segunda-feira, dezembro 20, 2010

Estas estatísticas não são as do PISA...

Sol:

Entre os grupos mais frágeis, Jardim Moreira escolhe as crianças e lembra os últimos dados do Eurostat que colocam «Portugal à frente na Europa com a maior percentagem de crianças pobres»: um em cada quatro meninos que vivem no país passa dificuldades.

Uma ignomínia que devia envergonhar estes socialistas de pacotilha que vivem como nababos, na pinderiquice em que chafurdam Os Rui.Pedro.Soares e os Josés S. que não deixam que ninguém saiba o que têm e como o conseguiram...é por isso que preferem martelar estatísticas para inglês ver, literalmente.

domingo, dezembro 19, 2010

A poesia do PREC

No tempo do PREC as canções revolucionárias tinham um contraponto num tipo de canções de poesia e lirismo únicos que conservam apesar do tempo e cuja receita parece que esgotou. Moustaki era então um cantor "libertário" que chegou a vir a Portugal logo nos primeiros meses para ver, in loco, o nosso PREC e cantar loas ao ambiente. E o que cantava era deveras apelativo, como o demonstra este pequeno video-clip da época:

O PREC em revista

Quando se fala no PREC em Portugal associa-se a expressão à esquerda do PCP e às políticas seguidas em 1974-75 com vista à instauração em Portugal da famigerada "sociedade sem classes".
Esquecemos porém algo importante para definir todo o panorama desse PREC, processo revolucionário em curso na sociedade portuguesa, defendido por outras forças políticas afastadas do PCP e acantonadas numa Esquerda global que então dominou todo o panorama político, social e principalmente mediático.

A visão da economia e da sociedade veiculada pelos media pode afinar-se por estes artigos que abaixo se colocam, da revista Vida Mundial de 10.4.1975 e 24.4.1975

Logo após as nacionalizações de 11.3.1975 o problema era o célebre "Que fazer?" Por isso o futuro estava "suspenso" das orientações políticas que ultrapassassem as contradições do processo revolucionário. A linguagem usada nos artigos é o de uma verdadeira campanha de propaganda em prol do comunismo, mas havia o PS e o PSD que não sintonizavam exactamente na mesma onda ideológica, o que motivou o fracasso desse mesmo PREC em 25 de Novembro desse ano.
Não obstante, as "conquistas de Abril" efectuadas em Março, permaneceram por muitos e longos anos, porque havia outra onda ideológica que assentou arraiais no mesmo PS: como se pode ler na entrevista de César de Oliveira, um teórico do MES já falecido ( e que foi autarca em Oliveira do Hospital) que juntava personalidades como Jorge Sampaio, Ferro Rodrigues e outros que vieram depois a assumir responsabilidades políticas, a linguagem e os conceitos operativos são completamente marxistas e até mesmo esquerdistas próximos do PCP. Não obstante o distanciamento teórico do PCP ( eram contra o autoritarismo, citando em defesa da sua posição, Rosa Luxemburgo) os activistas do MES apareciam como moderados num ambiente revolucionário.
Durante anos a fio continuaram com as mesmas ideias que não se sabe bem como nem porquê, foram abandonando no discurso, mas nunca na mentalidade. O sinal disso mesmo é a oportunidade que por vezes surge no discurso corrente e que os denota como antigos esquerdistas arrependidos mas não esquecidos.
Sentindo-se desamparados ideologicamente, tornaram-se cínicos nos propósitos e inventaram outros conceitos que não desmerecessem os antigos paradigmas, sempre de esquerda porque é essa a matriz que lhes confere identidade.

Quanto a mim, uma boa parte das razões do nosso atraso económico e social e que está na base da mentalidade "iscte" vem daí, dessa amálgama ideológica que nunca chegou a vingar mas pegou de estaca no discurso interior dessas pessoas que depois legislaram, aplicaram receitas políticas e nos conduziram a este beco onde nos encontramos.

O MES aos seus antigos membros e os seus produtos ideológicos híbridos são uma das causas da nossa desgraça. A prova? É ler os artigos do tempo e reflectir que evolução tiveram os que diziam nessa altura este tipo de disparates que podemos ler. Um deles, chegou a presidente da República deste pobre país!

Outro exemplo deste tipo de pessoas que vicejaram no pós-PREC é um tal Eduardo Maia Cadete, com artigo de fundo na Vida Mundial transcrita.

Maia Cadete foi um dos fundadores do PS, esteve nos governos deste partido e nos anos oitenta, na sequência da eleição de Mário S. como P.R. foi para Macau onde esteve envolvido no escândalo do fax de Macau tão bem investigado pelo então MºPº de Rodrigues Maximiano.

O PS actual fez-se destas coisas, mas é ler o que escrevia então o Maia Cadete desse tempo de PREC...para entender como chegamos onde chegamos, com o PCP e os seus compagnons de route ideológica que tendo metido o socialismo na gaveta continuaram com a porta aberta às ideias que sempre tiveram.


Lendo o artigo ( clicar para ampliar) podemos ver como foram nacionalizadas as empresas de electricidade que eram privadas e atomizadas. Podemos perceber como se chegou a uma EDP de um inenarrável Mexia que se mexe da esquerda à direita com a agilidade de um arrivista.




PS: Para entender ainda melhor o percurso da nossa evolução é ler este perfil de um outro Maia Cadete. Ler e perceber como se chegou até aqui é porventura o melhor retrato da nossa situação actual enquanto país. Perceber como é que uma geração ensina aos seus filhos algo que eles não assimilaram de modo coerente, resultando o produto do ensino em algo completamente estranho à raiz ideológica que lhe subjaz.
Esta degeneração ideológica traduz uma desgraça, a meu ver. A desgraça dos que nos enganaram durante décadas e que continuam a licitar esperanças sem fundo.

sábado, dezembro 18, 2010

As luzes da ribalta cegam deslumbrados

Sapo/Diário Digital:

O bastonário dos advogados, Marinho Pinto, classificou de "impróprias de um membro do Governo" as declarações do ministro Mariano Gago sobre as ordens profissionais, acusando-o de actuar como porta-voz do "pior corporativismo, o universitário".


várias ordens profissionais em Portugal. Mais de uma dúzia: dos médicos, dos enfermeiros, arquitectos, economistas, advogados, etc etc.

Nenhum dos dirigentes destas várias ordens se pronunciou. Nenhum, menos um: Marinho e Pinto, da ordem dos advogados e que nestas matérias anda a competir com o PGR Pinto Monteiro na atenção aos microfones e bloco-notas que lhes estendem.


O discurso dos coitadinhos

TSF:

Maria José Morgado mostra-se preocupada com a nova lei de financiamento dos partidos, considerando que abre caminho ao tráfico de influências e à corrupção.

Sim, senhora. É coerente com o que sempre tem dito e afirmado publicamente. Mas falta dizer outra coisa: nos casos em que há suspeita de financiamento partidário ilegal ( por exemplo no Freeport) houve alguma diligência concreta, profícua e até a ponderação táctica no sentido de apurar tais suspeitas e factos?
Por exemplo, alguém do Ministério Público e do DIAP em particular alguma vez ponderou uma acção de busca numa sede partidária ou em casa dos responsáveis pela angariação de fundos para as campanhas eleitorais? Alguém do MP alguma vez ponderou uma investigação às contas bancárias de certos indivíduos conhecidos como receptadores de financiamento partidário? Alguma vez alguém do MP ponderou, nestas matérias, algo mais que a rotina de procedimentos e a análise das denúncias, por vezes anónimas que chegam à polícia e ao MP? Com audição de testemunhas que pouco querem dizer?
Alguém se preocupou em estudar os métodos de investigação seguidos por exemplo nos EUA em casos conhecidos e de sucesso como foi o do governador do Illinois quando colocou em leilão o lugar de Obama no Senado?

Falar e dizer coisas que soam bem é bom. Fazer é muito melhor. É isso que falta no Ministério Público, seja no DIAP seja no DCIAP.

O regresso de Pinto Monteiro

O PGR Pinto Monteiro, ontem, no almoço de Natal na PGR, falou outra vez aos media. É-lhe irresistível um qualquer microfone ou bloco de notas estendido ao comentário. Desta vez, segundo os jornais de hoje, esportulou opiniões sobre o que Maria José Morgado já tinha dito sobre a carência aflitiva de meios na Justiça para as investigações profícuas. Concorda. Agora, porque no início do mandato achava que os meios eram suficientes.

Os jornalistas então perguntaram-lhe o que achava do parecer do professor Pinto de Albuquerque no processo Face Oculta e no qual diz que o PGR poderá ter cometido um crime de destruição de documentos, através do despacho no qual manda destruir as transcrições das escutas a A. Vara e José S.
Reacção de Pinto Monteiro, depois da operação cardíaca: o parecer em causa "vale zero" e portanto "não vou perder tempo nenhum a comentar disparates." Segundo o Público e o i de hoje, Pinto Monteiro não faz a coisa por menos que isto: " O artigo [ do jornal Sol onde foi citado] é baseado num parecer de um professor universitário que é pago para fazer aquilo. Os pareceres quando são pagos dizem aquilo que quer quem os encomenda."

Assim,tal e qual, menos o seguinte:

O tal parecer do Pinto de Albuquerque reproduz o que o mesmo disse em várias ocasiões, publicamente, até na tv de um Prós e Contras qualquer. Não é novidade e há mais professores catedráticos, como Costa Andrade e que sabem um pouco mais destas coisas do direito penal que Pinto Monteiro, a dizer o mesmo...
Por outro lado a desvalorização dos pareceres juntos a processos por professores catedráticos, tal como Pinto Monteiro o faz, exemplifica o respeito que lhe merecem essas peças jurídicas e permitem julgar como as pondera enquanto magistrado. Se eu fosse professor catedrático tinha aqui matéria para um artigo de fundo numa boa forma de catilinária.

Paulo Pinto Albuquerque foi juiz e quase que apanhava nessa função o processo Casa Pia. Saiu a tempo, e terá feito bem porque no fundo é um académico que pensa o Direito Penal como poucos que temos em Portugal. Tem livros escritos com valor e proveito intelectual para quem pensa o Direito e o aplica. Pinto Monteiro é PGR depois de ter sido juiz do Cível no Supremo, sem história escrita e sem relevo intelectual conhecido. É um desconhecedor do Direito Penal que não chega aos calcanhares intelectuais de Pinto de Albuquerque, nessa matéria. Isto é saber comezinho entre a magistratura pelo que não reveste qualquer desconsideração porque é objectivo e indiscutível.
Para além disso que já não é pouco e portanto o desqualifica para classificar com um zero o parecer daquele professor de Direito Penal que tem obra escrita e de relevo, há ainda mais a colocar na carta:
Pinto Monteiro não é titular do Face Oculta porque não avocou o processo nem o poderia fazer e na única ocasião em que o seu parecer jurídico contava, porque seria o titular do inquérito penal respectivo, entendeu que deveria arquivar o "expediente" que lhe foi remetido pelos magistrados de Aveiro para autuação como Inquérito contra o primeiro-ministro. Baseado em pareceres e fundamentação que nunca deu a conhecer publicamente, arquivou o expediente, sem possibilidades, fosse para quem fosse, de sindicar tal despacho, sempre estribado em razões jurídicas que nunca explicou.
Sobre isto, adianto uma opinião que julgo ser unânime entre os juristas e juízes do próprio Supremo: Pinto Monteiro deveria ter mandado autuar esse expediente como Inquérito e não o fez, contrariando uma norma expressa do Código de Processo Penal que manda proceder desse modo em todas as situações em que seja comunicada a prática de um crime. No caso concreto, é bom lembrar que tal situação foi comunicada por dois magistrados com saber suficiente em direito penal para entenderem que havia indícios de prática de crime de atentado ao estado de direito por um primeiro-ministro de Portugal. Como classificar juridicamente esta atitude pessoal e intransmissível do PGR? Pinto de Albuquerque disse que valia menos que zero. Ou seja, era completamente nulo.

Pinto Monteiro, do alto do seu saber jurídico, o mesmo que lhe permite agora classificar com um zero aquele parecer de Pinto de Albuquerque, desvalorizou o saber e o parecer jurídico daqueles magistrados de Aveiro e mandou às malvas todo o expediente, acabando por destruí-lo sem justificação plausível que seja conhecida devidamente.

Estes factos foram do conhecimento do presidente da República que tem o poder de nomear os PGR. E foram desvalorizados pelo que Pinto Monteiro continua na PGR.

Este é o escândalo do ano que passa e que já vem do ano anterior. Um escândalo que se sucede a outros e que passaram igualmente incólumes pelo crivo de Belém.
O autor directo de um destes escândalos atribui um zero em comportamento jurídico ao professor Pinto de Albuquerque. O que pensar e dizer disto? Tanto como já disse ou é pouco?

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Os "novos direitos do cidadão" mudaram ou os democratas de pacotilha


"A administração central do Estado, as Regiões Autónomas, as autarquias, os institutos públicos, as empresas públicas e as pessoas colectivas de direito público estão obrigadas a abrir as suas portas a todos os cidadãos para acesso à informação e documentação." - do livro Novos Direitos do Cidadão da autoria do actual ministro da Justiça Alberto Martins, em 1994 quando era deputado e se preparava para ascender ao poder executivo sob A. Guterres. A transcrição é do Sol de hoje e reporta-se à notícia de que o Governo recusou a revelação das despesas dos gabinetes dos ministros à Associação Sindical dos Juízes, em conformidade com o requerido por esta associação de magistrados.

O que pretendiam os juízes? Apenas tomar conhecimento, através de fotocópias, dos documentos que autorizam e regulamentam a atribuição e utilização de cartões de crédito e uso pessoal de telefones fixos ou móveis, por membros do governo, e ainda os documentos de processamento e pagamento das despesas de representação e subsídios de residência a todos os ministros e respectivos chefes de gabinete.
A resposta do ministério a este "despautério" foi lenta e suspeitosa: está tudo na lei, no orçamento de Estado e no Diário da República. Se quiserem vão lá ver. E mais: o pedido é "desproporcionado e excessivo", escreveu porventura um assessor do Ministério da Justiça. Cujo titular é o mesmo Alberto Martins que escreveu aquilo que em cima se epigrafou...

Esta atitude inqualificável do Ministério da Justiça e do Governo em geral mostra bem o timbre e o tom que estes dois últimos governos utilizam, de há meia dúzia de anos a esta parte, em relação aos magistrados: amesquinhar e deslegitimar. Desconsiderar e despromover socialmente. Castigar e punir por algo indefinível e inefavelmente inconfessável.
Não há qualquer dúvida que assim é e quase todos os magistrados pensam assim, não se devendo presumir que são uma cambada de mentecaptos imbuídos de um espírito corporativo invencível.

Este PS que governa é já um caso de polícia em relação aos magistrados porque esta atitude roça o patológico e o abuso de poder.
É inadmissível em democracia uma atitude deste género do Executivo perante o outro poder democrático que é o Poder Judicial.
É uma vergonha que só os regimes de ditadura não sentem. Este Governo e o ministro da Justiça e o seu secretário-geral, antigo militante do PCP, não sentem essa vergonha, pelo que uma conclusão possível e lógica é a de que no fundo não são democratas de espécie alguma a não ser a que resulta de um discurso oco e sem sentido aplicado.
José Magalhães, enquanto Secretário de Estado e Aberto Martins enquanto ministro da Justiça deste governo, são a vergonha do país, mas em vez de o sentirem, aparecem ufanos da obra que realizam.

quinta-feira, dezembro 16, 2010

Portugueses suaves

Nos jornais de hoje escreve-se sobre as revelações Wikileaks em relação a Portugal. A crónica de Pedro Lomba no Público, hoje algo confusa porque inconclusiva, é sobre o assunto em que polemiza suavemente com o cronista de ontem, Rui Tavares.
Segundo Lomba, Tavares parte de um ponto de vista "libertário" para defender a liberdade sem restrições na Rede ampliando ainda mais a liberdade de informação, e é por isso que lhe põe dúvidas sobre o direito a essa mesma libertinagem...
No miolo das notícias de hoje, soube-se que o primeiro-ministro José S. autorizou secretamente a passagem de aviões com prisioneiros com destino a Guantánamo, sobre território nacional, apesar de o negar pública e insistentemente, como o fez no caso TVI e noutros assuntos que lhe definem o carácter e modo de actuação pessoal e institucional. Nada disso espanta ninguém e muito menos incomoda por aí além.
No entanto, quem deveria sentir-se incomodada é a sua colega de partido, Ana Gomes, deputada no Parlamento Europeu que não se tem calado sobre o caso.
Hoje soube-se igualmente que um assessor diplomático do primeiro-ministro a comparou a um rottweiler. Os jornais citam o cable como tendo dito que "Ana Gomes é uma senhora muito excitada que é pior que um rottweiler à solta".
Temendo porventura as reacções intempestivas da dita cuja, o visado já suavisou o dito. Terá dito que sim, a comparou a um cão dessa raça porque então tinha um, mas apenas para mencionar que o cão laragava aquilo que se agarrava mas a dita cuja não...
Veremos se larga ou não. Desta vez, não são os opositores do celerado governo Barroso que estão na berlinda, mas o primeiro-ministro que a dita por vezes tanto incensa.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

A crise na Justiça

Via InVerbis:

Os juízes que absolveram 11 dos 12 elementos do Gang do Multibanco, acusados de roubar mais de dois milhões de euros em caixas ATM, fizeram "um errado julgamento de parte significativa" das provas oque "foi gravemente lesivo dos interesses e expectativas das vítimas e corrosivo para a imagem de uma Justiça que tem vivido um dos seus piores momentos" diz o Tribunal da Relação de Lisboa, que ontem mandou repetir todo o julgamento.

No acórdão lê-se que " tomada em Julho por um colectivo de juízes das Varas Criminais de Lisboa, presidido por Nuno Ivo e de que faz parte Ana Teixeira e Silva (a juíza que livrou Paulo Pedroso de ir a julgamento no caso Casa Pia).

"Aquilo que haveria de ter sido dado como comprovado, ante a evidência e a irrefutabilidade de algumas provas" - na investigação da GNR, liderada pelo DIAP -, foi "fonte de dúvidas e conflitos de consciência". Se os juízes não viram as "provas para condenar [pelo menos sete elementos], para que ninguém seja condenado e o País entre em pânico com este tipo de criminalidade violenta, bastam um gorro, um par de luvas e força bruta".

Henrique Machado Correio da Manhã 15.12.2010


Não é muito vulgar este tipo de decisões em que juízes criticam desta forma outros juízes. Os juízes por natureza da função, são entidades independentes. Não respondem pelos actos que praticam na função jurisdicional, senão nos termos apertados do respectivo Estatuto.
Ainda assim, quando um tribunal da Relação, cujos nomes que o compõem não são notícia , ao contrário do que acontece com o dos juízes criticados, escreve que "é com um misto de incompreensão e perplexidade que se tenta entender a decisão", sendo uma das juízas criticadas a mesma que relatou o acórdão que provocou um escândalo nacional, é altura de o cidadão se interrogar como é que alguns juízes...o são. E como é que o CEJ, os formadores e os estágios deixam escapar para a função, pessoas que depois decidem do modo que a própria Relação entende como inaceitável e motivo de grande perplexidade e portanto escândalo.
Os juizes e os tribunais decidem em nome do povo. Se alguns juízes não entendem esta função e a natureza intrínseca da respectiva responsabilidade, haja pelo menos um Conselho Superior que actue, porque em determidado tipo de "erros grosseiros" já actuou.
Pelos vistos, estaremos perante um deles. Este bem notório, segundo a Relação...

O prémio para o jornalismo suave

Dos jornais de hoje:

RTP este ano recebe mais 28,5 milhões de euros do Estado, em indemnizações compensatórias.

É preciso assegurar a suavidade dos jornalistas, particularmente os da direcção de informação. Por isso mesmo é que lhes pagam o dobro do que recebe o presidente da República.

O cargo público é muito mais relevante...

terça-feira, dezembro 14, 2010

A machadada final

Económico:

Um inquérito ao estado da Nação hoje divulgado destaca a corrupção, a Justiça e a economia nacional como os indicadores com avaliação mais negativa.

SIC:

O processo “Face Oculta” vai transitar para o Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, anunciou hoje o juiz presidente da Comarca do Baixo Vouga, Paulo Brandão, que revelou ainda que 10 arguidos pediram a instrução do processo.

O pedido consta do requerimento de abertura da instrução enviado ao Tribunal de Aveiro, como confirmou à agência Lusa Artur Marques, advogado do empresário do ramo das sucatas que se encontra preso preventivamente há mais de um ano.

"Isto tem uma repercussão enorme. Está em causa o processo todo", sublinhou o advogado, afirmando que esta situação "tem como consequência a nulidade de todos os despachos que determinaram que se procedesse a escutas e os atos que determinaram a prisão preventiva do arguido".

Se o processo Face Oculta for arquivado por nulidade que inquina o processado, por motivos exclusivamente processuais e devido às leis que temos, aprovadas em 2007 pela Unidade de Missão do ministro Rui Pereira, justifica-se um levantamento nacional, uma greve de magistrados e um inquérito parlamentar para se apurarem como é que estes escândalos acontecem com a complacência o porventura instigação do poder político do centro, in totum.

Essa eventual ocorrência representará a machadada final da credibilidade do nosso sistema de justiça e haverá que apurar de quem é a responsabilidade teórica e prática de tal facto.

Cá estaremos, porque esta pouca-vergonha não tem paralelo nos 36 anos de democracia.
Desde já adianto um suspeito: a escola de direito penal de Coimbra e os acólitos de Lisboa.

segunda-feira, dezembro 13, 2010

De novo, o bijan e o jornalismo "suave"

Numa volta pelos blogs, vi algo aqui, passei por aqui e vim ter aqui. E pelo que li, retomo um postal já com alguns meses, mas que parecem anos...



A TVI foi a Los Angeles por causa dos Óscares de Hollywood. Não se sabe bem como nem porquê, a repórter Maria João passou no Rodeo Drive e reparou que na loja de apparel Bijan, aparece o nome de José Sócrates ( assim com acentos e tudo), "Prime minister of Portugal", como um dos clientes de prestígio, ao lado de celebridades como Spielberg e outros com nomes árabes e judeus.

"José Sócrates, prime minister of Portugal", na montra do Bijan de LA, deve ser o must com direito a foto reservada em mesa de canto de sala. Por falar nisso, alguém, alguma vez foi autorizado a ver a sala privada deste "prime minister of Portugal" e mostrar as imagens privadas de quem assim tão afoitamente usa um cargo público numa loja de roupa do jet sete, oito, nove ou mesmo dez?

Não, ninguém, jamais, teve esse raro privilégio de apreciar a pintura, os móveis, a tinta da parede de tão recatado reduto.

Então, porque razão a repórter Maria João não teve um pouco mais de curiosidade e entrou no Bijan, tocando à campainha, declarando ser cidadã portuguesa, da tv, interessada em saber por que razão particular o nome do primeiro ministro do seu país e nessa qualidade, ali figura para vergonha dos demais concidadãos?"

A pergunta, já com alguns meses, tem resposta dada pelo próprio presidente da República: "jornalismo suave".

Uma vergonha, acrescento.

Mário S. igual a si mesmo

O jornal i comemorou 500 edições com uma especial em que o prato de fundo é uma entrevista a Mário S. No jornal o ex-presidente, espraia-se em três páginas a dar palpites sobre a crise e mais o par de botas habitual.
Como ilustração, o jornal mostra-o numa foto no "seu" gabinete na Fundação que tem o seu nome, mas sustentada pelo Estado. O dito gabinete à primeira vista parece o escritório particular de um indivíduo com posses. As fotos que ornamentam as prateleiras respeitam a figuras públicas do mundo político que o político Mário S. frequentou.

Em determinada altura da entrevista, sobre a crise, cita o tempo em que foi primeiro-ministro para dizer que nessa altura "estávamos pior" porque "Tínhamos acabado de fazer uma revolução, que tinha tido grandes problemas, com o PREC, em que havia ainda latente, em parte da extrema-esquerda, a ideia de que nós deveríamos ser a Cuba europeia! Está a ver onde estávamos hoje se fôssemos a Cuba europeia! Às vezes as pessoas esquecem isso..."

Não esquecem não. O que esquecem e o próprio entrevistado pelos vistos também não está muito interessado em lembrar é que o partido que então governava, portava-se em matéria económica, como autêntico "compagnon de route" dos tais que achavam que deveríamos ser a Cuba europeia... e tal mito de negação tende a prolongar-se como desculpa.

Por essa e outras razões ando a publicar memórias dos jornais desse tempo. O PS de 1977 já não tinha emenda e só em plenos anos noventa concordou em alterar a Constituição relativamente às nacionalizações. Se alguém é responsável pelo estado da economia nacional nesse tempo, é o dito cujo com memória muito curta e de raciocínio ainda mais breve.

Noutra passagem, ainda sobre os aspectos da crise, sugere que " A minha ideia é que um governo muito menor- com menos secretários de Estado e assessores- seria um bom exemplo de austeridade que o país seguramente entendia."

Talvez Mário S. tenha razão. Mas a entrevistadora- Ana Sá Lopes, uma das tais "suaves" do jornalismo português- deveria ter-lhe perguntado se a sua Fundação merece os milhões que custa ao Estado, saídos do bolso de todos...e se tal poupança não seria bem melhor percebida. Ou então, em alternativa uma pergunta muito simples: o Estado ainda lhe continua a pagar o telefone?

José Mourinho é um Mister

O treinador José Mourinho é uma daquelas figuras cujo mérito não oferece já contestação. Confesso que durante anos, ria-me sempre que o via em conferências de imprensa ( chamam-lhes "flash interviews"), por não o levar a sério. Parecia-me caricatural e fala barato, como uma boa parte dos treinadores. Mas enganei-me.

Mourinho, ontem, na tal flash interview após um jogo, respondeu assim a um repórter que lhe citou um tal Daniel Alves, jogador brasileiro que defende por conta do Barcelona e que tinha dito que "não foi Mourinho a inventar o futebol":

"Todos temos de aprender com as pessoas inteligentes e o que Daniel Alves disse...nem o Einstein diria melhor. Foi um português que descobriu o seu país mas não foi um português que inventou o futebol. Ele está certo."

A resposta do tal Daniel não se fez esperar: "os brasileiros não gostam de terem sido descobertos por português."

Só com esta pequena frase o tal Daniel denota uma inteligência superior e digna de um comentário de Mourinho...por exemplo a lembrar-lhe que poderia ter sido um espanhol.

Jornalismo suave...

Mais da Wikileaks, desta vez sobre o nosso presidente da República:

Pero el presidente tranquiliza a sus interlocutores estadounidenses, entre otras cosas señalando que Portugal tiene "una prensa muy suave".

Entretanto, sobre o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, Cavaco disse que o conheceu e que é "louco".

Loucos não são certamente os nossos jornalistas. São "suaves". Indeed.

domingo, dezembro 12, 2010

Que chatice, isto da Wikileaks!

Jornal de Notícias:

(Em actualização) - O jornal espanhol El Pais noticiou hoje, domingo, que o presidente do Millennium BCP, Carlos Santos Ferreira, propôs aos Estados Unidos recolher informações sobre o Irão a troco de poder fazer negócios no país, operação com o conhecimento do governo português.

O jornal citou um telegrama "confidencial" da embaixada dos Estados Unidos em Lisboa, enviado para Washington a 11 de Fevereiro deste ano e que integra o lote de 250 mil documentos que o «site» Wikileaks tem estado a divulgar.

Segundo o jornal espanhol, Carlos Santos Ferreira propôs "fazer trabalho de espionagem ao serviço dos Estados Unidos" tendo "proposto ir ao Irão e, em troca, oferecer a Washington informação das actividades financeiras da República Islâmica".

A operação, segundo um telegrama remetido em Fevereiro deste ano pela embaixada norte-americana em Lisboa, conta com o "conhecimento do primeiro-ministro português, José Sócrates, e de membros do seu Governo", referiu o jornal.

Ora vamos lá a ver: o mentor da Wikileaks é acusado pelos EUA de...espionagem e por isso querem processá-lo.

Por cá, o excelso director do BCP que já esteve na Caixa e cujo papel em tandem com este primeiro-ministro, na manobra de "take-over" sobre o BCP ainda está por contar, vai ser acusado de quê? Colaboração com um país amigo a troco de negócios bancários?

No tempo da guerra fria as grandes firmas americanas zelavam pelo interesse estratégico dos EUA ao ponto de a GM dizer que o que era bom para a firma era bom para o país.

Por cá, hoje em dia, o que é bom para certas pessoas é bom para certos países estrangeiros. Traição, isto? Só com alguma imaginação.

E ainda mais: cá em Portugal quem se atreveria a publicar esta notícia em primeira mão? É que a Wikileaks apena fornece informações que depois podem ou não ser publicadas pelos media tradicionais...

sábado, dezembro 11, 2010

A evolução da economia portuguesa pelos jornais

Continuando a tentar perceber como chegamos ao buraco económico e moral em que caímos, continuo a publicar notícias de época sobre os políticos e empresários que fomos tendo.

Em 8 de Setembro de 1973, o Expresso, aparecido nesse ano, em Janeiro, organizou uma "mesa-redonda" com as figuras abaixo retratadas. Algumas já falecidas. É ler o que diziam da nossa economia de então, na parte que respeita aos empresários de então e ao modelo económico.



Em Agosto de 1974, logo após a revolução, algumas figuras do capitalismo português, reuniam um projecto de repensar a economia portuguesa em época de inflação e fuga de capitais que se seguiria. É ler o que dizem do papel do Estado...e das medidas concretas que figuram na página abaixo ( não reproduzida). Incrível como tínhamos potencial que esbanjamos! A notícia é do Sempre Fixe de 31 de Agosto de 1974

Em 28.5.1976, após a Constituição e as nacionalizações, Francisco Sarfsfield de Cabral fazia uma análise económica do país como consta de O Jornal dessa época: já estávamos perdidos.



Não obstante, o PS que votou a Constituição e acabou por guardar o socialismo na gaveta, pensava assim resolver o problema " nos próximos dez anos":
Em vez da resolução do problema tivemos disto, logo em 1977. Nesse anos já estávamos completamente na penúria como estamos hoje. Tenho por aí uma entrevista de Medina Carreira, ministro desta personagem que aparece a baixo em que dizia, na mesma altura, 1977 que andávamos a viver acima das nossas possibilidades desde 1974. Agora continua a dizer o mesmo... e por isso a conclusão é lógica: a crise que temos vem de longe e sempre e sempre mais agravada e com os mesmos protagonistas. De quem a responsabilidade? É preciso um desenho?!


Os ecos dos porquês na PT

O artigo de Sousa Tavares no Expresso de hoje merece comentário. É sobre os segredos e a devassa, a propósito de Assange e do Wikileaks. Tavares, à semelhança de um Pacheco Pereira com quem partilha opiniões, não admite essa devassa que reduz a coscuvilhices. Escapam-lhe os factos relativos a outro tipo de devassa como as denúncias de corrupção em países como Moçambique ou ainda outras que virão a lume, no enredo dos telegramas trocados diplomaticamente.

No entanto, o paralelo que faz com os processos penais que temos é tocante. Escreve assim:

"O mesmo direito sagrado à liberdade de informação, ou o que se invoca, ou o que se invoca ser tal, leva, entre nós, a esse espectáculo decadente eticamente, que é a revelação de todas as escutas telefónicas realizadas ao abrigo de processos judiciais em curso, sem que nenhuma autoridade lhes ponha cobro ou até se incomode já com a sua ocorrência. Não sei ao abrigo de que disposição constitucional, as escutas recolhidas para investigação criminal, por mandato de um juiz, continuam mesmo e em alguns casos a ser divulgadas anos depois de o processo ter terminado sem acusação ou com a absolvição dos escutados ( gostava que o autor explicasse um único caso em que tal sucedeu, mas a veracidade do que Tavares escreve há muito que perdeu credibilidade garantida).

(...) O semanário O Sol, tendo três jornalistas embedded no processo Face Oculta, na qualidade de "assistentes" dedicou-se durante várias semanas a divulgar o teor das escutas lá existentes, assim conseguindo subir as pobres vendas daquilo.", escreve Tavares.

Portanto, o problema de Tavares com a divulgação das escutas é o Face Oculta. E porquê? Mistério que não explica e bem poderia fazê-lo. Tavares não gostou que o Sol publicasse as conversas obtidas por via travessa e que denunciam uma série de corruptos que estão em vias de submissão a julgamento por corrupção.
Os jornais de hoje noticiam que o presidente da EDP vai pedir uma indemnização a um dos arguidos do Face Oculta pelo facto de sendo administrador da empresa ter vendido um serviço ao principal arguido por um preço várias vezes superior ao normal, prejudicando a empresa.

No caso Rui.Pedro.Soares que originou um inquérito parlamentar, os factos só foram conhecidos porque o Sol os revelou. E muitos outros casos que lidam directamente como dinheiro e a honra colectiva de todos nós, só foram conhecidos porque o Sol os revelou em primeira mão, tendo os demais jornais seguido na peugada.

Tavares não gosta que isto tenha acontecido. Porquê é a pergunta que se coloca, não bastando a explicação pífia para a "devassa da privacidade". Que privacidade protegida pode ter um corrupto que é apanhado com a mão na massa, literalmente? Toda, para Sousa Tavares.

Mas nem todos os corruptos merecem tal protecção. Depende do ramo onde se instalam. Se for na PT merecem todo o sigilo e reserva da devassa ( mas porquê? Mas porquê? Esta pergunta insistente massacra-me o bestunto...).
Se for por exemplo, o caso dos submarinos, já não há problema algum em divulgar seja o que for, mesmo que sejam conversas privadas entre governantes num almoço a que se assistiu...
E quem diz submarinos diz Armando Vara de quem afirmou que "quando entra em cena Armando Vara fico logo desconfiado". Não deve ter sido por causa das infames escutas divulgadas pelo Sol, certamente.

Por causa dessa extrema coerência, Tavares sentenciou que o pobre Assange da Wikileaks "deve estar preso e responder por violação de correspondência pública (!!!) e privada ( que tanto quanto imagino é crime até na Austrália).

Crime pode ser, mas nem isso é certo. Quanto ao crime que o nosso Código Penal prevê para as tais situações que tanto incomodam Sousa Tavares ( mas porquê? Mas porquê, só a PT?) deveria o jurista saber e para tal bastava-lhe uma rápida consulta ao código Penal que a pena correspondente ao crime de devassa da vida privada ( artº 192º) ou o de devassa por via informática ( 193º) ou o de violação de correspondência ( 194º) ou mesmo o de violação de segredo ( 195º ) são todos punidos do modo como se pune a condução sem carta, em Portugal: no máximo dois anos de prisão, mas apenas para o crime do 193º porque o restante fica por um ano de prisão ou multa até 140 dias. Como todo o jurista deve saber, inclusivé Sousa Tavares que parece chegou a exercer a advocacia, os tribunais perante estas penas dão preferência à de multa.

Por tudo isto, a crónica de Sousa Tavares, mais uma vez é uma palermice de escrita e atenta arepetição do género o que espanta é que ainda escreva em jornais.
Mas fica a pergunta: porquê só a PT?
Sousa Tavares num programa que nem sei se continua, chamado Sinais de Fogo, entrevistou José S. e praticamente passou a entrevista a falar do caso que o Face Oculta revela e que o Sol noticiou do modo que Tavares agora execra. Mas serviu-lhe na altura, sem qualquer das denúncias que agora faz.
Não me lembro de em algum escrito de Sousa Tavares, este se ter pronunciado sobre os sinais de fogo mais que evidentes da corrupção na PT e dos afilhados que por lá circulam. E muito menos dos padrinhos.

sexta-feira, dezembro 10, 2010

Uma farsa

"Os corruptos têm no Governo uma entidade responsável que os quer combater, têm em nós um adversário disposto a dar uma luta contínua e sem tréguas." - Alberto Martins, ministro da Justiça.

Segundo o Público que transcreve a frase, proferida ontem em público, no dia internacional contra a corrupção, o ministro não se engasgou, nem sequer tossicou. E não consta que alguém se tenha rido da frase.

O inquérito sobre o desastre de Camarate


O Jornal de 5 de Dezembro de 1980 ( no dia a seguir ao desastre) e o Expresso de 13 de Dezembro do mesmo ano. Nem ponta de suspeita de comportamento criminoso voluntário, na origem do desastre.

Segundo O Jornal "O PSD desmente boatos de sabotagem". Foi o próprio PSD a não acreditar na tese de atentado, na altura. Ninguém ousou sequer aventar a hipótese porque eram "boatos". É bom que se lembre isto agora, porque as memórias andam muito esquecidas.

Nos jornais de hoje fala-se politicamente na constituição de uma nova comissão parlamentar ( será a 9ª !) para investigar o que aconteceu em Camarate com a avioneta que se despenhou e matou Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e outros ocupantes.

Santana Lopes, hoje no Sol, escreve sobre o apuramento de responsabilidades "quanto à investigação propriamente dita, às acções e omissões." E critica o facto de agora, por altura da efeméride, se pedir a opinião a Ramalho Eanes sobre o desastre. Acontece que Eanes esteve no local, como o prova a foto de O Jornal. E Santana, esteve?

Um político do tempo, precisamente Freitas do Amaral que anunciou a tragédia nesse dia 4.12.1980, à noite, na tv, para tranquilizar a população, disse que não havia suspeitas de comportamento criminoso. Agora pretende apurar o que se passou com o fundo do Ultramar, razão possível e motivo plausível para um atentado que Freitas agora acredita ter existido. Pelo que agora diz, acredita que houve atentado dirigido a Amaro da Costa. Na altura, nem isso.

Os jornais do tempo davam um panorama bem diferente do que hoje se ouve e lê. Acidente era a tese pacífica para o que ocorreu. Como se pode ver pelas imagens juntas dos jornais de época.

O Expresso de 3 de Janeiro de 1981, um mês depois do desastre, noticiava em primeira página a causa de morte dos ocupantes da pequena avioneta, em conformidade com o relatório de autópsia efectuado aos cadáveres. "Morte pelo fogo", era a conclusão. O Expresso ainda adiantava mais pormenores: "A queda do avião deveu-se à paragem do motor esquerdo, pouco depois de recolhido o trem de aterragem. ( ...) A falha do motor, por seu turno, teve origem , como dissemos em números anteriores, na falta de alimentação de combustível."

É clicar e ler as notícias de época que nos dão um panorama muito diferente do que hoje em dia, após oito comissões de inquérito, se fala à boca cheia: "atentado". Teria sido? Se foi alguém falhou, e muito, na investigação então realizada. Só por isso valeria a pena outro inquérito parlamentar, centrado nesse aspecto particular, mas com recordação do papel destas pessoas que agora falam e falam, com destaque para o próprio Freitas do Amaral.



Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso