A barragem da foz do Tua começou a ser construída em 2011, depois de vicissitudes várias dos movimentos ecologistas e do BE que a tal se opunham. O projecto vinha já de 2006 ( tudo governo Sócrates).
No início da construção, a UNESCO identificou um conflito entre a existência da barragem e a classificação do Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial mas, em 2012, considerou que o projecto era compatível, desde que uma série de requisitos fossem seguidos. Acontece que não foram, escreveu-se por aqui.
E que conflito existia entre o Estado Português e a UNESCO? No sítio da EDP, interessada no assunto, explicava-se em português quase macarrónico:
A missão de aconselhamento do ICOMOS de Abril de 2011 refere que Estudo de Impacto Ambiental ignorou o impacto da barragem sobre o valor Universal excepcional do Bem ADV. E considerou que o projecto teria um grande efeito sobre uma área alargada do Bem, resultando numa perda física permanente de parte da paisagem cultural. O Estado português informou, entretanto, que já desde os anos 50 se verifica extracção e utilização de água do rio Douro que em muito contribuíram para o valor cénico e patrimonial do Bem. O Estado também sublinha que o Bem é considerado como sendo uma paisagem cultural evolutiva, em que "Vida" e "Evolução" devem continuar a ser assegurados e que este projecto hidroeléctrico não tem impacto específico sobre as vinhas que é um dos atributos basilares do Bem.
Este conflito resolveu-se da seguinte maneira, de acordo com informação daquele sítio:
O Comité decidiu por unanimidade, e sob iniciativa da França, alterar a Proposta de Decisão que previa a recomendação, ao Estado português, da imediata suspensão das obras da barragem. O ritmo dos trabalhos, de acordo com a nova redacção da decisão do organismo internacional responsável pela classificação de Património da Humanidade, vai ajustar-se ao calendário da nova missão técnica, que visita a região do Douro já no dia 31 de Julho, tornando assim compatíveis as novas conclusões da UNESCO e o interesse nacional.
Tudo bem quando acaba bem? Bem...a ideia mágica ( enterrar o edifício da central eléctrica) , do arquitecto Souto Moura parece que convenceu a UNESCO...mas Os Verdes e o GEOTA acharam a decisão chocante. Os autarcas locais aplaudiram entusiasticamente. E o Alto Douro Vinhateiro lá continua Património da Humanidade, como é desde 2001..
E como é que isto sucedeu diplomaticamente? Os franceses, coisa e tal...mas parece que alguma coisa se fez na embaixada de Portugal nesse país.
A UNESCO em 2010 deixara de ter lá o embaixador Carrilho, corrido segundo ele por aquele Sócrates.
Em 2012 o Governo de então acabou com o cargo de embaixador privativo e adjudicou as funções ao embaixador em França. Na altura e até 2013 quando se reformou, era Seixas da Costa o contemplado e é o próprio que esclarece o seu papel inefável no desenrolar dos acontecimentos que deram luz à solução milagreira, lamentando de caminho a extinção do posto privilegiado que um Pacheco Pereira não aceitou:
Em 2012, o Governo decidiu que a nossa
missão junto da UNESCO deixaria de ter um embaixador dedicado
exclusivamente à organização, como sempre aconteceu, e que o lugar
passaria a ser exercido, cumulativamente, pelo embaixador em França.
Várias
vozes se ouviram contra esta decisão, demonstrando a insensatez da
mesma, num tempo em que o país comemorava ainda a elevação do fado a
"património imaterial" da UNESCO, quando aí levávamos a cabo uma
delicada negociação para a compatibilização da construção da Barragem de
Foz Tua com o estatuto do Alto Douro Vinhateiro como "património
material", além de outros dossiês complexos.
Seixas da Costa ainda se referia ao facto de o ministro dos Negócios Estrangeiros que extinguiu o posto ( Paulo Portas) ser ainda membro do governo, na posição de vice-primeiro ministro quando em Junho de 2015 se decidiu repristinar o lugar de embaixador na tal UNESCO.
Que destino tiveram estes personagens exelentíssimos do nosso panorama político, sabendo que a barragem do TUA é obra de vulto em que avulta uma Mota-Engil?
Seixas da Costa é consultor "estratégico" da firma desde que se reformou em Março de 2013 e agora até parece que tem mais tempo porque acumula cargos na Fundação Gulbenkian, Jerónimo Martins e agora na EDP-Renováveis. Escreve por aí, tem um blog, vai à Universidade de Coimbra fazer uma perninha quase aos setenta anos. Valente!
P.Portas é agora administrador da mesmíssima Mota-Engil.
Como dizia o outro cómico: "fantástico, Mike!"
O que diria disto Salazar se fosse vivo? Ou Marcello Caetano?
ADITAMENTO:
Se isto for verdade, aceito o argumento e retracto-me das observações feitas a propósito da pouca-vergonha.
Seixas da Costa ainda se referia ao facto de o ministro dos Negócios Estrangeiros que extinguiu o posto ( Paulo Portas) ser ainda membro do governo, na posição de vice-primeiro ministro quando em Junho de 2015 se decidiu repristinar o lugar de embaixador na tal UNESCO.
Que destino tiveram estes personagens exelentíssimos do nosso panorama político, sabendo que a barragem do TUA é obra de vulto em que avulta uma Mota-Engil?
Seixas da Costa é consultor "estratégico" da firma desde que se reformou em Março de 2013 e agora até parece que tem mais tempo porque acumula cargos na Fundação Gulbenkian, Jerónimo Martins e agora na EDP-Renováveis. Escreve por aí, tem um blog, vai à Universidade de Coimbra fazer uma perninha quase aos setenta anos. Valente!
P.Portas é agora administrador da mesmíssima Mota-Engil.
Como dizia o outro cómico: "fantástico, Mike!"
O que diria disto Salazar se fosse vivo? Ou Marcello Caetano?
ADITAMENTO:
Se isto for verdade, aceito o argumento e retracto-me das observações feitas a propósito da pouca-vergonha.