégios senhoriais há pouco tempo, mas têm de prestar vassalagem e menagem ao rei, o sistema que se desenvolveu a partir de 25 de Abril de 1974.
Sem tal menagem e vassalagem, feita com mãos entre as mãos, tal como obrigou D. João II, acabam os "acrescentamentos" e benfeitorias e tudo passa a ser outra vez do rei, que os distribuirá a outros que tenham maior "merecimento".
Estas crónicas na Sábado mostram quem é o rei e como alguns já prestaram a devida menagem.
Primeiro, a crónica de Eduardo Dâmaso: "25 de Abril, sempre! "
Depois a de um estimado Carlos Lima: "fascismo, nunca mais!" Ahahahah....
Depois a desta excrescência democrática. JPP, que nunca partilhou verdadeiramente tal noção, por não a compreender. Porém, ao fim de décadas percebeu que a China é um estado totalitário, habituado a comer os próprios filhos, mesmo quando a defendia como paraíso para a nossa terra, clandestinamente e por isso foi perseguido no tenebroso regime fassista. O que aliás nunca o impediu de conciliar a palermice de juventude com a de hoje.
Enfim.
Público de hoje, pela pena virtual de São José de Almeida, a lembrar que os amigos são para as ocasiões e os fretes para se fazerem quando é preciso: uma entrevista ao mesmíssimo Ferro Rodrigues em que esta segunda figura do Estado se estende sobre política, incluindo partidária, governança do país e tutti quanti menos o essencial, ou seja, a polémica acerca da teimosia em celebrar o "25 de Abril" em condições privilegiadas que não se admitem a outras instituições ou cidadãos.
Assim se define a linha editorial de um jornal, subsidiado pela SONAE: propaganda em prol dos amigos sempre que necessário.
Este reino de informação de faz-de-conta tem os seus súbditos e senhores feudais. Alguns alcançaram privilégios senhoriais há pouco tempo, mas têm de prestar vassalagem e menagem ao rei, o sistema que se desenvolveu a partir de 25 de Abril de 1974.
Sem tal menagem e vassalagem, feita com mãos entre as mãos, tal como obrigou D. João II, acabam os "acrescentamentos" e benfeitorias e tudo passa a ser outra vez do rei, que os distribuirá a outros que tenham maior "merecimento".
Estas crónicas na Sábado mostram quem é o rei e como alguns já prestaram a devida menagem.
Primeiro, a crónica de Eduardo Dâmaso: "25 de Abril, sempre! "
Depois a de um estimado Carlos Lima: "fascismo, nunca mais!" Ahahahah....
Depois a desta excrescência democrática. JPP, que nunca partilhou verdadeiramente tal noção, por não a compreender. Porém, ao fim de décadas percebeu que a China é um estado totalitário, habituado a comer os próprios filhos, mesmo quando a defendia como paraíso para a nossa terra, clandestinamente e por isso foi perseguido no tenebroso regime fassista. O que aliás nunca o impediu de conciliar a palermice de juventude com a de hoje.
Enfim.
quarta-feira, abril 22, 2020
Mata-Bicho 60: Azeredo, um camelo com muito peso às Costas...
Observador:
O Azeredo, se isto se confirmar em julgamento, está feito: condenado. Vai ficar calado e proteger quem de direito ou vai falar e dizer a verdade e só a verdade?
Veremos. Para já acho delicioso o "croqui". Podiam pôr "croquete", era mais giro e vinha do mesmo lado, ou seja, da ignorância.
O Azeredo, se isto se confirmar em julgamento, está feito: condenado. Vai ficar calado e proteger quem de direito ou vai falar e dizer a verdade e só a verdade?
Veremos. Para já acho delicioso o "croqui". Podiam pôr "croquete", era mais giro e vinha do mesmo lado, ou seja, da ignorância.
Mata-Bicho 59: jornalismo à la CM
Na Segunda-Feira o CM noticiava assim um fait-divers com requintes de sensacionalismo típico do jornal:
Tiveram tempo de mandar fazer desenho tosco, de pensar na notícia, de averiguar a verdade factual mas preferiram a sensacional. O título na primeira página intrigou-me pelo subjectivismo, pela desinformação latente e pela estupidez deste jornalismo de esgoto: "mata tarado sexual e trava violação".
Poderia haver vários erros neste título. Desde logo a classificação do suspeito, como "tarado sexual" e depois a própria natureza do acto "travado", a suposta violação.
O que diz esta notícia sobre o assunto? Que a Judiciária tinha anunciado a detenção de um jovem que fora em socorro de uma mulher que estava a ser vítima de violação numa pensão em Castelo Branco.
Como é que o CM teve notícia deste assunto, confinados que estão na redacção? Pela leitura do comunicado? E tal referia o "estrangulamento por trás usado em artes marciais"?
Diz depois que afinal quem tomou conhecimento do assunto em primeiro lugar foi a PSP local, como é lógico. Depois aparece o relato da versão dos factos contada pelo suspeito. Alguém disse ao CM o que foram tais declarações informais, a uma polícia, eventualmente a PSP. Por mim, iria averiguar quem deu esta informação e de que modo.
A "versão dos acontecimentos coincide com a da funcionária da pensão", a suposta vítima. "Abordou a mulher à porta e atirou-a ao chão para a violar", escreve o jornal, citando o dono da pensão em que os factos ocorreram.
Como é que o CM soube de tal versão? Foi só pelas declarações do dono da pensão ou leu o "auto de notícia" ? E quem lho passou, em flagrante violação de dever profissional se assim ocorreu? Uma investigação é necessária e rápida. É simples e lograria um objectivo: refrear a ânsia de sangue do CM, o sensacionalismo tosco que julgam vender jornais e notícias e só causa mal social.
E tudo isso por causa da notícia de hoje no mesmo jornal:
Enquanto este jornal continuar com estas práticas jornalísticas a verdade é manipulada, distorcida e a desinformação é regra.
Tem lá como avençado um especialista nestes assuntos de criminalidade, chamado Rui Pereira. Mas...o estipêndio regular se calhar fala mais alto que o dever de consciência em denunciar estes desmandos. É pena se assim for.
Tiveram tempo de mandar fazer desenho tosco, de pensar na notícia, de averiguar a verdade factual mas preferiram a sensacional. O título na primeira página intrigou-me pelo subjectivismo, pela desinformação latente e pela estupidez deste jornalismo de esgoto: "mata tarado sexual e trava violação".
Poderia haver vários erros neste título. Desde logo a classificação do suspeito, como "tarado sexual" e depois a própria natureza do acto "travado", a suposta violação.
O que diz esta notícia sobre o assunto? Que a Judiciária tinha anunciado a detenção de um jovem que fora em socorro de uma mulher que estava a ser vítima de violação numa pensão em Castelo Branco.
Como é que o CM teve notícia deste assunto, confinados que estão na redacção? Pela leitura do comunicado? E tal referia o "estrangulamento por trás usado em artes marciais"?
Diz depois que afinal quem tomou conhecimento do assunto em primeiro lugar foi a PSP local, como é lógico. Depois aparece o relato da versão dos factos contada pelo suspeito. Alguém disse ao CM o que foram tais declarações informais, a uma polícia, eventualmente a PSP. Por mim, iria averiguar quem deu esta informação e de que modo.
A "versão dos acontecimentos coincide com a da funcionária da pensão", a suposta vítima. "Abordou a mulher à porta e atirou-a ao chão para a violar", escreve o jornal, citando o dono da pensão em que os factos ocorreram.
Como é que o CM soube de tal versão? Foi só pelas declarações do dono da pensão ou leu o "auto de notícia" ? E quem lho passou, em flagrante violação de dever profissional se assim ocorreu? Uma investigação é necessária e rápida. É simples e lograria um objectivo: refrear a ânsia de sangue do CM, o sensacionalismo tosco que julgam vender jornais e notícias e só causa mal social.
E tudo isso por causa da notícia de hoje no mesmo jornal:
Enquanto este jornal continuar com estas práticas jornalísticas a verdade é manipulada, distorcida e a desinformação é regra.
Tem lá como avençado um especialista nestes assuntos de criminalidade, chamado Rui Pereira. Mas...o estipêndio regular se calhar fala mais alto que o dever de consciência em denunciar estes desmandos. É pena se assim for.
Mata-Bicho 58: o socialismo populista dá nisto...
Público de hoje:
Estas pessoas vindas de África e da Ásia ( o CM refere que provêm da Gâmbia, Senegal, Somália, Marrocos, Paquistão ou Bangladesh) , quase todas islâmicas, chegam, assentam arraiais onde calha, pedem asilo político e humanitário e são despejados por uma tal organização não governamental Conselho Português para os Refugiados, dirigido por um antigo vice-PGR ( de Pinto Monteiro).
Evidentemente, como não há condições nos centros muito bonitos que mostram na página de acolhimento, vão para a vala comum das pensões de percevejos e afins.
Depois dá no que dá: miséria em cima de miséria em nome do Humanismo.
É sempre assim, com o socialismo populista.
Desta vez o escândalo não fica por aqui porque se transformou numa gravíssima questão de saúde pública, com inúmeros casos de pessoas que deambulam no espaço público da grande Lisboa a espalhar a doença que todos devem temer segundo as autoridades.
Diz que o SEF e o ministério daquele Cabrita, sabiam disto tudo há muito tempo. Que adianta? O socialismo populista tudo digere e nada lhe faz mal. Até aumentam os votos porque o que não mata, engorda.
Diz mais o CM: que a maioria destes "refugiados" tinham visto o SEF negar-lhes tal condição, estando agora à espera do recurso que interpuseram da decisão.
É assim o socialismo populista: todos os direitos são garantidos por tretas. Quando se descobre que afinal é tudo mesmo tretas, encolhem-se na "legalidade democrática".
ADITAMENTO às 12:30:
Já foram encontrados os trânsfugas que o CM, no seu habitual estilo jornalístico detectou antes da hora...
Este jornal anda a abusar da paciência de todos os que lêem atoardas.
Estas pessoas vindas de África e da Ásia ( o CM refere que provêm da Gâmbia, Senegal, Somália, Marrocos, Paquistão ou Bangladesh) , quase todas islâmicas, chegam, assentam arraiais onde calha, pedem asilo político e humanitário e são despejados por uma tal organização não governamental Conselho Português para os Refugiados, dirigido por um antigo vice-PGR ( de Pinto Monteiro).
Evidentemente, como não há condições nos centros muito bonitos que mostram na página de acolhimento, vão para a vala comum das pensões de percevejos e afins.
Depois dá no que dá: miséria em cima de miséria em nome do Humanismo.
É sempre assim, com o socialismo populista.
Desta vez o escândalo não fica por aqui porque se transformou numa gravíssima questão de saúde pública, com inúmeros casos de pessoas que deambulam no espaço público da grande Lisboa a espalhar a doença que todos devem temer segundo as autoridades.
Diz que o SEF e o ministério daquele Cabrita, sabiam disto tudo há muito tempo. Que adianta? O socialismo populista tudo digere e nada lhe faz mal. Até aumentam os votos porque o que não mata, engorda.
Diz mais o CM: que a maioria destes "refugiados" tinham visto o SEF negar-lhes tal condição, estando agora à espera do recurso que interpuseram da decisão.
É assim o socialismo populista: todos os direitos são garantidos por tretas. Quando se descobre que afinal é tudo mesmo tretas, encolhem-se na "legalidade democrática".
ADITAMENTO às 12:30:
Já foram encontrados os trânsfugas que o CM, no seu habitual estilo jornalístico detectou antes da hora...
Este jornal anda a abusar da paciência de todos os que lêem atoardas.
terça-feira, abril 21, 2020
Mata-Bicho 57: Ferro Rodrigues e a cabala da Casa Pia
Em Março de 2003, Ferro Rodrigues, então secretário-geral do PS, desde o ano anterior, soube que o seu nome e o de Paulo Pedroso, deputado do PS, andariam nas bocas de um pequeno mundo judiciário, por estarem putativamente envolvidos no processo casa Pia.
Em 23 de Novembro de 2002, o Expresso tinha escrito as primeiras notícias sobre o assunto Casa Pia. A mãe de um antigo aluno- Joel- meses antes, tinha feito queixa de um tal Bibi, Carlos Silvino por causa de abusos sofridos na instituição e já havia um processo em curso, conduzindo à prisão deste, em 25 de Novembro de 2002.
Nos primeiros dias de Maio de 2003, Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso foram alertados por alguém, no interior do sistema judiciário ( magistratura ou polícias) ou para-judiciário ( alguém com ligações ao mesmo) em flagrante violação gravíssima de segredo de justiça, para a qual se estiveram manifestamente nas tintas ou coisa pior, de que estariam de algum modo envolvidos num escândalo sexual, relacionado com menores da Casa Pia. Um dos que pretendia avisar Ferro Rodrigues acerca do que se passava nos mentideros era um tal Moita Flores, argumentista, além do mais, do folhetim televisivo do ballet rose. Ironia madrasta do destino...
Em 22 de Maio de 2003 o deputado Paulo Pedroso foi preso na AR, com grande escândalo. Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues eram figuras de proa do PS de então, havendo esperanças de poderem vir a constituir um governo de geringonça avant la lettre.
O Expresso, logo na edição dessa semana, retomou a notícia das suspeitas que salpicavam a honra de Ferro Rodrigues. Grave, para a reputação política e pessoal do líder do PS.
Em 10 de Novembro de 2003 o jornal Correio da Manhã deu uma machadada fatal nessas ambições de geringonça que acabaram por beneficiar um certo José Sócrates, que retomou a lide dos governos de bancarrota persistente, do PS, em 2005. Noticiou na primeira página que "três jovens envolvem Ferro" e nada mais foi igual para Ferro.
A partir dessa data, o combate de Ferro Rodrigues tornou-se uma luta pela limpeza da honra ferida gravemente, pela notícia dos jornais e particularmente do CM que afinal replicava o dizer de "três jovens" e que o envolviam em actos de voyeurismo relacionado com a Casa Pia.
Grave, claro está. E que nunca chegou a indiciar-se sequer como facto susceptível de o poder constituir como arguido. Seria interessante saber quem investigou este facto e como o fez...mas é segredo de justiça, para a maioria. Contudo a sua revelação talvez fosse interessante conhecer, ainda hoje, bem como o modo como se processou a investigação e onde, concretamente.
Não obstante a vacuidade dos indícios probatórios ou mesmo indiciários acerca de tal imputação, eventualmente caluniosa, havia outra subjacente: Ferro Rodrigues não ligara muito a denúncias de abusos na Casa Pia quando teve a tutela da instituição, no governo anterior. Esta , a meu ver ainda mais grave.
As denúncias do encobrimento partiram de uma sindicância secreta, ordenada por Bagão Félix, ao ministério da Solidariedade Social do tempo de Ferro e Pedroso.
Expresso, Diário de Notícias e TVI deram eco a tais denúncias que visavam Ferro Rodrigues em concreto e Paulo Pedroso por suposto. Este já preso preventivamente, por indícios suficientes para tal.
As denúncias suscitavam apreensão justa, se verdadeiras, fez-se um inquérito parlamentar e que deu em nada.
Mas ficou a suspeita e se Ferro tivesse sido mais fino teria saído da carruagem logo ali. Não quis, ficou a imaginar a geringonça e tramou-se.
Em Julho de 2003 a Visão deu notícia do "estou-me a cagar para o segredo de justiça", com envolvimento directo do actual primeiro-ministro que cheirou a porcaria toda e nem tapou o nariz. Notoriamente quiseram perturbar o inquérito achando-se no pleno direito de o fazer porque o PS pode fazer tudo, impunemente.
Em 13 de Novembro Ferro Rodrigues "abria o coração" à revista Visão, dirigida pelos gerigonceiros Carlos Cáceres Monteiro e José Carlos Vasconcelos.
Assim:
Este jornalismo de frete nunca investigou eventual complacência ou mesmo cumplicidade ou encobrimento de Ferro Rodrigues e comparsas ( o termo é dele) com eventuais abusos relatados a autoridades administrativas na Casa Pia. Não compete profissionalmente a este tipo de jornalismo incomodar estas excelências de vão de escada do poder político que vem do antanho anti-fassista.
Em Agosto de 2004, outro escândalo, a ribombar no mesmo: o mesmo Correio da Manhã que tinha levantado a lebre da suspeita inicial em primeira página, tinha gravado conversas entre um jornalista da casa e o responsável pela PJ, o juiz Salvado, e guardado a conversa.
Passados meses, azar! As gravações foram "furtadas" da redacção do jornal e vieram para a praça pública. Então os mesmíssimos que tinham relevado aquela acto heróico de quem se está a cagar para a justiça, tornaram esta situação num escândalo de gravidade incomensurável e levaram o infausto director da PJ a uma demissão patética.
Nessa altura quem estava na berlinda? O então PGR Souto Moura que não ouviu as preces dos Costas e Ferros por causa dos Pedrosos e assim incorreu no crime de lesa-majestade.
A Focus de 18 de Agosto de 2004 contava a história:
Depois disto tudo, Ferro Rodrigues chegou onde chegou. Porquê? Porque é do PS. E porque o PS se julga acima de qualquer suspeita.
A pouca-vergonha tem-lhe permitido fazer deste pequeno mundo que é Portugal o seu quintal de recreio.
Até um dia.
Em 23 de Novembro de 2002, o Expresso tinha escrito as primeiras notícias sobre o assunto Casa Pia. A mãe de um antigo aluno- Joel- meses antes, tinha feito queixa de um tal Bibi, Carlos Silvino por causa de abusos sofridos na instituição e já havia um processo em curso, conduzindo à prisão deste, em 25 de Novembro de 2002.
Nos primeiros dias de Maio de 2003, Ferro Rodrigues e Paulo Pedroso foram alertados por alguém, no interior do sistema judiciário ( magistratura ou polícias) ou para-judiciário ( alguém com ligações ao mesmo) em flagrante violação gravíssima de segredo de justiça, para a qual se estiveram manifestamente nas tintas ou coisa pior, de que estariam de algum modo envolvidos num escândalo sexual, relacionado com menores da Casa Pia. Um dos que pretendia avisar Ferro Rodrigues acerca do que se passava nos mentideros era um tal Moita Flores, argumentista, além do mais, do folhetim televisivo do ballet rose. Ironia madrasta do destino...
Em 22 de Maio de 2003 o deputado Paulo Pedroso foi preso na AR, com grande escândalo. Paulo Pedroso e Ferro Rodrigues eram figuras de proa do PS de então, havendo esperanças de poderem vir a constituir um governo de geringonça avant la lettre.
O Expresso, logo na edição dessa semana, retomou a notícia das suspeitas que salpicavam a honra de Ferro Rodrigues. Grave, para a reputação política e pessoal do líder do PS.
Em 10 de Novembro de 2003 o jornal Correio da Manhã deu uma machadada fatal nessas ambições de geringonça que acabaram por beneficiar um certo José Sócrates, que retomou a lide dos governos de bancarrota persistente, do PS, em 2005. Noticiou na primeira página que "três jovens envolvem Ferro" e nada mais foi igual para Ferro.
A partir dessa data, o combate de Ferro Rodrigues tornou-se uma luta pela limpeza da honra ferida gravemente, pela notícia dos jornais e particularmente do CM que afinal replicava o dizer de "três jovens" e que o envolviam em actos de voyeurismo relacionado com a Casa Pia.
Grave, claro está. E que nunca chegou a indiciar-se sequer como facto susceptível de o poder constituir como arguido. Seria interessante saber quem investigou este facto e como o fez...mas é segredo de justiça, para a maioria. Contudo a sua revelação talvez fosse interessante conhecer, ainda hoje, bem como o modo como se processou a investigação e onde, concretamente.
Não obstante a vacuidade dos indícios probatórios ou mesmo indiciários acerca de tal imputação, eventualmente caluniosa, havia outra subjacente: Ferro Rodrigues não ligara muito a denúncias de abusos na Casa Pia quando teve a tutela da instituição, no governo anterior. Esta , a meu ver ainda mais grave.
As denúncias do encobrimento partiram de uma sindicância secreta, ordenada por Bagão Félix, ao ministério da Solidariedade Social do tempo de Ferro e Pedroso.
Expresso, Diário de Notícias e TVI deram eco a tais denúncias que visavam Ferro Rodrigues em concreto e Paulo Pedroso por suposto. Este já preso preventivamente, por indícios suficientes para tal.
As denúncias suscitavam apreensão justa, se verdadeiras, fez-se um inquérito parlamentar e que deu em nada.
Mas ficou a suspeita e se Ferro tivesse sido mais fino teria saído da carruagem logo ali. Não quis, ficou a imaginar a geringonça e tramou-se.
Em Julho de 2003 a Visão deu notícia do "estou-me a cagar para o segredo de justiça", com envolvimento directo do actual primeiro-ministro que cheirou a porcaria toda e nem tapou o nariz. Notoriamente quiseram perturbar o inquérito achando-se no pleno direito de o fazer porque o PS pode fazer tudo, impunemente.
Em 13 de Novembro Ferro Rodrigues "abria o coração" à revista Visão, dirigida pelos gerigonceiros Carlos Cáceres Monteiro e José Carlos Vasconcelos.
Assim:
Este jornalismo de frete nunca investigou eventual complacência ou mesmo cumplicidade ou encobrimento de Ferro Rodrigues e comparsas ( o termo é dele) com eventuais abusos relatados a autoridades administrativas na Casa Pia. Não compete profissionalmente a este tipo de jornalismo incomodar estas excelências de vão de escada do poder político que vem do antanho anti-fassista.
Em Agosto de 2004, outro escândalo, a ribombar no mesmo: o mesmo Correio da Manhã que tinha levantado a lebre da suspeita inicial em primeira página, tinha gravado conversas entre um jornalista da casa e o responsável pela PJ, o juiz Salvado, e guardado a conversa.
Passados meses, azar! As gravações foram "furtadas" da redacção do jornal e vieram para a praça pública. Então os mesmíssimos que tinham relevado aquela acto heróico de quem se está a cagar para a justiça, tornaram esta situação num escândalo de gravidade incomensurável e levaram o infausto director da PJ a uma demissão patética.
Nessa altura quem estava na berlinda? O então PGR Souto Moura que não ouviu as preces dos Costas e Ferros por causa dos Pedrosos e assim incorreu no crime de lesa-majestade.
A Focus de 18 de Agosto de 2004 contava a história:
Depois disto tudo, Ferro Rodrigues chegou onde chegou. Porquê? Porque é do PS. E porque o PS se julga acima de qualquer suspeita.
A pouca-vergonha tem-lhe permitido fazer deste pequeno mundo que é Portugal o seu quintal de recreio.
Até um dia.
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