Observador nº 41 de 26 de Novembro de 1971: uma reportagem alargada sobre Angola, a nossa principal província ultramarina, com um panorama geral do que era então essa terra com 14 vezes e meia a área de Portugal continental.
Perguntado ao coronel Rebocho Vaz, antigo governador do Uíge e já Governador Geral, qual o domínio mais acentuado no progresso em Angola, respondeu assim:
" O progresso mais espectacular está-se a fazer no domínio da educação. Cerca de quinhentos mil alunos "enchem" literalmente as escolas- desde as pré-primárias à Universidade".
segunda-feira, março 23, 2015
O Congresso dos antigos combatentes em Junho de 1973
Nos primeiros dias de Junho de 1973 reuniram-se no Porto milhares de antigos combatentes das Forças Armadas portuguesas para debaterem assuntos de interesse comum. Só de Angola vieram 400, num universo de cerca de um milhão de antigos combatentes das guerras no Ultramar português, desde 1961 até essa data.
Que interesses eram os desses antigos combatentes, veteranos como se dizia na América? Um dos que foi liminarmente afastado foi o das reivinidações corporativas...
Então o que restou para debater? É ler o Observador de 22 de Junho desse ano.
Que interesses eram os desses antigos combatentes, veteranos como se dizia na América? Um dos que foi liminarmente afastado foi o das reivinidações corporativas...
Então o que restou para debater? É ler o Observador de 22 de Junho desse ano.
domingo, março 22, 2015
Rodésia de Ian Smith: alguém se lembra?
Em 1973 a revista Observador acompanhava de perto a experiência da Rodésia, um país que fora colonizado pelo Império Britânico, desde os finais do séc. XIX e desde os anos vinte do séc. XX era formalmente autonomo desse Império.
Aliás, desde o começo que o país era uma concessão a uma companhia comercial-British South Africa Company- que o desenvolveu, extraindo-lhe os minérios. Colonialismo puro e duro.
Durante quarenta anos o país manteve-se ligado à Inglaterra, tal como os territórios que constituíam a Zâmbia e o Malawi.
Em 1963, o governo de Londres concedeu a essas regiões o direito a serem independentes e em 1965 tal veio a tornar-se realidade. Em 1970 passou a República, com problemas políticos acrescidos por causa de sanções internacionais impostas pelas Nações Unidas.
E quem é que mandava na Rodésia nos anos sessenta e setenta? Ian Smith, um branco.
Portanto, temos aqui um belo exemplo do que poderiam ter sido os desenvolvimentos ulteriores da política ultramarina, caso não tivesse ocorrido o golpe militar do 25 de Abril e a guerra no Ultramar tivesse continuado até se conseguir uma transição de poder naquelas províncias.
Supostamente seria isso que poderia acontecer uma vez que "os ventos da História" sopravam implacáveis contra o "colonialismo". Porém, nós quisemos ser originais, não nos considerávamos colonos e achávamos que os territórios eram uma extensão natural do país, porque até eram províncias. E eram. Contudo, os ventos da História teimavam em soprar e lembrar que havia outro género de populações locais, nativas, com outra cor, costumes e meio ambiente, cercadas de terras por todos os lados com idênticas características que não eram as nossas de cá. Esses ventos sopraram nessa altura porque houve quem os criasse artificialmente e não havia meio de os combater porque eram simples ideias.
Os britânicos, porém, desviaram os ventos logo no início dos anos sessenta, quando começou a guerra nas nossas antigas províncias. Nós, isolados, continuamos a comportarmo-nos colectivamente como se nada fosse acontecer, mesmo que à volta tudo tivesse acontecido já e viria a acontecer no futuro, mesmo na África do Sul.
O neo-colonialismo britânico foi muito bem disfarçado e deu no que deu: guerrilha nos anos setenta, para apear Smith e colocar os pretos no poder porque eram a maioria esmagadora da população.
A Rodésia desde 1980 que se tornou um estado verdadeiramemte independente desse sistema e mudou de nome: em vez da alusão a Cecil Rhodes passou a ser Zimbabue.
Quem julga que Angola e Moçambique poderiam continuar portuguesas para sempre, pode pôr aqui os olhos...e desiludir-se: os brancos eram cerca de 5% da população...e nunca se ganha uma guerra de guerrilhas. Por isso a guerra estava ganha e perdida ao mesmo tempo. Um paradoxo quântico.
Uma vez que a solução rodesiana de então dava lugar a ilusões, a revista Observador nº 22 de 16 de Julho de 1971 e a nº 89 de 27 de Outubro de 1972 relatava o que lá se passava e que prenunciava o que nos poderia acontecer e só não sucedeu porque uns tantos traidores do MFA e do esquerdismo comunista e socialista então vigente em Portugal, entregaram de mão beijada os territórios ultramarinos aos "movimentos de libertação".
Porém , a alternativa histórica poderia bem ser esta...

E por causa daqueles ventos e com estas experiências à volta, o que é que fizemos então? Isto, por exemplo, e que nos conta a mesma Observador de 28 Janeiro de 1972:
Aliás, desde o começo que o país era uma concessão a uma companhia comercial-British South Africa Company- que o desenvolveu, extraindo-lhe os minérios. Colonialismo puro e duro.
Durante quarenta anos o país manteve-se ligado à Inglaterra, tal como os territórios que constituíam a Zâmbia e o Malawi.
Em 1963, o governo de Londres concedeu a essas regiões o direito a serem independentes e em 1965 tal veio a tornar-se realidade. Em 1970 passou a República, com problemas políticos acrescidos por causa de sanções internacionais impostas pelas Nações Unidas.
E quem é que mandava na Rodésia nos anos sessenta e setenta? Ian Smith, um branco.
Portanto, temos aqui um belo exemplo do que poderiam ter sido os desenvolvimentos ulteriores da política ultramarina, caso não tivesse ocorrido o golpe militar do 25 de Abril e a guerra no Ultramar tivesse continuado até se conseguir uma transição de poder naquelas províncias.
Supostamente seria isso que poderia acontecer uma vez que "os ventos da História" sopravam implacáveis contra o "colonialismo". Porém, nós quisemos ser originais, não nos considerávamos colonos e achávamos que os territórios eram uma extensão natural do país, porque até eram províncias. E eram. Contudo, os ventos da História teimavam em soprar e lembrar que havia outro género de populações locais, nativas, com outra cor, costumes e meio ambiente, cercadas de terras por todos os lados com idênticas características que não eram as nossas de cá. Esses ventos sopraram nessa altura porque houve quem os criasse artificialmente e não havia meio de os combater porque eram simples ideias.
Os britânicos, porém, desviaram os ventos logo no início dos anos sessenta, quando começou a guerra nas nossas antigas províncias. Nós, isolados, continuamos a comportarmo-nos colectivamente como se nada fosse acontecer, mesmo que à volta tudo tivesse acontecido já e viria a acontecer no futuro, mesmo na África do Sul.
O neo-colonialismo britânico foi muito bem disfarçado e deu no que deu: guerrilha nos anos setenta, para apear Smith e colocar os pretos no poder porque eram a maioria esmagadora da população.
A Rodésia desde 1980 que se tornou um estado verdadeiramemte independente desse sistema e mudou de nome: em vez da alusão a Cecil Rhodes passou a ser Zimbabue.
Quem julga que Angola e Moçambique poderiam continuar portuguesas para sempre, pode pôr aqui os olhos...e desiludir-se: os brancos eram cerca de 5% da população...e nunca se ganha uma guerra de guerrilhas. Por isso a guerra estava ganha e perdida ao mesmo tempo. Um paradoxo quântico.
Uma vez que a solução rodesiana de então dava lugar a ilusões, a revista Observador nº 22 de 16 de Julho de 1971 e a nº 89 de 27 de Outubro de 1972 relatava o que lá se passava e que prenunciava o que nos poderia acontecer e só não sucedeu porque uns tantos traidores do MFA e do esquerdismo comunista e socialista então vigente em Portugal, entregaram de mão beijada os territórios ultramarinos aos "movimentos de libertação".
Porém , a alternativa histórica poderia bem ser esta...
PCP e a esquerda comunista: a ignorância persistente e a condescendência permanente
Vasco Pulido Valente anda em maré de balanços e acaba de confessar no Público de hoje que se fixou nos últimos 50 anos em leituras sobre as duas grandes polémicas do tempo: " a natureza do comunismo soviético e as pretensões científicas do marxismo". Conclui que tais assuntos, afinal, têm pouco interesse e são até claros.
Porém, adianta uma explicação para o facto de em Portugal, ao contrário de outros países, tais assuntos merecerem durante as últimas décadas a devoção de uns tantos intelectuais e a manutenção de um respeito intelectual por quem afinal nunca o mereceu: os comunistas e particularmente os portugueses.
Essa explicação residirá na circunstância de a Censura do Estado Novo não ter permitido que se desmontassem os mitos e lendas que o comunismo propagandeava e que na Europa só enganou alguns durante algum tempo. Por cá enganou muitos durante muito tempo, até hoje.
De facto pode ter sido esse o maior erro do Estado Novo e do que se lhe seguiu, com Marcello Caetano. A Censura do comunismo, levada ao extremo, terá produzido um efeito apelativo e fanático que de outro modo se desfaria em pó ideológico como sucedeu na maioria dos países europeus.
O logro comunista ainmda hoje se produz com os mesmíssimos truques de linguagem e as mesmíssimas tácticas de ajustamento ao tempo do momento, analisando sempre as " condições objectivas e subjectivas" para a acção.
O PCP e a extrema esquerda comunista, ainda assim permanecem um mistério na sua evolução em Portugal. Se no tempo de Salazar e Caetano não havia propaganda livre do comunismo nem a sua crítica acerba fora dos circuitos do discurso oficial, nestes últimos 40 anos não só tal propaganda se libertou como a crítica ao comunismo se tornou igualmente livre. Ainda mais: a queda do muro de Berlim e a desfeita do comunismo no Leste europeu deveriam constituir antídotos mais que suficientes para que o comunismo não se mantivesse como doutrina ideológica aceitável e desaparecesse de vez em Portugal, como por exemplo na Hungria.
E tal não sucedeu, a meu ver por idênticos motivos aos que havia no Estado Novo: os media nacionais não veiculam com o ênfase que outros países o fazem, as contradições de uma doutrina essencialmente maléfica para a Humanidade e condescendem com o partido que a defende como defendia à 40, 50, 60 ou mais anos, sem mudar uma vírgula no discurso essencial e apenas se adaptando às "condições subjectivas e objectivas".
É este mistério na sociedade portuguesa que provavelmente ajuda a compreender em parte a grande questão que por aqui coloco: como foi possível após o 25 de Abril uma mudança tão rápida na mentalidade portuguesa relativamente ao então seu passado recente?
Uma resposta possível e plausível deu-a agora VPV: ignorância persistente e condescendência permanente.
Só assim se compreende que um jornal como o Expresso, antes do 25 de Abril, um órgão dos "liberais" do regime anterior, tenha publicado durante o prec de há quarenta anos, coisas como esta que denotam que "Portugal era uma ilha de iletrados em que se admirava o PC e se persistia em venerar Sartre".
Um desses "iletrados" militantes só pode ser o comentador televisivo do Domingo na TVI, então no Expresso..
Porém, adianta uma explicação para o facto de em Portugal, ao contrário de outros países, tais assuntos merecerem durante as últimas décadas a devoção de uns tantos intelectuais e a manutenção de um respeito intelectual por quem afinal nunca o mereceu: os comunistas e particularmente os portugueses.
Essa explicação residirá na circunstância de a Censura do Estado Novo não ter permitido que se desmontassem os mitos e lendas que o comunismo propagandeava e que na Europa só enganou alguns durante algum tempo. Por cá enganou muitos durante muito tempo, até hoje.
De facto pode ter sido esse o maior erro do Estado Novo e do que se lhe seguiu, com Marcello Caetano. A Censura do comunismo, levada ao extremo, terá produzido um efeito apelativo e fanático que de outro modo se desfaria em pó ideológico como sucedeu na maioria dos países europeus.
O logro comunista ainmda hoje se produz com os mesmíssimos truques de linguagem e as mesmíssimas tácticas de ajustamento ao tempo do momento, analisando sempre as " condições objectivas e subjectivas" para a acção.
O PCP e a extrema esquerda comunista, ainda assim permanecem um mistério na sua evolução em Portugal. Se no tempo de Salazar e Caetano não havia propaganda livre do comunismo nem a sua crítica acerba fora dos circuitos do discurso oficial, nestes últimos 40 anos não só tal propaganda se libertou como a crítica ao comunismo se tornou igualmente livre. Ainda mais: a queda do muro de Berlim e a desfeita do comunismo no Leste europeu deveriam constituir antídotos mais que suficientes para que o comunismo não se mantivesse como doutrina ideológica aceitável e desaparecesse de vez em Portugal, como por exemplo na Hungria.
E tal não sucedeu, a meu ver por idênticos motivos aos que havia no Estado Novo: os media nacionais não veiculam com o ênfase que outros países o fazem, as contradições de uma doutrina essencialmente maléfica para a Humanidade e condescendem com o partido que a defende como defendia à 40, 50, 60 ou mais anos, sem mudar uma vírgula no discurso essencial e apenas se adaptando às "condições subjectivas e objectivas".
É este mistério na sociedade portuguesa que provavelmente ajuda a compreender em parte a grande questão que por aqui coloco: como foi possível após o 25 de Abril uma mudança tão rápida na mentalidade portuguesa relativamente ao então seu passado recente?
Uma resposta possível e plausível deu-a agora VPV: ignorância persistente e condescendência permanente.
Só assim se compreende que um jornal como o Expresso, antes do 25 de Abril, um órgão dos "liberais" do regime anterior, tenha publicado durante o prec de há quarenta anos, coisas como esta que denotam que "Portugal era uma ilha de iletrados em que se admirava o PC e se persistia em venerar Sartre".
Um desses "iletrados" militantes só pode ser o comentador televisivo do Domingo na TVI, então no Expresso..
sábado, março 21, 2015
Guerra no Ultramar: caçadores milicianos com comandos de fuzileiros
No início de 1961 desencadeou-se em Angola um surto de ataques terroristas que em poucas semanas dizimaram milhares de pessoas.Em Março desse ano, no norte de Angola, ocorreram massacres de populações civis e há quem conte cerca de 800 brancos e 6000 pretos. Começou assim a guerra do Ultramar que durou 13 anos.
Na altura havia cerca de 5000 militares africanos e 1500 europeus a defender Angola, ainda por cima sem grande equipamento ou instrução militar.
Por isso Salazar resolveu enviar para a "guerra do Ultramar" militares do Continente, "rapidamente e em força".
Em 1963 começaram as operações militares na Guiné e no ano seguinte em Moçambique.
Estes apontamentos foram retirados de uns fascículos editados pelo Diário de Notícias quase há uma vintena de anos, intitulados "Guerra Colonial", uma designação adoptada pelos seus autores, Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes, militar esquerdista do MFA cuja figura se pode ver noutro postal em baixo, na imagem da Vida Mundial de 16 de Janeiro de 1975.
As imagens que seguem são tiradas desses fascículos.
A guerra do Ultramar foi essencialmente uma guerra de guerrilha e por isso terão sido os ensinamentos obtidos através de experiências de outros exércitos, como o francês no norte de África e Indochina e ainda da Inglaterra que formaram os militares portugueses. Segundo esses autores, a técnica guerreira do terrorismo de "libertação" baseava-se nos ensinamentos maoistas, fundados no livro de Sun Tzu, A Arte da Guerra.
Seja como for, o nosso exército de "operações contra bandos armados e guerrilhas", teve uma grande componente de grupos especiais do exército, marinha e aviação e congregou dezenas e dezenas de milhar de militares recrutados entre os jovens da época e cujos oficiais eram também em grande parte milicianos, vindos de fora da carreira militar.
Os "protagonistas" da guerra do Ultramar segundo os autores são estes:
Porém, os militares da contra-guerrilha que nela deram o corpo ao manifesto, ou seja, os heróis, são estes, fundamentalmente:
Os Caçadores.
Os caçadores Pára-quedistas " que nunca por vencidos se conheçam".
Os Comandos, "audaces fortuna juvat".
E os Fuzileiros, "gente mais ousada".
Foram estes os heróis que fizeram a guerra no Ultramar durante mais de dez anos, até ao Verão de 1974, altura em que começou o PREC em Portugal, com os esquerdistas comunistas aliados dos que nos combatiam, na guerrilha.
Em finais de 1973 como é que Portugal se encontrava como Nação? O Observador de 28 de Setembro de 1973 fazia assim uma espécie de balanço:
Apoio popular maciço ao Governo de Marcello Caetano, indicutível mesmo que a manifestação tenha sido animada por caciques de localidades que tivessem "arrebanhado" muitas pessoas. Porém, nunca como as que se podem ver...
E principalmente uma situação económica que era descrita assim:
"As finanças do Estado continuam sãs: a gestão orçamental prossegue equilibrada, a dívida pública está muito aquém das possibilidades do País e não chega sequer em cada ano a cobrir as despesas extraordinárias reprodutivas. a tesouraria é abastada, continuamos a ter uma das mais sólidas moedas e o banco emissor protege o valor do escudo com reservas de primeira ordem".
Quanto é que nos últimos 40 anos tivemos uma situação em que qualquer governante pudesse afirmar, nem digo o mesmo, mas parte disso? Com Mário Soares, foram duas bancarrotas iminentes em menos de dez anos. A terceira estouraria em 2011 não fora a intervenção salvífica, mais uma vez, da ajuda internacional que nesse tempo não tínhamos de todo.
Tudo isto foi deitado a perder nos dois anos que se seguiram, pela esquerda comunista e socialista. E isto não é uma opinião. São factos.
Na altura havia cerca de 5000 militares africanos e 1500 europeus a defender Angola, ainda por cima sem grande equipamento ou instrução militar.
Por isso Salazar resolveu enviar para a "guerra do Ultramar" militares do Continente, "rapidamente e em força".
Em 1963 começaram as operações militares na Guiné e no ano seguinte em Moçambique.
Estes apontamentos foram retirados de uns fascículos editados pelo Diário de Notícias quase há uma vintena de anos, intitulados "Guerra Colonial", uma designação adoptada pelos seus autores, Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes, militar esquerdista do MFA cuja figura se pode ver noutro postal em baixo, na imagem da Vida Mundial de 16 de Janeiro de 1975.
As imagens que seguem são tiradas desses fascículos.
A guerra do Ultramar foi essencialmente uma guerra de guerrilha e por isso terão sido os ensinamentos obtidos através de experiências de outros exércitos, como o francês no norte de África e Indochina e ainda da Inglaterra que formaram os militares portugueses. Segundo esses autores, a técnica guerreira do terrorismo de "libertação" baseava-se nos ensinamentos maoistas, fundados no livro de Sun Tzu, A Arte da Guerra.
Seja como for, o nosso exército de "operações contra bandos armados e guerrilhas", teve uma grande componente de grupos especiais do exército, marinha e aviação e congregou dezenas e dezenas de milhar de militares recrutados entre os jovens da época e cujos oficiais eram também em grande parte milicianos, vindos de fora da carreira militar.
Os "protagonistas" da guerra do Ultramar segundo os autores são estes:
Porém, os militares da contra-guerrilha que nela deram o corpo ao manifesto, ou seja, os heróis, são estes, fundamentalmente:
Os Caçadores.
Os caçadores Pára-quedistas " que nunca por vencidos se conheçam".
Os Comandos, "audaces fortuna juvat".
E os Fuzileiros, "gente mais ousada".
Foram estes os heróis que fizeram a guerra no Ultramar durante mais de dez anos, até ao Verão de 1974, altura em que começou o PREC em Portugal, com os esquerdistas comunistas aliados dos que nos combatiam, na guerrilha.
Em finais de 1973 como é que Portugal se encontrava como Nação? O Observador de 28 de Setembro de 1973 fazia assim uma espécie de balanço:
Apoio popular maciço ao Governo de Marcello Caetano, indicutível mesmo que a manifestação tenha sido animada por caciques de localidades que tivessem "arrebanhado" muitas pessoas. Porém, nunca como as que se podem ver...
E principalmente uma situação económica que era descrita assim:
"As finanças do Estado continuam sãs: a gestão orçamental prossegue equilibrada, a dívida pública está muito aquém das possibilidades do País e não chega sequer em cada ano a cobrir as despesas extraordinárias reprodutivas. a tesouraria é abastada, continuamos a ter uma das mais sólidas moedas e o banco emissor protege o valor do escudo com reservas de primeira ordem".
Quanto é que nos últimos 40 anos tivemos uma situação em que qualquer governante pudesse afirmar, nem digo o mesmo, mas parte disso? Com Mário Soares, foram duas bancarrotas iminentes em menos de dez anos. A terceira estouraria em 2011 não fora a intervenção salvífica, mais uma vez, da ajuda internacional que nesse tempo não tínhamos de todo.
Tudo isto foi deitado a perder nos dois anos que se seguiram, pela esquerda comunista e socialista. E isto não é uma opinião. São factos.
sexta-feira, março 20, 2015
A Educação é necessária a todos?
Vaso Pulido Valente volta hoje no Público ao tema da Educação para reescrever que " não é com a educação, com a formação, que Portugal pode sair da profunda crise que defronta". E tenta explicar porquê.
A Educação pode não ser o factor fundamental para o desenvolvimento económico. Porém, sem bons engenheiros, bons médicos, bons arquitectos, bons "artistas" da indústria, como carpinteiros, electricistas, profissionais de metalomecânica, etc etc etc. duvido que algum país alguma vez consiga desenvolver-se, mesmo economicamente.
Os exemplos que apresenta provam demais. O problema da nossa Educação é ser má no nível básico e secundário e ser demasiado "inclusiva" ou seja, maciça. Deveria existir um ensino de elites, de especialistas e particularmente no ensino técnico. E não existe.
VPV insiste em escrever que a Educação conta pouco para desenvolvimento económico. Então o que é que conta?
A Educação pode não ser o factor fundamental para o desenvolvimento económico. Porém, sem bons engenheiros, bons médicos, bons arquitectos, bons "artistas" da indústria, como carpinteiros, electricistas, profissionais de metalomecânica, etc etc etc. duvido que algum país alguma vez consiga desenvolver-se, mesmo economicamente.
Os exemplos que apresenta provam demais. O problema da nossa Educação é ser má no nível básico e secundário e ser demasiado "inclusiva" ou seja, maciça. Deveria existir um ensino de elites, de especialistas e particularmente no ensino técnico. E não existe.
VPV insiste em escrever que a Educação conta pouco para desenvolvimento económico. Então o que é que conta?
Há quarenta anos ocorreu o maior eclipse nacional
Logo na semana a seguir a 25 de Abril de 1974, o Portugal que existia até então à luz do sol de todos os dias começou a eclipsar-se de modo estranho, por interposição de uma força até aí na penumbra e que em poucos meses toldou em modo avassalador o que até então era a realidade nacional.
Aqui fica uma das fases desse eclipse de uma identidade nacional que ficou obscurecida desde então, através de recortes de um jornal, o Diário Popular, de apenas um dia, 3 de Maio de 1974.
As notícias que se lêem, da primeira à última página são exemplares desse fenómeno transformador em acção.
O que estas notícias denotam é uma mudança acelerada do passado político, social e cultural que se eclipsou para dar lugar a algo diverso.
Se as pessoas acompanharam essa mudança, alterando as mentalidades é a vexata quaestio que ando a tentar resolver no meu entendimento prático.
Aqui fica uma das fases desse eclipse de uma identidade nacional que ficou obscurecida desde então, através de recortes de um jornal, o Diário Popular, de apenas um dia, 3 de Maio de 1974.
As notícias que se lêem, da primeira à última página são exemplares desse fenómeno transformador em acção.
O que estas notícias denotam é uma mudança acelerada do passado político, social e cultural que se eclipsou para dar lugar a algo diverso.
Se as pessoas acompanharam essa mudança, alterando as mentalidades é a vexata quaestio que ando a tentar resolver no meu entendimento prático.
quarta-feira, março 18, 2015
Povo de Lisboa, Portugal, 1974: tapioca e alcazar?
Em Julho de 1973 Marcello Caetano foi a Londres, onde foi publicamente enxovalhado por alguma oposição ao regime, na qual se incluía Mário Soares que manobrou para que tal sucedesse.
A revista Observador de 27 de Julho desse ano mostrou imagens da manifestação de apoio a Marcello Caetano, quando regressou. Assim:
Em 25 de Março de 1974, a propósito da publicação do livro de António Spínola, Portugal e o Futuro, a revista francesas L´Express publicou um artigo em que se dava conta das dificuldades do regime por causa das guerras em África.
Interessante ainda é ler sobre a posição de então de Adriano Moreira, o pai da jacobina desatinada. Dizia que Portugal era uno e indivisível como a Santíssima Trindade. Depois apostatou...
No dia 28 de Maio de 1974,a revista Paris Match mostrava imagens da caminhada para a manifestação do 1º de Maio desse ano, em Lisboa. no Estádio da FNAT, onde se encontravam Mário Soares e Álvaro Cunhal.
Terá este fenómeno de transferência colectiva de vontades em manifestar apoio a pessoas e situações tão diversas, algo a ver com esta caricatura do Tintin e os Pícaros, em que num país sul-americano sai um ditador, entra um populista e o povo em geral apoia do mesmo modo ( mas com vigilância policial?
O Dragão que tem vindo a escrever excelentes análises ( embora altamente discutíveis) sobre o devir do 25 de Abril, sugeriu que talvez seja essa a explicação para a mudança súbita de apoio colectivo no espaço de tempo de menos de um ano.
Não me parece nada. E nem sei dizer porquê, uma vez que ando a tentar compreender.
A revista Observador de 27 de Julho desse ano mostrou imagens da manifestação de apoio a Marcello Caetano, quando regressou. Assim:
Em 25 de Março de 1974, a propósito da publicação do livro de António Spínola, Portugal e o Futuro, a revista francesas L´Express publicou um artigo em que se dava conta das dificuldades do regime por causa das guerras em África.
Interessante ainda é ler sobre a posição de então de Adriano Moreira, o pai da jacobina desatinada. Dizia que Portugal era uno e indivisível como a Santíssima Trindade. Depois apostatou...
No dia 28 de Maio de 1974,a revista Paris Match mostrava imagens da caminhada para a manifestação do 1º de Maio desse ano, em Lisboa. no Estádio da FNAT, onde se encontravam Mário Soares e Álvaro Cunhal.
Terá este fenómeno de transferência colectiva de vontades em manifestar apoio a pessoas e situações tão diversas, algo a ver com esta caricatura do Tintin e os Pícaros, em que num país sul-americano sai um ditador, entra um populista e o povo em geral apoia do mesmo modo ( mas com vigilância policial?
O Dragão que tem vindo a escrever excelentes análises ( embora altamente discutíveis) sobre o devir do 25 de Abril, sugeriu que talvez seja essa a explicação para a mudança súbita de apoio colectivo no espaço de tempo de menos de um ano.
Não me parece nada. E nem sei dizer porquê, uma vez que ando a tentar compreender.
Subscrever:
Mensagens (Atom)













