A revista Sábado desta semana teve a ideia de entrevistar meia dúzia de "sumidades" no nosso establishment para inquirir sobre o que pensam do passado presente e futuro.
Quatro dessas personalidades resumem-se aqui no que disseram: nada de substancial e algumas ideias peregrinas, sem originalidade ou requentadas de tanto ferverem em água morna ao longo das décadas.
A afirmação mais lúcida e trágica pertence a Freitas do Amaral:
Que éramos atrasados há 40 anos, estão fartos de no-lo dizer os próceres que herdaram o pesado fardo do fassismo ou da "ditadura de direita", como este Freitas agora classifica o regime de que foi "devoto fervoroso" ( apud Marcello Caetano).
E que fizeram dessa herança pesada, para além de lhe aliviarem em várias toneladas o ouro que estava guardado como precaução e garantia de solvabilidade do país? Malbarataram quase tudo e estão muito contentes porque afinal o desiderato principal era...a democracia, ou seja a Liberdade, em modo absoluto e que faltava dantes em quantidade suficiente para o gosto actual daqueles.
Mas liberdade de quê, afinal? De dizer mal do regime do Estado Novo? De termos partidos políticos marxistas-leninistas que apenas pretendem revolucionar o regime e implantar um que lhes seja próprio e avesso à mesma Liberdade, em modo incomparavelmente mais radical do que o anterior? Que sentido faz isto? Liberdade de termos duas ou três centrais de informação que só passam notícias correctas para o regime? Que diferença substancial fazem da censura prévia, tirando aquele aspecto da propaganda proibida ao marxismo-leninismo?
De caminho, em prol dessa Liberdade, mantivemos o rumo da pobreza, como o próprio reconhece e parece que afinal o culpado terá sido a "Europa", a "troika" e o Passos. Deles e do respectivo papel como governantes ou assimilados é que nada de nada. Estão inocentes de tal malfeitoria. É este o pensamento político actual do Freitas do Amaral que estava sempre "rigorosamente ao centro" e virou à esquerda para não se enganar de percurso, este devoto fervoroso de Salazar...que agora acha adequado "investigar porque somos o segundo país mais atrasado da Europa". Por mim não sou capaz de lhe dar resposta cabal mas adianto já que aqueles governos de Sócrates em que participou e elogiou são bem capazes de ter contribuído com dezenas de milhar de milhões de euros para essa pobreza sistémica.
Depois temos o velho Adriano Moreira, antigo ministro de Salazar, das "Colónias", que se afastou do regime e se integrou plenamente na nova senhora, aproveitando o sistema e legando uma filha que é uma nódoa política.
Que diz Moreira, em balanço de vida? Que temos de nos concentrar em "três factores: a estratégia do saber, da segurança e da política internacional". Ele lá saberá dizer melhor mas parece-me pouco como futuro. "Estratégia do saber" com o ensino primário e secundário que temos?! É utopia.
Outra figura emblemática para aqui chamada é Ramalho Eanes, o presidente da República que Sá Carneiro queria afastar em 1980 para se livrar do espectro do MFA que durou até muitos anos mais tarde.
Ramalho Eanes identifica os factores de crise nacional com o nosso endividamento externo, público e privado. 400 mil milhões de euros, no total. Impagáveis, segundo o mesmo. Sério? E como pagamos em 1930 e anos seguintes, com Salazar?
Finalmente, um operacional da Marinha, o Almirante Nuno Vieira Matias. Tudo se resolveria com atenção a detalhes...como este, das marinas avulsas:
Diz que em 2003 não havia estudos estatísticos sobre o mar...o que é estranho para um país virado ao mar e com uma indústria que até à entrada na CEE tinha algum relevo e know how. Almirante Tenreiro, esse fassista, devia saber melhor...
Enfim, há mais duas figuras, decorativas, neste panorama: o pretendente ao trono de Portugal, D. Duarte de Bragança, uma alma pacífica e ainda o cardeal-patriarca de Lisboa que cura das almas e pouco mais. Em 1969 foi a Paris estrear um "Mini" e ficou embasbacado. Até hoje.
Um dos entrevistadores é Bernardo Theotónio-Pereira, descendente indirecto de um antigo governante de Salazar, pelo lado paterno, Pedro Teotónio Pereira ( estas coisas dos hh nos nomes têm dias...).
A figura de Teotónio Pereira é emblemática, a vários títulos, do salazarismo.
Em 21.9.1968 em pleno período de transição de Salazar, gravemente enfermo, para Marcello Caetano, ficou assim documentado no Século Ilustrado, com os mais lídimos representantes do tal fassismo ( o repórter disfarçado de cavanhaque só pode ser um intrépido antifassista).
E em 31 de Julho de 1970 logo após a morte daquele estadista português, o maior de sempre da nossa História contemporânea, aparece um perfil do mesmo Teotónio na Vida Mundial:
Cá por mim, o dito Bernardo que nasceu há ainda poucos anos ( é apenas trintão, mas é formado em Direito, ensina algures e já tem filhos) aprenderia mais sobre Portugal estudando o que o antepassado recente fez, até mesmo em Londres como embaixador durante a II Guerra Mundial, do que com estes sábios de meia tijela que afinal são dignos representantes da nossa miséria actual e que nunca compreenderão como nos tirar da mesma...porque foram precisamente eles e os seus parceiros políticos quem a ela nos conduziu.
Eles são parte importante do problema e nunca encontrariam a solução.Perguntar-lhes o que deveria fazer-se no futuro é chover no molhado.
quinta-feira, dezembro 29, 2016
terça-feira, dezembro 27, 2016
Conversa de estrebaria...
Observador:
No tempo do Pinho, o dos tamancos que queria uma reforma do BES, ter feito aquela cena de circo na AR, deu-lhe direito a despedimento com justa causa do Governo.
Este, pede desculpa e já está tudo perdoado...mesmo aquele ar alarve que ostenta.
No tempo do Pinho, o dos tamancos que queria uma reforma do BES, ter feito aquela cena de circo na AR, deu-lhe direito a despedimento com justa causa do Governo.
Este, pede desculpa e já está tudo perdoado...mesmo aquele ar alarve que ostenta.
O jornalismo nacional é toxicodependente em último grau
Sapo24:
Um estudo elaborado pela Cision sobre as pessoas e organizações que mais se notabilizaram nos órgãos de informação durante 2016, coloca o Governo como a organização que mais ‘tinta’ fez correr na imprensa nacional. O executivo português foi mencionado 205.128 vezes.
Logo de seguida entra o futebol, de rompante, com o desporto-rei a ocupar os três lugares seguintes. Neste mini campeonato que acontece nas bancas dos quiosques e no online, o Sport Lisboa e Benfica, tricampeão nacional de futebol, vence, tendo sido referenciado 182.191 vezes em peças jornalísticas. Logo de seguida surge o Sporting Clube de Portugal com 164.039 menções, superando o Futebol Clube do Porto, mencionado por 146.503. A Cision sublinha ainda que, embora grande parte do volume noticioso associado a estas três instituições esteja ligado ao futebol, “houve também muitas referências” a estes clubes no que toca às diversas modalidades; sem, no entanto, divulgar números concretos.
No 5º e 6º lugar deste estudo surgem os dois homens que estão à frente do país, António Costa, primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República. O chefe do Executivo português foi referenciado 124.767 vezes, mais de 10 mil vezes que o chefe de Estado, que foi mencionado por 111.156 em trabalhos jornalísticos.
O ranking segue com o Partido Social Democrata, 87.226 referências, e com o Partido Socialista, com 78.326, menções. A Guarda Nacional Republicana (GNR) coloca-se entre os dois maiores partidos portugueses para abrir um novo tema num ranking em que top-10 é dominado por futebol e política. Num ano marcado pela “caça ao homem” a Pedro Dias e às buscas pelo pequeno Martim, foram feitas 82.264 alusões à GNR.
Os dez primeiros lugares encerram com a Assembleia da República, que soma mais de 70 mil referências.
Os restantes lugares do ranking mantêm o mesmo registo. Ministério das Finanças (70.000) e Bloco de Esquerda (66.070) ocupam a 11ª e 12ª posição, respectivamente. Na décima terceira posição surge a Seleção Nacional de Futebol, campeã da Europa em França, citada 65.564 vezes em notícias.
De seguida surge, com 65.513 menções, a Comissão Europeia, a única entidade internacional que integra a lista dos temas mais falados em 2016. No 15º lugar regressamos ao tema do “crime” com a Polícia de Segurança Pública a ser a segunda força de segurança a aparecer no ranking, somando 62.259 referências. A Cision não deixa escapar estas duas “interferências” [da GNR e da PSP] num top, atribuindo a responsabilidade à CMTV, canal de televisão do Correio da Manhã, uma estação que dá “particular atenção ao mundo do crime”.
Na décima sexta posição aparece o Partido Comunista Português, a fechar a chamada ‘Geringonça’, com os comunistas a serem mencionados em 60.123 artigos noticiosos.
A fechar, desta vez a oposição, aparece o CDS/PP com 59.823 menções, no décimo sétimo lugar e o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, no décimo oitavo lugar. O antigo primeiro-ministro foi referenciado em 55.486 notícias.
De seguida, na penúltima posição deste ranking com 20 lugares, surge a Caixa Geral de Depósitos que este ano tanta tinta fez correr, quer pelo processo de recapitalização, quer pelos salários dos seus dirigentes, quer pela demissão da sua direcção e nomeação de Paulo Macedo para dirigir o banco público português. A CGD foi mencionada em 47.136 notícias.
A fechar o ranking surge o nome de Cristiano Ronaldo, o melhor futebolista do mundo que recentemente foi galardoado com a 4ª Bola de Ouro da carreira, foi falado em mais de 47 mil notícias.
A Cision teve como objecto de estudo “as notícias veiculadas no espaço editorial português, em mais de 2.000 meios de comunicação social (televisão, rádio, online e imprensa), (...) entre os dias 1 de Janeiro e 15 de Dezembro de 2016, num total de mais de cinco milhões de artigos analisados”.
O droga preferida do jornalismo nacional é o Governo, em Portugal. A seguir, o futebol.
Em vez dos três FF do antigamente ( Fátima, Fado e Futebol) que não correspondiam à realidade mas eram apresentados como se o fossem pela esquerda já dominante, actualmente as coisas pioraram bastante.
O Governo é a heroína do jornalismo que a ela está tão agarrado que dificilmente alguma cura de desintoxicação surtirá efeito. Seguidamente a maldita cocaína do futebol, mais os diversos subprodutos anestesiantes que nos servem diariamente.
Será que os portugueses se consideram informados com estas doses maciças de estupefacientes que tomam regularmente?
Quem vê regularmente os canais abertos e fechados das tv´s é sujeito a um tratamento mediático em que estes drogados entram pela casa dentro a fazer a propaganda despudorada de uma realidade virtual.
Pouco escapa aos seus efeitos e acredito que a maioria dos espectadores se transformaram em zombies, a julgar pela reacção a certo tipo de notícias, como a da morte de Fidel Castro.
Esperemos para ver o que acontecerá daqui a pouco com a morte daquele que agora se encontra em "coma profundo". Vai ser a overdose total e o delírio completo.
Um estudo elaborado pela Cision sobre as pessoas e organizações que mais se notabilizaram nos órgãos de informação durante 2016, coloca o Governo como a organização que mais ‘tinta’ fez correr na imprensa nacional. O executivo português foi mencionado 205.128 vezes.
Logo de seguida entra o futebol, de rompante, com o desporto-rei a ocupar os três lugares seguintes. Neste mini campeonato que acontece nas bancas dos quiosques e no online, o Sport Lisboa e Benfica, tricampeão nacional de futebol, vence, tendo sido referenciado 182.191 vezes em peças jornalísticas. Logo de seguida surge o Sporting Clube de Portugal com 164.039 menções, superando o Futebol Clube do Porto, mencionado por 146.503. A Cision sublinha ainda que, embora grande parte do volume noticioso associado a estas três instituições esteja ligado ao futebol, “houve também muitas referências” a estes clubes no que toca às diversas modalidades; sem, no entanto, divulgar números concretos.
No 5º e 6º lugar deste estudo surgem os dois homens que estão à frente do país, António Costa, primeiro-ministro, e Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente da República. O chefe do Executivo português foi referenciado 124.767 vezes, mais de 10 mil vezes que o chefe de Estado, que foi mencionado por 111.156 em trabalhos jornalísticos.
O ranking segue com o Partido Social Democrata, 87.226 referências, e com o Partido Socialista, com 78.326, menções. A Guarda Nacional Republicana (GNR) coloca-se entre os dois maiores partidos portugueses para abrir um novo tema num ranking em que top-10 é dominado por futebol e política. Num ano marcado pela “caça ao homem” a Pedro Dias e às buscas pelo pequeno Martim, foram feitas 82.264 alusões à GNR.
Os dez primeiros lugares encerram com a Assembleia da República, que soma mais de 70 mil referências.
Os restantes lugares do ranking mantêm o mesmo registo. Ministério das Finanças (70.000) e Bloco de Esquerda (66.070) ocupam a 11ª e 12ª posição, respectivamente. Na décima terceira posição surge a Seleção Nacional de Futebol, campeã da Europa em França, citada 65.564 vezes em notícias.
De seguida surge, com 65.513 menções, a Comissão Europeia, a única entidade internacional que integra a lista dos temas mais falados em 2016. No 15º lugar regressamos ao tema do “crime” com a Polícia de Segurança Pública a ser a segunda força de segurança a aparecer no ranking, somando 62.259 referências. A Cision não deixa escapar estas duas “interferências” [da GNR e da PSP] num top, atribuindo a responsabilidade à CMTV, canal de televisão do Correio da Manhã, uma estação que dá “particular atenção ao mundo do crime”.
Na décima sexta posição aparece o Partido Comunista Português, a fechar a chamada ‘Geringonça’, com os comunistas a serem mencionados em 60.123 artigos noticiosos.
A fechar, desta vez a oposição, aparece o CDS/PP com 59.823 menções, no décimo sétimo lugar e o líder do PSD, Pedro Passos Coelho, no décimo oitavo lugar. O antigo primeiro-ministro foi referenciado em 55.486 notícias.
De seguida, na penúltima posição deste ranking com 20 lugares, surge a Caixa Geral de Depósitos que este ano tanta tinta fez correr, quer pelo processo de recapitalização, quer pelos salários dos seus dirigentes, quer pela demissão da sua direcção e nomeação de Paulo Macedo para dirigir o banco público português. A CGD foi mencionada em 47.136 notícias.
A fechar o ranking surge o nome de Cristiano Ronaldo, o melhor futebolista do mundo que recentemente foi galardoado com a 4ª Bola de Ouro da carreira, foi falado em mais de 47 mil notícias.
A Cision teve como objecto de estudo “as notícias veiculadas no espaço editorial português, em mais de 2.000 meios de comunicação social (televisão, rádio, online e imprensa), (...) entre os dias 1 de Janeiro e 15 de Dezembro de 2016, num total de mais de cinco milhões de artigos analisados”.
O droga preferida do jornalismo nacional é o Governo, em Portugal. A seguir, o futebol.
Em vez dos três FF do antigamente ( Fátima, Fado e Futebol) que não correspondiam à realidade mas eram apresentados como se o fossem pela esquerda já dominante, actualmente as coisas pioraram bastante.
O Governo é a heroína do jornalismo que a ela está tão agarrado que dificilmente alguma cura de desintoxicação surtirá efeito. Seguidamente a maldita cocaína do futebol, mais os diversos subprodutos anestesiantes que nos servem diariamente.
Será que os portugueses se consideram informados com estas doses maciças de estupefacientes que tomam regularmente?
Quem vê regularmente os canais abertos e fechados das tv´s é sujeito a um tratamento mediático em que estes drogados entram pela casa dentro a fazer a propaganda despudorada de uma realidade virtual.
Pouco escapa aos seus efeitos e acredito que a maioria dos espectadores se transformaram em zombies, a julgar pela reacção a certo tipo de notícias, como a da morte de Fidel Castro.
Esperemos para ver o que acontecerá daqui a pouco com a morte daquele que agora se encontra em "coma profundo". Vai ser a overdose total e o delírio completo.
O "colunista" do Público, João Miguel Tavares teve hoje esta tirada lamentável a todos os títulos:
"embora a herança salazarista tenha sido trágica na Educação, com quatro décadas a doutrinar criancinhas com a trilogia Deus, Pátria e Família e a promover um país pobre, rural e conformado com a sua própria mediocridade"...
Trágica é esta frase de um suposto representante de uma Direita inexistente em Portugal. JMT é um híbrido que emparelha bem com Ricardo Araújo Pereira no programa que animam em tandem com um Mexia que não mexe uma palha e um moderador que modera à esquerda como convém ao politicamente correcto.
Referir o Estado Novo daquele modo é repenicar o estribilho comunista do obscurantismo e do atraso atávico que Salazar deixou como herança aos heróis de Abril, a par daqueloura ainda mais pesada e com mais de 800 toneladas nos cofres do BdP que os ditos acharam por bem aliviar- et pour cause.
JMT terá bebido deste leite de burrra quando era pequeno e lá ficou o germe que de vez em quando aflora como um herpes ideológico que se aloja ao canto do lábio inferior impedindo-o de soletrar devidamente as palavras.
O Estado Novo começou mais ou menos nos anos trinta e nessa altura Portugal tinha um Estado velho e revelho do jacobinismo ambiente que expulsara jesuitas, destruíra escolas, depauperara o país para além do tolerável e tolhera o desenvolvimento económico nas décadas vindouras.
Assacar a Salazar a culpa do desenvolvimento atrasado e a lentidão do progresso, nas décadas seguintes é olvidar os efeitos de uma guerra mundial a que escapamos e os efeitos de outra guerra em três frentes, na África portuguesa nos anos sessenta que nos delapidava os recursos orçamentais em quantidades astronómicas ( 40%).
Gostava de ver os democratas de hoje a fazerem melhor e mais depressa...
Ainda assim, em 1940, em plena Guerra Mundial e nem sequer dez anos de governo de Estado Novo, o panorama da propaganda permitia apresentar isto:
Este panorama pode ser consultado aqui e tal faria bom proveito a JMT e outros interessados...
Além disso, pode sempre ampliar-se um pouco mais a janela de oportunidade para se verem melhor as palermices escritas se espreitarmos nestoutra, da então Lourenço Marques:
Nada disto foi planeado ou construído pela "Independência" indígena mas sim pelo Estado Novo em tempo record, mesmo com mão de obra barata ou próxima da escravatura, como então era ainda plausível. Em toda a África, mesmo a independente. Quem lá viveu sabe. Não sendo o meu caso, pergunto a quem sabe.
A propósito de Moçambique: alguém sabe o que aconteceu ao genro do Guebuza depois de ter assassinado a tiro a mulher, na presença do sogro?
Sabem o que lhe aconteceu? Terá sido suicidado na esquadra de polícia, segundo se conta. Aí tinha recolhido para se proteger de quem o iria procurar...mas alguém procurou saber, em Portugal?
Em Angola o panorama é idêntico.
Quanto a escolas, basta percorrer cada uma das aldeias de Portugal e verificar o ano da construção da escola mais antiga...e sobre o famigerado analfabtismo basta comparar o grau de instrução de alguém que completou o ensino primário, nos anos trinta ou quarenta do séc. XX com alguém que o completa agora. E o analfabetismo tem muito mais que se lhe diga do que a propaganda comunista costuma dizer e JMT assimilou, entranhou e aparentemente não estranhou.
Sobre o conceito de Deus, Pátria e Família, pudera que ainda hoje fosse um conceito estimado, porque não é um arcaismo fóssil como são as ideias peregrinas que enformaram o pensamento de JMT quando escreveu aquela frase lamentável. A não ser que seja matriz e então é trágico mesmo.
Sobre esta miséria de andar sempre a lambuzar o conceito maldito, suscitando logo permissão para irem lamber sabão, passo a apresentar uma pequena parte de uma entrevista a José Afonso, ainda no tempo do fassismo, em finais de 1973, início de 1974 na revista Cinéfilo nº 8.
A entrevista mostra bem que José Afonso conhecia o povo português, pelo menos na sua linguagem e costumes, o que o tornava mais perigoso do que parecia, mas ao mesmo tempo mais interessante e a léguas do que JMT aparentemente julga entender.
"embora a herança salazarista tenha sido trágica na Educação, com quatro décadas a doutrinar criancinhas com a trilogia Deus, Pátria e Família e a promover um país pobre, rural e conformado com a sua própria mediocridade"...
Trágica é esta frase de um suposto representante de uma Direita inexistente em Portugal. JMT é um híbrido que emparelha bem com Ricardo Araújo Pereira no programa que animam em tandem com um Mexia que não mexe uma palha e um moderador que modera à esquerda como convém ao politicamente correcto.
Referir o Estado Novo daquele modo é repenicar o estribilho comunista do obscurantismo e do atraso atávico que Salazar deixou como herança aos heróis de Abril, a par daqueloura ainda mais pesada e com mais de 800 toneladas nos cofres do BdP que os ditos acharam por bem aliviar- et pour cause.
JMT terá bebido deste leite de burrra quando era pequeno e lá ficou o germe que de vez em quando aflora como um herpes ideológico que se aloja ao canto do lábio inferior impedindo-o de soletrar devidamente as palavras.
O Estado Novo começou mais ou menos nos anos trinta e nessa altura Portugal tinha um Estado velho e revelho do jacobinismo ambiente que expulsara jesuitas, destruíra escolas, depauperara o país para além do tolerável e tolhera o desenvolvimento económico nas décadas vindouras.
Assacar a Salazar a culpa do desenvolvimento atrasado e a lentidão do progresso, nas décadas seguintes é olvidar os efeitos de uma guerra mundial a que escapamos e os efeitos de outra guerra em três frentes, na África portuguesa nos anos sessenta que nos delapidava os recursos orçamentais em quantidades astronómicas ( 40%).
Gostava de ver os democratas de hoje a fazerem melhor e mais depressa...
Ainda assim, em 1940, em plena Guerra Mundial e nem sequer dez anos de governo de Estado Novo, o panorama da propaganda permitia apresentar isto:
Este panorama pode ser consultado aqui e tal faria bom proveito a JMT e outros interessados...
Além disso, pode sempre ampliar-se um pouco mais a janela de oportunidade para se verem melhor as palermices escritas se espreitarmos nestoutra, da então Lourenço Marques:
Nada disto foi planeado ou construído pela "Independência" indígena mas sim pelo Estado Novo em tempo record, mesmo com mão de obra barata ou próxima da escravatura, como então era ainda plausível. Em toda a África, mesmo a independente. Quem lá viveu sabe. Não sendo o meu caso, pergunto a quem sabe.
A propósito de Moçambique: alguém sabe o que aconteceu ao genro do Guebuza depois de ter assassinado a tiro a mulher, na presença do sogro?
Sabem o que lhe aconteceu? Terá sido suicidado na esquadra de polícia, segundo se conta. Aí tinha recolhido para se proteger de quem o iria procurar...mas alguém procurou saber, em Portugal?
Em Angola o panorama é idêntico.
Quanto a escolas, basta percorrer cada uma das aldeias de Portugal e verificar o ano da construção da escola mais antiga...e sobre o famigerado analfabtismo basta comparar o grau de instrução de alguém que completou o ensino primário, nos anos trinta ou quarenta do séc. XX com alguém que o completa agora. E o analfabetismo tem muito mais que se lhe diga do que a propaganda comunista costuma dizer e JMT assimilou, entranhou e aparentemente não estranhou.
Sobre o conceito de Deus, Pátria e Família, pudera que ainda hoje fosse um conceito estimado, porque não é um arcaismo fóssil como são as ideias peregrinas que enformaram o pensamento de JMT quando escreveu aquela frase lamentável. A não ser que seja matriz e então é trágico mesmo.
Sobre esta miséria de andar sempre a lambuzar o conceito maldito, suscitando logo permissão para irem lamber sabão, passo a apresentar uma pequena parte de uma entrevista a José Afonso, ainda no tempo do fassismo, em finais de 1973, início de 1974 na revista Cinéfilo nº 8.
A entrevista mostra bem que José Afonso conhecia o povo português, pelo menos na sua linguagem e costumes, o que o tornava mais perigoso do que parecia, mas ao mesmo tempo mais interessante e a léguas do que JMT aparentemente julga entender.
O antigo ministro sarjeta agora é contratador de gado...
Observador:
O ministro dos Negócios Estrangeiros foi captado pelas câmaras de televisão a comparar a concertação social a uma "feira de gado". Palavras de Augusto Santos Silva já mereceram críticas.
O que espanta é que um palerma destes consiga ser ministro. Dá bem a noção do respeito que o cargo merece, actualmente...
O ministro dos Negócios Estrangeiros foi captado pelas câmaras de televisão a comparar a concertação social a uma "feira de gado". Palavras de Augusto Santos Silva já mereceram críticas.
O que espanta é que um palerma destes consiga ser ministro. Dá bem a noção do respeito que o cargo merece, actualmente...
Os obituários tabu
Observador:
Silva Marques foi, durante quatro anos, de 1976 a 1979, presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós. Aproximou-se do PSD e foi eleito deputado pelo círculo de Leiria, de 1980 a 1999 e desempenhou o cargo de presidente do grupo parlamentar dos sociais-democratas.
José Silva Marques foi um brilhante líder da bancada parlamentar do PSD, até ao final da década de 90. De repente desapareceu da cena política e mediática. Não me lembro de alguém dessa cena mediática dos grupos de imprensa que temos se interessar pela sorte pessoal do antigo deputado Silva Marques, durante esses anos todos de ausência brilhante.
Mesmo agora, o hiato de quase dúzia e meia de anos aparentemente não suscita qualquer curiosidade acerca do que fez Silva Marques entretanto e do destino de vida que tomou. São questões "do foro pessoal e familiar". Hipócritas.
Silva Marques em 1984 rascunhou à máquina duas folhas antológicas que coloco aqui para se lerem e mostrarem o que poderia ter sido o país se algumas das suas sugestões tivessem sido seguidas.
A "austeridade" da troika que nos emprestou dinheiro para evitar a falência, em 2011, ao pé disto é uma dádiva generosa.
Silva Marques foi, durante quatro anos, de 1976 a 1979, presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós. Aproximou-se do PSD e foi eleito deputado pelo círculo de Leiria, de 1980 a 1999 e desempenhou o cargo de presidente do grupo parlamentar dos sociais-democratas.
José Silva Marques foi um brilhante líder da bancada parlamentar do PSD, até ao final da década de 90. De repente desapareceu da cena política e mediática. Não me lembro de alguém dessa cena mediática dos grupos de imprensa que temos se interessar pela sorte pessoal do antigo deputado Silva Marques, durante esses anos todos de ausência brilhante.
Mesmo agora, o hiato de quase dúzia e meia de anos aparentemente não suscita qualquer curiosidade acerca do que fez Silva Marques entretanto e do destino de vida que tomou. São questões "do foro pessoal e familiar". Hipócritas.
Silva Marques em 1984 rascunhou à máquina duas folhas antológicas que coloco aqui para se lerem e mostrarem o que poderia ter sido o país se algumas das suas sugestões tivessem sido seguidas.
A "austeridade" da troika que nos emprestou dinheiro para evitar a falência, em 2011, ao pé disto é uma dádiva generosa.
segunda-feira, dezembro 26, 2016
Hitler e Estaline: genocício de raça contra genocídio de classe...
O Expresso vai publicar em meia dúzia de fascículos uma obra biográfica de Estaline, de um autor inglês nascido em 1965.
A biografia parece que teve sucesso lá fora e será uma espécie de liofilização de um grande terrorista, um dos maiores de sempre em crueldade e eficácia no extermínio de massas humanas. Um genocida.
O Expresso no entanto não vai por aí, por esse caminho de ideias claras porque nunca pretendeu tal coisa, a propósito do comunismo.
Se assim fosse, o PCP não seria o que é porque os portugueses conheceriam melhor o horror e existência história de crimes contra a Humanidade cometidos por aqueles que o PCP idolatra como mentores ideológicos de sempre, na luta de classes permanente. Se assim fosse não assistiríamos a indecências de ouvir as ignorantes ritas ratos a proclamar a virtual inexistência dos gulags, porque nunca ouviu falar neles.
Estaline é um dos heróis ideológicos do PCP, apesar de formalmente o Partido se ter demarcado dos feitos do kamarada "pai dos povos", quando o mesmo caiu em desgraça, com o advento da era Krutshev e dos ventos da História que se fartaram do soprar até 1989.
Para prefaciar a obra o Expresso convidou Paulo Portas e Francisco Louçã e na edição desta semana entrevista este último para o ouvir dizer barbaridades e enormidades de uma gravidade tal que só se passaram despercebidas por ser tempo de festas de Natal.

Quando afirma o tal "absurdo", Louçã explica que tal é "grotesco do ponto de vista histórico", sem se dar conta do trejeito facial que tal implica.
O que Loução pretende afirmar sobre Estaline em comparação com Hitler é um puro branqueamento daquele e das suas acções, inserindo-as num contexto político que nega ao último.
Sobre os milhões de mortos de um lado e de outro, os mortos russos foram "consequência da necessária, mas brutal industrialização" ( como se os restantes países até então ruralizados também tivessem que dizimar os lavradores para passaram ao progresso industrial...), depois com a catástrofe desencadeada pela fome dos anos 30-33 ( como se tivesse sido uma praga divina...). Ou ainda, acrescenta " a devastação humana provocada pelo período do Grande Terror, entre 1934 e 1939, com gigantescas purgas no PCUS e no Exército" ( como se tal fosse um fenómeno imprevisto e sem autor concreto e principalmente como se o PCP não o conhecesse de ginjeira tendo lá militantes destacados, em Moscovo, nessa época, como foi o caso do comunista Francisco Miguel que nunca falou publicamente do assunto mas sempre denunciou o Tarrafal como o inferno na Terra.) .
Enfim, este Loução apresenta-se mais uma vez como um farsante notório cuja importância lhe é dada pela Impresa de Balsemão por motivos desconhecidos e não mereceria um parágrafo de atenção se não fosse um manipulador da opinião pública, em modo falsário.
Lá fora não teriam atenção alguma porque há longos anos que o comunismo e Estaline foram devidamente denunciados como aquilo que verdadeiramente são: horrores da Humanidade, comparáveis a outros, incluindo o nazismo na vertente genocida.
Em 1997 a editora francesa Robert Laffont publicou o Livro Negro do Comunismo, de vários autores e cuja matéria se estendo por 846 páginas.
A primeira meia dúzia chega para dar uma visão aprimorada do que Louçã deveria ler antes de afirmar burricadas:
O único absurdo derivado da comparação é o facto de Estaline ter sido um carrasco maior e mais cruel que Hitler. Genocidas foram, ambos. Um, tentando eliminar uma raça; outro, tentando eliminar uma classe, a dos kulaks, bem mais alargada do que uma raça propriamente dita. Quanto aos métodos, as semelhanças também não fogem muito da realidade: campos de concentração, execuções em massa, fome como arma de guerra e extermínio massificado em escala industrial. Como se escreve no livro, a morte à fome de uma criança no ghetto de Varsóvia equivale para todos os efeitos à morte de um kulak, à fome que lhe foi induzida explicitamente pelas medidas políticas de Estaline.
Os mortos de Estaline não se ficam pelos 750 mil que pereceram nos gulags. Extravasam para os milhões ocorridos nos campos, com as deportações e a fome induzida para tal, à falta de meios para construirem fornos crematórios.
Relativizar os crimes de Estaline só porque o mesmo é um "revolucionário" é obsceno. E é isso que Louçã é, só que o Expresso e a sua direcção não pensam assim.
Ou por ignorância ou por cumplicidade. Aposto mais nesta última hipótese.
A biografia parece que teve sucesso lá fora e será uma espécie de liofilização de um grande terrorista, um dos maiores de sempre em crueldade e eficácia no extermínio de massas humanas. Um genocida.
O Expresso no entanto não vai por aí, por esse caminho de ideias claras porque nunca pretendeu tal coisa, a propósito do comunismo.
Se assim fosse, o PCP não seria o que é porque os portugueses conheceriam melhor o horror e existência história de crimes contra a Humanidade cometidos por aqueles que o PCP idolatra como mentores ideológicos de sempre, na luta de classes permanente. Se assim fosse não assistiríamos a indecências de ouvir as ignorantes ritas ratos a proclamar a virtual inexistência dos gulags, porque nunca ouviu falar neles.
Estaline é um dos heróis ideológicos do PCP, apesar de formalmente o Partido se ter demarcado dos feitos do kamarada "pai dos povos", quando o mesmo caiu em desgraça, com o advento da era Krutshev e dos ventos da História que se fartaram do soprar até 1989.
Para prefaciar a obra o Expresso convidou Paulo Portas e Francisco Louçã e na edição desta semana entrevista este último para o ouvir dizer barbaridades e enormidades de uma gravidade tal que só se passaram despercebidas por ser tempo de festas de Natal.
Quando afirma o tal "absurdo", Louçã explica que tal é "grotesco do ponto de vista histórico", sem se dar conta do trejeito facial que tal implica.
O que Loução pretende afirmar sobre Estaline em comparação com Hitler é um puro branqueamento daquele e das suas acções, inserindo-as num contexto político que nega ao último.
Sobre os milhões de mortos de um lado e de outro, os mortos russos foram "consequência da necessária, mas brutal industrialização" ( como se os restantes países até então ruralizados também tivessem que dizimar os lavradores para passaram ao progresso industrial...), depois com a catástrofe desencadeada pela fome dos anos 30-33 ( como se tivesse sido uma praga divina...). Ou ainda, acrescenta " a devastação humana provocada pelo período do Grande Terror, entre 1934 e 1939, com gigantescas purgas no PCUS e no Exército" ( como se tal fosse um fenómeno imprevisto e sem autor concreto e principalmente como se o PCP não o conhecesse de ginjeira tendo lá militantes destacados, em Moscovo, nessa época, como foi o caso do comunista Francisco Miguel que nunca falou publicamente do assunto mas sempre denunciou o Tarrafal como o inferno na Terra.) .
Enfim, este Loução apresenta-se mais uma vez como um farsante notório cuja importância lhe é dada pela Impresa de Balsemão por motivos desconhecidos e não mereceria um parágrafo de atenção se não fosse um manipulador da opinião pública, em modo falsário.
Lá fora não teriam atenção alguma porque há longos anos que o comunismo e Estaline foram devidamente denunciados como aquilo que verdadeiramente são: horrores da Humanidade, comparáveis a outros, incluindo o nazismo na vertente genocida.
Em 1997 a editora francesa Robert Laffont publicou o Livro Negro do Comunismo, de vários autores e cuja matéria se estendo por 846 páginas.
A primeira meia dúzia chega para dar uma visão aprimorada do que Louçã deveria ler antes de afirmar burricadas:
O único absurdo derivado da comparação é o facto de Estaline ter sido um carrasco maior e mais cruel que Hitler. Genocidas foram, ambos. Um, tentando eliminar uma raça; outro, tentando eliminar uma classe, a dos kulaks, bem mais alargada do que uma raça propriamente dita. Quanto aos métodos, as semelhanças também não fogem muito da realidade: campos de concentração, execuções em massa, fome como arma de guerra e extermínio massificado em escala industrial. Como se escreve no livro, a morte à fome de uma criança no ghetto de Varsóvia equivale para todos os efeitos à morte de um kulak, à fome que lhe foi induzida explicitamente pelas medidas políticas de Estaline.
Os mortos de Estaline não se ficam pelos 750 mil que pereceram nos gulags. Extravasam para os milhões ocorridos nos campos, com as deportações e a fome induzida para tal, à falta de meios para construirem fornos crematórios.
Relativizar os crimes de Estaline só porque o mesmo é um "revolucionário" é obsceno. E é isso que Louçã é, só que o Expresso e a sua direcção não pensam assim.
Ou por ignorância ou por cumplicidade. Aposto mais nesta última hipótese.
sábado, dezembro 24, 2016
Bom Natal e festas felizes
No tempo de Salazar e Caetano existia o hábito de as pessoas desejarem Bom Natal e festas felizes a outros que estavam longe através de cartões de boas festas, enviados pelos correios.
Hoje em dia enviam-se mensagens pelo telemóvel...mas não é a mesma coisa.
No Natal de 1970 comprei este cartão para enviar a um amigo ( o Pontes que nunca mais vi) que me tinha desejado do mesmo modo o Feliz Natal. A escolha destes cartões obedecia a uma estética e este tem um aspecto moderno, próprio da época. Foi a cor de fundo, este verde, com cartolina de textura que me levou a escolher.
Não o cheguei a mandar por circunstâncias que agora não me lembro ( faltaria o selo de 50 centavos, se calhar) mas ainda tem, escrita no verso, a retribuição da gentileza.
Fica aqui, passados estes 46 anos para desejar a todos um Bom Natal.
Hoje em dia enviam-se mensagens pelo telemóvel...mas não é a mesma coisa.
No Natal de 1970 comprei este cartão para enviar a um amigo ( o Pontes que nunca mais vi) que me tinha desejado do mesmo modo o Feliz Natal. A escolha destes cartões obedecia a uma estética e este tem um aspecto moderno, próprio da época. Foi a cor de fundo, este verde, com cartolina de textura que me levou a escolher.
Não o cheguei a mandar por circunstâncias que agora não me lembro ( faltaria o selo de 50 centavos, se calhar) mas ainda tem, escrita no verso, a retribuição da gentileza.
Fica aqui, passados estes 46 anos para desejar a todos um Bom Natal.
quinta-feira, dezembro 22, 2016
O PSD e o PS querem funcionalizar os magistrados do Ministério Público...
Do DN de ontem:
Tirando o erro de se indicar que a lei de Organização do Sistema Judiciário procura "autorizar a transferência de procuradores entre comarcas", porque não é entre comarcas mas na mesma comarca, o resto explica o que se pretende com esta lei, em aprovação no Parlamento contra a proposta apresentada pelo próprio Governo: permitir que dentro de uma mesma comarca, quem lá mande hierarquicamente, seja o procurador-coordenador ou por via indirecta a hierarquia máxima do MºPº, tenha o poder de "deslocar" um magistrado do MºPº para um lugar que não escolheu aquando da colocação inicial e isso mesmo contra a sua vontade.
Até aqui, tal não era assim e tal liberdade da hierarquia movimentar assim magistrados lesa a autonomia interna do MºPº que é uma prerrogativa que o próprio MºPº deveria lutar por preservar, uma vez que isso custou muita luta nos anos noventa e antes disso.
Agora, até a própria procuradora-geral da República votou a favor de uma alteração que nem o próprio Pinto Monteiro se atreveu a fazer ( o episódio da "rainha da Inglaterra" revela algo sobre isso...).
Claro que pelo PSD aparece o deputado Carlos Abreu Amorim que deveria saber mais, mas é isto que se vê...foge-lhe sempre o pé para aquela chinelinha já muito velhinha.
Assim é altura dos magistrados do MºPº se unirem e lutarem pelos direitos que afinal são dos cidadãos em geral e a própria hierarquia esqueceu...
Em 2007, num outro blog, escrevi isto sobre o assunto:
Outra
característica estrutural da magistratura do Ministério Público é a sua
unidade e indivisibilidade. Tal significa que todos os magistrados que
fazem parte da mesma comarca, departamento ou serviço têm igual
competência para exercer funções que estejam cometidas a esse escalão
hierárquico.É este o sentido da hierarquia e não aquele que Vital Moreira, e outros, ardilosamente, lhe pretendem conferir.
Além disso, o MP beneficia também de um princípio da estabilidade. Tal significa que os magistrados do Ministério Público não podem ser transferidos, suspensos, promovidos, aposentados, demitidos ou, por qualquer forma, mudados de situação senão nos casos previstos naquela lei.
Esta garantia, consignada em favor dos magistrados do Ministério Público, e para benefício da isenção e objectividade que só podem garantir melhor os direitos dos cidadãos, tem um conteúdo semelhante à inamovibilidade reconhecida aos juízes. Aliás, são os próprios Gomes Canotilho e Vital Moreira, quem ensinam que a referida garantia constitui não só uma reserva de lei quanto às excepções à inamovibilidade ou estabilidade como também a exigência de uma justificação adequada para essas excepções.
O paralelismo dos magistrados do MP em relação aos juízes, estabelecido estatutariamente, tem um significado e alcance precisos:
“É estabelecido segundo os vários escalões hierárquicos: o procurador-geral da República tem categoria, tratamento e honras iguais aos do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e usa o trajo profissional que compete aos juízes conselheiros; o vice-procurador-geral da República tem categoria, tratamento e honras iguais aos dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça e usa o trajo profissional que a estes compete; os procuradores-gerais adjuntos têm categoria, tratamento e honras iguais aos dos juízes de Relação e usam o mesmo trajo profissional; os procuradores da República e os delegados do procurador da República têm categoria, tratamento e honras iguais aos dos juízes dos tribunais junto dos quais exercem funções e usam o trajo profissional que a estes compete. “
Entretanto, os juízes mexem-se um bocadinho, mas estão preocupados com a sua eira, como é natural.
Os juízes deveriam entender que a magistratura do MºPº não é inimiga da dos juízes e se não participa do órgão de soberania "Tribunais" também não anda longe do mesmo e contribui decisivamente para a aplicação da Justiça em nome do Povo. Os juízes, em crime, só julgam o que o MºPº lhes apresenta para julgar...
Observador:
Os juízes enviaram a Marcelo Rebelo de Sousa um alerta contra as alterações ao funcionamento dos tribunais, aprovadas no Parlamento, e que no seu entender colocam em causa a sua independência e são até inconstitucionais. A exposição, noticiada pelo jornal Público, conta com a assinatura de 429 magistrados, num universo de 1.700 a nível nacional.
Os juízes promotores do aviso, feito esta semana, alertam para o risco de instrumentalização da classe pelo poder político e por outros magistrados que exerçam cargos de chefia no sistema judicial. E consideram que lei de Ministério da Justiça, liderado por Francisca van Dunem — ela própria uma procuradora –, representa “um instrumento de violento agravamento discricionário e casuístico da situação do juiz”.
Um dos aspectos mais atacados nas novas regras passa pela possibilidade de terem de trabalhar em vários tribunais, em simultâneo, sem receber uma remuneração adicional, o que para os juízes “fere um notável número de preceitos da Constituição”. A transferência dos magistrados entre tribunais é outra matéria alvo de contestação, na medida em que trata os juízes como “funcionários indiferenciados”, sujeitos e um regime de mobilidade.
Tirando o erro de se indicar que a lei de Organização do Sistema Judiciário procura "autorizar a transferência de procuradores entre comarcas", porque não é entre comarcas mas na mesma comarca, o resto explica o que se pretende com esta lei, em aprovação no Parlamento contra a proposta apresentada pelo próprio Governo: permitir que dentro de uma mesma comarca, quem lá mande hierarquicamente, seja o procurador-coordenador ou por via indirecta a hierarquia máxima do MºPº, tenha o poder de "deslocar" um magistrado do MºPº para um lugar que não escolheu aquando da colocação inicial e isso mesmo contra a sua vontade.
Até aqui, tal não era assim e tal liberdade da hierarquia movimentar assim magistrados lesa a autonomia interna do MºPº que é uma prerrogativa que o próprio MºPº deveria lutar por preservar, uma vez que isso custou muita luta nos anos noventa e antes disso.
Agora, até a própria procuradora-geral da República votou a favor de uma alteração que nem o próprio Pinto Monteiro se atreveu a fazer ( o episódio da "rainha da Inglaterra" revela algo sobre isso...).
Claro que pelo PSD aparece o deputado Carlos Abreu Amorim que deveria saber mais, mas é isto que se vê...foge-lhe sempre o pé para aquela chinelinha já muito velhinha.
Assim é altura dos magistrados do MºPº se unirem e lutarem pelos direitos que afinal são dos cidadãos em geral e a própria hierarquia esqueceu...
Em 2007, num outro blog, escrevi isto sobre o assunto:
Do sítio da PGR, respigam-se estes elementos de esclarecimento:
Emblematicamente,
a magistratura do Ministério Público define-se por três grandes
princípios: o da responsabilidade, o da hierarquia e o da estabilidade.
A responsabilidade "consiste em os magistrados do Ministério Público responderem, nos termos da lei, pelo cumprimento dos seus deveres e pela observância das directivas, ordens e instruções que receberem".
Contrariamente ao que, por vezes, aparece referido, a responsabilidade não corresponde a uma diferença específica entre a função do juiz e a do Ministério Público, havendo situações históricas (a certa altura, a legislação nacional foi exemplo disso) e sistemas de direito comparado (casos, nomeadamente, da Espanha e da Itália) em que o juiz está igualmente sujeito ao princípio da responsabilidade.
A responsabilidade "consiste em os magistrados do Ministério Público responderem, nos termos da lei, pelo cumprimento dos seus deveres e pela observância das directivas, ordens e instruções que receberem".
Contrariamente ao que, por vezes, aparece referido, a responsabilidade não corresponde a uma diferença específica entre a função do juiz e a do Ministério Público, havendo situações históricas (a certa altura, a legislação nacional foi exemplo disso) e sistemas de direito comparado (casos, nomeadamente, da Espanha e da Itália) em que o juiz está igualmente sujeito ao princípio da responsabilidade.
O que é então, a autonomia do MP?
É a vinculação a critérios de legalidade e objectividade e pela exclusiva sujeição dos magistrados e agentes do Ministério Público às directivas, ordens e instruções" previstas na Lei Orgância do MP.
Por outro lado, se os juízes têm de ser independentes e imparciais, os magistrados do MP, serão isentos e objectivos.
A isenção traduz-se no dever de os magistrados do MP, promoverem e decidirem segundo uma ética de procedimento enformada pela lei e pelas normas profissionais que dela decorrem.
A objectividade traduz-se na obrigação de actuar sem uma perspectiva unilateral dos factos e do direito, devendo adoptar posições representativas da realidade que podem chegar ao ponto de alegar em benefício da defesa e investigar à charge e à décharge.
A hierarquia do MP, ao contrário do que alguns pretendem, não tem um significado de subordinação total e absoluta. Tem um sentido preciso ligado a necessidades impostas pela natureza das funções e por um objectivo de democratização da administração da justiça.
Exercendo funções de iniciativa e acção que, até por razões de celeridade, reclamam uma actuação unipessoal (os órgãos colegiais estão sujeitos a um processo mais moroso de formação da vontade), é necessário que haja mecanismos que, de forma preventiva ou a posteriori, acautelem a dispersão de procedimentos.
Por outro lado, é especialmente por intermédio do Ministério Público que se asseguram as finalidades de uniformização da jurisprudência e de igualdade dos cidadãos perante a lei e a justiça. Por via dos recursos (particularmente dos recursos para uniformizar jurisprudência e de constitucionalidade), o Ministério Público potencia a unidade do direito e a igualdade dos que recorrem aos tribunais.
Cabendo ao Ministério Público amplos poderes de iniciativa que cobrem praticamente todas as áreas da vida em sociedade, a ausência de hierarquia poderia significar a multiplicação de entendimentos e a colocação dos cidadãos numa situação de verdadeira desigualdade.
A hierarquia permite evitar ou resolver a fragmentação de procedimentos ou de correntes doutrinais no interior do Ministério Público e, ao uniformizar as iniciativas desta magistratura, previne e remedeia a divisão da jurisprudência.
É a vinculação a critérios de legalidade e objectividade e pela exclusiva sujeição dos magistrados e agentes do Ministério Público às directivas, ordens e instruções" previstas na Lei Orgância do MP.
Por outro lado, se os juízes têm de ser independentes e imparciais, os magistrados do MP, serão isentos e objectivos.
A isenção traduz-se no dever de os magistrados do MP, promoverem e decidirem segundo uma ética de procedimento enformada pela lei e pelas normas profissionais que dela decorrem.
A objectividade traduz-se na obrigação de actuar sem uma perspectiva unilateral dos factos e do direito, devendo adoptar posições representativas da realidade que podem chegar ao ponto de alegar em benefício da defesa e investigar à charge e à décharge.
A hierarquia do MP, ao contrário do que alguns pretendem, não tem um significado de subordinação total e absoluta. Tem um sentido preciso ligado a necessidades impostas pela natureza das funções e por um objectivo de democratização da administração da justiça.
Exercendo funções de iniciativa e acção que, até por razões de celeridade, reclamam uma actuação unipessoal (os órgãos colegiais estão sujeitos a um processo mais moroso de formação da vontade), é necessário que haja mecanismos que, de forma preventiva ou a posteriori, acautelem a dispersão de procedimentos.
Por outro lado, é especialmente por intermédio do Ministério Público que se asseguram as finalidades de uniformização da jurisprudência e de igualdade dos cidadãos perante a lei e a justiça. Por via dos recursos (particularmente dos recursos para uniformizar jurisprudência e de constitucionalidade), o Ministério Público potencia a unidade do direito e a igualdade dos que recorrem aos tribunais.
Cabendo ao Ministério Público amplos poderes de iniciativa que cobrem praticamente todas as áreas da vida em sociedade, a ausência de hierarquia poderia significar a multiplicação de entendimentos e a colocação dos cidadãos numa situação de verdadeira desigualdade.
A hierarquia permite evitar ou resolver a fragmentação de procedimentos ou de correntes doutrinais no interior do Ministério Público e, ao uniformizar as iniciativas desta magistratura, previne e remedeia a divisão da jurisprudência.
Além disso, o MP beneficia também de um princípio da estabilidade. Tal significa que os magistrados do Ministério Público não podem ser transferidos, suspensos, promovidos, aposentados, demitidos ou, por qualquer forma, mudados de situação senão nos casos previstos naquela lei.
Esta garantia, consignada em favor dos magistrados do Ministério Público, e para benefício da isenção e objectividade que só podem garantir melhor os direitos dos cidadãos, tem um conteúdo semelhante à inamovibilidade reconhecida aos juízes. Aliás, são os próprios Gomes Canotilho e Vital Moreira, quem ensinam que a referida garantia constitui não só uma reserva de lei quanto às excepções à inamovibilidade ou estabilidade como também a exigência de uma justificação adequada para essas excepções.
O paralelismo dos magistrados do MP em relação aos juízes, estabelecido estatutariamente, tem um significado e alcance precisos:
“É estabelecido segundo os vários escalões hierárquicos: o procurador-geral da República tem categoria, tratamento e honras iguais aos do presidente do Supremo Tribunal de Justiça e usa o trajo profissional que compete aos juízes conselheiros; o vice-procurador-geral da República tem categoria, tratamento e honras iguais aos dos juízes do Supremo Tribunal de Justiça e usa o trajo profissional que a estes compete; os procuradores-gerais adjuntos têm categoria, tratamento e honras iguais aos dos juízes de Relação e usam o mesmo trajo profissional; os procuradores da República e os delegados do procurador da República têm categoria, tratamento e honras iguais aos dos juízes dos tribunais junto dos quais exercem funções e usam o trajo profissional que a estes compete. “
Entretanto, os juízes mexem-se um bocadinho, mas estão preocupados com a sua eira, como é natural.
Os juízes deveriam entender que a magistratura do MºPº não é inimiga da dos juízes e se não participa do órgão de soberania "Tribunais" também não anda longe do mesmo e contribui decisivamente para a aplicação da Justiça em nome do Povo. Os juízes, em crime, só julgam o que o MºPº lhes apresenta para julgar...
Observador:
Os juízes enviaram a Marcelo Rebelo de Sousa um alerta contra as alterações ao funcionamento dos tribunais, aprovadas no Parlamento, e que no seu entender colocam em causa a sua independência e são até inconstitucionais. A exposição, noticiada pelo jornal Público, conta com a assinatura de 429 magistrados, num universo de 1.700 a nível nacional.
Os juízes promotores do aviso, feito esta semana, alertam para o risco de instrumentalização da classe pelo poder político e por outros magistrados que exerçam cargos de chefia no sistema judicial. E consideram que lei de Ministério da Justiça, liderado por Francisca van Dunem — ela própria uma procuradora –, representa “um instrumento de violento agravamento discricionário e casuístico da situação do juiz”.
Um dos aspectos mais atacados nas novas regras passa pela possibilidade de terem de trabalhar em vários tribunais, em simultâneo, sem receber uma remuneração adicional, o que para os juízes “fere um notável número de preceitos da Constituição”. A transferência dos magistrados entre tribunais é outra matéria alvo de contestação, na medida em que trata os juízes como “funcionários indiferenciados”, sujeitos e um regime de mobilidade.
Nova teoria de conspiração, precisa-se
Observador:
As impressões digitais o tunisino Anis Amir foram encontradas no camião usado no atentado de segunda-feira no Mercado de Natal de Berlim. A informação está a ser avançada pela imprensa alemã.
Se esta notícia se confirmar, é caso para dizer que há gente que gosta tanto de teorias de conspiração explicativas de acontecimentos que ainda vai elaborar mais uma para justificar que não se precipitou na análise do facto de o bi deste suspeito se encontrar no interior do camião.
Há um ditado da sabedoria popular que poderia ajudar estas pessoas: o diabo tapa com uma mão e destapa com as duas.
Os islâmicos não são alheios a esta natureza das coisas ou imunes a estes fenómenos. Aliás, já tinha acontecido o mesmo nos atentados de Paris, o que denota o amadorismo destes novos kamikazes e que por isso não são menos perigosos.
ADITAMENTO às 17:43:
O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, informou que o tunisino Anis Amri é, “com alta probabilidade”, o autor do atentado de Berlim, à luz das provas adicionais recolhidas no camião com que realizou o ataque.
Parece que afinal...poderá ser mesmo. Aguardemos por mais teorias de conspiração, então.
As impressões digitais o tunisino Anis Amir foram encontradas no camião usado no atentado de segunda-feira no Mercado de Natal de Berlim. A informação está a ser avançada pela imprensa alemã.
Se esta notícia se confirmar, é caso para dizer que há gente que gosta tanto de teorias de conspiração explicativas de acontecimentos que ainda vai elaborar mais uma para justificar que não se precipitou na análise do facto de o bi deste suspeito se encontrar no interior do camião.
Há um ditado da sabedoria popular que poderia ajudar estas pessoas: o diabo tapa com uma mão e destapa com as duas.
Os islâmicos não são alheios a esta natureza das coisas ou imunes a estes fenómenos. Aliás, já tinha acontecido o mesmo nos atentados de Paris, o que denota o amadorismo destes novos kamikazes e que por isso não são menos perigosos.
ADITAMENTO às 17:43:
O ministro alemão do Interior, Thomas de Maizière, informou que o tunisino Anis Amri é, “com alta probabilidade”, o autor do atentado de Berlim, à luz das provas adicionais recolhidas no camião com que realizou o ataque.
Parece que afinal...poderá ser mesmo. Aguardemos por mais teorias de conspiração, então.
quarta-feira, dezembro 21, 2016
Uma Cornucópia de esquerdistas
"O gesto inesperado de Marcelo Rebelo de Sousa em aparecer
naquela que deveria ser a última sessão da Cornucópia pode ter salvo a
companhia da extinção imediata, mas abriu uma nova frente de polémica. É que o
Presidente da República afirmou que tinha ido ao primeiro espectáculo da
Cornucópia, em 1973.
Algo que o encenador Jorge Silva Melo veio desmentir no
Facebook, com uma mensagem em que chama "mentiroso" a Marcelo. O
homem que fundou a Cornucópia com Luís Miguel Cintra garante que o Presidente não
foi ao espectáculo de estreia da Cornucópia: "O Marcelo diz que foi à
estreia de "O Misantropo" em 1973? Hã? Ca mentiroso, jasus.É que era
eu que tratava dos bilhetes, tenho memória infalível, era a nossa estreia e sei
lindamente quem foi (muitos já morreram...)"
E, para apimentar ainda mais
a trama, Silva Melo chama o primeiro-ministro à discussão. É que Silva Melo
lembra-se de que António Costa foi ver o espectáculo com a mãe: "Viste-o
por lá, ó António Costa? E a tua mãe e minha amiga Maria Antónia?", pergunta
Silva Melo."
Em 1973 o teatro em Portugal era uma das artes em que a gesnte da cultura esquerdista se acoitava para para minar os alicerces do regime.
Apesar da Censura então existente a mensagem cultural esquerdista passava sem dificuldades de maior entre os cultores do género e muitos dos artistas de então continuaram ao longo dos anos a representar para um público que foi diminuindo à velocidade do progresso tecnológico.
O teatro da Cornucópia foi um desses grupos, entre outros que então existiam e faziam espectáculos em salas de bairro.
O historial do grupo é contado aqui pelos próprios, sem a patine do tempo.
Por aí se vê que a primeira peça encenada e representada pelo grupo foi O Misantropo de Molière.
Conforme agora escrevem revisitando a História, a escolha de tal peça do repertório "clássico" ficou a dever-se ao terrível fassismo ("condicionado pela censura fascista"...)
Um dos fundadores iniciais da troupe foi Jorge Silva Melo ( a par de Luís Miguel Cintra), o mesmo que agora apelida o presidente da República de "ca mentiroso" por, segundo as suas memórias, não ter ido à estreia da primeira peça, como terá dito.
Vamos primeiro ao "fassismo" como factor inibidor das actividades culturais esquerdistas da época.
A par da Cornucópia, fundada em finais de 1973, havia já em acção vários grupos de teatro que representavam peças de outro género que desmentem mais esta palermice idiota, como os Bonecreiros com "A grande imprecação diante das muralhas da Cidade", do alemão Tankred Dorst e que o próprio PCP considerou em 2004 ter sido "uma brecha aberta na rude muralha fascista que meses
depois havia de ser derrubada pelo povo".
Também de Tankred Dorst, a peça A curva, foi levada a cena pelo Grupo4, ( Rui Mendes, Irene Cruz, João Lourenço e Morais e Castro) e lidava com temas que aparentemente a Censura fassista não deveria tolerar na concepção tola destes revisionistas da História. Esta premência estúpida em diabolizar o tempo anterior ao 25 de Abril de 1974 leva às falsificações históricas, ao revisionismo da própria memória e à descredibilização completa destes indivíduos que assim se expõem.
No grupo A Comuna-Teatro de Pesquisa, havia a intervenção do "dramaturgo" Nuno Bragança, um "católico progressista" ( deram todos no MES...) e as obras levadas a cena reflectiam esse espírito progressista da época com censura fassista.
E por aí fora...como se mostra nestes recortes da revista Cinéfilo, de 11 de Outubro de 1973, no seu número 2 e que mostra bem o que foi esta gesta do teatro contra o fassismo.
Quanto ao grupo da Cornucópia e à sua estreia coincidiu tal com a publicação deste número do Cinéfilo de Outubro de 1973 e disso se dá conta. A peça estreou em 13 de Outubro de 1973, um Sábado e era muito recomendada pela qualidade profissional dos actores.
Também a revista R&T que então se publicava, na sua resenha de fim de ano mencionava a peça e o grupo .
E o jornal o Século, representante do fassismo mas com articulistas como o comunista Urbano Tavares Rodrigues também o mencionou na edição de 1 de Janeiro de 1974, com "uma última menção de alto louvor":
Tal como mencionava no artigo da R&T uma síntese de peças de Arrabal, na peça Cemitério de Automóveis e no artigo do Século o carácter da peça que "vai ao encontro do mais profundo Arrabal, místico, escatológico, num clima de denúncia dos tabus e revolta infrene".
Enfim, tudo características de um Arrabal que só poderia ser um perigoso fassista, como é sabido e só por isso foi possível representá-lo no Portugal de 1973...
Perante isto o que diz Jorge Silva Melo sobre o "ca mentiroso" vale tanto como o que diz sobre o resto, lá no sítio do grupo de teatro: pouco, muito pouco.
Mas é interessante e evidente que a senhora Palla não poderia ter faltado à estreia destes esquerdistas nos idos de 1973.Torna-se aliás muito interessante revisitar estes jornais de época em que se espelha um predomínio esquerdista na área da cultura que explica de algum modo o que sucedeu depois do golpe de 25 de Abril de 1974.
O jornal socialista maçónico República, já então dirigido por Raul Rego fazia na sua edição de 31 de Dezembro de 1973 uma apreciação sobre o teatro da época em Portugal, destacando a peça da Cornucópia. Assim e de modo que não se suscitam dúvidas sobre o facto de ter sido uma peça escolhida por se adequar ao critério de qualidade e não apenas como refugo por não poderem representar outras peças que o fassismo não deixava, como agora se lamuriam em revisionismo histórico:
Em entrevista à mesma revista Cinéfilo nº 17 de 24 de Janeiro de 1974 o fundador Jorge Silva Melo dizia mesmo que O Misantropo tinha sido escolhido porque provou que era-é- possível fazer o teatro que queríamos, quer ao nível estético, quer ao nível pessoal"
Dizer agora na página do grupo que este género de peças era escolhido por não se poderem representar outras é digno de um Marcelo Rebelo de Sousa...
E anunciar a peça seguinte, A Ilha de Escravos de Marivaux, escrevendo o que se pode ler é a prova disso mesmo.
ado de
Marcelo Rebelo de Sousa em aparecer naquela que deveria ser a última
sessão da Cornucópia pode ter salvo a companhia da extinção imediata,
mas abriu uma nova frente de polémica. É que o Presidente da República
afirmou que tinha ido ao primeiro espetáculo da Cornucópia, em 1973.
Algo que o encenador Jorge Silva Melo veio desmentir no Facebook, com
uma mensagem em que chama "mentiroso" a Marcelo.
O homem que fundou a Cornucópia com Luís Miguel Cintra garante que o
Presidente não foi ao espetáculo de estreia da Cornucópia:
"O Marcelo diz que foi à estreia de "O Misantropo" em 1973? Hã? Ca
mentiroso, jasus.É que era eu que tratava dos bilhetes, tenho memória
infalível, era a nossa estreia e sei lindamente quem foi (muitos já
morreram...)"
E, para apimentar ainda mais a trama, Silva Melo chama o
primeiro-ministro à discussão. É que Silva Melo lembra-se de que António
Costa foi ver o espetáculo com a mãe: "Viste-o por lá, ó António Costa?
E a tua mãe e minha amiga Maria Antónia?", pergunta Silva Melo.
Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/silva-melo-chama-mentiroso-a-marcelo-rebelo-de-sousa-em-causa-a-presenca-do-presidente-na-estreia-da-cornucopia-em-1973
Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/silva-melo-chama-mentiroso-a-marcelo-rebelo-de-sousa-em-causa-a-presenca-do-presidente-na-estreia-da-cornucopia-em-1973
O gesto inesperado de
Marcelo Rebelo de Sousa em aparecer naquela que deveria ser a última
sessão da Cornucópia pode ter salvo a companhia da extinção imediata,
mas abriu uma nova frente de polémica. É que o Presidente da República
afirmou que tinha ido ao primeiro espetáculo da Cornucópia, em 1973.
Algo que o encenador Jorge Silva Melo veio desmentir no Facebook, com
uma mensagem em que chama "mentiroso" a Marcelo.
O homem que fundou a Cornucópia com Luís Miguel Cintra garante que o
Presidente não foi ao espetáculo de estreia da Cornucópia:
"O Marcelo diz que foi à estreia de "O Misantropo" em 1973? Hã? Ca
mentiroso, jasus.É que era eu que tratava dos bilhetes, tenho memória
infalível, era a nossa estreia e sei lindamente quem foi (muitos já
morreram...)"
E, para apimentar ainda mais a trama, Silva Melo chama o
primeiro-ministro à discussão. É que Silva Melo lembra-se de que António
Costa foi ver o espetáculo com a mãe: "Viste-o por lá, ó António Costa?
E a tua mãe e minha amiga Maria Antónia?", pergunta Silva Melo.
Ler mais em: http://www.cmjornal.pt/politica/detalhe/silva-melo-chama-mentiroso-a-marcelo-rebelo-de-sousa-em-causa-a-presenca-do-presidente-na-estreia-da-cornucopia-em-1973
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