domingo, março 28, 2021

Mais uma entrevista do juiz da ASJP

 O juiz Manuel Soares, presidente da ASJP, "dá" uma entrevista ao Jornal de Notícias de hoje em que fala de dois assuntos que merecem comentário. 





O primeiro diz respeito ao TCIC. Manuel Soares continua na mesma posição: os dois juízes que lá estão- Carlos Alexandre e Ivo Rosa- não asseguram a boa imagem da justiça ( não vejo outra razão para o acirrado entendimento que me parece algo esdrúxulo) e por isso confia que o Governo vai resolver o problema. Como? Colocando lá mais juízes ( mesmo que não sejam precisos para nada senão isso...) Enfim já nem comento mais porque é fastidioso repetir argumentos que nada valem perante a obstinação irracionalmente jurídica sobre tal assunto.

O segundo diz respeito ao juiz de Odemira que foi suspenso pelo CSM. Manuel Soares acha que o CSM neste caso andou bem. 

Não sei se andou bem e até me parece que andou mal, por razões de prudência institucional. Portanto era escusado comentar e não devia pronunciar-se na qualidade de sindicalista. De quê, afinal? 

De resto quanto à questão de fundo, ou seja que um juiz pode exprimir opiniões pessoais sem que tal lhe acarrete processos disciplinares, estou de acordo. 

Tal como estou de acordo em que um juiz não deve armar-se em activista seja do que for, tal como este o fez, organizando grupos de acção contra isto ou aquilo. 

E se o fizer deve arcar com a responsabilidade e consequência. Se foi por isso que o CSM actuou, compreendo e não critico a não ser a suspensão a reboque das notícias. Se foi por causa da pressa em responder ao cerco mediático fez muito mal e provocou mais danos à imagem da Justiça do que a que pretendia preservar com tal actuação. 

A ignorância e o conhecimento na aprendizagem liceal

 No tempo em que frequentei o ensino secundário na primeira metade dos anos setenta do século que passou, a Filosofia era disciplina que se ensinava em dois anos, no 6º e 7º, correspondentes hoje ao 10º e 11º. 

O manual escolar que era seguido chamava-se "Compêndio de Filosofia", da autoria de J. Bonifácio Ribeiro e José da Silva e publicado pela Livraria Popular de Francisco Franco.

Quem não seguia pela via das Letras ficava por aí nos ensinamentos filosóficos de base. E depois, se quisesse lia o que entendia dever ser lido. 

A pergunta que se suscita agora, depois de uma pequena discussão acesa de equívocos na caixa de comentários assenta num pressuposto: é possível conhecer as bases filosóficas fundamentais apenas com estes ensinamentos básicos ministrados em idade escolar? 

Por mim, julgo que sim e basta consultar o manual em causa. Das duas,  uma: ou é um manual adequado a tal conhecimento básico ou é um acervo de asneiras sem eira nem beira e num tertium genus improvável, um manual desactualizado e por isso imprestável. 

O livro começava por dar a noção do que seria a Filosofia, aceitando uma definição de Foulquié ("a ciência do espírito do homem e de tudo aquilo que esse espírito é capaz de conhecer para além do domínio sensível")  e mostrava o que seria a visão clássica e metafísica- tomística e aristotélica: "a filosofia procura explicar toda a realidade pelas causas mais remotas que a razão pode atingir". Por último mencionava a visão moderna, onde incluía um filósofo de Koenisgberg, criador do "criticismo", atribuindo-lhe o desiderato de ir além dessa concepção aristotélica-tomística, "quase a confundindo com a ciência e reduzindo-a ao estudo dos problemas cuja solução as próprias ciências exigem". 

Kant era esse filósofo do séc. XVIII que escrevera obras de Crítica da razão pura, Crítica da razão prática, Fundamentos da metafísica de costumes e outras. Era considerado como negando à razão a possibilidade de atingir as causas primeiras da realidade e focado apenas na filosofia das ciências, no estudo dos problemas da ciência e portanto caberia à Filosofia a função de fundamentar as ciências e de as coordenar. 

A Filosofia era então apresentada em "divisões", incluindo a psicologia experimental, a lógica, a moral, a estética e a teoria do conhecimento, para além da metafísica, num capítulo à parte e dividida em geral, sobre a ontologia  e a especial que incluía a cosmologia, a psicologia racional e a teodiceia. 

No que se refere à "moral" definia-se tal como a que" estabelece as normas que devem dirigir a actividade voluntária da prática do bem".

A distinção fundamental entre filosofia e ciência encontrava síntese na afirmação de que "a filosofia é um sistema coordenador e unificador de todas as leis científicas por princípios mais gerais".  "Um sábio nunca é demasiado filósofo" e vice-versa. As ciências contentam-se com o como são as coisas; a filosofia pronuncia-se sobre o que elas valem em relação ao homem e para que deverão servir.

Nas ciências do "espírito" sobreleva o estudo do homem, um estudo portanto antropológico em modo positivo ou normativo, neste caso se incluindo o estudo da moral que tem como ideal o bem.

Atenta a especial dificuldade no estudo do homem e particularmente em virtude da natureza específica dos fenómenos do espírito, as conclusões e certezas são sempre relativas e apenas morais ou psicológicas, o que é tanto mais verdadeiro no que se refere ao estudo das ciências normativas, em que se inclui a moral. O método de tal ciência é espinhoso para se atingir a verdade ou o bem, como ideal.

Para se centrar o problema do conhecimento, uma das divisões importantes da Filosofia, há a "teoria do conhecimento" que equaciona a possibilidade de se obter tal saber na sua origem, natureza ou essência bem como o respectivo valor, limites e ainda o problema da verdade como objecto de tal estudo. 

O resultado seria uma representação de alguma coisa distinta do sujeito que conhece. A teoria do conhecimento é por isso a gnoseologia que aquele filósofo de Koenisgberg entendia como sendo o problema fulcral da Filosofia porque será a base da metafísica e da moral, fundada aliás na metafísica, ou seja, na existência de certos princípios transcendentes.

Era assim que se ensinava nesse tempo e por isso resumo o estudo ao que interessa: "a moral de Kant não é a mesma da religião cristã"- foi uma asserção que me ocorreu. 

Será verdadeira tal afirmação, segundo a teoria do conhecimento? 

O que é que Kant diz a propósito da origem do conhecimento? Segundo o manual diz que o conhecimento se reduz ao juízo e estes podem ser analíticos ou sintéticos e nestes há os "a priori" e os "a posteriori" de acordo com a sua obtenção pela razão ou pela experiência.  E portanto a ciência só se torna possível através de juízos sintéticos a priori que são universais e necessários.

O conhecimento será a síntese de um elemento a priori, subjectivo, universal e necessário- a forma- criada pela sensibilidade e entendimento e de um elemento a posteriori, singular e contingente- a matéria- que deriva da experiência. O conhecimento é a aplicação dos elementos a priori aos que a experiência forneceu. 

Kant estudou por isso os elementos a priori- sensibilidade, entendimento e razão. No que se refere à razão, como todo o conhecimento é uma construção do espírito, no qual o objecto  conhecido é construído pelo sujeito mediante a junção dos dados a priori aos da experiência, o conhecimento só atinge as nossas modificações subjectivas e não alcança a realidade. Essa realidade a que chama nómenos não é apreendida uma vez que apenas se alcança a aparência da mesma, ou seja o que chama fenómenos. O que conhecemos é uma realidade criada pelo sujeito conhecedor e não necessariamente a realidade objectiva. 

Ora como a metafísica tem como objecto o estudo da essência da realidade, ela é inacessível, segundo a razão teórica.

Diz o livro que na razão prática Kant admite-a como postulado da moral. 

E que diz kant sobre a natureza do conhecimento? Sendo também um idealista( reduz a realidade ao pensamento) diz que só podemos atingir os fenómenos através do nosso conhecimento e não os nómenos e por isso "fora do conhecimento não há nada que possamos opor a este e que lhe corresponda". O conhecimento é uma interpretação subjectiva da realidade que aliás admite existir mas inacessível por essa via. 

E por isso qual o valor e limites do conhecimento para Kant? É tudo relativo...não terá valor absoluto porque o conhecimento sensível através das percepções não atinge a realidade em si e depois porque estas ainda são interpretadas pelas formas subjectivas dos a priori. No entanto, na razão prática irá contradizer-se algo a este respeito. 

E chegamos ao ponto sobre a Ética, ou seja a Moral ou seja ainda a "ciência dos costumes". 

Qual a moral de Kant? Pois diz o Bonifácio que não se baseia nem na metafísica nem na ciência. A moral é autónoma, não tem outro fundamento que ela mesma. "O homem, através da razão prática, cria as suas leis morais que se impõem à vontade como imperativos categóricos, dignos de todo o respeito e por isso de obediência."

Para Kant a lei fundamental do bem e da moralidade é a boa-vontade que consiste em bem querer, em agir de harmonia com os imperativos categóricos. Assim não haverá actos em si mesmo bons ou maus porque dependem intrinsecamente da vontade que é absolutamente autónoma. 

A vontade tem dose tríplice: é princípio, sujeito e objecto da moralidade e é ela que livremente cria o dever e lhe obedece de modo a procurar sempre ser mais recta e mais livre. O ideal moral é esse. 

A moral de Kant é puramente formal pois tem em conta apenas a intenção do acto e não a matéria ou conteúdo do mesmo. O princípio será: "procede em conformidade com a lei" ( daí que os jacobinos confundam ética com lei). E daqui derivam três máximas e uma delas é bem conhecida:

" procede sempre de tal modo que a norma da tua acção se possa transformar em lei universal". 

Em que é que Kant pressupõe a existência de um Deus, nesta acepção? Pois como postulado. Kant admite a sanção metafísica para quem é "imoral" por uma questão de justiça. 

Qual o catch? Só um: kant torna Deus servo do homem que afinal criou a moral pela razão. A metafísica em Kant não é o fundamento da moral mas o contrário: a moral é que fundamenta a metafísica. 

Deus, em Kant, surge como uma exigência do homem para o recompensar ou castigar relativamente a leis que não derivam d´Ele, mas do homem.

Quem diz moral diz "ético",  neste caso.   

E qual é a moral cristã? 

Pois é um pouco mais elaborada e de maior riqueza porque parte do pressuposto que o homem não é apenas razão mas também sensibilidade. A moral cristã faz consistir o bem do homem na satisfação de todas as suas aptidões. É uma moral racional a que se acrescenta a sensibilidade que a auxilia como forma de atingir a felicidade, servindo o interesse geral e desenvolvendo o espírito de fraternidade para com todos. 

A moral cristã adopta as moutras concepções acrescentando-lhe esse plus, o da virtude tendo em atenção que a finalidade do homem é Deus. 

Para tal o homem deve condicionar o procedimento a certas normas absolutas e imutáveis e universais que são as leis morais e o critério para tal é o da finalidade ou bem supremo: é bom para o homem a acção que não o afasta do seu fim. 

É uma moram imanente e transcendente: vai buscar o motivo do bem e do mal a Deus e tal se impõe à nossa vontade. 

A moral cristã é expressão de um imperativo categórico baseado na vontade de Deus e não apenas da razão humana.

E como? Para além da fraternidade aparece a caridade como dever e é uma moral de perfeição, nos desejos e pensamentos. 

Obviamente para quem não acredita em Deus, a moral é a ética. E pode ser a de Kant e até tem sido...

Para mostra e ilustração ficam aqui as páginas sobre a "Moral de Kant" e a "Moral Cristã".






Sobre a "consciência moral":



Páginas de um livro de Iniciação ao Filosofar, de Joel Serrão, da Livraria Sá da Costa, de 1970-74, com uma passagem da Crítica da Razão Pura em que Kant explica o que são as dificuldades em conhecer as coisas...




sábado, março 27, 2021

Retrato de um país pindérico

 Na última página do Público de hoje a crónica de João Miguel Tavares é um retrato de um país pindérico. 


Infelizmente o jornalista, formado em Comunicação Social, não adianta mais nada sobre a origem do fenómeno porque eventualmente nem descortina os motivos da nossa miséria material, já com raízes morais. 

Talvez a razão da pinderiquice actual dos casimiros e berardos, seja esta, já enunciada aqui:

"O CM de hoje [6 de Dezembro de 2019, data do escrito] em que indica as entidades mais ricas do país.  A mais rica é uma família, a do falecido Américo Amorim. A fortuna advém da "Corticeira Amorim" e da "Galp" que nem sequer lhe pertence porque é activo disperso por outros.

A seguir aparece a família do Pingo Doce. Depois, com menos de metade da fortuna, um tal Vítor Ribeiro e família, da área de construção civil.

São estes os ricos que temos e que evidentemente não tem dinheiro para mandar cantar um cego nas grande empresas que foram nacionais e agora são estrangeiras. Quem não entender isto parece-me que não entenderá o país.



Somos pobres e quem nos empobreceu não precisa de apresentações detalhadas porque são sobejamente conhecidos: o PS e a Esquerda em geral, incluindo um certo PSD ( o de Rui Rio...) que decapitaram a indústria nacional há um pouco mais de 40 anos e nunca admitiram a recuperação "capitalista" que nos permitiria a criação de riqueza mais sólida e o aumento destes milionários em vez dos de capoeira que temos.
Foi neste meio que vicejou um BES/GES e fatalmente lhe sofreu os efeitos, desfazendo-se em corrupção e  jogadas de bastidores pouco dignas com angolanos e outros arrivistas de circunstância.
A história da derrocada não tem muitos anos...porque o grupo nem sempre foi aquilo em que se tornou. Em 1989, no início da reconstrução não era assim, embora os germes lá estivessem:


Depois, tudo passou por aqui, por esta casa bem conhecida do actual presidente da República Sábado 20.5.2005):


O recorte destas figuras mostra bem o que fomos e continuamos a ser: pobretanas, desonrados e miseráveis, moralmente. De quem a culpa disto? Dos mesmos que enunciei acima e de quem neles votou, o povo que lhes deu maiorias eleitorais para fazerem isto que está à vista e destruiu a esperança que um país legitimamente deve ter.

Só falta aqui um que aliás já nem aparece no elenco dos actuais ricos: Belmiro de Azevedo e família, com destaque para a finória que dirige o investimento no Público, jornal de suporte desta cangalhada ideológica.
Esse ficou fora da jogada que os quatro à direita, na foto, prepararam. Com ajuda de poderes instalados e propícios.




Tudo isto começou em 1975, com um ataque feroz "aos milionários". Com um governo de esquerda, de pendor comunista e que não mudou o regime porque não conseguiu. Em 25 de Novembro de 1975 foi impedido, mas tentou.
Eram estes os líderes, segundo o livro  "O ataque aos milionários", de  Pedro Jorge Castro:




Esta imagem, do mesmo livro mostra os demais protagonistas. Os de cima, à esquerda são dois socialistas de gema democrática, antifassista que se aliaram naturalmente àqueles. O primeiro, já falecido era o "decano" dos economistas do PS, um dos pais das bancarrotas a que tivemos direito por obra e graça daqueles. O outro logo a seguir é um advogado de sucesso na actualidade, daqueles que asseguraram o futuro e mandam nas leis e interpretações adjacentes, como os sérvulos e demais gente da advocacia de certos negócios em que o Estado está quase sempre presente.

Abaixo, Champalimaud, então a "sétima fortuna da Europa" e que tendo sido espoliado, reconstruiu a fortuna, veio para cá e deixou uma fundação que é o que a de um certo Mário Soares nunca poderia ser...mas que não deixa de ser o paradigma do socialismo: viver com o dinheiro alheio, enquanto dura.



O "ataque" em prol do empobrecimento geral do país, motivado pela Esquerda e com a ideia de enroquecimento que lhe é característica consistiu nisto, com fonte insuspeita ( os trostskistas que escreveram o livro, com destaque para fra Louçã, o filho do comandante acagaçado num barco de guerra, ao largo do Terreiro do Paço, em 1974...):



A verdadeira origem da nossa miséria actual está aqui explicada e espelhada. Haja quem desminta.

O que deu este "ataque aos milionários"? Simples, deu nisto, noticiado dez anos depois:

O grandes gestores nacionalizados, nossos, deram com os burros na água e provocaram duas bancarrotas, com reflexo mais tarde na terceira. Foram bancarrotas porque obrigaram o país a recorrer e empréstimos externos muito gravosos que empobreceram todos os portugueses e conduziram a que os actuais ricos sejam aqueles acima identificados. Não há outras razões para tal, por muito que se esforcem os autores daquelas façanhas por desmentirem os factos ou aldrabarem as razões.




Ao falhanço rotundo na modernização económica chamaram-lhe "elefantes brancos"...dez anos depois do 25 de Abril de 1974, como se nada tivessem a ver com o assunto:


Um dos fautores ideológicos desta tragédia colectiva é um indivíduo, do PS que passa por sábio e é, a par de um tal Vítor Constâncio,  uma das maiores misérias intelectuais que há no país, por uma razão: faz tudo por bem e só provoca males maiores:


E porque é que o PSD é co-responsável desta miséria nacional? Por isto, sucintamente, aqui num artigo do Expresso de 1989:



Poderia ter sido de outro modo? Claro que podia! Até havia quem o dissesse, sempre, sem tergivesações. O problema é que a pessoa não era de esquerda, não estava enfeudada aos interesses entretanto instalados e foi sempre ignorado. Este aviso, no Semanário então também dirigido pelo actual presidente da República, é de 1.3.1986, antes das eleições presidenciais que deram a vitória ao
 (a)fundador Mário Soares:



O que ficou de tal "ataque" de repercussões históricas? Já foi escrito, pelo jornal do regime instalado, logo em 1989, altura em que ainda haveria algum remédio possível:




Mas não foi possível, porque os interesses instalados dos tais gestores nomeados pela Esquerda conluiada, conduziu a um impasse que durou décadas e destruiu quase tudo à nascença e por mediocridade garantida à Esquerda:


Um antigo marcelista,  vinte anos depois do 25 de Abril e reconvertido às delícias dessa gestão,   explicava no Público, dirigido então por outrém que não a cambada que lá está agora, o que acontecera:



E quem foram os herdeiros desta miséria forjada pela Esquerda que temos? Naturalmente, indivíduos de esquerda...pudera!  É comparar...olhando o grupo de pindéricos que surgiu por causa disto tudo:




Para além disso que não é pouco e significa a tragédia shakespereana do nosso país que "deu novos mundos ao mundo", ainda houve mais esta, de significado ainda mais retumbante e duradouro. Aliás e possivelmente a maior tragédia de todas e que ainda perdura e continua, com esta Esquerda miserável:


Tudo isto tem sido apresentado neste blog ao longo dos anos, no sentido da compreensão destes fenómenos.

Aliás, para compreender uma boa parte disto bastaria ler estes livrinhos relativamente recentes:




Finalmente é minha convicção que a direita portuguesa, se existe, não irá a lado algum politicamente relevante enquanto não desfizer os mitos da sociedade portuguesa, inventados por essa Esquerda, nomeadamente os que dizem respeito a estes assuntos.

Enquanto não se denunciar claramente e com argumentos relevantes e aceites pela maioria de quem vota, esta tragédia nacional que aconteceu e quem foram os seus autores, a direita ficará sempre pela miséria de votação que tem.

ADITAMENTO em 7.12.2019:

O Sol de hoje traz um artigo sobre o que sucedeu com algumas empresas do grupo GES/BES, nomeadamente as seguradoras. Na altura da "resolução" apareceu a liderar o processo um tal Vítor Bento que então aparecia muitas vezes na tv a perorar sobre economia e assuntos paralelos. Tornou-se uma star, cuja careca ficou bem à vista depois disto:



Isto faz lembrar o que aconteceu com aqueles "elefantes brancos" de há trinta anos e que engordaram nos dez anos anteriores até se tornarem insuportáveis na espelunca em que Portugal se tornou, por mor dos "gestores" que tivemos. Um deles que lembra este era um tal Sousa Gomes, muito versado em política e que acabou a acaparar o padrinho destas bancarrotas todas, Mário Soares.

Enfim, uma desgraça, uma tragédia que se repete quando se deveria ter aprendido melhor.

Apelo à sensatez...

 Observador, Alberto Gonçalves e o óbvio ululante:



sexta-feira, março 26, 2021

Um exemplo de actuação policial em conformidade com a lei...

Vem aqui

 




Na mostra do auto consta que o "infractor" cometeu a contra-ordenação por "estar a consumir produtos ( gomas) à porta do estabelecimento de vending."


Como norma infringida consta "Alínea K Artigo 2º nº 3 Decreto-lei nº 28-B de 2020-6-26, na sua actual redacção". 

Qual é este artigo e qual a sua actual redacção? Ver aqui:




Como se pode ler ainda não tinha alínea K nem sequer nº 2, tal artigo. Quanto é que foi introduzida a actual redacção? 
 Pode ler-se aqui que já houve cinco  alterações, até agora.  

A última alteração ao diploma é esta, de 14 de janeiro de 2021, através do D.L. 3-B/2021, de 19 de Janeiro. 
Na tal alínea K aparece o artigo incriminatório: a observância do dever de proibição de consumo de produtos, tais como....gomas! Voilà!


Que dizer disto?! É legal? Está lá, na lei. É assim que deve ser? Enfim, cada um pode fazer o juízo que entender sobre a racionalidade da lei. 
Mas...é assim que a polícia, no caso a GNR deve actuar? Pois...é esse o problema. 
No caso das procuradoras do MºPº que mandaram vigiar os jornalistas parece que também não houve ilegalidades, mas...parece agora consensual que afinal nem tudo o que reluz como lei é "observável" como tal.
É esse o problema do jacobinismo. Sempre foi, neste aspecto.  

O caso do juiz divergente do conformismo vigente

Público de hoje:


 CM de hoje:


Segundo o Expresso, o eixo do mal deste juiz é este, seguido aliás na argumentação do juiz inspector que propôs a suspensão de funções e instauração de processo disciplinar ao juiz em causa: 


O "negacionismo" enquanto conceito para definir esta atitude é uma violência verbal destinada a pôr na linha quem se atreva a emitir opinião contrária à da ortodoxia vigente, aquela que faz as leis, a do establishment, a do "sistema". 

É um reflexo exactamente simétrico do que se passa no domínio da novilíngua dos extremistas de esquerda que procuram impor os conceitos que defendem aos demais, sem contestação possível ou mesmo discussão. Aceitam como dogma o que nunca poderá ser e impõem aos outros o que entendem como tal, penalizando divergências e criminalizando condutas desviantes. 

Foi sempre assim, em todos os lados que o totalitarismo vicejou como método de governo e domínio das gentes. No caso da URSS chegou-se ao paroxismo de julgar como doentes mentais quem se atrevesse a divergir do regime ou criticasse o sistema, o establishment, internando-os coerentemente em hospitais psiquiátricos. Na China a Revolução Cultural não fez menos que isso; dizimou aos milhares de milhares os divergentes irrecuperáveis para o sistema. 

A democracia até agora suportava divergências deste calibre bem como teorias mirabolantes de conspiração sem ligar demasiada importância a tais desvios de entendimento corrente e de sensatez. Com a criminalização da atitude ( só isto basta) de negação da chamada Shoa e o Holocausto foi dado o passo em frente que era necessário e agora chega-se a isto: quem discorda das medidas de controlo sanitário proclamadas em modo de lei, mesmo celerada ( como aliás já alguns tribunais o decidiram...) é apodado exactamente como o negacionista dos holocaustos e com a mesma violência semântica. 

O Expresso de hoje até cita um infiltrado qualquer da PJ, certamente um alto quadro, para dizer que andam muito atentos ao que este juiz anda a fazer e dizer nas "redes sociais" e que se "pisar o risco"  já o têm em mira. Imagine-se! 

Vejam ao que isto chegou: uma PJ que colabora activamente no pasquim do sensacionalismo mais obsceno, o CM;  que lhe dá material para primeiras páginas de fait-divers sensacionais e apenas para venda e aumento de tiragens, tem ex-agentes seus na reforma a comentar diariamente na CMTV casos do dia e fait-divers, anda vigiar o juiz divergente por ser um perigo público para a justiça e imagem politicamente correcta. Não vejo outro modo de o dizer...

É só isto no caso concreto o que importa, para além de outro aspecto que merece relevo e atenção no caso do juiz:

Enquanto magistrado em funções, este juiz tem que respeitar as leis, mesmo que não concorde com elas. Respeitar significa aplicá-las ou se o não fizer justificar juridicamente a razão pelas quais o não faz.

E se tal justificação for manifestamente escandalosa e ilegal, há mecanismos para isso: recursos e intervenção do CSM com muito cuidado e precaução para não pôr em maior risco precisamente a imagem da Justiça.  

Vendo o video que o mesmo publicou há pouco, parece-me que houve justificação legalmente sustentada para o facto mediaticamente explorado como sensacional...e não me parece que haja escândalo que justifique intervenção rápida do CSM. Nem sequer a alusão que me parece errada ao dizer que a lei sobre a crise sanitária que é obviamente especial não se impõe à lei do processo penal que é lei geral. E isso é básico...

O CSM não deve interferir nunca no seio do poder judicial enquanto tal, mas apenas na manifestação espúria de tal poder, se houver infracções disciplinares reais e não apenas as que se suscitam nos media conformistas. 

O CSM não deve deixar passar a ideia de que vai perseguir disciplinarmente um juiz apenas por este emitir opinião contrária à vigente em matéria de controlo à actual crise sanitária. 

A opinião do juiz deve ser livre, nesse sentido, mesmo que possa ser disparatada ou errada. Desde que aplique a lei, mesmo não concordando com ela, o resto, ou seja a discussão das suas ideias, erradas ou não deve ficar noutros fora e não no seio do CSM.

Quanto à imagem da Justiça, uma justificação já usada contra o juiz Carlos Alexandre para lhe instaurar procedimento de inquérito disciplinar: 

A "imagem da Justiça" é coisa indefinida legalmente e por isso propícia ao arbítrio de quem a determina e define como tal. 

E quanto a imagens da justiça há muitas. Por exemplo, o que o juiz Ivo Rosa tem feito sistematicamente, tendo sido desautorizado sistematicamente em recursos, aponta-o como  fautor sistemático de descrédito da Justiça; tem sido um dos principais juízes que colocam em risco permanente a imagem da justiça.

 Ivo Rosa alguma vez  foi perseguido disciplinarmente por este motivo? A única vez em que tal poderia ter sucedido, foi malbaratada por uma decisão precipitada de um juiz da Relação e é pena. Mas tal não impediria o mesmíssimo CSM de instaurar tal procedimento. 

Só que mediaticamente o fruto ainda não amadureceu e o "eixo do mal" do jornalismo conformista dos expressos e públicos ainda não deu o mote. Assim que der, o CSM actua rápida e eficazmente, como aliás aconteceu no caso da entrevista do juiz Carlos Alexandre à SIC. 

Não é assim?!

ADITAMENTO: 

Tendo em conta o alarido já em curso, com previsíveis incursões nos gatos fedorentos todos do mediatismo ambiente, parece-me sensato que o CSM decidisse, AGORA, a suspensão de funções do juiz, ao contrário do que já escrevi. 

Por uma razão: a fogueira já foi ateada, aliás pelo próprio CSM que lhe deu o espavento que o mesmo não merecia e agora e vai alastrar porque o tempo é propício.  E não é bom ter um juiz em funções com este protagonismo mediático à la Neto de Moura. 

Isto é outro sinal dos tempos...



quinta-feira, março 25, 2021

O juiz não inclusivé e o jornalismo de pacotilha conformista

 No Sapo24 escreve-se assim para qualificar uma pessoa, no caso um juiz de direito,  que contesta as regras estabelecidas pelo governo ( que tem uma directora-geral e uma ministra que têm feito as figuras que têm feito...) para lidar com a crise sanitária em curso. 

O referido juiz que não concorda com algumas dessas medidas é apodado pela MadreMedia Lusa de "negacionista", termo infamante como só podem ser os que se destinam a excluir os que não pensam segundo a doxa corrente. 

O indivídu@ que escreveu tal ápodo saberá o alcance do termo e o significado pleno do mesmo? Certamente, apesar da proverbial ignorância jornalística. Então...


O Expresso seguiu na mesma esteira, ou não fosse o Expresso a expressão mais aprimorada do status quo e a negação do jornalismo tal como deveria ser. A linguagem é tudo e o termo já está preparado para outros por estes jornalistas de pacotilha conformista ( aí têm outro termo mais adequado):



No Observador, apesar dos esforços de alguns, ainda nãos e chegou a tal estádio de desenvolvimento da novilíngua inclusivé e ficam pelo mais singelo "anti-máscara" assim como quem diz que o dito pode ser uma aberração do Entroncamento. 






Um ou dois comentários sobre o assunto de fundo, deixando de fora o juízo sobre o comportamento do juiz em causa que me parece apenas insensato. Porém, se fôssemos elencar todos os nomes de juízes insensatos que por aí andam, enfim, não sei mais que dizer... 

O juiz em causa, numa sala de audiência e ontem, durante um julgamento, parece que pretendeu impor a sua visão particular sobre os usos e costumes e mais a interpretação da lei que impõe a utilização de máscara. 

Como um dos intervenientes, no caso um procurador do MºPº,  não acatou a ordem judicial, por a entender abusiva e ilegal, o juiz suspendeu a diligência. Justificou o seu entendimento e não houve alarme social, excepto no jornalismo de pacotilha conformista. 

Talvez por causa disso, alarmado com as notícias deste jornalismo,  o CSM reuniu de emergência em zoom ou coisa que o valha, em tempo record, não fosse o juiz fazer mais alguma e suspendeu-o a ele já que lhe pertence esse poder disciplinar que arrima os magistrados e se destina a pôr na linha os recalcitrantes.   

A celeridade da decisão, necessariamente ponderada em cima do joelho, sobre um assunto de fait-divers e que apenas é empolado pelo jornalismo de pacotilha conformista, confirma os piores receios de este órgão administrativo da magistratura andar a a reboque de emergências deste calibre e usar o poder disciplinar deste modo que se vê. 

Não obstante, para todos os efeitos a decisão parece-me algo perigosa na medida em que o recado que se deixa é que os juízes não são órgãos de soberania, independentes e têm de obedecer sempre a um órgão administrativo como o CSM relativamente a questões polémicas e que aliás está prontinho a actuar sempre que surja uma questão similar, agitada pelo jornalismo de pacotilha. Sinais dos tempos...  

Quanto à pressinha da Ordem dos Advogados em questionar a legitimidade de alguém, mormente um juiz, publicar minutas e normas de requerimentos para determinados efeitos jurídicos, só anoto que em coerência e conformidade deverão actuar nos casos em que se publicam, também em letra de forma, nos manuais à venda, idênticos formulários destinados a outros efeitos. Por exemplo em insolvências...

Enfim, o que isto denota não é apenas o respeito pela lei ou a atenção a comportamentos bizarros mas apenas reflecte um ambiente geral de pogrom a quem não pensa pela "caixa" e ousa destoar de um qualquer conformismo vigente de ortodoxia rígida e sem alternativas. Mais sinais dos tempos...e muito mau sintoma. 

Em França o problema é mais vasto e tem raiz que vai sendo denunciada. Por exemplo nas últimas edições das revistas Valeurs Actuelles e Marianne desta semana:





Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso