terça-feira, dezembro 17, 2013

Professores: a origem da crise

Em 30 de Março de  1973 a revista Observador mostrava como o ensino em Portugal iria ser um caso bicudo de resolver nos anos vindouros.
Os problemas de então, onde aflorava a massificação do ensino superior como um dos maiores, tentavam resolver-se com estudos e ideias publicamente apresentadas, ao contrário de hoje.
As questões principais eram equacionadas do modo como se pode ler, ao contrário de hoje em que aparecem resolvidas por luminárias que ninguém sabe quem são e se escondem em biombos de eduquês aprendido nos isctes e quejandas escolas da nossa perdição colectiva.



Faça-se...Justiça!

 Económico:

Documento identifica como responsáveis pelas perdas com swaps o ex-secretário de Estado Costa Pina, a banca e os gestores públicos.
O relatório preliminar da comissão de inquérito aos swaps propõe que as conclusões apuradas pelos deputados sejam enviados para a Procuradoria-Geral da República. No seu desenho preliminar, o documento identifica como responsáveis pelas perdas com swaps o anterior Governo, a banca e os gestores das empresas públicas.
A proposta de relatório foi apresentada hoje pela deputada do PSD Clara Marques Mendes, a relatora, aos jornalistas.
Clara Marques Mendes referiu que o secretário de Estado do Tesouro e Finanças do Governo de José Sócrates, Carlos Costa Pina, não seguiu as recomendações da Direcção-Geral do Tesouro e Finanças. "Este comportamento em nada contribuiu para uma eficaz contenção da situação de risco, permitindo a proliferação deste tipo de contrato", acusou a deputada.

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Em 1975 o Estado passou a controlar nove décimos da economia...


Ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva diz que TC está "agarrado" a uma lei fundamental que prescreve sociedade sem classes.

"O Tribunal Constitucional está a tentar preservar uma Constituição que foi aprovada em 1976 e que levou a uma nacionalização generalizada da economia e uma sociedade sem classes. É o que o tribunal considera que deve fazer. Temos mais de 80% do Parlamento, que as pessoas elegeram, que assinou o memorando, mas os juizes do TC acham que não é tão relevante como a Constituição de meados dos anos 1970." Estas palavras foram ditas por Jorge Braga de Macedo numa conferência ocorrida no início de Novembro na Universidade do Texas, em Austin, e que, subordinada ao tema "Pode a Eurozona ser salva?", juntou vários políticos e responsáveis internacionais, do dirigente grego do Syriza Alexis Tsipras ao secretário-geral adjunto da OCDE, Yves Leterme, à co-presidente dos Verdes europeus, Mónica Frassoni, assim como vários economistas.

Anunciado como professor de Economia da Universidade Nova de Lisboa, Braga de Macedo apresentou uma exposição escrita intitulada "Morte na praia?", cuja conclusão é que "Portugal pode não se salvar, pode morrer na praia". A curta intervenção oral, disponível em vídeo na net, centrou-se nos juizes do Constitucional, que considera um dos maiores riscos para a situação portuguesa e preconiza deverem "ajustar-se": "Quando um país está em ajustamento é um país em que está tudo em ajustamento: o povo, o governo mas também os tribunais." Braga de Macedo refere mesmo os magistrados como "estes 13 não homens sábios, porque também há mulheres e também talvez por outras razões", e acrescenta: "Estão agarrados a uma interpretação muito legalista da Constituição, ao contrário do que a experiência dos EUA sugeriria".

No blogue Jugular, o jurista Domingos Farinho, que postou o link da intervenção de Jorge Braga de Macedo, comenta: "É realmente verdade que a Constituição foi votada em 1976. É mesmo a única parte da afirmação que é verdade. Gostava de conhecer os dados que demonstram a nacionalização generalizada da economia, mas como jurista o que me interessa é que Braga de Macedo ignora por completo a revisão de 1989 e todo o fenómeno das reprivatizações. Quanto à construção da sociedade sem classes que a Constituição de 1976 originou, pedia por obséquio a Braga de Macedo que me desse indicações de onde a posso encontrar."

Em resposta ao DN, o ex-ministro das Finanças de Cavaco Silva diz que focar o TC na intervenção oral se deve a "não só se tratar de uma fonte inusitada de incerteza para um programa de ajustamento económico e financeiro, mas também porque contrasta fortemente com a experiência americana e até alemã." Aduz ainda que "as revisões não alteraram a ilógica fundamental de juntar a regra do voto maioritário com um programa de transformação social".

Quanto à afirmação de que a lei fundamental levou a uma sociedade sem classes, considera que "alguma coisa se terá perdido na tradução porque o que me atribui não faz sentido, mas referi a sociedade sem classes e a nacionalização irreversível para ilustrar a contradição mencionada na resposta anterior".

Já ao constitucionalista Reis Novais "a substância das afirmações não merece um comentário. A deturpação e a falsificação da realidade são de tal ordem que só se explicam ou por ignorância absoluta, o que parece não ser o caso, ou por vontade de causar uma impressão num auditório que se supõe estar à espera de ouvir daquilo. Das afirmações em causa, a única que tem o mínimo de correspondência objectiva com a realidade é a de que são 13 os juizes do TC em Portugal".

Fernanda Câncio | Diário de Notícias | 16-12-2013


Esta senhora Câncio é de esquerda. De Esquerda; de esquerda. E por isso, treslê sempre à Esquerda que é esquerda.

Comentando uma afirmação de um syriza nacional- um tal Domingos Farinho, jurista, também de Esquerda, De Esquerda e de esquerda, tenho a mostrar o que o mesmo pretende -"Gostava de conhecer os dados que demonstram a nacionalização generalizada da economia".

Ó dr. Farinho... assoe-se a este guardanapo da Vida Mundial de 10 de Abril de 1975, escassas semanas depois das nacionalizações e estude um pouco mais...


sábado, dezembro 14, 2013

Advogadas associadas

Alertado por um comentário e esclarecido neste sítio, ( que, a julgar pelo título do postal, imagino   equívoco...)  fui ter a um lugar de espanto em que aparece um grupo de advogadas de uma nova firma da praça- Maria do Rosário Mattos e Associadas, perdão, Associados. Com esta imagem:



Uma breve pesquisa pelo Google permite esclarecer o iter profissional da líder destacada do novel grupo de causídicas da nossa praça, com imagem para dar e vender graça e arrojo profissional ( é nesse tom que se apresenta o grupo...).
Maria do Rosário nem sempre foi Mattos, com dois tt. Ainda há pouco tempo tinha apelido mais prosaico: Maria do Rosário, sim, mas Miranda Andrade Ribeiro Vítor.
Com esse nome foi membro da administração da TAP, no Conselho de Supervisão, onde também assentava um tal Luís Patrão, ainda em 2011.
Maria do Rosário tem um currículo  de administradora-gestora de empresas públicas e privadas. Esteve em Macau, in illo tempore, entre 1987 e 1991, como "assessora jurídica" do governo da nossa última província e passou depois para cá. Para o grupo Amorim, depois para a Marconi, depois para a RTP ( entre 1998 e 2002, quando terá sido membro do conselho directivo dos Emmy Awards, seja lá isso o que for); depois para a TAP, onde esteve em várias comissões e conselhos, ao mesmo tempo que exercia advocacia ( diz no currículo).

Ora na página da novel firma consta no currículo de apresentação de de Maria Rosário Mattos como sendo também "membro do conselho geral e de supervisão da TAP" e também daqueles tais EmmyAwards...e ainda de "comissões especializadas".
O sítio da TAP confirma que há uma Maria do Rosário Ribeiro Vítor nesse Conselho e demais comissões especializadas, pelo que deve ser a mesma pessoa...que por tal tarefa auferiu mensalmente a módica quantia ilíquida de €7.000,00 ilíquidos vezes 14 meses por ano, no salário base ( €4.000,00 mais €3.000,00 de suplemento).

Em 2012 a dita  Maria do Rosário Vítor (que não Mattos) auferiu por essas funções não exclusivas, € 71. 820,00 .
Segundo o seu currículo de apresentação, a redacção do mesmo dá entender que continuaria a ser qualquer coisa em comissões da RTP. Mas na verdade tal não é líquido ( termo jurídico-químico)  porque não aparece na contabilidade da empresa e depois de 2002 nada se sabe...  e se assim é não se percebe tamanha confusão naquele currículo redigido de modo capcioso e a que falta a menção simples a "funções exercidas", no pretérito...

Vendo a composição do grupo da novel firma repara-se que uma das advogadas que o compõe-  saiu da firma de uma certa Ana Bruno.

Segundo se lê na secção da "expertise"  a especialidade da firma será a das "cobranças difíceis".

Nem sei mais que dizer. O video  é apenas um apontamento.Estilo Nescafé Nespresso misturado com chicória.

Escarros morais na Assembleia da República

Em tempos já por aqui mostrei a imagem do O Jornal de 23 de Janeiro de 1980 em que se dava conta de um "debate" na Assembleia da República entre democratas de luxo que então ocupavam o lugar destinado pelo respectivo partido.
Sousa Tavares, pai do actual cronista do Expresso e bem conhecido compadre do Salgado do BES, Raul Rego o antigo seminarista virado jacobino e mata-frades e António Campos, o pai de outro que agora senta nas filas de trás para ouvir das boas sobre as PPP´s que ajudou a negociar com as empresas do regime e que disse publicamente na tv que vive com a ajuda dos pais, ou seja o tal Campos que então reagia violentamente a impropérios daqueloutro.
"Animal!", atirou o Campos ao Sousa Tavares quando este lhe chamou mentiroso. "Escarro moral" , saiu logo disparado da glote do Sousa Tavares para o amarfanhar nesta disputa de craveira cívica elevadíssima, digna das melhores praças de peixe do país.

Isto aconteceu meia dúzia de anos depois daquela sessão na Assembleia Nacional, sobre o caso da capela do Rato...e dá para perceber a subtileza da diferença. Para alguns, a antiga assembleia cheirava a mofo e preferiam, pelos vistos, a liberdade de expressão destes interveneientes democratas, dignos dos melhores momentos dos parlamentos de terceiro mundo.

sexta-feira, dezembro 13, 2013

Um exemplo de discussão na Assembleia Nacional: o caso da capela do Rato

Do Observador de 2 de Fevereiro de 1973, duas páginas sobre o caso da capela do Rato e a discussão a esse propósito na Assembelia Nacional da época entre o deputado de Oposição, Miller Guerra e alguns da "situação", como o Almirante Tenreiro.

O diálogo não podia ser mais claro.




Assembleia Nacional e Assembleia da República: ver as diferenças

A revista Observador de 23. 2 .1973  publicou um artigo de cinco páginas sobre o funcionamento da Assembleia Nacional, com uma acuidade e clareza de exposição que o jornalismo de hoje não alcança com facilidade.
Torna-se muito curioso comparar o funcionamento da então Assembleia Nacional com a actual Assembleia da República, mormente no nível das "comissões"... e sendo o regime "fassista" como o proclama a Esquerda que cunhou o termo designativo, afinal aproximava-se bastante do modelo democrático que temos.


Fechem a loja!

Expresso online:

São dois os candidatos que disputam hoje as eleições para o cargo de reitor do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, mas é a candidatura de Luís Reto, que está à frente desta instituição desde 2005, que está a gerar polémica.

O facto de se candidatar a um terceiro mandato - foi presidente do ISCTE entre 2005 e 2009 e reitor desde 2009 - viola, segundo o parecer jurídico de Freitas do Amaral, a regra da limitação de dois mandatos consecutivos, consagrada no Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior.

Pelo contrário, Alberto Costa, ex-ministro da Justiça, alega que este último diploma, aprovado em 2007 e que estabelece a limitação de dois mandatos, não pode ter efeitos retroativos. E que o cargo de presidente não é o mesmo que o de reitor. Logo, a candidatura seria apenas a um segundo mandato.

Mas este não é a única questão a levantar dúvidas sobre a elegibilidade de Luís Reto. Também o facto de se ter candidatado ao Conselho Geral do ISCTE, órgão a quem compete supervisionar o processo eleitoral e eleger o reitor, é visto por alguns professores como uma incompatibilidade. Sendo certo que também aqui existem dois pareceres distintos: um sustenta que o reitor violou a norma de incompatibilidade de funções (João Caupers) e outro o seu contrário (Martinho Madaleno).

As divergências já causaram duas baixas na equipa que tinha estado até agora com Luís Reto, com o pró-reitor Rui Pena Pires e o vice-reitor António Firmino da Costa a demitirem-se dos cargos.

Ao Expresso, o atual reitor não quis fazer comentários sobre o processo mas lembrou que o Conselho Geral declarou que a sua candidatura e a de Eduarda Gonçalves estavam em "condições de elegibilidade". "Há pareceres jurídicos a defender coias diferentes mas sobre isso não me pronuncio", afirmou.

Segundo Rui Pena Pires, a decisão do conselho geral foi bastante dividida. E é a este órgão que compete eleger o reitor. A palavra final, no entanto, pertence ao conselho de curadores, presidido por Ramalho Eanes. Como o ISCTE tem o estatuto de fundação, a nomeação do reitor tem que ter o aval deste órgão, que se deverá pronunciar na próxima semana. 
 
O ISCTE é o lugar, por excelência, da nossa perdição colectiva. Se fechasse só ficaríamos a ganhar.

quinta-feira, dezembro 12, 2013

A Esquerda domina o país porque tomou conta da Linguagem

A questão da linguagem que se usa para definir conceitos e situações é talvez o assunto mais importante da política. Já os chineses confucianos o sabiam, como se pode ler neste artigo de duas páginas do Observador de 23 de Fevereiro de 1973.
A Esquerda portuguesa domina a linguagem política e social desde pelo menos há quarenta anos, portanto antes de 25 de Abril de 1974. Com o passar dos anos essa linguagem refinou os termos e tornou-se jacobina.
Se há tarefa a empreender para a reforma do Estado é a desconstrução ( termo esquerdista) dessa mesma linguagem. Quem o conseguir fazer, ganha um país autêntico e que já foi o nosso.


quarta-feira, dezembro 11, 2013

França e Portugal na Educação: quem partilha as mesmas paixões tem as mesmas desilusões...

A revista Marianne desta semana tem um artigo interessante de Jacques Julliard, duma esquerda que não temos por cá e que coloca o dedo numa ferida comum: a paixão assolapada pela Educação deu em desilusão amorosa amarga.

Tal como nós ( ou vice-versa) quiseram reinventar a roda e acabaram  sem eixos.


terça-feira, dezembro 10, 2013

A esquerda mediática nas vésperas do 25 de Abril 74

Em 1972, três autoras portuguesas, assumidas "feministas" publicaram um livro incaracterístico que chamaram de Novas Cartas Portuguesas. O livro, mal saiu, escandalizou a sociedade mediática da época e não demorou muito a ser considerado "proibido" pela Censura.
Não obstante, pelo menos um jornal da época, o Diário de Lisboa num suplemento, publicou algumas das cartas tal como já foi aqui mostrado.

Em função de procedimento judicial, o escândalo chegou além Atlântico por via da revista Time que tinha cá uma correspondente ( Martha de La Cal) muito sensível a estas questões que serviram para acicatar o regime. O julgamento das Três Marias vítimas da censura fassista prosseguiu durante o ano de 1973 e chegou até depois do 25 de Abril de 1974, altura em que as mesmas foram absolvidas porque então  "the times they are a-changing". Numa questão de poucos meses, o livro deixou de ser "pornográfico e imoral", para ser uma das obras da nossa literatura de costumes...digamos assim.

Em   Fevereiro de 1974, o cronista Vasco Pulido Valente publicou na revista Cinéfilo um comentário a uma entrevista de uma das Três Marias- no caso, Maria Teresa Horta- à revista Vida Mundial.  O modo como o fez, suscitou o reparo atento de uma outra feminista de então, sempre de esquerda e punho erguido, mesmo quando dirigia a Máxima, como revista.
 Maria Antónia Palla, mãe do Costa da Câmara ( tinha escrito que era também do Costa do Expresso mas não é)  a quem transmitiu os sagrados valores da Esquerda democrática, criticava asperamente no número de 23 de Fevereiro de 1974 dessa revista o artigo de VPV, numa carta aberta. Assim:

Lendo a carta aberta ficamos elucidados sobre a ideologia da Esquerda portuguesa de então e que aliás é a mesma de agora. Nada mudou, nem mesmo por causa da Máxima. 

No número seguinte Vasco Pulido Valente respondia assim, denotando igualmente o lugar da Esquerda mediática que não pode ser muito incomodada pelos poderes da intelligentsia.

Essa mesma esquerda que já antes de 25 de Abril de 1974 dominava o panorama mediático, poucos meses depois apresentava assim as suas ideias para  a música que passava nos rádios...como se pode ler neste artigo do Cinéfilo de 15 de Junho de 1974. A prosápia de um tal Mário Contumélias é de antologia.

Este PREC cultural, muito mais profundo e duradouro que o político, ainda perdura. E é essa uma das razões profundas do nosso atraso económico e social e um dos motivos por que vemos a Esquerda da troika Avoila,Arménio e Jerónimo, albardados pelo Silva que não corta o bigode nem que a vaca tussa, sempre presente nas pantalhas televisivas, nos debates radiofónicos e nas páginas dos jornais.

Esta saga dura há mais de 40 anos...como se pode comprovar.



São rosas... senhores juizes!

 Sol:

José Penedos, ex-presidente da REN e arguido no processo Face Oculta, entregou ao Tribunal de Aveiro duas prendas que lhe foram oferecidas pelo industrial Manuel Godinho, para demonstrar o seu valor irrisório e que não houve corrupção.
Em atitude inédita, José Penedos, ex-secretário de Estado da Energia e da Defesa, entregou ontem as duas prendas que, segundo se apurou no inquérito, lhe foram entregues nas épocas de Natal pelas empresas de Godinho: um cantil Dom João II (da Vista Alegre) e um centro de mesa (Atlantis). No requerimento ao Tribunal, o seu advogado, Rui Patrício, salienta: “Talvez ver os presentes possa ajudar a compreender melhor o absurdo e o ridículo das imputações a José Penedos”.
O juiz-presidente do colectivo que está a julgar o processo Face Oculta, Raul Cordeiro, aceitou o requerimento e ordenou que ambas as peças sejam “guardadas num local conveniente” do cofre do Palácio da Justiça de Ovar.
No requerimento, o advogado Rui Patrício sustenta que “deve ser admitida a junção aos autos de objectos que constituem prova de que o crime [alegada corrupção passiva de José Penedos] não foi cometido, como é o caso”. E acrescenta: “É ridículo, é absurdo e viola as mais elementares regras do bom senso e da experiência comum partir-se do princípio de que um presidente de uma empresa como a REN, que ganha centenas de milhares de euros por ano, se deixaria corromper por presentes de Natal”.
Para Rui Patrício, “seja uma peça de cristal, seja um centro de mesa, seja uma peça Vista Alegre, seja o que for, mesmo que o presente tenha o valor de mil e tal euros, ou de dois mil e tal euros, ou 500, ou 300, ou 50”, não faz sentido tais ofertas levarem à alegada corrupção passiva por parte de Penedos ou de outra pessoa. “É pura e simplesmente desprovido de todo o sentido, pura e simplesmente inverosímil, que a oferta destes presentes tenha sido feita com o intuito de corromper José Penedos e, acime de tudo, que José Penedos se tenha deixado corromper pela oferta dos mesmos”.
José Penedos deixou a presidência da REN na sequência do caso Face Oculta, em Novembro de 2009. O filho, o advogado Paulo Penedos, também está a ser julgado no mesmo processo, que tem hoje a sua última sessão antes das férias judiciais de Natal. As alegações finais deverão realizar-se em princípios do próximo ano.

Tal como na lenda do milagre das rosas,  o advogado do "crime das elites", Rui Patrício, achou por bem apostar numa estratégia para convencer os juízes do colectivo de Aveiro acerca da acusação mal fundada contra os seus clientes. Em vez de corrupção passiva imputada ao presidente de uma empresa pública, enquanto chefe máximo da sua estrutura executiva, apenas  "presentes de valor irrisório", "prendas de Natal", atenções, miminhos de circunstância que o arguido lhe enviou para agradecer as simpatias e tão só pelos seus lindos olhos benevolentes para com a empresa carenciada dos seus favores.
Corrupção nisto? Honni soit qui mal y pense! Ridículo! Só um tolo acreditaria numa coisa destas...
O processo Face Oculta concentra alguns dos advogados do crime das elites do país e o assunto é a famigerada corrupção que parece não haver ninguém que a tenha visto algum dia a minar seja o que for.  Provavelmente será bicho mitológico, como os dragões ou os unicórnios ou então invisível aos olhos dos mortais como verdadeiro fantasma destas óperas-bufas.
Apesar disso, cheira como doninhas e por isso estes advogados do crime lançam este botafumeiro para afugentar o ar nauseabundo que exalam os factos em discussão.

Vou lembrar aqui o que disse publicamente, ao jornal i de 19 de Novembrio de 2009,  Rodrigo Santiago, de Coimbra e quando era  advogado do principal arguido, Godinho :

 "Rodrigo Santiago, advogado de Manuel Godinho, considera que o empresário de Aveiro "é apenas a ponta de um iceberg" de um complexo processo que pode "envolver figuras da hierarquia do Estado".
Referindo-se ao caso Face Oculta, que visa uma alegada rede tentacular de tráfico de influência, corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, Rodrigo Santiago diz que um sinal desse envolvimento é a suspeita que recai sobre o presidente da Rede Eléctrica Nacional(REN), José Penedos: "Manuel Godinho é a face visível", diz o advogado."

É por isso natural que o botafumeiro agora lançado procure algum efeito deletério... e acabe tudo num mar de rosas.






segunda-feira, dezembro 09, 2013

A Polónia aqui tão perto.

Elísio Alexandre Soares dos Santos é o presidente da empresa familiar Jerónimo Martins. Vai deixar de ser e o lugar passa para o filho Pedro Soares dos Santos. O Jornal de Negócios dá-lhe cinco páginas incluindo uma entrevista de três, hoje.

O que diz merece ser lido porque coincide com algumas ideias que tenho passado por aqui, em recuperação de uma memória Histórica que os media insistem em não nos contar. Sobre os grupos económicos que existiam em Portugal, até 1974-75, é claro na linguagem: a sua destruição foi um dos maiores erros cometidos nas últimas décadas em Portugal.

O mesmo explica na entrevista que a empresa já tinha uma dimensão razoável nos anos setenta. E tinha, como se pode ler neste artigo do Observador de 7 de Janeiro de 1973 que elencava alguns modelos de empresas, "exemplos" do nosso desenvolvimento de então. A "Lever" era uma delas e já aparecia o próprio Elísio Alexandre a falar em nome da mesma...


Explica ainda que a sua empresa é líder na Polónia.
Sobre a Polónia torna-se muito interessante ler esta entrevista publicada no jornal galego Faro de Vigo, no passado Sábado. O entrevistado é desconhecido entre nós e não estou a ver nenhum Público a interessar-se pelo entrevistador como o jornal galego se interessou. E porquê? Adam Michnik foi o fundador e editor do Gazeta Wyborcza, o diário mais importante e influente da Polónia dos dias de hoje.
É também uma das suas figuras históricas da oposição e esteve preso várias vezes por causa disso.
É um moderado, como se pode ler e a oposição que fez, durante muitos anos ( tem 67) foi ao...comunismo.  Precisamente o contrário do que se passa por cá, em relação aos opositores do antigo regime...porque Michnik foi preso, por motivos políticos, claro está, mas por aqueles que por cá vituperam o "fassismo" pelo facto de os ter prendido também.
Ou seja, o "fassismo" polaco foi o comunismo, com uma diferença: muito mais violento e mais repressivo do que jamais o salazarismo o foi.

É por isto que não vemos entrevistas destas nos jornais portugueses. Porque lá, o comunismo foi chão que deu uvas. E ninguém apanhou os bagos. Por cá, parece que pegou de estaca e os Arménios mai-los Jerónimos e Avoilas são as nossas troikas diárias de reacção ao progresso económico. Para essa troika comunista, quanto pior estivermos, melhor para eles. O povo? O povo é uma abstracção e por isso que se lixe! Na Polónia dos dias de hoje,  essa troika seria corrida "à paulada". Que não haja a mínima dúvida.
E porque razão aqui não é? Simplesmente por vivermos num mundo ao contrário de há décadas a esta parte. Pergunte-se aos polacos. Entreviste-se Michnik e a explicação será simples: o comunismo foi uma das maiores tragédias do séc. XX para a Humanidade. Por cá, ainda vamos atrasados vinte anos e por isso mesmo têmo-los todos os dias nas tv´s, à hora do jantar para comentarem a nossa situação económica que também é muito simples de entender e Soares dos Santos o diz também: não temos dinheiro. Parafraseando o antigo ministro da Economia, qual destas palavras, esssa gente dos media não entende? Deve ser "temos". Porque não temos inteligências capazes de entender estas coisas simples.


sexta-feira, dezembro 06, 2013

A Oposição ausente de Mário Soares em 1973

Continuando com as vinhetas históricas de há 40 anos, que o Expresso não conta nem publica, vemos agora, na edição de 13 e de 20 de Março de 1973 do Observador, a reportagem sobre o Congresso da Oposição Democrática em Aveiro.  Mario Soares, convidado, não esteve presente. A mulher, sim. Devia ser por causa do fasxchismo...




quinta-feira, dezembro 05, 2013

O outro Verão Quente de Mário Soares

No dia 5 de Junho de 1973 o príncipe Filipe de Inglaterra estava em Portugal para uma visita oficial, representando a Inglaterra, nosso maior aliado, desde o séc XIV.  A comemoração dos 600 anos da alianca ( 16 de Junho de 1373, foi a data do primeiro tratado, ratificado em 1435 e com novo tratado em 1703) foi o motivo da visita, com todas as honras da casa.

Em meados de Julho desse ano, Marcello Caetano foi a Londres e foi recebido de modo diferente. Tão diferente que a revista Observador de 20 de Julho desse ano contava assim o sucedido.


Como se pode ver, um grande patriota nacional, Mário Soares, apoiou então, em Londres, a manifestação de repúdio pela visita do então representante português nessas comemorações ancestrais.  Não foi preciso pisar bandeira alguma , facto depois propalado mas falso, porque a figura que fez foi suficiente para  mostrar o patriotismo do indivíduo. Poucas pessoas se lembram disto e as que se lembram não querem recordar.
Em 27 de Julho a revista continuava a mostrar o assunto.
E em 17 de Agosto continuava, para mostrar o que Mário Soares e a esquerda comunista e socialista pretendiam então: denegrir o nome de Portugal, de qualquer forma.






Porque é que esta História não se conta assim no Expresso que agora anda a comemorar os seus 4o anos? É muito simples e esta imagem eo Observador de 3 de Agosto desse ano- em pleno Verão Quente após as manifestações de Londres e Lisboa- deixa perceber uma das razões: Balsemão era apenas um dos "liberais" misturado com os mesmos, nas cadeiras do fundo. Apenas mais um.


quarta-feira, dezembro 04, 2013

Por este Rio abaixo

Económico:

Referindo-se à recente polémica com o Procurador-geral da República angolano, para Rui Rio, "uma coisa efectivamente é a liberdade de imprensa, outra coisa é uma cultura de violação de segredo de justiça", que entende que "devia ser respeitada também pela comunicação social".
Sobre este tema, o ex-deputado do PSD e politólogo Pacheco Pereira disse discordar, já que "um jornalista que recebe uma informação que é de relevante interesse público deve dá-la". "E portanto eu acho que neste caso concreto que envolve o Expresso, acho que fizeram muito bem", defendeu.
Rui Rio defendeu ainda que "não só Angola como os países de língua portuguesa são vitais" para Portugal, particularmente para a economia nacional, sugerindo que o país, para lá da Europa, devia "apostar seriamente na língua como factor competitivo".
Durante a conferência, outro dos oradores foi o jornalista e o escritor Miguel Sousa Tavares, que inverteu a questão em cima da mesa e interrogou se "a democracia que temos é útil ao jornalismo", considerando que em Portugal ainda se vive na "prática salazarenta" de que tudo o que se passa na administração pública é segredo.
Já Henrique Monteiro levantou a questão de como é que um jornal como o i "consegue subsistir", usando como justificação as baixas tiragens do periódico, considerando que em Portugal "há jornais a mais".
Sousa Tavares, em resposta, rejeitou por completo esta ideia, criticando os baixos salários pagos à maioria dos jornalistas em Portugal.


Rui Rio coloca o dedo na ferida: o problema principal do segredo de justiça passa efectivamente pelos media.Quem viola sistematicamente o segredo que está na justiça são os media e tal nem merece discussão. Rio entende que os media não deviam poder divulgar segredos de justiça; pelo contrário o sempre presente Pacheco, historiador revisionista nas horas vagas, entende que não e que"um jornalista que recebe uma informação que é de relevante interesse público deve dá-la".
Como é que se resolve este paradoxo? É simples: acusa-se o Ministério Público de ser o violador do segredo de justiça e matam-se dois coelhos de uma cajadada. A honra do MP e a do visado pela notícia. E quem fica impune é o violador propriamente dito, escorado no "interesse público" que é um mito e lhes serve de desculpa hipócrita para vender papel ou audiência.
Se o violador do caso concreto for um qualquer rafael ainda melhor porque serve outro "interesse"...

Cambada de hipócritas e cretinos.


Em 4 de Dezembro de 1980 morreu Sá Carneiro, nemésis do comunismo

 Em guisa de efeméride recordo aqui um texto com imagens que publiquei aqui, em 7 de Julho de 2013 sobre Sá Carneiro, agora que faz anos que o mesmo morreu num desastre de aviação em Camarate, Lisboa, mais ou menos a esta hora (20:20), em 4 de Dezembro de 1980.
Sá Carneiro não era um líder que considerasse como sendo o ideal, na seriedade que deve ser apanágios dos homens de Estado que admiro. Porém, foi dos melhores que tivemos.

 Sá Carneiro representava para o PCP o verdadeiro adversário político-ideológico, capaz de mudar o paradigma de Esquerda que vicejava em Portugal desde os primeiros dias do 25 de Abril de 1974, como se pode ver pelos recortes de imprensa que por aqui tenho publicado. Em 1979, na altura da AD, os comunistas andavam em pânico eleitoral e desfaziam-se em comícios, reuniões e sessões de esclarecimento para obstar à onda "contra-revolucionária", "reaccionária" e no final de contas "fascista" que aquele representava. E sem grande sucesso, atento o resultado eleitoral.  Em 12 de Março de 1976, Álvaro Cunhal dava uma entrevista extensa ( duas páginas) ao O Jornal em que dizia claramente " Nós, os comunistas. não consideramos [o PPD] nem "popular" nem "democrático". Ficava assim claramente dito o que o PCP pensava da democracia...

Na altura, o problema principal era económico e o que os comunistas e esquerda em geral fizeram ao país e que nos conduzia directamente para uma bancarrota anunciada e apenas evitada in extremis, pela intervenção do FMI, em 1977. Isto é tão claro que não entendo como hoje se continua a dar crédito à troika Avoila, Jerónimo e Arménio, com o albardeiro Silva a dar-lhes apoio grevista. E ainda me espanta mais como é que o jornalismo caseiro dá cobertura mediática imediata e permanente a esta desgraça colectiva que se anuncia novamente, depois da experiência do passado. Este jornalismo é do pior que pode existir porque comunga causas perdias como se fossem a salvação do país. Exactamente como dantes e basta ler o artigo sobre o "entendimento" entre o PS e o PSD, de José Manuel Barroso, para perceber como era o tom geral nos jornais: de Esquerda, sempre, sempre. Arre!

Em 6 de Fevereiro de 1976, Sá Carneiro dava uma entrevista ao O Jornal. Assim.

Em 11 de Março de 1977, o PS já estava no Governo ( e o FMI por cá) e houve uma primeira tentativa de alterar a constitucional irreversibilidade das nacionalizações, através de um acordo bi-partidário entre o PS e o PSD, arrancado a ferros e com Sá Carneiro a dizer publicamente que havia possibilidade de entendimento com o PS ( o PS entende-se sempre com a dita "direita" quando está no poder...para grande desespero do PCP e em Portugal sempre assim foi.)


No mesmo número de O Jornal, a par da entrevista, vinha um artigo sobre as bases de entendimento entre os dois partidos e que "ressuscita actividade da banca privada", embora uma ressuscitação anémica cuja recuperação de cor ainda demorou uma boa meia dúzia de anos. A explicação para o entendimento dava-a o próprio Jornal: "Mercado Comum tem um preço: interno e externo". Exactamente e tal como hoje...embora o PS só o reconheça quando está no poder a rapar o pote. Como hoje quer  outra vez.

E na entrevista, Sá Carneiro explicava melhor porque o PCP o considerava "anti-democrático" (!)



O Ultramar que foi nosso

A revista Observador de 19 de Outubro de 1973 publicou uma série de páginas sobre um dos então considerados "grandes problemas nacionais". No caso, a "política ultramarina". Foi assim e para quem acha que o Ultramar foram sempre colónias e que a descolonização foi uma obra humanitária em prol dos interesses dos povos africanos autóctones vale a pena ler o que então se pensava em Portugal sobre o assunto.
Era esta perspectiva que gostaria de ver pelo menos abordadas em documentários e ensaios sobre o assunto que hoje se publicam. A chamada descolonização provavelmente seria inevitável em atenção ao ar do tempo que nos anos setenta se fazia sentir no Ocidente. Porém, sobre o modo como a mesma se processou e quem a protagonizou, há que não hesitar em classificar a mesma  e os mesmos ( particularmente a Esquerda portuguesa, do MFA comunista até aos socialistas Almeida Santos e Mário Soares) como tendo sido, no mínimo tragica e provavelmente criminosa em termos de direito penal.

Há quase 40 anos que carregamos este fardo de aguentarmos com o revisionismo histórico e com a noção propagandeada de que não havia alternativa ao que sucedeu. Havia e para isso seriam precisos Homens de Estado, com estatuto de dignidade que aqueles não tiveram.
Uma das heranças negras que herdamos dessa gente foi esse processo que se desenrolou a par do PREC. Uma tragédia nacional, foi o que nos sucedeu. E toda a gente dos media entende que foi um happening e uma alegria, uma "festa"...e essa ainda é a maior tragédia que nos atingiu como povo.



Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso