sábado, maio 07, 2022

O Tribunal Constitucional a aplicar a justiça em nome do povo...

DN de hoje, sem comentários para além do óbvio: o tribunal Constitucional optou pela desprotecção dos cidadãos em geral para dar a primazia a bandidos e similares. Fantástico! Grande Constitucional!

 



terça-feira, maio 03, 2022

Vem aí um filme sobre Salazar: teme-se o pior...

 O cineasta João Botelho anuncia que vai realizar um filme sobre Salazar, com argumento dos de sempre, os que não gostam de Salazar. Por isso se espera o pior, para além da mediocridade habitual nos filmes de cá. Os subsídios vão chover, naturalmente, porque a coisa vai estrelar em 2024...

Repare-se: o gajo entra num táxi e ouve o condutor a dizer que no tempo de Salazar é que era bom. Botelho acha que não e é preciso dizê-lo, em filme com argumento de José Pedro Castanheira. Vai sair merda? Vai pela certa e nós é que pagamos. No tempo de Salazar não era assim, de facto...

Como Botelho vai consultar os "diários do ditador", agora transcritos para português legível e disponíveis online, vai ser provavelmente do mesmo género que o "intelectual" António Araújo, outra figura pardacenta do regime, escreveu e foi publicado no último número da revista Ler:



O esquema já está engendrado, até com citações cirúrgicas de Anna Arendt, para dar consistência à tese com pouca tusa: Salazar era um ditador cuja vida pessoal se confundia com a vida pública. "Tudo o que é feito na esfera pessoal é ordenado ao que ocorre na esfera do Estado", escreve o intelectual pardacento, habituado a obituários no Expresso. A prova? Simples e extractável: "no apontamento de um dado dia, tanto encontramos questões de Estado como apontamentos sobre almoços". E já está! Esperava o Araújo um diário mínimo, sobre...sobre coisas triviais como lavar os dentes ou calçar as botinhas, sem misturas de relatos do dia de encontros diplomáticos. Enfim, inteligências destas, são raras!


Para se notar como era Salazar para quem o apreciava pelo que era e fazia, vale a pena mostrar o que se escreveu na revista Resistência de 1977, no caso António José de Brito que estes intelectuais classificam automaticamente como um fascista.
O conceito de fascismo e de totalitarismo está também explicado no que se refere a Salazar. Com citações, também, até da mesma Arendt.












Ao Botelho que diz admirar e gostar de Cunhal, fazia-lhe bem ler isto para se desviar um pouco da narrativa esquerdista habitual, com a qual alinha acriticamente e perceber que se calhar Salazar não foi um fascista ditador e muito menos totalitário, como Cunhal queria ser. Essa contradição é sempre fatal para esta gente, mas não lhes interessa aceitá-la porque a partir desse momento, acabava-se-lhes a mama da dependência do Orçamento dos impostos de todos os que pagam. E os almoços no Gambrinus com as belas perdizes e codornizes e as viagens e a vidinha, enfim. 
Por isso...caspité! O Cunhal, sim, o Cunhal era corajoso, digno, enfim esse é que sim! 

Quanto ao Araújo é uma tristeza de intelectual livreiro. Apenas e tão só. 

As declarações de ódio comunistizante

 Observador, jerónimo replica com o ódio comunistizante contra os ucranianos refugiados no país:





Enquanto as declarações de comunistas como Jerónimo não forem consideradas ao mesmo nível de "ódio" que as apelidadas pelos mesmos de "fascizantes", a democracia fica a dever algo ao povo. 

"Fascizantes" deve ter a mesma conotação pejorativa que "comunistizantes" e os ucranianos já perceberam tal coisa há muito. Por isso são claros no que dizem: não percebem como é que um PCP ainda existe, em Portugal. 

De facto não se percebe muito bem, pela lógica das coisas. Assim, em vez de se envergonharem e porem a cara num saco, ainda têm o topete de apodar aqueles com epítetos que inventaram para diabolizar adversários políticos, com a conivência dos habituais companheiros de caminho, os socialistas e aparentados, os respectivos pés de microfone e apaniguados de vária espécie nos media. 
Como sabem que em Portugal ser comunista ainda é ponto de honra para alguns que esquecem o totalitarismo, a repressão sanguinária e cruel e a limitação apertada de todas as liberdades, apanágio dos regimes comunistas, é-lhes permitido terem a lata que querem sempre que bem entendem, como agora. Em vez de tratarem os comunistas como passíveis de epítetos e designações que estes reservam aos outros a quem chamam fascistas, dão-lhes lugares de honra e consideram-nos democratas de pleno direito.
A perversão é total e é isso que os ucranianos e outros povos do Leste sabem muito bem e não compreendem que por cá não se saiba. Afinal o conhecimento dos factos que assim permitem julgar é fácil, está difundido, mas é silenciado e censurado nos media nacionais. 




segunda-feira, maio 02, 2022

O silêncio aflito do som abafado

 Por ter visto na tv um autor- historiador- de um livro sobre música popular portuguesa até aos anos 70, fui à livraria e perguntei se havia o livro. Havia e é este, publicado em Março deste ano. 

O título é tirado de uma estrofe do verso da canção Que amor não me engana, do lp Venham mais cinco de José Afonso, publicado em finais de 1973:


É deste autor que na tv apresentava alguma dificuldade em comunicar e explicar coisas simples e por isso não sei como se desenrasca com os alunos universitários, para lhes ensinar História Contemporânea:



Tem este sumário dos anos sessenta e setenta:


E traz esta explicação para apresentar colaboradores, variados mas nem por isso relevantes para dar a conhecer os temas como esperava ler. E teve apoio oficial, o que deveria ser sinal de maior exigência e respeito para com os leitores exigentes. 


Além disso indica algumas "fontes" do conhecimento das matérias sobre que escreve, essencialmente revistas dos anos sessenta e setenta e entre estas, avultam os semanários Século Ilustrado e Flama, mais a Mundo da Canção, Plateia, R&T  e alguns jornais, com destaque para o Diário de Lisboa e o suplemento A Mosca. Um ou outro livro completam o quadro das fontes disponíveis. 


Folheei demoradamente e fiquei com uma sensação de frustração porque não me satisfez a vontade de conhecer algo mais do que já conhecia, da leitura de algumas dessas publicações e dos livros mencionados, particularmente os dois de Eduardo Raposo, já por aqui citados e o Ié-Ié, de Luís Pinheiro de Almeida. 

A maior frustração, porém, advém de ler o que tenho lido nos sítios do costume, ou seja, em tais publicações: uma história conformada à narrativa de sempre, sem grandes nuances ou particularidades que distingam tais narrativas e apresentem uma realidade que me lembro de ter vivido e ser distinta da apresentada, no que se refere ao início dos anos setenta e sobre a qual já por aqui tenho escrito. Não é História o que leio neste livro mas apenas uma versão requentada de uma certa visão histórica, sempre a mesma e desesperadamente irreal, porque sectária e parcial. Há muita coisa que fica de fora e poderia dar o tom do som e da fúria desse tempo, aliás fantástico, do início dos anos setenta, em Portugal.

Na apreciação crítica de duas obras de relevo, a Epopeia  publicado em 1969 pelo grupo Filarmónica Fraude e o primeiro lp de 1970 do Quarteto 1111, a que se junta uma breve referência ao álbum Mestre, de 1972 mas publicado em 1973,  do Petrus Castrus, há estas considerações avulsas sobre o mito sebastianista e o nosso império colonial. 
Um silêncio aflito do lugar-comum, sem qualquer rasgo histórico para além do que se escreve por aí há décadas, no discurso corrente. É isto que se ensina aos alunos universitários? 



A mãe deste sebastianismo serôdio na música popular, parece ter sido um single do mesmo Quarteto 1111, publicado no ano de 1967 e intitulado A Lenda de el rei d. Sebastião.  
 O disco foi considerado na altura uma autêntica pedrada no charco musical nacional e distinguido pela intelectualidade do programa de rádio Em Órbita que abriu então uma excepção e passou essa música cantada em português, tocada por um grupo português, o de José Cid. Há quem considere a obra singular como o primeiro sinal da música rock em Portugal, esquecendo os esforços anteriores de pioneiros que cantavam em...inglês, como os Sheiks ou o Conjunto Académico de  João Paulo. 
Por mim, comparando as músicas do disco, incluindo Os Faunos ou Meu irmão com a canção de Eduardo Nascimento, O vento mudou, que ganhou o festival RTP da canção nesse ano, não consigo detectar diferenças de vulto, de construção musical,  harmónica ou melódica. Tem a batida um pouco mais acentuada no baixo gravado com destaque de mistura. Rock, isto?! Sim, talvez como o dos Moody Blues...com cuja sonoridade aliás se assemelha. Aliás, será assim tão diferente a sonoridade do Quarteto 1111 com esta do Conjunto Académico João Paulo?
Para Moody Blues dos pobres já tínhamos outro: Barclay James Harvest!

Por outro lado, na "pièce de resistence" que esperava encontrar na análise do fenómeno musical português que surgiu no início dos anos 70, o que achei foi mais do mesmo de sempre. Como exemplo esta folha sobre o disco Venham mais cinco de José Afonso, publicado em 1973.




Por exemplo refere-se que José Afonso "depois de ter participado no III Congresso da Oposição Democrática seria preso". O que é que uma coisa tem a ver com a outra? Não se explica, porque se omite que o Congresso ocorreu entre 4 a 8 de Abril de 1973 e José Afonso foi preso em 30 de Abril desse mês. O que é que o cu tem a ver com as calças?
Mas nem é isso o mais significativo da frustração que este livro exala. A apreciação das obras musicais, com referências permanentes à opinião de críticos do calibre de um Tito Lívio é o pior. Sobre o disco Venham mais cinco, verdadeiramente um marco da música popular portuguesa, no que à composição e produção musical comporta, o que se escreve é tão pobre que o escrito é como o chapéu dum dito, todo esburacado de referências ausentes. 

Vê-se que o autor nem conhece isto, por exemplo ( e nem conhece também o Cine-Disco/ Mundo Moderno, referência incontornável da cultura popular, incluindo musical, da época, final dos anos sessenta) o que é lacuna imperdoável em quem se propôs escrever um capítulo, o 4º, sobre "a nova canção portuguesa" tomando como paradigma precisamente o Venham mais cinco: 








O disco é efectivamente um estrondo sonoro no panorama de então, mesmo com discos como Mestre do Petrus Castrus, já publicado nesse ano e outra obra-prima. 
O de José Afonso consegue misturar sonoridades que só mais tarde, com a Banda do Casaco se virão a encontrar de novo gravadas em disco.  Alguns instrumentos raros aparecem no disco e o guitarrista Yório Gonçalves é excepcional. Até a harpa intervém, com sonoridade impressionante na A Formiga no carreiro, um dos temas mais musicais e ritmados do disco, com o título-tema. 

A linguagem dos poemas é neutra no sentido de não se tornar panfletária o que parece ter desagradado a alguns ( como Teresa Botelho, na então R&T que preferiria coisa mais afrontosa e explícita). Porém é exactamente por isso que é mais valioso o disco, tal como as letras fantásticas, no sentido que a  fantasia realista o é em alguns temas de Bob Dylan, por exemplo. A ambiguidade nestes assuntos junta-se à beleza da música e dá-lhe um contorno ainda mais gracioso e artístico. "Gastão era perfeito" é outro tema do género e outro ponto alto do disco.




Lembro-me bem de ouvir este disco quando saiu, no final de 1973 e o quanto me impressionou pela qualidade e diferença que fazia a sonoridade em relação aos demais, particularmente os dos artistas que tinham publicado obras importantes, como Sérgio Godinho ou José Mário Branco. 
No rádio FM, as canções de Venham mais cinco, particularmente o tema principal e A Formiga no Carreiro,  soavam de forma excepcional e surpreendente, tanto pela originalidade musical como pela instrumentação usada. 
Provavelmente não é alheia a tal fenómeno a circunstância de o disco ter sido gravado em Paris, em 16 pistas, no estúdio "Aquarium" e produzido por José Niza, com a ajuda de gente de lá ( Gilles Salé, engenheiro de som). 

Experiência semelhante na surpresa sonora,  voltei a sentir no ano seguinte com a audição de Eldorado, dos Electric Light Orchestra.  E na mesma altura soava o Ouro de Tolo de Raul Seixas, com o ritmo e batida perfeitos do tom maior e letras em português, no caso do Brasil. 1973 foi um ano bom para a música popular, mas só para o ano é que ocorre a data redonda. 
Quanto ao livro é uma pena que não tenha referências pessoais, subjectivas sobre a música que constitui o assunto principal e se perca nas citações de autores anónimos da Flama ou do Século Ilustrado, ainda piores do que os titos lívios que escreviam na Mundo da Canção textos ilegíveis e medíocres até dizer não leio mais. 
O autor Luís Trindade é historiador e melhor faria, para bem dos leitores, ter rebuscado um pouco mais nas "fontes" para dar um panorama diferente e mais realista do que o que estamos habituados a ler e que aliás é sempre a mesma coisa. 
Não é por ser sempre a mesma coisa que a realidade se torna coincidente. Antes pelo contrário.

domingo, maio 01, 2022

Grateful Dead, o grupo rock que Portugal não conheceu em 1972

 Há 50 anos, em Abril e Maio,  o norte da Europa ( França, Inglaterra, Alemanha, Dinamarca, Luxemburgo e Holanda) pôde assistir a concertos dos Grateful Dead, um grupo rock americano, famoso pelos espectáculos ao vivo. Já tinham publicado dois discos ao vivo nessa altura e publicaram o terceiro no final desse ano, precisamente com trechos dos concertos então realizados e intitulado Europe´72 que foi um sucesso de vendas...lá fora. 

Em Portugal o grupo era virtualmente desconhecido, tal como outros ( Little Feat, por exemplo) e não se encontra menção ao grupo ou à sua música nas publicações da época, muito menos aos concertos que deram nesses dois meses em que andaram pela "Europa". 

Durante vários anos desconhecia a música dos Grateful Dead, porque nunca vira por cá discos ou sequer ouvira no rádio música dos mesmos, tirando um episódio ou outro em programas seleccionados, principalmente no Rádio Clube Português, ( Espaço 3P  por exemplo)  em que aparecia um ou outro entendido na matéria e trazia o disco pessoal,  da praxe, para mostrar aos ouvintes o que era a música desconhecida por cá. Acontecia isso com outros grupos, principalmente norte-americanos, cujos discos não chegavam cá, ao "grande público". Era um tempo de escassez assinalável e qualquer novidade era assinalável. 

Em Maio de 1972 a revista Mundo da Canção recenseava um disco a solo de Jerry Garcia dum modo tão estúpido quanto pretensioso, mas típico da época. 

O disco é uma perfeita maravilha e várias canções ( Deal, Bird Song, Sugareee ou mesmo To lay me down)  passaram a ser repertório habitual do grupo nos espectáculos ao vivo:


Quem quiser apreciar tal música que então não se ouvia,  pode ouvir em podcast um programa de rádio, na Antena 1, intitulado Costa a Costa. Estão lá todos e mais alguns, desses artistas e grupos musicais. 

Tal circunstância durou para além da década de oitenta e só com o aparecimento do cd e vulgarização das gravações antigas e de "fundo de catálogo" foi possível ouvir, pela primeira vez, vários grupos de rock e algumas obras-primas desconhecidas. 

Em 1977 a revista Música & Som dava conta de tal desconhecimento, publicando a discografia e referindo que "nenhum disco pode ser encontrado em Portugal". 

Em 1972 o grande acontecimento musical de espectáculo ao vivo da música rock em Portugal foi a apresentação dos Procol Harum em Cascais e pouco mais ( o Cascais Jazz´72 nem conta para isso).

Assim, à semelhança de muitos outros discos de outros tantos grupos e músicos, o triplo lp Europe´72 passou completamente ao lado dos ouvintes de música popular em Portugal, tal como acontecera com os restantes e posteriores, até finais dos anos oitenta. 

Os Grateful Dead nunca disseram nada de especial aos ouvintes portugueses, o que é pena porque perderam algo de importante para quem gosta destas coisas e para cima de uma dúzia de canções memoráveis. 

O disco de 1972, Europe´72, vendeu milhares e milhares, nos países que apreciavam a sua música, como a França e que já tinham escutado os dois discos de estúdio mais interessantes- Workingman´s Dead e American Beauty, ambos saídos em 1970. O primeiro tem o tema Ripple que durante muitos anos foi o que conhecia do grupo e pouco mais. 
Quanto à respectiva música e discos só há alguns anos ganhei uma autêntica mania pela colecção dos mesmos, incluindo vários ao vivo e que foram publicados em anos mais recentes, com concertos da década de setenta e repetindo as mesmas canções de modo diferente e interessante.  

Aliás, a música e espectáculos ao vivo do grupo, congregam inúmeros fanáticos que se dedicaram ao longo dos anos em gravar e piratear os concertos, primeiro em gravadores de cassetes e depois em aparelhos mais sofisticados, havendo inúmeros artefactos à venda,  nesse género de discos-pirata e com larga representação no youtube e noutros sítios. 

Há mesmo um sítio dedicado exclusivamente a reproduzir a maior parte dos concertos da banda, com centenas ou mesmo milhares de espectáculos gravados desse modo e disponíveis para quem quiser ouvir, na internet, o que é um autêntico maná para os apreciadores, entre os quais me incluo.

No entanto, à semelhança de muitos outros, conheci primeiro o grupo através de leituras. Foi através da Rock&Folk de Outubro de 1974 que tinha esta capa e uma entrevista com o principal músico do grupo, Jerry Garcia que morreu em 1995. 



Aí aparecia referido que era a segunda vez que o grupo vinha a França, sendo a primeira dois anos antes, precisamente por ocasião daqueles concertos de 1972 que se produziu em Paris. 

Então dera igualmente uma entrevista à mesma revista, onde se explica uma certa filosofia do grupo e do músico, ainda influenciada pelo comunitarismo serôdio do hippismo de S.Francisco, já em manifesto desuso, mas ainda com laivos de uma certa ingenuidade que se perdeu pouco tempo depois. Porém, ainda assim,  com nuances já muito assinaláveis e que denotavam o bom senso do músico, perante a insistência do repórter ( Hervé Muller) muito pró Maio de 68. 






Dos concertos dados em Paris saiu no ano passado, no Record Store Day, uma compilação com cinco lp´s contendo o espectáculo de 3 de Maio desse ano e que complementa o triplo saído no final daquele ano de 1972. 
Para este ano de 2022 assinala-se ainda a publicação de mais uma ou duas compilações, desta vez dos concertos de Inglaterra, em Wembley e no Lyceum, bem como já foram publicados na sua totalidade os concertos da referida digressão europeia. Em 22 cd´s! 

Nesse mesmo ano de 1972 foram publicados dois discos a solo dos principais músicos da banda, Jerry Garcia e Bob Weir, como aqui se mostram, acompanhados do disco triplo de 1972, em edição original e da caixa de cinco lp´s, de 2021 contendo o concerto de Paris de 3 de Maio desse ano. 


 Duas páginas do "booklet" do disco original:



Qual a particularidade técnica destes discos gravados ao vivo? Terá sido a primeira vez que foram gravados os espectáculos, em bobines de 16 pistas, permitindo o registo de vários instrumentos e a sua mistura posterior em moldes de produção mais aperfeiçoada. O que aliás não impediu que algumas vocalizações fossem acrescentadas em estúdio, no caso do disco original, triplo, de 1972. 

A explicação de tudo isto é mais completa e pormenorizada no artigo da Mojo deste mês ( Junho 2022): 







Quanto à música dos Grateful Dead tornou-se tão aditiva como as drogas que dizem que os músicos então tomavam, à discrição, particularmente LSD, o que duvido fosse assim tão corrente. 
Porém, para apreciar a música é preciso ouvir e de preferência em condições aperfeiçoadas: discos originais em vinilo...
Ao contrário de outras músicas e discos, a dos Grateful Dead continua interessante e audível, repetidas vezes, sem cansar, ao longo dos anos, o que é o exemplo do classicismo. 



Entrevista de Ivo Rosa ao Expresso