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quarta-feira, 18 de julho de 2012

Fisica e química no secundário: um desastre anunciado

Uma pequena história sobre a nossa Educação:
Há mais de dez anos a disciplina de Física e Química era essencial e importante para os alunos do ensino secundário que se preparavam para entrar na universidade em cursos de ciências, designadamente relacionadas com medicinas ou engenharias.
Por altura do governo de Durão Barroso, sendo ministro David Justino, na sequência de ideias peregrinas que tinham então pleno curso no ministério da Educação, a matéria dessas disciplinas deixou de ser obrigatória no 10º ano e passou a ser possível que os alunos adiassem a frequência dessas disciplinas para o 11º ano. Os que adiavam a frequência deixavam de poder frequentar as disciplinas de física e química no 12º ano, tendo estas, por outro lado, sido consideradas opcionais.  Ou seja, quem começasse no 10º ano com tais disciplinas ficava com a possibilidade de não as frequentar no 12º ano Quem começasse no 11º, por ter adiado, ficava ipso facto impossibilitado de as frequentar no 12º ano.
Toda a gente das ciências sabe que tais disciplinas são difíceis e exigem estudo permanente e constante, pelo que tais opções políticas de educação levaram a que muitos alunos optassem pela facilidade, o que é natural. As disciplinas substitutivas daquelas passaram a ser psicologia e técnicas de informática.A justificação deverá ter sido a tal obtenção de "competências".
Em consequência destas medidas políticas, as universidades passaram a adoptar por si outras medidas de facilidade como sejam a de não exigir a frequência das ditas disciplinas no 12º ano e num grande número de cursos de engenharia as respectivas universidades nem exigem nota positiva no exame nacional a física e química.
Fácil, lógico e inevitável seria prever que o problema da ausência de "competências" dos alunos em física e química iria surgir mais cedo ou mais tarde nas universidades e nos cursos que carecem de tais conhecimentos específicos para conceder licenciaturas que não sejam honoris causa.
O então ministro Justino, sociólogo, hoje assessor da presidência da República, publicamente refutou a ideia de que tal opção pela facilidade mascarada de responsabilidade e apelo à maturidade dos alunos, iria dar em desastre, o que aliás lhe foi manifestado oportunamente.
Pois bem: chegou-se agora à conclusão de que tais disciplinas são essenciais para tais cursos e só a sua obrigatoriedade no secundário poderá suprir as carências de "competências" dos alunos que chegam ao ensino superior. Como era bem previsível nessa altura, agora, os poderes públicos no ministério da Educação, tentam remediar.
O problema é que o remédio vai demorar anos a surtir efeito e os professores universitários actuais já se queixam do descalabro e da grave falta de preparação dos alunos nessas áreas disciplinares.

A quem é que se devem pedir responsabilidades por este atentado à educação pública em Portugal?
De quem é a responsabilidade concreta por este desastre nacional? Um mero erro político? Uma mera opção política cujas consequências ficam absolutamente por apurar?
Portugal é assim mesmo: os erros graves que se cometem ficam impunes e a responsabilidade fica sempre em águas de bacalhau.
Evidentemente que esta responsabilidade não é exclusiva de David Justino que foi apenas um peão no jogo de um ministério da Educação jacobino e sem responsáveis.

7 comentários:

Mani Pulite disse...

Não se admire José.Sabe você que esse Justino foi do MES?Grande amigo e apoiante do Isaltino também?

mujahedin مجاهدين disse...

Bom, mas aqui que proporia V. para se apurarem responsabilidades, José?

josé disse...

Saber quem foram as pessoas em concreto que propuseram nessa altura a passagem da obrigatoriedade desse ensino para a mera faculdade opcional.
Saber quem foram os elementos do ministério da educação que tal propuseram ao ministro.

Com nomes para se saber como foi e quem foi.

mujahedin مجاهدين disse...

Sim, mas e depois? A responsabilidade tem que ter consequências, senão não é responsabilidade.

Que consequências seriam, no caso desta gente e no quadro deste regime em que se inserem?

josé disse...

Consequências? Nenhumas, nem o opróbrio público porque esta gente não sabe o que isso é.
E quem os vê, ainda lhes tira o chapéu metafórico pela borrada que engendraram.

Portanto, por mim ficaria satisfeito em poder saber quem são para me afastar dessa gente e poder escrever quem foram os autores da nossa desgraça.

Zephyrus disse...

Excelente post. Essa reforma do David Justino matou a Física e a Química no 12.º ano. Poucos alunos escolhem essas disciplinas. Depois, já nem têm programas científicos, mas sim a treta da perspectiva humanística-científica, cheia de propaganda sobre o «aquecimento global» ou as renováveis. Depois, como já não são sujeita a exame nacional, os alunos nem ligam, e os professores são pressionados a dar boas notas aos meninos para não estragar a média de Secundário.

Zephyrus disse...

Só há um remédio possível, voltar aos programas antigos e voltar às disciplinas de Técnicas Laboratoriais. Mas isso implicaria contratar milhares de professores...

Entretanto, os alunos chegam ao Superior sem saber nada de Termodinâmica ou Química Orgânica...