Nesta crónica de hoje no Público, Vasco Pulido Valente considera estúpida a interpretação dada pela esquerda à expressão de Passos Coelho, " que se lixem as eleições", e de caminho trata de uma certa "dama da sociedade" que se ofendeu com o uso da palavra "lixem" .
A tal interpretação que VPV considera "biblicamente estúpida" poderá não ser apenas isso, embora o seja à primeira vista.
Segundo VPV, Passos Coelho quis passar a ideia de que o "Governo não mexeria um dedo para ajudar o partido na série de eleições que se aproximam ( Açores, câmaras, Parlamento Europeu)", o que seria liminarmente perceptível por quem ouviu no contexto em que tal ocorreu.
Ora a esquerda que interpretou do modo estúpido que se lhe reconhece também entendeu o discurso e o teor exacto do mesmo. Que não haja dúvidas disso, porque a esquerda não é tão estúpida assim. O problema é que não lhe interessando minimamente tal interpretação, obedecendo a um critério de politiquice partidária que se tornou não só usual como obrigatória para mostrar serviço político, avançou logo com a interpretação conveniente e útil, a mais estúpida mas ao mesmo tempo a que consideram mais eficiente para o propósito de luta política.
E não se julgue que tal modo de luta política é apanágio da "esquerda estúpida" porque a "direita inteligente" também a sabe usar...
Resta saber até quando este método de argumentação política vai continuar a ser a norma habitual.