quarta-feira, agosto 26, 2009

Uma personagem shakespeareana


Clicar na imagem para ler o artigo de Philippe Raynaud que Mário S. deveria ter lido para ser mais comedido no que escreve e não andar sempre a reboque de lampejos de "esquerda" que lhe servem para se afirmar o que nunca foi...

Mário S. , o principal apaniguado do regime que temos, escreveu um artigo no Diário de Notícias de ontem, 25 de Agosto.

Nele estende ideias feitas há muitos anos, sobre o “socialismo democrático” que nada mais significa do que a rendição de um partido socialista dito de esquerda a uma social-democracia de direita envergonhada.

Como sempre, fala de cor e citando ideias alheias que bebe nos sítios habituais, como é, por exemplo, a revista francesa Le Nouvel Observateur. Nos anos setenta, havia quem jurasse que Mário S. só tinha ideias políticas sobre assuntos internacionais, depois de ler Jean Daniel, o director da publicação.

Agora, no artigo do DN, cita mais uma vez o Nouvel Obs. para repescar outra ideia peregrina que já adiantou noutros sítios, depois de ler qualquer coisa sobre o assunto: Marx e a explicação da crise económica que se vive no mundo.

Para Mário S. que cita ( mal) outros opinionistas, Marx permite compreender melhor o capitalismo de hoje. Mário S. compreende, por assim dizer. Assimila-o “à deriva neoliberal “ e está dado o mote para fustigar até os “socialistas neoliberais formados na terceira via, uma verdadeira fraude intelectual” . Pasme-se! Mário S. acaba de dar o golpe de misericórdia na falta de ideias políticas do actual PS.

Mário S. não deve ter lido o artigo do NouvelObs até ao fim, com a opinião do autor Aude Lancelin, quando o mesmo afirma que Marx poderá ter prenunciado a crise actual do capitalismo, ao descrever o seu funcionamento e essência visível, mas “ após a desorientação do Inverno, o capitalismo está por aqui, mais que nunca e as suas alternativas credíveis ainda não foram inventadas”.

Aliás, Mário S. numa perspectiva marxista quem é? Um bruguês típico. Um apaniguado do capitalismo e dos seus rebentos florescentes que sempre lhe apararam o jogo, enquanto esteve no poder político executivo. Mário S. nunca foi um socialista, porque optou imediatamente a seguir a 25 de Abril de 1974 em “ meter o socialismo na gaveta”, de onde nunca mais saiu. Inventou depois a treta da expressão "socialismo democrático" , para não assumir abertamente o que sempre foi : uma social-democrata indistinguível dos restantes e que se sentam nos partidos que putativamente estão "à direita". Uma vergonha taxionómica e que tem servido os intentos pessoais e político-partidários de quem nunca foi o que diz ser.

Foi Mário S. enquanto político que nos conduziu para uma bancarrota quase certa se não tivesse vindo o capitalissimo FMI. Foi Mário S. quem deu os passos finais ( os iniciais já tinham sido dados pelo marcelismo) para nos meter na capitalíssima CEE e foi Mário S. quem sempre governou para satisfazer as “políticas de direita” ou seja, anti-socialistas como os comunistas sempre, sempre denunciaram.

Vere Mário S. escrever em prol de Marx. só mesmo por ironia. Um burguês típico a cuspir na própria sopa? Nem tanto. Um burguês típico refastelado no único refúgio que lhe consente a coerência: o paradoxo, como sempre foi.

O artigo de Mário S. aliás, revela outra coisa extraordinária que faz luz intensa sobre acontecimentos relativamente recentes da história portuguesa.

Ao referir-se a um pretenso conflito institucional, Mario S. confessa o assédio de “uma boa dezena de jornalistas” que o tentou contactar para falar sobre o assunto “ para colher de mim uma frase ou duas-não seria preciso mais- para alimentar o pseudoconflito institucional”.

Para lidar com essa situação, Mário S. é um mestre e dá a sua receita a conhecer: “ Claro que o bom senso-e alguma experiência que conservo de um passado, cada vez mais longínquo-aconselhou-se a estar calado, a não lançar achas numa fogueira cujo objectivo ignoro(...)”.

Esta frase ilumina o mistério do silêncio de Mário S. nos primeiros meses do escândalo Casa Pia que abalou o PS de alto a baixo e justificou reuniões de cúpula em gabinetes de crise para lidar com a situação catastrófica que se anunciava para o partido, com vários dos seus dirigentes suspeitos de envolvimento em práticas pedófilas.

Mário S. durante essa época de crise grave e intensa para o partido, manteve-se sempre calado e sem qualquer referência nos media que não nos “mentideros” e nos boatos.

Estranhei sempre que um indivíduo que nunca teve medo de se pronunciar sobre fosse o que fosse, estivesse sempre tão calado e ausente da ribalta. Não se ouviu nunca uma palavra de defesa dos entalados, apaniguados do seu partido e a única vez que saiu dessa toca escura foi para atacar em modo soez o antigo PGR, Souto Moura, a propósito de uma infâmia que Mário S. devia saber melhor que ninguém do que se tratava: um estratagema para castigar o antigo PGR pelo que putativamente fez ao PS, deixando correr a investigação sem entraves de maior. Coisa nunca vista em Portugal, em épocas passadas. Coisa nunca vista no tempo em que Mário S. estava no poder supremo da própria presidência...

Mesmo no tempo dos “ballet rose” , escândalo que o mesmo Mário S. tomou a iniciativa de denunciar publica e internacionalmente para entalar o regime, com base em provas que recentemente se conheceram através do advogado que as apresentou.

Confesso que tal atitude de Mário S., em paralelo com a de agora, me lembra inapelavelmente uma peça shakespeareana. Não sei se uma tragédia se uma comédia, embora penda para esta última...com um nojo profundo.

domingo, agosto 23, 2009

República de néscios

Com que então “república de magistrados”, não é assim? Ou de juízes, quando calha, não é assim também?

Só por brincadeira alguém poderá avançar o conceito como algo mais que uma piada para distrair incautos e esconder o verdadeiro poder republicano.

Apesar disso, o argumento dos que brandem o espantalho do poder dos juízes e magistrados contra os poderes representativos, surgidos pela via eleitoral, fixam-se em poucas razões: neste momento, o Raposo do Expresso até as estendeu ao poder dos magistrados do MP ( que segundo o mesmo ninguém controla, o que denota bem o avançado grau cultural da criatura). A razão já foi exposta: como o MP controla os inquéritos deixa sair a conta-gotas a informação preciosa que determina o calendário e opções político partidárias. As investigações, as suspeitas, os arguidos, as acusações, são as canhoneiras dos brigues que navegam em águas turvas para atingir os almirantados do poder político que que navegam à vista.

Em primeiro lugar e para atalhar razões será preciso demonstrar que é do MP, da sua estrutura organizativa de sector, designadamente do DCIAP ou da PGR que saem as informações em segredo de justiça que chegam aos media. Não está demonstrado, o Raposo não sabe que é assim e atira a pedra da atiradeira para o alvo fácil: o MP. Não é o primeiro a fazê-lo de modo acintoso e determinado. Antes dele, inúmeros colunosos caluniaram de igual modo, impunemente. Freitas do Amaral fê-lo na tv, contra Cunha Rodrigues. Proença de Carvalho fê-lo nessa altura, também depois e continua a fazê-lo , sem que alguém lhe diga que uma vez por todas para se callar nessa toada de calúnias.

Quem sabe se a magistratura do MP viola o segredo de justiça dos processos que têm a seu cargo são os detentores da informação em primeira mão. Ou seja, os jornalistas. São eles quem conversa, quem pede, quem solicita, quem recebe, quem ouve e quem publica.

Haja o primeiro a dizer e escrever violando o segredo da fonte inquinada que recebeu de A ou B, do MP, a informação que publicou.

Como ninguém ainda se atreveu a tanto, o que o Raposo deve fazer é muito simples: ou prova o que diz ou não passa de um mero difamador de uma instituição. Com muita probabilidade de o ser, embora a presunção de inocência funcione aqui para o lado da dúvida.

Em segundo lugar, o poder do MP, em determinar a “atmosfera política. “ Quem determina essa atmosfera são os factos. Reais ou inventados pelos media.

Quem mata a “dignidade da democracia “ não são os “mísseis do mp”, como escreve Raposo. São apenas as personagens políticas que temos e o que vamos sabendo das mesmas.

Aliás, o que é isso de “dignidade da democracia” ? O silêncio sepulcral sobre suspeitas de malfeitorias dos políticos?
É esse o conceito de dignidade democrática? Esconder até ao máximo possível de uma eventual condenação transitada em julgado um qualquer facto que em qualquer democracia avançada do mundo ocidental, soa a campainha de alarme? O que se passou na Inglaterra com os desmandos dos parlamentares que gastavam dinheiro público em proveito privado, deveria ter sido abafado em nome da “dignidade democrática”?

Este Raposo, com estas ideias, confunde as pessoas, porque escreve uma ignomínia, elabora o raciocínio viciado e depois elenca os princípios grandiosos da democracia...arre!

Em terceiro lugar e para terminar , os escândalos judiciais não são geralmente inventados pelos magistrados ou pelas polícias. São-no pelos noticiários da manhã da TSF , da Antena Um, das notícias da tarde e noite da SIC ou da TVI, e das reportagens do Público ou do i.

Mais: se esses media estivessem devida e profissionalmente bem informados, teriam outros critérios de noticiar acontecimentos judiciários. Saberiam distinguir o trigo do joio e não aparariam qualquer sombra de escândalo que lhes permita subir um ponto em audiências.

Para acabar: só por manifesta má-fé se pode dizer e escrever, como faz Raposo que o MP fez “uma gestão escandalosa do caso Freeport. “

O MP é que fez essa gestão? O MP?

Este indivíduo quer-nos fazer passar por parvos. Só pode se isso.

República de palermas


Este artigo colunoso de Henrique Raposo no Expresso de ontem, seria uma pequena infâmia se não denotasse apenas uma palermice. O resumo da tese colunista é simples: o Ministério Público é quem manda no regime político português.

Vai a ler-se o porquê e saltam da toca argumentos deste novo Teodorico, aparentando-se à personagem de Eça na Relíquia. Também este Raposo, sem perceber o mundo próximo que o rodeia, atira para o que lhe parece ser óbvio, concluindo que “ a nossa democracia está hipotecada e quem contola a hipoteca é um conjunto de procuradores que domina o espaço público através das fugas de informação.” ( sic).

Ainda mais : “ a nebulosa composta por procuradores que não prestam contas a ninguém conseguiu o que pretendia: através do caso Freeport , o MP está a dominar, de forma silenciosa, a atmosfera política; a campanha eleitoral está a ser conduzida dentro dos limites impostos pelo MP.”

Portanto, a tese Raposo é essa- a de a democracia estar hipotecada ao MP por causa das fugas de informação.

Passando por cima a infâmia do "não prestam contas a ninguém" , apetece ainda acrescentar que não são os factos que lhe interessam; não são os protagonistas de relevo quem o incomodam; não são os entraves que se apresentam que o perturbam nem são as desinformações e dificuldades objectivas que o indignam. Nada disso. O que incomoda o Raposo são as “fugas de informação”, no caso particular, do Freeport.

Para não ir mais além neste retrato objectivo de uma república de palermas que o Raposo nos oferece de bandeja colunista, poderia perguntar-se a estoutro Teodorico quem será a tia que lhe encomenda este sermão e porque razão lhe oferece esta prenda. Contudo, não seria suficiente, a resposta, por uma razão prosaica que não almeja: as fugas de informação só valem se forem publicadas. E a publicação depende de outra república: a dos vários raposões que abundam na praça dos media que furam a lei do sigilo processual, sem medo ou sanção. Depois, o Raposo nem se interessa muito em saber de onde virão exactamente as informações em fuga. Estando no processo, só podem vir de quem o dirige, parece-lhe, sem querer saber quem e quantos têm acesso efectivo à informação. Isso nada lhe interessa, aparentemente, porque desvirtuaria a sua tese exposta.

Portanto, quem começou o caso Freeport nos jornais? Quem o lançou para a praça pública e o alimentou a conta-gotas? Foram os vários raposões dos media, não foi o MP certamente.

Quem publicou a primeira notícia sobre o Freeport e com informação de quem, afinal?

Relembremos a este novo Raposão: foi o semanário Sol, num fim de semana de Janeiro de 2009 e só dizia que havia um ex-ministro de Guterres que era suspeito de ter recebido luvas no caso Freeport. Depois, foi o que se soube e os demais raposões publicaram. O MP, nisto, onde pára? No DCIAP de Cândida de Almeida? Só mesmo um Raposo para acreditar.

Se alguma coisa houve, para indemonstrar a putativa hipoteca, foi precisamente a de se iluminar , pela negativa, quem detém verdadeiramente os cordelinhos do poder em Portugal e toda a gente já percebeu isso, menos o Raposão do Expresso.

A hipoteca da república está dependente de quem, afinal? Da ( des) informação. Qualquer verdadeiro Raposão o sabe de ginjeira. É essa república que devora bananas, ananazes e gambuzinos que tem um controlo mitigado da hipoteca. Como outros têm e devem ter. O Raposo, pelos vistos, não entende assim e pode por isso perguntar-se se pretende que a única legitimidade venha apenas dos votos. Será assim? Se for, é uma visão curta da democracia. Uma visão de toca escura.

Em Itália, no início dos anos noventa, a operação ManiPulite destapou o esquema generalizado de corrupção política, através da mostra ao público das ligações entre políticos, negócios e até mafiosos.

A partir de determinada altura a onda de corrupção e os tentáculos dos vários polvos que nela se acoitavam eram tão extensos que os magistrados encarregados não tinham mãos a medir. Por isso foram difamados, vilipendiados e tal como agora por cá e aqui, alvo de infâmias. Também na Itália se falou amplamente de uma república de juizes e a expressão frutificou entre os políticos com medo de ceder quota de poder que pretendem exclusivo.

Mas a infâmia, na Itália, não partia geralmente dos colunosos da imprensa. Estes apoiavam a tal república nascente, por causa dos efeitos da que tinham. Os ataques partiam por issso, dos implicados e envolvidos...

Daí a perplexidade que estes raposões provocam sempre que escrevem a citar exemplos alheios totalmente despropositados, ainda por cima. Estranho. Mais estranho ainda quando é notório que denunciando uma putativa república de magistrados, sempre com o exemplo italiano mal estudado e pior digerido, o que acabam mesmo por mostrar é a república de palermas em que nos querem transformar.

Resta saber se de propósito ou por simples estupidez.

domingo, agosto 16, 2009

Woodstock, 3 dias de paz e música em Agosto de 1969

Imagem do cartaz do filme sobre Woodstock, retirado algures. Porventura daqui.

Faz hoje 40 anos que decorria, pelo segundo dia, o festival de Woodstock. Na época, em Portugal quase nem se terá falado do evento.
Só mais tarde, com o aparecimento do filme, em 1971 e do triplo Lp, seguido de um outro ( o espectáculo durou três dias e a música gravada daria para o quíntuplo do que se conhece), começaram as "análises críticas", com significado político implícito.
Por exemplo, esta, de Mário Correia, na revista Mundo da Canção de 20.4.1972 e que se estendeu por quatro números daquela revista surgida apenas em Dezembro de 1969. Por este artigo se podem ler e perceber o alcance do que podia ser escrito em Portugal, numa época de censura, sobre um acontecimento que questionava abertamente a guerra dos USA no Vietnam e que obviamente servia de mote para a crítica à nossa guerra no Ultramar.
O jornal i de ontem, relata algumas das vicissitudes políticas que rodearam o visionamento do documentário de Michael Wadleigh e que saiu por cá em 1971 depois de ter sido estreado lá fora no ano anterior. O artigo da Mundo da Canção reflecte essas vicissitudes em frases precisas, ao longo de 4 números . Por exemplo " os tempos estão a mudar", sobre o "inconformismo da juventude originado por um complexo conjunto de insatisfações e protestos".
O articulista da Mundo da Canção citava na parte final do artigo a revista Look, um semanário americano que concorria com a Life, tipo Flama ou Século Ilustrado.
Mas o sumo e essência do artigo não vinham da Look...e a censura do regime político de 1969, não andava a dormir, embora no caso da Mundo da Canção, fizesse de conta. Pelo menos até ao número 34, em que apareciam na capa, com todo o destaque, os discos LP de José Mário Branco, margem de certa maneira; de José Afonso, eu vou ser como a toupeira e José Jorge Letria, até ao pescoço, para além da Fala do Homem nascido, de um colectivo em que avultava o nome de José Calvário e José Niza e ainda Samuel ou Carlos Mendes, bem como o Lp de Mário Viegas, palavras ditas.
A Censura de início de 1973 achou e era demais e esse número da revista foi logo apreendido.


Para maiores desenvolvimentos, ler a Loja de Esquina.

quarta-feira, agosto 12, 2009

Estilo José S.


O jornal 24 Horas de hoje publicou uma reportagem sobre "As férias secretas de Sócrates" ( clicar na imagem para ler).

A reportagem é deliciosa por vários motivos. Aponta os gostos requintados de novo-rico que procura um resort de luxo, no estrangeiro, para passar duas semanas de férias com os próximos.

Este aparente novo-rico é primeiro-ministro de Portugal e já foi notícia, anteriormente, por ser uma das figuras de proa e montra de uma loja de apparel americana, o Bijan em Rodeo Drive, de Los Angeles, onde um fato por medida fica por uma conta calada em que não é suficiente de todo um ordenado anual de PM português ( ou de outro lado qualquer).
Ainda este mesmo ano passou uns dias de férias no Sheraton-Pine Cliffs no Algarve, onde quatro dias de estadia ficam por cerca de dois mil euros.

Agora, o 24 Horas, deleita-se nos pormenores do menu preferido de José S. - caldeirada de lagosta a 100 euros o prato. Alvitra o redactor da reportagem que a diária no resort de Menorca fica por cerca de 1000 euros e no total, sem descontos, José S. gastou uma conta calada de mais de 14 mil euros.
Três salários mensais para umas férias de duas semanas!
Nome na montra do "Bijan", com a indicação de que é o "prime minister of Portugal", conforme foi amplamente comentado e nunca desmentido pelo visado, apesar de noticiado pelo jornal i.

Em férias, este ano, já gastou por conta, mais do que ganha por ano um empregado de classe média.
E isso para um indivíduo que declarou ganhar cerca de 5 mil euros por mês -e mais nada!


Daqui a dias vai encher os écrans com proclamações contra a direita e a favor da esquerda solidária e dos pobres.

Por mim apetece-me perguntar, porque este indivíduo é primeiro-ministro do meu país, se isto não interessa nada a ninguém...


Desatinos

Manuela Ferreira Leite, confrontada com os comentários depreciativos a propósito da inclusão de António Preto nas listas de candidatura ao Parlamento, disse que "Tenho de esperar aquilo que legitimamente todos devem esperar que é a decisão da justiça, e não tenho de me antecipar, dando eu a minha própria sentença." ( Público de hoje)

Parece correcto, se estiver a falar da responsabilidade criminal.

Mas como compreender a sua lógica se logo a seguir fala no caso Lopes da Mota, para dizer que " temos uma pessoa que está a representar mal Portugal, que está a humilhar as instituições internacionais, que está acusada de manipular o sistema de justiça." ?

Não se entende que MFL apele à presunção de inocência do arguido acusado e pronto para julgamento em processo criminal, António Preto e denuncie ao mesmo tempo o se desapego a essa presunção de inocência, relativamente a Lopes da Mota que nem está acusado de qualquer crime, encontra-se ainda a ser investigado em sede de processo disciplinar e nem se sabe se daí resultará qualquer sanção que só poderá, nesse âmbito, ser de carácter disciplinar.

É demasiada confusão e desatino para quem se propõe liderar o país nos anos mais próximos.

A corrupção continua a compensar

O jornal i anda a compilar uma série de 30 "escândalos da democracia", neste mês que passa. O de hoje relata o caso do "general que acusou os políticos e foi condenado".

O jornal não se limita a publicar imagens da hemeroteca de Lisboa, com as notícias da época. Ouve as pessoas envolvidas à luz do tempo que entretanto passou.

Por isso, ouviu o general Garcia dos Santos, deste modo:

"Dois anos antes da chegada do general fora ordenada uma auditoria na JAE na sequência de afirmações do presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, Pedro Ferraz da Costa. Foram detectadas "actividades privadas geradoras de incompatibilidade legal". Mas - segundo a Procuradoria-Geral da República - em nenhum caso se evidenciaram "situações de corrupção ou de financiamento de partidos", precisamente o que Garcia dos Santos denunciou ao "Expresso" meses depois de ter renunciado à presidência da Junta.

"O engenheiro Cravinho e eu fizemos o mesmo curso no Instituto Superior Técnico", rememora o general. "Hoje apresenta-se como um paladino contra a corrupção, mas na altura recusou fazer certas coisas." Quais coisas? As respostas do general são crípticas: "Eu sabia de muitos empreiteiros?" Sim, mas quantos? "Vários, alguns..."

Garcia dos Santos exigiu a expulsão de "tal e tal e tal", funcionários da JAE. Cravinho aceitou mas acabou por recuar, o que levou o militar a pedir a demissão e a telefonar ao semanário de Pinto Balsemão. Na edição de 3 de Outubro de 1998 afirmou ter "quase a certeza absoluta" de que o governo sabia quais eram "as pessoas corruptas dentro da Junta".

As declarações do general, levaram-no a uma audição no gabinete do PGR Cunha Rodrigues. E ainda a uma comissão parlamentar de inquérito. Pouco de relevante se apurou, embora a JAE fosse então desmantelada. Alguns dos seus nomes sonantes e suspeitos, nunca pronunciados abertamente e por quem sabia ( Cravinho e Sousa Franco por exemplo) , continuam por aí, bem instalados e a gozar rendimentos e proveitos. Compensou, para eles, a corrupção então rompante. E foi por isso que outros lhe seguiram o exemplo, anos a fio. O Freeport poderá ser um filho desta mentalidade que não duvida que o BPN "é um caso de polícia".
Quem estava no Governo de então ( 1998)? Guterres.
Garcia dos Santos dizia na entrevista ao Expresso ( para quem telefonou, antecipando-se a uma inoperância da JAE de Cravinho e a quem tinha proposto a demissão de vários suspeitos de corrupção) que " JAE financia partidos políticos".
Era este o problema e Cravinho devia saber disto. Porém, com o PS ninguém se mete nestas embrulhadas. "Leva", segundo o alvitre de um Coelho saltitante. E Cravinho era desse PS. Foi do MES, mas acabou nesse PS. Típico.

A verdadeira luta contra a corrupção está aqui espelhada: não existe por anomia dos próprios responsáveis pelos seu combate. Ainda por incapacidade em enfrentar o problema do financiamento do partido. O partido precisa de dinheiro e nunca, na democracia de mais de trinta anos, houve um MP ou um juiz que se atrevesse a fazer uma busca nas sedes partidárias ou de quem orienta as finanças do partido. Esses lugares são santuários da democracia e por isso, intocáveis. Os seus oficiantes estão acima de qualquer suspeita e tudo o que se disser em contrário é por conta da cabala e da urdidura, naturalmente.
Até quando este temor reverencial incrível? Até quando este medo da democracia, por respeitinho aos seus "donos".
Será por medo do anátema da "república de juízes"? Só pode, mas é tempo de acabar com esse atavismo.
Os partidos políticos não estão acima da lei nem podem ser coutos de corruptos ou antros de malfeitores da democracia, onde se organizam num "toca a reunir" sempre que há ameaça de "decapitação". As Anas Gomes deste país deviam ser denunciadas sempre que assim procedem, mas isso não acontece porque são essas pessoas quem anatematiza os temerários que possam aparecer. Um círculo do vício, portanto.

A democracia não é isto. É outra coisa e os donos do poder não podem ser os primeiros a usar meios antidemocráticos para se perpetuarem e cargos e benesses.

Cravinho que depois disso denunciou a falta de empenho no combate à corrupção, foi, na época, um dos que não conseguiu, porque não quis ou não pôde, fazer frente ao monstro. Espera-se que Cravinho se defenda destas acusações de omissão grave e incoerência ainda pior.

No entanto, prova mais evidente e flagrante do nosso problema endémico de corrupção que lida com a estrutura do Estado, não pode haver. Que sirva de lição porque o tempo nada ensinou e se alguma coisa pode ser acrescentada é que se refinou o modo de corrupção. Agora faz-se com a ajuda de decretos-lei.

terça-feira, agosto 11, 2009

Aldrabices habituais de José S.

O actual primeiro-ministro do governo que está, publicou um artigo no Jornal de Notícias de hoje ( um jornal transformado em situacionista político), para transmitir uma ideia eleitoral: o PS e o Governo que de lá saiu, são de esquerda e por isso lutam contra a direita. Seja lá isso o que for, que aliás não interessa nada definir com precisão, José S. passou a ser refinadamente de esquerda.
Como é sabido, tem gostos de esquerda, estilo de vida de esquerda, costumes de esquerda e até aprendeu a falar à esquerda. A esquerda é um lugar mítico onde se vai sempre que um homem quiser. Ao "bijan" do Rodeo Drive de Los Angeles, por exemplo. Ou ao Pine Cliffs de Albufeira.
Uma das linhas divisórias entre a mítica esquerda que José S. agora pronuncia e a execrada direita que denuncia, é, segundo o PM, a política social de governo.
Assim:
"Há uma escolha crucial a fazer sobre o futuro das políticas sociais - e também aí as opções são claras, separando nitidamente a direita e o PS. A direita insiste no recuo do Estado Social, para a condição de Estado mínimo ou, como dizem agora, Estado "imprescindível". (...)

E para que não haja qualquer equívoco:

"Para a próxima legislatura, propomo-nos reforçar ainda mais as políticas sociais, de modo a enfrentar os novos desafios do Estado Social."

Outra das linhas de força desta esquerda reforçada pelo novel esquerdista, é a do investimento público:

O PM não tem dúvidas e não pretende enganar-se a este propósito, mesmo que ande a ler Niall Ferguson que pelos vistos nada lhe ensinou:

"há uma escolha política a fazer sobre o investimento público. A questão é esta: num contexto de crise económica global e de consequente quebra das exportações, de falta de confiança e adiamento de projectos por parte dos investidores privados, de dificuldades no acesso ao crédito, de menor procura pelos consumidores, que factor pode contribuir para relançar a economia, salvar muitas empresas e promover o emprego? Desde a célebre Grande Depressão, que se seguiu à crise de 1929, todos os economistas que resistem à cegueira ideológica sabem a resposta: o investimento público. "

A estas linhas programáticas do esquerdismo de José S. responde indirectamente no jornal i de hoje, o seu ex-ministro Campos e Cunha, por certo um perigoso direitista que por isso mesmo nunca teria lugar em qualquer governo de esquerda, como o de José S. foi e confessadamente pretende ser.

De uma penada que cabe num parágrafo com meia dúzia de frases, Campos e Cunha demonstra o desmiolo de José S. e a sua acabada capacidade para aldrabar e manipular a opinião pública em direcção a um campo político que lhe pode interessar.
Sobre o programa de "esquerda" do PS, Campos e Cunha diz que não lhe suscitou curiosidade particular pelo seguinte:


"Desde já por manter os grandes projectos [de obras públicas]. Estou firmemente convicto de que se os grandes projectos públicos forem todos para a frente nós vamos ter um longo período de estagnação económica. O TGV significa que teremos de pagar indemnizações compensatórias permanentemente, as auto--estradas vão estar vazias e tudo vai sair dos impostos. Vamos introduzir uma rigidez brutal nos orçamentos futuros - e os orçamentos já são difíceis de fazer porque há uma grande rigidez. A dívida pública é cada vez maior, os juros serão cada vez mais elevados, os salários dos funcionários públicos têm de ser pagos, tal como as pensões, e além disso tem de se pagar as parcerias público-privadas (PPP). O que sobra para gerir depois disto é muito pouco, o que significa que o investimento público será cortado, que as prestações sociais vão ser reduzidas e a culpa disso estará nas decisões tomadas hoje."

Ou seja: lá se vão os argumentos de esquerda de José S. precisamente nos dois pontos-chave do programa de partido: o investimento público em grandes obras e o reforço das políticas sociais. Uma coisa não poderá acompanhar a outra, no Portugal que temos. A esquerda que José S. defende diz que sim.
Aliás, para esta táctica de diversão, tanto lhe faz que um Campos e Cunha alinhe pela execrada direita, sendo de esquerda. Esse tipo de contradições nunca incomodou aldrabões.

Que fique claro:

José S. enquanto candidato eleitoral pretende apenas enganar mais uma vez o povo que vota. Desta vez interessa-lhe captar a atenção de uma esquerda que nem sabe exactamente o que será, mas que vota à esquerda, seja lá isso o que for e que ainda concebe o PS como um partido de esquerda.
O argumento de propaganda é velho e revelho e tem sido usado ad nauseam pelo partido de José S.
Sempre que lhe cheira que o povo ignaro prefere políticas sociais a qualquer custo, o PS defende a bandeira de esquerda. Em nome de socialismo que deixou na gaveta que nunca mais voltou a abrir.
Isto é uma suprema aldrabice que dura há mais de trinta anos. Ainda rende, pelos vistos. Até quando?

what´s going on-II?

José Eduardo Moniz ao 24 Horas de hoje:

" (...) em relação a qualquer outro, no relacionamento com os jornalistas, este Governo denotou um refinamento que nunca tinha visto..."

segunda-feira, agosto 10, 2009

Os escândalos democráticos

Do mesmo i, a notícia requentada de um escândalo da democracia e que vale a pena ler, para se entender como são as pessoas que foram o que foram:

A burla foi detectada em 1983, quando o gerente do banco Pinto & Sotto Mayor em Mira tentou depositar 200 mil contos na Dopa. O processo foi instruído por um magistrado do Tribunal de Instrução Criminal (TIC) e posteriormente entregue a Luís Verdasca Garcia. No Natal de 1984, o novo juiz ordenou uma busca à Dopa que resultou na detenção do patrão e na apreensão de uma lista com 235 clientes ou "correntistas". Além de Sousa Tavares, estariam nela outros apelidos ilustres, enumerados pelo jornalista Manuel Catarino: "Vanzeller, Pinto Basto, D?Orey, Avillez, Roquette, Lumbrales, Breyner, Mendia - entre outros."

Uma outra lista, mais política e supostamente mais incendiária, teria sido destruída. O dono do "Expresso", Pinto Balsemão, também foi referido por Verdasca Garcia, que acusou o semanário de olhar para outro lado e só dar relevo ao assunto quando ele próprio foi indiciado por suborno. Uma funcionária do TIC, Lúcia Moreira, acusou o juiz de receber seis mil contos para libertar Queirós de Andrada. O magistrado foi suspenso e só conseguiu limpar o nome quase sete anos depois, em 1995.

Pelo meio, o "Expresso" tinha destapado escutas telefónicas que salpicavam o ministro da Justiça, Mário Raposo. Depois de ter negado "a mais ligeira intervenção no processo", Raposo acabou por admitir que tinha interferido apenas "como advogado" - isto é, redigiu o recurso para a libertação de Andrada.

What´s going on?

Estas últimas semanas, pelos vistos, têm sido férteis em anúncios e prognósticos de mudança no meio dos media em Portugal.

O Público continua a descer em audiência que compra e lê. E com razão, porque perdeu alma e substância. O Expresso pouco mais adianta, a não ser uma excelente revista Única que poderia autonomizar-se e transformar-se numa revista híbrida que nos trouxesse a New Yorker, com traços de Atlantic e Prospect à mistura de outras Harper´s, Transfuge ou Wired, ou mesmo uma Capital ou a incrível Believer, que são algumas das melhores revistas do mundo ocidental.

O Diário de Noticias continua sempre, como de costume a esconder os podres executivos e a louvaminhar em parangonas de loas, os sucessos previsíveis da propaganda para União Europeia ver.
O Correio da Manhã não se corrige em crónicas de costumes de faca, alguidar e escopeta modernas e o 24 Horas lavou a primeira página com fotos de plano aconchegado e histórias sem substância a não ser semântica.
Com um Sol cada vez mais no ocaso, resta o i, um jornal cada vez melhor e mais equilibrado que surpreende todos os dias. Veremos até onde irá e o que vai acontecer logo que surja uma notícia que os incomode verdadeiramente.

Neste mesmo i de hoje, salienta-se uma entrevista de Nuno Vasconcellos ( duplo l no nome e Tag Heuer no pulso; presumivelmente Façonnable no lombo e ) o patrão da OnGoing que pelos vistos levou com um nome assim por causa de questões assim assado no registo de cartório notarial.

Nuno Vasconcellos ( com duplo l) era um tipo relativamente desconhecido há pouco mais de um mês atrás. Contudo, tem atrás de si uma empresa que segura outras empresas quase familiares e vindas de um nome de família: Rocha dos Santos que tinha a Sociedade Nacional de Sabões. Vendida há tempos, um dos sucessores da fortuna de família é Nuno Vasconcellos, depois da morte do pai, Álvaro Vasconcellos, em Janeiro deste ano. O falecido era muito amigo e sócio de Francisco Pinto Balsemão. O filho diz nesta entrevista que continua a ver Balsemão como "um segundo pai". E os filhos deste segundo pai, também não são enteados e assegura que tem "uma enorme consideração por eles todos".
O IOL dizia assim, a respeito deste Nuno Vasconcellos ( con duplo l):

A consultora de gestão Heidrick & Strugles (HS) foi o ponto de partida e a rampa de lançamento para Nuno Vasconcellos, o mentor do grupo empresarial Ongoing.

Depois de ganhar protagonismo como gestor, ao lado de Rafael Mora (nomeadamente fazendo parte do grupo de dinamizadores do Compromisso Portugal), Nuno Vasconcellos decide apostar na compra de participações, passando a ser accionista da Espírito Santo Financial Holdings (dona do BES) e da PT. Longe iam os tempos da antiga Sociedade Nacional de Sabões, a esta altura surgia o apetite pelo sector da comunicação social que começou timidamente.

Só em 2008 surge uma forte aposta nos media, com a compra do Diário Económico e o Semanário Económico por 26,7 milhões de euros e com o aumento da participação na Impresa (SIC, Expresso) de 1,3 por cento para 17,8 por cento.

Portanto, o que vem a seguir, neste meses mais próximos é para prestar muita, mas mesmo muita atenção.

Veremos se o novo grupo de media que se prepara, com José Eduardo Moniz a vice-presidente, alinha pele diapasão conformista e conformado de um Diário Económico ou vai ter a alma de um Jornal de Sexta da TVI...

Para já temos os perfis sobre o mentor deste projecto. Os perfis apontam para um novo patrão de media.

Será um novo coronel ou antes um flibusteiro? Um caixeiro-viajante ou um pato-bravo? Um cavaleiro de indústria ou antes um industrial de estrebarias?

Lendo e relendo, vendo e remirando o que vai dizendo, parece um apostador de casino. Ou antes, um broker, um gestor de activos. Será bom ou mau?

sábado, agosto 08, 2009

Notícias da semana

Lê-se nos jornais da semana que Isaltino de Morais foi condenado em pena de prisão efectiva de sete anos e com perda de mandato autárquico. Relativamente à pena de prisão, Isaltino mostrou-se como um inimputável, incapaz de perceber o sentido da condenação. Está inocente, é tudo o que consegue articular como argumento. E assume a condição de bode expiatório, tal como outros políticos condenados, antes dele. Por exemplo, Abílio Curto, há uns anos atrás e por motivos bem menos graves.

Lê-se ainda que o PSD não considera oportuna a discussão de um projecto de lei pensada por Marques Mendes, tendente a proibir a candidatura eleitoral de quem foi acusado em processo crime, pela prática de delitos relacionados com a actividade política. Elementar? Nem por isso. O PSD não acha maduro o tempo para discutir o assunto e o líder do BE, Francisco Louçã, considera a proposta do PSD "inconstitucional". Exactamente. Porque acha que "não se pode condenar antecipadamente ninguém."
Valente argumento. "Condenar" aqui e para Louçã releva de uma associação entre o direito criminal e a política. Maior hipocrisia é dificil encontrar: condenar em processo crime não equivale nem pode equivaler em condenar politicamente numa inibição eleitorial derivada do senso comum e da regra política de fazer coincidir o ser com o parecer. A velha questão da mulher de César.

Sobre corrupção política, os jornais da semana falaram do alemão Karlheinz Schreiber, cuja extradição do Canadá foi autorizada para o mesmo ser julgado na Alemanha, por crimes de suborno, fraude fiscal e corrupção. Relativamente a uma entrega de 50 mil euros, em Janeiro de 2000, por conta da CDU de Helmutt Kohl.
Recorde-se que este caso motivou declarações inflamadas de apoio ao então líder alemão, responsável pela reunificação alemã e que só por isso mereceria todas as amnistias, na opinião avalizada de Mário S.
Vejamos: 50 mil euros, entregues ao partido CDU, por Schreiber, intermediário no lobby dos armamentos, corruptor activo, por causa do tal donativo...e que podem valer ao presumido corruptor uma pena de prisão de 15 anos, em caso de culpa. Culpa que na Alemanha costuma ser mais fácil de provar do que por cá, seja em Felgueiras, seja até em Oeiras ou Marco de Canavezes.

Ler isto e a importância que isto tem na Alemanha, comparando com o que se passa por aqui e que por exemplo Isaltino declarou livremente em tribunal ( todos fogem ao fisco, os partidos recebem contribuições ilegais e as sobras são para quem as apanhar, etc. etc.) faz sorrir. Em modo amarelo.

Raul Solnado, o humorista português






















Morreu Raul Solnado. Para quem tem mais de 40 anos, foi uma figura de vulto na cultura popular, das rábulas de teatro de revista e do humor português, porque toda a gente se lembra do seu modo de contar, falar e apresentar e principalmente de fazer rir. Raul Solnado era património vivo do Portugal contemporâneo, urbano e de cultura popular.

Antes de aparecer a geração que aprendeu a soletrar " stand-up comedy" com figuras tão portuguesas como os Monty Python, já Solnado demonstrava a essência da habilidade em contar anedotas perante uma audiência rendida à arte do humor autêntico e original.

Não me importa quase nada que Solnado tenha sido amigo ou companheiro de alegria de outras figuras públicas do espectáculo que têm sido apanhadas na desgraça de costumes que a sociedade considera intoleráveis. A personalidade cultural e artística de Solnado suplanta isso e assim deve ser.

Raul Solnado, como artista popular da arte de representar e alegrar através do humor, merece uma homenagem do tamanho de Portugal porque foi um pouco do país antigo, dos anos sessenta, que morreu com ele, porque com ele desaparece uma parte da memória viva desse tempo de uma certa ingenuidade revisteira e de teatro popular que foi desaparecendo aos poucos com a politização correcta e com a cópia do estrangeiro que temos agora em permanente exposição.

As imagens mostradas acima têm quase 40 anos e foram publicadas na revista Nova Antena de 28 de Agosto de 1970. Nessa altura, Solnado tinha precisamente metade da idade que agora tinha e o teor da entrevista denota uma maturidade que os cómicos portugueses recentes não alcançam.
Há semanas, numa entrevista, Hermann José, dizia-se a terceira figura do humor português, apenas suplantado por António Silva e Vasco Santana!
Ainda vai a tempo de reparar a palermice de uma afirmação dessas. Herman José nem aos joelhos de Raul Solnado alguma vez chegou. Quanto mais aos ombros.

sexta-feira, julho 31, 2009

assessores de pinóquio

O secretário das Obras Públicas desde governo, Paulo Campos, telefonou a uma certa Joana Amaral Dias, uma certa manhã, com um objectivo: poder a mesma fazer parte das listas do PS às próximas eleições. Colaborar com o PS, portanto. Diz que perguntou à mesma se considerava ser candidata pelo PS. Diz agora à Sic-Notícias que esperou por uma resposta, à tarde. E que a resposta foi negativa. E esclarece que não foi um convite e que nunca falou em cargos políticos. O o que aliás, o "deixa indignado" , que se diga tal enormidade. Até repetiu: "deixa-me indignado"! E desmente qualquer "tráfico de influências".

Joana Amaral Dias, a convidada, também disse hoje mesmo, à noite, na mesma Sic-Notícias, que recebeu o convite e não desmentiu o alegado "tráfico de influências". Antes pelo contrário, confirmou tal facto.

A indignação de Paulo Campos fica assim em banho-maria, mas não fica a acusação de mentirosa que dirige àquela.

Segundo Do Portugal Profundo que cita o Correio da Manhã de hoje, a propósito da conferência bloguística, com o PM, um assessor deste mesmo PM, Luís Bernardo, quando Sócrates já estava na sala com os responsáveis dos blogues convidados para o espectáculo, Luís Bernardo, assessor do primeiro-ministro, proibiu o canal da Portugal Telecom de fazer fosse o que fosse.
Terá sido esse o motivo da frustração do directo do PM com os blogs convidados.

Não vai demorar nada até que venha outro desmentido "indignado" a assegurar que o assessor nada assessorou e terá sido tudo um mal-entendido entre assessores.

Para ver mais assessores, tem interesse ler este postal na Educação do meu umbigo. Hugo Mendes é o nome de mais um assessor. Anónimo com nome.


Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso